quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Os perigos (e solidariedade) do Dakar

O rali Dakar é duro e por vezes coloca pilotos em risco de vida. Raras são as edições que não acabam sem uma morte. E neste ano de 2016, já tivemos um acidente grave na primeira etapa, que deixou dez feridos, dois deles com gravidade. Esta quarta-feira, outro acidente grave aconteceu na etapa-maratona à volta de San Salvador de Jujuy, onde o francês Pierre Alexandre Renet (Pela), da Husqvarna, caiu com gravidade, perdendo a consciência e sendo levado para o hospital local. 

Mas no meio do acidente - ocorrido no quilómetro 400 - um ato de coragem, tipico do Dakar: a piloto espanhola Laia Sanz parou para o poder assistir até à chegada do corpo médico do rali, perdendo mais de 40 minutos. E ainda teve problemas, pois teve problemas com o seu sistema de localização.

“Assustei-me bastante quando encontrei Pela estendido no caminho. No primeiro momento, temi pelo pior”, contou Laia. “Eu tentei avisar a organização, mas o Iritrack não funcionava. Eu ouvia a organização, mas eles não me ouviam. Depois de várias tentativas, liguei do meu telefone para Alex Doringer, meu chefe de equipe, para que ele desse o alerta e, pouco depois, o helicóptero médico chegou e o removeu. Mas em todo esse processo passou mais de meia hora”, explicou.

Renet já foi examinado e apesar de um ferimento na cabeça, não apresenta quaisquer traumas. “Infelizmente, Pela caiu hoje”, lamentou Daniel Trauner, o chefe da Husqvarna, equipa onde está Ruben Faria. “Ele passou por exames e avaliações, e não há ossos fraturados”, completou.

Renet era 38º da geral após a terceira etapa, dezassete lugares abaixo de Sanz. E curiosamente, após o longo tempo de paragem, Sanz caiu no final desta etapa para o... 38º posto.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Perto do perigo...

O Ano Novo no Dubai foi tudo menos aborrecido. o incêndio no hotel The Adress, uma torre de 63 andares na noite de 31 de dezembro causou 14 feridos, um deles em estado grave, e causou mais aparato, pois o edificio estava perto do Burj Al Khalifa, o prédio mais alto do mundo. Contudo, o jornal holandês De Telegraaf conta na sua edição de hoje que algumas das pessoas que lá jantavam era a familia... Verstappen. Sim, Jos e Max estavam a jantar, mais as suas companheiras, quando o incêndio os obrigou a serem evacuados. Quem conta isto é o "The Judge" no seu blog. 

Felizmente, eles tinham marcado quarto um hotel proximo, logo, não foram totalmente afetados pelo que aconteceu. Mas Max afirmou que a experiência foi "bastante assustadora".

Entretanto, a familia já regressou à Holanda, e Max começa já a trabalhar no carro de 2016, que está a ser modificado para acolher o motor Ferrari, depois de em 2015 ter ficado com os Renault, tal como a irmã mais velha, a Red Bull.

Dakar 2016: Peterhansel vence, Gonçalves é o novo lider nas motos

A quarta etapa do Rali Dakar de 2016, um percurso de 429 quilómetros cronometrados à volta de San Salvador de Jujuy, na Argentina, onde os mecânicos não poderão tocar nas máquinas, fez com que Stephane Peterhansel e Paulo Gonçalves fossem os vencedores desta etapa, beneficiando da penalização de Joan Barreda Bort em cinco minutos. Isso fez com que o piloto português passasse a ser o novo lider nas motos. Ruben Faria  foi o segundo na etapa, consolidando o quinto lugar na classificação geral. 

Começando nos carros, o dia foi dominado de novo pelos Peugeot, com uma tripla, mas desta vez foi Stephane Peterhansel o grande vencedor, assinando a sua 66ª vitória em especiais, onze segundos mais veloz do que Carlos Sainz. Sebastien Loeb foi o terceiro na etapa, mas mantêm a liderança no rali. Nasser Al Attiyah foi o quarto, e o melhor dos Mini, na frente de Cyril Després e do árabe Yazid Al-Rahji.

Na geral, Loeb mantêm a liderança com quatro minutos e 48 segundos de vantagem sobre Peterhansel, enquanto que Nasser Al Attiyah é o terceiro, a onze minutos e nove segundos do piloto francês. 

Nas motos, a etapa foi dominada pelo duelo entre Barreda e Gonçalves, com o espanhol a levar a melhor, ficando ambos separados por um minuto e 49 segundos. Contudo, o resultado foi ótimo para o piloto da Honda, pois subiu ao terceiro lugar da geral, agora a dois minutos e meio do seu companheiro da marca japonesa.

“Foi uma etapa rápida. Ultrapassei alguns pilotos, o que foi bom, apesar de ter passado muito tempo no pó de alguém. Tudo correu bem. Não tive problemas mecânicos. Estou na posição perfeita para atacar o segundo dia da etapa maratona”, referiu o piloto valenciano da Honda.

“Foi uma primeira etapa maratona rápida. Estava perto do Kevim Benavides antes de reabastecer, mas depois cometi um pequeno erro que me custou algum tempo. No final não terminei muito longe do primeiro lugar. Era importante trazer a moto em bom estado. Estou contente por mim e pela Honda”, comentou o piloto de Esposende.

Mas pouco depois, os organizadores decidiram penalizar Barreda em cinco minutos, caindo para o quarto lugar na etapa e fazendo com que o piloto português não fosse só declarado como o vencedor da etapa, como também é o novo lider da geral, com uma vantagem de dois minutos e 17 segundos sobre Kevin Benavides.

Já Ruben Faria foi o segundo, a quatro minutos e 24 segundos do vencedor, continuando a ser o ponta de lança da Husqvarna neste Dakar. Apenas a dois segundos de Faria ficou o local Kevin Benavides, que consolidou o segundo posto da geral. Com este resultado, Faria subiu ao quinto posição da geral.

Quanto a Helder Rodrigues, foi apenas o 14º na etapa, mantendo o 14º posto da geral.

Amanhã, o Dakar sairá de San Salvador de Jujuy para entrar em terras bolivianas, acabando a etapa em Uyuni, no total de 624 quilómetros, 327 dos quais em troço cronometrado.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Dakar 2016: Loeb volta a ser o melhor, Barreda Bort vence nas motos

O terceiro dia do Rali Dakar, a acontecer entre Termas de Rio Hondo e San Salvador de Jujuy, em terras argentinas, terminou tal como ontem, com Sebastien Loeb a vencer a sua segunda especial consecutiva e a alargar a sua vantagem para cinco minutos sobre a concorrência. 

Na etapa de hoje, o piloto francês conseguiu ser o melhor sobre o seu companheiro de equipa, Carlos Sainz, em um minuto e 23 segundos, enquanto que Nasser Al Attiyah foi o terceiro, a um minuto e 25 segundos do piloto francês. Giniel de Villiers foi o quarto, a dois minutos e dois segundos, mais 47 segundos do que o finlandês Mikko Hirvonen. Já Carlos Sousa chegou na 27ª posição a Jujuy, depois de ter dito que teve problemas mecânicos na especial do dia anterior.

Na geral, Loeb lidera, com um avanço de cinco minutos e três segundos sobre De Villiers, enquanto que Stephane Peterhansel é o terceiro, a cinco minutos e 15 segundos. Hirvonen é o quarto, a cinco minutos e 52 segundos, enquanto que Nasser Al-Attiyah é o quinto, a seis minutos e 39 segundos. Já Carlos Sousa subiu para o 69º posto, recuperando 25 lugares.

Nas motos, os melhores foram todos Honda. Juan Barreda Bort foi o melhor na etapa, com um avanço de dois minutos e 26 segundos sobre o argentino Kevin Benavides e dois minutos e 32 segundos sobre Paulo Gonçalves. Ruben Faria, na sua Husqvarna, foi o sétimo na etapa, a cinco minutos e 387 segundos do vencedor, enquanto que Helder Rodrigues atrasou-se um pouco.

No final, Barreda Bort afirmou: “Hoje foi um bom dia, depois de ontem ter aberto a pista, o que tornou as coisas mais difíceis. Tive um bom ritmo num dia que foi fácil, sem navegação. Apenas tive de dar tudo e manter-me concentrado. As diferenças são mínimas, pelo que o mais importante é estar a lutar com os pilotos e esperar pelas etapas de maior dificuldade”.

Já Ruben Faria explicou à Autosport portuguesa que iniciou a “especial com um ritmo calmo seguindo mais uma vez a estratégia delineada. A cerca de 80km do fim da especial reparei que algo estava errado quando quis trocar de gasolina do depósito traseiro para o dianteiro, percebi nessa altura que estava a ficar sem gasolina o que me obrigou a rolar muito devagar até final perdendo algum tempo para os primeiros”.

Na geral, Barreda Bort lidera, mas tem um avanço de "apenas" de 14 segundos sobre o eslovaco Stefan Svitko, e 48 segundos sobre Kevin Benavides. Paulo Gonçalves é o quarto, a um minuto e 48 segundos, mais dois segundos do que Charles Duclos. Ruben Faria é oitavo, a três minutos e 57 segundos, enquanto que Helder Rodrigues é 15º, a oito minutos e 25 segundos,

E não deu para mais, porque quando os camiões passaram, o piso cedeu, fazendo com que a especial fosse anulada.

A etapa de amanhã, a quarta será um especial de maratona, à volta de San Salvador de Jujuy, no total de 629 quilómetros, dos quais 429 serão em troços cronometrados. E vai ser uma etapa bem dificil, pois andarão a mais de 3500 metros, e no final do dia, os mecânicos não poderão tocar nos veículos, indo diretamente para parque fechado.

Quando o comediante fala com o presidente

Francamente, sempre gostei do Jerry Seinfeld, apesar de confessar que demorou um pouco a entender o humor que ele tinha nos anos 90, mesmo no alto dos meus então vinte, 21 anos de idade. Contudo, as coisas mudaram um pouco depois de saber que ele é um "petrolhead" e tinha uma vasta coleção de carros, incluindo um 917 de corridas.

Quando ele começou a fazer pela Net a sua série de "Comediantes em Carros a beber Café", era como juntar dois mundos aparentemente diferentes. Parecendo aparentemente não terem nada em comum, na realidade, as coisas eram mais parecidas do que imaginavas. Muitos desses comediantes adoram carros, outros gostam de ser tão excêntricos como os carros que andam. Um bom exemplo é o episódio do Jimmy Fallon.

Contudo, há uma notória excepção, que aconteceu agora, para inaugurar a nova temporada: "El Presidente". Num Corvette Stingray de 1963, ele e o titio Obama (isto é raro nele e no programa e rarissimo em presidentes) e ali eles falam de forma divertida das razões porque ele tem de ficar preso numa espécie de "gaiola dourada" (e foram tomar café na cafetaria da Casa Branca) e claro, falam sobre os limites de liberdade, entre outras coisas.

Parecendo que não, Obama é um tipo porreiro, e daqui a um ano, quando passar o testemunho a outro (parece ser mais outra...), será certamente uma pessoa bem mais aliviada. Enfim, vejam tudo isso e muito mais no episódio deles, a partir deste link. 

A imagem do dia

Hoje passa exatamente um ano sobre o desaparecimento de Jean-Pierre Beltoise, piloto francês que correu entre 1967 e 1974 por marcas como a Matra e a BRM. Começando a carreira nas motos, pasosu para o automobilismo e tornou-se na esperança francesa para voltar a vencer corridas, desde Maurice Trintignant, no GP do Mónaco de 1958. Contudo, ele foi superado, meses antes, pelo seu compatriota Francois Cevért. Que era... seu cunhado.

 A imagem de hoje relata a sua única vitória na Formula 1, no GP do Mónaco de 1972, catorze anos depois da vitória de Trintignant. Mas também foi a última vitória da BRM na categoria máxima do automobilismo, corrida debaixo de uma chuva inclemente, onde ele conseguiu levar a melhor num circuito citadino e travado, como é Mónaco.

Mas a sua carreira não foi só este momento. Beltoise conseguiu oito pódios e quatro voltas mais rapidas, e em 1968 e 1969 foi o fiel escudeiro de Jackie Stewart na Matra, correndo com o motor Matra V12 enquanto que Stewart dominava com o Cosworth V8. Mas Beltoise não foi com eles quando em 1970, Ken Tyrrell decidiu ter a sua própria equipa. Irónicamente, o seu lugar, depois de algumas corridas com Johnny Servoz-Gavin, foi para Cevért, irmão da sua segunda mulher, Jacqueline.

A sua lealdade à Matra deu-lhe também muitas vitórias na Endurance e ajudou à chegada de uma nova geração de pilotos franceses, como Jean-Pierre Jabouille, Jacques Laffite ou Patrick Depailler, mas em 1971, a sua carreira parecia estar em perigo quando ele empurrou o seu Matra no meio da pista, causando uma colisão com o Ferrari 512 de Ignazio Giunti, causando a sua morte. A sua licença foi retirada e muitos pediram a sua cabeça, e isso afetou um pouco a sua capacidade de condução, recuperada no ano seguinte, na BRM. Até ao final de 1974, conseguiu maus um pódio, e foi o último a pontuar na marca, com um quinto lugar no GP da Bélgica, em Nivelles.

No final, ajudou no projeto da Ligier, em 1975-76 mas acabou por ser preterido por Jacques Laffite. Gerard Ducarouge, o projetista do primeiro carro da marca, disse anos depois que ele estava fora de forma e o avisou acerca disso, mas ele não deu importância ao assunto. Passada a história da Formula 1 (tinha 39 anos), decidiu envolver-se nos Turismos, correndo até finais da década de 80, altura em que os seus filhos também começaram a pensar em se envolver no automobilismo, onde tiveram carreira nos GT's e Turismos.

GP Memória - Africa do Sul 1966

A meio da década de 60, o Ano Novo para muitos pilotos de Formula 1 era passado em paragens sul-africanas, onde se disputavam algumas corridas por lá, integrados no campeonato local de Formula 1 (Sim, existiu. E escrevi sobre eles há pouco tempo), e por vezes o dia de Ano Novo era aproveitado para correr a principal prova do calendário local: o GP da África do Sul.

Em 1966, iriam entrar as novas regras em relação aos motores, que iriam dobrar dos 1.5 litros para os 3 litros, com a maior parte das equipas a construírem motores V12. Contudo, isso era algo que ainda estava no começo, e teriam de arranjar algumas soluções provisórias enquanto os motores definitivos não estavam prontos. E na África do Sul, a corrida veio tão em cima dessa mudança de regulamento que decidiu ser uma prova extra-campeonato, já que iria ser corrido a partir do ano seguinte no circuito de Kyalami, que estava a passar por obras de remodelação.

Apesar disso, algumas equipas oficiais iram participar por ali. A Brabham trouxe dois carros para Jack Brabham  -o único que tinha um carro pronto de acordo dom as novas especificações - e Dennis Hulme, enquanto que a Lotus trazia dois modelos 33 com motor Climax para Mike Spence e Peter Arrundel, que regressava à competição após um ano de ausência devido a um acidente a meio de 1964 em Reims. Já Rob Walker trazia dois Lotus-Climax para Jo Siffert e Jo Bonnier, enquanto que Reg Parnell tinha dois Lotus, um com motor BRM para Innes Ireland, e outro com motor Climax para o australiano Paul Hawkins.

Um BRP também alinhava nesta corrida, para o americano Richie Ginther, enquanto que Bob Anderson alinhava com o seu Brabham BT11 privado.

Já do lado local, eram muitos pilotos, capazes de baterem o pé aos estrangeiros. A scuderia Scribante tinha Dave Charlton e Jackie Pretorious, o primeiro num Brabham-Climax e o segundo num Cooper-Climax, enquanto que o resto alinhava em inscrições individuais. John Love tinha dois carros em seu nome, ambos Cooper-Climax, com o segundo a ser corrido por Tony Jeffries, enquanto que Pieter de Klerk estava num Brabham, Douglas Serruier num LDS-Climax, Sam Tingle num LDS e Clive Puzey num Lotus-Climax. Para finalizar, estava o britânico David Prophet, num Lotus com motor Maserati.

Como seria de esperar, Jack Brabham e Dennis Hulme ficaram com a primeira fila da grelha, com Brabham a ser o melhor, enquanto que Mike Spence entre eles, na segunda posição. John Love era o melhor dos locais, sendo quarto na grelha no seu Cooper. Innes Ireland era o quinto, seguido por Richie Ginther, enquanto que Pieter de Klerk foi o sétimo, seguido por Bob Anderson, enquanto que a fechar o “top ten” estavam o Lotus de Jo Bonnier e o Brabham de Dave Charlton.

O dia da corrida acontecia debaixo de céu nublado e alguma chuva, apesar de ter parado por alturas do inicio da corrida. Na partida, Mike Spence conseguiu ser mais veloz do que os Brabham e ficou com o primeiro posto, enquanto que atrás, John Love tinha problemas e perdia tempo para ajustar o volante, antes de largar e recuperar o tempo perdido.

Na segunda volta, Brabham passou Spence e começou a afastar-se dele, ganhando segundo após segundo nas voltas seguintes, enquanto que ele aguentava Dennis Hulme, enquanto que Innes Ireland era o quarto, adiante de De Klerk. Entretanto, a pista começou a secar por completo e a distância entre Brabham e Spence estava estabilizada nos cinco segundos, ao mesmo tempo que aconteciam as primeiras desistências, com Ginther a despistar-se e a bater em Bonnier, sem consequências fisicas.

Outro dos que se despistaram foi Bob Anderson, com os comissários de pista a decidiram empurrá-lo para o colocar de novo na pista. Isso aconteceu, mas a organização decidiu depois desclassificá-lo por este gesto.

Nada de especial aconteceu até à volta 49, quando a bomba de injeção do carro de Jack Brabham avariou, colocando-o de lado e terminando ali a sua impressionante corrida. Isso deixou Mike Spence na liderança, e isso aconteceu até ao final, com quase duas voltas (!) de avanço sobre Jo Siffert. Peter Arrundell era o terceiro, enquanto que Dave Charlton foi o melhor dos locais, na frente de Sam Tingle e John Love. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Dakar 2016: Loeb foi o melhor na segunda etapa

A encurtada segunda etapa do Dakar, entre Villa Carlos Paz e Termas de Rio Hondo, pode ter acontecido sem chuva, mas os terrenos continuam saturados da tanta água que caiu nas últimas semanas naquela região. Tanto que nos automóveis foram vários os carros que se atascaram nas estradas, entre eles Robby Gordon e Carlos Sainz.

Contudo, no final, quem levou a melhor foi um ex-piloto de ralis, Sebastien Loeb. O piloto francês da Peugeot conseguiu levar a melhor com uma vantagem de dois minutos e 23 segundos sobre Stephane Peterhansel e três minutos e um segundo sobre Giniel de Villiers. Aliás, esta foi uma etapa em grande para os ex-pilotos de rali, pois Mikko Hirvonen foi quinto, no seu Mini, seguido por Nasser Al-Attiyah, em oitavo, e por Martin Prokop que foi o nono. Yazid Al Rahji foi o 12º e Carlos Sainz o 14º, pois se atrasou em mais de cinco minutos devido às condições difíceis das estradas argentinas. 

Nas motos, o melhor foi o australiano Toby Price, que conseguiu vinte segundos de vantagem sobre o português Ruben Faria, o segundo classificado, a bordo de um Husqvarna. O eslovaco Stefan Svitko, numa KTM, foi o terceiro, enquanto que Paulo Gonçalves foi o sexto melhor, na sua Honda. Já Helder Rodrigues foi vitima de um erro de navegação no inicio da etapa e perdeu sete minutos e meio para o vencedor.

Amanhã, o rali continua em terras argentinas, entre Termas de Rio Hondo e Santiago del Estero, num total de 663 quilómetros, 314 dos quais feitos em especial cronometrada.

A América do Sul trabalha para ficar com o Dakar

Como sabem, existe a possibilidade de num futuro próximo o Dakar poder regressar a terras africanas, mas a América do Sul pode estar a esforçar-se para que eles fiquem por ali por mais tempo. Isto, se darmos credibilidade a uma ideia de cinco países para fazer um rali o mais extenso possível, num formato de ferradura, com partida em terras chilenas e chegada a Punta del Este.

O jornal espanhol Mundo Deportivo fala nesta segunda-feira que cinco países sul-americanos - Argentina, Chile, Bolivia, Paraguai e Uruguai, trabalham nesse sentido, e estão a tentar incluir o Brasil no percurso, para que se faça uma prova extensa e com uma dimensão dita "épica", com começo em Valparaíso. A ideia é convencer os chilenos de que é uma opção viável (eles sempre foram ponto de chegada e nunca de partida), e para isso, a ASO quer falar com a presidente chilena, Michele Bachelet, para solucionar os problemas económicos e políticos, para além dos ambientais, que impediram o Chile de receber o Dakar este ano.

Para além disso, a ASO quer também falar com os governos do Paraguai e do Uruguai, que também expressaram interesse em receber o Dakar nas suas terras, e até colocar Punta del Este como destino final, escapando um pouco a Argentina como poiso quer de partida, quer de chegada, algo que tem acontecido desde que o Dakar está em paragens sul-americanas, em 2009.

Mas também a organização por trás do Rali Dakar poderá querer integrar o Brasil no itenerário. Essa hipótese existiu desde sempre, mas as negociações nunca chegaram a bom porto, especialmente quando se falou na chance de terem o Dakar naquela zona para complementar as grandes realizações que iriam receber então, nomeadamente o campeonato do mundo de futebol e os Jogos Olimpicos.

Veremos no que vai dar, mas aparentemente, a América do Sul está a esforçar-se para ter o rali naquela parte do mundo.

No Nobres do Grid deste mês...

(...) "Em janeiro de 1977, [Thierry] Sabine decide participar no Rally Abidjan-Nice numa moto Yamaha XT500, na companhia de três amigos, Dominique Sauvêtre, Patrick Schaal e Uwe Ommer. As coisas correm sem problemas até que o rali entre no deserto do Sahara, numa zona no sudoeste da Libia. Sabine fica sem gasolina na sua moto e decide caminhar em busca de assistência durante três dias, debaixo de um calor intenso, com mais de 45 graus de temperatura. Quando estava prestes a desistir, um avião aparece e acaba por salvá-lo. O avião tinha aparecido por acaso, pois a organização já o tinha dado como perdido. Após ter encontrado, o piloto lhe disse: “Meu amigo, depois disto, tudo o que você viver será lucro”. Depois de ser assistido, regressa à França, onde a imprensa lhe dá destaque por causa da aventura que tinha vivido."

(...)

"Tudo ficou pronto para a partida da primeira edição, na véspera de ano Novo de 1979. O rali começava em Paris, e a caravana ia até Sête, onde embarcariam um ferry-boat rumo a Argel, a capital da Argélia, e atravessavam o deserto do Sahara até atravessarem a fronteira do Nigel, o Mali (com um dia de repouso em Gao) para por fim, chegarem ao seu destino, o Senegal. 140 concorrentes aparecem no rali, e o vencedor é Alain Genestier, em carros, e Cyril Neveu, em motos. O rali se torna num sucesso, e Sabine, questionado sobre o que deveria ser este rali, responde “Um desafio para os que partem, um sonho para os que ficam”. Tornou-se no lema do rali para os anos seguintes, que cedo começa a mostrar a sua periculosidade, com a primeira morte a ocorrer na primeira edição, um motard francês, de seu nome Patrick Dodin, que é projetado quando tentava ajeitar o seu capacete."

(...)

"Quando o Dakar entra na sua sétima edição em 1986, já era uma prova incontornável no automobilismo. Entre carros, motos e camiões, nesse ano, estavam inscritos 486 veículos, e marcas oficiais como Porsche e Mercedes fazem parte do rali, entre as dezenas de pilotos amadores e entusiastas, vindos um pouco por todo o mundo."

"E também se sabia que era um rali perigoso, pois todos os anos morria sempre alguém normalmente motards, que caíam a alta velocidade nas classificativas do deserto, mas também havia espectadores atropelados pelos carros em alta velocidade. E o rali, que começara em Paris no 1º de janeiro, começava mal quando na madrugada do dia 2, nos arredores de Sête, o motard japonês Yazko Kaneko é mortalmente atropelado por um condutor em sentido contrário. Veio-se a saber depois que esse condutor estava alcoolizado."

(...)

"Para Sabine, agora com 36 anos, os acidentes fazem parte do espetáculo, e o que interessa é fazer que tudo corra sobre rodas. Numa roda-viva entre as diversas autoridades, e verificar o estado dos pilotos, entre outros, Sabine desloca-se num helicóptero Ecreuil, sempre disponível para as suas deslocações." (...)

No próximo dia 14 de janeiro, numa altura em que o Rali Dakar estará a acabar em terras argentinas, passarão 30 anos sobre o acidente mortal de Thierry Sabine, que ocorreu na zona de Gourma-Rhaous, no Mali, quando o seu helicópetro tinha batido contra uma duna no final desse dia e no meio de uma tempestade. Para além de Sabine e do seu piloto, iam também o cantor Daniel Balavoine e os jornalistas Nathalie Odent e Jean-Paul Le Fur, e todos tiveram morte imediata.

Trinta anos depois, o legado de Sabine continua forte, mas noutro continente. E mesmo em África, provas como o Africa Race continuam a existir, palco de muitos entusiastas, que pretendem correr nas areias do deserto do Sahara, passando por condições extremas, só para viver a aventura. Tudo isto e muito mais pode ser lido este mês no site Nobres do Grid. 

Noticias: Etapa do Dakar vai ser encurtada

Os organizadores do Rali Dakar anunciaram na noite deste domingo que a segunda etapa do Rali Dakar, que irá ligar as localidades de Villa Carlos Paz e Termas de Rio Hondo, irá ser encurtada devido aos estragos que as tempestades estão a fazer naquela zona da Argentina. 

Para as motos e os quads, a etapa será encurtada dos 450 quilómetros para os 354, enquanto que para os carros e camiões, este será reduzido dos 510 para os 387 quilómetros. Os organizadores esperam que mesmo com este encurtamento, a etapa acontecerá na mesma, marcando o verdadeiro arranque da edição de 2016 do Rali Dakar.

"O especial vai terminar no CP (checkpoint) 4", começou por dizer o diretor esportivo Marc Coma. "Além disso, existem novas modificações na rota entre o quilómetro 147 e o 170. Uma equipa já fez a rota de amanhã e aprovou o percurso. Outras equipas estão nessa rota e estarão lá durante esta noite para que possamos ter o ok final", concluiu.

Coma também disse que estará atento aos espectadores, depois do acidente de sábado, no Prólogo, onde dez deles ficaram feridos: "Iremos estar em alerta para os fãs. Esperamos ter muita gente na zona de Córdoba. Temos que ter cuidado extra nas três zonas reservadas para o público", comentou.

domingo, 3 de janeiro de 2016

A imagem do dia (II)

Autódromo do Sochi, domingo, 3 de janeiro de 2016. Parece que justifica a razão pelo qual recebeu os Jogos Olimpicos de Inverno...

A imagem do dia

Pouca gente se lembra de Michael Schumacher antes de ter chegado à Formula 1. Só os mais empedernidos recordam que ele foi campeão alemão de Formula 3 em 1989 e que andou em carros de Sport-Protótipos no ano seguinte. Ora, eu talvez seja daqueles (provavelmente pela minha idade) que possa dizer que ouvi falar do alemão em 1990, quando ele andava na Endurance, com um Sauber-Mercedes, numa equipa que a marca de Estugarda criou para fazer evoluir as esperanças alemãs, que consistiam nele, em Heinz-Harald Frentzen (que por essa altura namorava com uma Corinna Betsch), em Fritz Kreutzpointer e o austriaco Karl Wendlinger.

As pessoas dizem que a primeira vez que viram Schumacher maravilhar os "petrolheads" foi em Spa-Francochamps, durante o GP da Bélgica de 1991, a bordo de uma Jordan-Cosworth. Contudo, o problema é que ele tinha feito a mesma coisa apenas dois meses antes... em La Sarthe, a bordo de um carro de Sport-Protótipos.

A coisa é explicada da seguinte forma: em 1990, a Mercedes fez a tal equipa de esperanças, numa altura em que a Alemanha queria ser alguém no automobilismo. Stefan Bellof tinha morrido cinco anos antes e Bernd Schneider não era aquilo que se esperava. E o DTM, apesar de ser espectacular, era ainda vista como uma coisa muito... alemã. A Sauber tinha alinhado com dois C11 para o Mundial de Sport-Protótipos, contra os Jaguar e os japoneses: Nissan, Toyota e Mazda. Os três pilotos iriam correr ao lado do veterano Jochen Mass, no segundo carro da equipa, enquanto que na primeira, o Italiano Mauro Baldi e o francês Jean-Louis Schlesser decidiam ser campeões do mundo na especialidade, vencendo seis das nove corridas dessa temporada.

Contudo, houve excepções. Uma delas foi a prova final, no Autódomo Hermanos Rodriguez, onde aproveitaram a desclassificação do primeiro carro para vencer a corrida, com Schumacher, então com 21 anos, a guiar o carro.

Em 1991, o Mundial tinha um novo regulamento, onde se adoptavam os motores de 3.5 litros aspirados, provenientes da Formula 1 (e que levou ao seu desaparecimento, no ano seguinte), e a Peugeot estava a entrar na competição, com o 905, e com uma equipa de estrelas que incluia ex-pilotos de Formula 1 como Keke Rosberg e Jean-Pierre Jabouille, pilotos no ativo como Yannick Dalmas e Phillipe Alliot e tinha "roubado" pilotos à Mercedes como Mauro Baldi. 

Schlesser e Mass juntaram-se, num carro de veteranos, enquanto que o segundo carro foi para os jovens, para Schumacher e Wendlinger. Ambos venceriam em Autopolis, no Japão, quando ambos já estavam na Formula 1: o primeiro na Benetton, o segundo na March.

Mas em junho desse ano, a Sauber alinhou nas 24 Horas de Le Mans com três carros, e um deles foi para a juventude: Schumacher, Wendlinger e Fritz Kreutzpointer. Nesse ano, a Sauber-Mercedes tinha como rival a Jaguar, com o seu XJ14 - desenhado por um tal de... Ross Brawn - e eles eram os favoritos. A Sauber tinha o C291, mas eram batidos pelos ingleses. E para ele, as coisas não corriam bem, pois só tinha sido segundo em Silverstone, na única vez que tinha levado o carro até ao fim.

A qualificação correu bem, onde conseguiu um sólido quarto posto, e parecia que ia a caminho de um pódio quando na saída das boxes, após um reabastecimento, Wendlinger bateu no muro das boxes, perdendo muito tempo a dar a volta ao circuito e a fazer os devidos reparos. Quando chegou a sua vez. Schumacher guiou que nem um louco, baixando varias vezes o recorde de volta (ficou com a volta mais rápida) e levou o carro até ao quinto posto final, a sete voltas do Mazda vencedor. 

Tempos depois, foi para a Formula 1, mas ele queria que isso tivesse acontecido com os Flechas de Prata a entrarem com uma equipa completa, ou com a mesma aliança com a Sauber. Contudo, o seu sonho acabou por ser realidade em 2010, aos 41 anos e depois de sete títulos mundiais e 92 vitórias. E com Ross Brawn ao seu lado.

Noticias: Primeira etapa do Dakar cancelada

A primeira etapa do Dakar foi cancelada na tarde deste domingo devido às péssimas condições meteorológicas, anunciou a organização. 

Segundo aquilo que foi dito, choveu toda a noite e madrugada na zona de Buenos Aire, e apesar de ter parado de manhã, as nuvens escuras fizeram com que não existissem as condições de segurança minimas para que os helicópteros pudessem descolar. Assim sendo, a organização decidiu que os concorrentes fizessem a ligação entre Buenos Aires e Villa Carlos Paz - cerca de 400 quilómetros - apenas em ligação. 

Assim sendo, o Dakar arrancará esta segunda-feira, numa etapa que ligará Villa Carlos Paz a Termas de Rio Hondo, num total de 858 quilómetros, dos quais 521 são em percurso competitivo (450 quilómetros apenas para motos e quads).

Youtube Motorsport Demonstration: O carro mais veloz à pista de Tsukuba

O circuito de Tsukuba, no Japão, é conhecido por receber várias provas e também por fazer parte dos conhecidos jogos de consolas como o Gran Turismo, entre outros. Contudo, no mês passado, Kamui Kobayashi foi até lá para ver se conseguia bater um recorde de pista com um Super Formula, um potente carro, ainda mais do que os carros de GP2, por exemplo.

No final, ele lá conseguiu, com um tempo de 40,008, quatro segundos mais veloz do que o anterior recorde, num carro da Formula Nippon. E claro, há um video desse feito, e com um monitor onde se poderia ver o ritmo cardíaco do piloto quando fazia a tal volta.