domingo, 5 de julho de 2009

WTCC - Boavista (Corridas)

As corridas desta tarde no circuito urbano da Boavista, no centro da cidade do Porto, são sempre marcadas pelos incidentes e toques, muito férteis nesta prova, no qual nem o WTCC, que comemorava aqui a sua centésima prova da sua história, escapou. Na partida da primeira corrida, o BMW privado de Sergio Hernendez foi aperdado pelo Lada do holandês Jaap Van Langen, batendo com grande violência no muro que delimita a pista da recta da meta, com o espanhol a sair algo mal tratado do incidente.

Alguns metros mais à frente, na entrada da recta da Av. da Boavista, o BMW do brasileiro Augusto Farfus, que se defendia de Tiago Monteiro, protelou a travagem e o seu BMW tocou na traseira do Chevrolet Cruze do suiço Alan Menu, que se atravessou, com os dois pilotos a entrarem em pião fazerem de barreira para todos os outros que vinham a seguir, inclusive Tiago Monteiro, que por pouco não se conseguiu 'safar' do incidente. O piloto português tentou desviar-se mas o segundo Cruze, o de Robbie Huff, tocou no Leon do piloto português que entrou em pião e ficou virado ao contrário, com danos significativos no seu carro. Bandeira vermelha, corrida interrompida, e nova partida, que recomeçou cerca de meia hora depois para ser reparado o muro da recta da meta.

No reinício da corrida, o Seat de Gabriele Tarquini partiu na frente, com Robbie Huff a mostrar-se, mas a partir dali tudo se passou, quase como se de uma procissão se tratasse. Yvan Muller foi terceiro na frente de Tiago Monteiro, que na derradeira volta passou Andy Priaulx, que teve problemas no seu BMW, caindo muito na classificação.


Antes disso, a luta pela terceira posição foi algo animada, mas percebia-se que só 'forçando' ou na sequência de um erro, seria possível uma troca de posições. Mas no final, houve polémica: Augusto Farfus, o melhor classificado da BMW no campeonato de pilotos, já tinha sido alvo de um drive through - cortesia do seu toque em Menu – mas vinha a passar por todos os BMW 320si como se estes estivessem parados, alcançando o nono posto com apenas um carro bávaro à sua frente: o de Priaulx que rodava no quarto lugar. Na última volta, o carro do inglês abrandou subitamente, cruzando a linha de meta na nona posição, deixando passar Farfus que, com esta "subida" ao oitavo posto, arrancaria para a segunda corrida do lugar mais apetecivel: a pole-position.

Bart Mampey, o chefe de equipa da BMW Team UK, não gostou muito do gesto vindo "de cima" e foi claro quando respondeu aos joralistas sobre a razão do "subito abrandamento" de Prilaux: "Sem comentários". Assim, as ordens de topo ditaram que Augusto Farfus alcançasse o oitavo lugar, mandando "às malvas" um possivel sétimo lugar para Jörg Muller e um quarto para Andy Priaulx, só para que Farfus tenha hipóteses de título, numa categoria dominada pelos Diesel da Seat. O brasileiro deverá ter agora cada vez menos amigos no entre os pilotos da marca bávara...

Na segunda corrida, foi o que esperava desde o final da primeira: uma luta foi entre Augusto Farfus e os Seat. O piloto brasileiro partiu bem no arranque, passando Rob Huff, mas a corrida teve mais uma vez as habituais confusões. Na terceira volta, um toque entre Gabriele Tarquini e Nicola Larini provocou um incidente entre o holandês Tom Boardman e o marroquino Medl Bennani, dois elementos da Taça dos Independentes, provocando a entrada do Safety Car.

Quando a corrida recomeçou, Farfus continuou imperturbado, mas Muller começou a subir na classificação da corrida depois dos outros pilotos o terem deixado passar, chegando à segunda posição, mas incapaz de apanha Farfus. O sueco Rykard Rydell terminou na terceira posição, enquanto que Tiago Monteiro foi quinto.

GP Memória - França 1959

Mais de um mês após a corrida da Holanda, máquinas e pilotos reuniram-se no circuito de Reims, para a terceira corrida do campeonato daquele ano. Depois de Jack Brabham, no Mónaco e Jo Bonnier, em Zandvoort, todos queriam saber quem ganharia a corrida francesa, para saber para onde é que iriam parar as modas: se seria a Cooper de motor traseiro, ou as outras duas equipas de fábrica, Ferrari e BRM, ambas de motor frontal. Também havia a Lotus, mas nesta altura pouco ou nada contava para as contas.

Vinte e dois carros tinham sido inscritos para esta prova, com algumas marcas a inscreverem cinco carros, como a Ferrari, e quarto, como a BRM. No primeiro caso, a Scuderia tinha levado cinco carros oficiais para Tony Brooks, o americano Phil Hill, o belga Olivier Gendebien e o francês Jean Behra e por fim, o quinto carro foi para um jovem e talentoso piloto americano chamado Dan Gurney.


No lado da Cooper, a equipa corria com três carros oficias, para Jack Brabham, Bruce McLaren e o americano Masten Gregory. Ainda havia mais um carro para a Rob Walker, para o francês Maurice Trintignant. A BRM iria alinhar com três carros, para Bonnier, o americano Harry Schell e o inglês Ron Flockhart. Um quarto carro ia para Stirling Moss, inscrito pela British Racing Partnership (BRP), uma equipa fundada uns tempos antes pelo seu pai Alfred Moss, em conjunto com Ken Gregory.


A Lotus aptresentava dois carros, para Graham Hill e Innes Ireland, enquanto que a Aston Martin primava pela sua ausência. Em compensação, vários Coopers e Maseratis faziam a sua aparição, inscritos em equipas privadas. No lado da Cooper, por exemplo, havia Colin Davies, que conduzia um carro para a Scuderia Centro-Sud, ao lado de Roy Salvadori. Mas na própria equipa, havia mais duas inscrições, nos Maserati 250F, para o brasileiro Fritz D'Orey, e para o uruguaio Asdrubal Fontes Bayardo. Havia mais Maseratis 250F, inscritos pela Schuderia Ungolini, para o holandês Carel Godin de Beaufort e para o italiano Guido Scarlatti.



Nos treinos, as longas rectas favoreciam os carros mais poderosos, e o melhor foi Tony Brooks, no seu Ferrari de motor à frente, seguido por Jack Brabham e Phil Hill, no segundo Ferrari. Na segunda fila estavam o BRM de Moss e o terceiro Ferrari de Jean Behra, enquanto que na terceira fila estavam o BRM oficial de Jo Bonnier, e os Cooper de Masten Gregory e Maurice Trintrignant. A fechar o "top ten" estavam o BRM de Harry Schell e o Cooper do jovem neozelandês Bruce McLaren.


A corrida começa com Brooks a partir na frente, seguido por Moss e Gregory, enquanto que Behra se atrasava na partida. Quando os carros passam pelo gancho de Thillois, não reparam muito no facto do asfalto naquela zona se começar a rachar, devido ao calor e ao uso por parte das centenas de vezes que os carros passam pela mesma zona. Numa dessas passagens, uma pedra sai da zona e atinge a cara de Gregory. Debilitado, tem de parar na volta oito devido aos ferimentos. As pedras daquela área iriam causar estragos nos carros, quer em termos de radiador, quer em termos de motor.


Uma dessas desistências foi a de Jean Behra. Com o motor partido na volta 31 devido à quebra de um pistão, arrastou-se até à boxe, onde encontrou com Romolo Tavoni, o director da equipa. Ambos tiveram uma acesa discussão, e Behra, irado, esmurrou Tavoni. A noticia chegou aos ouvidos de Enzo Ferrari, que não teve pejo em despedi-lo da sua equipa, alguns dias mais tarde.

Regressando à corrida, Tony Brooks mantinha-se impávido e sereno na frente, seguido por Brabham e Moss. O inglês apanha o australiano na volta 40, mas pouco depois, a embraeagem falha e sofre um despiste. Tenta voltar à pista, e consegue... mas com ajuda exeterior. Os comissários observam isso e não tem outro remédio senão desclassificá-lo. Assim, Brabham recupera o seu terceiro lugar, mas não consegue alcançar Hill e Brooks, ambos dando à Ferrari uma dobradinha.


Depois do pódio, nos restantes lugares pontuáveis ficaram o terceiro Ferrari de Olivier Gendebien e o Cooper de Bruce McLaren.


Fontes:

sábado, 4 de julho de 2009

Noticias: António Felix da Costa domina em Silverstone

O português António Felix da Costa venceu esta tarde a primeira corrida da Formula Renault 2.0, que decorre este fim de semana no circuito inglês de Silverstone, batendo o espanhol Albert Costa e consolidando assim a sua liderança no campeonato.


Numa traçado onde... nunca tinha pilotado antes, Felix da Costa tinha dominado os treinos livres de ontem e partia da terceira poisção na corrida de hoje, tendo dominado a seu bel-prazer, sempre com o espanhol Costa atrás de si. "Foi uma grande corrida e uma vitória fantástica. Provavelmente uma das mais importantes da minha carreira", referiu. "Silverstone é um traçado muito exigente e técnico. Ter chegado aqui, sem nunca antes ter rodado no circuito e conseguir vencer frente a um pelotão de pilotos que já conheciam a pista, tem um gosto especial e me deixou bastante emocionado, principalmente quando subi ao pódio e ouvi o hino português a ser tocado", concluiu.

"Arranquei bem, comecei a pressionar o segundo classificado, mas como estava por fora para a primeira curva, tive que desacelerar e permaneci na minha posição inicial. À quinta volta consegui passar para segundo e, apesar do líder já dispor de cerca de 4 segundos de vantagem, decidi continuar a forçar o andamento. Quando faltavam três voltas para o final, numa ultrapassagem linda, mas algo arriscada, consegui passar para o comando e acabei por cortar a linha da meta com praticamente um segundo de vantagem sobre o segundo classificado da corrida e do europeu, Albert Costa", contou o piloto português.

A vitória de hoje permitiu a Félix da Costa aumentar a sua vantagem na liderança do Campeonato, dispondo agora de 74 pontos, mais 5 que o espanhol Albert Costa, cada vez mais o seu maior rival nesta competição, e mais 27 que o terceiro classificado, o espanhol Miki Monras. Para amanhã, prevê-se uma corrida bastante mais difícil, pois irá partir da quinta posição da grelha.

As ideias de Bernie Ecclestone sobre a sociedade em que vivemos

Ora, é simples: como ele está num cargo não-electivo, e é essencialmente um homem de negócios com imensa influência (mas não poder - e nem precisa de o ter!), Bernie Ecclestone pode dizer todos os disparates que quiser. Até para dizer que adora ditaduras.


Pessoalmente, sempre soube que tinha este feitio. Sempre. Quem tem o anuário de 1989/90 do Francisco Santos, como eu, e ler a história da Brabham, irá topar uma frase dita pelo "Môco" (a.k.a José Carlos Pace) "anãozinho tenebroso". De facto, pode ser baixinho, mas há muita gente que treme na sua presença. Esta arrogância tipicamente britânica anda muitas vezes de mão dada com a auto-confiança nos pincaros. Tou a dizer isso porque muito do que disse faz lembrar o José Mourinho. Só que o "Special One" ou Il Speziale" nunca elogiou, pelo menos até agora, Adolf Hitler. E o "Mad Bernie" sim. Eis alguns excertos da entrevista publicada hoje no jornal inglês "The Times":

"Pode parecer terrível dizer isto, mas aparte o facto de Hitler se ter deixado levar e ser persuadido a fazer coisas que não sei que ele queria fazer ou não, de muitas formas, ele estava em posição de comandar muita gente e conseguir que as coisas fossem feitas. No final, ele acabou por perder-se, pelo que não foi um bom ditador, porque, ou tinha noção do que estava a acontecer [no seu país] e insistiu nisso, ou apenas não se importou... de qualquer forma, ele não foi um ditador".

"A democracia não fez muitas coisas boas em muitos países, incluindo este [Grã-Bretanha]".

"Gosto de pessoas com mentes decididas. Acho que é parvo ir sempre falar com a nossa avó antes de fazer qualquer coisa. Eu tomo decisões, às vezes erradas, às vezes acertadas - desde que se tomem mais acertadas do que erradas, então tudo bem".

"Os políticos actuais estão demasiado preocupados com eleições. Cometemos um erro terrível ao apoiarmos a deposição do Saddam Hussein. Ele era o único que conseguia controlar aquele país. Aconteceu o mesmo com os talibãs [no Afeganistão]. Entramos nos países sem termos qualquer noção da cultura deles. Os americanos provavelmente pensaram que a Bósnia era uma cidade em Miami. Há pessoas a morrerem de fome em África e não fazemos nada mas envolvemo-nos em coisas que deveriamos deixar em paz".

"Prefiro líderes fortes. Margaret Thatcher tomou muitas decisões e cumpriu o seu trabalho. Foi ela que construiu este país lentamente. Deixámo-lo ir abaixo, outra vez. Todos estes políticos, Gordon (Brown) e Tony (Blair) estão sempre a tentar agradar a todos ao mesmo tempo".

Esta última frase acho-a genial. E a genialidade dela é demonstrativo da hipócrisia que Ecclestone navega. Quando os Trabalhstas chegaram ao poder, em 1997, rebentou um escândalo relativo às contribuições ao Partido Trabalhista, e Ecclestone tinha dado à volta de 600 mil libras aos cofres do partido. Depois de uma polémica, esse valor foi devolvido, creio eu. Ver agora o Tio Bernie a dizer mal deles parece ser no mínimo contra-natura...

Em suma: temos de dizer que Ecclestone foi verdadeiro. E a sua postura perante a sociedade em que vivemos, é um pouco a educação que teve. Como não andou na Universidade (foi vendedor de carros usados e "manager de pilotos" desde tenra idade), não se pode esperar muta coisa dele em termos de PC (politicamente correcto). E claro... em muitos casos, quanto menor a educação, maior é a ignorância. Mas também, ele não se deve importar para o que se passa à volta, não é?


Veremos qual vai ser o impacto que esta entrevista terá, nos dias quem vem a seguir.

Para a aniversariante do dia

Não, não são os Estados Unidos da América, "home of the free and the brave", como cantam no seu hino. Não, não é só o aniversário de Roland Ratzenberger e de René Arnoux. Esses são sobejamente conhecidos por nós, os apaixonados pelo automobilismo.


Esta é um pouco mais pessoal. Hoje é o dia de aniversário da Ingryd Lamas, que chega hoje ao seu 21º aniversário. O post que serve para assinalar o seu aniversário tem uma comparação curiosa, entre aquilo que eramos ontem e o que somos agora. Confesso o meu desconhecimento daquilo que era antes (apesar de ela me ter contado algumas coisas desde a altura em que nos conhecemos virtualmente, há cerca de oito meses atrás) mas sei o que ela é agora: uma miuda que decidiu perseguir os seus sonhos numa terra distante, e uma verdadeira apaixonada pelo automobilismo, pelo que ando a ver.


Espero ainda vê-la durante a sua estadia europeia, pois ando a dever isso, mas a falta de tempo (e agora de dinheiro) impedem de concretizar essa promessa. Acho que, estando eu mais perto dela do que poderia imaginar, não posso desperdiçar esta oportunidade de a ver em carne e osso, e também a oportunidade de por os pés, mais uma vez, na "Velha Albion". Ainda por cima, este é o fim de semana de Goodwood...

A ela, desejo-lhe mais uma aniversário, e muitos anos de vida bem preenchidos com amizade, amor e... muito automobilismo.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Os mestres das fotos

Esta vi no F1 Nostalgia, do grande Rianov Albinov. Todos os dias falamos sobre fotografias, de quem e o quê está retratado, e da beleza plástica delas. Temos os nossos fotógrafos favoritos (confesso que gosto particularmente do Sutton e da familia Cahier), e fartamos de enfeitar os nossos posts com os seus trabalhos, ajudando a mostrá-los ao mundo.



Mas raramente vemos as suas caras, ou quando eles estão em acção, de máquina a tiracolo, concentrados para tirar as fotos que aparecerão no final do dias em revistas, jornais e na Net. Pois bem, agora tem uma oportunidade. Espreitem a partir daqui no blog daquele "soviético" para terem a chance de os ver, carne e osso.

GP Memória - França 1994

Passaram-se três semanas desde a última prova, no Canadá. Tempo suficiente para que acontecessem algumas mudanças no pelotão da Formula 1. A mais importante delas todas aconteceu na Williams. Nigel Mansell regressava à Formula 1, numa base pontual, isto é, enquanto as datas do seu calendário americano não coincidissem com o europeu. Quase com 41 anos, Mansell voltava à alta roda, e o numero 2 voltava a ter cor vermelha.


Na Benetton, outra substituição acontecia. O finlandês J.J. Letho continuava a convalescer do seu acidente na pré-época, e Flávio Briatore achou por bem substitui-lo novamente pelo piloto de testes, o holandês Jos Verstappen.


Contudo, quando o pelotão chegou a Magny-Cours, no centro de França, o jovem piloto holandês esteve muito perto de não alinhar na corrida, quando na sexta-feira, perdeu o controlo do seu carro e bateu forte no muro das boxes, na recta da meta. Um elemento da suspensão entrou pelo chassis adentro e rasgou o seu fato, escapando por muito pouco de um ferimento grave na perna.


Nos treinos, a primeira fila foi toda da Williams: Damon Hill foi o melhor, batendo o regressado Nigel Mansell na luta pela pole-position. Na segunda fila, Michael Schumacher era o terceiro a partir, tendo a seu lado o Ferrari de Jean Alesi. Na terceira fila ficavam o segundo Ferrari de Gerhard Berger e o Jordan de Eddie Irvine, enquanto que na quarta fila estavam o companheiro de Irvine, Rubens Barrichello e o Benetton de Jos Verstappen. Para fechar o “top ten”, estavam o McLaren-Peugeot de Mika Hakkinen e o Sauber-Mercedes de Heinz-Harald Frentzen.


No momento da partida, Schumacher fez um arranque fabuloso e conseguiu ultrapassar os dois Williams, mais lentos do que ele. Hill foi atrás do alemão da Benetton, enquanto que Mansell ficava mais atrás, aguentando os ataques de Jean Alesi. Tudo ficou assim até à volta 18, altura em que Nigel Mansell vai ás boxes para colocar pneus novos. Mais tarde era a vez de Alesi, que na saída, consegue ultrapassar Mansell. Mas o terceiro classificado era Barrichello, que decidira fazer menos uma paragem do que a concorrência.


A corrida foi uma sucessão de trocas de posições graças às paragens nas boxes, demonstrativa de uma corrida sem sabor em pista. Pouco tempo depois, Barrichello atrasava-se com problemas numa das rodas, e ficava atrás de Alesi. Na volta 35, Schumacher parava pela segunda vez e deixava Hill na liderança. Mas o alemão aproximou-se rapidamente do inglês e na volta 41 estava atrás dele.

Nessa altura, Alesi perde o controlo do seu carro e sai pela escapatória de gravilha. Na sua ânsia em regressar á pista, não viu a aproximação do Jordan de Barrichello e ambos colidiram, causando o imediato abandono de ambos. Quatro voltas mais tarde, Mansell encostava à berma, com uma quebra de transmissão. Com isto tudo, Gerhard Berger ascendia à terceira posição, lugar no qual chegaria quando foi agitada a bandeira de xadrez.

Algumas voltas depois Hill faz o seu segundo reabastecimento e Schumacher passa de novo para a frente, para não mais largar. No final, era este o pódio, com Schumacher a vencer pela sexta vez em sete corridas, seguido por Hill e Berger. Nos restantes lugares pontuáveis, depois de Mika Hakkinen ter desistido quando o seu motor Peugeot "entregou a sua alma ao Criador", ficaram o Sauber de Heinz-Harald Frentzen, o Minardi de Pierluigi Martini e o segundo auber do veterano Andrea de Cesaris, que pontuaria pela última vez na sua longa carreira.


Fontes:

Santos, Francisco – Formula 1 1994/95. Ed. Talento, Lisboa/São Paulo, 1994


http://en.wikipedia.org/wiki/1994_French_Grand_Prix

Felix da Costa confiante para Silverstone

Este fim de semana temos, entre outras realizações, a jornada dupla da Formula Renault 2.0 Eurocup, no circuito inglês de Silverstone. E nesta competição, tal como acontece na North European Competition, António Felix da Costa, mais conhecido como o "Formiga", é o lider do campeonato e aspira a manter essa liderança, apesar de confessar que nunca correu no mítico circuito inglês.


Apesar deste "handicap", o optimismo do piloto português é bem evidente nas suas palavras: “Estou na frente do Campeonato e para conquistar o título há que atacar sempre e continuar ao mais alto nível. Tanto eu como a equipa sabemos que temos um bom carro, estamos muito motivados para continuar a lutar pelos lugares da frente, e porque não dize-lo, gostava de vencer aqui em Silverstone”, referiu a jovem promessa internacional.



Consciente das dificuldades que irá encontrar no exigente traçado de Silverstone, e também no elevado nível de pilotos que disputam o Eurocup de Formula Renault 2.0, o piloto comenta: “Temos de gerir bem o tempo disponível e aproveitar ao máximo as sessões de treinos livres, para na qualificação o carro estar bem ajustado ao circuito. O Eurocup está cada vez mais competitivo e com o decorrer do Campeonato começam-se a definir os candidatos ao título, pelo que tudo tem de correr bem, desde a qualificação às largadas nas duas corridas, e em cada volta manter a máxima concentração. Amealhar pontos e gerir a corrida dos meus directos adversários é vital para sair de Silverstone mais líder”, referiu.


As duas sessões de treinos livres terão lugar durante a tarde de sexta-feira, com a duração de 40 minutos cada. Sábado, pelas 10:00 da manhã, terá lugar a sessão de qualificação, e a primeira corrida do fim-de-semana ocorrerá pelas 16:30. Já no Domingo, pelas 11:55, terá lugar a segunda corrida do Eurocup de Formula Renault 2.0, que estará integrado no programa da World Series by Renault.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Extra-Campeonato: O gesto do ano




Hoje decorreu na Assembleia da República o debate sobre o estado da Nação. Normalmente é algo inócuo, com o Governo a elogiar os seus feitos, e a oposição a demoli-los. Nada de anormal. Claro, sabia-se que era o último debate antes das férias do Verão e da consequente campanha eleitoral, antes das eleições do próximo dia 27 de Setembro, logo, as coisas poderiam até aquecer um pouco.


Mas mesmo que alguém prevesse o Apocalipse, nada esperaria o gesto que Manuel Pinho, o Ministro da Economia, fez esta tarde. Chateado com os comentários vindos da bancada do PCP sobre as Minas de Aljustrel, decidiu responder com um gesto... não digo obsceno, mas sim ofensivo. Em suma, passou-se. Um ministro com fama de "gafeiro" (o homem das gaffes), este foi o seu gesto final.


Ofendidos, os deputados pediram a sua cabeça. Ele a ofereceu e o o primeiro -ministro aceitou. Estão a ver isto a acontecer em Itália, com o Berlusconi?

Acha-se mais valente que a avó de Jordi Gené?



Há alguns meses atrás, causou sensação no Youtube o video do Riccardo Patrese, que levou a sua mulher a passear no circuito de Jerez num Honda Civic Type-R, após um teste que ele fez, para matar saudades. Hoje, a Seat decidiu fazer um video para promover em Espanha a popular Seat Leon Supercopa, e pediu a Jordi Gené, piloto oficial da Seat no WTCC, para dar umas voltas. Acompanhado da sua avó.


O resultado podem ver no video acima. Só podia dar nisto, não é?


Já agora, a dica veio da"espanhola" Priscilla Bar, do blog Guard Rail.

Formula 1 em Cartoons - Jim Bamber (FOTA vs FIA)

Esta vi no F1 Around, do Becken Lima. Trata-se da reprodução de um cartoon do excelente Jim Bamber, caricaturista inglês com muitos anos de experiência.




Aqui, Bamber aproveita o facto de Max Mosley ser mutas vezes chamado de "Mad Max". Para quem cresceu nos anos 80, como eu, o Mad Max, um filme que revelou o actor australiano Mel Gibson para o mundo, é uma excelente comparação. E como o Tio Max muitas vezes se mostra completamente alheado da realidade (tão alheado que só desceu á terra quando as equipas da FOTA anunciaram que se iam embora e criar a sua própria série), agora diz que pode voltar com a palavra atrás, caso Luca de Montezemolo não apresente desculpas pelo modo como o tratou, quando este cantou vitória no acordo de paz da semana passada.


Este tipo não sabe sair. Só quando é empurrado. E de forma valente...

5ª Coluna - Provas de Vida

A Quinta Coluna desta semana é um pouco complicada de falar, porque as coisas andam um pouco lentas em termos de automobilismo. Estamos em tempo de férias, especialmente porque a Formula 1 vive agora uma pausa de três semanas que só acabará no próximo dia 12, no circuito alemão de Nurburgring. Mas o fim-de-semana que passou não implica que tenham acontecido coisas que não são emocionantes. Só que vem de outras categorias…


Formula 1: Mad Max quer mostrar que não está morto!


Com o acordo da semana passada entre as equipas agrupadas na FOTA e a FIA, após a separação anunciada no fim de semana do GP de Inglaterra, julgava-se que Max Mosley ficaria caladinho até se retirar calmamente da presidência da FIA, em Novembro. Mas as circunstâncias desse anúncio foram ofensivas para o próprio Mosley, que ameaçou quebrar o acordo e voltar a recandidatar-se. Primeiro, exigiu desculpas públicas a Luca di Montezemolo, e depois gritou algo e bom som que se calhar, poderá recandidatar-se.


"Eles cometeram o erro de dançar sob a minha sepultura antes de eu ser enterrado. Não é bom a FOTA pagar a assessores de imprensa que anunciam que estou motor e enterrado quando aqui estou 'teso que nem um carapau'.", afirmou, numa entrevista ao jornal inglês "The Mail on Sunday".

"Estou a ser pressionado de todo o mundo para me recandidatar. Eu não queria, pois sinto-me um pouco velho demais. Quando comecei, tinha idade suficiente para ser pai de alguns jovens pilotos, agora tenho idade para ser avô deles. Não me sinto velho, mas pareço. Desse ponto de vista é preciso alguém com outra imagem.", declarou.


Teme-se o regresso dos fantasmas, é certo, mas o facto de esta semana as coisas estarem um pouco mais paradas em termos de “declarações bombásticas” pode querer dizer que Mosley já estará um pouco mais calmo. Ou então a preparar outra, dado que desde Segunda-feira se começou a falar “à boca cheia” no nome de Jean Todt como potencial candidato a presidente da FIA. Ainda por cima, tem a bênção do “Mad Max”. Mas a FOTA, incluindo a própria Ferrari, já disse que quer alguém “neutro”, ou seja, ninguém que tenha a ver com as equipas, o que excluía Jean Todt. Porque senão, até o Ron Dennis seria possível candidato…


WRC: Hirvonen vence na Polónia e o campeonato está relançado!


Este fim-de-semana, o Mundial de Ralies passou pela Polónia, que volta a receber uma prova pela primeira vez em 37 anos, e pela segunda vez consecutiva, Mikko Hirvonen vence um rali nesta temporada. E pela segunda vez consecutiva, Sebastien Löeb tem um acidente que o deixa fora de prova. Mas se no caso da Acrópole, os danos eram irreversíveis, no caso polaco, pode voltar através do método “SuperRally”, onde fez um resto do rali demolidor, para terminar no sétimo posto final e conseguir dois pontos para o seu pecúlio.


O Rali da Polónia poderia ter sido a consagração para a Ford, mas mais um erro de Jari-Matti Latvala, quando faltavam menos de 200 metros (!) do final do rali, ao despistar na Super-Especial que encerrava a competição, fez zangar o seu patrão, Malcom Wilson.


Muitos afirmam que Latvala está ali há tempo demais, e não consegue guiar de outra forma senão de “pé a fundo”. Mas se ele quisesse correr com Latvala, já teria corrido há muito mais tempo com o seu filho Matthew Wilson da Stobart-Ford, não é?


Mas eis algo completamente inesperado: no final do Rali da argentina, há dois meses atrás, esperávamos que isto seria um passeio francês, e fazia-se apostas para saber em que rali Sebastien Löeb iria levar o seu sexto ceptro consecutivo. Agora, com duas meros deslizes do francês (e respectivas vitórias do seu maior rival), o campeonato voltou quase á “estaca zero” e Mikko Hirvonen é o novo líder do campeonato. E o próximo rali, que correrá em terras finlandesas, poderá dar ainda mais avanço, pois ele está em casa, e 90 por cento das vitórias nas rápidas classificativas do antigo Rali dos 1000 Lagos pertenceram a pilotos da casa…


Mas agora toda a gente sabe que este campeonato vai ser decidido no lugar que merece: em Gales, no próximo mês de Novembro!


IRL: Que futuro para a competição?


Poucos dias depois da IRL correr em mais uma oval chata, onde venceu o neozelandês Scott Dixon, o homem por detrás da série desde a sua criação, em 1996, e proprietário da Indianápolis Motor Speedway, Tony George, saiu de cena depois de quase 15 anos à frente da competição. George foi “posto na reforma” pelas suas três irmãs, após ter visto que investiu mais de 300 milhões de dólares para sustentar a série, o que numa altura de crise económica, é muito.


Um ano depois de George ter comprado a CART e conseguido a “reunificação” da série, esta categoria monomarca e monomotora (Dallara-Honda) está numa encruzilhada. O muito dinheiro gasto para sustentar esta categoria poderá ter sido demais para as finanças, e o futuro poderá ser negro, dado que nos mais de 12 anos de série dupla entre CART e IRL (1996-2008), ambas as categorias sofreram, e quem saiu beneficiada durante esse tempo todo foi a NASCAR, que cresceu em termos de pilotos, circuitos e equipas. Até houve muitos pilotos da CART e IRL que foram para lá correr, com maior ou menor sucesso.


Ainda é cedo para se pensar a longo prazo, para saber se a categoria será bem sucedida ou sobreviverá à era pós-Tony George, mas os vários cenários desenhados no momento em que se soube do afastamento, passam por desde a compra da CART pela família France (fundadora e dona da NASCAR) até à auto-sustentação por parte das equipas principais, como a Andretti-Green, Chip Ganassi, Newman-Haas e Penske. Em tempo de crise, ver-se-á quem são os mais fortes.


Outra boa hipótese é a internacionalização das séries. Fala-se de uma expansão para o Brasil e para a Europa, em 2010, mas por agora, nada é certo. O que interessa agora é que no próximo fim-de-semana, depois de sete provas consecutivas em ovais, passa-se agora a correr num circuito convencional, neste caso em Watkins Glen, nos arredores de Nova Iorque. Vamos a ver como será agora, no regresso da competição aos circuitos tradicionais…


E pronto, não há muito mais a dizer. No próximo fim-de-semana, vamos ter provas “a rodos”, muitos dos quais no circuito português da Boavista. WTCC e PTCC, para começar… até para a semana!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Extra-Campeonato: sem nada a esconder



Numa altura em que andam a cair aviões, e se vai voar nos próximos tempos, é bom ver a aviação de um modo mais... irreverente. É o caso da Air New Zeland, que decidiu fazer um anuncio comercial, onde explica detalhadamente as regras de segurança que os passageiros devem seguir em caso de emergência. E explicam tudo... sem nada a esconder.


Yap... parece que no Hemisfério Sul, as coisas andam ao contrário. Ainda bem!

Que futuro para a IRL?

O Filipe Furtado, do blog Telemetria, colocou esta madrugada um post falando que o homem por detrás da Indy Racing League, e proprietário da Indianápolis Motor Speedway, Tony George, foi ontem afastado dos negócios da familia, e consequentemente, da série norteamericana de monopostos.

Para os mais envolvidos no meio, esta era uma noticia esperada. Segundo ele, George teria desde 1996, ano do inicio da série, como categoria rebelde da então CART, "torrado" cerca de 600 milhões de dólares na IRL. Nem tudo foi perdido, mas nem tudo será recuperado. Segundo o jornalista americano Robin Miller, a IRL era praticamente financiado por ele: as equipas eram subsidiadas através do programa TEAM Money e assumia parte das despesas junto aos fornecedores.


Esta saída pode significar nuvens negras para a categoria, e o próprio Filipe coloca cinco cenários de futuro para a IRL, uma categoria monomarca e monomotora (chassis Dallara e motores Honda) pelo menos até 2013.

a) A IRL finalmente se auto-sustenta e tudo permanece como está.


b) algum milionário entediado resolve brincar de ser salvador dos monopostos americanos e decide pagar as contas da brincadeira (Gerry Forsythe me parece a única pessoa que consideraria a idéia). Champ Car vai a Indy.

c) Penske, Ganassi e Andretti decidem continuar a série por conta própria. Cart 2.0.

d) A família France (dona da NASCAR) aproveita a oportunidade e ou compra o espólio da IRL ou monta uma série de monopostos do principio. Grand-Am versão monopostos.

e) A família George lava as mãos, ninguém se apresenta e a organização da Indy 500 reverte para USAC e teremos basicamente um versão glorificada de super modifieds televisionados de forma mais ampla uma vez por ano.

Aparentemente, a fonte pode não secar, mas as coisas tornaram-se agora um pouco mais dificeis.

Nunca um vencedor foi tão secundarizado





























Não sei se é o maior momento da Formula 1, mas certamente é um dos maiores. Num dia histórico para a Formula 1, pois é a primeira vitória de um Renault Turbo de 1.5 Litros, tripulado por Jean-Pierre Jabouille e calçando pneus Michelin, nunca um vencedor foi tão secundarizado pelos seus companheiros de pódio.


Pois foi: Gilles Villeneuve e René Arnoux disputaram a segunda posição como se o amanhã não existisse. O estilo sempre agressivo e louco do canadiano, combinado com outro "pé pesado", como era o piloto francês, era um cocktail explosivo pronto a explodir. Isso aconteceu, qual combinação astronómica, na tarde do dia 1 de Julho de 1979, faz hoje 30 anos.


Quem vê o video pela primeira vez, julga que isto é a luta pela vitória. Nada mais errado. É apenas a tentativa de Villeneuve para ficar com o segundo posto, evitando uma dobradinha da Renault no seu solo, ainda por cima com uma Ferrari que se debatia com problemas de pneus, já que Villeneuve partiu na frente da corrida e lá ficou até meio, quando foi ultrapassado por Jabouille.


E as últimas três voltas foram de arrepiar. Toques um no outro, ultrapassagens "no limite", por fora e por dentro, mas conseguiram o milagre de não destruirem o carro, nem de perder o seu controlo. Ficou na retina de todos os que viam na TV, um pouco por todo o mundo, e certamente na pista. A partir dali, para mim, o 1º de Julho é sempre Dia de São Gilles e São René.


No final, os espectadores entraram em delírio, e em Itália, a "lenda Villeneuve" começava aqui, fazendo com que entrasse no coração dso "tiffosi". Mas se era assim entre os espectadores, no lado dos pilotos, eles não gostaram muito do gesto deles, especialmente Emerson Fittipaldi e Niki Lauda, na altura presidente da GPDA. O Ico contou a história no ano passado:


"Na corrida seguinte, em Silverstone, Gilles Villeneuve e René Arnoux foram chamados a uma reunião com a cúpula da GPDA na época, formada por Niki Lauda, Emerson Fittipaldi, Clay Regazzoni e Jody Scheckter. Lauda acusou: 'Vocês pilotaram em Dijon de maneira perigosa e danificaram a imagem do esporte'. Arnoux respondeu de imediato: 'Com você, isto jamais teria acontecido... porque você levantaria o pé logo de cara!'. Gilles virou as costas aos pilotos e deixou a sala. Rindo."


Já escrevi várias vezes sobre esta corrida. Há dois anos e pouco, escrevi a crónica dessa corrida, e tem lá inscrito um video comentado pelo Jeremy Clarkson, o "Mr. Top Gear". Mas hoje coloco um link onde se pode ver como aquelas últimas voltas foram vistas em Itália, a pátria da Ferrari. O narrador nem acreditava no que via...