terça-feira, 8 de setembro de 2015

Formula 1 em Cartoons - Itália (Riko)

A corrida italiana ficou marcada pela péssima partida de Kimi Raikkonen, que se justificou com o facto de se ter atrapalhado com os botões que tinha no volante. Mas o "Riko" acha que foi "aquela moleza" que todos nós temos a seguir à hora do almoço, especialmente depois de uma lauta refeição...

Traduzido:

"... sim, mas por agora já chega de falarem que o meu sono estragou a minha parti... zzzzzz"

WRC: Mads Ostberg sai ileso de um acidente de estrada

O norueguês Mads Ostberg saiu ileso de um acidente esta manhã quando treinava para o Rali da Austrália. O piloto da Citroen colidiu com um camião quando circulava numa via estreita e danificou o seu "muleto" (carro de treinos), um Mitsubishi Lanver EVO IX. Ostberg e o seu navegador foram levados para o centro médico mais próximo, mas tiveram alta pouco depois.

De acordo com as noticias, Ostberg treinava numa das classificativas quando encontrou subitamente o camião, carregado de madeira, num trecho estreito da via, e não teve como evitar o embate. Este causou danos significativos no automóvel, mas não os impedirá de participar no rali, que começará nesta quinta-feira, em Coffs Harbour, no leste australiano.

Formula 1 em Cartoons - As novas tatuagens do paddock (Cire Box)

Um pouco antes da corrida italiana, o Cire Box fez este desenho da atualidade automobilistica, onde fala do corpo do Hamilton, do bebé do Nico e da situação da Lotus...

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Os tempos que vivemos: Sobre a abundância do petróleo e as novas energias (parte 1)

Hoje fui à uma bomba de gasolina semelhante á da foto. Apesar das circunstâncias excepcionais dela (era uma bomba de supermercado, o preço é onze cêntimos mais baixo do que uma bomba normal) reparei que o preço do gasóleo está muito perto da marca do um euro por litro. Isso já não acontece desde 2009, há seis anos. A diferença para o carro a gasolina ali é grande – agora são 28 cêntimos, mas já foram 32 – mas o que importa dizer é que vivemos um tempo diferente, onde a ideia de que o petróleo está caro poderá desaparecer.

Para quem não anda a ver as noticias da bolsa, devo contar que desde há pouco mais de um ano, a cotação do barril de petróleo anda em queda livre, desde os 110 dólares até aos atuais 48 dólares (no momento em que escrevo estas linhas) Já esteve bem mais baixo, chegou a estar a 38 dólares por barril. Contudo, a meio do mês passado, apareceram noticias que certos analistas afirmaram que o preço poderá baixar ainda mais, para valores a rondar os vinte dólares por barril, algo que seria impensável... há muito tempo. Talvez desde o final do século passado. 

As razões para esta baixa da cotação são várias, mas há duas que saltam à vista: o excesso de produção e a entrada de petróleo vindo de outras fontes, como o “fracking”, que é muito usado nos Estados Unidos. Este excesso de produção vem desde meados do ano passado, quando os países que constituem a OPEP, os países exportadores de petróleo, decidiram manter os seus níveis de produção, apesar de avisos para que cortassem, por causa da inundação dos barris provenientes do “fracking”, uma medida apoiada pelo governo Obama para cortar a dependência petrolífera dos americanos das petromonarquias do Golfo Persico ou de outros lugares como a Nigéria, Angola ou Venezuela, cujos regimes não “musculados” e notoriamente corruptos. Não sou só eu que digo, basta ver os números da Transparency International e outros semelhantes para ver o lugar que esses países ocupam nas listas. Estão bem lá no fundo.

Mas há razões politicas por trás desta abundância: se forem ler revistas como a Foregin Policy e outras, esta “corrida até ao fundo” dos últimos meses tem a ver com a estratégia da Arábia Saudita, a maior produtora mundial, de prejudicar os interesses do seu rival do outro lado do Golfo, o Irão, que também e um enorme exportador de petróleo, mas que sofre com as sanções ocidentais, que afetam também a capacidade de comprar peças de substituição para as suas refinarias. A Arábia Saudita pode aguentar isto por causa das vastas reservas de dinheiro que acumulou durante a década próspera do petróleo alto, e que são as mais altas do mundo. Fala-se de 12 biliões de biliões de dólares, o que é inimaginável.

E é por causa dessa estratégia – que é apoiada por outras petromonarquias como o Bahrein, Qatar e Emirados Árabes – que toda e qualquer tentativa de alterar a produção por parte de outros produtores como Irão, Angola e Venezuela, altamente dependentes do ouro negro nos seus orçamentos é bloqueada nas reuniões da OPEP, em Viena. Contudo, o que se falava no inicio do ano é que isto seria temporário e que o corte na produção seria inevitável, com o regresso do preço do crude aos níveis “normais” dali a seis meses. Contudo, chegamos a setembro… e tudo indica que acontecerá o contrário.

Rumores correm que, quando os Estados Unidos levantarem o embargo ao Irão (por causa do acordo nuclear assinado em julho), este inundará os mercados com petróleo ainda mais barato, fazendo cair o preço do crude para metade do que está atualmente. Se semanas antes, os analistas esperavam um preço que estava na casa dos 60 dólares, agora as coisas parecem caminhar para o seu contrário. Para piorar as coisas, os grandes mercados consumidores – Estados Unidos, Europa e China – não estão a absorver toda esta “inundação”, e não tem a ver com crises: os EUA podem acabar o ano com um crescimento de 4 a 5 por cento, a Europa poderá ter dois por cento de média e a China pode rondar os oito por cento, apesar da crise bolsista que vive.

Nesta corrida para o fundo, muitos esperam quem será o primeiro a quebrar. Há sinais: Venezuela e Angola estão a pedir há meses na OPEP para diminuir a produção, mas os sauditas negaram essas pretensões até agora.

Então, se o mercado não responde como se ensina nos livros de economia, o que será? Uma grande razão é o peso dos impostos no preço final da gasolina. Cito o exemplo português, onde 61 por cento do preço final vem apenas dos impostos. Ou seja, a cada dez euros, damos 6.10 euros para o Estado, e isso é bastante. Podem imaginar quanto custaria um litro de gasóleo (diesel) ou gasolina se fossemos uma petromonarquia, como no Golfo Pérsico… mas não somos. Aliás, estatisticamente, temos o sétimo preço mais caro da União Europeia, e este ano encareceu mais sete cêntimos por causa do “imposto verde”, colocado para sustentar os custos ambientais…

(continua)

Formula 1 em Cartoons - Itália (Pilotoons)

A corrida italiana poderá ter visto arder as chances de Nico Rosberg de ser campeão do mundo em 2015. Mas quero recordar às pessoas de que nada impede que Lewis Hamilton desista em Singapura e o alemão vencer por lá para relançar o campeonato...

domingo, 6 de setembro de 2015

Noticias: FIA não pune Mercedes

A alegada irregularidade que a Mercedes estava a ser investigada esta tarde após o GP de Itália não resultou em nada. A FIA viu a pressão dos pneus dos carros de Lewis Hamilton e Nico Rosberg e decidiu, depois de ouvir a versão da Renault, que não iria colocar qualquer punição aos carros alemães. Assim sendo, Lewis Hamilton mantêm a vitória na corrida de Monza.

Eis o comunicado oficial da FIA na integra:

"Tendo ouvido o Delegado Técnico, os representantes da equipa e o engenheiro da Pirelli, os comissários determinaram que a pressão dos pneus em causa estavam na medida mínima recomendada pela Pirelli quando eles foram colocados no carro.

"As pressões estavam no limite mínimo permitido recomendado pela Pirelli. Os cobertores de pneus haviam sido desligados, como normalmente acontece, e os pneus estavam significativamente abaixo da temperatura máxima admissível no momento da medição FIA na grelha de partida e também tinham valores diferentes nos outros carros."

"Assim sendo, os Stewards estão satisfeitos por saber que a equipa seguiu o procedimento actualmente especificado, supervisionado pelo fabricante de pneus, para o funcionamento seguro dos pneumáticos. Portanto, os Stewards decidiram não tomar nenhuma ação adicional. 

No entanto, os Stewards recomendam que o fabricante de pneus e a FIA realizem novas reuniões para fornecer uma orientação clara para as equipas sobre os protocolos de medição", concluiu.

Assim sendo, Hamilton (que conquistou hoje a sua vitória numero 40 da sua carreira), tem 252 pontos, contra os 199 de Nico Rosberg e os 178 de Sebastian Vettel. A próxima corrida acontecerá dentro de duas semanas, em Singapura.

Formula 1 2015 - Ronda 12, Monza (Corrida)

Monza é um sitio único, como sempre. De uma certa maneira - e muito por causa dos "tiffosi ferraristi", moldou as nossas mentes para que a encaremos aquele circuito como uma "catedral". E que os fins de semana de Grande Prémio de Itália, principalmente esses, sejam considerados como "missa", onde os fiéis acorrem em massa para ver os seus ídolos, "deuses na terra". Especialmente os que vêm de Maranello...

Naquele céu azul, tipico do setembro italiano, havia a expectativa de saber se haveria algo que saísse da monotonia dos vitoriosos Mercedes. Afinal de contas, ontem houve uma pequena alegria quando os Cavalinos Rampantes conseguiram entrar entre os Flechas de Prata, e havia a expectativa de que na partida, eles pudessem... quem sabe, estar na frente deles. Mas antes disso, o paddock de Mona lembrou Justin Wilson, que doze anos antes de morrer, andou na Formula 1 como piloto da Minardi e Jaguar. Eu quero acreditar que aquilo que li foi uma má tradução...

A partida começou com Hamilton a segurar Vettel, mas Raikkonen fica parado na pista, caindo para o final do pelotão, enquanto que Rosberg também não largou muito bem, sendo superado pelos dois Williams de Bottas e Massa. A partir dali, o finlandês começou a recuperar posições, chegando ao 12º lugar na quarta volta, depois de passar Daniel Ricciardo. Em contraste, Jenson Button era nono classificado nestas primeiras voltas, ao mesmo tempo que os Lotus se paravam: Grosjean na pista, Maldonado nas boxes. Duas voltas depois, o finlandês estava na zona dos pontos, passando Jenson button para o nono posto.

Na frente, Hamilton afastava-se de Vettel, conseguindo um avanço de 4,3 segundos, com Massa no terceiro posto, enquanto que Rosberg era quinto, mas a lutar contra o desgaste prematuro dos travões dianteiros. Mas ao poupá-los por algumas voltas, começou depois por atacar Bottas, tentando chegar ao quarto posto, mas o finlandês da Williams defendeu-se, não dando essa chance.

O primeiro a parar dos da frente foi Nico Rosberg, na volta 19, o que dava a ideia de que iria parar por duas vezes, mas também provavelmente para ganhar a Bottas quando este fosse às boxes. Massa parou na volta a seguir, ao mesmo tempo em que Raikkonen tinha passado o Sauber de Ericsson. Bottas parou na volta 23, mas parece que a paragem não foi perfeita.

Na volta 25, Hamilton, Vettel, Raikkonen e os Red Bull ainda não tinham parado, numa altura em que o alemão da Ferrari ia às boxes. Na volta seguinte, Hamilton ia ás boxes, mantendo a liderança. Raikkonen não parava, mas estava na frente de Rosberg, e tinha ordens para o aguentar o mais possivel. Contudo, o alemão passou-o na volta 28, uma antes de Kimi parar nas boxes.

A partir dali, a corrida não teve mais história. Hamilton liderava com uma vantagem cada vez maior sobre Vettel - 20 segundos na volta 36 - enquanto que Rosberg era o terceiro, conseguindo ficar na frente dos Williams. Depois deles, vinham Kimi Raikkonen, na frente de Nico Hulkenberg e Marcus Ericsson, com o Red Bull de Daniel Ricciardo a fechar os pontos.

Até ao fim, houve luta entre Kimi e Sergio Perez para o sexto posto, onde o finlandês levou a melhor do que a Force India, mas a duas voltas do fim, o motor de Nico Rosberg, o seu maior rival no campeonato, rebenta, e tendo ali o seu primeiro abandono do ano. Após doze corridas!  

Com isto, Hamilton cruzava a linha de meta, conseguindo a sua terceira em Monza e a 40ª da sua carreira, na frente de Sebastian Vettel, aplaudido pelos "tiffosi" (dois anos depois de ter sido assobiado...) e no lugar mais baixo do pódio ficou Felipe Massa, depois de conseguir segurar Valtteri Bottas no seu ataque ao terceiro posto. Kimi Raikkonen minorou os estragos com o quinto lugar, na frente dos force India de Sergio Perez e Nico Hulkenberg, com Daniel Ricciardo no oitavo posto, Marcus Ericsson e Danill Kvyat a fechar os pontos. 

Mas logo após a meta, os Mercedes foram chamados para ir ter com os comissários da FIA para explicar a pressão dos pneus que tinham na largada, que estavam abaixo do regulamento. 0,3 PSI no caso do Hamilton... e isso poderia significar ou penalização por segundos ou mera exclusão. Veremos o que as próximas horas dirão.

A imagem do dia

Quis o calendário que este ano este dia 5 de setembro calhar num sábado. Exatamente o dia em que aconteceu em 1970. E tal como acontece hoje, estamos em fim de semana de GP de Itália, em Monza. Mas ao contrário do que aconteceu nesse ano, a qualificação correu sem ondas para Lewis Hamilton, que largou na frente dos Ferrari.

Contudo, em 1970, um tempo mais perigoso para o automobilismo, assistimos ao acidente mortal de Jochen Rindt, um dos pilotos mais velozes do pelotão. E o desaparecimento do veloz piloto austriaco acontecia numa altura em que ele era o centro das atenções, por causa do seu dominio no campeonato, graças ao carro que guiava, o Lotus 72. A imagem que coloco aqui, de Bernard Cahier, foi tirada precisamente no fim de semana fatal na pista italiana.

Toda a gente conhece a história de Jochen Rindt na Lotus, e a sua atribulada relação com Colin Chapman. Chegado à equipa no final de 1968, depois de se aconselhar com Jack Brabham, seu patrão - que lhe disse: "se queres ser campeão, vai para a Lotus. Se queres viver, fica na Brabham" -  os seus receios sucederam quando teve um acidente em Montjuich devido à quebra da sua asa traseira, causando um nariz partido. Adaptando-se no primeiro ano - que acabou com uma vitória em Watkins Glen - no segundo ano, tinha todas as condições para vencer, graças à nova máquina de Colin Chapman, o modelo 72.

Contudo, o inicio foi atribulado. Rindt sofreu um despiste em Jarama depois de... 200 metros, e jurou que "não pilotaria mais essa m****". Tanto que quando venceu no Mónaco, depois de uma batalha épica com Jack Brabham, ele guiava o modelo 49.

Depois... foi o melhor verão da sua vida. Quatro vitórias seguidas entre o dia 21 de junho e o dia 2 de agosto, o colocaram com 36 pontos e o título mundial à vista. Bastava vencer mais uma corrida e teria o ceptro mundial nas mãos. A sua mulher, a finlandesa Nina, disse depois que ele pensava em largar o automobilismo, depois de ver tantos dos seus amigos morrer. E sabia muito bem da fragilidade dos carros de Chapman.

A sina de Monza começou com a decisão de tirar os aerofólios dos carros. Há quem diga que foi Chapman, outros dizem que foi obra do próprio Rindt - ele próprio tinha visto vantagens, afirmando que sem eles tinha mais 800 rpm nas retas - mas John Miles, por exemplo, não queria tê-las retiradas e foi contrariado por Chapman. Só que o seu carro tinha uma fragilidade em termos de travões: as correias eram demasiado frágeis para a força necessária para travar numa zona que era a Parabólica. E depois do seu carro ter sido danificado no dia anterior pelo jovem Emerson Fittipaldi, ele usou o carro que deveria ser dele para dar as suas voltas. Deu no que deu.

Rindt passou à história como o "campeão póstumo", que ainda por cima foi completo com uma vitória da Lotus. A tal de Emerson, em Watkins Glen. Mas o mito ficou, e este está bem vivo na sua Austria natal, apesar de ter nascido... na Alemanha. Afinal de contas, é o único piloto a quem fizeram uma ópera.

sábado, 5 de setembro de 2015

Noticias: Acidente trágico no Rali A Corunha mata seis

O mundo dos ralis vive definitivamente uma má altura. Esta tarde o Rally A Corunha tornou-se trágico quando um dos seus pilotos perdeu o controle do seu Peugeot 206 e foi direito a um grupo de espectadores. O balanço - ainda provisório - é trágico: seis vitimas mortais e vinte feridos com várias ordens de gravidade, de acordo com informações prestadas pela Guardia Civil.

Entre os mortos, há quatro mulheres, uma delas estava grávida. Os testemunhos afirmam que a situação no local é caótica. O rali contava para o campeonato galego e tinha 130 carros inscritos. A prova foi imediatamente suspensa.

Este incidente trágico é o terceiro em menos de uma semana. No passado domingo, uma dupla suiça morreu num acidente num rali italiano, enquanto que ontem, o francês Frederic Comte morreu durante o rali Mont Blanc quando perdeu o controlo do seu Citroen Xsara WRC, ferindo gravemente a sua navegadora e esposa.


P.S: Incialmente estava um video por aqui, mas depois de um pedido para o tirar, acedi. Contudo, como sabem, creio que isso não servirá de nada pois se não vêm aqui, podem vê-lo em qualquer televisão e web. Mesmo que tirem os videos do Youtube, já lá ficou tempo suficiente para que fosse copiado. Amanhã verão em todo o lado.

Toda a gente sabe que o mundo dos ralis não é isto, mas que o automobilismo é perigoso. Contudo, o direito de informar por vezes é sobreposto pela gravidade e o choque da situação, e como sabem, o automobilismo é muito mais do que as suas desgraças que se vive por estes dias. E como se costuma dizer, depois da tempestade, vêm a bonança.

E que descansem em paz os que morreram agora.

As variações humoradas do carro de Max Verstappen...


É fascinante ver como é um Formula 1 por dentro, especialmente por causa daqueles cromados que vimos no carro de Max Verstappen. Mas claro, há quem tenha pensamentos mais javardos e tenha feito estas versões da mesma foto...


Formula 1 2015 - Ronda 12, Itália (Qualificação)

Duas semanas depois de termos visto a Formula 1 num clássico, passamos para outro local clássico, como é Monza. São catedrais - este é quase centenário - e todos estes locais nos fazem lembrar, subconscientemente, a razão porque adoramos este desporto. São locais rápidos, com história, e quem conhece o seu passado sabe dos grandes momentos e dos tempos mais negros que já lá passaram. Coisas do qual foram feitos livros, que temos nas estantes das nossas casas, dos quais nós e os nossos parentes poderemos ler sempre que quisermos.

Pessoalmente, adoro Monza por ser um circuito que simboliza velocidade. Quando vês um carro de formula 1 a acelerar por ali, sabes que o seu piloto está a dar o máximo, pois em dois terços das vezes é isso que faz: só abranda nas chicanes e na Parabólica. Mas em 1971, quando Peter Gethin bateu meia concorrência "por um fio de cabelo", o seu BRM com motor V12 circulou a mais de 242 km/hora de média para fazer isso. As chicanes vieram a seguir, mas para voltarmos a ter esta média, demoramos mais de 30 anos para lá chegar. E teve de ser um colombiano com um fraquinho por picanha brasileira para fazer isso... pena não ter sido o finlandês com um fraquinho por vodka e Magnum de chocolate, mas o mundo é imperfeito e a vida é injusta.

Este ano, sabia-se que iria ser mais do mesmo. Tal como vivemos na década passada os dominios da Ferrari e depois da Red Bull, a Mercedes está disposta a mostrar a sua marca, como belos Flechas de Prata que são, nas mãos de Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Ontem, nos treinos livres, deram um avanço de quase oito décimos sobre o Ferrari de Sebastian Vettel - que ontem tornou-se pai de uma menina, a propósito. Portanto, como acontece em todas as crónicas anteriores sobre as qualificações de 2015, isto é meramente a cronologia de uma pole e um monopólio da Mercedes. Apesar de estarmos em "terra Ferrari"...

A qualificação começou com céu limpo e o calor típico de setembro em paragens italianas, e a Q1 parecia que já tinha os seus eliminados, dada a quantidade de penalizações que já estavam atribuidos. Os McLaren, os Red Bull e pelo menos um dos Toro Rosso iriam perder lugares, independentemente do que faziam o que daria aos dois Manor a sua grande chance de irem à Q2 pela primeira vez nesta temporada. Mas houve pilotos a marcarem tempos na mesma e incidentes de monta, como aconteceu a Max Verstappen, praticamente a unica esperança da dupla Red Bull/Toro Rosso de não monopolizarem o fundo da grelha. O jovem prodigio de 17 anos ficou sem a carenagem e todos puderam ver como é um carro de Formula 1 por dentro...

No final da Q1, enquanto que Hamilton e Rosberg marcavam os melhores tempos com pneus médios, com Kimi Raikkonen a ser o "melhor do resto", atrás, para além dos McLaren, estavam os Manor e o Toro Rosso de Verstappen, mas com o sistema de penalizações, os carros de Will Stevens e Roberto Merhi tinham garantido o 13º e 14º postos na grelha. E ainda vamos na 12ª prova do campeonato...

No Q2, as coisas começaram a ser mais interessantes, porque todos começaram a usar pneus macios e inevitavelmente, os tempos começaram a baixar. Assim, Hamilton começou a fazer um tempo de 1.23,383, na frente de Rosberg, que apenas conseguia nessa altura 1.24,128, com os Williams e os Force India logo a seguir, todos eles com motor Mercedes. Os Ferrari eram os melhores dos outros (em termos de motor, bem dito), mas o drama acontecia atrás, nos décimos postos. Os Sauber de Felipe Nasr e Marcus Ericsson batiam-se pelo último lugar disponivel, e depois de uma primeira tentativa do brasileiro, o sueco conseguiu um tempo meio segundo mais veloz e ficou com a vaga que sobrava na Q3, deixando Nasr de fora. Tempos dificies para o piloto de Brasilia...

Quem também ficava de fora era Pastor Maldonado, enquando que Romain Grosjean continuava com a boa onda, ficando com o nono melhor tempo.

A Q3 seria o confirmar de tudo o que viamos a acontecer nas corridas anteriores. Mas estamos em Monza e aqui, a Ferrari tinha uma palavra a dizer. A Scuderia já tinha dado um ar da sua graça a meio da Q2, quando conseguira colocar os seus carros entre Hamilton e Rosberg, e a Q3 não seria diferente, apesar de Nico Hulkenberg ter tido um problema com o motor e ter parado o seu carro na entrada das boxes, atrapalhando um pouco a paragem. E no final, na última volta lançada, com a bandeira de xadrez a ser mostrada, mostrava-se a parte surpreendente desta qualificação, ao ver Kimi Raikkonen a ficar com o segundo melhor tempo, quebrando o monopólio da cara de Brackley, na frente de Sebastian Vettel. E claro, ambos na frente de Nico Rosberg.

Lewis Hamilton foi mais uma vez o poleman de Monza, mas a diferença não foi ampla como das outras vezes: o inglês fizera 1.23,397 segundos, apenas menos 234 centésimos que Kimi Raikkonen e menos 288 centésimos que Sebastian Vettel. Os Williams monopolizaram a terceira fila, enquanto que Sergio Perez foi o sétimo na grelha, na frente de Romain Grosjean, Marcus Ericsson e Nico Hulkenberg.

Assim sendo, o (oxigenado) piloto britânico continua a ser o rei das poles na Formula 1 deste ano. Resta saber se o dominio se estenderá na corrida, mas com a boa forma que a Ferrari exibiu hoje em Monza, poderá haver algumas questões interessantes...

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Noticias: Piloto francês morre no Rally Mont Blanc

O piloto francês Frederic Comte morreu esta manhã no rali Mont Blanc, prova a contar para o campeonato francês. Aparentemente, o piloto, que fazia o rali a bordo de um Citroen Xsara WRC, perdeu o controle durante a segunda especial do rali. A sua navegadora, Angelique Comte - e também sua companheira - está internada em estado muito grave.

De acordo com as noticias, o carro teria saído de estrada, na descida de Col de Moises, acabando por bater de forma violenta numa árvore. O carro pegou fogo por 10 minutos, e apesar dos esforços de resgate por parte dos serviços de emergência, o piloto Fred Comte acabou por morrer. Sua esposa e co-piloto, Angelique Comte, foi levada para o hospital Thonon com ferimentos graves.

O rali ficou interrompido temporariamente, mas a organização decidiu prosseguir, a pedido da familia do piloto.

"É com grande tristeza que o ASAC Mont Blanc e toda a organização Mont Blanc Morzine Rally confirma a terrível notícia que circulou esta manhã. Nosso amigo e piloto Fred Comte morreu na sequência de uma violenta saída de estrada esta manhã durante a segunda especial", começou por comunicar a organização.

"Ange foi transferida para o hospital de Thonon, onde está a ter mais cuidados", continuou

"Depois de questionar os pilotos se quisessem ou não prosseguir o rali, e receber o pedido de Mickael Comte para que continuássemos, em memória do seu irmão, a organização confirma que o rali prossegue, com excepção da quinta especial", concluiu.

Para além de ser piloto, Frederic Comte, de 39 anos, era também o dono da AFC Racing. A sua participação em ralis passava por dois quartos lugares no Volant Peugeot, com participações em vários ralis franceses.

GP Memória - Itália 2005

Duas semanas depois de terem corrido pela primeira vez em paragens turcas, máquinas e pilotos foram a Monza para a corrida italiana, a 15ª do campeonato. A grande novidade do pelotão tinha a ver com a Williams, que substituia Nick Heidfeld pelo brasileiro Antônio Pizzonia, depois de a BMW ter adquirido a Sauber, e decidido rebatizá-la de BMW Sauber, à custa da Williams. Assim sendo, sendo Heidfeld um piloto da marca alemã, estaria dispensado mais cedo do que o habitual.

Na qualificação, os McLaren dominaram, com Kimi Raikkonen a conseguir o melhor tempo, na frente de Juan Pablo Montoya. Contudo, o finlandês trocou de motor e ele seria penalizado em dez lugares, dando a pole ao piloto colombiano, enquanto que o segundo posto ficaria para o Renualt de Fernando Alonso. A segunda fila pertencia aos BAR-Honda de Jenson Button e Takuma Sato, enquanto que a terceira ficava para o Toyota de Jarno Trulli e o Ferrari de Michael Schumacher. Rubens Barrichello era o sétimo, seguido pelo segundo Renault de Giancarlo Fisichella, enquanto que o "top ten" terminava com o segundo Toyota de Ralf Schumacher e o Red Bull de David Coulthard.

A largada começou com Montoya a conseguir manter a liderança perante Alonso, enquanto que atrás, Raikkonen tentava ganhar posições, numa estratégia de uma só paragem. Com o passar das voltas o colombiano começou a afastar-se do espanhol, enquanto que Rubens Barrichello tentava também ganhar posições, também com uma estratégia de uma só paragem. Com o passar das voltas, enquanto Montoya aguentava Alonso, Raikkonen subia lugares, chegando ao segundo posto na volta 23. Duas voltas depois, parava nas boxes, quando já estava bem perto de Montoya, que já tinha parado para reabastecer.

Contudo, pouco depois, um dos pneus de Raikkonen furou e ele teve de ir às boxes para trocar de pneus, regressando à pista apenas na 12ª posição, começando tudo de novo. A mesma coisa aconteceria a Barrichello, caindo no pelotão.

Com isto, Montoya ficava cada vez mais isolado na frente. Mas nas voltas finais, um dos seus pneus começou a degradar-se cada vez mais e teve de abrandar o ritmo para poder chegar ao fim, permitindo a aproximação de Fernando Alonso. 

Mas no final, Montoya conseguiu um avanço de 2,4 segundos sobre Alonso, conseguindo a sua segunda vitória do ano. Giancarlo Fisichella fechava o pódio, enquanto que nos restantes lugares pontuáveis ficavam o McLaren de Kimi Raikkonen, os Toyotas de Jarno Trulli e Ralf Schumacher, o Williams de Antônio Pizzonia e o BAR- Honda de Jenson Button. Detalhe final: todos os pilotos que partiram chegaram ao fim, sendo a segunda corrida da história da Formula 1 em que tal aconteceria.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

As visões conflituosas sobre o cockpit fechado

 
O acidente mortal de Justin Wilson, há semana e meia, voltou à baila a discussão sobre o cockpit fechado, que está no ar desde 2009. E esta quinta-feira, a Autosport britânica fala das duas visões que alguns dos pilotos do atual pelotão da Formula 1 têm sobre este assunto. E se o veterano Jenson Button e Fernando Alonso afirmam que é hora de fechar os carros, já Nico Hulkenberg é contra, pois acha que caso aconteça, a Formula 1 ficará "estéril".

"Na minha opinião, não", começa por dizer o piloto alemão, vencedor das 24 Horas de Le Mans este ano, na conferência de imprensa de abertura, em Monza. "Há prós e contras, mas eu vejo as corridas de monolugares com cockpits abertos. Quando a gente se meteu nisto sabiamos que ainda há riscos envolvidos, que poderia haver algum perigo, mas que está no DNA do automobilismo", continuou.

"Nós não deveríamos esterilizar a coisa toda, fazer tudo demasiado clínico e superprotegido. Isso também não é bom para o desporto e pode tornar as coisas um pouco menos atraente", concluiu.

Já o piloto da McLaren afirma que os tempos mudaram e a necessidade de segurança tem de ser levado a sério e que é a altura de haver cockpits fechados num futuro próximo. 

"Eu era um dos muitos pilotos que diziam 'isto é uma competição de cockpit aberto, e deve permanecer como uma corrida de cockpit aberto'", começou por dizer Button. "Mas eu acho que todos já tivemos tempo suficiente e agora é hora de fazer algo a sério, não apenas mudando o encosto de cabeça. É altura de ter um "canopy" de algum tipo no monolugar, porque não podemos ter isto [o acidente de Justin Wilson] a acontecer ao longo destes últimos anos.

"Isto não deveria acontecer neste momento no automobilismo. Não estamos mais nos anos setenta, nós deveríamos saber isso melhor do que ninguém. Os "canopys" provavelmente são o caminho a percorrer, mas, obviamente, isso leva tempo", continuou.

"Eu não vejo isto a acontecer no próximo ano na Fórmula 1. Eu sinto isso irá acontecer mais cedo ou mais tarde", concluiu.

Já Fernando Alonso, companheiro de equipa de Jenson Button, afirmou que de uma certa forma, concorda com a opinião dele, mas que ainda é algo complicado de entrar na sua mente.

"Eu estou aberto a qualquer solução que a tecnologia dos dias de hoje, em 2015, [permite] um cockpit fechado sem grandes problemas", começou por afirmar.

"Há outras categorias, como o Campeonato Mundial de Endurance que tem a cabine fechada e nada aconteceu", concluiu.

Noticias: Williams mantêm dupla para 2016

Felipe Massa e Valtteri Bottas manterão na Williams na próxima temporada. O anuncio foi feito esta quinta-feira em Monza, palco do GP de Itália, que vai acontecer este fim de semana. De uma certa forma este era um anuncio esperado, semanas depois da Ferrari ter anunciado de Kimi Raikkonen ficaria na Ferrari em 2016, um lugar que era almejado por Bottas. 

“Estou muito feliz por continuar a fazer parte da família Williams, até porque a equipa tem crescido bastante nos últimos anos. É bom fazer parte da mudança que tem sido efectuada nesta equipa desde 2013", afirmou o piloto brasileiro de 34 anos, que vai para a sua terceira temporada na equipa de Grove. 

Da sua parte, Valtteri Bottas afirmou que “é um orgulho continuar pela quarta época consecutiva nesta equipa. Estamos a ficar cada vez mais fortes. Estou ansioso para a próxima temporada, pois acredito que podemos ser mais fortes”.

Já Frank Williams, líder histórico da equipa britânica, afirmou que “a estabilidade é fundamental para qualquer equipa na Fórmula 1, por isso estou muito satisfeito por continuar com o Felipe e o Valtteri na próxima temporada. Estou entusiasmado com a possibilidade do Valtteri ser um candidato ao título e de poder levar novamente o nome da Williams para o topo da Formula 1”.

A Williams vai este ano no terceiro lugar do campeonato de Construtores, com 161 pontos e tem como melhor resultado dois terceiros lugares, um para Massa, na Austria, e outro para Bottas, na Grã-Bretanha.