quarta-feira, 13 de julho de 2011

Youtube Le Mans: as 24 Horas de Le Mans no lado dos Audi



Vi isto ontem à noite e fiquei surpreendido pelo fato de ser tão bem feito, mesmo sendo para todos os efeitos, um video feito pelo vencedor da corrida, a Audi. Mas a coisa boa nisto é que, mesmo sendo uma espécie de "a história escrita pelos vencedores", não esconde as angustias que passaram em relação aos acidentes de Alan McNish, e especialmente, Mike Rockenfeller. E claro, deram também destaque aos seus adversários, a Peugeot.

No final, temos de tirar o chapéu aos senhores de Inglostadt. Para video institucional, foi um dos mais bem feitos que já vi.

GP Memória - Grã-Bretanha 1986


Uma semana depois de Paul Ricard e o GP de França, a formula 1 atravessava o Canal da Mancha (onde já se planeava a construção de um túnel ferroviário por baixo...) para o condado de Kent, local onde se situava o circuito de Brands Hatch, palco do GP de Grã-Bretanha, como acontecia habitualmente em anos pares.

Não havia modificações no pelotão da Formula 1, que observava nesse final de semana algumas coisas importantes Primeiro que tudo, um dos seus pilotos alcançava a marca de Graham Hill, de 176 Grandes Prémios. Era o veterano Jacques Laffite, do alto dos seus 42 anos de idade, e continuava a ser competitivo no seu Ligier-Renault Turbo. E para adicionar à festa, a Ligier anunciava um acordo com a Alfa romeo para que fornecesse motores para as três temporadas seguintes.


Mas também nesse final de semana de Grande Prémio, o público aplaudia de pé o regresso de uma personagem importante da Formula 1, que era Frank Williams. Paralisado da cintura para baixo, com limitações bem grandes ao nível das mãos e braços, Frank Williams parecia lúcido e determinado como sempre para cuidar da equipa, com o seu sócio Patrick Head. E tinha de ser: uma das suas rivais, a Lotus, negociava a aquisição de motores Honda, e não se sabia se os japoneses iriam fornecer a uma segunda equipa. E na Brabham, decidiu-se "ressuscitar" o chassis BT54 para Riccardo Patrese, como forma de o comparar ao chassis BT55 conduzido por Derek Warwick.

Provavelmente inspirados no regresso do seu patrão, os Williams dominaram na qualificação. Nelson Piquet foi melhor do que Nigel Mansell e monopolizaram a primeira fila da grelha. Na segunda fila ficaram o Lotus-Renault de Ayrton Senna e o Benetton-BMW de Gerhard Berger, enquanto que na terceira estavam os McLaren-TAG Porsche de Keke Rosberg e de Alain Prost. Teo Fabi, no segundo Benetton-BMW, era o sétimo na grelha, seguido pelo Ligier-Renault de René Arnoux, e a fechar o "top ten", estavam o Brabham-BMW de Derek Warwick e o segundo Lotus-Renault de Johnny Dumfries.


Quanto a Jacques Laffite, estava a ter um mau fim de semana: um injector de gasolina rebentado na sexta-feira, uma colisão com o McLaren de Keke Rosberg - seu ex-companheiro na Williams - na Curva Druids no Sábado, o fez com que conseguisse apenas o 20º tempo na grelha de partida. Mas o pior estava para vir...

No dia da corrida, o sol batia forte na pista e o circuito estava cheio de espectadores que queriam ver os seus pilotos levarem a melhor. E quando os carros largaram para a primeira das 75 voltas ao circuito, Mansell sai mal e Piquet aproveita bem para ficar na liderança, enquanto que o britânico era sétimo na passagem pelo Paddock Hill Bend e parecia que o seu carro tinha ficado encravado em segunda velocidade.


Mas mais atrás, havia desastre: o belga Thierry Boutsen perde o controle do seu Arrows, ricocheteia no muro e volta à pista quando passa a cauda do pelotão. Ali, leva em cheio com o Zakspeed de Jonathan Palmer e imediatamente a seguir houve uma carambola, envolvendo o outro Zakspeed de Huub Rothengarter, os Minardi de Alessandro Nannini e Andrea de Cesaris, Osella de Piercarlo Ghinzani e Alan Berg, o outro Arrows de Christian Danner. Jacques Laffite, trancado pelo Ferrari de Stefan Johansson á sua esquerda, acaba por bater em cheio no muro de proteção, desfazendo o seu carro e quebrando ambas as pernas ao piloto francês.

A corrida é logo interrompida, enquanto que os paramédicos correm para tirar Laffite do seu carro e levá-lo para o hospital. Aquela que iria ser a sua 176ª largada acabaria por ser a sua última, pois não voltaria mais a correr na categoria máxima do automobilismo. Interrompida durante 75 minutos, para reparar os carros danificados e para fazer regressar o helicóptero que tinha levado o piloto francês para o hospital, quando tudo ficou pronto para a segunda partida, para além do carro de Laffite, os Osella e o Arrows-BMW de Danner acabaram por não participar.


Entre as duas largadas, Nigel Mansell saltou para o carro de reserva, e isso foi determinante para o resto da sua corrida. Mas não na partida, porque quando aconteceu, foi ultrapassado por Piquet e Berger. Contudo, recuperou uma posição quando passou o piloto da Benetton no final da primeira volta e partiu em perseguição de Piquet. Atrás, Senna era quarto, com Rosberg e Prost atrás dele. Poucas voltas depois, Rosberg desiste com problemas de caixa e o quinto posto é do piloto francês, seguido pelo Ferrari de Michele Alboreto.

Pouco depois, Piquet - que tinha trocado cedo de pneus - falha uma marcha e Mansell aproveita a oportunidade para o passar, para delirio da multidão. E isso tudo foi antes de Berger e Senna desistirem em duas voltas, o primeiro devido a falha elétrica, o segundo devido à avaria da caixa de velocidades. Assim, o terceiro lugar caiu nas mãos de Alain Prost.

As três primeiras posições já estavam encontradas, bastava agora a Mansell gerir a vantagem. Mas em vez disso, acelerou bastante para escapar de Piquet, que não desistia de o atacar na liderança. Ambos conseguiram o suficiente para elaborar um dominio na pista tal que apenas Piquet ficou na mesma volta do que ele, já que Prost levou uma volta.


No final, Mansell levou a melhor e conseguiu a sua segunda vitória consecutiva, e curiosamente, conseguiu-a nove meses depois de ter vencido aqui pela primeira vez, então como GP da Europa. Piquet foi o segundo e Prost o terceiro. Nos restantes lugares pontuáveis ficavam o Ligier de René Arnoux, uma boa posição apesar do acidente do seu companheiro, e os Tyrrell de Martin Brundle e Philippe Streiff.

Fontes:

terça-feira, 12 de julho de 2011

Desabafos ao chegar a um numero redondo

Pois é, chega a uma altura na vida onde iremos alcançar, caso tenhamos sorte, um numero redondo. Dez. Vinte. Vinte e Cinco. Trinta. Trinta e Cinco. Ficamos velhos e no meu caso, carecas. Mas a genética também explica o fato de ainda não ter ganho a "barriga de cerveja". E gosto dela, em doses bem moderadas, claro.

Chego a esta idade com alguns objetivos alcançados, mas sem chegar a outros. E estou numa fase em que me sinto numa encruzilhada, digamos assim. Gosto do que faço, mas nos últimos tempos tenho tido mais baixos do que altos. Sejamos honestos: não tenho emprego, as coisas neste país andam negras e tenho a sensação de que o futuro não apresenta nada de bom. Sempre que falo com as pessoas, só oiço que tudo está mau e não se vê o "fundo do túnel". Em suma, este país está deprimente.

Francamente, penso no que fazer da minha vida. Estou numa fase onde nada tenho, mas também nada tenho a perder. Por vezes peço dinheiro aos amigos para meter gasolina, por exemplo. Não gosto, mas tem de ser. Mas também não tenho dívidas, o que nestes tempos que correm e com aquilo que se fez nos tempos das "vacas gordas", é um feito. Aliás, sou credor de uma pessoa que me deve muito dinheiro, dois mil euros, para ser preciso.

Nos últimos dias, andei a pensar e aparentemente, tenho três opções. Posso tentar arranjar um emprego em outra área, mas nesta altura, neste pais, é muito complicado. Empregos maus, precários, arranjados em agências de emprego que por vezes simplesmente... fecham, e onde os que te empregam quase nos tratam como se fossem cães... não é bom. Há quem engula isso tudo, em nome do parco salário que ganhas no final do mês, e descobres que não dá nem para a gasolina que gastas no carro.

A segunda opção é emigrar. Depende do sítio onde queiras. Nos países ocidentais, a situação não é boa. Se for no Sudeste Asiático, Austrália ou Brasil, a história é outra, mas preciso de várias coisas: passaporte, visto de trabalho, blá, blá, blá... tudo burocracias. Mas às vezes tem de ser.

A terceira opção é uma mistura dos dois, e francamente, nem sei se irá funcionar. Como sabem, escrevo para pessoal em sites de automobilismo. Só que o problema é que é tudo "pro bono", ou seja, é de graça. Contudo, um dia cansamo-nos de escrever para lá porque perde-se a vontade. Pensem bem: para quê me esforçar se em troca não recebo nada de material? Mostrar que sou bom naquilo que faço é ótimo, mas também trabalho melhor se receber algo em troca, de perferência dinheiro.

Então, eis o que ofereço aos que me lêem por aqui, regularmente ou não: precisam de um correspondente na Europa? Cá estou eu. Podem poupar imenso ao mandar alguém do Brasil para aqui ao contratar-me. Não peço muito, pouco mais do que o salário mínimo para a gasolina e hospedagem, especialmente nas apresentações em Espanha, que no máximo, ficaria a 800 ou mil quilómetros do sitio onde vivo, e está numa distância de dez ou doze horas de carro. Ou então a uma hora de avião, e numa era de low costs um pouco por toda a Europa, deve ser mais barato do que andar de carro. E claro, menos cansativo...

Eu tenho esta mais valia. Quem me contratar receberá em troca um bom profissional, e como curriculo, apresento o meu blog e tudo aquilo que escrevo por aqui. Eu sei que numa era onde é mais cómodo escrever as noticias do escritório ou dos comunicados de imprensa dos acessores. Mas sempre aprendi que o jornalismo é mais do que isso, não é? Francamente, gosto daquilo que faço, mas também gostaria de uma boa oportunidade neste meio, e confesso que isso é uma coisa que escasseia neste tempos que correm. De uma certa maneira, é como emigrar, só que "em casa". E claro, se há alguém nacional que me queira - apesar destes tempos dificieis - também estou disponivel. Mas quero receber algo em troca. Para "pro bono", já tenho o blog e a minha colaboração no Pódium GP, do qual agradeço. Só que a partir de agora, quero ganhar para pagar as contas, digamos assim.

E pronto, este foi o meu desabafo/constatação/súplica. Sei que a luz ao final do túnel irá aparecer um dia. Mas gostaria que fosse dentro em breve, só isso.

Para finalizar, posso dizer que afinal o Facebook tem as suas vantegens. Recebi ao longo do dia os parabéns de centenas de pessoas, desde os velhos amigos do Liceu e da Universidade até aos meus amigos virtuais, que nunca conheci ou abracei de carne e osso. No meio disto tudo, até o Antti me deu os parabéns! Enfim, agradeço-vos a todos por este gesto. Quem disse que o Facebook faz isolar as pessoas do mundo real, não sabia do que falava. Bem pelo contrário.

Noticias: poderá haver ator para o papel de James Hunt

As coisas parecem avançar rápido em Hollywood: depois de se ter confirmado que Ron Howard iria fazer um filme sobre a temporada de 1976, de seu nome "Rush", aparentemente já há um ator para o papel de James Hunt. O escolhido poderá ser o ator australiano Chris Hemsworth, de 27 anos, que participou recentemente no filme "Thor".

Segundo alguns sites especializados, as negociações estão ainda a decorrer, mas parece que o filme, que terá como argumentista Peter Morgan, poderá começar a ser filmado no inicio de 2012, ainda antes de Howard filmar a adaptação para o cinema de "The Dark Tower".

Quanto ao ator que poderá fazer de Niki Lauda, nada se sabe ainda. E também ainda não se sabe se sempre haverá um filme sobre o próprio James Hunt, pois como se sabe, a Dreamworks, de Steven Spielberg, comprou os direitos para o cinema do livro "Shunt", sobre a vida louca do piloto britânico morto em 1993, aos 46 anos.

Noticias: Armindo Araujo feliz pela condecoração

Depois de ontem se ter sabido que o governo português decidiu atribuir a medalha dos Bons Serviços Desportivos a Armindo Araujo pelos títulos mundiais no PWRC, o piloto de Santo Tirso reagiu no seu sitio oficial a esta condecoração, atribuida também ao seu navegador de sempre Miguel Ramalho:

"E sem dúvida um dos prémios mais marcantes da minha carreira. Ser reconhecido por parte do governo do meu país pelo trabalho desenvolvido em favor do desporto é uma grande honra e não posso deixar de me sentir orgulhoso pelo facto. Sempre tive como objetivo, para além dos títulos, colocar o nome e a bandeira de Portugal no mais alto patamar e é nesse mesmo sentido que continuarei a trabalhar no futuro. Esta distinção aumenta ainda mais a minha motivação e determinação para continuar a ser um exemplo no desporto motorizado".

Araujo, atualmente com 34 anos, tem uma carreira longa e multifacetada. Primeiro no motociclismo e depois nos Ralis, onde conseguiu quatro títulos nacionais, sempre ao serviço da Mitsubishi, para depois em 2007 dar o salto para o estrangeiro, nomeadamente na categoria da Produção. O esforço deu frutos, ao ser campeão mundial da Produção em 2009 e 2010, num Mitsubishi Lancer, e isso lhe permitiu "dar o salto" para o WRC, este ano num Mini John Cooper Works, preparado pela Prodrive.

Youtube Hillclimb: Georg Plasa (1960-2011)



Não sigo propriamente as competições de rampa, mas reconheço que tem o seu quê de fascinio, ver alguém a subir ao topo num carro, dando o seu máximo. As rampas são populares no centro da Europa, França e Itália, e um desses pilotos era o alemão Georg Plasa, que costumava subir as rampas num BMW Série 3 com motor Judd V8, o que já é impressionante.

Pois bem, este piloto alemão sofreu um acidente fatal este domingo na Coppa Carotti, em Rietti Terminilio, quando perdeu o controlo do seu BMW a um quilómetro da meta e bateu forte a mais de 200 km/hora. Imediatamente socorrido pelos bombeiros e levado para o hospital mais próximo, acabou por não resistir aos ferimentos. Sabido o trágico resultado, os pilotos e organizadores decidiram suspender a prova por mútuo acordo. Tinha 51 anos.

Para verem um pouco daquilo que era, eis um video que descobri de Plasa no inicio do ano na Rampa da Falperra, prova do qual ele foio o vencedor.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Noticias: Armindo Araujo concedorado pelo governo português

Eis uma noticia que vai alegrar os amantes de automobilismo em Portugal: o governo português decidiu condecorar Armindo Araujo e o seu navegador, Miguel Ramalho, pelos seus feitos desportivos. O piloto de Santo Tirso, campeão do PWRC em 2009 e 2010, foi condecorado com a Medalha dos Bons Serviços Desportivos, depois de uma recomendação feita pela Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) nesse sentido. A condecoração foi-lhe atribuida no passado dia 14 de junho, mas só hoje é que foi publicado o despacho em Diário da República, assinado pelo anterior Secretário do Desporto, Laurentino Dias.

Nesse despacho, onde foi descrita toda a sua carreira de Ralis em Portugal e no estrangeiro, lê-se também o seguinte: "Considerando os seus serviços prestados em favor do desporto nacional onde sempre sobressaiu, fazendo parte do seu currículo, inúmeros títulos, quer a nível nacional, quer em participações internacionais, e que os seus conhecimentos, competência e qualidades técnicas e humanas foram evidenciados em diversas vertentes. Considerando, por último, que a sua prestimosa carreira é um exemplo de vontade, determinação e dedicação em prol do desporto, que importa reconhecer e premiar: Determina-se que seja concedida a medalha de bons serviços desportivos".

É bonito saber que por fim o governo português reconhece os feitos de Armindo Araujo, porque afinal de contas, está a levar o nome de Portugal lá fora, e neste momento é um dos odis pilotos que andam regularmente no Mundial WRC de ralis, algo que era impossivel de se imaginar há meia dúzia de anos. Portanto, pode-se dizer que é uma condecoração bem merecida, e vem em boa altura. Parabéns, Armindo!

Youtube Rally Classic: Angola 1990



Esta é interessante, porque colocaram hoje no blog Car Vice, que é gerido por pessoal que viveu a sua juventude na Angola nos tempos coloniais. Em suma, a geração da minha mãe. E o que interessa neste video em particular são várias coisas, a começar pelo programa que o coloca, porque é o mítico "Rotações" o programa que a RTP teve durante muitos anos no segundo canal, se bem se lembram.

Segundo, é o ano em que isto acontece: estamos em 1990, e Angola ainda vive a guerra civil, logo, o rali não se poderia deslocar muito longe da capital, Luanda. E o terceiro lado é o parque automóvel: há 21 anos, era tão... colorido. Desde um Mazda 323 ex-fábrica - pertenceu ao belga Gregoire de Mévius - até a máquinas tão antigas como Ford Escort Mk1 ou até... jipes e buggies. O que prova que em Africa, o que interessa é imaginação, e que se não há cão, caça-se com gato. O que se pode ver pelo nome do clube organizador: Os Persistentes.

A capa do Autosport desta semana

A capa do Autosport desta semana mostra como sempre, em final de semana de Formula 1, o carro do vencedor da corrida. E para variar, o carro é vermelho: Fernando Alonso, no seu Ferrari, foi o que ganhou, e ainda por cima num ano especial, pois dali a uns dias se comemora o 60º aniversário da primeira vitória da marca, conseguida através de Froilan Gonzalez. "Ferrari: 60 anos de vitórias", num título onde se coloca outro por cima, mais pequeno: "Garra de Alonso trava dominio da Red Bull".

Por baixo, nos subtítulos, os fatos históricos ("Primeira vitória da Scuderia foi há 60 anos em Silverstone") e as polémicas do final de semana ("Red Bull 'sem escape' e Webber 'amuado'")

Por cima, para além da referência ao filme do momento, o Cars 2, continua-se a falar sobre o caso de Mark Webber, com uma nuance ("Webber não aceita ordens de equipa, mas fica na Red Bull") e o que vai acontecer no próximo final de semana, nos Ralis ("Magalhães parte à conquista dos Açores"). E há um especial na revista a falar sobre o rali, que conta para o campeonato IRC.

A desobediência de Mark Webber

Parece coincidência, mas nos últimos dois anos, sempre que Mark Webber chega a Silverstone, parece que se agiganta e diz coisas que são "politicamente incorretas". No ano passado, depois de ter vencido a corrida, ainda a comemorar dentro do carro, manda uma frase assassina para toda a gente ouvir: "Nada mau para um segundo piloto, pois não?" Este ano, num fim de semana onde as coisas correram menos bem para a equipa que ganha tudo, Webber decidiu mandar as ordens de equipa pela janela fora e atacou Vettel quando este estava a passar problemas.

Quando Christian Horner disse a Webber para manter a distância, mandou as ordens pela janela fora e decidiu atacar o segundo lugar do piloto alemão, mesma sabendo do risco que estava a correr. E não calou a revolta pelas ordens de equipa e pelo o fato de porque é que as desobedeceu: "Não estou feliz com isso. Se tivesse sucedido alguma coisa ao Alonso estávamos a lutar pela vitória. Ignorei as mensagens porque quero sempre conseguir a melhor posição."

Depois prosseguiu: "A equipa estava preocupada com a possibilidade de eu me envolver com o Seb (Vettel) em pista, pois queriam somar os pontos do Mundial de Construtores e eu entendo isso, mas a verdade é que também eu preciso de somar pontos para o campeonato, e acho que podemos perfeitamente lutar por posições sem os nossos monolugares se tocarem."

Claro, Christian Horner defendeu a sua tese das ordens de equipa. Em declarações à Autosport britânica, afirmou: "Percebo a frustração do Mark (Webber) mas se tivesse sido ao contrário a ordem era exatamente a mesma. Não faz sentido do ponto de vista da equipa arriscar os dois carros pois era óbvio que nenhum dos dois iria ceder. Basta olharmos para o que sucedeu com o Felipe Massa e o Lewis Hamilton na última curva, para entendermos que não faz qualquer sentido permitir aquilo a poucos metros do fim entre dois companheiros de equipa. O Mark preferiu ignorar mas é essa a posição da equipa. A nossa razão advém do facto do Sebastian ter aumentado a liderança no campeonato, o Mark ter passado a segundo na competição e a equipa dilatado a diferença nos Construtores."

Claro que com este incidente, pode-se questionar se a renovação do contrato de Webber com a equipa austriaca esteja em perigo. Pelo que se fala por aí, não. Está tudo encaminhado para que Webber, cujo contrato termina no final desta temporada, prossiga na Formula 1 em 2012 ao serviço da equipa de Salzburgo. Mas o que este ano se mostra, e ao contrário daquilo que Christian Horner disse no ano passado, quando rebentou a polémica sobre as ordens de equipa da Ferrari em Hockenheim, onde Felipe Massa teve de abdicar da vitória em favor de Fernando Alonso, este ano parece que ele quer que haja ordens de equipa, pois outros valores falam mais alto. E ainda por cima, numa equipa austriaca com um piloto alemão, importa tê-lo como o melhor.

Isso faz-me lembrar a ideia da "desobediência civil". Nós vivemos aquilo que Jean-Jacques Rosseau chamou de "Contrato Social": há leis básicas que a Sociedade aceita para podermos viver em harmonia, sem caos ou anarquia. Obedecemos ao primado da Lei, que acreditamos que seja igualitára para todos. Mas nas sociedades democráticas existe uma honrosa excepção que é a desobediência civil. E isso é usado como um ultimo recurso de uma Lei, caso esta seja injusta. Bons exemplos dessa "desobediência civil" são os Direitos Civis nos Estados Unidos, contra as leis de segregação racial, ou então a luta pela independência da India.

De uma certa maneira, respeitando ambas as partes, direi isto: Sebastien Vettel é um piloto muito bom, é um fato, mas como toda a gente, tem dias bons e maus. E quando o segundo piloto tem um bom dia, não se deve impedi-lo de brilhar. Esse é que é o grande problema das ordens de equipa, na minha optica. E daí que digo que nestas ocasiões, Mark Webber fez uso dessa "desobediência civil".

Hollywood no "paddock" da Formula 1

Entre as centenas de VIP's que passaram pelo "paddock" britânico, o mais importante deles todos foi o Principe Harry, terceiro na linha de sucessão do trono britânico, esteve o realizador americano Ron Howard. Esta foto foi tirada na boxe da Team Lotus, ao lado do seu proprietário, Tony Fernandes.

Sabendo-se que Howard aparentemente assinou a realização de um filme sobre Niki Lauda e James Hunt, e também soube, via Adam Cooper no seu Twitter, que andou no "paddock" o habitual argumentista dos filmes de Ron Howard, parece que as noticias sobre tal filme são para ser levados a sério. Resta saber, claro, quando é que se vai dar "o passo em frente", pois há quem se lembra das constantes e bem publicitadas visitas de Sylverster Stallone ao "paddock" em meados da década de 90, para depois ele decidir fazer um filme sobre a CART, com os resultados que todos nós conhecemos...

domingo, 10 de julho de 2011

Youtube Top Gear: A passagem de Sebastien Vettel pelo programa



Provavelmente vão tirar o video amanhã do Youtube, mas queria mostrar-vos ainda hoje a parte do Top Gear onde o Sebastien Vettel fez a sua volta num carro dito... normal. Um ano depois de Rubens Barrichello ter andado no Suzuki Liana, foi a vez do atual campeão do mundo e lider do campeonato de 2011 de aparecer no programa, ser entrevistado por Jeremy Clarkson e dar as suas voltinhas.

Há uma coisa que gosto dele: é um tipo terra a terra, nada de arrogâncias e vicios. Gosta do que faz, é extremamente bem humorado e adora o humor britânico. E isso é raro, alguém que seja tão bom em pista ser um tipo tão "cool" fora dela.

Youtube Motorsport Classic: O céu é o limite



E em fim de semana de Grande Prémio, como sempre sem avisar, lá somos confrontados com mais um video do Antti Kalhola. Os seus videos já começam a ser um padrão, mas sejamos honestos: enquanto sentirmos arrepios na espinha sempre que os vemos - e no meu caso em particular, vê-lo vezes sem conta - podemos dizer que estes videos conseguem atingir o seu objetivo.

E ainda por cima, da minha parte, como faço anos dentro de dois dias, isto até pode ser considerado como prenda antecipada de aniversário, hehe. Kiitos, Antti!

Fernando Alonso e os paralelismos de 1951

O aniversário só será comemorado no próximo dia 14, mas esta manhã Fernando Alonso deu umas voltas à pista no Ferrari de Froilan Gonzalez para comemorar os 60 anos da primeira vitória da marca na Formula 1. Não sei se isso lhe deu sorte, mas fazer tal coisa antes de uma corrida no qual acabou por vencer os fez pensar, pelo menos.

Se há paraleismos com 1951? De uma certa maneira, sim. Foi uma temporada dominada por uma equipa, a Alfa Romeo, e a vitória de Gonzalez fez com que começasse uma sequência de três vitórias, duas das quais conseguidas por Alberto Ascari. Mas no final da temporada quem venceu foi Juan Manuel Fangio, no seu Alfa Romeo, com uma vitória na última prova do ano, no GP de Espanha, em Barcelona. E já agora, mais uma curiosidade: num tempo em que morrer de acidente era muito fácil, o vencedor desse Grande Prémio ainda está vivo. Tem 89 anos, mas ainda está lúcido o suficiente para contar a história.

Claro, os "tiffosi" querem acreditar no impossivel, ainda mais agora, e até pode ser que Alonso ganhe mais uma ou outra corrida até ao final do ano. Mas não será fácil, porque a Red Bull já tem um enorme avanço ao fim de nove das 19 corridas deste campeonato.

Formula 1 2011 - Ronda 9, Grã Bretanha (Corrida)

Fernando Alonso tornou-se esta tarde o quarto piloto a vencer nesta temporada, depois de Sebastien Vettel, Lewis Hamilton e Jenson Button terem subido ao lugar mais alto do pódio. Pode parecer que foi mais demérito da Red Bull, que fez uma troca de pneus desastrosa para Vettel, ou que os problemas que ele teve com o seu KERS o impediram de lutar pelo primeiro lugar com o "Principe das Asturias", mas no final, o espanhol bem mereceu dar à Ferrari a sua primeira vitória do ano.

Atrás dele, os Red Bull de Vettel e de Mark Webber lutaram entre si pelo segundo lugar, demonstrando que essa ideia de "team orders" não existe por aquelas bandas. Ou pelos menos assim parece ser, especialmente quando ouviram a frase "Mark, you have to maintain the gap" (Mark, tens de manter a distância). Portanto, poderemos dizer que existe, mas que os pilotos não querem saber dela. Vettel manteve o segundo lugar por mérito seu e conseguiu controlar os prejuizos, enquanto que Mark Webber completou o pódio, não sem antes mostrar que a sua pole-position em paragens britânicas não foi fruto do acaso.

Fiquei algo surpreso com a recuperação de Lewis Hamilton que, de décimo e com uma péssima qualificação à chuva, conseguiu recuperar até ao quarto lugar final e aguentando os ataques do segundo Ferrari de Felipe Massa. Mas provavelmente, com as condições de uma pista que se secava ao longo da corrida - esta começou em condições mistas, com parte da pista molhada, mas secando ao longo da tarde - e com o carro ajustado para seco, foi uma boa corrida de recuperação.

A partir do sexto lugar, de Nico Rosberg, que é um lugar normal para esses carros vimos alguns bons resultados. O mexicano Sergio Perez mostra com o seu sétimo lugar que o lugar de "Rookie do Ano" é cada vez mais dele, na mesma corrida em que o seu companheiro Kamui Kobayashi desistiu pela primeira vez este ano, na frente de outro piloto que recuperou muito, Nick Heidfeld, de Michael Schumacher, no segundo Mercedes e para finalizar, Jaime Alguersuari, que não só ficou com o último lugar pontuável, como também conseguiu desempatar em termos de pontos com Sebastien Buemi.

Quando à cauda do pelotão, se os Lotus sairam de cena muito cedo, e os Virgin e Hispania ficaram com os lugares habituais, seria interessante de se ver como é que se comportaria Daniel Ricciardo, o novo piloto da equipa, que corre no lugar de Narain Karthikeyan. Acabou "dead last", com três voltas de atraso sobre Alonso, e uma volta de atraso sobre Vitantonio Liuzzi. Pode-se dizer que com aquela bomba não irá longe, mas uma adaptação sem pressas a uma máquina de Formula 1 pode fazer bem à ele, numa era onde os testes são curtos, e o simulador da fábrica não é a mesma coisa.

Claro que esta tarde, com os egos nos píncaros, os "tiffosi" e os "alonsistas" a partir de agora acreditam que a maré está a mudar, pois como as regras foram modificadas para abrandar a maré vitoriosa dos Red Bull, pode ser que haja mais emoção e uma luz no fundo do túnel. Francamente, não creio. A probabilidade de a prova seguinte, na Alemanha, nos trazer um "business as usual" é muito grande e francamente, a distância que Vettel já abriu em relação à concorrência permite-lhe dar o luxo de controlar os seus adversários. Este ano nunca conseguiu algo mais baixo do que o segundo lugar, portanto, acredito que o bicampeonato do piloto de Heppenheim é uma questão de tempo. Poderá não ser em Monza, mas pode ser em Suzuka...