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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Youtube Formula One Video: A história da USF1, a aventura americana de 2010

O Josh Revell lembrou-nos hoje, no seu mais recente video, sobre a temporada de 2010, ou seja, há quase década e meia. Foi o ano onde Max Mosley, o então presidente da FIA, decidiu que dez equipas era muito pouco, e queria mais três, pelo menos. Tentou fazer um "cost cap" de 40 milhões de libras, no qual, em resposta, quase todo o pelotão da Formula 1 ameaçou criar uma série paralela - foi o tempo da FOTA, Formula One Team Association - e no meio disto tudo, lá surgiram as equipas. 

Uma delas era a USF1, a equipa de Ken Anderson e Peter Windsor, que tinha motores Cosworth e que tentava fazer tudo dos Estados Unidos, chegando até a contratar "Pechito" Lopez, que era... argentino. 

Claro, foi tudo um fracasso. Até houve uma série a gozar com eles no Youtube, e pouco tempo antes de começar a temporada, só tinham um nariz para mostrar ao mundo. No final, foi um nado-morto, mas nem foram dos piores.  

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

5ª Coluna: As equipas de 2010 - As três novatas

Deveriam ter sido quatro, mas na realidade acabaram por ser três as novas equipas a entrar em acção em 2010, após o falhanço do projecto da americana USF1, de Peter Windsor e Ken Anderson. Quanto às restantes três equipas, o seu critério de selecção, ditado no inicio de 2009 pelo então presidente da FIA, Max Mosley, fez com todos andaram com motores Cosworth e caixas de velocidades da X-Trac, fazendo com que não conseguissem pontuar em alguma vez nesta temporada. Nesta semana, e em continuação dos artigos sobre a temporada 2010 da Formula 1, vou falar das três novatas e como se comportaram no seu ano de estreia.

1 - Lotus

Quando se soube do concurso, em Maio, a Litespeed inscreveu-se, tentando levar consigo o nome "Lotus" nas suas costas, um intento mal sucedido. Contudo, poucos meses depois, em Setembro, tinham o apoio de um milionário malaio, Tony Fernandes, que conseguira trazer da Proton a autorização para usar o nome da marca fundada por Colin Chapman, e pegou na estrutura da Litespeed para tentar entrar no processo de escolha, reaberto após o anuncio da saída da BMW Sauber e depois da Toyota. A Lotus/Litespeed foi a escolhida, e começaram a desenhar o carro para 2011, com Mike Gascoyne como projectista, que já estava no projecto da Litespeed.

O tempo foi curto, mas o carro ficou pronto a tempo. Entretanto, foram escolhidos como pilotos o finlandês Heiki Kovalainen, vindo da McLaren, e o veterano italiano Jarno Trulli, da Toyota, e já havia entusiasmo pelo regrersso de um nome mitico, apesar de muitos estranharem o porquê de eles terem escolhido o nome "Lotus Racing" e não o "Team Lotus". Nessa altura, poucos sabiam a razão...

Com a temporada a decorrer, a Lotus tornou-se na melhor das novas equipas, tentando depois diminuir o fosso que tinha sobre as restantes equipas, uma tarefa nada fácil, embora de uma certa forma foi conseguida, graças aos esforços dos dois pilotos e dos projectistas da casa. Sabendo desde o inicio que o objectivo de pontuar seria muito dificil, decidiram que o décimo posto no campeonato de construtores era o alvo principal, pois conseguiriam isenção nos custos de transporte dos seus carros e restante material. Isso foi conseguido.

No final da época, parecia que os esforços de Tony Fernandes em ganhar mentes e corações tinham sido alcançadas, mas a meio do ano, na altura em que estava a negociar com David Hunt os direitos ao nome "Team Lotus", a Lotus Cars interveio para aproveitar a onda e colocar em marcha um plano ambicioso de establecer a marca pelo mundo inteiro e em todas as categorias do automobilismo. Esse plano tinha sido establecido pelo suiço Dany Bahar e tinha a aprovação da Proton. Isso desencadeou uma guerra sobre os direitos do nome Lotus que decorre até aos dias de hoje, e que pode conhecer novos contornos em 2011, quando a Lotus Cars comprou a Renault e vai correr com a marca na sua carenagem, como patrocinadora. E vai correr contra a Team Lotus... com ambos a correrem com motores Renault.

Em pouco mais de um ano, de um nome mal falado até ao centro de uma guerra pelos direitos vai um grande pulo, mas esse foi o maior publicidade do que esta não poderia ter. Em 2011 veremos quatro carros usando o mesmo nome, mas com objectivos completamente diferentes.

2 - Virgin

Em Maio de 2009, quando a Manor Racing, uma equipa de Formula 3, foi escolhida no critério de selecção da FIA, muitos disseram que tinha sido uma escolha pessoal de Max Mosley, pois parecia que dentro da estrutura estavam muitos nomes dos que colaboram com a estrutura da entidade máxima do automobilismo, incluindo o próprio Mosley. No final do ano, convenceram Richard Branson, o patrão da Virgin, a envolver-se no projecto e a dar o seu nome, contratatndo Nick Wirth, que esteve quinze anos antes no projecto da Simtek. Aí, decidiu ser radical: desenhar um carro apenas por computador.

Com o projecto feito, contrataram dois pilotos, um novato, Lucas di Grassi, e outro com experiência, o alemão Timo Glock. E passados os problemas de juventude, lá partiram rumo a uma temporada honesta. Os resultados foram algo mistos: sobreviveram ao primeiro ano, mas na maior parte das vezes foram superados pelos Lotus de Kovalainen e Trulli, e perderam a batalha pessoal para ser a décima melhor equipa. Aliás, até foram superados em termos de clasificação por uma Hispania em penuria. E o resultado disso tudo foi que Richard Branson, o seu patrão, terá de se disfarçar de hospedeira num dos vôos da Air Asia, a companhia aérea de Tony Fernandes...

A próxima temporada terá de ser melhor. A equipa foi adquirida pela Marussia, uma construtora de supercarros russa, e Lucas di Grassi será substituido pelo belga Jerome D'Ambrosio. A ideia é de conseguir pontuar em 2011, mas a tarefa não é fácil, dado que com um carro com motor Cosworth e desenhado por computador, no qual muita gente ainda torce o nariz, será complicado.

3 - Hispania Racing

A Hispania viveu todo o ano de 2010 na corda bamba. Primeiro começou como Campos Meta, a equipa do espanhol Adrian Campos, ex-piloto de Formula 1 nos anos 80, e contratou logo Bruno Senna, sobrinho de Ayrton, julgando que seria um iman para patrocinios chorudos. Mas aconteceu o contrário e os pagamentos para o chassis encomendado à italiana Dallara começaram a atrasar-se. Para fazer com que a equipa alinhasse a tempo no Bahrein, entrou em cena o seu sócio José Ramon Carabante, que contratou Colin Kolles e o indiano Karun Chandhok, com dinheiro sufuciente para arrancar a época. E foi um feito e pêras: um dos chassis acabou por ser montado já no Bahrein.

O resto da época foi um calvário para encontrar patrocinios. Com Colin Kolles a cuidar da equipa e José Carabante com dificuldades para injectar dinheiro, dado que a Espanha vive em crise e ao qual a sua empresa de construção civil não foi imune, Voltou-se à situação de meados da década de 90: recurso a pilotos pagantes para pagar as contas. Foram quatro os pilotos que lá passaram: Bruno Senna, Karun Chandhok, Sakon Yamamoto e Christian Klien. Cada um fez o melhor, mas o dinheiro só deu para pagar as contas e não para desenvolver o carro.

Conseguiram levar tudo a bom porto, mas o futuro é cinzento. Não há instalações adequadas para desenvolver o chassis, depois do negócio com a Toyota ter sido abortado por falta de pagamento, e Colin Kolles tem de confiar em Geoff Willis para desenhar um chassis novo, adaptando o Dallara deste ano aos novos regulamentos, e depois arranjar novos pilotos, de preferência pagantes, para dar à equipa mais um balão de oxigénio para 2011. Se é que eles alinharão a tempo na primeira corrida do ano...

Por esta semana é tudo. Na semana que vêm, encerrarei o capitulo das equipas de 2010 falando sobre as quatro maiores. Até lá, Bom Natal!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Noticias: Peter Windsor quebra o silêncio

No mesmo dia em que Nick Heidfeld começou a fazer no circuito italiano de Mugello os testes da Pirelli para a temporada de 2011, num chassis Toyota TF109, e quando se sabe que o anuncio da 13ª equipa para pode acontecer a qualquer momento, Peter Windsor, o homem que deu cara, em conjunto com Ken Anderson, pelo falhado projecto da USF1, quebra o silêncio para justificar o fracasso da mais recente aventura americana. Numa entrevista à revista GP Week, Windsor afirmou que existiu a hipótese de comprar chassis da Toyota, mas que não a fizeram porque "na realidade, isso não seria a USF1".

"Desenhar e construir o monolugar fazia parte integrante do projeto da USF1. Muitas pessoas dizem, olhando para trás 'vocês deveriam ter feito o acordo com a Toyota ou o acordo com este ou aquele'. A realidade é que isso não seria a USF1. Em retrospetiva, sim, teria sido melhor do que não fazer nada. Um dos problemas que havia é que não era apenas o chassis que estava na oferta. O motor da Toyota também fazia parte do pacote. E, naquele momento, nós estávamos sob contrato com a Cosworth", declarou Windsor, em declarações captadas pela portuguesa Autosport.

Questionado sobre o momento em que se aprecebeu que o carro não estaria presente no Bahrein, Windsor afirmou que só foi no último momento: "Nunca houve um momento em que eu não pensasse que isso acontecesse até que aconteceu. Aprendi na vida que se deve sempre lutar e dar o máximo. Dentro das nossas possibilidades, fazemos sempre o nosso máximo para que tudo aconteça. A maior parte das pessoas que eu conheço no automobilismo são assim: nunca desistem até que tudo esteja acabado".

"Como disse, nunca sequer contemplámos essa hipótese [de comprar o chassis externamente]. A primeira vez que o Ken Andersson falou comigo acerca da ideia da USF1 foi logo após a desistência do David Richards [Prodrive] de aceitar a vaga de 12ª equipa. O David rejeitou [a vaga], penso, porque queria que a McLaren construísse os seus carros. A origem da nossa equipa era, portanto, 180 graus oposta - tínhamos de construir o nosso próprio carro. Tornou-se claro, após os problemas do David, que este era o futuro da Formula 1: cada equipa teria de projetar e construir o seu próprio carro. Esse era, portanto, o nosso objetivo desde o primeiro dia, também com a ideia de que queríamos fazer com a nossa tecnologia algo que pudéssemos tornar popular e vender. Algo único e divertido", acrescentou.

Quando lhe perguntaram acerca da hipótese de voltar a integrar uma nova equipa, Peter Windsor é claro: "Se fosse a conjuntura certa - o grupo de pessoas adequadas e o momento certo - de certeza que sim. Por tudo isso, fiquei muito admirado com a decisão tomada pelo Nicolas Todt [ART]. De todas as pessoas que conheço, ele está em posição perfeita para iniciar uma equipa de Formula 1. Se não o faz é porque pensa que a Formula 1 ainda tem um longo caminho a percorrer - e se há alguém capaz de julgar isso é o Nicolas. Não se esqueçam que colocámos de pé a USF1 na fase pré-recessão, pré-teto orçamental e antes da divisão FIA-FOTA. Agora, o mundo está muito diferente. Agora, até as equipas do meio da tabela têm dificuldades em encontrar apoios, quanto mais as novas equipas", concluiu.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

USF1 - A sátira (mershandising)



A saga da USF1 já acabou, de uma certa forma. Mas o pessoal que andou o tempo todo a gozar com a equipa ainda teve tempo para dar uma última risada. Como? Fazendo o seu prório marketing. E com as unicas coisas que "fizeram" durante o tempo de duração da equipa... para além do tal bico que mostraram. As torradeiras.

Para verem e comprarem a tal t-shirt, vão para http://www.motorsportinprint.com/tailenders A ideia para comprar é, segundo eles "providenciarem uma desculpa para voltarem à carga".

quarta-feira, 24 de março de 2010

Pequenas noticias (e rumores) do dia

Num dia sem grandes novidades, juntei uma série de pequenas noticias que merecem referência por aqui. Umas servem mais para alimentar rumotes, outras são mais declarações de intenções do que outra coisa, mas que fazem a actualidade automobilistica. Assim sendo, eis as mais importantes:

1 - Button preocupado com horário do GP da Austrália

O GP da Austrália, que no ano passado começou mais tarde devido a ter um horário mais condizente com a audiência europeia, vai ser este ano antecipado em meia hora, devido às queixas dos pilotos de que a posição do sol em certas curvas tinha afectado a sua visão. Mesmo assim, alguns pilotos, como Jenson Button, continuam a criticar a medida:

"Parece bonito mas não é. Pode ser perigoso se o Sol nos bater nos olhos e ficarmos sem saber para onde vamos. Ainda assim, prefiro correr de dia, mesmo no final do dia, do que competir à noite", afirmou o campeão do mundo à agência Reuters.

A corrida australiana começará às 17 horas locais, 8 horas de Lisboa.

2 - Mark Webber pode reformar-se no final do ano?

Os rumores sobre a mudança de pilotos na Red Bull não são novos, e envolvem sempre o nome de Kimi Raikonnen, que este ano está no Mundial WRC de Ralis pela Junior Team da Citroen. Hoje voltaram em força devido a uma declaração de Lewis Hamilton, afirmando que Mark Webber, seu amigo pessoal, poderia aproveitar o fim de semana australiano para anunciar o abandono da competição no final da temporada, altura em que termina o seu contrato com a equipa de bebidas energéticas.

"Não sei quanto tempo mais ele planeia ficar na Formula 1, mas tenho a sensação que ele quer parar enquanto está no top, e não ficaria surpreendido se ele o estivesse a considerar.", referiu Hamilton. Quer o piloto australiano, quer a própria Red Bull, não responderam a estas declarações.

3 - FIA vai multar USF1

O projecto falhado da USF1 ainda dá que falar. Depois de, claro, terem se rendido às evidências e não conseguido alinhar na temporada de 2010, a FIA decidiu punir os responsáveis pelo embaraço causado. apesar de ainda não se saber o valor da multa, fontes da FIA afirmam que a punição, a ser decidida em breve, poderá ser alta e também servirá para impedir a equipa de se envolver no processo de selecção que foi aberto pela entidade federativa.

Quanto a Ken Anderson e Peter Windsor, os homens que deram a cara pelo projecto, encontram-se incontactáveis desde há várias semanas a esta parte. E provavelmente não teremos mais noticias deles nos próximos tempos...

4 - Epsilon Euskadi vai candidatar-se para 2011

Depois de se saber que a FIA abriu o concurso para a 13ª vaga para 2011, alguns dos candidatos preteridos no ano anterior afirmaram que iam tentar de novo a sua sorte. Uma delas é a Epsilon Euskadi, estrutura sediada no País Basco, chefiada por Joan Viladelprat e cujo designer-chefe é outro homem com experiência de Formula 1, Sergio Rinland.

No momento, a equipa espanhola procura patrocinadores que estejam interessados em parcerias para só depois candidatar-se a uma vaga para 2011, cujo processo de entrega termina no próximo dia 15 de Abril. E a decisão oficial só será anunciada em Julho pela FIA.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Acabou. Pelo menos em 2010...

A Speed Channel afirma desde ontem que a USF1, a equipa de Ken Anderson e Peter Windsor, pediu um adiamento da sua entrada para 2011. Em muitos sitios isso significa adiar... para, se calhar, não mais voltar.

De uma certa maneira, é o final da novela. Depois de ter sido motivo de chacota na Internet, pelo facto de mostrarem tudo menos um chassis, à medida que os dias passavam, não se mostrava nada. Para piorar as coisas, o seu unico piloto, o argentino Jose Maria Lopez, somente conseguiu dois dos oito milhões de dólares que tinha sido prometido. E como medida de desespero, tentou a fusão, primeiro com a Campos, e depois com a Stefan GP. Mas não deu em nada. E em principio, a Formula 1 começará em 2010 com 24 carros, já que tudo indica que a Campos, equipa de Bruno Senna, alinhará no Bahrein.

A equipa foi-se, aparentemente. Mas providenciou-nos umas boas risadas, não?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

5ª Coluna - Sobre a novela das novas equipas

A semana foi toda a falar sobre este mesmo assunto: as novas equipas de Formula 1. Desde segunda-feira que leio os vários artigos sobre a capacidade das duas equipas inscritas, a USF1 e a Campos Meta, com a “pirata” Stefan GP a espreitar, agora que cancelou o seu teste que deveria fazer a partir de hoje no Autódromo de Portimão. Após na terça-feira, o comunicado da Ferrari ter “apenas” verbalizado aquilo que muitos falavam numa surdina com cada fez maior volume, à medida que se liam os capítulos das aventuras das únicas equipas inscritas que não fizeram qualquer teste, achei por bem falar sobre isso, mas depois dos outros. Porquê? Para dar tempo para reflectir.

Agora que as coisas assentaram de uma certa maneira, vou dar a minha opinião sobre o assunto. É mais um, e este é um assunto que já refiro desde há algum tempo, mas pelos vistos continua a ser actual.


Max Mosley – o causador destes sarilhos


Disse não há muito tempo que a escolha das equipas para 2010 foi tudo menos técnica. Quando Max Mosley abriu o processo de selecção das equipas, queria a todo o custo implementar um sistema de tecto salarial, onde as equipas não poderiam gastar mais do que uma certa quantia, primeiro 30 milhões, depois 40 milhões. A FOTA barafustou, e com alguma razão, afirmando que as somas não eram só ridículas, mas como abria o precedente de atrair projectos mais ou menos duvidosos, cuja capacidade financeira era baixa, e para piorar as coisas, os tempos eram de crise.

Como as coisas andavam nessa altura, cogitei a hipótese: como seria o momento actual caso a cisão de Junho tivesse ido por diante? Muito provavelmente por esta altura, a Formula 1 da FIA não existia. Mesmo que Williams e Force Índia se mantivessem fiéis, não iriam correr apenas com Virgin e Lotus, numa mirrada grelha de oito vagas, enquanto que na Formula FOTA estaria provavelmente o grosso das equipas, com um calendário feito à medida deles, numa grelha algo pequena, mas capaz de assegurar a sua sobrevivência pelo menos a curto prazo, pois provavelmente a longo prazo, aquilo que teria sido outrora a categoria máxima do automobilismo estaria em pedaços, com feridas profundas cuja cicatrização demoraria anos nas barras dos tribunais e algo mais…

Portanto, o pior cenário foi evitado. Mas partes dos estragos já tinham acontecido: BMW e Toyota retiraram-se da competição no final da época passada. A Renault desinvestiu na sua estrutura de Formula 1 e “sub-alugou” cerca de 75 por cento da sua estrutura à Genii Capital, mantendo o nome no chassis e pouco mais. Isso fez com que a nova estrutura decidisse escolher um piloto pagante para o lugar ao lado de Robert Kubica, e essa escolha recaiu (foi mais aquele que pagou mais pelo lugar…) o russo Vitaly Petrov. A estrutura da Toyota foi alegadamente comprada pelo “pirata” Zoran Stefanovic para que ele pudesse construir a sua misteriosa “Stefan GP” que tem como um dos seus colaboradores, o “maldito” Mike Goulghan. Mas sem autorização para correr o Mundial de Formula 1, apesar das ajudas de Bernie Ecclestone para a meter dentro, mas ao arrepio das opiniões das equipas FOTA. Não admira que a Ferrari esfume a sua fúria italiana sobre estes acontecimentos…

Mas o comunicado da Scuderia também diz outra coisa: é um aviso às novas equipas que a categoria máxima do automobilismo não é mais do que um “Clube Piranha”. Só por aí elas deveriam ter ficado de pé atrás, ainda mais nesta época de crise económica muito forte. Max Mosley, na sua cega busca pela sua verdade, colocou as novas equipas como “peões” do seu maquiavélico plano para subordinar as equipas da FOTA, dividindo-as e derrotando-as, levando a sua adiante. Tinha acontecido no passado, mas em 2009, as coisas foram diferentes. E quando mostraram os seus dentes afiados, mostrando até onde iam na sua determinação é que Mosley se retirou de cena, dando a vez a Jean Todt para que dome o aquário ainda agitado das equipas de Formula 1.

E as novas equipas, claro, tem a sua quota-parte nesta história. Se Virgin e Lotus são profissionais e fizeram tudo como deve de ser, já a Campos e a USF1 fizeram relembrar as historietas de equipas como Life, Andrea Moda, Coloni, Lambo e outras, nos finais da década de 80, inicio dos anos 90, quando existiam as pré-qualificações. Equipas com meia dúzia de mecânicos, dirigidos por amadores lunáticos do género Jean-Pierre Van Rossem, o homem por detrás do projecto da Onyx, que durou um ano e deu cinco pontos e um pódio a Stefan Johansson. Poucos aguentaram mais do que dois anos, porque logo no primeiro, a sua reputação tinha sido devorada até ao osso. Como fazem as piranhas em relação à carne tenra, não é?



Campos e USF1 – Exemplos de não montar uma equipa de Formula 1


A USF1 e a Campos são duas estruturas feitas por personagens que há anos tentam montar a sua equipa de Formula 1, que são vistos pelos “insiders” da matéria como personagens detestáveis. Segundo alguns, Peter Windsor é capaz de vender a sua mãe para ver se consegue montar a sua equipa. Já não é a primeira vez que se envolve nisto. No final da década de 80, tentou comprar, em ocasiões separadas, a Brabham e a Onyx. Chegou até a meter estas empresas em tribunal, e a sua personalidade no “paddock” também não ajuda muito… Quanto a Adrian Campos, esteve envolvido no projecto da Bravo F1, no final de 1992, onde chegou a inscrever Jordi Gene, mas no final desse ano, os planos foram por água abaixo devido à falta do vil metal, entre outras coisas… Com estes “cartões de visita”, não se pode ficar muito surpreso acerca das dificuldades que ambas as equipas passam agora.

No caso da Campos, a coisa resolveu-se com a venda da equipa a um dos sócios, José Manuel Carabante, depois de Tony Teixeira ter tentado comprar uma parte. Como não tem dinheiro (senão a A1GP ainda existiria, não é?) Carabante foi buscar Colin Kolles para fazer algo menos do que um milagre: montar uma equipa de Formula 1. Chassis, motor e caixa de velocidades existem, bem como um piloto de Formula 1, Bruno Senna. Mas falta o resto, desde um conjunto de mecânicos até um segundo piloto. Em suma, em cima dos prazos, em cima do joelho, vai-se tentar montar uma equipa.

Quanto à USF1, vamos ser honestos: só com uma varinha de condão é que estarão no Bahrein. A Autosport inglesa mostrava ontem na sua edição que as coisas foram feitas de forma muito amadora, no mínimo. Não havia planos em termos de construção de chassis e outros componentes, por exemplo. Afinal, os “sketchs” cómicos que via no Youtube tinham um fundo de verdade!

Fico com a sensação que o grande financiador do projecto, Chad Hurley, foi enganado por senão os dois, pelo menos por um burlão, o tal que já falei antes. Há agora rumores que ele pode ter ido para a Campos, mas provavelmente acho que ele vai mas é pensar duas vezes antes de aplicar o seu dinheiro, e afastar-se da Formula 1 o quanto antes.


Por fim, que é que iremos ver no Bahrein?


Das quatro equipas, duas apresentaram os seus chassis e pilotos. Virgin e Lotus são duas equipas melhor estruturadas, com os seus próprios chassis e motores Cosworth. Em termos de testes, fizeram a sua parte, tentando resolver os problemas de juventude, quer do chassis, quer do motor. Mas muitos temem que estes carros estejam a preencher os últimos lugares da grelha, dado que nos testes tiram tempos por vezes três segundos mais lentos do que os carros da frente, como McLaren, Ferrari e Red Bull. Mas os testes pouco indicam, pois não sabemos as condições que os tempos foram tirados. Somente em situação de corrida é que se verá.

Mas segundo a Ferrari, duvidam da sua resistência e da sua capacidade de desenvolvimento. Acham que o chassis da Virgin é demasiado frágil (
o episódio do nariz desfeito em Jerez não passou despercebido) e apesar de não dizer muito mal da Lotus, ficam de pé atrás.

Com todo este novelo, as coisas pioram quando se circula desde há umas semanas o rumor de que existe uma espécie de cláusula que permite às novas equipas faltar a algumas corridas, umas três, até poderem apresentar o seu chassis. Como o Acordo de Concórdia nunca foi divulgado em público, as especulações são muitas. Mas passados estes dias, o que se percebe é que não é mais uma manobra, provavelmente de Bernie Ecclestone, para colocar as equipas FOTA perante um conjunto de factos consumados, desde a falha da USF1 ou Campos (ou os dois) até à entrada da Stefan GP. Em ambos os casos, seria um enfraquecimento da associação, a favor do “quero, posso e mando” de Bernie Ecclestone. Como é que isto se resolve? Se for à boa maneira da FOTA, cujo porta-voz não oficial é a Ferrari, nenhuma delas deve entrar, e a temporada de 2010 vai começar (e talvez continuar) com 22 carros.

Em suma, o que vemos por aqui é o fracasso de uma certa politica, imposta de cima, com o acordo de ninguém. A ideia que transformar a Formula 1 numa categoria quase de monoposto, com motores iguais, limitação de rotações (excepto, curiosamente, os Cosworth…) onde teriam de gastar à volta de 30 milhões de libras por ano, mostrou-se como uma ideia ridícula. Com equipas como a Ferrari a gastar uma soma dez vezes mais do que o proposto, esta ideia entrava em colisão com aquilo que a FOTA queria. E quando viram estruturas profissionais como a Prodrive e a Épsilon Euskadi serem preteridas em favor de estruturas quase amadoras, elaboradas por aventureiros e sonhadores, só porque aceitaram os ditames de Mosley para ter motor Cosworth e caixa de velocidades XTrac, a FOTA sabia que isto era uma receita para o desastre.

E o mais interessante é ver que a única que pode safar direito pode ser a última das equipas aprovadas, a Lotus, cujo processo de avaliação aconteceu em Setembro, alguns meses depois da aprovação de duas das três equipas cuja situação é no mínimo, periclitante. Agora, a menos de três semanas do primeiro Grande Prémio da época, temos duas equipas que Bernie Ecclestone diz desde Dezembro que não serão capazes de alinhar, perguntamos: para quê é que foram escolhidas? Essa tem uma resposta fácil.

Pensava eu que os tempos de equipas como Life, Coloni, Andrea Moda ou Lola tinham passado de vez. Afinal, parece que não. Mas nós sabemos a quem devemos culpar por esta embrulhada que a Formula 1 vive nestes últimos tempos. Até para a semana!


P.S: O Luis Iriarte, do Formula 1 A.L.C, já colocou no seu blog a versão espanhola deste artigo. Se estiverem curiosos para saber como ficou, podem ver aqui.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Pode ser louco, mas tem fundo de verdade!

Já sabia que a Campos Meta tinha "ido à vida" (apesar de ontem ter ouvido rumores de que um acordo com Colin Kolles estaria muito próximo de acontecer), mas esta madrugada li algo que, de tão louco que é, até pode ser real.

A história foi contada primeiro pelo Becken Lima, no seu F1 Around (alguns tentam descredibilizá-la, mas acreditem, é mesmo muito bom para ler a veracidade dos rumores) e depois foi corroborada por outra personagem bem competente, o Mike Vlcek, do Formula UK. A história envolve as duas equipas com mais dúvidas no campeonato, USF1 e Campos e uma que quer entrar a todo o custo, a Stefan GP.


Ontem surgiu a noticia de que a sede da USF1, em Charlotte, vai ser vendida por um preço base de 3 milhões de dólares. A equipa de Ken Anderson e Peter Windsor afirmou não estar preocupada, pois diziam que somente eram um dos arrendatários daquele edificio, e nada mais. Mas nas horas que se seguiram, as coisas podem ter-se precipitado.


O Becken fala na história escrita por um senhor alemão, Dieter Rencken de seu nome, que escreveu-a no site alemão Motorsport Total. Fez aquilo que qualquer jornalista deve fazer: consultar as suas fontes. Juntou dois mais dois, chegou à seguinte história: Chad Hurley, um dos fundadores da Youtube e o grande financiador do projecto USF1, desistiu de injectar dinheiro na equipa quando soube que o Type 1, o chassis da equipa, não ia ficar pronto a tempo. Daí, decidiu contactar a Dallara para comprar o chassis que inicialmente iria para a Campos, no sentido do projecto continuar, apresentando-se a tempo de correr no Bahrein.


Isso faria com que fundisse o seu projecto com a da Campos, desconhecendo-se se Bruno Senna estaria envolvido no assunto. Quanto à vaga que sobra? Ia para a Stefan GP, que colocaria Kazuki Nakajima e eventualmente, o indiano Karun Chandhok (que foi copiosamente batido por Alvaro Parente quando rodaram juntos na Ocean GP de GP2) na equipa e correriam juntos no Bahrein. Parece ficção, não parece?

Ora, a partir daqui, as coisas passam para a realidade no momento em que Herr Rencken telefona para Andrea Pontemrolli, dirigente da Dallara, que lhe responde afirmando que estava a receber naquele momento... Gunther Steiner, em ex-engenheiro da Red Bull e Paris Mullins, da Ferrari Maserati de Silicon Valley, mandatados por Chad Hurley, com o objectivo de adquirir o chassis da Dallara. Provavelmente tudo isto terá a "benção" de Bernie Ecclestone, que como todos sabem, tenta a todo o custo "enfiar" a Stefan GP no pelotão da Formula 1 em 2010.


O Becken compara a história ao "Lost", que está de novo nas bocas do mundo porque estreou agora a sua última temporada, onde todos os segredos estão a ser revelados. Será que aqui, as dúvidas e intrigas sobre estas duas equipas serão resolvidas?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Entrar na festa sem ser convidado?

Enquanto que em Valência algumas das equipas fazem os seus primeiros quilómetros de 2010, outros lutam para ter os seus carros prontos a tempo de 14 de Março, data do GP do Bahrein, no agora modificado circuito de Shakir. Mas nos noticiários de hoje domina a sdombre de uma equipa do qual nunca ouvimos falar antes, e que comprou o espólio da Toyota no final do ano passado: a Stefan GP.

A razão porque hoje esta "equipa-mistério" divide os noticiários de hoje é por dois motivos: primeiro, porque anunciou no seu sitio oficial que, mesmo sem que a FIA lhe tenha dado licença para competir no campeonato do mundo de 2010, irá estar presente dentro de um mês no Bahrein, e segundo, porque anunciou esta tarde que irá dar as suas primeiras voltas no circuito de Portimão, entre os dias 25 e 28 de Fevereiro, provavelmente com o japonês Kazuki Nakajima ao volante.

É certo que nunca ninguém no universo automobilistico ouviu falar do sérvio Zoran Stephanovic. Mas é mais certo que eles adquiriram, com a complacência da Toyota, as instalações de Colónia, cerca de 150 engenheiros, os planos do TF110, motores e eventualmente Kazuki Nakajima. Passa-me a ideia que Stefanovic esteja a fazer a mesma coisa que o pessoal da Genii Capital fez em relação à Renault: cuidar da equipa, enquanto que a construtora garante um financiamento a curto prazo, tal como fez a Honda em relação à Brawn GP. Mas aqui sabia-se com quem contar, e a solução durou uma época, finda a qual, a Mercedes adquiriu a estrutura e mudou de nome.


Tal ideia parece-me ser lógica, pois outra não me ocorre na minha mente. Se vocês têm outras ideias ou pensamentos, por favor, partilhem-nas comigo. Mas, independemtemente das "teorias da conspiração", eis um facto interessante: esta "Stefan GP" aparenta ter muito mais garantias do que as já anunciadas e "apertadas" Campos Meta e USF1, que não sabemos se estarão presentes em Shakir, daqui a seis semanas e meia...


Ah! Só mais um pormenor: entre os vários funcionários que a equipa tem, um deles destaca-se: Mike Coughlan. Ainda se lembram dele?

domingo, 31 de janeiro de 2010

Nas entrelinhas das apresentações

Passadas as emoções do dia, é altura de ler o que os outros dizem. E no mar de apresentações, ler alguns dos mais importantes da nossa blogosfera automobilistica para ver o que dizem, e descortinar as "meias palavras" deles, é um excelente exercício para olhos treinados, no sentido de descortinar o futuro próximo esta Formula 1 em 2010, no meio de uma crise sem precedentes na nossa economia mundial. O desabafo de ontem teve hoje algumas respostas, mas claro, não todas. E muito desse desabafo terá a sua conclusão amanhã.

Se repararam nas apresentações de hoje, viu-se que os flancos dos carros andam virgens de patrocínios. A Renault, tirando a Total e pouco mais, nada tem nos seus flancos. Para não falar na Sauber, que se apresentou ao mundo de forma imaculada. Em ambos os casos, são sinais de que a crise atingiu bem feio no seio da Formula 1. Duro e feio, muito feio.

Se as equipas da frente nada temem (a Ferrari afirma que vai gastar cerca de 300 milhões de euros), hoje vimos as apresentações de duas equipas ditas... do meio do pelotão. Claro, vão correr sem problemas a temporada de 2010, mas o facto de, por exemplo, a Renault ter vendido grande parte do capital e ficar-se como fornecedora de motores, para além de ter contratado um piloto com uma mala cheia de rublos (apesar de ter algum talento) é um sintoma da crise. Para além dos flancos e asas sem patrocínio...

O caso da Sauber também preocupa. Apesar de Peter Sauber ter dito que tem tudo garantido em 2010, e de Pedro de la Rosa ter apoios a rondar os dez milhões de euros para conseguir o seu lugar, aquele branco virginal parece ser preocupante. E claro, apesar da confiança, Sauber não deixou de dizer que precisa de dinheiro para garantir os anos seguintes. E quem viu o carro da Williams, no “shakedown” de Silverstone, reparará que também existem espaços por preencher. E como nos outros dois, é uma equipa do meio do pelotão, lutando por pódios.

E claro, se falo assim das equipas do meio do pelotão… imaginem as novatas.

Na semana que vai começar, haverá uma reunião da comissão da Formula 1, entre FIA, FOTA e o Bernie Ecclestone para discutir a situação das novas equipas, aceites no inicio do ano passado pelo então presidente, Max Mosley. Como sabem, essas decisões foram controversas, dado que a escolha delas foi baseada em critérios políticos do que na estrutura das várias candidaturas. A USF1 criou a sua estrutura no início desse ano e a Campos Meta, só depois da sua candidatura ser aceite é que construiu a sua. Tanto assim que o chassis, como vocês sabem, está a ser construído pela Dallara.

E das quatro, mesmo a Virgin tem problemas. O facto de ser apoiada por Richard Branson implicou não a angariação de mais patrocínios, mas sim o seu afastamento. E o facto de Alex Tai, um dos directores nomeados pela empresa, ter sido rapidamente afastado pela sua manifesta incapacidade de lidar com a equipa (substituído por John Booth, o homem forte da Manor), demonstrou também que ali existe alguma desorganização. E claro, não se pode esquecer que a equipa vai correr com um orçamento de tostões: 45 milhões de euros.

Parece que a única que navega em águas calmas é a Lotus. Que entrou como “extra”, alguns meses depois das outras três, para na altura substituir a BMW Sauber. Quem diria? Parece que vão ser os últimos a rir…

Nesta “avaliação da situação” surgiu uma possibilidade, aventada esta tarde pelo Luiz Fernando Ramos, o Ico: a FIA pode considerar que as novas equipas podem falhar três corridas em 2010, no sentido de se prepararem melhor para a sua temporada de estreia. Como sabem, das quatro novas, somente Virgin e Lotus as datas de apresentação devidamente marcadas no calendário: 3 de Fevereiro para a Virgin, 12 de Fevereiro para a Lotus. Da Campos e da USF1… nada. E como diz o Ico: “Para Bernie permitir isso, é porque a situação está muito feia”.

Mas não devo acreditar muito nisso porque… a ser realidade, o mais lógico seria deitar fora as corridas fora da Europa e estrear-se em Barcelona, por exemplo. Só que Espanha é a quinta prova do ano, depois de Bahrein, Austrália, Malásia e China. Como as novatas não tem o dinheiro das transmissões televisivas (é por isso que Peter Sauber deixou ficar a incrível denominação BMW-Ferrari no seu Sauber), perguntar-me-ia como é que eles vão arranjar dinheiro para levar os seus chassis para as outras paragens fora da Europa?

E ainda outro factor a ter em conta: a Stefan GP. Ninguém ouviu falar de Zoran Stefanovic antes do final do ano passado, quando este avançou para comprar os activos da Toyota: a fábrica de Colónia, os motores, o chassis TF110, e pelo menos 150 dos trabalhadores que a empresa tinha. E parece que também terá Kazuki Nakajima na equipa. Bernie Ecclestone quer “correr” com a Campos Meta, que aparentemente foi comprada este fim-de-semana pelo nosso conhecido Tony Teixeira, o "coveiro" da A1GP. Como expliquei ontem, Teixeira e Campos tem de explicar ao grupo da Formula 1 que tem pernas para andar. Caso contrário, a equipa pelo qual Bruno Senna espera estrear-se na Formula 1 corre o risco de ser uma nado-morta. E a Stefan GP entrar no seu lugar, se Ecclestone convencer o resto do pessoal de que eles têm pernas para andar…

Em suma: a Formula 1 mostra-se no meio de um emaranhado, com um enredo digno de telenovela mexicana. E a sofrer os efeitos da crise...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A 5ª Coluna desta semana

A 5ª coluna desta semana trata, essencialmente de dois assuntos: as apresentações da Formula 1, nomeadamente o da Mercedes, e o da USF1, que mostrou o seu primeiro piloto, o argentino José Maria "Pechito" Lopez. Para além disso, comento também o Rali de Montecarlo, que inugurou o Mundial de IRC, vencido por Mikko Hirvonen, no novo Ford Fiesta S2000.

Como de costume, deixo-vos um excerto:

"Esta segunda-feira, a Mercedes 'abriu as hostilidades' ao apresentar em Estugarda a sua nova equipa para 2010, 55 anos depois da sua despedida oficial como equipa. Com Michael Schumacher e Nico Rosberg, a Mercedes apresenta-se como uma 'National Mannschaft' sem que isso cause calafrios noutros lados. Conseguindo o regresso de Michael Schumacher, que aos 41 anos terá que provar que continua competitivo contra um pelotão com alguns elementos com metade da idade, tem ao seu lado o jovem Nico Rosberg, o fino-alemão filho de campeão, e que sairá muito a perder caso não consiga superar Schumacher. Portanto, como já disse algum tempo atrás, eis uma dupla a ser seguida muito atentamente, pois existem ingredientes potencialmente explosivos...

Mas o mais interessante de tudo é ver que na apresentação, o carro exposto com as novas cores da Mercedes foi… o BGP 001 de 2009. Pois é, o novo chassis não foi visto nesta apresentação, com Ross Brawn a preferir esconder o jogo até ao dia 1º de Fevereiro, altura em que o W01 fará as suas primeiras voltas, no circuito Ricardo Tormo, em Valência. E como acontecerá ao mesmo tempo que as outras equipas, não dará tanto nas vistas... a não ser que comecem a ficar constantemente no topo da tabela de tempos
."

Para lerem o resto, basta seguirem o link que coloco aqui.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Oficial: José Maria Lopez é piloto da USF1

Depois de muitos dias de especulação, o anuncio oficial: o argentino José Maria "Pechito" Lopez é o primeiro piloto da nova USF1, a equipa americana de Ken Anderson e Peter Windsor. O anuncio foi feito esta noite em Buenos Aires... pela presidente Cristina Kirchner, após um acordo feito entre Windsor, o secretário do Turismo, Enrique Meier, do presidente do Automóvel Clube Argentino Carlos García Remohí, e do presidente da Top Race, Alejandro Urtubey. E também com alguma contribuição do agora senador Carlos Reutmann.

"Sei que esta é uma responsabilidade muito grande e uma oportunidade única. Por isso, vou aproveitá-la ao máximo", comemorou o piloto de 26 anos. "O momento que realmente me darei conta de que sou um piloto de Formula 1 será quando entrar no carro para a primeira corrida, no Bahrein", revelou, em declarações captadas pelo site brasileiro Tazio.

"Estarei nervoso e muito tenso, mas vou desfrutar tudo isso ao mesmo tempo. Há três anos não me imaginava passando por isso. Por este motivo, vou viver esta experiência de uma maneira diferente dos outros pilotos", completou.

Já Windsor afirmou que "Pechito" Lopez era um objectivo que perseguiam desde há algum tempo: "Seguimos a sua carreira desde 2003, quando dominou o campeonato de Formula Renault V6. Estamos muito contentes por trazermos a Argentina de volta à Formula 1. O facto de ele ter regressado à Argentina e correr na Top Race após ter vivido a frustração de não correr pela Renault após três anos de testes, só demonstra a sua determinação. E o facto ter ganho 38 corridas e três campeonatos, mostra também que é uma boa escolha", afirmou.

"Pechito" Lopez tem 26 anos e nasceu em Rio Tercero, na provincia de Cordoba. Começou a correr no karting, com sete anos de idade, antes de passar para a Formula Renault 1600 em 2001. Foi campeão da Formula Renault italiana em 2002 e passou para a Formula Renault V6, que na altura era a antecessora da World Series by Renault, onde venceu a competição no seu ano de estreia. Em 2004 passou para a Formula 3000 Internacional, onde alcançou dois pódios e o sexto lugar na geral. No ano seguinte, a série muda de nome e passa a chamar GP2, e corre na DAMS, onde vence uma corrida, em Barcelona. Termina a temporada no oitavo lugar, com 36 pontos. Continua a correr mais um ano, desta vez na Super Nova, onde sobe duas vezes ao pódio e faz duas pole-positions, terminando com 30 pontos e o décimo lugar da geral.

Contudo, o seu grande objectivo era a Formula 1, e desde a sua vitória na World Series, passara a estar na Renault Driver Development, sob o olhar de Flávio Briatore. Mas no final de 2006, já não era interessante aos olhos do italiano e foi dispensado. Assim, regressou à Argentina, mais concretamente à TC 2000, onde foi campeão em 2008 e 2009. Para além disso, correu em algumas provas de FIA GT, especialmente em 2008, onde correu num Ferrari da ACA Argentina Team. E agora está na Formula 1. Pelo palmarés, pode não ser um Juan Manuel Fangio, mas deve se portar bastante melhor que o Gaston Mazzacane!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Pilotos pagantes e os orçamentos automobilisticos

A temporada de 2010 vai ser a primeira em muitos anos onde os pilotos pagantes irão aparecer em força. Podemos falar na crise económica, mas aqui pode-se dizer que o alargamento do pelotão não foi acompanhado do respectivo reforço nos orçamentos. Logo, as equipas, para completar os orçamentos, terão de ir buscar pilotos cujo talento por vezes é inversamente proporcional à carteira.
Amanhã, em principio, José Maria Lopez será anunciado como piloto da novata USF1, o primeiro argentino desde 2001 a participar na categoria máxima do automobilismo. Segundo se diz na Argentina, "Pechito" Lopez trará para a equipa de Ken Anderson e Peter Windsor cerca de oito milhões de dólares, metade dos quais serão do governo argentino, cortesia de um proeminente senador e antigo governador. Um tal de Carlos Reutmann... "Pechito" será provavelmente um piloto melhor do que Gaston Mazzacane, que passou pela categoria máxima do automobilismo com um palmarés digno de destaque no site "F1 Rejects". Mas ele tem um contra que precisa de resolver rapidamente: não corre num monolugar desde 2006, e o facto de ter ganho o campeonato local de Turismos pode dizer muito no seu país, mas esse é pouco visivel fora das suas fronteiras. Algo que tem de resolver rapidamente.

Outra personagem a caminho de um lugar na Formula 1 pode ser Vitaly Petrov. Mais um piloto vindo de um pais que não tem tradições automobilisticas, especialmente nos monolugares, mas têm uma enorme mala cheia de dinheiro. Fala-se de 15 milhões de dólares, fala-se de um pouco menos, mas aparentemente tem dinheiro suficiente para que a Renault, agora vendida a mais de 75 por cento a um capital luxemburguês, querer os seus serviços. Não é um cepo, pois foi vice-campeão da GP2 em 2008, mas ainda existem dúvidas quanto à sua capacidade. E há outro factor: se Petrov se confirmar, terá como companheiro de equipa... um polaco. E históricamente, os polacos querem muito ver russos para trás das costas. Claro, Robert Kubica tem talendo demonstrado, mas será que os rublos falarão mais alto?

A Campos deve ser o caso mais grave. Precisa urgentemente de dinheiro, pois parece que Bruno Senna não trouxe mais do que os seus patrocinios pessoais. E se Adrian Campos contava com o nome dele para conseguir mais dinheiro para pagar à Dallara para completar o orçamento... enganou-se. Queria Pastor Maldonado para o lugar, graças aos petrodólares da estatal venezuelana. Mas aparentemente, Maldonado, conhecido por ter um estilo de condução louco na GP2, está mais à espera de um bom volante do que um volante qualquer. Ou então, está à espera dos bons humores do Hugo Chavez para ver se sucede a Johnny Cecotto na lista de venezuelanos na Formula 1. Mas aqui, qualquer que seja o resultado, Campos precisa de dinheiro... para ontem.

Se forem ver bem, esta gente toda vai tentar competir em 2010 com um orçamentos baixos. Dinheiro suficiente para construir três ou quatro chassis, rezar para que os pilotos não os destruam, pagar as contas aos fornecedores, entre outros. A Virgin diz que vai gastar 45 milhões, a Lotus cerca de 55 milhões. Ambos estão em claro contraste com os 300 milhões que a Ferrari já anunciou gastar e os duzentos e poucos que a Mercedes planeia pagar durante a temporada de 2010. É certo que com 90 ou cem milhões, qualquer equipa pode fazer uma temporada bem razoável, mas a ideia de ver esta gente sem desenvolver os seus chassis durante o ano, e ver, por exemplo, diferenças de três ou quatro segundos entre a frente e o final do pelotão, vai ser dura. E em menos de quinze ou vinte voltas, os lideres começarão a lidar com as "chicanes móveis"...

Com este panorama, não auguro grande futuro às novas equipas e aos pilotos pagantes. Existirão excepções, é claro, mas começo a ver os exemplos do passado são um belo espelho do que poderemos esperar nos próximos meses, senão semanas: equipas a contarem os tostões para chegarem ao final da época, pilotos com uma carteira recheada, mas que raramente ultrapassam a última fila da grelha de partida, a substituirem outros pilotos que acabaram o dinheiro que tinham levado para poderem cumprir o sonho de andar na elite do automobilismo... sim, quando ver esta gente toda, vou recordar-me dos finais da década de 80, inicio dos anos 90.

E ainda nem sabemos se a Campos vai ou não alinhar no Bahrein...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Uma prova de vida...



A USF1 colocou este fim de semana mais um video do "making of" do seu primeiro carro para 2010. Aqui se pode ver o crash-test do nariz, obrigatório pela FIA para validar o chassis.



Quanto ao resto, veremos... em principio, saberemos de muita coisa durante a semana. Por exemplo, se sempre é o argentino José Maria "Pechito" Lopez que vai ficar com um dos lugares. E se também saberemos alguma coisa sobre o segundo piloto, patrocinios e outras coisas mais... Afinal, há que elucidar os cépticos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

USF1 mostra-se no Youtube



Neste dia de Natal, recebo uma interessante prenda de Natal via F1 Around, do Becken Lima. A USF1, que anunciou aos quatro ventos a sua parceria com Chad Hurley, um dos co-criadores do Youtube, acabou de inaugurar o seu canal oficial no famoso portal de videos. E lá mostram três coisas: entrevistas aos co-fundadores, e este video que coloco aqui em cima, acerca de uma visita á fábrica de charlotte de alguns delegados da FIA, um deles, pensa-se, é Nick Craw.



De uma certa forma, neste dia de Natal, é mais uma prova de vida por parte de Ken Anderson e Peter Widsor. Agora falta o essencial: pilotos, publicidade e chassis. E enquanto não os vir alinhados na grelha no próximo mês de Abril no Bahrein, continuarei a ter dúvidas sobre a sua participação.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

As dúvidas de Bernie Ecclestone, e as devidas respostas

Como é de costume, sempre que Bernie Ecclestone abre a boca, sai logo polémica. Desta vez, até pode ter um pouco de razão. Na semana do Natal, o velhote de 79 anos afirmou que tem imensas dúvidas da presença de duas das quatro novas equipas de Formula 1: A USF1 e a Campos Meta. Na entrevista que deu ao seu jornal favorito, o "The Times", o anãozinho tenebroso afirma de forma algo criptica: "Penso que as pessoas que acreditamos que vão correr, correrão, e aquelas que em que não acreditamos, não farão o mesmo".


As dúvidas levantadas pelo Tio Bernie não são novas. Elas existem há muitos meses, e já foram devidamente dissecadas. Não é secreto que, no caso da USF1, existe pessoal que goza com a situação, pois nos lados de Charlotte, a sede da fábrica, não há qualquer facto concreto, para além das instalações em si e um monte de noticias sem confirmação oficial. Mas nos últimos dias, a USF1 começou a responder a algumas dessas dúvidas. Primeiro, apareceu uma foto do chassis, e depois, esta tarde, Peter Windsor respondeu categoricamente às dúvidas, afirmando: "Tudo está indo bem e estaremos preparados para o próximo ano. Terminamos o chassis e agora tudo está na mão da Cosworth", afirmou à BBC Sport.

Quanto a patrocinios e pilotos, a USF1 continua a fazer mistério: "Estamos tentando encontrar os melhores pilotos possíveis. Não há pressa. Haverá o momento em que anunciaremos os pilotos na fábrica e isso acontecerá em Janeiro." O nome do argentino José Maria Lopez é o mais referido, embora no final da semana passada se voltou a falar no veterano piloto austriaco Alexander Wurz.

Já no lado da Campos, como o carro é feito este ano pela Dallara, e Adrian Campos já anunciou Bruno Senna na equipa, é certo que neste caso haja mais certezas do que dúvidas sobre o seu alinhamento no Bahrein. Falta o segundo piloto e patrocinadores, mas creio que nas próximas semanas, boa parte dessas questões terão resposta. Mas pelo que se lia na semana passada, as coisas não encaminhavam assim. O Becken Lima, do blog F1 Around, mostrava uma declaração vinda do site oficial do Antonio Lobato, o mais conhecido dos jornalistas espanhois na Formula 1, onde falava das dúvidas que pairavam sobre a equipa sediada em Murcia:

“... sobre a Campos Meta seguiremos esperando avanços com os dedos cruzados. Há uma necessidade imperiosa de dinheiro e uma seca escandalosa de patrocinadores. O tempo corre e no entanto permanecem muitas coisas por fazer. Falta fechar acordo com um piloto, que não será Pedro [de La Rosa], mas esse é o menor dos problemas. Precisam montar a estrutura da equipa, seguir com contratações, começar a pensar na logística dos Grande Prémios, manter 'pé a fundo' no desenvolvimento do carro e pagar a todos os fornecedores. Mas acima de tudo, necessitam de patrocínio, dinheiro fresco porque para porem os carros no Bahrein com garantia de seguir adiante ainda faltam muitos milhões.”

As dúvidas são legitimas? Pois são, certamente. O próprio Becken critica o facto da USF1, que se afirmava ter o apoio de Chad Hurley, um dos co-fundadores da Youtube, e de ter dito que ia ter uma atitude dita "diferente" das outeas equipas, faz exactamente o contrário. Ele dá como exemplos, o facto do site não estar ainda em funcionamento e de não haver um canal próprio no Youtube. Aliás, existem mais videos a gozar do que a mostrar as instalações da equipa...

Mas se formos a ver, faltam "apenas" quatro meses e pouco até que a temporada de 2010 comece. E se é certo que as apresentações são todas em finais de Janeiro, principios de Fevereiro, e as equipas novas não tem a desculpa de estarem a trabalhar agora no carro de 2010, como tem as que correram na temporada que acabou há mês e meio, isso não implica que elas estejam fora de competição em finais de Dezembro. Sou daqueles que ainda vêm o copo meio cheio, logo, vamos aguardar para ver.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

USF1 - A sátira (episódio de Natal)



Os nossos amigos da USF1 estavam já há algum tempo sem dar noticias, e já temia que eles já estariam a preparar devidamente o carro de 2010 e arranjado a dupla de pilotos capazes de guiar o carro no seu primeiro ano de existência... mas não. Aproveitaram a quadra festiva para dar as novidades do seu projecto e desejar a todos nós um Feliz Natal e um próspero 2010.


Não sei se para o lado deles as coisas serão assim... mas pronto. Lá estaremos para os ver.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

USF1 - A sátira (Epílogo)



Aparentemente, vai ser o episódio final da saga USF1, mas pelo andar da carruagem, acho que isto vai ter continuação... veremos. Este está tão bom como os outros!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

USF1 - A sátira (episódio 7)



Mais um novo episódio da saga/sátira da USF1, desta vez com o Peter Windsor numa espécie de "venda de garagem", onde vai tentar vender as suas "torradeiras" a um preço que dê para pagar a sua inscrição no Mundial de 2010. E onde lá tem vários itens á venda, desde o chassis da Toyota de 2010, à venda por 10 milhões de dólares (uma bagatela!) até o "regressado" Mike Coughlin (lembram-se, do Stephneygate de 2007?) a vender uma cópia dos desenhos... por 50 dólares! E mais muito mais, neste episódio da saga, que confesso... melhora a cada dia que passa!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

USF1 - A sátira (novo episódio)



Surgiu hoje o mais recente episódio da "saga" USF1, do Brian Kerramba, que vos mostrei há uns dias atrás. Desta vez, Peter Windsor convida Mike Gascoyne, que está a projectar o novo Lotus de Formula 1 a visitar as suas instalações e a pedir algumas dicas sobre o desenho do carro.


A parte mais interessante é quando ele começa a fazer aquelas perguntas técnicas, como o túnel de vento e os programas de computador especificos. Para quem entender o inglês, os diálogos são absolutamente surreais!