terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A garagem de Juha Kankkunen

Qualquer milionário tem uma garagem cheia de carros, mas muitos deles o têm para exibir a coleção e mais nada. Contudo, há quem tenha cabeça suficiente para fazer uma coisa destas, e quem tenha ganho dinheiro suficiente para fazer uma coleção deste tipo. E ainda mais importante se torna esta coleção quando sabes que o seu proprietário ganhou corridas a bordo de todos estes carros. Como Juha Kankkunen, tetracampeão do mundo de ralis por três equipas diferentes: Peugeot (1986), Lancia (1987 e 1991) e Toyota (1993).

"KKK", como é chamado pelos seus adeptos, converteu a sua velha fazenda em trerras finlandesas num museu privado, do qual raramente abre as portas a pouca gente fora do seu circulo social. Contudo, abriu uma excepção ao jornalista Alistair Weaver, do Insideline.com, e este fotografou toda uma coleção que vai para além dos carros de ralis. Tem uma coleção de Fords de rali, desde o MkI até ao RS200, e tem também uma coleção de Ferraris, entre os quais um 288 GTO e um F40. Afinal de contas, parece ser a sua marca favorita...

Segundo diz o próprio Kankkunen, ele dirige regularmente estes carros, para os manter em forma. E é bom saber que algures na Finlândia, existe um tesouro que está a ser preservado por quem ajudou a escrever essas páginas na história dos ralis.

Noticias: Williams anuncia Bruno Senna

A Williams confirmou esta manhã em Grove a noticia de que já tinha dado conta no dia anterior: Bruno Senna será o piloto da equipa, substituindo o seu compatriota Rubens Barrichello. Não se sabe ainda a duração do contrato, mas Bruno Senna, que fará dupla com o venezuelano Pastor Maldonado, leva consigo cerca de 18 milhões de euros em patrocínios vindos de Elke Batista, um dos homens mais ricos do Brasil. 

"Sinto-me um privilegiado pelo facto da Williams me ter escolhido, pois é uma equipa com uma grande herança, e espero ajudá-los a escrever um bom capítulo na sua história. Será interessante guiar para uma das equipas onde esteve o meu tio Ayrton e trabalhar com pessoas que conviveram com ele. Estou esperançado que possamos reavivar memórias e criar novas boas.", referiu. 

Bruno Senna experimentará o seu carro no próximo dia 9 de fevereiro, no circuito espanhol de Jerez de la Frontera.

A última capa do Autosport semanal

E assim sendo, amanhã sairá o último Autosport tal como o conhecemos nos últimos 35 anos. Passará de revista semanal para uma mensal, além de que vai ter um novo site, com conteúdos pagos. Vamos a ver como será essa nova roupagem da revista. Para já, eis um "Até Já" escolhido para título, e onde se mostrará "os grandes momentos da história do Autosport" e onde se falará também sobre "as personalidades, os carros e os acontecimentos mais marcantes".

Acima, refere-se sobre os eventos do Rali Dakar, onde se fala do "Dakar da consagração", do "Triplo A para Helder Rodrigues" e da "Décima Vitória para Peterhansel".

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

GP Toons: E o vencedor é...

Provavelmente deve ser amanhã que irão comunicar oficialmente, mas até me dá alguma pena ver Rubens Barrichello de fora da Formula 1 devido ao mercado e não porque deveria ter-se retirado de cena e procurado outros destinos, onde provavelmente seria tão ou mais feliz. 

A ser assim, amanhã esta caricatura, feita pela GP Toons, será verdadeira. E dezoito anos depois - a maioridade, que engraçado! - o triónimo Senna/Williams/Renault acontece de novo. E claro, dure por muito tempo e seja bem sucedida. E que o Bruno Senna não seja tanto "Nelson Muntz" porque no final do ano ainda lhe pode acontecer a mesma coisa...

"Rush" começa a ser filmado em Nurburgring

As imagens devem ser desta manhã no Nordschleife, mas vejo pelo site F1 Fanatic, do Keith Collantine, que já começou a ser filamdo "Rush", que aborda a tempoada de 1976, o duelo entre Niki Lauda e James Hunt e que teve pelo meio o acidente do piloto austriaco no circuito alemão, quase o matando. As cenas deverão ser do mesmo tipo que fizeram há uns meses no mesmo local, que é aquilo que na gíria se chama de "stock footage", ou seja, filmagem para arquivo e que pode ser usado na montagem.

As filmagens propriamente ditas acontecerão a partir do mês que vêm, na Grã-Bretanha, mas ainda não se sabe onde será o local. Isto porque a produtora queria filmar no antigo aeródromo de Blackbushe, mas segundo a BBC, tem a oposição dos conservadores locais, suportados pela organização Natural England, pois esse é um sítio privilegiado para a observação de aves.

"Uma atividade de tal impacto como a da criação de um filme, num local protegido como este, tem de se ver o que será feito para mitigar tal impacto. Como nesse plano não existe tal aplicação, nós decidimos opor a este pedido." afirmou um porta-voz da organização.

Caso isto não se resolva nas próximas semanas, ou não se encontre um outro local de filmagem, esta poderá atrasar-se em algumas semanas da data inicial de fevereiro. O filme poderá estrear nos cinemas no final deste ano ou no inicio de 2013. 

Rumor do dia: Senna já assinou pela Williams

O jornalista brasileiro Vitor Martins confirma esta manhã no seu blog que Bruno Senna já assinou o contrato com a Williams para a temporada de 2012. Dezoito anos depois do seu tio, o nome de Senna estaria de novo nos flancos dos carros de Grove, a troco de um patrocinio de 30 milhões de reais, pouco menos de 15 milhões de euros. 

A ser confirmado, deixaria Rubens Barrichello fora da equipa, e provavelmente pela primeira vez em quase vinte anos, da Formula 1.

Provavelmente, deverá ser o capitulo final de uma novela com algumas semanas, que começou com comentários no Twitter por parte do seu fiunanciador, Elke Batista, passando por uma noticia veículada pela Rádio Bandeirantes, a meio de dezembro, e do qual Bruno Senna se encarregou de desmentir, sempre que podia. E a razão está aí: faltava o "preto no branco", que foi resolvido esta manhã.  

E assim a Williams volta ao básico, nos anos 70: contratar pilotos pela sua carteira. Frank Williams é uma raposa sobrevivente, e sabe como se movimentar neste "Club Piraña" como ninguém. E como já demonstrou vezes sem conta no passado, não se importa de trocar de pilotos, mesmo quando as coisas correm bem.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Dakar 2012 - o último dia

A etapa de hoje não era mais do que a consagração dos sobreviventes deste Dakar, pois apenas tinha 29 quilómetros cronometrados entre Pisco e Lima, a capital. E aí confirmou-se a superioridade dos Mini e mais uma vitória de Stephane Peterhsansel, que aos 45 anos tornou-se num dos pilotos mais bem sucedidos na história deste "rally-raid". Depois de seis vitórias nas motos (1991 a 93, 1995, 1997 e 1998), Peterhansel tem agora quatro nos automóveis, depois de 2004 e 2005, 2007 e agora, 2012. 

Foi um Dakar onde Robby Gordon deu nas vistas, pelo melhor e pior, ainda por cima com uma desclassificação pendente de apelo. As vitórias na etapa constrastaram com os seus atrasos e acidentes, para acabar este rali na quinta posição da geral. Nani roma foi o segundo, no seu Mini, enquanto que Giniel de Villiers, no seu Toyota Overdrive, completou o pódio. 

Na etapa de hoje, Robby Gordon foi o melhor, no seu Hummer, seguido pelo Mini de Ricardo Leal dos Santos, que com isto, consolidou o seu oitavo lugar da geral e coroou a sua recuperação no rali. "Estamos a andar muito bem. A nossa adaptação ao Mini All4 Racing foi-se consolidando durante o rali e hoje, que partimos mais aliviados de peso, conseguimos, finalmente, ter uma palavra a dizer, em termos de classificação. Este foi até à data o nosso melhor resultado de sempre numa etapa. Fomos os melhores da armada Mini e só o Hummer que, de acordo com os comissários técnicos não está regulamentar, ficou à nossa frente", referiu Ricardo Leal dos Santos à chegada a Lima. 

Já Carlos Sousa chega ao final do Rali Dakar no sétimo lugar do rali, um lugar à frente de Leal dos Santos, mas com o sentimento de dever cumprido, dado que deu à Great Wall a sua melhor classificação de sempre. "Face à juventude deste projeto e às várias condicionantes que envolviam esta participação - como estar parado desde abril e ter testado o carro apenas três dias, em Marrocos -, é evidente que só posso estar muito satisfeito com este resultado. Cumpri a promessa de concluir a prova no top-10 e sei que dei todos os dias o meu melhor ao longo destas duas semanas. Nem sempre foi fácil, porque também tivemos alguns percalços, especialmente nas duas primeiras etapas no Peru, onde acumulámos uma série de problemas e um atraso superior a duas horas. Costumo dizer que no Dakar é habitual ter-se um dia mau... Só que desta vez tivemos dois consecutivos! Com um pouco mais de sorte, acho que poderíamos estar hoje um lugar acima na geral. Mas o Dakar é mesmo assim e o importante é que a equipa está muitíssimo satisfeita com o resultado, que realmente excedeu as melhores expectativas de todos os seus responsáveis", resumiu Carlos Sousa após a consagração na capital peruana. 

"Independentemente do que possa reservar o futuro, sinto que já contribuí para que o desporto mundial ganhasse mais um construtor interessado em investir no automobilismo e em se promover internacionalmente através do Dakar", concluiu o piloto português, que amanhã comemora 46 anos de idade.

Nas motos, Cyril Després venceu o Dakar pela quarta vez na sua carreira, depois das vitórias em 2005, 2007 e 2010. Assim, conseguiu desempatar com Marc Coma, que venceu em 2006, 2009 e 2011. E Helder Rodrigues, pela segunda vez consecutiva, fica com o lugar mais baixo do pódio, igualando o seu melhor lugar de sempre.

E assim foi o Dakar de 2012. Em 2013, há mais. 

The End: Gianpiero Moretti (1944-2012)

Gianpiero Moretti, fundador da MOMO e vencedor das 12 Horas de Sebring e das 24 Horas de Daytona, ambos em 1998, morreu este sábado em Itália aos 68 anos, vítima de cancro no pulmão, do qual já padecia desde há algum tempo.

Um "gentleman-driver" por excelência, apesar de ter começado a correr em rampas aos 16 anos de idade,  fundou em 1966 a sua companhia de acessórios de automóveis, que significa as iniciais de "Moretti-Monza". Deu logo nas vistas quando um dos seus volantes foi usado no Ferrari de John Surtees, recém-coroado campeão do mundo. Três anos depois, em 1969, abriu a sua fábrica em Tregagno, na provincia de Verona, e no ano seguinte, começou a dedicar-se mais à competição, primeiro com um Ferrari 512S, e depois, ao longo da década de 80, com outras máquinas, como o Porsche 935 ou o Nissan GTP.

Sempre apaixonado pelas corridas de Endurance, patrocinou muitas equipas na americana IMSA, antes de ajudar a desenvolver o Ferrari 333 SP de Sport-Protótipo, o unico projeto que a marca construiu após a sua retirada da Endurance, em 1973. Aliás, foi a bordo desse carro que conseguiu as suas maiores vitórias na Endurance, as 12 Horas de Sebring e as 24 Horas de Daytona. As três foram conseguidas em 1998, quando Moretti já tinha 54 anos, e ao lado de pilotos como Mauro Baldi, o holandês Arie Luyendyk e o belga Didier Theys. Após estes feitos, decidiu retirar-se da competição.


sábado, 14 de janeiro de 2012

Dakar 2012 - o penúltimo dia

Esta é a penultima etapa do Dakar de 2012, entre Nazca e Pisco, em terras peruanas. Marcadas pelas dunas, foi a etapa onde Stephane Peterhansel confirmou a sua superioridade, ao vencer a etapa, deixando o segundo melhor, o sul-africano Giniel de Villiers, a oito minutos e 29 segundos, conseguindo também com isso garantir quase de forma decisiva o primeiro lugar da classificação geral. Isto se se tiver em conta que Nani Roma, principal adversário de Peterhansel, foi um dos que perdeu tempo na transposição das dunas e está agora a 42 minutos e 57 segundos do comandante.
Leonid Novitskiy, a doze minutos e 55 segundos, foi o terceiro da geral, enquanto que Carlos Sousa esteve hoje em muito boa forma ao ficar a treze minutos e 39 segundos do melhor tempo e à frente do Toyota de Ezequiel Alvarez e do Mini de Ricardo Leal dos Santos. O piloto português voltou a fazer uma boa prestação num dia que se previa difícil e no qual teve de prestar auxilio a Nani Roma quando este 'atascou' nas dunas. Ele gastou mais quinze minutos e quatro segundos do que Peterhansel e conseguiu ficar à frente de Roma, que perdeu hoje 22 minutos e 57 segundos.

"Foi uma etapa que nos correu muito bem. Conseguimos evitar os grandes 'atascanços' e as nossas paragens foram sempre rápidas. Onde perdemos mais tempo foi na ajuda ao Nani Roma, que estava com o seu MINI numa situação delicada. Tenho pena de não termos conseguido terminar na segunda posição, que seria o nosso melhor resultado de sempre mas, nesta ocasião, a ajuda ao Nani, que estava a lutar pelo segundo lugar à geral, era mais importante", referiu na chegada a Pisco.

Igualmente com um dia para esquecer depois do brilharete de ontem, Robby Gordon perdeu 36 minutos depois de mais uma etapa problemática com alguns 'atascanços', uma 'cambalhota' e um furo à mistura.

Nas motos, este foi o grande dia de Hélder Rodrigues, que a bordo do seu Yamaha, venceu a penúltima etapa do Dakar. O motard português voltou a mostrar a sua boa forma no dia de hoje, vencendo a tirada com 47 segundos de vantagem sobre o francês Cyril Despres, que hoje pode ter dado uma machadada nas aspirações de Marc Coma, pois o motard espanhol teve dificuldades devido a problemas na sua caixa de velocidades e um erro de navegação, fazendo perder o comando para Després, agora com onze minutos e três segundos de vantagem para o seu rival.

"Estou muito contente com esta vitória e com o lugar de pódio na classificação geral. Tenho andado rápido, mas todos os dias acontecem pequenas coisas que me têm impedido de lutar pela vitória nas etapas. Hoje tudo correu bem, andei muito depressa, naveguei bem e sem problemas. No reabastecimento percebi que podia ganhar e lutei para que isso acontecesse", referiu o motard da Yamaha ao chegar a Pisco.

Outro catalão, Jordi Viladoms, foi terceiro hoje, a três minutos do português, enquanto Joan Barreda Port foi o quarto melhor. Paulo Gonçalves ficou com o quinto melhor tempo do dia, perdendo apenas cinco minutos e 46 segundos para o seu compatriota e mostrando uma vez mais a sua competitividade, encontrando-se agora no 24º posto da geral. Já Ruben Faria, companheiro de equipa de Despres, foi nono melhor do dia e encontra-se na 12ª posição da Geral. 

Amanhã é a última etapa do Dakar, a da consagração, entre Pisco e Lima, no total de 29 quilómetros.

João Silva e o seu sonho dos ralis

Descobri isto na quarta-feira à noite, mas conhecia o projeto há algumas semanas. João Silva em 23 anos vem da ilha da Madeira, a exemplo de Bernardo Sousa, e venceu em 2011 o campeonato nacional de rali, na categoria de duas rodas motrizes. Contudo, ele também tem como grande objetivo trilhar os mesmos caminhos dele e de Armindo Araujo, que estão no Mundial WRC. Para isso, inscreveu-se no WRC Academy, uma espécie de escola para os pilotos mais jovens, que tem o seu próprio campeonato. Para terem uma ideia, o vencedor foi o irlandês Craig Breen, que bateu o estónio Egon Kaur na última prova do ano, vencendo um chorudo prémio de meio milhão de euros.

No final da semana, a sua candidatura foi aceite pela FIA, e ele agora tem de entregar até ao dia 1 de fevereiro metade do valor total de inscrição, que é cerca de 140 mil euros. E para isso, e não só, fez uma página no Facebook dedicada a isso, com o objetivo de dar a conhecer o seu projeto e angariar fundos provenientes dos seus fãs para fazer as seis provas do campeonato, que começará em Março, em Portugal. O que ele pede é simples: se cada fã der 20 euros por cada rali que ele fizer x 6, num espaço 10 por 5 centímnetros, dá 180 euros por pessoa. Agora imaginem cem pessoas a fazer isso, não é?

Já agora, o carro que vai disputar essa WRC Academy é o mesmo de todos: um Fiesta R2 preparado pela M-Sport e com pneus Pirelli.

Pessoalmente, desejo-lhe boa sorte na sua internacionalização. Ver um português num sitio como o WRC Academy já é um excelente inicio de carreira, e se as coisas lhe correrem bem, então melhor ainda. 

Boa sorte, João!

Caro Thierry Sabine:

Caro Thierry Sabine:

Calha este dia ser o penúltimo do rali que você imaginou há mais de trinta anos. Se você ainda andasse por cá, teria visto o quanto é que mudou e se reinventou para poder manter a aura que você construiu enquanto andou por aqui: já saiu de Paris, já saiu de África. O Dakar é mais uma palavra que toda a gente identifica como "desafio", "perigo", "esforço" e "recompensa". Mas já não se corre em África, está na América do Sul, mais pacifico de se correr do que bandos de tuaregues ou muçulmanos extremistas, que para darem nas vistas não se importam de matar uns quantos ocidentais. Aliás, foi por causa disso que mataram quatro franceses na Mauritânia e cancelaram a edição de 2008, que iria partir de... Lisboa.

Eis uma pergunta que gostaria de fazer a si, caso estivesse vivo: você seria inflexível em relação ao local de partida e de chegada, ou queria pura e simplesmente correr no deserto do Sahara? Eu sei que teve uma experiência de "quase morte" no deserto, quando se perdeu, em 1977. E que foi por causa disso que viu o seu poder e decidiu criar este rali. E que naquele dia de Natal de 1978, quando viu mais de 80 carros, 90 motos e uma dúzia de camiões, você disse que o risco de morte era real.

Depois de você ter desaparecido naquele acidente de helicóptero no Niger, muito mudou. Primeiro o local de partida foi mudado: Córdoba, Madrid, Lisboa... um dia, em 2008, mataram quatro franceses na Mauritânia e o governo francês decidiu pressionar a ASO para cancelar o Dakar, na véspera da sua partida. Se você andasse por lá, era capaz de evitar que isso acontecesse? Aliás, você era a pessoa que conseguia tudo: desbloquear burocracias, falar com governantes, patrocinadores, imprensa... parecia que conseguia tudo, nada lhe era impossível de resolver. Um dia, nesse ano de 2008, a politica levou a melhor e foi cancelado. E é por isso que andam a rolar em sítios tão estranhos como o Deserto do Atacama. 

Sim, hoje, as coisas estão "caramelizadas", no sentido de não há perigo de se perder no deserto, como havia nesses tempos. É certo que o risco de morte está lá, especialmente entre os motards, mas ver perder alguém no deserto do Atacama é uma inverosimilhança tão grande como ver dragões de Komodo nas Ilhas Galápagos. Claro, há iguanas, mas não é a mesma coisa. É isso onde quero chegar: o Dakar conseguiu viver depois de você, mas perdeu um pouco da aura. Não para em Dakar, para este ano em Lima, a capital do Peru, e pelo que me contam, vai acabar em Santiago do Chile no ano que vêm. Qualquer dia, caro Thierry, ainda vou ver o Dakar a acabar em Las Vegas. Era isso que tinha em mente quando o criou? Duvido, e não sei se seria capaz de o ver noutro continente. Fazer um rali diferente, sim, mas não o Dakar.

Pessoalmente, fico com a sensação de que usar o nome "Dakar" mais parece ser um engodo para atrair trouxas, provavelmente os mesmos que ainda acreditam que o Dakar voltará alguma vez a África. Acho que deverá voltar, mas não deverá ser nos meus tempos. Enquanto existir confusão naquela parte do Norte de África, não deverão voltar para lá. E depois, fico com a sensação que os organizadores fartaram-se daquilo. Não sei se concorda com a minha ideia, mas é assim que vejo.

Caro Thierry, se for daqueles que acha que o essencial era ter um "rally-raid" que fosse fiel à frase que disse certo dia, de que "era um desafio aos que partem, um sonho para os ficam", pois digo de uma certa forma que o objetivo está a ser cumprido, pois apesar das equipas de fábrica, ainda continuam a vir os amadores e os loucos para fazer este rali. E se calhar, de onde você estiver, até deve estar feliz por saber que nesse aspecto, a essência está lá, independentemente do continente. Pois enquanto existirem os aventureiros e os loucos a quererem fazer parte deste "rally-raid" absolutamente esgotante, você já ganhou a eternidade. 

Não o incomodo mais no sitio onde está. Certamente deve estar a ver o que se passa por estas bandas. E provavelmente contente por ver que a prova continua, dê por onde der, noutro continente. Abraços e até um destes dias, algures nesse grande universo desconhecido, tão misterioso como o deserto que aprendeu a a gostar e a respeitar, e que quis que um dia repousassem as suas cinzas. Conseguiu isso tudo. 

Youtube Dakar Classic: O desabafo de Robby Gordon

Robby Gordon é definitivamente um homem para o qual vale a pena ver o Dakar. O seu Hummer é enorme, e é capaz do melhor e do pior, tal como o piloto de 43 anos, que tem uma extensa carreira no automobilismo, e que já guiou todo o tipo de carros, desde a CART até á NASCAR, passando, claro, pelo "rally-raid". E desde há anos que quer ganhar o Dakar, para demonstrar a resistência do "tanque" perante as máquinas europeias e japonesas.

Só que este ano tem uma polémica atrás das suas costas. Na quarta-feira, a organização decidiu desclassificá-lo devido a alegadas irregularidades no seu motor, depois de queixas provenientes da Mini X-Raid, que vieram ao Dakar dispostas a "mamar tudo", ou seja, monopolizar o pódio e dar a vitória ao seu líder, o francês Stephane Peterhansel. Só que Gordon apelou da decisão e enquanto nada se decide, deixaram-no correr. E no final da etapa de hoje, que ganhou com folga, Gordon saiu feliz do carro e disse das boas de Peterhansel e Nani Roma, "american style": "You can kiss my ass!" 

Dakar 2012 - Dia 11

A dois dias do final do Dakar, na etapa de hoje entre Arequipa e Nazca, o homem do dia foi Robby Gordon, que fez um "tempo-canhão" com o seu Hummer, ficando a mais de 15 minutos na frente do russo Evgueny Novitsky, o segundo classificado.

Giniel de Villiers (Toyota) ficou em terceiro, mas já a mais de 22 minutos, com o holandês Bernhar Ten Brinke, no seu Mitsubishi, que foi o quarto mais rápido do dia, ficando logo à frente do Mini de Nani Roma, que não capitalizou grandemente com as dificuldades também sentidas pelo líder da geral, Stéphane Peterhansel, que foi sétimo com o seu MINI, perdendo cerca de três minutos para Roma.

Mas Gordon, que passa por contestação devido a irregularidades no motos e que levaram a uma desclassificação inicial, que recorreu e está a ser apreciado, quando chegou ao final da etapa, em Nazca, soltou o verbo: "Hoje provei que os Mini são para meninas, e deixei-os a mais de vinte minutos.", começou por dizer explicitamente para quisesse ouvir.

Depois justificou: "O meu carro é o mesmo do ano passado e o sistema que eu tive no ano transato é o mesmo que foi aprovado pelos Comissários Técnicos. Não há qualquer entrada de ar adicional e pelos vistos mudaram de ideias! Estou completamente lixado com o Stéphane e com o Nani que questionaram a minha honestidade, dizendo que eu sou um trapaceiro. Mas hoje dei-lhes um pontapé no c*.", referiu Robby Gordon. 

Quanto aos pilotos nacionais, o piloto do Mini X-Raid, Ricardo Leal dos Santos ficou na 9ªposição. "Os carros que abriam a pista e onde nós estamos incluídos, foram desta vez traídos pelo facto de as motos terem optado por um traçado entre dunas que não era nada favorável aos automóveis. Numa zona de dunas pouco espaçadas entre si, foi difícil progredir sem atascar ou cair em buracos. Se juntarmos a isso uma tempestade de areia que nos limitou a visibilidade, é obvio que o dia foi muito complicado", referiu Ricardo Leal dos Santos à chegada a Nazca.

Já Carlos Sousa ficou imediatamente a seguir, na 10ªposição, com o piloto da Great Wall a ter de abrandar o seu ritmo devido a problemas físicos sofridos pelo seu navegador, Jean-Pierre Garcin. "Começámos muito bem a etapa, mas depois tive que mesmo que levantar o pé porque o Jean-Pierre começou a sentir-se muito mal, queixando-se de fortes dores no pescoço e na cabeça, ainda devido às mazelas do choque de ontem na duna. Por momentos, cheguei a pensar que teríamos que desistir, mas lá conseguimos continuar, embora a um ritmo bem mais lento que na primeira parte da especial", começou por contar Carlos Sousa à chegada ao acampamento de Nazca.

"Sem notas, acabei por errar um cruzamento e fazer mais 7 km para a frente e para trás, o suficiente para chegar às dunas já depois dos primeiros camiões e quando a areia já estava muito destruída. Enfim, mais um dia para esquecer e que só acabará agora no hospital, onde o Jean-Pierre vai ser examinado pelos médicos para saber se poderá continuar em prova", concluiu o piloto da Great Wall.

Nas motos, continua o deuelo "Després versus Coma", imune ao mau tempo. O espanhol venceu hoje e voltou ao comando da prova, agora a um minuto e 35 segundos a Cyril Després, numa classificativa onde ele foi sempre um dos mais rápidos, conseguindo um ritmo elevando. No final da etapa, que ganhou, deixou o francês a três minutos e 57 segundos e recuperou a liderança. Outro espanhol, Joan Barreda Port, aos comandos da sua Husqvarna, ficou no segundo lugar, a dois minutos e 43 segundos de Marc Coma, enquanto Jordi Villadoms, na sua KTM, foi o terceiro melhor, a três minutos e dez segundos. 

Cyril Despres foi o quarto melhor de hoje, ficando à frente de Paulo Gonçalves, que perdeu cinco minutos e 25 segundos aos comandos da sua Husqvarna, mas continua a tentar recuperar posições após a sua penalização de seis horas que arruinou a sua corrida. Ruben Faria, no seu KTM, foi o sexto no dia de hoje, perdendo sete minutos e 25 segundos, mas também recupera em relação ao dia de ontem. Hélder Rodrigues, na sua Yamaha, foi o sétimo melhor hoje, perdendo sete minutos e 31 segundos para o vencedor. Ainda assim, o seu lugar no pódio permanece seguro, já que Villadoms está a mais de 25 minutos de Rodrigues, ao passo que o português está já a uma hora, 13 minutos e 49 segundos do líder da prova.

Amanhã, motos, carros e camiões farãso a etapa entre Nazca e Pisco, no total de 375 quilómetros, 275 dos quais em especial cronometrada. E o Dakar está a chegar ao fim, com nada ainda decidido.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O novo incidente de Robert Kubica, contado pelo jornal i

Uma coisa que gosto do jornal i é que tem um boa seção dedicada ao automobilismo. E de vez em quando nos brinda com um bom artigo sobre Formula 1 ou ralis, não ficando de lado sobre o que se passa no mundinho fechado que é a categoria máxima do automobilismo. E claro, não passou em claro, nesta sexta-feira 13, a primeira das três que vão acontecer em 2012, o acidente que Kubica teve nesta quarta-feira, em que escorregou no gelo e fraturou a parna em mais um sitio, obrigando-o a atrasar a sua recuperação.

Eis o artigo na sua íntegra, assinado pela jornalista Cátia Bruno, e onde se fala das hipóteses que Kubica tem para a temporada de 2013 na Ferrari, por exemplo, e dos vários acidentes que teve ao longo da sua carreira.

“PARTE UMA PERNA!" O DESEJO DE BOA SORTE QUE KUBICA NÃO QUER OUVIR

 Por Cátia Bruno, publicado em 13 Jan 2012 - 03:10 | Actualizado há 12 horas 40 minutos 

Robert Kubica estava em recuperação acelerada depois do acidente que lhe causou fracturas em várias zonas do corpo. Agora uma nova fractura numa perna pode afastá-lo de vez 

Robert Kubica é provavelmente o piloto mais azarado da Fórmula 1. A 6 de Fevereiro do ano passado, Kubica, o primeiro polaco a competir na F1, teve um grave acidente. Foi logo no início do rali de Ronde di Andora que o piloto chocou contra uma parede da igreja de San Sebastiano e depois se enfaixou contra um rail. Uma hora para conseguir ser retirado do carro, uma grande perda de sangue, múltiplas fracturas na perna, no braço e na mão direitos. A mão era, aliás, o grande motivo de preocupação de todos, por poder impedir o piloto de voltar a conduzir. 

Dois meses e muitas operações depois, Kubica saía do hospital. Seguiram-se vários meses de recuperação, mas em Novembro já se falava no regresso às pistas. O contrato com a sua equipa, a Lotus Renault, terminava em Dezembro. Os rumores de que tanto a Ferrari como a Red Bull estavam de olho no piloto, bem como o facto de ainda precisar de mais meio ano para recuperar de vez, ajudaram-no a optar por terminar o seu vínculo com a Renault. “Foi uma decisão muito difícil de tomar, mas é a mais razoável”, declarou Kubica. “Mesmo tendo trabalhado muito, muito a fundo nas últimas semanas, cheguei à conclusão que não sei se estarei preparado para a temporada de 2012.” E assim acabou a relação de dois anos com a equipa. 

Mas os ventos pareciam estar mesmo a mudar. As recentes declarações do piloto da Ferrari Fernando Alonso, afirmando que Kubica é o melhor piloto de toda a F1, e a má temporada de Felipe Massa (o outro piloto da Ferrari) faziam crer que Robert Kubica podia estar mesmo na mira da equipa italiana. Um bocadinho de sorte para compensar o azar fazia acreditar que o universo começava a equilibrar as coisas para Kubica e havia rumores a circular de que o polaco já tinha assinado contrato para 2013. 

Mas havia outros prenúncios, e nem todos eram bons. E as declarações de Stefano Domenicali, director desportivo da Ferrari, a semana passada, pareciam precisamente um prenúncio de que talvez o destino do polaco não fosse a Ferrari. “O Robert é um grande piloto, mas teve lesões muito graves e ainda está a trabalhar para voltar à vida normal. Precisamos de esperar para ver”, declarou o dirigente. “Este tipo de lesões exige muito tempo de recuperação.”

E eis que, uma semana depois destas afirmações, Kubica parte de novo a perna direita, deixando ainda mais afastada a possibilidade de voltar às pistas em 2012. Coincidência? Azar? Chamem-lhe o que quiserem. Certo é que o piloto ia a caminhar numa rua perto da sua casa em Pietrasanta, Itália, quando escorregou no gelo que se formava no pavimento. Levado para um hospital em Versilia, as radiografias revelaram pouco depois que Robert tinha fracturado de novo a tíbia da perna direita, exactamente no mesmo sítio que no acidente de Fevereiro. Um azar dos grandes. O piloto pediu de seguida para ser transferido para o centro hospitalar de Pietra Legure, onde esteve internado depois do acidente. A BBC já adiantou que Kubica terá de ser novamente operado, para introduzir um parafuso um pouco acima da anca e depois ficar com a perna engessada durante um mês. 

Com ou sem superstição, parece difícil não considerar Robert Kubica um dos pilotos mais azarados que a Fórmula 1 já viu.

Argentina 1957: o começo do quinto campeonato de Fangio

(...) Dada a distância entre a Europa e a América do Sul, e a dificuldade em chegar até lá, somente as equipas italianas, Maserati e Ferrari, fizeram a viagem, deixando BRM e Vanwall no frio europeu, preparando-se para a temporada que aí vinha. E durante este tempo de ausência, a grande novidade tinha sido a passagem de Juan Manuel Fangio da Ferrari para a Maserati, que apresentava nessa temporada uma nova evolução do seu modelo 250F. Stirling Moss tinha assinado pela Vanwall, mas como esta não tinha vindo à Argentina, decidiu correr num Maserati oficial. (...)

(...) A corrida começa com Behra a surpreender Fangio e Moss, ficando na frente nas primeiras duas voltas, até ser passado por Castelloti. Behra pressionou-o até voltar à liderança, na volta nove. Após isso, começou a ser pressionado por Peter Collins, que o passou na 12ª volta e manteve-se na liderança.

Contudo, os Ferrari sofriam com as suas embraiagens. Na volta 26, a de Collins cedeu e o comando tinha caído nas mãos de Juan Manuel Fangio, que tinha acabado de passar Behra. Atrás, Castellotti tinha perdido o terceiro lugar devido a um despiste. Hawthorn acaba por o herdar e começou a ir atrás dos Maserati, mas acabou por para na volta 35 devido a sua embraiagem defeituosa. O mesmo passaria depois com Luigi Musso, mas não com Peter Collins, que andava com o carro de Perdisa.

Na frente, Fangio e Behra andavam juntos, com Castelotti a tentar aproximar-se deles, mas na volta 75, uma das suas rodas solta-se e acaba por desistir. Mal se sabia que este iria ser a última corrida de Castelotti, pois iria morrer dois meses depois, em testes no circuito de Modena. (...)

Enquanto que a Europa passava frio, no calor austral da Argentina, máquinas e pilotos preparavam-se para começar o ano automobilistico. Apesar de Fangio ter sido campeão do mundo pela Ferrari, não gostava das atitudes do "Commendatore" e rumou para o ambiente mais amistoso da Maserati, que tinha modificado o seu modelo 250F para que fosse mais competitivo, perante a ameaça da Ferrari e dos britânicos BRM e Vanwall.

A corrida não foi fácil, devido ao calor, mas Juan Manuel Fangio levou a melhor sobre Jean Behra e conseguiu vencer em casa. Os Ferrari sofreram um descalabro nesta corrida, fazendo com que os Maserati ficassem com os quatro primeiros lugares. E mal Eugenio Castelotti e Alfonso de Portago sabiam eles que esta viria a ser a sua última corrida na Formula 1... o resto da história podem ler hoje no Portalf1.com.