domingo, 13 de fevereiro de 2011

Youtube Rally: o final insólito de Petter Solberg na Suécia



"Quem viu pela TV o navegador de Petter Solberg, guiar o Citroen DS3 WRC logo imaginou que algo se teria passado com o piloto, que o impedisse de guiar. A razão é simples: Foi multado numa ligação por ter sido apanhado pela polícia sueca em excesso de velocidade, e ficou logo sem carta, portanto impedido de guiar. Com isto tudo, terminou em quinto, perdendo a oportunidade de ser o melhor dos DS3 WRC."

Quando li este parágrafo esta tarde na edição eletrónica da Autosport portuguesa, pensava que já tinha visto um pouco de tudo nos mais de vinte e cinco anos que tenho a ver o Mundial de Ralis. Mas é verdade: Petter Solberg não pode conduzir na Suécia porque a policia o multou por excesso de velocidade numa ligação entre etapas. Parece ser um excesso de zelo para quem vê isto de fora, mas eles sabem do que fazem. E ali não contemplam.

Vejam agora o video com a situação insólita em que a dupla troca de lugar...

WRC 2011: Rali da Suécia (Final)

E como seria de esperar, os Ford dominaram esta primeira etapa do Mundial de Ralis, nas frias paisagens suecas. E como no ano passado, Mikko Hrivonen venceu a corrida e tornou-se no primeiro lider do Mundial, mas desta vez com uma oposição mais forte e vinda de algumas personagens inesperadas, como o jovem norueguês Mads Ostberg, que acabou o rali num meritório segundos lugar, a apenas 6,5 segundos de Hirvonen e batendo pilotos consagrados como Jari-Matti Latvala, Petter Solberg, Sebastien Ogier e Sebastien Löeb, que teve um inicio do ano mais modesto do que o normal nestas paragens nórdicas, devidi aos furos que sofreu ao longo do rali.

No inicio das especiais de hoje, Hirvonen teve de gerir a vantagem que tinha para Ostberg, que se aproximou bastante para o ameaçar na liderança. Contudo, o finlandês aguentou-se bem e conseguiu ser suficientemente veloz para gerir a vantagem. Ostberg fez o seu melhor, mas não foi o suficiente para desalojar da liderança. A grande novidade foi no terceiro posto, quando Jari-Matti Latvala aproveitou os problemas insólitos de Petter Solberg para chegar ao lugar mais baixo do pódio e monopolizá-lo para a marca americana.

Solberg, como disse, perdeu tempo na última parte devido a um problema fora do vulgar: entre as duas especiais, Solberg foi parado pela policia local e levou uma pesada multa, impedindo-o de guiar o volante do seu carro, fazendo-o com que o seu navegador guiasse essa última etapa e perdendo mais de um minuto, caindo do terceiro para o quinto posto, ultrapassado por Latvala e Ogier.

Atrás deles ficou Sebastien Löeb. Muito modesto nesta prova de arranque da temporada, o piloto francês, sete vezes campeão do mundo, teve demasiados pequenos problemas que o impediram de lutar pela vitória no rali. Mas a sua rapidez estava lá: venceu várias classificativas e ainda conseguiu estar nos três primeiros na Power Sgtage, que lhe deu mais uns pontos extra.

Kimi Raikonnen conseguiu ser consistente e levou o carro até ao fim, embora com seis minutos de diferença sobre o vencedor. Mas o oitavo lugar - batido no inicio do dia de hoje pelo Ford do sueco Per-Gunnar Andersson - faz com que se possa dizer que o finlandês está a melhorar cada vez mais a sua condução nestas condições. Resta saber se isto é para continuar nos próximos ralis...

O Mundial de Ralis continua entre os dias 3 e 6 de Março, no México.

Brabham BT55: o projeto radical de Gordon Murray

"Tive uma abordagem demasiado ambiciosa em relação ao carro. O motor era demasiado alto para aquilo que queremos, e quando baixamos o motor, não funcionava tão eficazmente quanto queríamos. Para além disso, tivemos demasiados problemas com o Turbo, com incontáveis falhas de óleo, e uma má distribuição de peso.

"Para piorar as coisas, ao longo da temporada, Ecclestone, que nada percebe de técnica, decidiu interferir nos aspectos técnicos. Eu, que nos 15 anos anteriores nunca tinha tido uma conversa desse calibre... provavelmente devia ter sido devido ao seu envolvimento na direcção da Formula 1. Sendo assim, no final da temporada, aceitei o convite da McLaren e terminei a minha colaboração com a equipa."

Esta foi a explicação que Gordon Murray deu, algum tempo depois, sobre as razões porque um projeto tão radical como o Brabham BT55 redundou num fracasso e fez terminar a colaboração de Murray na Brabham, que tinha começado catorze anos antes. Como foi dito, tinha sido um carro radical, fazendo com que os pilotos corressem deitados, algo que não se via desde os anos 60. Foi também o carro onde Elio de Angelis teve o seu acidente fatal, numa sessão de testes no circuito francês de Paul Ricard, e foi também o começo do irreversível declinio da equipa de Jack Brabham até ao seu desaparecimento, em 1992.

Para ler o resto da história, podem ir ao site Podium GP, pois é o meu artigo histórico de hoje.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

As credenciais de Nick Heidfeld

Devido as circunstâncias sobejamente sabidas por todos nós, os testes de Jerez ganharam uma importância enorme na Renault, pois inesperadamente, tem de escolher quem é o melhor substituto para o acidentado Robert Kubica. Nick Heidfeld tem mais uma oportunidade para testar um carro de Formula 1 e saber se tem a rapidez suficiente para que a marca francesa o possa apostar nele. E aparentemente, bastou-lhe uma meia tarde para demonstrar todas as suas potencialidades para Eric Boullier e o resto da equipa Renault.

Apesar de termos alguma cautela a analisar os resultados desta tarde de testes, pois não se sabe como é que o carro foi apresentado e calibrado, Heidfeld impressionou quem tinha dúvidas, ao marcar o melhor tempo do dia: 1.20,631 segundos, menos 132 centésimos que Fernando Alonso. A veterania de Heidfeld, com quase 34 anos de idade, e a sua capacidade de desenvolver o carro poderão ser decisivos para a escolha que a equipa fará num futuro próximo.

"Hoje pudemos dar ao Nick algum tempo de pista e levámos a cabo uma séria avaliação. As nossas conclusões iniciais são muito positivas: ele trabalhou bem com a equipa, deu boa resposta e melhorou o nosso carro ao longo do dia", afirmou Eric Boullier.

Quanto ao piloto, explicou que desde o momento que se sentou no volante do Renault, tentou encontrar meios para desenvolver o R31: "Começámos desde logo a tentar melhorar o carro, encontrar direções a seguir e descobrir os pontos fracos e os mais fortes. Obviamente que estou a tentar dar o meu melhor hoje para que possa pilotar no futuro, mas também estou a usar este teste como um ensaio normal para melhorar o carro", começou por explicar aos jornalistas presentes em Jerez. "O carro já estava muito diferente em comparação com esta manhã, estando mais adaptado ao meu estilo de pilotagem. Ainda não é o ideal mas é já uma boa base", acrescentou.

Amanhã, é a vez de Bruno Senna tomar os comandos do Lotus Renault R31.

WRC 2011: Rali da Suécia (Dia 2)

Impressionante. É a palavra que tenho para conseguir descrever este Rali da Suécia. Depois de no primeiro dia um "ator secundário" dominar as classificativas brancas da neve nórdica, hoje a batalha alargou-se para cinco candidatos ao triunfo no primeiro rali do ano: Mikko Hirvonen, Mads Ostberg, Petter Solberg, Jari-Matti Latvala e Sebastien Ogier, todos separados por... 14,8 segundos.

A razão para isto? as grandes recuperações dos pilotos da Citroen, Petter Solberg e Sebastien Ogier, e o pião de Mikko Hirvonen na 13ª especial. Que azar, hein? "Torna tudo mais excitante agora, certo?", dizia Hirvonen com humor no final dessa etapa. Agora, o piloto da Ford sabe que a sua tarefa amanhã, a abrir os troços á concorrência será dificil para manter a vantagem, ainda para mais que tem apenas 7,5 segundos de vantagem sobre Ostberg. "Se amanhã os pisos estiverem assim e se eu for o primeiro na estrada não terei a mínima hipótese. Se for o primeiro na estrada, o máximo que posso fazer é atacar a fundo", concluiu.

Atrás dele tem Mads Ostberg, que está a demonstrar uma enorme consistência neste segundo dia. Não cometeu erros e conseguiu aproveitar os da concorrência para manter-se como candidato á vitória final, que seria a sua primeira do Mundial WRC. Mas tem de olhar também para trás porque tem Solberg, Latvala e Ogier a quererem também o primeiro lugar.

O segundo finlandês da Ford oficial apostou na tática para não ter de abrir a estrada, pois sabia que iria ter alguma desvantagem sobre a comcorrência. Contudo, ao abrandar o seu ritmo nos metros finais da última especial do dia, de forma a procurar uma melhor posição de saída para amanhã, não terá ficado satisfeito quando soube depois que tinha caído para trás de Solberg. "Não sabia qual era a melhor solução, nem qual será a melhor posição na estrada amanhã. Espero conseguir vencer este rali mas não será fácil", afirmou Latvala aos microfones da World Rally Radio.

Igualmente impressionante foi a recuperação de Sébastien Ogier, que passou da simples luta pelo sexto lugar (antes do abandono de Henning Solberg) à batalha pelo comando. "Foi um dia quase perfeito, o carro estava muito bem e estou confiante com o carro", afirmou Ogier, acrescentando que o dia de "amanhã será renhido".

Se Ogier era um homem feliz com a recuperação feita, já Löeb era o contrário. o heptacampeão do mundo voltou a ser acometido por mais um furo e viu a sua recuperação uma vez mais interrompida. No entanto, pertence a Loeb o maior numero de triunfos em especiais no dia de hoje: quatro. O sexto lugar da geral é seu e conta neste momento com larga vantagem sobre Kimi Raikkonen.

O ex-piloto da Ferrari está a mostrar estar cada vez mais adaptado aos ralis, e está a conseguir tempos entre os primeiros. Por exemplo, na última especial do dia conseguiu o quarto melhor tempo, e conseguiu ultrapassar Per-Gunnar Andersson, que se viu sem a direção assistida do seu carro. Patrik Sandell e Matthew Wilson fecham o "top ten".

O Rali da Suécia termina amanhã.

Continental Circus, Anno V

Pois é: este blog completa hoje o seu quarto ano de existência. Pensei inicialmente que escrever este post seria um exercício de redundância, dado que como sabem, dois dias antes esta casa alcançara a marca das noventas mil visitas. Contudo, aquilo que escrevi na quinta-feira e as vossas reações levaram-me a escrever de novo, neste dia em particular, neste mesmo local.

Primeiro que tudo, acho que cheguei a uma espécie de momento critico. Desejo dar um passo em frente na sua existência, ou seja, passar do simples blog sem fins lucrativos para um sitio que dê lucro. Não o dei até agora porque tive uma experiência anterior que não resultou porque foi feito de forma amadora, e desde então eu decidi que, se algum dia der esse passo, pediria uma ajuda profissional para ver se lucrava algo neste "pet project" que é o meu. Acho que já mereço isso, porque ao contrátio do que acontece no Brasil, em Portugal as coisas em termos automobilisticos não são tão dinâmicos. E por muito idealismo que exista, sou acima de tudo um pragmático e acho que começo a mercer lucrar algum. Para pagar as contas e algo mais, transformar isto em algo profissional.

Todos os anos, quando este sitio alcança um marco qualquer, acho que ela deveria establecer outros alvos, para não se estagnar e morrer. Preciso disso para mostrar a mim próprio que este é um projeto viável. Em suma: o Continental Circus tem de sair da sua base amadora, começar a ser pragmático para manter a independência.

Só que... sozinho, não consigo. Posso ser bom em muitas coisas, mas sou o primeiro a reconhecer os meus limites. Gostaria, num futuro mais ou menos distante, fazer algo que só existe lá fora e que já discuti com mais alguns blogueiros da nossa praça: fazer como os britãnicos. Fazer por exemplo, uma e-revista, paga por assinatura, e no qual se poderia ler nas novas tecnologias que agora brotam em força, como os tablets e os e-books. Sozinho ou acompanhado, não interessa. Um projeto destes em português, pode ser viável a médio/longo prazo, se forem tomados os devidos passos.

Uma coisa é certa: tenho vontade de de fazer algo, de fazer sair da Idade do Gelo que vivo, em termos imediatos. Mas preciso de ajuda. Alguém se oferece? O meu endereço de correio anda por aí...

De resto, quero dizer mais uma vez isto: agradecer pela vossa companhia. Reconheço que lentamente este blog está a ganhar leitores a cada dia que passa. Tenho cada vez mais aderentes à minha conta no Twitter, tenho cada vez mais visitantes e vi que na semana passada, por causa do acidente do Kubica, passei dos mil visitantes unicos. Não deveria importar com isso, mas não posso deixar de ficar indiferente com o que aconteceu. Enfim, o que importa é que fiquei contente por saber que só por aquilo que escrevo, sou mais um do qual vocês elegem nos vossos favoritos. Só posso dizer "obrigado" e trabalhar todos os dias, com gosto.

WRC 2011 - Rali da Suécia (após PEC 11)

E os receios foram confirmados: Mikko Hirvonen chegou-se à frente do rali, mas a luta não terminou, porque Mads Ostberg continua mesmo atrás dele. Aliás, os dois pilotos estão separados por uns meros... 0,3 segundos. Isto significa que conseguiu menorizar o que pode o fato de abrir as estradas esta manhã.

"Ontem pensava que hoje iria perder mais tempo a limpar a estrada tendo em conta aquilo a que todos assistimos ontem, mas a verdade é que as condições dos troços são bem diferentes hoje. De qualquer forma estou bastante confiante mesmo sabendo que irei perder tempo para o Mikko", explicou o jovem norueguês aos microfones da World Rally Radio.

Por outro lado, Hirvonen reconhece que desalojá-lo do primeiro lugar não foi uma tarefa fácil e que ainda não está terminado: "Ele está a pilotar bastante bem e de certeza que não vai desistir", referiu o finlandês após a sua prestação na 11ª especial, agora na liderança da prova. Declarações "políticamente corretas", pois ninguém acredita que, em caso de necessidade, Ostberg se manteria na frente de Hirvonen.

O rali já viu um baixa nesta manhã, com o capotamento de Henning Solberg, irmão de Petter Solberg, que viu o seu carro ficar suficientemente danificado para não continuar em prova. Quanto ao seu irmão da Citroen, este está no terceiro lugar, a meio minuto dos lideres e poderia estar mais próximo, caso não tivesse penalizado em dez segundos por ter chegado tarde a um controlo. E isso faz com que tivesse o segundo Ford oficial de Jari-Matti Latvala mesmo atrás de si, porque a diferença entre ambos é agora de treze segundos.

Os Citroen oficiais de Sebastien Ogier e Sebastien Löeb estão no quinto e sexto postos, muito longe dos lugares da frente e mais preocupados em minorar os danos. E para piorar as coisas, o heptacampeão do mundo teve novo furo esta manhã, o que fez atrasar mais um pouco. Inquirido se já estava a pensar em voltar para casa, o piloto da Alsácia respondeu com humor, afirmando que "não era má ideia". Mais a sério, Löeb afirmou: "Não percebo o porquê destes furos. Ontem pensei que tivéssemos sido muito agressivos com a pressão dos pneus mas hoje não sei".

Atrás deles, o sueco Per-Gunnar Andersson é sétimo, em recuperação depois do acidente da manhã de ontem, e está à frente de Patrik Sandell, o melhor nos S2000, e do Citroen de Kimi Raikonnen, que agora é nono na geral.

The End: Tom Carnegie (1919-2011)



Quem conhece a história das 500 Milhas de Indianápolis, sabe quem é Tom Carnegie: era a pessoa que narrava as sessões de qualificação da corrida, que é um espetáculo á parte da corrida em si. Sabendo que cada piloto tem quatro voltas para dar o seu melhor para conseguir um dos 33 lugares na grelha no "Brickyard" do estado do Indiana, ver esse senhor a narrar a aventura do piloto, por si, já valia a pena o preço do bilhete.

Carnegie fez isso durante sessenta anos, de 1946 a 2006, e as suas frases ficavam no ouvido, principalmente quando um piloto batia o recorde de pista. "...race fans, you are not going to believe this....iiiit's a nnnnnnewwwwww traaaaack record!" (é um novo recorde de pista!) As pessoas diziam que estava ali há tanto tempo que por brincadeira, ele tinha entrevistado o Ray Harroun, o primeiro vencedor das 500 Milhas...

Pois bem, tudo tem um fim. Tom Carnegie morreu hoje aos 91 anos, precisamente no ano em que as 500 Milhas comemoram o seu centenário. E para conhecer melhor a pessoa, coloco aqui um video oficial sobre a personagem, feita pela Indianápolis Motor Speedway em 2009.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

WRC 2011: Rali da Suécia (dia 1)

A parte da tarde da primeira etapa do rali da Suécia demonstrou a continuação do dominio do jovem norueguês Mads Ostberg, que surpreendentemente conseguiu dominar toda a concorrência e ter um avanço quase irrecuperável sobre grande parte do pelotão. A surpresa de Ostberg diminui um pouco o fato de neste primeiro dia os Ford Fiesta dominarem o rali sueco, ocupando quatro dos cinco primeiros lugares, e todos à frente do primeiro Citroen oficial, o de Sebastien Ogier.

Depois de na manhã Ostberg ter conseguido uma vantagem que chegou a ser de quase um minuto, à tarde, os Ford oficias atacaram forte, tentando diminuir a desvantagem para o norueguês, que o conseguiram na sétima classificativa, a última da tarde, quando Ostberg teve problemas com as luzes suplementares, que se soltaram depois de ter passado por um buraco.

"Estou muito contente com estas posições, mas no início desta especial havia um grande buraco e não o consegui evitar. Os faróis ficaram virados para baixo e não conseguia ver nada. Era incrível, tentava acelerar e puxar mas não conseguia ver nada. Na verdade, tenho de estar satisfeito por estar aqui", começou por dizer Ostberg aos microfones da World Rally Radio.

Inquirido se esta prestação era uma surpresa, o norueguês foi assertivo: "Se me dissessem antes, eu não acreditaria que estaria na liderança no final do primeiro dia. Mas sei que amanhã será difícil, perdi algum tempo agora e amanhã vou abrir a estrada. Vai ser difícil. Para amanhã a tática é atacar ao máximo", acrescentou.

Tem razões para falar assim. Afinal, Mikko Hirvonen, no seu Ford oficial, está apenas a 14, segundos de Ostberg e vai partir atrás dele, o que significa que amanhã terá vantagem, pois vai ser Ostberg a abrir a estrada. Mesmo Petter Solberg, terceiro a 57,4 segundos do seu compatriota, poderá ser um elemento perigoso para o piloto da Stobart... isto se conseguir livrar de Jari-Matti Latvala, o quarto classificado. O segundo finlandês da Ford oficial tem 12,6 segundos de diferença sobre Petter Solberg e não desperdiçará qualquer chance para alcançar.

O irmão de Petter Solberg, Henning, é o quinto classificado, à frente de Sebastien Ogier, o melhor dos Citroen oficiais. Depois de um péssimo começo, Ogier deu um ar da sua graça ao ganhar a sexta especial do dia. Quanto ao campeão do mundo, Sebastien Löeb, tev e uma tarde para esquecer quando teve um furo, que o fez baixar para o nono posto da geral, não muito longe do sétimo, o Skoda Fabia S2000 de Patrik Sandell, e do oitavo, Eyvind Bernildsen, que está entre eles.

Para finalizar, Kimi Raikonnen. O piloto finlandês está a ser consistente neste primeiro dia do rali, andando pelos lugares pontuáveis, mas um furo na parte final o fez cair para o 11º da geral, não muito longe do décimo, a árabe Khaled al Qassimi. O Rali da Suécia vai prosseguir amanhã.

Extra-Campeonato: a saída do "faraó" Mubarak

Bom, agora é oficial. Demorou dezoito dias e provavelmente algumas centenas de mortos, muito por culpa da teimosia do presidente. Mesmo ontem quando disse que iria transferir poderes ao vice-presidente, a multidão não estava contente. Eu entendo: oprimidos durante trinta anos, queriam tudo. A cabeça do faraó em troca de paz. Esta tarde, circulavam noticias de Hosni Mubarak estava fora do Cairo, para Sharm el Sheik, mas que não indicava que tinha abandonado o poder. Ele largou as coisas, aos poucos, de forma irritantemente lenta, demasiado lenta para um povo que grita a plenos pulmões que quer ser livre.

Esta tarde, há pouco mais de uma hora, o vice presidente Suleiman disse na televisão as palavras que todos queriam ouvir: "Em nome de Deus, o misericordioso, cidadãos, durante as difíceis circunstâncias que o Egipto atravessa, o Presidente Hosni Mubarak decidiu deixar o cargo de Presidente e encarregou o Conselho Supremo das Forças Armadas de administrar o país. Que Deus ajude toda a gente", afirmou.

Algumas pessoas dizem que povo venceu o faraó, e com razão. Desfiaram primeiro a policia de choque, depois o recolher obrigatório. Depois as contra-manifestações violentas de esbirros pagos pelo regime e policias disfarçados, apenas com o objetivo de causar o caos. Foi sempre pacifico e resistente, e sempre com uma ideia em mente: fazer sair Hosni Mubarak. Foram dezoito dias onde foram testados ate ao limite. E conseguiram, dou os parabéns para isso.

Mas se quisermos usar a metáfora futebolistica, acabou agora a primeira parte do jogo. A segunda parte começa agora, quando os militares e o agora presidente Suleiman falarem com a oposição organizada, desde a Irmandade Muçulmana até aos intelectuais como Mohammed el Baradei, Amr Moussa e outros, e elaborarem um calendário de transição que permita as tais eleições livres e justas que querem e desejam. Que aquele povo, que saiu à rua aos milhões como se fosse o Maio de 68 nas margens do Nilo, que muitos temiam uma viragem para o pior, viva livre e procure a felicidade, tal como muitos procuram na América, Europa e Ásia. E depois da Tunisia, precisamente quatro semanas depois da fuga de Ben Ali, outro ditador cai. Resta saber onde este dominó irá parar, e se terá um final feliz.

Youtube GP2 Asia Series: A forte batida de Abu Dhabi



Esta manhã ocorreu a primeira corrida da GP2 Asia Séries, no circuito de Yas Marina, em Abu Dhabi. A prova foi ganha por Jules Bianchi, no seu Lotus ART, superando o franco-suiço Romain Grosjean, e não teve história a não ser no momento da partida. Aí, o carro do espanhol Dani Clos ficou parado na grelha e toda a gente tentou evitar bater forte no carro do espanhol. Todos... menos o brasileiro Luiz Razia, que bateu de lado, forte e feio. Quase capotou e ainda tocou nos rails de proteção. Ainda houve mais um piloto envolvido no incidente, o norueguês Pal Varhaug, mas nenhum deles sofreu ferimentos.

O susto foi grande, e o Safety Car entrou para que os comissários pudessem limpar os destroços. Vejam no video até que ponto a batida foi feia.

Alessandro Nannini e o acidente que lhe fez mudar a sua carreira

"O acidente de Robert Kubica me fez recuar vinte anos no tempo, pois lembrou o caso de outro piloto cuja carreira automobilística teve de ser interrompida de um dia para o outro devido a um acidente fora do seu habitat natural, mas muito semelhante ao do piloto polaco. Falo de Alessandro Nannini, e em Outubro de 1990, um acidente de helicóptero interrompia ingloriamente a sua carreira na Formula 1, mas não o automobilismo." (...)

É assim que começa o artigo de hoje no sitio Pódium GP sobre outro dos pilotos a quem um acidente extra-competição lhe mudou a vida. Alessando Nannini tinha 31 anos por alturas do seu acidente e até estava numa sólida posição na equipa onde corria, a Benetton. Veloz, agressivo quanto baste, era um piloto respeitado. Contudo, a 13 de Outubro de 1990, uma pacata tarde de Domingo, quando ia passear de helicóptero com os seus amigos, este se descontrolou quando aterrava à porta de casa dos seus pais. Ele foi o ferido mais grave, quando uma das pás do rotor lhe cortou o braço, logo após o cotovelo.

A operação durou muito tempo, e nunca recuperou totalmente as suas funções, mas isso não o impediu de correr no automobilismo, e continuou a ter bons resultados ao longo dos anos 90, nomeadamente no DTM. Hoje em dia é um bem sucedido homem de negócios e dono de uma cadeia de cafés com o seu nome. E todos os dias bebo um café dele.

A primeira entrevista de Robert Kubica após o acidente

Robert Kubica vai ser submetido durante o dia de hoje a uma cirurgia para consertar as outras fraturas, nomeadamente o seu braço e perna direitas, seis dias depois dos médicos lhe terem salvo a sua mão direita, que era a parte do corpo em pior estado e que correu risco de amputação. Contudo, antes de ser operado, Kubica deu uma entrevista da sua cama de hospital ao jornal desportivo Gazzetta dello Sport onde explica que se lembra pouco do acidente e tem esperança de regressar a um cockpit ainda este ano.

"Quero voltar à pista mais forte que sempre, pois depois de episódios como estes você não é mais como antes, você melhora. Isso já aconteceu em 2007, após o acidente no Canadá. Fiquei uma corrida de fora e estava melhor quando voltei. Um piloto não é apenas acelerador e volante, é mais que isso. Existe uma diferença entre quem pilota a 80 e a 95 por cento: são nesses 15 por cento de extras que você encontra as habilidades e motivações", começou por dizer, antes de falar dos acidentes que já teve no passado, em 2003 e 2007.

"Desde 2007 que sou mais forte mentalmente como piloto. E será o mesmo novamente neste ano, quando voltar à boa forma. Devo retornar neste ano. Me lembro bem quando, sete anos antes, estava no carro com um amigo a guiar e fomos atingidos por outro carro, com o condutor alcoolizado. Acabamos contra uma barreira antes de caírmos dentro de um barranco", afirmou.

Em relação ao seu estado e ao acidente propriamente dito, afirma: "Os dedos funcionam, posso sentir eles e o braço também. Mas vou para a cirurgia e só saberei depois. Lamento muito pelo que aconteceu. Não deveria ter acontecido. Nem sei o que houve, não me lembro de nada do acidente. Só sei depois que estava no hospital e tudo foi explicado pelo meu empresário, Daniele Morelli."

Quanto lhe foi perguntado se estava arrependido de fazer o rali fatidico, ele afirmou que não, e justificou: "Se tivesse ficado em casa, ficaria arrependido. Fiz e, agora, estou nesta cama. Mas ralis não são apenas paixão. São treinos para a Formula 1. Piloto melhor por causa dos ralis, que ajudam na minha concentração, especialmente com o final dos testes. A performance na Formula 1 vem de uma série de detalhes, e o rali ajuda-me a trabalhar em certos aspectos. É importante numa temporada com vinte corridas", finalizou.

WRC 2011: Rali da Suécia (após PEC 4)

O primeiro dia do Rali da Suécia está a demonstrar que, com os novos regulamentos e no estado em que estão as estradas suecas, duas coisas: os nórdicos mandam, e os Ford estão a levar a melhor sobre os Citroen. Após o sueco Per Gunnar Andersson ter ganho a primeira especial do dia, na quinta-feira à noite, após as primeiras quatro classificativas, o lider é outro nórdico, mas norueguês: o jovem Mads Ostberg.

Sob neve a cair, o que dificulta as coisas, Ostberg, que corre na "secundária" Stobart, já tem uma vantagem de 25 segundos sobre os Ford oficiais de Mikko Hirvonen e Jati-Matti Latvala. Ostberg também benenficiou do acidente de Andersson, que capotou e perdeu tempo precioso, e tudo indica que o jovem piloto de 24 anos ainda poderá ganhar maior vantagem até ao final do dia.

Atrás de Ostberg e Hirvonen, vem o melhor dos Citroen, o de Petter Solberg. Mas o outro norueguês está a 45,6 segundos do lider e parece estar relativamente isolado na classificação, há que Jari-Matti Latvala tem um atraso de 1 minuto e 19 segundos. Quanto aos Citroen oficiais, após quatro classificativas, o atraso é surpreendente: Sebastien Ogier é oitavo, a 1 minuto e 35 segundos, enquanto que Sebastien Löeb é nono e tem 1 minutos e 46 segundos de atraso sobre o lider. E ambos foram superados por outro norueguês, Eyvind Brynildsen, que corre aos comandos de... um Skoda Fabia S2000.

Quanto a Kimi Raikonnen, está a ter tempos constantes e é agora o 11º da geral, muito à frente de Ken Block, que é o 17º. O rali prossegue durante a tarde.

Sobre "Big John" Surtees

Hoje em dia curte a reforma, depois de uma longa e recheada vida. Aparece em eventos como Goodwood, correndo muitas vezes com o Ferrari no qual foi campeão, e deve ser para mim o melhor exemplo de piloto versátil que conheço: andou em duas e quatro rodas, correu na Ilha de Man e nas 24 Horas de Le Mans, lidou com pessoas como o Conde Augusta e Enzo Ferrari, pilotos como John Watson, Mike Hailwood, José Carlos Pace e Vittorio Brambilla.

John Surtees. Hoje em dia, quem vai aos livros de história sabe que este é o unico campeão das duas e quatro rodas. A sua vida merece não uma mas várias biografias. Guiou e construiu o seu próprio carro, guiou os carros e motos dos outros, as marcas que passaram pelas suas mãos são tantas que precisamos de cábulas para as ditar: Norton, MV Augusta, Lotus, Lola, Honda, Ferrari, BRM... até fazer a sua própria.

Tinha um feitio dificil. Aturou homens como Dragoni, mas sempre o respeitaram. Foi idolatrado em Itália, e quem dá títulos à Scuderia, tem de ser idolatrado. Nunca venceu em Le Mans porque a Ferrari não deixou, ou as máquinas o deixaram mal. Mas em compensação, ganhou a Man TT por três vezes consecutivas, as 12 Horas de Sebring e domou por duas vezes o Nordschleife. Quando ganhou o título em quatro rodas, em 1964, foi levado em ombros pelos locais, que o celebravam como campeão do mundo, como merecia.

Não sei se hoje em dia as gerações mais novas como a nossa sabem que ele foi. Quero acreditar que sim, que lêm os seus feitos da sua carreira longa e variada. Um dia, há dois anos, começamos a ouvir falar de outro Surtees. Era o seu filho Henry. Henry Surtees. Aparentava ser um promissor piloto, aconselhado pelo seu pai, que voltara aos "paddocks" para o seguir de perto. Demonstrou-se na Formula 2, uma competição que em 2009 regressava depois de um hiato de 25 anos. Tristemente, num dia de Julho, em Brands Hatch, onde o seu pai tem uma canto em sua honra, um pneu interrompeu bruscamente os seus sonhos e aspirações. Um dia antes, tinha subido ao pódio pela unica vez na sua carreira.

Apesar de tudo, marcou uma era. Feliz Aniversário, Big John!