quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Youtube Formula 1 Vídeo: O GP do Canadá de 1967

Esta dica apareceu das mãos do Francisco Cunha. Como passaram há pouco tempo 55 anos desta corrida, desconhecia a existência de uma curta-metragem feita de propósito para o primeiro Grande Prémio do Canadá, que se realizou no circuito de Mosport, debaixo de muita chuva e humidade.

O vídeo tem imagens dos bastidores, do público que acorreu em massa para a corrida - apesar da chuva - e das impressões dos pilotos sobre o que é Mosport, que como todos sabem, a Fórmula 1 lá correu até 1977, exceto em 1968 e 1970, onde foram para Mont-Tremblant, no Quebec.

Para quem não sabe, a corrida acabou com uma dobradinha para a Brabham, Jack Brabham na frente de Dennis Hulme, enquanto Dan Gurney ficou com o lugar mais baixo do pódio com o seu Eagle-Westlake. 

Rumor do dia: Este é o calendário para 2023?


O calendário para 2023 está a ser desenhado e apesar de não ser oficial, já apareceu em alguns lugares como se fosse oficioso. Serão 23 corridas, teremos o regresso de Las Vegas e do Qatar, não teremos a China - e duvido que a tenhamos enquanto não alterarem a sua política de "covid-zero" que andam a aplicar neste momento - e sobretudo, não terão corridas no fim de semana das 24 Horas de Le Mans, que em 2023 comemora o seu centenário.

Começa no Bahrein, a 5 de março, e terminará a 26 de novembro, em Abu Dhabi, uma semana depois de se estrearem na "capital do vício". O Qatar, que regressará depois de um ano de ausência por causa do Mundial de futebol, terá a sua corrida a 8 de outubro, depois de remodelarem fortemente o seu paddock para receber os carros de Formula 1.

E sem as negociações concluídas no sentido de receber a África do Sul - Marrocos é alternativa - Spa-Francochamps fica no calendário e receberá os carros de Formula 1 a 23 de julho, no lugar onde deveria estar França, que sai do calendário. A China tem lugar a 16 de abril, mas poucos acreditam que seja realizada. 

Quanto a rodadas - ou seja, corridas em semanas seguidas - haverá seis duplas e duas triplas. Baku-Miami (30 de abril-7 de maio), Imola-Monaco-Barcelona (21-28 de maio, 4 de junho), Red Bull Ring-Silverstone (2-9 de julho), Spa-Budapeste (23-30 de julho) Zandvoort-Monza (27 de agosto-3 de setembro), Singapura-Suzuka (17-24 de setembro), Austin-México-São Paulo (22-29 de outubro, 5 de novembro) e finalmente, Las Vegas-Abu Dhabi (18-26 de novembro)

Eis o calendário provisório:

5 de março - Shakir (Bahrein) 
19 de março - Jeddah (Arábia Saudita) 
2 de abril - Melbourne (Austrália) 
16 de abril - Xangai (China)* 
30 de abril - Baku (Azerbaijão) 
7 de maio - Miami (EUA) 
28 de maio - Mónaco 
 4 de junho - Barcelona (Espanha) 
18 de junho - Montreal (Canadá) 
2 de julho - Red Bull Ring (Áustria) 
9 de julho - Silverstone (Reino Unido) 
23 de julho - Spa-Francochamps (Bélgica) 
30 de julho - Budapeste (Hungria) 
27 de agosto - Zandvoort (Países Baixos) 
3 de setembro - Monza (Itália) 
17 de setembro - Singapura 
24 de setembro - Suzuka (Japão) 
8 de outubro - Doha (Qatar) 
22 de outubro - Austin (Estados Unidos) 
29 de outubro - Cidade do México (México) 
5 de novembro - Interlagos (Brasil) 
18 de novembro - Las Vegas (Estados Unidos) 
26 de novembro - Abu Dhabi

* em dúvida.

terça-feira, 6 de setembro de 2022

A imagem do dia


Na foto, Nina Rindt espera pelo seu marido, enquanto tira tempos nos treinos do GP de Itália de 1970. Dali a momentos, Jochen Rindt sofrerá o seu acidente mortal. Mais abaixo, na outra boxe, está Maria Helena Fittipaldi, a primeira mulher em Emerson Fittipaldi, que estava na sua quarta corrida na Formula 1, pela Lotus.

Ontem, falei de Jochen Rindt no dia em que passou mais um aniversário do seu acidente mortal. Mas há meio século, na Formula 1, ele tinha uma grande amizade com um seu rival: o escocês Jackie Stewart. E ambos tinham umas coisas em comum: eram excelentes pilotos, tinham casas lado a lado na Suíça, e lindas mulheres. Stewart tinha Helen, Jochen tinha Nina. 

Nascida Nina Licoln em 1943 na Finlândia, o seu pai, Curt Lincoln, era um britânico que foi combater os russos em 1939, na Guerra de Inverno, que é o que os locais chamam à Guerra Russo-Finlandesa. Piloto de automóveis, ajudou a construir em meados dos anos 60 o circuito de Keimola, nos arredores de Helsínquia, e hoje abandonado.

Por esta altura, Nina tinha sido criada em colégios na Suíça, começara a desfilar em Londres, onde fez amizade com Twiggy, a mais conhecida modelo de então. Ou seja, mergulhou nos Swinging Sixties em toda a força. Contudo, em 1966, conhece Jochen Rindt, e no ano seguinte, casam-se. Em 1968, tiveram uma filha, Natasha. Ambos se davam muito bem e ela seguia-o nos circuitos, fazendo aquilo que elas sabiam fazer melhor: tirar tempos dos carros pilotados pelos seus maridos.

Claro, o resto da história é conhecido: a 5 de setembro de 1970, Jochen morre e ela, com 27 anos, é viúva e com uma filha de ano e meio nos seus braços. Foi ela que, mês e meio depois, recebeu o troféu nas mãos de campeão do seu amigo Jackie Stewart. Anos depois, contou numa entrevista que o recebeu "toda encharcada de comprimidos". O troféu ainda está no armário da sala de estar da sua casa. 

Quanto a Natasha Rindt, meteu-se no negócio de "sports management", particularmente na Formula One Management, graças a Bernie Ecclestone, que tinha sido o manager de Rindt nos dois últimos anos de vida.

Uma coisa que não sabia - e esta, quem me conta é o meu amigo Francisco Cunha - é que ela lançou uma moda de relógio que alguns usam, mas poucos sabem. E ela teve um modelo de relógios com o seu nome, coisa rara - para não falar única - entre mulheres de pilotos de Formula 1. Ela gostava dos relógios masculinos de 36 milímetros, bem maiores que os femininos, como sabem. Mas como as correias são maiores e os pulsos das senhoras são normalmente mais pequenas, decidiu mandar fazer uma pulseira de pele para que coubesse à sua maneira, e com o mostrador embutido. 

E ela gostava particularmente de um relógio, marca Universal, modelo Compax. Tempos depois, foi rebatizado com o nome dela, e um usado em bom estado, pode ser encontrado à venda por... 36 mil euros. Engraçado, não? Mas para além disso, há uma explicação: só foram feitos 200 exemplares.

Nina acabou por se casar mais duas vezes: a primeira em 1972, com Pillip Martyn, um jogador profissional, do qual teve outra filha, Tamara, e em 1979, voltou a casar-se com Alexander Hood, Viscount Bridport, um conde escocês, e teve mais um filho, Alexander. Eles divorciaram-se em 1999 e desde então, tem estado fora das luxes da ribalta, embora participe sempre em documentários sobre o seu primeiro marido. 

Em 2011, o jornal italiano Gazzetta dello Sport elegeu-a como a meia bela mulher de sempre na Formula 1.  Uma escolha justa, quando falamos de alguém que lhe se fez conhecer ao mundo nas pistas e acabou por lançar modas.

Noticias: Quatro mulheres-piloto terão um teste de Formula 3


A Formula 3 anunciou esta terça-feira que quatro mulheres-piloto terão a chance de andar num dos seus carros no circuito de Magny-Cours. As escolhidas são a árabe Hamda Al Qubaisi, a britânica Abbi Pulling, a americana Chloe Chambers e a checa Tereza Babickova. Tirando Al Qubaisi, que está na Formula 4 e Formula Regional, as restantes pilotos estão na W Series. 

O teste faz parte de um plano para maior diversidade na pirâmide de monolugares da FIA, para dar melhor acesso a mais pilotos do sexo feminino.

A ideia é dar a cada piloto um dia inteiro de testes, com dois carros, com o objetivo de dar a conhecer a categoria às jovens, assim como o carro e as suas diferentes afinações, juntamente com as exigências e desafios do seu ambiente. Para o primeiro dia, será Al Qubaisi e Pulling, com Chambers e Babickova a experimentarem o carro no dia 2.

Pulling, de 19 anos, está na sua segunda temporada na W Series, onde já conseguiu três pódios, uma pole-position e é atualmente a quarta classificada da competição, com 65 pontos. Chambers está na sua primeira temporada na competição, tem 18 anos, e já correu na Formula 4 americana. A mesma coisa acontece com Babickova, de 19 anos. 

Quanto a Al Qubaisi, de 20 anos, tem experiência na Formula 4, onde já conseguiu um pódio na série italiana, a mais competitiva de todas, e este ano anda pela Formula Regional European Championship, pela Prema. E é a irmã mais nova de Hamda Al Qubaisi, que este ano correu na Formula Regional Asian Championship, também pela Prema.

Formula E: Lotterer correrá pela Andretti


André Lotterer será piloto da Andretti na Formula E em 2023. O anuncio foi feito esta terça-feira, numa altura em que a marca também disse que irá ter as unidades de potência da Porsche, equipa do qual acabou de sair. O alemão de 40 anos terá a seu lado o britânico Jake Dennis. 

“Estou animado por me juntar à Andretti para a temporada 9 da Formula E e começar a era do Gen3. Trabalhar junto com Jake irá ser uma grande combinação para continuar a levar a equipa para a parte da frente do pelotão”, afirmou.

Já Michael Andretti, o líder da equipa na competição elétrica, deu as boas-vindas ao piloto alemão e falou da sua mais balia para a equipa, especialmente no desenvolvimento do Gen3 do carro.

“Estamos sempre construindo para estar na frente em cada categoria em que disputamos”, começou por dizer. “André irá trazer uma grande experiência para a Andretti e [isso] é outro passo para criar uma equipa que corre por vitórias e pelo campeonato. Estamos ansiosos para juntá-lo com Jake para termos uma dupla animadora e competitiva”, concluiu.

Lotterer corre desde 2017-18 na Formula E, e apesar dos seus oito pódios, duas pole-positions e três voltas mais rápidas, nunca ganhou qualquer corrida, quer na sua passagem pela Techeetah, quer pela Porsche. Em 2023 ele será o piloto mais belho a correr na categoria elétrica.

Meteo: Tempo estável no fim de semana italiano


O tempo no fim de semana de Monza será estável, apesar de na sexta-feira, poder existir um período de chuva na altura dos treinos livres. Nesse dia, o céu estará nublado e haverá trovoadas dispersas, vento fraco e deixando os espectadores a lidar com temperaturas na ordem dos 26ºC. 

Contudo, esse será o único dia agitado do fim de semana italiano. Quer no sábado, quer no domingo, o céu estará limpo, o vento será quase inexistente, e apesar de uma chuva na madrugada de domingo, as chances de uma corrida molhada ficam reduzidas a quase zero na hora das luzes se apagarem.

Youtube Formula 1 Vídeo: As comunicações de radio de Zandvoort

Mais uma corrida, mais uma seleção das melhores ou mais curiosas comunicações do fim de semana neerlandês, desde os treinos livres até à corrida propriamente dita. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

A imagem do dia


"Se aceitares ir para a Lotus, tu poderás ser campeão do mundo. Se ficares na Brabham, poderás sobreviver."

Jack Brabham para Jochen Rindt, 1968.

Na imagem, o velho Jack Brabham, então com 44 anos, olha para as coroas de flores que estão à porta do Zentralfriedhof, em Graz, na Áustria, a 11 de setembro de 1970, o dia do funeral de Jochen Rindt. Contudo, para falar do seu destino, dessa tarde de sábado em Monza, há precisamente 52 anos, tenho de recuar quase dois anos, ao final de 1968, quando o piloto austríaco, então com 26 anos, recebeu o tentador convite para guiar na melhor equipa do pelotão, a parte da Ferrari.  

No final dessa temporada, Rindt estava num dilema. Tinha tido um ano frustrante, depois de ter estado na Cooper e mostrado o seu potencial. Apenas tinha tido oito pontos, ambos dois terceiros lugares, entre duas pole-positions. 

Escolher a Brabham tinha sido uma opção lógica: tinham triunfado nas duas últimas temporadas, as primeiras com o motor de 3 litros, primeiro com "Black Jack", depois com Dennis Hulme, mas tinha escolhido mal a altura. É que a meio da temporada de 1967, a Lotus tinha estreado o motor Cosworth de 3 litros, construído com a ajuda da Ford, e tinha ganho corridas. E em 1968, com a McLaren e a Tyrrell-Matra a escolherem também esses motores, tinham triunfado. A própria McLaren, destino de Hulme depois de sair da Brabham, tinha triunfado em três probas, uma para Bruce McLaren, outros dois para ele, quase se tornou campeão. E a Brabham, com os motores Repco, uma preparadora australiana, tinha ficado para trás. 

Logo, Rindt, um piloto que sempre quis andar no melhor carro e já tinha mostrado que podia, achava a proposta da Lotus muito tentadora: tinha os melhores motores, poderiam fazer os melhores chassis, bastava a componente humana.

Mas ir para a Lotus acarretava um problema: num desporto mortal, tinha mais chances de morrer naquela equipa. Das quatro mortes de pilotos naquela temporada, duas - Jim Clark e Mike Spence - tinham sido em carros da marca de Colin Chapman. Ele próprio disse ao jornalista Heinz Pruller: "Se nem Jim Clark está a salvo, o que poderá acontecer a nós?"

Mas para melhorar as coisas, Chapman queria-o. Sabia do seu potencial, era jovem - seis anos mais novo que Clark, por exemplo - e bem mais novo que Graham Hill, o campeão do mundo, que no final daquele ano tinha 39 anos. Com a juventude e a velocidade do seu lado, só lhe faltava um carro campeão para demonstrar todo o seu potencial. Mas naqueles tempos, seria como o assinar de um acordo faustiano: a glória e a felicidade em troco... da sua alma. 

Hoje sabemos o que aconteceu. Foram escolhas que determinaram o seu destino. Mas até chegar a essa eternidade, as vitórias e a glória que absorbeu, antes do final trágico que, não sendo inevitável, estava presente, brigou com Chapman e chamou a atenção de que os seus carros eram muito inseguros. A grande ironia é que o seu destino, naquela tarde de sábado, em Monza, ficou traçado por decisões... suas. Tirar as asas do seu carro e não apertar os cintos de baixo porque lhe incomodavam na zona da virilha, criaram as condições para que as consequências do seu acidente fossem fatais. 

Mais tarde, nesse funeral, o sueco Jo Bonnier, outro dos veteranos da Formula 1 - e que morreria ano e meio depois, nas 24 horas de Le Mans de 1972 - fez o seguinte elogio fúnebre. 

"Morrer fazendo algo que gostava de fazer é uma morte feliz. E Jochen tem a admiração e o respeito de todos nós. A única maneira de admirar e respeitar um grande piloto e amigo. Independentemente do que acontecer nos GP's que restam deste ano, para todos nós, Jochen é [moralmente] o campeão mundial."

Quatro semanas depois, em Watkins Glen, Emerson Fittipaldi ajudou nisso. 

Rumor do Dia: Alpha Tauri quer Colton Herta?


A Formula 1, agora sendo pertencente à Liberty Media, quer fazer de tudo para ser mais americana. Já tem garantias três corridas no país, mais as probas do Canadá e do Mexico, mas faltam outras coisas. Um piloto americano, por exemplo. Não há um desde Scott Speed, em 2007, e a equipa americana já o tem - mais ou menos - com a Haas, apesar da Andretti já ter dito que quer entrar na categoria máxima do automobilismo.

Contudo, nos últimos dias, começou a falar-se fortemente em Colton Herta. O piloto de 23 anos, com uma passagem interessante pela IndyCar, é um dos representantes da nova geração da competição, a par do mexicano Pato O'Ward. Herta já teve o gosto de andar num carro de Formula 1 em julho, em Portimão, pela McLaren, mas há obstáculos, nomeadamente, a Super-Licença. É que Herta, filho de Brian Herta, piloto da CART entre o final do século passado e o início deste, não tem os pontos necessários para tal. Precisa de 40 pontos e neste momento, tem 32. 

E por estes dias, Helmut Marko admitiu que andou a conversar com ele para um lugar na Alpha Tauri, provavelmente como substituto de Pierre Gasly, que poderá estar de saída para a Alpine. E o austríaco gostaria que a FIA aplicasse uma excepção no caso dele, alegando que seria do interesse da Formula 1 ter um piloto americano. Contudo, há muitas equipas que já se colocaram contra essa excepção, logo, será mais complicado ele ter essa hipótese já em 2023.

“Nós analisamos os regulamentos, discutimos com a FIA e, por causa do COVID, há um regulamento especial que você pode levar três anos [de quatro] e também se um resultado não for o máximo de pontos e fora do alcance do piloto eles podem dar [os pontos em falta].", começou por falar Marko ao site americano racer.com

“Então não é nada irracional. Ele venceu sete corridas da IndyCar e isso é comparável a um GP, eu acho, então seria uma pena se ele não conseguisse uma Superlicença.”, concluiu.

E Herta tem outra vantagem: anda numa equipa com motor Honda, que forneceu os propulsores à Red Bull até 2021 e deixou muitos técnicos na sua recém-criada divisão de motores, feita em Milton Keynes quando a marca japonesa abandonou a Formula 1. 

Curiosamente, O'Ward era um dos pilotos da Red Bull Junior Team, do qual foi libertado para se juntar à McLaren, na estrutura da IndyCar. E Herta tem um acordo com a Andretti no qual poderá ser libertado antes do final do contrato se for abordado por alguma equipa de Formula 1. 

Marko diz que quer fazer um anúncio em Monza, mas dada a complexidade das negociações e os obstáculos que tem pela frente, é provável que não haja nada. Contudo, por outro lado, está disposto a libertar Gasly se a Alpine pagar um determinado valor.

Quanto a alternativas, não se sabe. Apesar de Marko ter falado com o brasileiro Felipe Drugovich, o líder - e cada vez mais provável campeão - da Formula 2, parece que as suas apostas estão no lugar de piloto de reserva na Aston Martin, ao lado de Fernando Alonso e Lance Stroll. E quando a outros, como Daniel Ricciardo, parece que o australiano está mais apostado num ano sabático, como piloto de reserva da Mercedes, esperando que Lewis Hamilton pendure o capacete no final de 2023. 

domingo, 4 de setembro de 2022

A imagem do dia


Max Verstappen conseguiu nesta tarde a sua décima vitória no campeonato, quarta seguida. Tem 109 pontos de avanço sobre Charles Leclerc. E pelos meus cálculos, ele será campeão do mundo a 9 de outubro, no GP do Japão, quatro corridas antes de acabar este campeonato. 

E claro, mal cruzou a meta, o público, esmagadoramente maioritário para ele, comemorou largando "very-lights" de cor laranja, envolvendo o circuito nesse fumo. 

Ao contrário do que aconteceu em 2021, onde tivemos um duelo e boa parte dos fãs não aceitou o resultado, este ano é diferente: o carro é mesmo o melhor, o piloto está mais maduro, e eles conseguiram recuperar dos problemas das três primeiras corridas do ano, onde Max teve duas desistências e apenas 25 pontos, contra os 70 de Charles Leclerc e muitos pensavam que iria ser o princípio de algo imparável por parte de Maranello.  O carro melhorou, os Ferrari erraram, e agora, as cartas são completamente diferentes.

Em Zandvoort, Max dominou no fim de semana. Pole, volta mais rápida e o lugar mis alto do pódio. Para os que foram assistir à corrida nas bancadas, não queriam saber se foi aborrecida ou não. O que queriam era saber se iria ganhar ou não. Com aquele triunfo, continuaram a fazer a festa. A par do Red Bull Ring e de Spa-Francochamps, aquele era mais um local para o circo laranja de fãs que ele arrasta. O filho de "Jos, the Boss", há muito se transformou em "Super Max". 

E contrariamente a 2021, parece que triunfará em 2022 com muita autoridade, com ou sem ajuda do carro. Com 25 anos, está muito mais maduro e já sabe que será uma questão de tempo até à consagração. Agora, resta saber se estamos na entrada de mais uma era de domínio na Formula 1.

Formula 1 2022 - Ronda 14, Paises Baixos (Corrida)


Por fim, chegou o dia da corrida para muitos dos locais. Afinal de contas, estavam ali para comemorar os três dias - ou uma semana, ou até algumas semanas, pois há quem tenha começado antes, na Bélgica - de festa para comemorar os feitos de Max. Tinham um motivo para comemorar, para além da equipa nacional de futebol. E ao contrário deles, que deslumbram nos relvados e não tem mais que um título europeu, ele, Max, tornou-se no Johan Cruyff sobre rodas e o novo herói da armada laranja, o motivo de orgulho de um país que tem boa parte do seu território abaixo do nível do mar. 

Não Zandvoort, por causa das dunas que existem ali, à beira do Mar do Norte, barreira natural. Mas anda perto do nível das águas do mar.  

A grande novidade deste fim de semana é a colocação da Zona de DRS na curva 13, a do "banking", o que deu alguns receios sobre a velocidade destes carros na reta da meta e depois, quando travarem na curva Tarzan.


Na partida, tudo normal: Max foi para a frente, e distanciou-se do pelotão depois da Curva Tarzan, com  Charles Leclerc e Carlos Sainz Jr logo a seguir, deixando os Mercedes para trás. Passada a confusão inicial, sem toques de maior, Max começou a distanciar-se do resto do pelotão, mostrando que tem tudo a seu favor. 

A partir do toque de Kevin Magnussen nas barreiras, na volta 2, e da passagem de George Russell sobre Lando Norris, a corrida foi mais animada nas bancadas que na pista. As estratégias de corrida faziam com que os Red Bull fossem embora, mas por exemplo, Sergio Pérez não estava tão confortável quanto, por exemplo, a sua concorrência direta. 

E na volta 15, Carlos Sainz Jr foi às boxes, onde viu o espelho de toda uma temporada em Maranello, em termos de estratégia. Ao trocar os pneus, alguém se esqueceu de trazer o traseiro-esquerdo e perderam 17,5 segundos para fazer a troca. Parecia que estava a ver uma troca do início da década de 80 do século passado...

Por alturas da volta 27, apenas os Mercedes não paravam. Claro, Hamilton era o líder, seguido do Russel, mas Max não estava muito atrás, cerca de 2,7 segundos. Ficar na pista compensou. Mas pouco depois, o neerlandês apanhou os Flechas de Prata e os passou, para gáudio da torcida local. Primeiro Russell, na volta 28, e quando Hamilton parou para trocar de pneus, de médios para duros, na volta 30, Max estava de regresso à primeira posição.  

Lá estava de regresso no único lugar que eles querem ver. 

As coisas andavam relativamente calmas até à volta 44, quando no meio da segunda paragem nas boxes, Yuki Tsunoda queixou-se de que haveria algo solto nos pneus, sinal de que algo estava mal apertado. Encostou-se à berma, houve bandeiras amarelas, mas das boxes, ordenaram que... continuasse! Lá foi devagar, para trocar novamente de pneumáticos e continuar, na última posição. Mas pouco depois... Yuki parou novamente, queixando-se de outros problemas. Resultado? Safety Car Virtual.

Adendo: Mais tarde, a equipa confirmou que o Alpha Tauri do piloto japonês tinha o seu diferencial traseiro quebrado. De facto, tinha um problema, só que não foi logo diagnosticado.

Leclerc aproveitou a ocasião para ir às boxes de trocar por duros. Outro que parou para trocar foi Alonso, que regressou em nono. Os Mercedes também pararam, e ficaram com o segundo e o terceiro posto, deixando Leclerc em quarto. 

Mas mais sarilhos esperavam adiante: na volta 55, o Alfa de Bottas parava na reta da meta, causando mais obstáculos. Safety Car... real acionado, todos juntos. E alguns aproveitam para ir às boxes e trocar de pneus, alguns mais moles, porque já faltavam apenas 15 voltas para o final. Max para, colocando moles, os Mercedes continuam em pista, deixando Hamilton no comando. Russell entra nas boxes, também para meter moles, enquanto Sainz teve um "unsafe release" quando, na sua bex de ir às boxes, saiu na frente do Alonso. Pérez meteu médios e regressava à pista em quinto.

No final, apenas Hamilton e Pérez é que não tinham moles. Parecia que iriam ser umas 12 a 15 voltas bem interessantes...

Na volta 61, a corrida recomeçou com Max em cima de Hamilton para o passar, e o fez antes do final da curva Tarzan. Atrás, Russell passava Leclerc e era terceiro, enquanto Sainz Jr e Pérez lutavam para serem quinto e sexto. Pouco depois, Russell e Leclrc apanharam Lewis, que tinha pneus mais usados, e ele caía para quarto. Claro, não estava feliz e reclamou com Toto Wolff. Quem também não estava feliz era Sainz Jr, que ficava com uma penalização de 5 segundos, consequência do "unsafe release" com o Alonso.

E foi assim até ao final da corrida. Max triunfou em casa, e mais a volta mais rápida, é o novo rei. E agora com a distância de 109 pontos para o segundo classificado, ele está a meras três corridas de ser bicampeão. Num carro dominador. 


E os locais celebraram esse triunfo largando os seus "very-lights" nas suas bancadas, deixando o local debaixo de nevoeiro. Provavelmente é aquilo que em inglês se diz "the shape of things to come". Um futuro de dominação neerlandesa. 

sábado, 3 de setembro de 2022

A imagem do dia


31 vitórias e 56 pódios no Campeonato Português de Ralis. Duas vezes campeão do mundo de produção no WRC. 17 pontos no Mundial de ralis, em carros do WRC. E agora, sete campeonatos nacionais de ralis. Este é o palmarés de Armindo Araújo, aos 45 anos de idade, feitos na sexta-feira. 

Este final de semana, não precisou de ganhar no Rali Alto Tâmega, foi pragmático suficiente para conseguir os pontos necessários para conseguir automaticamente o campeonato nacional. Agora, o sétimo da sua carreira. 

O campeonato nacional de ralis até é competitivo. Existem bons pilotos - Ricardo Teodósio, José Pedro Fontes, Bruno Magalhães - que andam em carros bem competitivos. a Hyundai tem uma equipa própria, e os projetos privados são bem feitos e bem pensados. Os ralis, apesar de serem pequenos - as especiais de classificação tem, em média, pouco mais de 100 km - não existem diferenças de minutos entre pilotos com o mesmo carro.

Claro, há lugares onde podem melhorar. O calendário é o ideal? Sim na quantidade - 10 ralis, no máximo, duas partes com provas de terra e de asfalto - mas deveria ser mais espalhado no espaço. Um rali em Lisboa e outro no Algarve seria bom. Outras coisas mais que deveriam existir? Claro. Há quem fale, por exemplo, de troféu de iniciados. Até que existe, mas algo semelhante a aquilo que faz a Federação Francesa de automobilismo não seria mau pensado. Mas sei que, por exemplo, há pessoas que querem quantidade, com carros de todos os tipos a circular, quase como se fosse Formula Libre. Querem como em França, Bélgica e nos Países Baixos, com uma importante fatia de GT's, por exemplo. 

Mas mesmo a qualidade não envergonha, porque muitas das vezes, quando eles correm no estrangeiro, ou quando recebemos nos nossos ralis que contam para o Europeu, não passamos vergonhas. 

Já não iremos ver mais o Armindo em ralis europeus, mas a par do Bruno Magalhães, do José Pedro Fontes e do Ricardo Teodósio, é gente que não envergonha ninguém e sustenta, de uma certa forma, este nacional de ralis. 

Parabéns a todos, especialmente o Armindo, o novo campeão.  

Formula 1 2022 - Ronda 15, Países Baixos (Qualificação)


E por fim, chegamos à casa dos neerlandeses. E mesmo ao longe, entendemos que ali já não cabe mais um alfinete. Porque todos querem assistir, ao vivo e a cores, aos feitos de Max Verstappen, o atual campeão e o candidato número um à sua renovação. E com a liderança destacada, eles esperam que nestes dias, isto seja uma verdadeira festa da parte deles e que seja um passeio no parque para o seu menino-prodígio, naquela pista à beira-mas plantada: a clássica Zandvoort.

Sem chances de chuva, os locais pareciam felizes e decidirem fazer uma festa antecipada. Da vitória, de título, do bicampeonato... não queriam saber. Umas Heinekens, a camisola da seleção e a cantarem "Max, Max, Max, Super Max" até que as gargantas doessem, e tinham o fim de semana feito. O resto não interessava, e se calhar para alguns deles, era mais uma etapa na peregrinação que os levou para o Red Bull Ring e na semana anterior, a Spa-Francochamps. Zandvoort era mais uma etapa, a caseira.

Quando Max começou a marcar tempos, foi para destruir: primeiro que os Ferraris, destruiu o melhor tempo de então, que pertencia a Daniel Ricciardo, marcando 1.11,317, 1,173 mais rápido que o piloto da McLaren. Russell depois ficou com o segundo posto, mas 204 centésimos mais lento que o piloto da Red Bull.

Na parte final da Q1, quem surpreendeu tudo e todos foi Yuki Tsunoda, que conseguiu fazer o segundo melhor tempo, superando boa parte da concorrência. A pista estava a melhorar, era um facto. E quando o tempo acabou e a poeira assentou, viram-se as vítimas: o Alfa-Sauber de Bottas, o Williams de Latifi, o Astaon Martin de Bettel - despistou-se quando marcava uma volta rápida - o McLaren de Ricciardo e o Haas de KMag, Kevin Magnussen. 

Chegados à Q2, o primeiro a ir para a pista foi Alex Albon, mas não fez nada: os comissários mandaram uma bandeira vermelha na qualificação porque existiam foguetes laranjas no asfalto. Alguém os tinha mandado para lá - sem querer ou de propósito - e isso perturbou a sessão. O excesso de espectadores e a falta de comportamento destes, por vezes, dá nisto... 

Mas depois de regressar a bandeira verde, quase 10 minutos depois, os pilotos foram para a pista com ideias de marcar tempos o mais rapidamente possível. E quando Max entrou na pista, o público foi ao delírio. E claro, o incentivo das bancadas compensou: 1.10,927. Pérez ficou a quatro décimos. Hamilton depois conseguiu o segundo melhor tempo, com 1.11,075. Depois ficaram Russell e as duas Ferrari. 

Na parte final, Sainz Jr conseguiu 1.10,814, com Russell a ficar logo atrás, na segunda posição. Leclerc melhorou, mas não ficou na frente de Max, que era terceiro em termos provisórios. Hamilton ficou com o quinto tempo, enquanto atrás, os que não conseguiram entrar para a Q3 foram os Alpine de Alonso e Ocon, o segundo Sauber-Alfa de Guanyou  Zhou, e o Williams de Alex Albon. A Pierre Gasly, o piloto da Alfa Tauri ficou com o 11º tempo e saiu-lhe a fava. 

E agora, a Q3.

Assim que a bandeira verde foi agitada, os Red Bull foram logo para a pista no sentido de marcar tempos, e sobretudo, uma posição. Primeiro, Max marcou 1.10,515, com Pérez logo atrás, mas Leclerc conseguiu 1.10,456, com Hamilton a ser terceiro, seguido por Sainz Jr. Pérez caiu para sexto. Stroll tinha problemas e provavelmente, o décimo tempo era dele, atrás de Mick Schumacher. 

E na hora das decisões, os primeiros a sairem foram os Ferrari. Primeiro Leclerc, depois o espanhol, marcaram tempos. Contudo, a seguir apareceu Max a conseguiu 1.10,363 e ficou com o melhor tempo. Apesar das tentativas dos Mercedes, por exemplo, o piloto da casa conseguiu o que queria: sair dali com a pole-position, para delírio dos locais. 

No final do dia, todos saiam felizes por saber que metade do seu sonho estava realizado. Agora, o que querem é que amanhã, depois das luxes se apagarem, ele se bá embora e só vejam depois da bandeira de xadrez.    

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

No Nobres do Grid deste mês...


"Nesse ano [1937], o governo francês decidiu dar um milhão de francos a todas as construtoras capazes de montar um carro capaz de rivalizar com os alemães. Bugatti e Delhaye foram duas das marcas que competiram por esse prémio, e [René] Dreyfus estava a competir por esta última marca. A decisão acabou por ser numa corrida contra o relógio, entre ambos os carros, no autódromo de Montlhéry, nos arredores de Paris. 

Parte do projeto da Delhaye tinha sido financiado por Lucy O’Reily Schell, uma americana expatriada e apaixonada por automobilismo – seu filho seria Harry Schell, piloto de Formula 1 entre 1950 e 1960 – e a ideia era que a Delhaye triunfasse para poderem competir na temporada de 1938 dos Grand Prix. Com pneus especiais de corrida fornecidos pela Dunlop, forçou o ritmo ao limite, mas conseguiu bater a Bugatti e ficar com o prémio.

Com essa injeção de dinheiro, a primeira grande corrida era em abril nas ruas de Pau, no sul de França. A pista urbana era tremendamente tortuosa, e Dreyfus conseguiu ficar na frente do Flecha de Prata de Rudi Caracciola. Durante boa parte da corrida, aguentou as investidas do piloto alemão e conseguiu ganhar, para júbilo dos locais, que por fim viam um dos seus bater os alemães, restaurando o orgulho nacional." 

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"Quando a II Guerra Mundial rebentou, em setembro de 1939 – com os Flechas de Prata em Belgrado, para o GP da Iugoslávia – Dreyfus decidiu alistar-se no exército francês, como condutor de camiões. Contudo, na primavera de 1940, o governo decide recorrer aos seus serviços de piloto e atravessaria o Atlântico para participar nas 500 Milhas de Indianápolis, ao volante de um Maserati, inscrito por Lucy O’Reily Schell, ao lado de René Le Bégue. 

E provavelmente, essa missão o poderá ter salvo a sua vida.

Em Indianápolis quando a invasão alemã aconteceu, a 10 de maio, ele participou na prova, apesar de desconhecer a maneira como as coisas se faziam por lá. E para piorar as coisas, o inglês de Dreyfus era básico. Mas apesar de todas estas dificuldades, Dreyfus e Le Bégue partilharam a condução do carro e acabaram na décima posição da geral, numa prova vencida por Wilbur Shaw, num outro Maserati." (...)

Nos anos 30, provavelmente, o melhor piloto francês era monegasco, com Louis Chiron. E esse seu talento foi o que levou para a Mercedes, um dos Flechas de Prata. Contudo, um segundo piloto francês brilhou em fogachos, especialmente mostrando-se em máquinas francesas contra gente como Rudi Caracciola, Bernd Rosemeyer ou Hermann Lang. Contudo, para além de ser francês, era judeu. René Dreyfuss foi um excelente piloto nessa altura, e dos poucos - Tazio Nuvolari e Guy Moll foram outros - que triunfou em corridas contra os alemães, quase invencíveis nas pistas europeias.

E para além disso, ele foi o primeiro francês a triunfar nas ruas de Monte Carlo, em 1930, ao volante de um Bugatti. 

Um piloto que teve uma vida longa, boa parte deles passada nos Estados Unidos, ainda teve tempo para, na velhice, ser recebido como um herói. E é sobre a sua carreira que escrevo este mês no Nobres do Grid. 

CPR: Armindo quer sair de Chaves já campeão


O Rali Alto Tâmega acontece neste final de semana e poderá consagrar Armindo Araújo como campeão nacional. Ao piloto de Santo Tirso basta-lhe, independentemente do resultado dos principais adversários, terminar no último lugar do pódio ou até em quarto, desde que neste caso ganhe a Power Stage, é natural que o piloto de Santo Tirso faça uma prova de expectativa.

“Sabemos que podemos ser campeões neste rali e não escondemos que queremos fechar já as contas a nosso favor, mas isso não nos traz nenhuma pressão adicional. O nosso propósito é lutar pela vitória, mas se tivermos de abdicar disso e não correr riscos que possam comprometer o nosso grande objetivo, assim o faremos. A posição dos nossos adversários poderá proporcionar reajustes na nossa prestação durante a prova e por isso, neste momento, a nossa estratégia é igual à de sempre, lutar por sermos os vencedores”, declarou.

Com nove especiais de classificação, num total de pouco mais de 110 quilómetros de especiais cronometradas, o Rali Alto Tâmega ocorrerá no final desta sexta-feira, com as três primeiras especiais de classificação, com as restantes seis - entre elas as passagens duplas por CIM-Alto Tâmega e Boticas/Vidago - a completarem esta prova.