quinta-feira, 29 de março de 2012

5ª Coluna: Grandes corridas e mentalidades tacanhas

Domingo passado valeu a pena levantar da cama para ver o GP da Malásia. Tivemos a chuva a cair incessantemente, tivemos emoção na pista e a demonstração de que mesmo com um mau carro entre mãos, Fernando Alonso conseguiu um milagre: vencer um Grande Prémio com um carro muito mau entre mãos. Uma performance que fez lembrar Gilles Villeneuve em 1981, com o "Cadillac sobre rodas" que tinha à mão, devido mau chassis que tinha entre mãos, mas que foi capaz de vencer duas corridas, no Mónaco e em Jarama.

As performances do piloto espanhol demonstraram que é - se alguém ainda tinha dúvidas em relação a isso - um piloto excepcional, feito da massa que são feitos os campeões do mundo ao longo da história, como Juan Manuel Fangio, Jim Clark, Jackie Stewart ou Ayrton Senna. Mas também foi a corrida em que assistimos à excepcional performance do jovem mexicano Sergio Perez, que aos 22 anos, consegue o seu primeiro pódio da Sauber desde 2009, nos tempos da BMW.

Houve alturas na corrida em que se ficou com a sensação de que Perez iria apanhá-lo e passá-lo, para conseguir algo que o México espera desde os tempos de Pedro Rodriguez: uma vitória na Formula 1. Mas após um aviso do seu engenheiro para que tivesse cuidado, e que o segundo lugar já era muito bom, Perez sofre um despiste, quando já começava a esboçar uma ultrapassagem a Alonso. Imediatamente surgiram as teorias da conspiração: que Perez tinha feito aquilo de propósito para que a Sauber não perdesse os motores que a Ferrari lhes fornece desde há muitos anos.

Acho que todas essas "teorias da conspiração" são perfeitamente idiotas. Por imensas razões: a Sauber não é a equipa B da Ferrari, apesar de Sergio Perez ter testado um carro da Scuderia em 2010. Trouxe imensos patrocinadores do México, mais concretamente da Telmex de Carlos Slim, logo, o piloto não está dependente da Scuderia para nada. Não é a Ferrari que lhe paga o salário, ou o salário da Sauber. Segundo, a Ferrari já ganhou como "carro-cliente", recorde-se o GP de Itália de 2008, palco da única vitória da Toro Rosso, com Sebastian Vettel, e terceiro, as pessoas tendem a esquecer que Alonso é um homem que sabe resistir à pressão, obrigando outros a cometerem um erro. Já se esqueceram de Pastor Maldonado, na semana anterior, na Austrália? Se sim, só justifica aquilo que digo quando afirmo que muita gente por aí tem "memória de peixe"...

A Ferrari tem um mau carro nesta temporada, e é somente Fernando Alonso que está a disfarçar esse mau carro. Se fosse o contrário, muito provavelmente dominaria o campeonato com muito mais à vontade e o seu companheiro de equipa não estaria muito longe dele. As diferenças gritantes de andamento entre Fernando Alonso e Felipe Massa demonstram isso: que os resultados são mais devido ao piloto do que ao carro. Todos os 35 pontos que a Ferrari têm devem-se a ele.

Mas claro, nunca nos livraremos do "cuspir no ar", das adivinhações, dos "achismos". Nada do que dizem está certo, mas numa era da Internet e de redes sociais, toda a gente tem uma opinião e esta se espalha como fogo em mata seca. É preciso ter uma mente treinada para poder separar "o trigo do joio", e nem toda a gente tem esse treino. 

Na mentalidade futeboleira que existe, a corrida malaia definiu em muitas cabeças de que Felipe Massa deveria ser já despedido e que Sergio Perez deveria imediatamente tomar conta do lugar. Mais um disparate pegado, que esconde o óbvio: a culpa é do carro, e não tanto do piloto. Mesmo que isso acontecesse, quer Perez, quer Alonso não são santos milagreiros. São muito bons pilotos de Formula 1. 

E há outra coisa mais: Alonso não quer pilotos que ameacem o seu domínio. Em todas as equipas que passa, é o "deos ex machina" da equipa, do qual tudo se centra sobre ele. E Sergio Perez demonstrou que é um piloto excepcional, que é capaz de igualar Alonso, quando for mais maduro. Alonso preferirá um Massa mais secundário, mas prestativo, do que Perez. Pode ser que vá para a Ferrari, mas não esta temporada. Aliás, acho que não haverá troca de pilotos este ano, porque não se ditam sentenças, nem se definem campeonatos após a segunda corrida. 

Aliás, este vai ser um ano em que se pode esperar... o inesperado. Creio até que teremos um ano parecido com 1982 em que tivemos onze pilotos vencedores em dezasseis corridas. Não direi que chegaremos a isso, mas se eu achava que no inicio da temporada existiam cinco equipas com reais hipóteses de pódio, pelo menos, não tinha colocado a Sauber nessa equação. Agora... se calhar acho que das doze equipas presentes no campeonato, oito irão ao pódio, e dez conseguirão pontos. Não fiquem admirados se no final do ano isso acontecer.

Formula 1 em Cartoons - A vingança a Karthikeyan (GP Toons)

Sebastian Vettel e Jenson Button não esquecerão o indiano Narain Karthikeyan tão cedo. O piloto da HRT viu-se envolvido em dois acidentes no GP da Malásia, no qual... não teve qualquer culpa. Mas que estragou as corridas de ambos os pilotos, estragou. E Sebastian Vettel foi muito duro, ao chamá-lo de idiota e ter espetado outro dedo que não o habitual indicador, quando comemora as vitórias.

E o Hector Garcia, do GP Toons, foi um pouco mais longe, imaginando o que Vettel e Button deverão pensar do piloto indiano...

A entrevista de Carlos Barbosa ao jornal "A Bola"

No mesmo dia em que o Rali de Portugal sai para a estrada, o jornal português "A Bola" decidiu publicar um especial de oito páginas sobre a quarta prova do campeonato do mundo do WRC, e uma das clássicas do automobilismo internacional, a par de Monte Carlo, Finlândia ou País de Gales. E uma das entrevistas que é feita - para além das feitas a Michele Mouton, a representante da FIA para a categoria, a Pedro Almeida, o diretor de prova e a Armindo Araujo - também foi feita uma entrevista a Carlos Barbosa, o presidente do ACP, o Automóvel Clube de Portugal, a entidade que tutela a prova, sobre esta prova, as novidades deste ano, com a reintrodução das classificativas noturnas, e o futuro do rali.

Quem o entrevistou foi a jornalista Edite Dias.

«O ARMINDO FAZ MILAGES COM O CARRO QUE TEM!»

O sucesso passa pelo caminho da inovação e da surpresa. Esta parece ser a fórmula do presidente do ACP para garantir a paixão dos pilotos, da FIA e dos adeptos pelo Rali de Portugal. O melhor rali do mundo, defende Carlos Barbosa, orgulhoso das provas noturnas e lamentando apenas a falta de competitividade do unico português no WRC.

- Como foi a experiência do regresso do rali a norte, nomeadamente a Fafe e ao reencontro com estes adeptos?

- Extraordinária, o público acorreu em massa, os números da GNR dizem que foram mais de cem mil pessoas. Realmente, é no norte é que estão os fãs. A 'afficion' do norte é outro rali. Não só o público, como as classificativas... É outro rali.

- É possivel pensar num regresso ao norte do rali? Para o ano?

- Vamos pensar, ver como é que podemos e se podemos fazer o rali no norte, mas não para o ano. Há um determinado numero de cadernos de encargos que temos de respeitar, em relação à FIA. Só para se ter esta ideia, no Algarve estão 900 quartos alugados para o rali, É preciso ponderar, é precisa toda esta logística, não podemos colocar as marcas longe dos troços... Tem de se montar um rali de A a Z. Não sei se os troços estão em condições de poder fazer isso, aquilo que me apetece é ir para o norte por causa da 'afficion'. mas não sei se a logistica me permite ir para o norte.

- Ir para o norte significa deixar o rali no sul do país, ou significa estender o rali de norte a sul?

- Não, isso não. Os construtores não aceitarão isso, porque o rali neste formato é o mais barato do Mundial. Os construtores não aceitarão fazer um rali como antigamente, que saía de Lisboa e acabava na Póvia de Varzim. Isso já não é possivel hoje em dia, nem comparável com as despesas. Os carros de assistência do rali ficam ali no parque, no estádio. Andar com aqueles carros gigantescos atrás não é possivel. Tinhamos de montar um centro no Porto, em Braga, noutro sítio...

- Admite estudar a hipótese?

- Sim, mas é complicado. É outro rali, é outro ambiente, os pilotos que estiveram ali em Fafe, a 'nata da nata', adoraram, disseram que ali é que era. O Petter Solberg, que já fez aquilo nos tempos do Rali de Portugal, estava emocionadíssimo com o regresso. Não prometo nada. Um dos principais patrocinadores é o Turismo de Portugal e também não sei se está mais interessado em promover o Algarve ou o norte. Não podemos decidir isto sozinhos.

- Este ano será um rali mais desafogado financeiramente?

- Não, porque com as etapas noturnas temos condições de segurança muito mais apertadas e vamos ter gastos totalmente diferentes. Os helicópteros não voam à noite, temos de ter mais ambulâncias, mais comissários com menos distância entre eles, que é para se houver algum acidente agiur imediatamente.

- Lisboa foi uma aposta ganha?

- Sim, sim. Os Jerónimos são uma imagem de Portugal, transmitida para todo o mundo e este anos vamos ter ainda mais plataformas de transmissão e mais audiência. Teremos mais uma bancada, no topo dos Jerónimos, para não prejudicar a imagem do Mosteiro. Está tudo preparado para que seja um grande espectáculo, mesmo com chuva. Quem gosta de automóveis vai querer ir, porque tem os carros 'à mão'.

- E em termos competitivos, espera um rali dos mais interessantes dos últimos tempos?

- Muito! Sobretudo, com esta troca de pilotos. Em Fafe, o Petter Solberg ganhou por duas décimas ao Löeb! E ainda o Nasser [Al-Attiyah], rapidíssimo e que deu um grande show. Não dou como adquirida a vitória do Löeb, apesar de ser considerado um extra-terrestre. Todos os pilotos adoram Portugal, os troços do Algarve, o público, a segurança e acho que este ano haverá mais competição.

- E o Armindo Araujo, é uma excelente bandeira deste rali?

- O Armindo ajuda imenso e só é pena não ter no carro as evoluções que têm os carros da Prodrive. É uma pena que a Prodrive não lhe dê as mesmas capacidades que dá a um Daniel Sordo. Se o Armindo tivesse um carro exactamente igual ao do Sordo, dava cartas aqui e podia ficar nos cinco primeiros tranquilamente. Com um carro inferior e sem as evoluções da Prodrive é muito difícil. O Armindo já faz milagres copm o carro que têm!...

- E porquê essa desvantagem?

- Há uma guerra entre a BMW, a Prodrive e a Motorsport Itália. Uma relação estranha e é pena que a Prodrive não cumpra o que prometeu ao Armindo, de lhe dar as especificações que deu ao Sordo. O Armindo pagou uma fortuna pelo carro e as especificações todas, que não vieram. Imagine ele, que guia maravilhosamente bem, com um carro de topo! O Armindo com um carro igual ao do Sordo, era ótimo para o rali, para o público e podia apostar no 'top 5'!

- E surpresas para o ano?

- Já sei o que será, mas não posso dizer. Prometo continuar a inovar! Mais dia menos dia só vaºo realizar-se seis ralis na Europa. Não posso correr o risco de perder o rali para Espanha ou França. Tenho de ser o melhor. Como os outros são sempre iguais, o rali de Portugal é muito apetecível para a FIA, para os construtores e para as televisões.

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ORÇAMENTO: O orçamento deste ano é de quatro milhões. O Governo contribuiu com um milhão e meio, um milhão do turismo e 500 mil do desporto. O resto é dos patrocinadores e das inscrições.

NOTURNAS: As noturnas vão voltar ao velho Rali de Portugal, estão nas memórias de todos. Vão dificultar o andamento dos pilotos, é certo, mas eles são profissionais, de dia ou de noite.

INOVAÇÕES: Foi o rali de Portugal que fez a 'especial' da capital, criou zonas de espetáculo e etapas noturnas. Monte Carlo tem uma, mas não interessa nada. Inovamos sempre e é por isso que é o melhor rali do mundo.

Os vinte anos da saga da Andrea Moda

(...) no final de 1991, a Coloni estava à venda. A equipa nunca tinha alcançado a qualificação desde meados de 1989, quando teve dois carros e Roberto Moreno como piloto. Tentativas em 1990, com o "boxer" da Subaru e com pilotos como Bertrand Gachot, Pedro Matos Chaves e Naoki Hattori deram em zero e Coloni decidiu vender a sua equipa - menos competitiva que as melhores equipas da Formula 3000 - a preço de desconto a Sassetti.

Andrea Sassetti era um jovem industrial, então com 32 anos, com interesses na industria do calçado, mas que também tinha casas noturnas em Itália. Personalidade algo controversa, achava que a Formula 1 seria o melhor canal para publicitar o seu nome. Com a compra da equipa Coloni, ficou com grande parte do "staff" e o chassis C4, alargando-a para dois carros. Adquiriu motores V10 da Judd e dois pilotos italianos: Alex Caffi e Enrico Bertaggia. (...)

(...) Entretanto, Sassetti mandou os carros para Kyalami, e montou um deles para Alex Caffi porque... não havia peças suficientes para o segundo carro. E mecânicos também. Mas apesar de ter dsado umas voltas na quinta-feira da corrida, a FIA excluiu-os por causa da história dos cem mil. Sassetti, contrariado mas não vencido, pagou. E pediu à Simtek para que encomendasse um novo chassis a Nick Wirth, porque ele sabia que com aquele C4 da Coloni, não ia a lado algum.

Wirth aproveitou o chassis desenhado para o projeto abortado da BMW em 1990 - que depois se batizaria de S921 - e modificou o suficiente para estar conforme os regulamentos de segurança de então. Em pouco tempo, os carros foram feitos e enviados às peças para o México, mas não ficaram prontos a tempo de darem umas voltas no Autódromo Hermanos Rodriguez. Caffi e Bertaggia, que aproveitaram o fim de semana para apanhar sol nas bancadas mexicanas, acharam que aquela brincadeira foi longe demais e foram embora. Mas como Sassetti não queria dar de vencido, afirmou que os tinha despedido. E foi sem testes, "shakedowns" ou pilotos que a equipa foi ao Brasil, a terceira prova do ano. (...)

Faz agora vinte anos que surgiu aquela que é, provavelmente, a pior equipa da história da Formula 1. Quem cresceu nessa altura certamente conhece as histórias da Onyx, Coloni, Eurobrun ou Life. Mas nenhuma destas equipas, por mais má que seja a sua história, consegue bater nos pontos a história da Andrea Moda, um projeto liderado por um excêntrico italiano, Andrea Sassetti, que quis aproveitar a Formula 1 como montra para se mostrar ao resto do mundo.

E de facto mostrou: a sua falta de profissionalismo, bem como os desempenhos pífios dos seus carros, do qual os pilotos tentavam fazer milagres atrás do volante, como fez Roberto Moreno no Mónaco, deram nas vistas no "paddock". E as coisas foram assim durante mais de meia época, até ao GP da Belgica, altura em que Sassetti foi preso por fraude fiscal, e a FIA excluiu de vez a equipa na Formula, 1, pois segundo eles, tinha manchado a reputação da mesma. A partir de hoje, no Portal F1, conto em duas partes a história da pior equipa da história da categoria máxima do automobilismo.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Noticias: Paulo Nobre tem acidente e desiste na qualificação do Rali de Portugal

O Rali de Portugal ainda não começou - pelo menos oficialmente - e já há desistências entre os pilotos inscritos. Um deles é o brasileiro Paulo Nobre, o Palmeirinha, sofreu um despiste na sua qualificação esta tarde, com o seu Mini JCW WRC, danificando o seu "roll bar" de modo suficientemente forte para o impedir de alinhar neste rali.

Nobre, o "Palmeirinha", estava a fazer a sua tentativa quando bateu em algumas pedras e capotou, sofrendo danos que os técnicos da Mini classificaram como irreparáveis a tempo de começar o rali, que começará na tarde de amanhã em Lisboa.

Noticias: Ecclestone garante que o GP do Bahrein vai adiante

Depois de ontem terem circulado fortes rumores do seu possivel cancelamento, devido à falta de garantias de segurança por parte das autoridades locais, o governo do Bahrein e a autoridade da Formula 1 vieram hoje a público reforçar as garantias de que o Grande Prémio se realizará na data prevista, 22 de abril, apesar das ameaças. "O Grande Prémio irá ter lugar e tenho a certeza que acontecerá sem problemas", afirmou Bernie Ecclestone em declarações captadas pelo jornalista britânico James Allen.

Sobre o fato das declarações do presidente da Federação Barenita de Automobilismo ter dito que o Grande Prémio seria "uma oportunidade para unir a população", Ecclestone afirmou: "Ficariamos felizes por sermos vistos dessa maneira, mas temos confiança neles [as autoridades barenitas]. Não vemos como é que poderemos contribuir para a reconciliação nacional, mas a coisa boa é que o Bahrein é mais democrático do que em muitos outros lados, porque as pessoas tem liberdade de expressão e podem protestar quando quiserem", continuou.

E sobre se teme pela sua segurança pessoal, o octogenário respondeu: "Não necessito e nunca necessitei de qualquer segurança pessoal, mas estou certo que farão o necessário. Será "business as usual", e acho que qualquer ação arrisca-se a ser tola porque será mostrado para o resto do mundo", afirmou, antes de culpar os média pelo "empolamento" da situação: "Sinceramente, acho que a imprensa deveria estar calada e deixar que os factos falem por si e não inventarem estórias", concluiu.

Apesar dos apoios públicos de Ecclestone, das equipas e de pilotos como Sebastian Vettel e Lewis Hamilton, e das garantias das autoridades locais, em privado, muitos membros das equipas expressam o seu receio sobre a situação atual do pequeno emirado no Golfo Persico. As manifestações, embora em menor escala, continuam a decorrer, e os apelos ao boicote continuam fortes e firmes, quer dentro do país, quer fora dele.

E os detratores, como Nabeel Rajab, presidente do Centro Barenita dos Direitos Humanos, disse à BBC que a corrida não deveria acontecer devido ao seu mau registo em termos de direitos humanos: "Não deveria acontecer [o Grande Prémio], nem que fosse em sinal de respeito aos membros da empresa que gere o circuito, e que foram sistemáticamente torturados dentro das suas instalações", afirmou ao programa Hard Talk, da cadeia britânica.   

Fibra de Carbono, episódio 5

Gravamos ontem à noite e foi editado esta manhã: o episódio numero cinco do nosso podcast "Fibra de Carbono" está pronto para que vocês possam ouvir, e lá falamos sobre o GP da Malásia, a vitória de Fernando Alonso e a grande performance de Sergio Perez. E ainda tivemos tempo de falar sobre o Rali de portugal, nomeadamente o Fafe World Rally Sprint.

O programa é compridinho, mas vale a pena. Eis o link: http://www.fibracarbono.net/podcast/episodio-5-o-cavalinho-checo-de-sepang.html

Formula 1 em Cartoons - Uma conversa entre Alonso e Hamilton (GP Series)

Fernando Alonso e Lewis Hamilton até se dão bem como pilotos, mas em equipas diferentes. E neste GP malaio estiveram à conversa por breves momentos, captados pela objetiva de um fotógrafo. E Marcos Antônio, da GP Series, imaginou a conversa...

WRC 2012 - Rali de Portugal (Qualificação)

A qualificação de hoje de manhã, na classificativa do Vale Judeu, revelou que os Ford foram mais rápidos do que os Citroen, logo, tiveram a liberdade de escolher o lugar de onde queriam partir amanhã à tarde, quando começarem as classificativas. E eles escolherem ser dos últimos do pelotão, ao contrário dos Citroen de Sebastien Löeb e Mikko Hirvonen, que ficaram no primeiro e segundo lugares, querendo aproveitar o melhor das classificativas, caso o pó seja muito por altura em que atravessarão os troços.

Jari-Matti Latvala foi o melhor no troço de 4960 metros, com um tempo-canhão de 3.01,884 segundos, com Petter Solberg em segundo, com um tempo de 3.03,655 segundos, quase dois segundos mais lento do que o seu companheiro de equipa. Mikko Hirvonen foi o terceiro, com 3.04,232, batendo por muito pouco o francês Sebastien Löeb, que fez 3.04,249 segundos. O espanhol Dani Sordo foi o melhor dos Mini, fazendo o sétimo tempo (3.05,789)

Armindo Araujo foi 12º na qualificação e escolheu partir do sétimo posto, um lugar mais ao centro. Quanto a Nasser Al-Attyah, falhou um cruzamento e perdeu alguns segundos, bem como Daniel Oliveira, que capotou a meio do troço, contudo, sem grandes danos no seu carro. Em termos de escolha, depois do piloto português ter escolhido o sétimo posto, Sordo resolveu ser o quarto a partir, depois dos Citroen e do Ford de Ott Tanak, enquanto que o piloto qatari será o nono a sair da estrada.

Amanhã começa o Rali, primeiro com uma classificativa na Praça do Império, em Lisboa, para no final da tarde acontecer as classificativas noturnas de Gomes Aires, Santa Clara e Ourique, as grandes novidades deste Rali de Portugal de 2012.

terça-feira, 27 de março de 2012

Rali de Portugal: organização decidiu regar as classificativas noturnas

A três dias do inicio do Rali de Portugal, o pó é a principal preocupação da organização e dos pilotos, especialmente nas classificativas de Gomes Aires e Ourique, no Alentejo, os primeiros a serem percorridos pelos pilotos, na quinta-feira à noite. 

A quantidade de pó que se têm levantando por estes dias, agravado pelas atuais condições do tempo, pois já não chove há muitos meses naquela zona, faz com que os pilotos temam que quem ficar na frente, consiga demasiadamente cedo uma vantagem decisiva neste rali. Sendo assim, a organização decidiu regar com abundância essas classificativas, para evitar que se levante o pó naquela zona e facilitar a vida dos pilotos.

De acordo com a Autosport portuguesa, para além de não terem garantias de que poderá chover nesse dia no Alentejo - apesar dos avisos da meteorologia nesse sentido - nos testes que os pilotos andam a fazer a certos locais, o pó consegue ficar no ar por cerca de cinco minutos, o que poderá afetar o desempenho dos pilotos que seguirão atrás do primeiro carro que partirá na estrada. E alguns pilotos, como Sebastien Löeb, já se queixam nesse sentido.

Rumor do dia: GP do Bahrein pode ser cancelado

Ainda a tarde mal chegou a meio e o rumor chegou: que o GP do Bahrein corre o risco de ser cancelado na semana que vêm. Segundo a BBC, o presidente da federação barenita de automobilismo afirmou que não consegue garantir a segurança de pilotos, mecânicos e demais elementos da Formula 1 devido aos constantes protestos e consequente agitação social na ilha desde meados de fevereiro do ano passado.

"Existem perturbações causadas por jovens, que necessitam de ser lidadas da maneira mais correta", afirmou o Sheikh Abdullah bin Isa Al Khalifa em entrevista à PA Sport. "Não podemos garantir a segurança". 

Contudo, o mesmo responsável ainda acredita que a vinda da Formula 1 poderá ajudar a unificar as comunidades xiitas e sunitas, existentes na ilha. Contudo, outros fatores, estes mais pragmáticos, poderão estar em jogo, como o fracasso na venda de bilhetes, sinal de que as garantias de segurança que o governo prometeu assegurar, não tem sido conseguidas.

O GP do Bahrein está marcado para o dia 22 de abril, uma semana depois do GP da China e será a quarta corrida do campeonato.

A história dos "travões a água"

(...) Em 1980, a luta entre as duas partes estava ao rubro. O motivo tinha a ver com as saias laterais, que a FISA queria abolir, e do qual os construtores estavam contra, especialmente o patrão da Brabham, Bernie Ecclestone. Então com 50 anos, o britânico que tinha comprado a Brabham em 1971 a Ron Tauranac, depois de ter sido o “manager” de Jochen Rindt, tinha pegado entre mãos o negócio da Formula 1 e o fez crescer em termos de publicidade e televisão, expandindo-o para novos mercados, como os Estados Unidos. Tendo motores Cosworth, como a esmagadora maioria dos “garagistas”, não via com bons olhos o aparecimento dos motores Turbo, trazido em 1977 pela Renault e que demorou ano e meio para alcançar a sua primeira vitória. 

Naturalmente, Renault, Ferrari e Alfa Romeo, com os seus muitos milhões gastos em pesquisa para os seus motores Turbo, estavam a incomodar as restantes equipas, que confiavam nos velhos Cosworth DFV V8. E com a crescente potência desses motores Turbo, começavam a cavar um fosso entre eles e a concorrência, algo que estragava o espectáculo que Bernie Ecclestone começava a montar. 

Assim, Colin Chapman veio com um truque: “travões a água”. Criaram-se nos chassis dos Lotus dois depósitos perto dos travões, que se enchiam de água, um pouco acima do peso mínimo dos carros, do qual se esvaziava ao longo das primeiras voltas da corrida, que era para aligeirar os carros, no sentido de os tornar mais leves e os conseguir acompanhar ou mesmo bater os carros Turbo. No final, enchiam os depósitos dos carros antes de serem pesados pelos comissários da FISA. Engenhoso, mas ilegal, pois com esses depósitos vazios, o carro ficava bem abaixo do peso mínimo, cinquenta quilos em média. (...)

O GP do Brasil de 1982 mostrou mais um episódio de uma guerra entre a FISA e as equipas, lideradas pelo patrão da Brabham, Bernie Ecclestone. Numa altura em que as construtoras, lideradas pela Renault, tinham descoberto o poder dos motores Turbo e faziam carros mais pequenos e mais potentes, para poder superar a hierarquia dos motores Ford Cosworth V8 de 3 litros, as equipas que se viam de súbito superadas pelas construtoras, recorreram a truques - muitas vezes ilegais - para acompanhar o passo de Ferrari e Renault, e em breve Alfa Romeo e Toleman.

O truque dos "travões a água" não era mais do que encher depósitos vazios, existentes dentro do carro, com água, que seria largada ao longo da corrida, para os tornar mais leves em cerca de 50 quilos, ficando muitas vezes abaixo dos 580 quilos regulamentados, o que era ilegal. Quando a "urucubaca" foi descoberta, já Brabham, Lotus, Williams e McLaren usavam-no quase abertamente nos seus carros, e com isso, Nelson Piquet, o vencedor do GP do Brasil, e Keke Rosberg, o segundo classificado, foram sumáriamente desclassificados.

Essa desclassificação, porém, não ficou por aqui. As equipas lesadas decidiram apelar da desclassificação no Tribunal de Apelo, afirmando que essas desclassificações tinham sido politicas, pois o terceiro classificado dessa corrida tinha sido Alain Prost, e assim ele ficaria destacado, com 18 pontos. O Tribunal de Apelo deu razão à FISA e aos comissários brasileiros e as equipas FOCA decidiram reagir, boicotando o GP de San Marino, a quarta prova do campeonato.

A história dos "travões a água" pode hoje ser lida no PortalF1.com.   

segunda-feira, 26 de março de 2012

Formula 1 em Cartoons: GP Malásia (GP Toons)

O GP malaio, com o seu resultado imprevisível debaixo de chuva, onde Fernando Alonso se revelou que consegue "tirar leite de pedra" com aquele Ferrari, qual Gilles Villeneuve de um distante ano de 1981, e claro, a excelente - e inteligente - prestação de Segio Perez, no seu Sauber, a levá-lo ao seu melhor resultado de sempre da sua ainda curta carreira, resultou neste interessante "cartoon" feito pelo Hector Garcia, da GP Toons.

Curioso ver que não encontro Jenson Button em lado nenhum. Já estaria no fundo do mar primeiro do que Pastor Maldonado, arrastado pelo seu motor? 

Noticias: Adam Parr abandona a Williams

Um dia depois de Bruno Senna ter chegado ao sexto lugar do GP da Malásia, a Williams anuncia oficialmente que Adam Parr se demitiu do seu cargo de diretor executivo da equipa fundada por Sir Frank Williams. A demissão terá efeito esta sexta-feira, dia 30 de março, e o seu substituto será Nick Rose, antigo diretor da Diageo, que tem marcas como a Johnny Walker. Num comunicado oficial divulgado no site, Frank Williams reagiu à sua saída, agradecendo a Parr os serviços prestados: 

Pedi a Adam para que se juntasse à Williams no final de 2006 no intuito de me ajudar no dia-a-dia da nossa equipa. Nos últimos cinco anos, os feitos de Adam ultrapassaram as minhas expectativas e ao qual só tenho palavras de agradecimento pelos seus serviços. Não só pelo papel desempenhado na parte técnica, como também nas mudanças que fizemos no ano passado, na transição para uma firma cotada na bolsa, cujos frutos começam agora a ser mostrados.", começou por declarar.

"Adam deixa-nos de modo amigavel para perseguir outros objetivos na vida, do qual lhe desejo a melhor das sortes. Deixou-nos numa boa situação e estou confiante que todos nós na direção, iremos levar a Williams rumo a um futuro promissor", concluiu.

A noticia até podia ser esperada em alguns sítios, mas a altura em que é dada acontece de modo surpreendente, pois a Williams está numa fase em que parece recuperar muito do seu prestígio perdido no ano passado, com Bruno Senna e Pastor Maldonado a fazerrem boas performances com o FW34, que este ano tem motores Renault. Contudo, as tensões dentro da equipa, principalmente com Christian "Toto" Wolff, o sócio minoritário da Williams, como a sua incapacidade de arranjar grandes patrocinadores nos últimos cinco anos, fazendo com que dependesse de pilotos pagantes, como Pastor Maldonado e Bruno Senna, em detrimento de Rubens Barrichello, levaram a que o lugar de Parr estivesse em perigo durante muito tempo, do qual apenas teve o apoio de Frank Williams. 

Caro Elio

Caro Elio de Angelis:

Escrevo isto porque hoje deveria ter sido o teu 54º aniversário natalício. Provavelmente, caso estivesses vivo, estarias a gozar a reforma do automobilismo, depois de teres feito mais umas temporadas na Formula 1 e provavelmente experimentado outras categorias, como a Endurance. Teria sido engraçado ver-te a fazer a reta das Hunaudriéres, a toda a velocidade, a bordo de um Audi ou um Porsche, tentando ganhar umas 24 Horas de Le Mans. Ou então a tentares a tua sorte na CART, nas ovais, dividindo posições com Emerson Fittipaldi ou Mário Andretti, o teu companheiro na Lotus. Ou então, que pura e simplesmente, terias continuado com os negócios de familia ou à frente do teu próprio negócio, matando as saudades com uma corrida de kart e tocando piano nos tempos livres.

Adivinhar um futuro condicional - o famoso 'e se?' - é o exercício que toda a gente gosta de fazer para alguém que se foi demasiado cedo, como tu. E ainda por cima eras uma personagem estimada por todos: educado, cavalheiro, que andavas por ali por puro amor ao automobilismo. E tinhas talento. Não era qualquer um que atraísse a atenção de Colin Chapman logo no seu primeiro ano de Formula 1, apenas com 21 anos. Mas conseguiste. E no ano seguinte, conseguir um segundo lugar na sua segunda corrida pela marca.

Não creio que o tempo tenha esquecido de ti. Os "petrolheads" não se esqueceram de ti, mesmo aqueles que nunca te viram correr. Aliás, tenho tido recentemente exemplos de pessoas que começaram a admirar pilotos que morreram muito tempo antes das pessoas terem nascido, o que é incrivel. Tu tens o teu lugar garantido na história. Foste o primeiro a vencer pela Lotus depois de três anos de ausência, numa corrida decidida por milésimas contra Keke Rosberg. Hoje em dia, mesmo que a maior parte das pessoas já tenha memórias mais difusas de quem tu eras, ainda te lembram por teres sido o último piloto a vencer com Colin Chapman ainda vivo, por teres sido um dos companheiros de Ayrton Senna - que te superou em 1985, quando estiveram juntos - e pelas tuas habilidades ao piano.

Não tiveste tempo para teres uma carreira plena, como muitos outros. Não houve tempo para um filho, possivel herdeiro - nem sei se seguiria os teus passos - mas creio que deste o teu melhor, nas equipas que tu passaste. Mesmo naquela Brabham cujo projeto era demasiado arriscado, e do qual se tornou no teu túmulo.

Por aqui, sentimos a tua falta. Tal como a de muitos outros pilotos que se foram cedo demais. E a unica coisa que podemos fazer são gestos como este. De contar que um dia, tu exististes e fizeste certas coisas que trouxeram a admiração e a felicidade a muita gente. Acho que conseguiste esse objetivo.

Abraços, de onde é que tu estejas. E mais uma vez, feliz aniversário!