terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O piloto do dia - Bernd Rosemeyer

Há alguns dias atrás, comemoraram-se dois aniversários importantes: os 70 anos da morte de Bernd Rosemeyer e 107º aniversário natalicio de Rudolf Caracciola. Grandes pilotos das "Flechas de Prata" nos anos 30, embora correndo em equipas diferentes, ambos foram grandes pilotos, embora tenham corrido sob o regime totalitário de Adolf Hitler, outro grande fã do automobilismo (foi ele que teve a ideia do Carocha...).

Mas hoje, é dia para falar de Bernd Rosemeyer, e amanhã falarei de Rudi Caracciola.



Nascido a 14 de Outubro de 1909 em Lingen, na região da Baixa Saxónia (teria agora 98 anos), Rosemeyer era filho de um mecânico, dono da garagem da cidade. Após os estudos, ele e o irmão, Job, foram ajudar o pai na oficina. O seu amor pela velocidade fê-lo experimentar, desde cedo, carros e motos. Em 1930, com 21 anos, e depois de dar nas vistas em corridas locais, foi contratado pela Zundapp para ser o seu piloto no campeonato Speedway (corridas em circuito, de terra). Logo na sua primeira corrida, ele venceu, e nas 11 provas seguintes, o seu nome constava na lista de vencedores...


No ano de 1931, passou a ocrrer em asfalto, primeiro pela BMW, e dois anos mais tarde, pela NSU, tendo dominado as pistas alemãs. Em 1934, depois de ganhar mais um campeonato, A Auto Union, uma das quatro marcas que compunha o grupo, tal como a NSU (as outras duas eram a Wnderer e a Horch), convida Rosemeyer para uma bateria de testes no seu novo e radical carro de corridas, desenhado por Ferdinand Porsche: um carro com motor na traseira.


Os responsáveis da Auto Union achavam que tendo experiência nas motos, poderia facilmente domar um carro de motor traseiro, já que este tendia a fugir de traseira. Os testes foram em Nurburgring, circuito do agrado de Rosemeyer, que em apenas meia dúzia de voltas ,marcou tempos semelhantes a Hans Stuck, bem mais experimentado. No final do dia, A Auto Union contrata-o como "piloto junior", ou seja, como suplente.




Em 1935, começa nas boxes, a parender a dominar o carro, mas estreia-se em Berlim, no AVUS Circuit, onde se mostra, antes de abandonar com um pneu furado. Contudo, na corrida seguinte, em Nurburgring, luta animadamente pela vitória com o Mercedes de Caracciola, que perde por apenas 1,9 segundos devido a ter engatado demasiado cedo uma marca do seu Auto Union. Contudo, vai ser a partir dali que a sua popularidade vai aumentar. No final do ano, ganha a sua primeira corrida, no circuito checo de Brno.


Nessa corrida, conhece o amor da sua vida: a aviadora Elly Beihorn (1907-2007). Cedo namoram, e o regime nazi propagandeia bem este romance, entre um piloto de automóveis e uma das maiores aviadoras de então. Por causa dela, Rosemeyer foi um dos primeiros pilotos a ter um avião privado, tendo tirado o "brevet" necessário para tal. Ao mesmo tempo, Heinrich Himmler, o temido chefe das SS, aproveita a popularidade de Rosemeyer e "convence-o" a juntar-se à força, o que fez contrariado, já que ele nunca gostou muito nem do regime, nem de Hitler...


A 13 de Julho de 1936, casa-se com Elly Beinhorn, numa cerimónia altamente publicitada na Alemanha. Ao contrário de muitos, o numero 13 era o de sorte para o piloto alemão, já que tinha conhecido Elly num dia 13. Treze dias mais tarde, irá ganhar o Grande Prémio da Alemanha, uma das vitórias mais memoráveis, pois foi corrido debaixo de nevoeiro, o que deixava uma visiblidade de apenas 30 metros para os pilotos. Por causa disso, deram-lhe o apelido de "Nebelmeister" (o mestre do nevoeiro). Esta foi uma das cinco vitórias que Rosemeyer alcançaria nesse ano. As outras quatro foram os GP's da Suiça, da Checoslováquia, a Coppa Accerbo, em Itália e o GP de Itália, em Monza. Resultado: Campeão Europeu de Pilotos, pela Auto Union, pois nessa altura não havia Mundial de Formula 1.


O ano de 1937 foi mau para Rosemeyer: num espaço de poucos meses morre-lhe a mãe e o irmão, mas em compensação, o seu filho, Bernd Jr., nascerá nesse ano. Em termos competitivos, não foi assim tão bom de inicio, mas ganhará o GP da Alemanha (a 13 de Junho...) e a Taça Vanderbildt, em Nova Iorque. Depois, na Coppa Accerbo, ganha a prova... em apenas três rodas, pois na última volta, toca o seu carro na berma e o pneu fura e sai dos eixos. O seu equilibrio, adquirido nas motos, faz com que ele leve o carro até à meta.


A sua última vitória vai ser em Donnington Park, no GP da Inglaterra, perante 50 mil chocados ingleses, que nunca tinham visto ao vivo tamanha superioridade das "Flechas de Prata" alemãs, sobre os pequenos ERA de competição.


Em 1938, a Auto Union e a Mercedes decidiram competir em outra prova: o recorde mundial de velocidade em terra. A melhor marca pertencia desde o ano anterior a Rosemeyer, quando colocou o recorde na marca dos 400 km/hora. Isto tinha acontecido no troço de auto-estrada entre Frankfurt e Darmstadt. A 28 de Janeiro de 1938, Mercedes e Auto Union estavam de volta ao mesmo troço de auto-estrada, no sentido de conseguir um novo recorde de velocidade. Rosemeyer, agora com um filho recém-nascido a seu cargo, não gostava deste tipo de provas, afirmando que eram "mais desgastantes que uma prova inteira".


A Mercedes levara Rudi Caracciola para ver se ficava com o recorde do mundo. Ele cumpriu, alcançando a espantosa velocidade média de 428 Km/hora. A Auto Union, a observar tudo, decidiu reagir. Rosemeyer cumprimentou Caracciola a congratulá-lo pelo seu feito, e disse: "Agora é a minha vez!". Pelas 10 da manhã, partiu na tentativa de retomar o recorde às mãos da Auto Union.


Só que nessa manhã, os serviços metereológicos do Aeroporto de Frankfurt tinham avisado da possibilidade de ventos cruzados na zona. Caracciola tinha se queixado disso mesmo, mas Rosemeyer decidiu partir na mesma. Na corrida de ida, o alemão da Auto Union tinha superado o recorde da Mercedes, mas quando se preparava para regressar, pediu para que as suas rodas fossem cobertas, pois julgava que assim ganharia velocidade de ponta. Isso só contribuiu para o desastre...

Mo percurso de volta, ao quilómetro 9,2 do troço da auto-estrada, um vento cruzado foi demais para conseguir manter o carro direito. Guinou para a esquerda e o carro capotou várias vezes antes de parar. Rosemeyer foi projectado para fora do carro e acabou por morrer dos ferimentos. Tinha 28 anos.


"Bernd não conhecia o medo", disse depois Rudolf Caracciola, "e isso às vezes não é bom. Nós temiamos pela sua vida cada vez que corria. Tinha a sensação de que ele não viveria por muito tempo, e que tal acidente aconteceria mais cedo ou mais tarde..."


Bernd Rosemeyer teve um funeral de estado, dado por Adolf Hitler e pelos membros do Partido Nazi. Contudo, para a viúva Elly, tal demonstração foi demais, e abandonou-a a meio. A Auto Union teve que arranjar um substituto para Rosemeyer, e foi buscar Hans Stuck e... Tazio Nuvolari.


Fontes:


Bandeira da Vitória - Ed. Autosport, Lisboa, 1996


http://en.wikipedia.org/wiki/Bernd_Rosemeyer
http://jcspeedway.blogspot.com/2008/02/o-primeiro-astro-alemo.html
http://www.ddavid.com/formula1/rose_bio.htm

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Continental Circus, 1º Aniversário (IV): o texto de Ron Groo

Para hoje, coloco aqui um texto de homenagem a alguém que me é querido, pelo menos ao fim destes meses todos: o Ron Groo. Conheci-o quando li o seu texto acerca do GP do Brasil de 2006, feito de uma maneira futuristico-alternativa (basicamente imaginou Ayrton Senna vivo, a ver na televisão a última corrida do Michael Schumacher na Formula 1). A partir de então comecei a ser visita regular do Groo no seu blog, e depois no Messenger. E tem valido a pena...


Posso dizer que. até prova em contrário, deve ser o texto mais original de todos que recebi. Podia deixá-lo para o fim do mês, para não ser injusto para os outros que escreveram textos de homenagem ao blog, mas depois era ele o injustiçado, e não quero isso. Portanto, decidi que hoje é dia de mostrar o seu texto ao mundo. Vão gostar, de certeza!


E já agora, visitem o blog dele: http://www.bliggroo.blig.ig.com.br/


Continental Circus
Composto de
www.continentalcircus.blogspot.com

Principio ativo
Speeder_76

Apresentação:
Via visual
Paginas com 15 posts

Uso em pacientes que apresentam alta sensibilidade a assuntos referentes a automobilismo e assuntos diversos tais como cinema; humor; política; TV; musica; teatro; futebol; biografias e assuntos relativos à União Européia e amenidades.


Posologia:
De dois a três posts diários, com fotos ou não.


De autoria de Paulo Alexandre A.k.a Speeder_76, este blog contém tudo que um fã de automobilismo precisa para entender um pouco deste nobre esporte. Desde as biografias de grandes pilotos, carros memoráveis e corridas inesquecíveis. Até curiosidades como quando postou sobre o integrante do grupo musical Abba ter sido um piloto até razoável.


Os posts referentes à cultura lusa, seu humor – aqui retratados pelo grupo Gato Fedorento – e as questões referentes à Comunidade Européia vem sempre com um enfoque isento e imparcial. O que o torna muito agradável.


Seu criador é pessoa de muito bom gosto, cordial e camarada. Merece o respeito e o sucesso que tem. Que venham muitos anos mais.

Médico Responsável:
Paulo Alexandre.

Não tem contra indicação, único senão, porém não perigoso, é que pode-se viciar.

E já agora, meu caro amigo Groo... muito obrigado!

Espanhois passam-se, FIA ameaça

A McLaren sofreu ontem diversos incidentes de ordem racista em Barceolna, onde se encontrava em testes colectivos. Dezenas de pessoas insultaram a equipa de Lewis Hamilton, chamando-o com expressões como "negro de m*****", devido principalmente ao tratamento que Fernando Alonso recebeu durante a sua passagem pela equipa, no ano passado.
A organização acabou por retirar os adeptos da zona, mas não evitou um "puxão de orelhas" por parte da FIA, e agora há rumores de que a Espanha pode ficar sem as duas corridas, previstas para Barcelona e Valência. Por agora, a entidade apenas pediu um relatório detalhado sobre os incidentes.


De facto, desde que Fernando Alonso voltou a testar em Espanha que milhares de adeptos acorreram aos circuitos de Jerez, Valência e Barcelona para apoiar o seu campeão e fizeram da McLaren e Lewis Hamilton o alvo dos seus ódios. Mas este tipo de manifestações não pode ser deixado em claro, sob pena de, quando a McLaren for competir em Espanha, não tenham sossego, e as coisas fugirem do controlo...

Mais indianos a caminho?

Depois da Spyker, que se chamará Force India, fala-se que a Super Aguri tem negociações avançadas com um grupo indiano, no sentido da sua aquisição pelo preço simbólico de... um euro.

Seria fácil, não? Mas não é bem assim. A ideia era ficar com as dívidas que a Super Aguri já acumulou, e que rondam os 47 milhões de Euros. O acordo prevê também a manutenção de Aguri Suzuki e Danielle Audetto nas suas funções, dado que eles percebem melhor da equipa do que ninguém. Mas o acordo só não é confirmado por uma razão: a Honda.


E porquê? Digamos que eles não querem o piloto imposto pela Spice Group, que o indiano Narain Karthikayean. Isto porque a dupla actual foi imposta pela Honda, e a construtora japonesa confia em Anthony Davidson no sentido de este substituir Rubens Barrichello, quando este se aposentar. E é essa questão que está a emperrar o negócio. É bom que eles cheguem a um acordo, pois até o próprio Max Mosley coloca dúvidas na presença da Super Aguri em Melbourne, palco do inicio da temporada...

A capa do Autosport desta semana

E esta semana, no nosso Autosport: os testes da Formula 1 em Espanha, com a McLaren em destaque, pois esta costuma estar no topo da tabela de tempos. Para além disso, temos outras coisas: desde os descapotáveis que estarão na moda no próximo Verão, a antevisão do Rali da Suécia (sim, meus amigos, parece que vai haver rali), e a confirmação de Alvaro Parente na GP2, a bordo da Super Nova.


Uma edição a não perder!

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Continental Circus, 1º Aniversário (III): O texto de Sávio Machado

Ao terceiro dia deste mês de aniversário, coloco aqui mais um texto de homenagem a este blog, e mais uma vez vindo do Brasil (quando é que vejo textos de Portugal?). Tive sempre a impressão que ao longo deste ano, devo ter influenciado alguém para criar o seu blog. Nunca pensei que tal pudesse acontecer, mas aconteceu. Pelo menos depois de ter lido o texto do Sávio Machado.

Eis o texto dele, na integra. Já agora, obrigado pelas sábias palavras, Sávio!

Em Maio de 2007, eu estava navegando pela Internet, olhando os blogs com diferentes características e assuntos dos mais diversos. Num desses cliques apareceu um que chamava-se “Continental Circus”. Slides de carros de Fórmula 1, pilotos antigos e atuais.


Pensei comigo: - Mas do que se trata isso? – Fui baixando o cursor e pra minha surpresa era um blog do que eu gostava. Velocidade, Fórmula 1, histórias antigas do esporte, uma riqueza de assunto dos mais variados. Fiquei realmente impressionado. Notei também que o blog tinha menos de um ano. Era novo. Fui tão inocente que logo fui mandar um email para um tal Speeder, parabenizando-o pelo seu blog.


Para a minha tristeza o email voltou. Pra falar a verdade eu nem sei porque o email voltou. Mas lembro muito bem disso. Até porque não faz tanto tempo assim. Foi aí que decidi fazer o meu. Já tinha vontade, mas faltava aquele empurrãozinho.


Continental Circus e seu autor, Speeder foi o responsável pelo
SAVIOMACHADO. Consequentemente entrei nesse mundo fantástico dos Blogs, mundo esse impressionante que faz com que conheçamos pessoas incríveis, cheias de criatividade, como meu amigo de Portugal, Paulo Alexandre. Parabéns Speeder e obrigado pela força que você me deu, mesmo sem saber. Continental Circus é um sucesso!


SAVIOMACHADO
www.saviomachado.blogspot.com

Bolides Memoráveis - Benetton B186 (1986)

Hoje falo de uma equipa que foi em tudo diferente as normais. Tudo graças à maneira irreverente como esse grupo encarou a Formula 1. A Benetton, uma marca de roupa do norte de Treviso, no Norte de Itália, foi uma das equipas que marcou a Formula 1 durante quase 20 anos, e que revelou ao mundo nomes como Alessandro Nannini, Michael Schumacher e Giancarlo Fisichella, entre outros.


Contudo, a equipa também revelou um dos mais marcantes directores de equipa dos últimos tempos: Flavio Briatore. Mas por agora, falo-vos do Benetton B186, o primeiro carro desenhado sob nova gerência.


Depois de uma temporada fantástica em 1984, onde revelou ao mundo o brasileiro Ayrton Senna, a temporada de 1985 foi difícil e desastrosa. Contudo, conseguiram o apoio da Benetton, que comprou a equipa a meio do ano, mudando o seu nome na temporada de 1986. Apesar disso tudo, a estrutura não se alterou: Peter Collins era o director, e Rory Bryne era o projectista. Então, com esse dinheiro extra, conseguiram adquirir motores BMW Turbo, de quatro cilindros em linha. Para além disso, podiam sustentar dois carros: para além de Teo Fabi, a equipa foi buscar um jovem talentoso vindo da Arrows: o austriaco Gerhard Berger.


O chassis B186 era uma evolução do Tolerman TG185. Não houve grandes diferenças em relação à configuração, já que o motor BMW era parecido com os motores Hart do ano anterior, mas Bryne fez algumas alterações: colocou duas entradas de ar laterais e fortaleceu o chassis, no sentido deste aguentar os mais de 150 cavalos de potência que tinha o motor BMW. Para além disso, mantiveram os pneus Pirelli, e ao longo da temporada melhoraram em termos de aerodinâmica, que lhes deu excelentes resultados na segunda parte do campeonato. Mas isso explico mais diante...


Os carros estavam prontos na primeira corrida do ano, em Jacarépaguá, e começaram a pontuar regularmente. Em Imola, Berger levou o carro ao seu primeiro pódio, quando chegou na terceira posição. Contudo, as coisas estavam piores a meio da temporada, pois quer Fabi, quer Berger, não conseguiam terminar as corridas. Mas tudo mudou a partir da Austria: nessa corrida, a Benetton estreou uma nova asa traseira, e os resultados foram evidentes: Teo Fabi e Gerhard Berger conseguiram a primeira linha daquela corrida, com o primeiro lugar da grelha a pertencer ao italiano. Na corrida, Berger fez a melhor volta. Em Monza repetiram o feito, de novo com Fabi ao volante. Contudo, esse feito não foi traduzido em resultados.


Somente na Cidade do México é que todas essas promessas nos treinos é que deram resultados na corrida, quando Berger ganhou no Autodromo Hermanos Rodriguez, aproveitando o facto do motor BMW Turbo funcionar bem em altitude. No final do ano, esta primeira temporada mostrou ao mundo que o dinheiro bem aproveitado resultou em excelentes resultados e um chassis potencialmente vencedor. Estava dado o mote para os anos seguintes.


Chassis: Benetton B186
Projectista: Rory Bryne
Motor: BMW Turbo de 4 cilindros em linha
Pilotos: Teo Fabi e Gerhard Berger
Corridas: 16
Vitórias: 1 (Berger)
Pole-Positions: 2 (Fabi)
Voltas Mais Rápidas: 3 (Berger 2, Fabi 1)
Pontos: 19 (Berger 17, Fabi 2)

A1GP - Ronda 6, Eastern Creek

O segundo fim de semana da A1GP em 2008 prosseguiu esta madrugada, com uma jornada dupla na Australia, mais concretamente no circuito de Eastern Creek. Em duas provas extremamente bem disputadas debaixo de chuva, o grande vencedor neste fim de semana foi repartido entre a França, com Loic Duval, e a Africa do Sul, que graças a Adrian Zaugg, ganhou pela segunda vez este ano.

Na Sprint Race, Duval levou a melhor sobre Johnatan Reid, da Nova Zelândia, e sobre o canadiano Robert Wickens. O brasileiro Sergio Jimenez foi oitavo, enquanto que João Urbano não foi além do 12º posto. Na Feature Reace, Zaugg levou a melhor, e foi acompanhado pelo suiço Neel Jani e pelo inglês Robbie Kerr. Sergio Jimenez atingiu o seu melhor lugar este ano, com o quarto posto, enquanto que João Urbano voltou a desiludir, ficando na 16ª posição, a uma volta do vencedor.

A A1GP prossegue no próximo dia 24 de Fevereiro, no circuito citadino de Durban, na Africa do Sul.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Sebastien Bourdais e o Controlo de Tracção

Uma das grandes discussões desta pré-temporada é o controle de tracção, abolido no final da época de 2007. Se alguns aprovaram a medida, outros, como Felipe Massa e David Coulthard, foram contra esta medida da FIA. Jarno Trulli até lançou polémica quando acusou algumas equipas de usaram o controlo de tracção " às escondidas", no entanto sem concretizar.
Hoje apareceram as declarações de Sebastien Bourdais, tetra-campeão da CART e que este ano começa a correr na Formula 1 ao serviço da Toro Rosso. Como é obvio, vindo de uma categoria onde as ajudas electrónicas são... nenhumas, defende o fim do controlo de tracção:



"O facto da categoria ter o controle de tração nunca fez sentido para mim. Nós supostamente temos os melhores pilotos deste planeta. Todos nós chegamos aqui sem utilizar o controle em outras categorias e ninguém reclamava disso. De repente, você chega à F-1 e encontra o carro mais fácil de lidar, porque não há nada o que fazer com o pé direito. Eu testei no ano passado e foi muito frustrante para mim, percebi que não tinha 100% do controle do carro". afirmou, em declarações retiradas do Blog F-1, do Felipe Maciel.



Bourdais aproveitou ainda para mandar um recado aos detractores da medida:


"Sobre todas essas discussões a respeito de não pilotar na chuva sem o controle de tração, se eles têm essas preocupações, não deveriam estar aqui. Eu descobri que o carro anda de forma maravilhosa em tempo chuvoso, é muito balanceado", concluiu.

Continental Circus, 1º aniversário (II): O texto do jcspeedway

Hoje é dia de apresentar-vos o segundo texto de homenagem ao meu blog, pelo seu primeiro aniversário natalício, que claro, será comemorado no próximo dia 12.


Hoje publico o texto do... João Carlos Viana, do blog jcspeedway. Para um recém-formado em Engenharia Mecânica, na Universidade de Fortaleza, e tal como nós, um apaixonado por corridas. O seu blog é daqueles onde a história é rei, muitas das vezes as descrições das corridas do passado são ainda melhores daquelas que eu faço... Mas aconselho-vos a dar uma visitinha e a colocarem nos vossos favoritos, pois vale a pena visitá-lo.


Aqui vai o seu texto:



O que um ano pode mudar na vida de uma pessoa? Simples. Depende o quanto essa pessoa curte esses escassos 365 dias. No próximo dia 12 de fevereiro, um ano terá passado na vida de Paulo Alexandre, mas conhecido como speeder_76, e tenho certeza que esses 365 dias passaram voando para ele, contendo muita alegria, trabalho e um amor cada vez maior pelo automobilismo. Não, não é o aniversário dele. Na verdade, é o aniversário do filho dele. E o Paulo tem filhos? Tem sim, se chama continental-circus.blogspot.com.


Como um filho que vemos crescendo ao longo do tempo, Paulo cuidou do seu blog com muito carinho, sempre nos presenteando com muitas informações e curiosidades não apenas sobre F1, mas também sobre o Benfica (nisso, amigo, estamos iguais. O meu Ceará também não anda lá essas coisas...), os problemas que afligem a humanidade e a cultura em geral. O continental-circus se tornou o lar de textos rápidos e concisos, com muitas fotos e uma velocidade digna de um McLaren MP4/4, pois seu um notícia surgisse, o Paulo estava lá postando no seu blog!


Conheci o Paulo há pouco mais de seis meses e desde então tenho contato com ele quase que diariamente, trocando idéias ou mesmo falando do nosso cotidiano. Fiquei muito feliz em ser convidado por ele a fazer um texto comemorativo sobre o primeiro (de muitos, lógico!) ano do continental-circus.
Só posso desejar que o Paulo continue cuidando muito bem do seu filho e que o
continental-circus.blogspot.com permaneça como é: um blog que nos enriquece com conhecimento através de fotos e textos.

Abraços


João Carlos B. Viana(jcspeedway.blogspot.com)

A imagem do dia

Se estivesse vivo, Roger Williamson faria hoje 60 anos. Muitos diziam que era provavelmente dos pilotos mais talentosos da sua geração a aparecerem em Inglaterra. O homem que o descobriu, Tom Wheatcroft, disse até que tinha potencial para um dia ser campeão do mundo. Mas hoje em dia é mais conhecido pela maneira como morreu, no GP da Holanda de 1973, e após uma mediatica tentativa de salvamento por parte do seu compatriota David Purley.


Toda e qualquer morte em pista é cruel. Mas este bate muitos.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Extra - Campeonato: o dia em que mataram o Rei

Há exactamente cem anos, um acontecimento abalou Portugal, a Europa e o Mundo: o assassinato do Rei D. Carlos I e do seu filho, o herdeiro do trono, D. Luis Filipe. O impacto desta morte foi tal que só se encontram paralelos em 1914, quando o Arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono austro-hungaro, foi morto na cidade de Sarajevo, dando origem à I Guerra Mundial, ou em 1963, quando John F. Kennedy foi morto às mãos de um "sniper", Lee Harvey Oswald. Quando se soube do atentado, o rei de Inglaterra, Eduardo VII, terá afirmado: "Dois mebros da Ordem da Jarreteira abatidos como cães no meio da rua..."


Na tarde do dia 1 de Fevereiro de 1908, três dias após uma tentativa de golpe de estado de origrm republicana, a Familia Real voltava a Lisboa, vindo do seu palácio da Vila Viçosa, onde tinham estado em caçadas, para mostrar uma posição de força, num momento agitado para o país, que então governava em ditadura do primeiro-ministro João Franco.


Pelas cinco da tarde, depois de um atraso de uma hora devido a um descarrilamento, a Familia Real era recebida no Cais da Rocha, e deslocaram-se pela Praça do Comércio acima, rumo ao Palácio da Ajuda, onde a Familia Real morava. Nesse instante, dois homens, Manuel dos Reis Buiça, professor primário e atirador exímio, e Alfredo Costa, lojista e editor anti-monarquico, aproximaram-se da carruagem real e começaram a desatar aos tiros. Buiça foi certeiro: no primeiro tiro atingiu D. Carlos pelas costas, matando-o de imediato. O Principe Luis Filipe foi atingido no pulmão e na cara, mas conseguiu ainda atirar sobre um dos homicidas, ferindo-o mortamente. Mas ele já estava condenado e iria morrer pouco tempo depois. D. Manuel, o infante mais novo, com 18 anos, foi empossado como rei, sob o nome de D. Manuel II. Iria durar dois anos no trono e seria o último rei de Portugal.


D. Carlos I foi provavelmente um dos reis mais cultos e ecléticos que Portugal teve. Eea pintor, caçador e marinheiro. É considerado, inclusivé, como um dos pioneiros da oceanografia mundial, devido às suas campanhas maritimas no iate real D. Amélia.


Mas desde o seu inicio, em 1889, que o seu reinado fora marcado pela polémica: poucos meses depois de subir ao trono, aos 26 anos, surge a questão do Ultimato Inglês, onde a Grã-Bretanha exige aos portugueses a retirada das suas tropas do Chire, um pedaço de território africano que é hoje o actual Malawi, algo que o governo acedeu. O ultimato foi considerado uma afronta para o orgulho nacional e durante meses, houve manifestações de ódio a tudo que é inglês. Foi nesse período que Alfredo Keil compôs "A Portuguesa" actual hino de Portugal, que no seu verso original tinha escrito: "Contra os bretões, marchar, marchar!" Hoje, marchamos contra canhões...


Um ano mais tarde, a 31 de Janeiro de 1891 (fez ontem anos), houve a primeira tentativa de golpe republicano, no Porto, prontamente sufocada. O aviso tinha sido dado, e a partir dali as coisas não iam parar. Em 1900, Portugal era pobre, essencialmente agricola e quase 75 por cento da população era analfabeta. Quem estudava era uma elite, da alta burguesia. O sistema politico obedecia a algo que foi chamado de "rotativismo", onde dois partidos governavam: o Regenerador e o Progressista. Com um sistema politico gasto por dentro, a elite republicana fazia tudo para desgastar ainda mais esse sistema. Lisboa, a capital, tinha-se tornado republicana.


Para piorar as coisas, D. Carlos I, que tinha uma função de ser o "arbitro" da situação politica de então, tentou "entrar no jogo", graças a um homem: João Franco. Este homem, deputado e primeiro-ministro, tentou refundar o sistema por dentro e salvar a monarquia, antes que os republicanos a derrubassem. A ideia era a de um governo forte, sem necessidade de uma representação no Parlamento. E tinha o homem certo para isso: João Franco.



No inicio de 1906, aplicou o seu plano: forçou o governo progressista de José Luciano de Castro a pedir a demissão. Num primeiro momento, a lógica rotativista manteve-se, com outro primeiro-ministro, Hintze Ribeiro, a assumir a chefia do novo governo regenerador. Mas este não tardou a cair, sob a oposição concertada dos progressistas e dos ex-regeneradores agrupados no Centro Regenerador Liberal de João Franco. O pretexto imediato para a queda de ambos os gabinetes fora a recusa do rei em permitir que se governasse por decreto, adiando a abertura do Parlamento. Ora, D. Carlos, não só convida João Franco a formar governo, deixando de fora os dois grandes partidos monárquicos, como lhe concede justamente o que recusara aos seus antecessores. Os republicanos, mas também os que pouco antes tinham pedido o mesmo que Franco agora alcançara, clamaram indignadamente contra esta ditadura sustentada pelo rei.

As coisas começam a correr bem a João Franco, mas rapidamente precipitam-se, com a questão do "Aditamentos à Casa Real". Basicamente, era uma verba no Orçamento para as despesas da Familia Real. A polémica já tinha estalado antes, mas nessa altura tinha-se acalmado. Só que João Franco decide aumentar esa verba, pensando que o problema ficaria resolvido. Erro crasso: a opinião pública foi contra, o Rei foi contra, os republicanos aproveitaram esta mina: Afonso Costa, mais tarde uma figura da I Républica, deu o mote, afirmando em plenas Cortes que "por menos do que fez o senhor D. Carlos, rolou no cadafalso a cabeça de Luís XVI".


A partir daí, surgem as conspirações: republicanos e monarquicos dissidentes juntam-se com o objectivo de derrubar o regime por métodos violentos. A Carbonária, uma organização anarco-sindicalista, fabrica bombas, que por vezes explodem quando não devem ser. Uma dessas explosões matou dois Carbonarios e o terceiro escapou por pouco. Esse terceiro era Aquilino Ribeiro.


Finalmente, os golpistas marcam uma data: 28 de Janeiro de 1908, uma quarta-feira. Contudo, a poucos dias do golpe, um dos conspiradores tenta aliciar um policia graduado, e este denuncia a conspiração. Em poucas horas, grande parte dos mentores estava presa, e João Franco, confiante, manda no dia 30 de Janeiro um emissário a Vila Viçosa para que D. Carlos assine um decreto, que consistia na deportação para as Colónias de Angola e Moçambique dos conspiradores. ao assinar, consta-se que D. Carlos murmurou: "Estou a assinar a minha sentença de morte".


No dia 1 de Fevereiro, a Familia Real chega a Lisboa e em poucos minutos, a Momarquia estava ferida de morte. Dois anos mais tarde, a 5 de Outubro de 1910, um novo golpe de estado abole-a de vez.


Fontes:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Regicídio_de_1908

Depois do carro-veado, o carro-bigorna

Procurando o derradeiro segundo, aquele génio aerodinâmico que marque a diferença em relação aos demais, os carros hoje andam com todo o tipo de esquisitices aerodinâmicas.



Então este ano... depois do carro-veado, da BMW Sauber, hoje, a Red Bull estreou em Barcelona o carro-bigorna, no sentido de ver a sua eficácia aerodinâmica face aos "normais". Adrian Newey precisa de marcar a diferença, é certo, mas isto?

Que mais irá aparecer por aí? Aceitam-se apostas...

A piada do dia, Parte II

Quando meti a foto do Nuvolari, gozando com a Honda e com o Rubinho, eu, por cansaço ou por esquecimento (se calhar, as dusas coisas), não me lembrei que o meu amigo Felipe Maciel tinha colocado outra foto de gozo da Honda. Para fazer justiça, achei por bem colocar aqui, tanto mais que ainda mete o Ross Brawn no barulho... e ainda por cima tem tanta graça como o outro!

Continental Circus, 1º aniversário (I): O texto de Nuvolari

Como já anunciei anteriormente, Fevereiro é um mês de comemoração. Não tanto do Carnaval (mas também pode calhar), nem do Dia dos Namorados (para além de não ter namorada, acho o dia mais comercial que outra coisa), mas sim porque este espaço comemora o seu primeiro aniversário no próximo dia 12.


E hoje inauguram-se as festividades com a primeira das mensagens de Parabéns, que irei meter ao longo deste mês. E hoje começo com... um blogueiro vindo da Venezuela. O Nuvolari.

É um texto engraçado, escrito em espanhol, claro, mas acho que é mais um exemplo como, para já, a minha fama ultrapassou até a barreira da lingua (lá está), mas quando é escrito com carinho, essa barreira é minimizada, não é? E leiam o texto, pois diz muita coisa acerca do previlégio de ter um blog e de o manter. E agora que se intitula a ele "perseguido politico" da FIA... que previlégio!


Eis o texto na integra:




Bitácora del capitán - 1:53 a.m.
Decido escribir -a pesar de mi insomnio- un post dedicado un amigo bloguero.



Yo: ¿A esta hora?, ¡estás loco!
Mi otro yo: Si, ¿Qué pasa?, ¿es que acaso uno no tiene que cumplir responsabilidades?
Yo: Bueno si, pero porque no lo dejas para mañana, tengo dolor de cabeza. Además hay que pararse temprano para salir.
Mi otro yo: OK, está bien. Pero mañana sin falta.
Yo: Que necio. ¡Duérmete!
Mi otro yo: Mejor me callo, me tomo una Bloggerix y a dormir…


Hace días que no escribo nada, ni aquí para responder, ni allá para postear. La verdad es que me da rabia encender la computadora, ya que sencillamente ¡no sirve!, es casi una cafetera. Apenas hay dos motivos por los cuales entro en ella, el primero es porque estoy enviciado con algunos blogs, especialmente Continental Circus, y el segundo es porque tengo toda mi música en el disco duro, entonces sin MP3 y sin dosis diarias de automovilismo no hay vida.



La verdad es que me siento muy honrado de que una personalidad en el mundo Blogger me haya invitado a escribir en su espacio. Muchos lo tomarán como una idea egocéntrica de su parte, sin embargo vale la pena, porque los contenidos que presenta el amigo Speeder son de alta factura y el mismo está consciente de la calidad de su blog. No me gusta ser chupamedias o complaciente, pero se agradecer esa calidad, y asimismo reconocer la importancia de este espacio, que en su corta historia me ha tenido como un seguidor, que entra 4 veces al día como mínimo.



Tener un blog es una maravilla, uno puede escribir lo que le de la gana y mantener oculta nuestra identidad. Ser uno mismo sin que nadie te juzgue, aunque a veces el anonimato suele ser perseguido por los mismo lectores, lo cuales son muy curiosos (en el buen sentido) y desean conocer nuestras identidades. Lamento decirles que ni somos pilotos de F1 disfrazados, ni pertenecemos a ninguna liga de la justicia; como aquella en la que Batman y Robin andan de luna de miel mientras Superman engaña a Luisa Lane con la Mujer Maravilla. Pero en cambio si somos amantes de un deporte, de un mundo en el que impera la velocidad, y tenemos la voluntad de compartirlo con ustedes día a día.


Algunos de nosotros hemos crecido juntos en este medio, nos hemos dado a conocer entre si y compartimos lectores, lo cual vale muchísimo. Yo conocí Continental Circus el 30 de mayo de 2007, día en que Paulo dejó un comentario en mi blog con motivo del GP de Mónaco, a partir de allí y luego de varios días de visitas me di cuenta del valor de su trabajo. Se nota que es un trabajo dedicado, con investigaciones (algunas bastante profundas), análisis y argumentos bien sustentados.



Todos los días leo algo interesante, especialmente de historia, sin tener que recurrir a archivos personales ni nada por el estilo, simplemente espero que “la historia llegue a mi” a través de este blog. Por ello no me sorprende la enorme cantidad de visitas.



Es bueno saber que hay gente como Paulo que de verdad conoce este deporte, que lo ha sufrido y que lo ha disfrutado tanto como yo; que ha compartido las más variadas emociones y que está conectado con quienes hacen parte de el, con aquellos que siguen luchando tras el volante y con los que ven los carros desde la barrera.



Por todo esto gracias.


¡Feliz cumpleaños y larga vida a Continental Circus!

Un abrazo… :D