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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

A imagem do dia




O GP de Itália de 1966 assistiu a um regresso à pista da Honda, quase um ano depois da sua primeira vitória. Com a alteração dos regulamentos, onde os motores passaram de 1,5 litros para os três litros, as equipas tiveram de alterar completamente a estrutura dos seus motores, e para algumas equipas como a Honda, o melhor que fizeram foi construir um novo de raiz. 

E por causa disso, o melhor que poderiam fazer era não participar no campeonato de 1966 até o motor - e o chassis - ficarem prontos. 

Richie Ginther escolheu participar em duas provas no inicio do ano, correndo no Cooper oficial, pois tinha sido também contratado como consultor no filme "Grand Prix", e até tinha um papel no filme, correndo sob o nome de "John Hogarth". Um quinto lugar no tempestuoso GP da Bélgica foi o seu melhor resultado, antes de ser substituído por John Surtees.

A partir dali, concentrou-se no desenvolvimento daquilo que viria a ser o Honda RA273, o carro de 1966. Com o motor V12 de 3 litros aberto a 90 graus, desenhado por Shoichiro Irimajiri, o carro era, como nos anteriores, feito em casa, eles tinham esperança na eficácia do seu propulsor. Nos testes, tinham conseguido arrancar cerca de 360 cavalos, nada mau, comparado com, por exemplo, os Ferrari, que tinham os mesmos 360 cavalos do Honda. 

O carro ficou pronto a tempo de correr em Monza, mas como só havia um chassis, este foi para Richie Ginther. Um segundo chassis seria inscrito em Watkins Glen, para o outro piloto da marca, o americano Ronnie Bucknum. Na qualificação, Ginther conseguiu o sétimo melhor tempo, e andava entre os primeiros até sofrer um acidente na volta 16, quando se despistou e saiu de pista, batendo entre duas árvores.Apesar da destruição, Ginther salvou-se com alguns arranhões. O que foi uma tremenda sorte, dado que naqueles tempos, era mais fácil morrer...

Contudo, a Honda tinha mostrado que queria participar na nova era da Formula 1. Mas tinham coisas para melhorar, e sabiam disso. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

As imagens do dia





Este é o fim de semana do GP do México, mas o que só os mais entendidos do automobilismo sabem é que hoje, há precisamente 60 anos, e precisamente no final da era dos 1,5 litros, a Honda vencia pela primeira vez, sendo a primeira marca não-europeia e não-americana a ganhar um Grande Prémio, com um piloto que também se estrava na galeria dos vencedores: o americano Richie Ginther. 

A história da Honda é sabida: nascida das cinzas da II Guerra Mundial - foi fundada em 1946 por Sohichiro Honda - fabricou motos com imenso sucesso até que em 1962, decidiu lançar o seu primeiro automóvel, o Honda 600. Ao mesmo tempo, a marca também deu um passo ousado rumo à competição, ou seja... a Formula 1. Com base europeia em Zandvoort, nos Países Baixos, o carro, que viria a ser o RA271, começou a ser desenvolvido para entrar na temporada de 1964. Seguindo os passos da BRM e claro, Ferrari, construiu o seu próprio motor e chassis, e acabou por se estrear no GP da Alemanha de 1964, logo no Nurburgring Nordchleife, com o americano Ronnie Bucknum ao volante. Acabou na 13ª posição, muito longe dos primeiros, mas eles estavam lá, e sabiam que o caminho iria ser longo, mas lá chegariam.

Em 1965, construíram o RA272, a continuação do chassis anterior, e tinha um motor de 1,5 litros que debitava 240 cavalos, embora o objetivo deles fosse de 270 cavalos - daí o "272" no código do chassis. A Bucknum, juntou-se outro americano, com experiência na Formula 1: Richie Ginther, com passagens por Ferrari, Cooper e BRM, entre outros. 

O carro à partida era pesado - tinha um V12, e ao todo, tinham 525 quilogramas, mas no final da temporada, tinham conseguido fazer uma "cura de emagrecimento", passando a ter 495 quilos, o seu grande objetivo. O sistema de refrigeração foi melhorado, mexeu-se no centro de gravidade, o motor foi mexido no seu lugar em 100 milímetros, o que, aliado com o novo centro de gravidade, fez com que andassem entre os da frente: Lotus, BRM e Ferrari. 

É evidente que estas modificações vieram tarde para contrariar o domínio da Lotus e do seu piloto, Jim Clark, que ganhou o seu segundo título mundial com seis vitórias em seis corridas, dominando a temporada. Mas a Honda, que tinha conseguido apenas dois pontos ao longo do ano - dois sextos lugares em Spa e Zandvoort - ainda queria mostrar os seus desenvolvimentos ao mundo. E mostrou logo na qualificação quando colocou os seus dois carros nos dez primeiros da grelha - Ginther em terceiro - a menos de um segundo do poleman, Jim Clark - e Bucknum em décimo. 

A corrida começou com Ginther a largar bem e a ficar com a liderança no final da primeira volta, para depois... não a largar. Clark ficou sem motor na oitava volta, e o americano era perseguido pelos BRM de Graham Hill e do novato Jackie Stewart. Mas ao longo da corrida, esses carros começaram a ter problemas. Stewart desistiu na volta 35, com problemas de embraiagem, e Hill na 56ª passagem pela meta, quando o motor explodiu.

No final, Ginther teve de aguentar os ataques do Brabham de Dan Gurney, que acabou com quase três segundos de atraso, mas valeu a pena: na última corrida da classe de 1,5 litros, Ginther conseguia ali a sua primeira vitória na Formula 1 e algo a celebrar para a Honda, que ainda conseguiu mais dois pontos, quando Ronnie Bucknum acabou a corrida na quinta posição, a uma volta do vencedor. 

Ambos os pilotos continuariam na temporada de 1966, com o novo motor V12 de 3 litros, mas isso vai mais além do que se fala hoje. Contudo, há 60 anos, na altitude mexicana, a Honda fazia história na Formula 1.  

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

A imagem do dia (II)



Richie Ginther foi um dos americanos que fizeram mais carreira na Europa que "em casa". Apesar de ter corrido nas 500 Milhas de Indianápolis, foi a correr na Formula 1 e na Endurance que se mostraram ao mundo. Principalmente quando começou a correr pela Ferrari, em 1960, e depois, na BRM e Honda, acabando na Eagle, de Dan Gurney. Foi uma carreira que durou pouco mais que sete temporadas.

Nascido a 5 de agosto de 1930, na cidade californiana de Los Angeles, e começou cedo no automobilismo porque o seu irmão mais velho, George, tornou-se amigo de Phil Hill. Ambos se conheceram, tornaram-se amigos e com a paixão do automobilismo em comum, começaram as suas carreiras na crescente comunidade automobilística do estado. Ginther seguiu Hill ao longo da sua careira, até chegarem à Formula 1, correndo ambos pela Ferrari.

Em 1964, quando Ginther estava na BRM, a Honda decidiu estrear-se na Formula 1, surpreendendo tudo e todos na Formula 1, porque achavam pouco crível que uma equipa do Japão, de uma marca que só existia há menos de 20 anos e tinha recentemente fabricado o seu primeiro automóvel, se atrevesse a entrar na categoria máxima do automobilismo. Mas conseguiu, contratando o americano Ronnie Bucknum. Sabendo que precisavam de alguém que soubesse melhor da coisa, sugeriram Ginther - que tinha aperfeiçoado os seus dotes mecânicos no exército, durante a Guerra da Coreia - e este aceitou correr na temporada de 1965, depois de ter sido terceiro na temporada anterior, a sua melhor classificação da sua carreira, até então.

Com a Honda no seu segundo ano, a primeira temporada completa, construíram o RA272, com um motor de 1.5 litros, e estrearam-no no GP do Mónaco, sem que nenhum deles chegasse ao fim, mas o primeiro ponto apareceu na corrida seguinte, na Bélgica, com Ginther ao volante. Outro ponto aconteceu no GP dos Países Baixos, em Zandvoort.

O GP do México era a última do calendário, e a última da Formula de 1.5 litros. O campeonato estava dado há muito tempo a Jim Clark, no seu Lotus 33, e todos se preparavam para a nova era, a dos 3 litros, desenvolvendo os motores adequados para a ocasião. Mas alguns queriam sair em alta, e a Honda era uma delas. Viu-se na qualificação, quando Ginther conseguiu o terceiro melhor tempo e Bucknum, o décimo. 

Quando a bandeira mexicana foi agitada, dando o inicio da corrida - os semáforos estão a mais de uma década de distância - Ginther largou melhor que Clark e Gurney... e foi-se embora. Só acabou na meta, numa corrida onde dominou do principio ao fim. O carro funcionou perfeitamente, apesar de um duelo com o Brabham de Gurney ao longo da corrida, depois de Clark e os BRM de Jackie Stewart e Graham Hill terem tido problemas com os seus carros - o escocês com a embraiagem, o britânico com o motor.

Para além de ter sido a primeira vitória da Honda na Formula 1, também era a primeira da Goodyear, a marca americana de pneus que calçava os Honda. Sem saberem, era a primeira de 368 vitórias, que conseguirá até 1998, altura em que abandonará a competição até aos dias de hoje.

Esta será a única vitória de Ginther na Formula 1. Abandonará a competição depois do GP do Mónaco de 1967 e retira-se para uma vida pacata, ficando fora dos holofotes. Morrerá de ataque cardíaco a 20 de setembro de 1989, enquanto passava férias no sul de França. Faz agora 35 anos que aconteceu.         

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A imagem do dia

Esta foto vi ontem à noite no Facebook do Paul-Henri Cahier. Tirada em 1971 pelo seu pai, Bernard, tinha ali boa parte da trupe americana que andou por ali naquele ano. Estava lá Phil Hill e Richie Ginther, David Hobbs e Richard Attwood, e Tony Adamowicz, que morreu ontem aos 75 anos.

E todos comemoravam o feito de Adamowicz e de Sam Posey (que não estava na foto), onde chegaram ao lugar mais baixo do pódio a bordo de um Ferrari 512 da NART, a equipa americana da Scuderia. Mas na foto também estavam outros pilotos que andaram bem nesse ano: Atwood fora segundo, num dos 917 da John Wyer, Chris Craft e David Weir acabaram em quarto no Ferrari 512 de David Piper, enquanto que Elliot-Forbes Robinson tinha alinhado num Porsche 911 preparado por... Ginther, que depois de ter pendurado o capacete, decidira construir uma equipa, com esses Porsche.

É quase meio século, e claro, tempos esses que não voltam mais. 

sábado, 24 de outubro de 2015

A imagem do dia

Semana que vêm, a Formula 1 volta ao México, após 23 anos de ausência. E num circuito que, com algumas modificações, acolheu a Formula 1 em dois períodos distintos, o primeiro entre 1963 e 1970, e o segundo, entre 1986 e 1992. Mas foi nesse primeiro periodo que aconteceu o momento do qual coloco aqui a foto, tirado por Bernard Cahier.

E vale a pena falar desse momento, pois é único: a única vitória de Richie Ginther, a primeira vitória da Goodyear e da Honda, na última corrida dos carros com motores de 1.5 litros.

A aventura da Honda tinha começado no ano anterior, com o desconhecido piloto americano Ronnie Bucknum, e onde os resultados foram modestos. Contudo, a contratação de Ginther, vindo da BRM, fez melhorar um pouco o modelo RA272, que tinha um motor V12 com cerca de 230 cavalos de potência. A temporada foi sofrida, mas o engenho de Ginther compensou quando acabou no sexto posto no GP da Bélgica, dando o primeiro ponto à marca japonesa. E repetiu a mesma posição em Zandvoort, no GP da Holanda.

Contudo, apesar destes resultados algo encorajadores, o motor era pesado e não muito fiável, e não se aproximavam muito da conquistadora Lotus, com o seu motor Coventry Climax de quatro cilindros em linha, e a marca japonesa sabia que teria de trabalhar muito para melhorarem a sua performance. Foi por causa disso que decidiram não ir a Nurburgring, palco do GP da Alemanha, onde se estrearam um ano antes. Mas no regresso, os progressos foram muitos, e havia expectativas quando chegaram à Cidade do México, palco da última corrida da temporada, com tudo resolvido.

Ali, Ginther conseguiu a melhor qualificação do ano, com um terceiro lugar, ao lado de Jim Clark e Dan Gurney, e na corrida, o americano ficou com liderança, perseguido por Clark, Hill e Jackie Stewart. Contudo, os três tiveram problemas e acabaram por desistir, com Gurney a persegui-lo até ao fim, no seu Brabham.

No final, Ginther era um piloto feliz por ter dado aos japoneses a sua primeira vitória na Formula 1, numa altura tão importante da modalidade. E mesmo Ronnie Bucknum não ficou esquecido, pois foi ali que alcançou os seus únicos pontos da sua carreira, qualdo levou o seu carro até ao quinto posto. Era o final de uma era, e os japoneses alcançaram aquilo que mais tarde chamaram de "o sonho impossivel". E eles nunca mais esqueceram desse momento.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Um Formula 1 no meio de uma exposição de Legos

Todos os anos, há sempre na minha cidade uma exposição de Legos, nas antigas instalações do Banco de Portugal. Como é óbvio, é uma exposição concorrida, quer por crianças quer por adultos, e acompanhado de um bom amigo meu que também compra desses legos - normalmente de carros de guerra ou naves vindos da Guerra das Estrelas - eles ultimamente têm vindo a colocar alguns modelos de carros de Formula 1 do passado.

E nesta exposição, havia um carro de Formula 1. E não era um qualquer: falamos de um modelo Honda, o RA272, o último carro da categoria de 1,5 litros vencer uma corrida, o GP do México de 1965, com o Richie Ginther ao volante, e também a primeira vitória da Goodyear na categoria máxima do automobilismo. Poderemos dizer que a categoria máxima do automobilismo esteve bem representada, apesar de estar apenas um carro por lá.

E se a ser verdade que a Lego recusou a chance de patrocinar a McLaren, se calhar também perdeu uma chance de ter uma mina nas suas mãos. Poderiam imaginar a quantidade de modelos que poderiam vender da marca de Woking? E não falo só da Formula 1, refiro também à Can-Am ou da Endurance, dada a quantidade de categorias onde esteve presente a marca fundada por Bruce McLaren. Enfim...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Youtube Formula 1 Classic: O GP de França de 1962


Estes dois filmes vi na página do Facebook do Motorart, colocada pelo Antonio Carvalhal. Ele é interessante, poris trata-se do GP de França de 1962, em Rouen-Les Essarts. E ficou para a história por ter sido o local onde a Porsche alcançou a sua unica vitória na Formula 1, através do americano Dan Gurney.

O filme foi feito pela Castrol, pois isto acontecia numa altura onde as transmissões televisivas simplesmente não existiam, ou eram muito escassas. Ao todo, são mais de 25 minutos com o resumo da corrida onde se vê a fina flor do automobilismo de então, há mais de 50 anos, e onde nessa corrida, houve um grande ausente: a Ferrari, que sofria os efeitos de uma greve dos transportes em Itália.

Apreciem. 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

GP Memória - Mónaco 1967


Mais de cinco meses depois da corrida inicial, em paragens sul-africanas, o pelotão da Formula 1 voltava a reunir-se nas ruas do Mónaco para a segunda corrida da temporada. Nesse intervalo de tempo, houve várias competições, como a Tasman Series e corridas extra-campeonato como o International Trophy, em Silverstone, uma corrida ganha pelo Ferrari de Mike Parkes, e o Race of Champions, cujo vencedor foi o Eagle de Dan Gurney.

Dezanove carros estavam inscritos para o Grande Prémio, num Grande Prémio onde iriam entrar apenas dezasseis carros para a corrida. Nas equipas oficiais, a Lotus – ainda com motor Climax, pois os Cosworth ainda não estavam prontos - tinha inscrito Graham Hill e Jim Clark, a Ferrari – que não participara na corrida inaugural, na Africa do Sul – tinha inscrito dois carros, para Lorenzo Bandini e o neozelandês Chris Amon, que tinha vindo da McLaren na temporada anterior. Na Eagle, para além de Dan Gurney, havia mais um carro, para o seu compatriota Richie Ginther.

Brabham e BRM também tinham dois carros inscritos para esta corrida. No primeiro caso para o campeão Jack Brabham e o neozelandês Dennis Hulme, enquanto que no segundo alinhavam o escocês Jackie Stewart e o inglês Mike Spence. Por fim, a Cooper, que tinha vencido a primeira coridda do ano, com o mexicano Pedro Rodriguez ao volante, tinha dois pilotos inscritos, ele e o jovem austríaco Jochen Rindt.

Honda e McLaren alinhavam com um carro. O primeiro para John Surtees e o segundo para Bruce McLaren, este com um motor BRM. Havia também as inscrtições privadas de Piers Courage, num BRM da Reg Parnell Racing, enquanto que Jo Siffert alinhava com o Cooper-Maserati inscrito pela Rob Walker Racing. Ainda havia mais uma inscrição privada, o de Bob Anderson, no seu Brabham.

Para finalizar, a francesa Matra fazia a sua estreia na Formula 1 com dois carros de… Formula 2. Com motores Cosworth de 4 cilindros, seriam pilotados pelos franceses Johnny Servoz-Gavin e Jean-Pierre Beltoise, que faziam as suas estreias na categoria máxima do automobilismo.

No final das duas sessões de qualificação, o carro de Jack Brabham foi o melhor, com o Ferrari de Lorenzo Bandini ao seu lado. Na segunda fila estavam o Honda de John Surtees e o segundo Brabham de Dennis Hulme. Jim Clark era o quinto, seguido pelo seu compatriota Stewart. Dan Gurney era o sétimo, segundo pelo segundo Lotus-Climax de Graham Hill. A fechar o “top ten” estavam o Cooper-Maserati de Jo Siffert e o carro de Bruce McLaren.

Três pilotos acabaram por “ficar com a fava”: o Matra de Jean-Pierre Beltoise, o Brabham de Bob Anderson e o Eagle de Richie Ginther. Seria a sua última corrida na Formula 1, pois iria abandonar a competição pouco depois.

A corrida, disputada sob um sol primaveril de maio, num total de… cem voltas ao Principado, começou com Bandini na liderança, e o motor Repco de Jack Brabham a explodir no final da primeira volta, causando confusão no meio do pelotão, pois o australiano fez um pião no meio da pista. Jo Siffert, para evitar bater no Brabham, coloca o carro no muro, mas sobrevive o suficiente para levá-lo para as boxes no sentido de o reparar. Na segunda volta, Jim Clark perde o controle do seu carro, ao ir para a escapatória, perdendo tempo e indo para o fim do pelotão.

Na frente, Bandini manteve a liderança por pouco tempo, pois primeiro Hulme e depois Stewart, o ultrapassaram. O neozelandês foi líder até à sexta volta, altura em que o escocês o ultrapassou. Foi uma liderança de pouca dura, porque na 14ª volta, a transmissão do seu BRM falhou e a sua corrida acabou ali.

Com Hulme de volta ao primeiro lugar, e Bandini em segundo, depois de ter andado à luta com Graham Hill, as coisas estabilizaram na frente, embora o italiano se esforçasse para o apanhar. Surtees era o terceiro, mas pouco depois, na volta 32, o seu motor explodiu e a sua corrida acabava ali. McLaren herdava o terceiro posto, mas tinha Clark e Amon atrás de si, e tinha alguma dificuldade em os segurar. Para piorar as coisas, o neozelandês sofreu problemas elétricos no seu carro e teve de ir às boxes para os resolver, com o escocês da Lotus no terceiro posto.

Contudo, na volta 42, Clark tem problemas com os amortecedores e acaba por abandonar, fazendo com que Chris Amon herdasse o quarto posto. Bandini, agora livre de Hill, procurava apanhar Hulme para ver se vencia no Principado. Ele, que se dava sempre bem nestas ruas - apesar de nunca ter vencido – esperava que o cansaço se abatesse sobre Hulme para o poder apanhar.

Só que no inicio da 82ª volta, na Chicane do Porto, Bandini já estava cansado de atacar Hulme e distrai-se a abordar essa parte, perdendo o controle do seu carro e batendo forte num dos pilares que serviam para amarar os barcos. O carro pegou fogo de imediato, e ajudado pelos fardos de palha, o fogo espalhou-se. Para piorar as coisas, o carro ficou de cabeça para baixo e Bandini não podia sair do seu carro, mesmo que tivesse ficado consciente no seu embate.

Acabaram por ser três pessoas a tirá-lo do seu carro, um deles o ex-piloto – e agora fotógrafo – Giancarlo Baghetti. Fora imediatamente transportado para o hospital, mas todos sabiam da gravidade do embate.

Na corrida, Hulme permaneceu incontestado, com Amon atrás, mas este sofre um furo a oito voltas do fim, cedendo o segundo lugar para Hill. E assim foi até á meta, com Dennis Hulme a conseguir a sua primeira vitória da sua carreira, com Hill e Amon no terceiro posto, a conseguir o seu primeiro pódio da sua carreira. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram Bruce McLaren – três neozelandeses nos pontos! – o Cooper de Pedro Rodriguez e o BRM de Mike Spence.

Pouco depois, chegavam as primeiras noticias sobre o estado de saúde de Bandini. As queimaduras eram graves e as hipóteses de sobrevivência eram mínimas. Iria morrer três dias depois, no Mónaco, aos 31 anos de idade.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Youtube Commercial: Shell 1967



Na terça-feira, coloquei um anuncio da Shell em que colcava Richie Ginther, piloto da BRM, Ferrari e Honda nos anos 60, a falar das virtudes dos óleos dessa marca, a bordo do mítico GT40. Hoje coloco outro anuncio da mesma marca, mas com mais pessoas envolvidas: Luigi Chinetti, o dono da Ferrari na América do Norte e o homem que fez a N.A.R.T, a North American Racing Team, Ginther e Jim Hall, o piloto do Texas que construiu o mítico Chaparral e que correu na Can-Am.

O anuncio deve ser de 1967, por aí, e os três falam das virtudes dos óleos da marca ao volante das suas máquinas. Sendo datados - e raros - dão a aurea de um clássico.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Youtube Commercial: Shell e a Ford GT40



Decobri esta no blog do Michael Cannell, Crimson Cars: um anuncio a cores feito nos anos 60 - 1965, talvez - da gasolineira Shell. E mostra um dos carros mais icónicos da década, o Ford GT40.

O piloto que conduz - e dá a cara - pelo carro é o americano Richie Ginther. A razão porque penso que este anuncio tenha sido feito em 1965 ou 66 é por duas razões: o carro era o desafio americano para vencer as 24 Horas de Le Mans, e pode ter sido feito antes da sua vitória nesse ano. E ginther era na altura piloto da Honda na Formula 1 e tinha vencido o GP do México, o último da era 1.5 litros, a bordo do seu Honda.

Eis um anuncio histórico, que vale a pena ver. E o mais engraçado nisto tudo é que quem o colocou no Youtube foi o filho de Ginther, Bret.

sábado, 18 de junho de 2011

GP Memória - Belgica 1961

Três semanas depois de Zandvoort, máquinas e pilotos estavam em Spa-Francochamps para correr a terceira prova do ano, o GP da Belgica. A organização tinha convidado os pilotos a participarem na corrida, mas quando receberam 25 inscrições para a prova, descobriram que só havia dinheiro suficiente para 19 máquinas, logo, decidiu-se fazer uma seleção: dezasseis carros oficiais - Ferrari, BRM, Porsche, Lotus e Cooper - mais algumas paricipações especiais como a de Stirling Moss. Quanto ao resto, iriam ser selecionados os três melhores, o que implicaria a não-qualificação de seis carros.

Havia algumas estreias. Um trio de Lotus 18 estavam inscritos, e eram as entradas privadas dos britânicos Tony Marsh e Ian Burgess, e o alemão Wolfgang Seidel. Os Emmeryson da Ecurie Nationale Belge, guiados pelos locais Lucien Bianchi e Willy Mairesse também estavam ali, bem como um Cooper-Maserati da Scuderia Centro-Sud, pilotado por um jovem de seu nome Lorenzo Bandini. Outro dos que fazia a sua estreia absoluta era Jackie Lewis, num Cooper-Climax da H&L Motors.

Aí, os treinos foram marcados pelo forte acidente de Cliff Allison. Ele e Henry Taylor estavam inscritos pela BRP e a equipa tinha decidido fazer um teste entre os dois para ver qual deles iria correr. O veterano Allison, cuja melhor classificação de sempre tinha sido um segundo lugar no GP da Argentina do ano anterior, sofrera graves ferimentos nos joelhos e na pélvis, e viria a ser a sua última participação na Formula 1. Este acidente fez recordar os eventos do ano anterior, onde dois pilotos, Alan Stacey e Chris Bristow, tinham morrido, e demonsrou a periculosidade do automobilismo nesta pista rápida como Spa.

No final da qualificação, a primeira fila foi toda da Ferrari: o melhor foi Phil Hill, seguido por Wolfgang Von Trips e do local Olivier Gendebien, no carro inscrito pela Ecurie Nationale Belge. Na segunda fila estavam John Surtees e o quarto Ferrari de Richie Ginther, enquanto que na terceira estavam os BRM de Graham Hill e Tony Brooks, bem como o Lotus-Climax de Stirling Moss. A fechar o "top ten" estavam os Porsche de Dan Gurney e Richie Ginther.

Quanto a Emmeryson, os seus carros tinham sido danificados nos treinos, e os seus pilotos, os belgas Lucien Bianchi e Willy Mairesse, contaram com o beneficio da organização para poderem alinhar com dois dos Lotus 18 dos pilotos que tinham entrado inicialmente por Tony Marsh e Wolfgang Seidel.

A corrida foi uma discussão entre os Ferrari, que naquele dia eram os melhores carros do pelotão. mas não havia nada definido, logo, foi um duelo entre Hill e Von Trips, com alguma interferência de Gendebien e Ginther a fazer a volta mais rápida. O duelo terminou com os quatro Ferrari a terminarem nas quatro primeiras posições, algo demonstrador do dominio da marca de Maranello. Atrás, Graham Hill tinha até feito uma partida-canhão e ficado com o primeiro lugar por momentos, mas depois foi superado pelos Ferrari e entrado num duelo com Surtees pela quinta posição, acabando por ficar nas mãos deste último, quando Hill abandonou na volta 24 com uma fuga de óleo. O último lugar pontuável ficou nas mãos do Porsche de Dan Gurney.

Fontes:

domingo, 24 de outubro de 2010

GP Memória - México 1965

O GP do México de 1965 representava o final da temporada, mas também representava o final de uma era na Formula 1. Os motores de 1.5 litros, que estavam em vigor desde a temporada de 1961, iriam ser substituidos pelos motores de 3 litros (basicamente dois motores de 1.5 litros cada, uma solução que iria ser usada por algumas construtoras durante a temporada de 1966, enquanto os novos motores não estariam prontos) e a principal construtora, a Coventry-Climax, já tinha anunciado que não iria produzir esse tipo de motores na temporada seguinte.

Na lista de inscritos, não havia novidades em relação a Watkins Glen, três semanas antes. Mas durante o fim de semana de treinos, houve muita agitação nas boxes. Tudo começou quando Innes Ireland se perdeu a caminho do circuito e entrou em discussão com Tim Parnell, resultando no seu despedimento. Então, Parnell pediu à Ferrari para que pudesse usar o americano Bob Bondurant para que pudesse guiar o seu chassis Lotus-BRM. A Ferrari acedeu e no seu lugar veio o italiano Ludovico Scarfiotti.

Os treinos foram intensos, e Jim Clark, que já era campeão do mundo, ainda tinha vontade de vencer e fez a pole-position, batendo o Brabham do americano Dan Gurney por um décimo de segundo. O Honda de Richie Ginther era o terceiro a partir. Na segunda fila estavam o carro de Jack Brabham e o BRM de Graham Hill, enquanto que na terceira estavam o segundo Lotus de Mike Spence, o Ferrari de Lorenzo Bandini e o BRM de Jackie Stewart. A fechar o "top ten", na quarta fila, estavam o terceiro Lotus do local Moisés Solana e o segundo Honda de Ronnie Bucknum.

No "warm up", o mexicano Pedro Rodriguez bateu forte e o seu carro não estava pronto para a corrida. Assim sendo, tiveram de recorrer ao carro de Scarfiotti para que ele pudesse correr.

Na partida, Ginther conseguiu ser suficientemente rápido para chegar ao primeiro lugar, com Stewart e ser igualmente rápido, chegando ao segundo posto. Contudo, pouco depois o escocês foi ultrapassado primeiro pelo Lotus de Spence, depois pelo BRM de Hill e por fim pelo Brabham de Gurney. Entretanto, Jim Clark se atrasava devido a problemas de motor, que mal funcionava na altitude mexicana. Depois de nove voltas de luta, Clark encostou à boxe e desistiu. Logo depois, Gurney aumentou o seu ritmo e apanhou Hill e Spence no final da volta 20 para ficar com o segundo lugar. Logo depois partiu em perseguição de Ginther, uma luta de americanos que iria durar o resto da corrida.

Atrás, Hill e Spence tinham o seu próprio duelo, com Stewart à espreita pelo lugar mais baixo do pódio. Mas na volta 35, a embraeagem de Stewart cede e este termina a corrida por ali. Vinte voltas depois, o motor de Hill rebenta, deixando Spence mais isolado na terceira posição, com o Brabham de Siffert muito atrás.

Perto do fim, na volta 62, algo inacreditável: um acidente envolvendo... os dois Ferraris. Pedro Rodriguez e Lorenzo Bandini colidiram no gancho do circuito, com os dois enganchados, e ambos acabaram a sua corrida por ali.

Três voltas depois, a bandeira de xadrez foi mostrada, e Richie Ginther dava à Honda uma inédita vitória na Formula 1. Era absolutamente unico, para piloto, carro, motor... e pneu. A Honda tinha calçados pneus da Goodyear, a unica equipa ao qual fornecia os seus pneumáticos, e fora aqui que conseguia a primeira das mais de 150 vitórias na categoria máxima do automobilismo. Dan Gurney foi o segundo e Mike Spence o terceiro. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram Jo Siffert, no Brabham da Rob Walker Racing, o segundo Honda de Ronnie Bucknum e o britânico Richard Attwood, no Lotus-BRM da Reg Parnell Racing.

E assim terminava uma era na Formula 1. A próxima temporada prometia um novo tipo de motor, mas também uma nova era no automobilismo, que iria durar quase dezoito anos e que iria ser revolucionaria.

Fontes:

http://www.grandprix.com/gpe/rr141.html
http://en.wikipedia.org/wiki/1965_Mexican_Grand_Prix

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Impressões sobre Richie Ginther

Se estivesse vivo, Richie Ginther faria hoje 80 anos. Somente viveu 59, e para os mais desatentos, parece ele não deixou grande marca na história do automobilismo. Mas quem diz tal coisa, parece que desconhece os seus feitos ou quer reduzi-los ao minimo. Não é assim, pois vendo bem, foi um dos melhores dos anos 60. Um piloto regular que fez história, pelo menos na Honda e na Goodyear, pois foi o primeiro a ganhar por ambas as marcas. E foi o último vencedor na época da Formula 1.5 litros, no GP do México de 1965.

Teve como companheiros de equipa pilotos como Graham Hill, Wolfgang von Trips e os seus compatriotas e amigos Phil Hill e Dan Gurney. Foi segundo piloto nas equipas em que passou, mas a sua capacidade mecânica e regularidade eram os seus maiores trunfos. O seu melhor lugar na classificação foi um terceiro lugar na temporada de 1964 e era presença regular no pódio. Quando foi para a Honda, em 1965, o seu estatuto mudou e teve a oportunidade de demonstrar todo o seu potencial. Nas duas épocas que se seguiram, conseguiu, para além da tal vitória no México, mais algumas proezas dignas de registo.

Quando via a sua biografia, algures na Wikipédia, descobri que ele teve uma "ponta" no mítico filme sobre automobilismo, o "Grand Prix". O seu nome não aparecia nos créditos, mas descobri que fazia a personagem de "John Hogarth", companheiro de "Pete Aaron" na Yomura. Sendo assim, achei por bem trazer de novo o sr. Hogarth na minha história, com forma de tributo ao sr. Ginther, pois acho que merece plenamente este pequeno tributo meu. Hão de ver isso nos próximos dias.

Um dia, fartou-se. Os acidentes mortais que vitimaram alguns dos seus companheiros e amigos e a sensação que já tinha feito tudo o que tinha a fazer, e a provar, deve tê-lo feito tomar tal decisão. Correu na Can-Am e depois reformou-se, mas não fora esquecido. Poucas semanas antes de morrer, em Setembro de 1989, Ginther tinha sido convidado para aparecer na festa dos 40 anos da BRM, e guiou um dos carros que tinha feito 25 anos antes. Já estava doente, mas serviu para alegrar os seus últimos dias. Perlo menos, quero pensar dessa forma.

domingo, 18 de julho de 2010

GP Memória - Holanda 1965

Uma semana depois da Formula 1 ter corrido em Silverstone, máquinas e pilotos atravessal o Mar do Norte para correr na pista de Zandvoort, palco do GP da Holanda, sexta ronda de um campeonato cada vez mais dominado por Jim Clark e a sua Lotus.

Depois de na pista inglesa o pelotão se ter alargado com a entrada de diversos pilotos locais, na Holanda as coisas voltaram um pouco à normalidade, essencialmente com as equipas oficiais e mais as entradas da Reg Parnell, com Richard Attwood e Innes Ireland, da Rob Walker Racing com Jo Siffert e Jo Bonnier, e inscrição individual de Bob Anderson.

Nas oficiais, tinhamos a Lotus com Jim Clark e Mike Spence, a BRM com Graham Hill eJackie Stewart, a Brabham com Dan Gurney e Dennis Hulme - de novo Jack Brabham primava pela ausência - a Cooper tinha Bruce McLaren e Jochen Rindt, a Ferrari tinhaJohn Surtees e Lorenzo Bandini e a Honda desta vez só tinha um carro para o americanoRichie Ginther.

Após as sessões de qualificação, Graham Hill conseguiu superar o carro de Jim Clark, que tinha também na primeira fila o Honda de Ginther, sinal de que se trabalhava bem no lado japonês. John Surtees era o quarto, seguido pelo Brabham de Gurney. Na terceira fila estavam o segundo BRN de Stewart, o segundo Brabham de Hulme e o segundo Lotus de Spence. A finalizar o "top ten" estavam o Cooper de McLaren e o Brabham de Siffert, inscrito pela Rob Walker Racing.

No momento da partida, Ginther surpreende a todos quando sai com o seu Honda na liderança da corrida. A coisa era algo inusitada, mas na segunda volta, Hill apanhou Ginther e ficou no comando da corrida, enquanto que Clark fazia a mesma manobra no final da quarta volta. Logo a sequir, o escocês atacou o BRM de Hill para em pouco mais de uma volta ficar com a liderança da corrida, e se afastar até só voltar a ser visto após a bandeira de xadrez.

Mais atrás, Ginther começava a ficar para trás, sendo superado pelos BRM e Brabham, enquanto que Hill, ao tentar apanhar o escocês, também começava a ter dificuldades de andamento e ficava também para trás, e a meio da corrida cedeu o segundo lugar para o Brabham de Gurney. Pouco depois, Hill foi também superado pelo seu companheiro Stewart, que por sua vez partiu em busca de Gurney, no sentido de apanhar o americano.

O jovem escocês pressionou Gurney até que este cometeu um erro que o fez apossar do segundo lugar, e partiu em busca de Clark, mas este já se encontrava inalcançável, e contentou-se com uma dobradinha escocesa. Com Clark cada vez mais campeão e Stewart a igualar o seu melhor resultado de sempre, Dan Gurney ficava com lugar mais baixo do pódio. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o BRM de Hill, o brabham de Dennis Hulme e o Honda de Ginther, que dava o primeiro ponto de sempre à Honda.

Fontes:

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O piloto do dia - Richie Ginther

Nos anos 50 e 60, eram muitos os pilotos americanos que tentavam a sua sorte na Europa. Muitos deles vinham do ensolarado estado da Califórnia, onde se faziam imensas corridas de carros, em diversos sítios como Laguna Seca ou Riverside, a bordo de carros de turismo ingleses e alemães, como James Dean, no seu Porsche, que o fazia como "hobby", e que levou a ter o seu acidente mortal há mais de 50 anos...

Um desses pilotos que acabou por ir correr na Europa, acabou por ter uma boa carreira, sendo um piloto respeitado no pelotão da Formula 1, mas como não fez a mesma coisa no seu país, acabou por ser esquecido, o que é um pouco injusto, dado que foi ele que, por exemplo, deu a primeira vitória da Honda e da Goodyear na Formula 1. Hoje faz exactamente 18 anos que ele morreu. Falo-vos de Riche Ginther.

Paul Richard "Richie" Ginther nasceu a 5 de Agosto de 1930 em Granada Hills, na California (teria agora 77 anos). Na infância, conheceu outro seu conterrâneo, Phil Hill, que era amigo do seu irmão mais velho. Foi através dele que começou a correr em 1948, altura em que acabou o liceu. Enquanto trabalhava na Douglas Aircraft, com o seu pai, ajudava Hill como mecânico. Em 1951 começou a correr oficialmente, num MG T, em Pebble Beach, mas cedo este ficou em suspenso, pois foi mobilizado para combater na Guerra da Coreia. Aí, foi mecânico de aviões, e lá ficou até ao final do conflito, em 1953.


Quando regressou aos Estados Unidos, Phil Hill recrutou-o para correr num Ferrari 4.1 Litros na Carrera Panamericana, As coisas correram bem, mas um acidente obrigou-os a desistir. Contudo, voltaram no ano seguinte, na mesma marca, para acabarem na segunda posição, atrás do carro oficial, pilotado por Umberto Magioli.


Ainda em 1954, começou a participar sozinho, num Austin-Healey. Os bons resultados fizeram com que fosse contratado para pilotar um Porsche para 1955, na equipa de John Von Neumann, um representante local da Porsche e Volkswagen. quando no ano seguinte, Von Neumann começa a vender Ferraris, Ginther conduz-los e mostra os seus dotes de piloto e mecânico. Isso chama a atenção do italo-americano Luigi Chinetti, que precisa de alguém para as 24 Horas de Le Mans de 1957.

Chinetti era o "Sr. Ferrari" nos Estados Unidos. Para além de ser o representante oficial da marca, ele dirigia a NART (North American Racing Team) que muitas vezes funcionava como "equipa B" da Ferrari, para além disso, era essa equipa que muitas das vezes corria nas provas americanas, como as 12 Horas de Sebring ou as 24 Horas de Daytona.


As coisas corriam bem. entre 1957 e 1959, Ginther ganhava reputação como piloto, quer a bordo da Ferrari, quer a bordo da Aston Martin. Tanto o mais que no ano seguinte, Enzo Ferrari deu uma hipótese para correr na Formula 1, na sua equipa oficial, recomendado pelo seu amigo Phil Hill.


A sua estreia fora na Grande Prémio do Mónaco. A bordo de um Ferrari Dino 246, Ginther conseguiu o seu primeiro ponto, ao levar o seu carro à esxta posição. Correu mais três provas em 1960, onde foi segundo em Monza, atrás de Phil Hill, numa dobradinha americana. No final dessa época, Ginther foi nono no campeonato, com oito pontos, e um pódio.


Continua em 1961 na Ferrari, onde começa o ano com um segundo lugar no Mónaco, atrás de Stirling Moss, na sua Lotus. Faz parte da equipa Ferrari que leva tudo à frente naquele ano: Phil Hill, Volfgang Von Trips, e Ginther, com outros pilotos a acompanhá-lo, como o belga Olivier Gendebien ou o mexicano Ricardo Rodriguez, irmão de Pedro Rodriguez... consegue ainda mais dois pódios, em Spa - Francochamps e Aintree. Acaba o ano com 16 pontos e o quinto lugar final, com duas voltas mais rápidas, no Mónaco e em Spa.


Em 1962, muda-se para a BRM, onde se torna num dos que colabora na vitória de Graham Hill no campeonato do mundo de pilotos. Com Bruce McLaren e ele, também ajudaram a conseguir o título mundial de construtores. Quanto aos resultados na pista, Ginther conseguiu um terceiro lugar em Rouen e um segundo lugar em Monza. Esses dois pódios contribuiram para alcançar o oitavo lugar do campeonato, com 10 pontos.


Continua na BRM em 1963, onde faz o seu melhor ano. Apesar de não ganhar nenhuma corrida, consegue cinco pódios: três segundos lugares, no Mónaco, Monza e Watkins Glen, e dois terceiros lugares, em Nurburgring e na Cidade do México. Ainda por cima, pontua mais três vezes, e torna-se terceiro classificado (empatado com o segundo), com 34 pontos, mas do qual só contam 29.


1964 vê Ginther na sua terceira época ao serviço da escuderia britânica. Consegue mais dois segundos lugares, no Mónaco e em Zeltweg, e termina na quinta posição do campeonato, com 23 pontos. Assim sendo, as suas performances atrairam uma nova equipa que tinha acavado de surgir no pelotão da Formula 1, vinda do país do Sol Nascente: a Honda.


Depois de uma temporada de 1964 em aprendizagem, a marca japonesa precisava de um piloto experiente para desenvolver o modelo RA272, que tinha um motor de 1.5 Litros, com 270 cavalos de potência, às 12 mil rotações, que era muito alto para a época. O desenvolvimento teve dificuldades, pois devido aos vários problemas, não era um carro fiável.


Mas a 24 de Outubro de 1965, tudo isso iria mudar. Na Cidade do México, o Honda RA272 aproveitou o facto do ar rarefeito a 2245 metros de altitude ser favorável ao motor Honda para levar o carro até à vitória, depois de ter dominado a corrida do principio ao fim. Era a primeira vitória do carro japonês, e a primeira vitória dos pneus Goodyear, que se tinham estrado um ano antes, em Monza, no Derrington-Francis do português Mario "Nicha" Cabral. Esta vitória deu-lhe o unico pódio do ano, e os 11 pontos alcançados deram-lhe o sétimo lugar da classificação geral.


No ano seguinte, a Honda falha o inicio da temporada, para desenvolver o modelo 273, e enquanto eles não voltam, Ginther corre na Cooper nas duas primeiras corridas do ano, mas depois de um quinto lugar na Bélgica, Ginther sai da equipa. Entretanto, torna-se um dos conselheiros técnicos do filme "Grand Prix", de John Frankheimer, para além de ser actor secundário, no papel de John Hogarth. Contudo, o seu nome não aparece nos créditos finais.


Em Monza, a Honda apresenta o seu modelo de três litros, e Ginther decide correr por eles durante as três corridas finais do campeonato. termina em quanto no México, onde faz a volta mais rápida. No final, ganhou cinco pontos e o 11º lugar final.


Em 1967, torna-se segundo piloto da Eagle-Westlake, do seu compatriota Dan Gurney. No Mónaco, porém, não consegue qualificar-se. Na corrida seguinte, as 500 Milhas de Indianápolis, um acidente nos treinos, que o faz com que se queimasse nas costas devido ao etanol, fez com que tomasse logo ali a decisão de se retirar da competição.


A sua carreira na Formula 1: 54 Grandes Prémios, em oito temporadas (1960-67), uma vitória, três voltas mais rápidas, 14 pódios, 102 pontos.


A partir dali, Ginther decide ter uma vida nómada: ao volante de uma autocaravana, decide "esquecer o relógio" na Baja Califórnia. Durante mais de 20 anos, a unica vez que ele é recordado pelo pelotão da Formula 1 será em 1977, quando a Goodyear o convida para assistir em Hockenheim à 100ª vitória da Goodyear na Formula 1, conseguida pelo Ferrari de Niki Lauda. Doze anos depois, em Setembro de 1989, visivelmente doente, vai a Donnington Park para comemorar o 40 aniversário da fundação da BRM.


Depois disso, aproveita para passar uns tempos na Europa. A 20 de Setembro de 1989, no sul de França, um ataque cardíaco fulminante mata-o, aos 59 anos.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Bolides Memoráveis - Honda RA272 (1965)

Este é mais um dos artigos escritos por um rapaz (tem a mesma idade do que eu...), de seu nome Nuno Vieira, mas que é conhecido no Fórum Autosport de NMAV (as suas iniciais). De quando em quando escreve excelentes artigos, e há uns tempos atrás escreveu sobre o Honda RA 272, de 1965. E como hoje a equipa do Sol Nascente está pelas ruas da amargura, é melhor elevar a moral dos “Hondistas”, recordando o seu primeiro momento alto, há quase 42 anos atrás.


Estamos em 1965: Começa o conflito armado no Vietname, Humberto Delgado é assassinado em Espanha, assim como Malcom X em Nova York. O Canadá hasteia a sua nova bandeira, vermelha e branca e com uma folha de plátano no meio. Aleksei Leonov realiza o primeiro passeio no espaço, depois de sair da sua cápsula em orbita da Terra.


Os Rolling Stones editam o álbum "Satisfaction", a sonda Mariner 4 sobrevoa Marte e envia fotografias do planeta vermelho pela primeira vez. A França lança o seu primeiro satélite, Singapura e Rodésia tornam-se independentes!


Jim Clark vence as 500 milhas de Indianapolis ao volante de um Lotus e obtem também o seu segundo titulo na Formula 1.


E que mais aconteceu?


A Honda investe a sério na Formula 1: já tinha estreado no ano anterior, entrando em 2 provas com o americano Ronnie Bucknum (1936-1992), mas no ano seguinte, Yoshiro Nakamura embarca para a Europa juntamente com uma equipa de engenheiros e mecânicos, totalmente japonesa.

A equipa decide montar uma verdadeira equipa com 2 carros, entregues a Ronnie Bucknum e também a outro americano: Richie Ginther. Desde o GP do Mónaco, os nipónicos começam a demonstrar a nova cultura que acabava de chegar à F1.


Apesar de obterem bons resultados nos treinos, por uma ou outra razão, o Honda precisava ainda de muitas afinações. Na Bélgica o pequeno V12 que gritava nas rectas (mais de 12.000 rpm!!), conseguia finalmente o primeiro ponto. Ginther conseguia mais um ponto na Holanda, mas de resto até ao México, o Formula branco e com o sol nascente desenhado, não conseguia terminar provas.


Para o México e depois de comprovarem que os circuitos com grandes rectas eram os ideais para o Honda, as coisas iam “aquecer”. Em Monza, apesar de tudo, as coisas não correram bem e Nakamura e a sua equipa, não se privaram de nada no circuito da Cidade do México.


Nos treinos fizeram centenas de quilómetros e na 6ª e no sábado do Grande Prémio tinham a pista só para eles entre as 6 e as nove da manhã, para testes privados. Com tantos quilómetros acumulados, conseguiram afinar a injecção ao máximo, para correrem sem problemas a 2245 metros de altitude, que era onde fica situado a Cidade do México.


No domingo, 24 de Outubro de 1965, Richie Ginther estava na primeira linha da grelha em 3º, ao lado do seu compatriota Dan Gurney e de Jim Clark. No arranque, o americano foi mais rápido que Jack Brabham e na longa recta à sua frente o Lotus, era rapidamente alcançado. À saída da curva “Espiral”, sai em 1º e não largou mais o comando até ao final. Conta-se ainda hoje, que quando Ginther se apercebeu que liderava o GP, pensou que tinha derramado óleo na pista e os seus adversários tinham-se despistado!


Ao fim de duas horas de prova, pela primeira vez na história da F1, era um carro japonês o vencedor. Alem disso, a Goodyear alcançava a sua primeira vitória em Grandes Prémios. A marca americana ainda hoje usa este resultado como a vitoria “1”, na sua cronologia desportiva!


Foi também a ultimo motor a vencer a categoria de 1.500 cm3, uma vez que no ano seguinte os motores até 3.000 cm3 começariam a ser usados. A tudo isto se juntarmos o 5º lugar de Ronnie Bucknum, podemos considerar este GP muito especial.


O Honda RA 272, possuía um motor V12 com 1.499 cm3, o que fazia com que cada cilindro tivesse a medida unitária de 125 cm3. De facto o motor era baseado no desenho do motor 6 em linha de 250cc que equipava a Honda RC166.


O motor era um autêntico propulsor de mota: além de atingir as 12.000 rpm, valores que lhe davam cerca de 230 cv, o cantar deste motor era de tal maneira estridente, que fez com pela 1ª vez, houvesse muita gente a meter as mãos nos ouvidos, quando o carro saía do pit lane! A alimentação estava a cargo de uma injecção indirecta com 6 corpos da Keihin, e tinha uma caixa de de 5 velocidades Honda transversal. Pesava cerca de 500 kg sem piloto e não há informações exactas da sua velocidade máxima. Apenas a informação de que onde houvesse longas rectas, ninguém o conseguia alcançar!