segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Noticias: Red Bull confirma Felix da Costa em Abu Dhabi

A noticia já era esperada desde há algumas semanas, mas esta manhã foi confirmado: a Red Bull irá levar António Felix da Costa ao Rookie Test de Abu Dhabi, que vai acontecer entre os dias 6 e 8 de novembro, tendo a seu lado o vencedor da WSR em 2012, o holandês Robin Frijns.

Segundo se conta na noticia, o piloto português andará dois dias com o RB8, pilotado habitualmente por Sebastian Vettel e Mark Webber, antes de entregar o carro para Frijns, que também irá testar pela Sauber durante dois dias, nesse mesmo teste.

O teste com a Red Bull será, naturalmente, uma recompensa pelo facto das suas vitórias nesta temporada, quer na GP3, quer na World Series by Renault, onde conseguiu cinco vitórias, duas pole-positions e sete pódios nos últimos quatro fins de semana duplos da temporada de 2012 desta competição no qual chegou a meio e teve tempo de terminar no quarto lugar da classificação geral.

O próximo Cristiano Ronaldo e a ignorância da televisão portuguesa

O grande fim de semana que António Félix da Costa teve em Barcelona, na ronda final da World Series by Renault, foi comemorado por todos os que seguem a carreira do piloto de Cascais, atualmente com 21 anos. E nos jornais e restantes sítios especializados, foi devidamente comemorado, fazendo com que as pessoas que seguem a sua carreira estejam cada vez mais convictos que ele irá chegar, graças ao apoio da Red Bull, à categoria máxima do automobilismo, e se calhar já em 2013.

Contudo, fora do panorama mais especifico, poucas linhas foram dadas a ele nos jornais, e na televisão, a ignorância é total. Nem uma palavra, nem uma referência, nem numa nota de rodapé nas televisões nacionais, e isso fez com que um amigo meu, o João Pedro Quesado, decidisse escrever um e-mail, dirigido às televisões nacionais, demonstrando a sua indignação pelo facto destes ignorarem "olimpicamente" o feito de Felix da Costa. Perguntei a ele se podia colocar a mensagem aqui e ele disse que sim. Eis a mensagem na íntegra.

"A minha crítica incide num tema sobre o qual ninguém parece querer expressar. A falta de cobertura da RTP, da SIC e da TVI à carreira muito bem-sucedida de António Félix da Costa continua a ser uma falha, na minha opinião, flagrante.

Félix da Costa já obteve esta temporada sete vitórias: três no campeonato GP3 Series e quatro no campeonato Fórmula Renault 3.5, das World Series by Renault. No entanto, nenhuma delas foi notícia.

E eu pergunto porquê? Há alguma coisa de menos importante nestas vitórias ou que vos impeça de dar estas notícias tão positivas!? Um piloto que, apesar do seu enorme talento, mal é conhecido no seu país de origem. Um piloto que está a trilhar com passos de gigante o seu caminho para a Fórmula 1, e que conta com o apoio de apenas a vigésima parte do seu país, pois o resto não sabe.

A responsabilidade desta ignorância é da comunicação social. São vocês que são responsáveis por informar a população do nosso país e, no entanto, escolhem ignorar ou nem sequer se dão ao trabalho de querer saber. O que é que o futebol tem mais que o desporto motorizado? O que é que tem mais que todos os outros desportos? Já não chega de futebol? Eu sei que é o que vos dá audiências. Mas se vocês continuarem a agir assim, estão a formar uma geração que está completamente formatada para o futebol. A comunicação social devia ser a plataforma para que as pessoas possam escolher aquilo que gostam e apoiam, e não um sitio que escolhe informações sempre sobre as mesmas coisas. O que vocês fazem é como dizer às pessoas que as outras coisas não existem.

Volto a dizer: António Félix da Costa é um talento português a caminho da F1. Ele é um português que tem grande sucesso neste momento. UM PORTUGUÊS! Num tempo em que nem a nossa Selecção Nacional consegue dar alegrias ao povo português, que tal informar Portugal da carreira deste piloto para que o país possa assistir à sua chegada à Fórmula Um!? Ele é um piloto que é elogiado internacionalmente. O seu estilo de condução e o seu talento têm-lhe valido vários sucessos e agora, com o apoio da Red Bull, ele está em alta! E é uma vergonha que tão pouca gente em Portugal o conheça. 

Espero que não ignorem isto, pois se não vir efeitos, vou continuar a insistir. A próxima corrida de Félix da Costa é o GP de Macau, de 15 a 18 de Novembro. Espero que cubram o evento. Para que possam informar verdadeiramente o povo."

O meu conhecimento de jornalismo, bem como as suas manhas, permitem-me dizer em resposta é que "good news is no news", e que neste país, o "desporto" é futebol, e mesmo aí de divide em quatro categorias: Benfica, Porto, Sporting e Cristiano Ronaldo.

E o melhor exemplo disso tem a ver com os atletas que representam Portugal nos Jogos Olímpicos  Ignorados durante três anos e onze meses, lembram-se durante os dezesseis dias que duram o evento, pedindo coisas que em muitos aspectos são absolutamente irrealizáveis, como o de ganhar medalhas. Quando as coisas não correm bem, há uma discussão e um debate público sobre o que se deve fazer para melhorar as performances, mas é uma discussão que desaparece ao fim de dez dias, para depois reaparecer quatro anos mais tarde.

Em segundo lugar, com um país em crise, onde se pensa mais com a carteira do que com aquilo que é realmente noticia, só começarão a falar dele quando chegar à Formula 1. E só será noticia quando ele vencer na categoria máxima do automobilismo.

Também tenho uma teoria mais pessoal: tudo que não aparece no "Correio da Manhã" (CM), o jornal mais lido deste país, não merece nas televisões. Portanto, para que Felix da Costa comece a ser visto, o CM tem de fazer uma manchete numa segunda-feira de manhã, em vez do "crime de faca na liga" em Alguidares de Baixo. Ou então, que a Rita Pereira ou alguma atriz dos Morangos com Açucar apareça em festas como sendo a namorada dele. E que eu saiba, o "coração" de Felix da Costa já tem dono...

Mas passando para coisas sérias, o jornalismo dos dias de hoje é um de gabinete. E não falo só das TV's, falo das rádios e dos jornais. Quando leio meia dúzia de linhas sobre os bons resultados de Felix da Costa na GP3 ou na World Series by Renault num jornal desportivo como "A Bola", por exemplo, vejo que o mal não vêm só das televisões, mas é geral. Tirando a excepção das entrevistas e das publicações especializadas, que nos "salvam o dia", nunca vi um seguimento sério dos feitos de Felix da Costa por parte da imprensa "mainstream" portuguesa. É o jornalismo que temos, que fazem com que os entendidos ou os que querem seguir a carreira do "Formiga" por curiosidade e admiração tenham de recorrer ao Facebook ou a sitios mais "marginais", como este, para saber alguma novidade sobre ele.

E quando digo que é um "jornalismo de gabinete", o melhor exemplo disso é a ausência de coisas como uma "Grande Reportagem", onde as pessoas partem à aventura para contar histórias vindas de lugares distantes. Mas isso é outra história que merece outro post. Mas mesmo aqui pode-se encontrar algo que se pode aplicar no caso de Felix da Costa: que eu saiba, não vi qualquer enviado especial de rádio, TV ou jornal em Barcelona, para o acompanhar neste fim de semana. E Barcelona fica do outro lado... da Peninsula Ibérica.

Em suma: uma combinação de ignorância, comodismo e desinteresse resultam nisto que estão a ver. Mas não é só aqui em Portugal que tal coisa se passa. Acontece em todos os páises, em qualquer sociedade onde os "mass media", principalmente os grandes grupos económicos, pensam mais no dinheiro do que dar noticias feitas por eles mesmos porque "fazem gastar dinheiro". E depois não se admirem que, aos poucos e poucos, este jornalismo se erode porque as novas gerações vão à procura de novas fontes, aquelas que dão aquilo que procuram.

Um dia, iremos ver Felix da Costa a fazer abertura de Telejornais na TV portuguesa, isso é certo. Mas temo que isso aconteça quando não tem mais qualquer hipótese de o ignorar, como será quando chegar à Formula 1, ou algo mais. E provavelmente, depois de verem a manchete do "Correio da Manhã"...

GP Memória - México 1967

O campeonato do mundo de 1967 era um assunto que tinha de ser resolvido entre dois candidatos ao título, ambos curiosamente da mesma equipa: a Brabham. Dennis Hulme era o lider, com cinco pontos de avanço sobre Jack Brabham, o segundo classificado. Apesar de patrão e empregado estarem em luta direta, não havia hierarquias, era apenas "que vencesse o melhor piloto". 

O neozelandês, com 47 pontos, estava na melhor situação, bastando apenas ser quarto classificado para comemorar o campeonato. Para o australiano, com 42 pontos, a situação não estava boa, e para piorar as coisas, caso pontuasse, teria de deixar cair dois pontos, pois tinha alcançado o limite de corridas onde poderia pontuar. Assim sendo, Brabham só seria campeão se vencesse e Hulme abandonasse a corrida.

A grande novidade neste Grande Prémio era que a Ferarri iria colocar um segundo carro, para o britânico Jonathan Williams. Na Cooper, Jochen Rindt decidiu abandonar a equipa antecipadamente, ele que já se tinha decidido juntar à Brabham, no lugar de... Hulme. É que este tinha decidido aceitar o convite do seu compatriota Bruce McLaren para correr na sua equipa, não só na Formula 1, como na Can-Am e nas corridas americanas, nomeadamente as 500 Milhas de Indianápolis. 

Mas se a Cooper tinha perdido Rindt, em compensação, via regressar Pedro Rodriguez, já recuperado de um acidente que tinha sofrido a meio do ano em Enna-Pergusa, numa corrida de Formula 2.

A qualificação resultou na pole-position para Jim Clark, no seu Lotus-Cosworth, seguido pelo Ferrari de Chris Amon. Dan Gurney era o terceiro, no seu Eagle, seguido pelo segundo Lotus de Graham Hill. Jack Brabham e Dennis Hulme eram respectivamente quinto e sexto classificados, comn John Surtees a ser o sétimo na grelha. Bruce McLaren era o oitavo, e a fechar o "top ten" estavam o Lotus de Moisés Solana e o Cooper-Maserati de Jo Siffert, inscrito pela Rob Walker Racing.

A corrida começou com Amon e Hill na frente, aproveitando a lenta partida de Clark. Isso foi o suficiente para que Gurney tocasse nele. Ambos os carros prosseguiram, mas o americano tinha um buraco no radiador, que o fez abandonar à quarta volta. O escocês cedo apanhou o ritmo e aproximou-se de Amon, para o passar. Pouco tempo depois, foi a vez de Hill ser apanhado por Clark e o ultrapassar, ficando na liderança. Hill acabaria por desistir na volta 18, vítima de uma avaria na transmissão do seu carro.

Atrás, Brabham tinha chegado ao terceiro lugar, mas Hulme ficava atrás dele, em marcação ao seu patrão. À medida que as voltas passavam, tornava-se evidente que nem Brabham se aproximava de Amon e Clark, nem Hulme se afastava dele. Logo, o campeonato se desenhava cada vez mais a favor do neozelandês.

Perto do final, Amon começou a ter problemas com o seu motor, que começava a funcionar mal. Tinha pouca gasolina no seu carro e acabou por ser passado pelos Brabham antes de Clark cortar a meta. Por essa altura, com quase com um minuto e meio de vantagem, o escocês vencia pela segunda vez consecutiva, igualando o recorde de Juan Manuel Fangio, de 24 corridas. Brabham e Hulme ocuparam o pódio, com o neozelandês a conseguir 51 pontos e a dar à Nova Zelândia o seu primeiro título de campeão. 

Amon tinha cortado a meta no quinto lugar, mas os comissários não contabilizaram a sua última volta, que o consideraram demasiado lenta, e caiu para o nono lugar da geral. Assim, nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Honda de John Surtees, o BRM de Mike Spence e o Cooper de Perdo Rodriguez.  

domingo, 21 de outubro de 2012

WRC - Rali da Sardenha (Final)

Por fim, foi a vez de Mikko Hirvonen estar no lugar mais alto do pódio nesta temporada. Depois de um ano sempre atrás de Löeb e da "falsa vitória" em Portugal, onde foi desclassificado por motivos técnicos, depois de ter sido o primeiro nas classificativas. Aproveitando os abandonos dos seus principais rivais, Sebastien Löeb, Jari-Matti Latvala e em menor instância, Petter Solberg, logo no primeiro dia de rali, Hirvonen controlou o andamento perante Evgueny Novikov, para chegar à meta no primeiro lugar, sem truques no carro.

No segundo lugar ficou Evgueny Novikov, conseguindo aqui o seu segundo pódio do ano, e o segundo da sua carreira. O jovem piloto de 22 anos parece ter aprendido a andar mais dentro da estrada, moderando os seus excessos e os resultados começam a aparecer. No terceiro posto ficou o estáonio Ott Tanak, conseguindo aqui o seu primeiro pódio, e em consequência, o seu melhor resultado da sua carreira nos ralis.

Com o quarto lugar nas mãos de Mads Ostberg, o quinto posto foi uma luta entre Sebastien Ogier e Chris Atkinson. O piloto do Skoda Fabia S2000, inscrito pela Volkswagen, levou a melhor sobre o australiano da Mini, embora a diferença não tenha sido por muito: quase 55 segundos.

Anders Mikkelsen foi o sétimo, na frente de Martin Prokop, Petter Solberg e do local Luca Pedersoli.

O WRC prossegue para a Catalunha, onde entre 8 a 11 de novembro, se encerrará o Mundial de 2012.

WSR: Felix da Costa domina em corrida marcada pela polémica

A temporada de 2012 da World Series by Renault terminou este domingo com o português António Felix da Costa a dominar as duas corridas do fim de semana catalão, numa prova marcada pela controvérsia  na luta pelo título. O holandês Robin Frijns colocou de fora o seu maior rival, Jules Bianchi, numa ultrapassagem arriscava na quarta curva do circuito de Barcelona, depois deste o ter ultrapassado na curva anterior.

Numa corrida onde o piloto português dominou do principio até ao fim, acabando a cortar a meta com quase 30 segundos de vantagem sobre o russo Mikhail Aleshin, as atenções viraram-se para a luta entre Frijns e Bianchi, que lutavam no meio do pelotão para ver quem ficaria na frente do outro. Em marcação cerrada, ambos pararam nas boxes na mesma volta, sem que se descolassem um do outro, com Sam Bird a observar as manobras esperando que se beneficiasse de algo.

O momento da corrida foi na parte final, quando Frijns atacou Bianchi na travagem para a Curva 4, como reação à ultrapassagem do francês três curvas antes. Forçando a manobra, colocou-o na gravilha, não saindo mais dali. O holandês prosseguiu, acabando a corrida no sétimo lugar, com a manobra a ser investigada pelos comissários, mas mesmo em caso de desclassificação, nada altera em termos de campeonato, que fica nas mãos do piloto holandês. Aaro Vaino fechou o pódio, depois de ter andado à luta com Aleshin, o seu companheiro de equipa. Frijns foi sétimo, na frente de Bird, o oitavo.  

No final, aos microfones da Eurosport, o piloto português foi sucinto: “Não há muito a dizer, parti bem, o carro estava bom, depressa comecei a ganhar vantagem e depois não vi mais ninguém...”. Para o piloto de Cascais, esta foi a sua quinta vitória na WSR, e foi também o primeiro piloto a vencer nas duas corridas do fim de semana, nesta temporada. Um feito que tinha repetido na GP3, no fim de semana húngaro, no final de julho.


Mais tarde, na sua conta no Facebook, resumiu a sua corrida: “Larguei de 3º, mas logo no arranque passei para a frente da corrida, depois foi atacar nas primeiras voltas até ganhar alguma distância. Se ontem tinha ganho com algum conforto, hoje o domínio foi total, vencendo com mais de 27 segundos de vantagem para o 2º classificado. Reafirmo o excelente trabalho da equipa, tanto na paragem de box, como no acerto de set up do meu carro. Gostaria de dedicar esta vitória à Red Bull, que me possibilita estar a este nível e cada vez me sinto mais dentro da família Red Bull Racing. Uma palavra final para a minha equipa de management em Portugal, que sempre acreditou em mim e tem grande responsabilidade na forma como a minha carreira tem evoluído”, referiu.

No campeonato, Frijns é campeão, com 195 pontos, mais dez do que Jules Bianchi e mais 18 do que o britanico Sam Bird. Félix da Costa, que chegou à competição a meio do ano, acabou a competição no quarto posto, com 166 pontos, apenas menos 29 do que o campeão. Um enorme feito, diga-se.

A World Series by Renault regressará em 2013. Quanto a Felix da Costa, a sua temporada ainda não acabou, pois no final de novembro vai correr o GP de Macau de Formula 3. 

sábado, 20 de outubro de 2012

Youtube Le Mans Series: a reparação do Delta Wing enm Road Atlanta


Depois de na quinta-feira o Nissan Deltawing ter sofrido um forte acidente nos treinos para a corrida de Road Atlanta (para gáudio dos detratores...), o pessoal da Highroft e da Nissan passou a noite em claro para reparar a traseira do carro, no sentido de estar pronto para mais uma sessão de treinos na pista americana, a contar para a American Le Mans Series. O filme tem a ver com isso

Já agora, caso ainda não saibam, este carro vai ser guiado por Gunnar Jeannette e pelo espanhol Lucas Ordoñez, e vai ser mais um teste para saber se vai chegar até ao fim e preparar-se para a temporada de 2013, onde vão correr toda a temporada americana, na classe LMP2.

WRC 2012 - Rali da Sardenha (Dia 2)

O segundo dia do Rali da Sardenha ficou marcado pelo andamento moderado de Mikko Hirvonen, nitidamente a querer controlar o andamento para conseguir levar o carro inteiro até ao final do rali e conseguir a sua primeira vitória do ano. Com o andamento de Hirvonen, o homem do dia passou a ser Mads Ostberg, que no seu Ford da Adapta, conseguiu vencer quatro classificativas e passar para o quarto lugar, passando Sebastien Ogier, no seu Skoda da Volkswagen, e o Mini de Chris Atkinson.

Outro dos duelos do dia foi a luta entre Ogier e Atkinson, que primeiro foi pelo quarto lugar, mas depois, com a cavalgada de Ostberg, passou a ser pelo quinto lugar. O australiano parecia que estava a levar a melhor, mas depois, na última classificativa do dia, Ogier foi o melhor, deixando Atkinson a 3,9 segundos do francês.

No final do dia, Hirvonen liderava com mais de um minuto e 20 segundos sobre o russo Evgueny Novikov, no seu Citroen DS3, enquanto que Ott Tanak é o terceiro no seu Ford Fiesta WRC da M-Sport, a 2.20 minutos de Hirvonen. Osberg é o quarto, mas com mais 1.28 minutos sobre o piloto estónio e 4.48 minutos sobre Mikko Hirvonen, é altamente improvável chegar ao pódio sem que alguém tenha problemas, pois faltam apenas duas classificativas para o final do Rali da Sardenha. 

Atrás de Ogier e Atkinson, outro Skoda-Volkswagen, o de Anders Mikkelsen, é o sétimo classificado, na frente de Martin Prokop e de Petter Solberg, que voltou à estrada através do método "Superrally". O estonio Karl Kruuda fecha os lugares pontuáveis.

O rali da Sardenha termina amanhã. 

Youtube Rally Crash: o acidente de Petter Solberg na Sardenha


O dia de ontem foi de hecatombe junto dos pilotos da frente. Depois de Sebastien Löeb e Jari Matti-Latvala, foi a vez de, na tarde de ontem, a vez de Petter Solberg se despistar no rali e perder muito tempo, devido a um toque numa pedra na sexta especial do dia, a segunda passagem por Tergu-Osilo.

Eis o video do momento do acidente, com a particularidade da pessoa que estava a filmar estar mesmo "em cima do acontecimento"...

WSR: Felix da Costa vence em Barcelona

António Felix da Costa conseguiu vencer a primeira corrida do fim de semana catalão da World Series by Renault, que decorreu esta tarde. O piloto de Cascais, apoiado pela Red Bull, subiu pela terceira vez nesta temporada ao lugar mais alto do pódio, conseguindo superar o inglês Sam Bird e o holandês Robin Frijns, que conseguiu ser melhor do que o francês Jules Bianchi e ascender à liderança do campeonato.

Largando do segundo lugar da partida, atrás do lider do campeonato, Felix da Costa manteve o lugar na primeira curva, apenas superado pelo britânico Sam Bird, que teve um bom arranque. Bianchi, pelo contrário, arrancou mal e acabou na primeira curva no quinto lugar. 

Nas voltas seguintes, ambos os pilotos se afastaram da concorrência, passando a ter um duelo à parte e a partir da décima volta, o piloto da Arden aproximou-se o suficiente para ameaçar Bird, nunca ficando a mais de meio segundo. Na volta 20, Felix da Costa surpreende Bird e consegue passar o piloto britânico na travagem da chicane, antes da reta da meta. A partir dali, o piloto de Cascais começou a afastar-se de Bird, ganhando segundo e meio em apenas duas voltas.

A partir dali, limitou-se a controlar o andamento até à meta, conseguindo a sua terceira vitória da temporada. Sam Bird foi o segundo, conseguindo aproximar-se nos dois pilotos da frente, enquanto que Robin Frijns completou o pódio. Jules Bianchi, que andou no quarto lugar durante grande parte da corrida, sofreu um pião na última volta, quando tentava passar Kevin Magnussen, caindo para o sétimo posto e perdendo a liderança do campeonato a favor do holandês.

Agora, o campeonato é uma luta a três, entre Frijns (189 pontos), Bianchi (185) e Bird (173). Para Bird ter hipóteses, teria de ganhar e ambos os seus rivais não terminassem a corrida. Felix da Costa subiu agora para o quarto lugar da classificação geral, com 141 pontos, e pode atrapalhar mais uma vez os planos destes dois pilotos para o título.

Amanhã será a segunda corrida da ronda catalã, onde haverá uma paragem obrigatória nas boxes, e onde a chuva - que ameaçou, mas acabou por não acontecer - pode ser um fator decisivo. 

Youtube Rally Crash: o acidente de Sebastien Löeb


É muito raro Sebastien Löeb se despistar em ralis. A acontecer, nunca passa de um a dois por ano, e a última temporada onde teve mais do que um despiste foi em 2009, com acidentes na Grécia e na Polónia. Este ano, já se despistou no Rali de Portugal, logo na segunda classificativa, e foi a primeira das desistências dos grandes nomes nessa ocasião, tal como está a acontecer agora.

O despiste do piloto francês aconteceu na terceira classificativa, e o piloto francês explicou o que se passou: "Estava a forçar bastante o ritmo mas cometi um ligeiro erro com as notas numa curva. Entrei demasiado rápido e bati numa pedra à saída. Acabei por fazer um pião. Continuei mas a direção estava bastante dura, pelo que sabia que algo estava partido. Continuei mais algumas curvas, mas depois a direção ficou bloqueada por completo e tive de parar no troço", referiu. 

Inicialmente, estava previsto que Löeb reressasse em modo Superrally, mas ele decidiu voltar atrás, fazendo com que abandonasse de vez.

WRC 2012 - Rali da Sardenha (Dia 1)

O primeiro dia do Rali da Sardenha está a ser marcado pelo piso escorregadio dos troços e pelos estragos que já causou no pelotão, ao ponto de Sebastien Löeb já estar fora do rali, vítima de despiste no terceiro troço da manhã, o de Monte Lerno, com 29,69 quilómetros. Nesse troço em particula, Loeb começou a partir ao ataque - estava na altura com uma vantagem de 1,1 segundos sobre Jari-Matti Latvala - chegando mesmo a ser o mais rápido no primeiro ponto de cronometragem, mas acabou por se despistar devido ao piso muito escorregadio na zona. O campeão do mundo está fora, mas deverá regressar amanhã em modo "Superrally".

Outros dos pilotos que saiu de estrada foi o belga Thierry Neuville, que se despistou e capotou no mesmo troço. Perdeu seis minutos para fazer rolar o carro na estrada e ainda se lesionou na mão direita, embora parece que não tenha sido mnada de grave, segundo as palavaras do próprio no final do troço.

Na especial seguinte, o de Castelsardo, houve novo precalço na classificação geral quando Jari-Matti Latvala deu um toque mais forte numa pedra e danificou o seu radiador, obrigando-o a parar e entregando o quarto posto - o lugar que ocupava então - para o russo Evgueny Novikov, sendo assim o segundo piloto relevante a abandonar a competição.

No final da manhã, Mikko Hirvonen era o lider do rali, com 15,8 segundos de vantagem sobre o norueguês Petter Solberg, da Ford. Outro norueguês, Mads Ostberg, é o terceiro, a 43,4 segundos do líder, seguido por Evgueny Novikov, já a 1.18 minutos de Hirvonen. O estónio Ott Tanak é o quinto, na frente do Mini de Chris Atkinson e do Skoda de Sebastien Ogier.

A parte da tarde ficou marcada por mais um acidente de mais um dos candidatos à vitória. Petter Solberg, no segundo Ford, desistiu na sétima classificativa do dia, que marcava a segunda passagem por Tergu-Osilo, vitima de um toque que danificou a direção do seu Fiesta. "Tenho me me manter concentrado, estão a cair que nem moscas. Não posso cometer erros porque falta muito para acabar", desabafou Hirvonen. Até ao final do dia, Ostberg caiu até ao sétimo posto, a quatro minutos e 46 segundos do finlandês.

Isso fez com que Evgueny Novikov subisse ao segundo lugar, depois de ter beneficiado anteriormente do atraso de Mads Ostberg, devido a um diferencial danificado, que o fez perder mais de um minuto e meio e o deixou apenas com tração à frente. Ott Tanak é o terceiro, enquanto que Sebastien Ogier é o quinto, depois de passar Chris Atkinson, que foi vítima de um despiste.

No final do dia, Hirvonen está na frente, com uma vantagem de um minuto e nove segundos sobre Evgueny Novikov, que está a fazer uma prova isenta de erros. Ott Tanak é o terceiro no seu Ford da M-Sport, com dois minutos de atraso face a Hirvonen. Quem está a fazer uma prova sensacional é Sebastien Ogier, que com o seu Skoda da Volkswagen, é quarto classificado e já ganhou uma classificativa esta tarde. Chris Atkinson é quinto, depois de um pião na segunda especial da tarde, seguido pelo outro Skoda de Anders Mikkelsen.

O Rali da Sardenha continua amanhã.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A entrevista de Armindo Araujo ao jornal Público

Esta sexta-feira, ao mesmo tempo que, na Sardenha, se disputa o Rali de Itália, penultima etapa do Mundial WRC de 2012, Armindo Araújo veio quebrar um longo silêncio ao ser entrevistado pelo jornal português Público. Nesta entrevista feita pelo jornalista Nuno Sousa, o piloto de Santo Tirso fala sobre as razões pelos quais o projeto da Motorsport Itália com a Mini acabou mal para ele, obrigando-o a abandonar a meio do ano, as razões pelo qual isso aconteceu e por fim, que cenários estão desenhados para o seu projeto em 2013.

Para além disso, fala do atual cenário do WRC, com a entrada da Volkswagen e sobre Sebastien Löeb, que o não o descarta de ele tentar um décimo campeonato em 2013, caso as coisas lhe corram bem nessa temporada.

ARMINDO ARAÚJO: "SE NÃO CONSEGUIR VIABILIZAR O PROJETO EM QUE ACREDITO, SERÁ ALTURA DE PARAR".

19.10.2012 - 14:59 Nuno Sousa 

Por razões que lhe são alheias, a época de Armindo Araújo no Mundial de WRC acabou mais cedo [em Agosto] e o piloto português, que termina contrato com a Mini no final do ano, olha para 2013 com cautelas. Em entrevista ao PÚBLICO, percorre os bastidores da decisão que o afastou do campeonato e deixa várias hipóteses em aberto para o futuro. 

P - Por esta altura, em condições normais, deveria estar no Rali da Sardenha, mas em vez disso está provavelmente ansioso por que o seu contrato expire. Como tem gerido os últimos meses? 

R - Da minha parte, tem sido relativamente fácil de gerir.Estou de consciência tranquila. Desde 2008 que estou a gerir os meus projectos e trabalho com as melhores empresas nacionais. Este ano tinha um projecto de oito provas no WRC e, depois da primeira prova, a Mini pediu-me para fazer todo o campeonato. A partir daí, deixei de ter o controlo total do projecto. Passou a ser uma equipa técnica italiana [Motorsport Italia] a lidar com a marca na Alemanha [BMW] e as coisas começaram a descarrilar. O caminho da seriedade, do bom trabalho, começou a passar para segundo plano. 

P - Mas o que falhou, em concreto? 

R - A equipa italiana começou a trabalhar apenas a imagem para agradar à Mini e passou a descurar a parte técnica. Entrámos em ruptura, puseram lá outro piloto [Chris Atkinson] e propuseram-me assumir uma doença fictícia para a minha saída... Não posso compactuar com estas atitudes. Expus o caso à BMW e à FIA e não continuei no projecto, que eu achava que estava condenado e acho que o tempo veio dar-me razão, porque a própria Mini já anunciou que vai retirar-se do campeonato para o ano. 

P - Acha que os riscos desta aposta no WRC foram mal calculados? 

R - Fui o primeiro piloto do mundo a competir com o Mini WRC. Sabíamos que íamos ter dificuldades, porque era um projecto novo, e no primeiro ano correu muito bem. No segundo ano, sabíamos que tínhamos de trabalhar muito para melhorar o carro e o que é certo é que a Motorsport Itália deixou de testar, de desenvolver o carro e quando eu era questionado pela imprensa, que me perguntou quantos quilómetros tinha feito no Rali da Finlândia para testar o carro — ao que eu respondi que não o tinha testado —, a equipa vinha cobrar-me a dizer que não podia afirmar que não testei porque dava uma má imagem da equipa e a própria BMW poderia questionar onde é que andavam a gastar o dinheiro. 

P - A componente financeira também pesou na decisão? 

R - A Motosport Italia estava a tentar cozinhar um contrato milionário com a Mini para 2013 e queria mostrar, com algum show-off, que estava a fazer um excelente trabalho. E, na prática, não estava. 

P - Ainda o incomoda o facto de ter sido usada a sua licença, mesmo sem autorização, para a Mini competir no Rali da Alemanha? 

R - Eu fiz sempre o que achava correcto e, por parte da FIA [Federação Internacional do Automóvel], nunca tive um contacto que fosse, da parte do construtor também não. Eu acho que se tivesse feito alguma coisa mal teria sido encostado à parede. O que fiz foi defender a verdade. Eu tinha uma licença tirada no início do ano, com a qual competi em Monte Carlo. Após essa prova, quando fui convidado a fazer o resto das provas, a Mini disse-me que tinha de inscrever a equipa como WRC Mini Portugal. Mas essa licença foi tirada por mim e paga por mim. Quando saí da equipa, após a Finlândia, comuniquei à FIA que não autorizava ninguém a utilizar essa licença a não ser eu. O que é certo é que no Rali da Alemanha eles correram com uma licença WRC Mini Portugal. Se essa licença é a minha ou não, não sei, terá de questionar a FIA. 

P - Este caso mudou a forma como olha para a FIA? Até porque esta não foi a primeira decisão controversa que o afectou. Em 2010, no Rali da Suécia, foi aceite a inscrição de última hora do Patrik Flodin, que ficou à sua frente, e contabilizada a prestação nessa prova. 

R - A FIA é a FIA, tem as suas regras, temos de as seguir e é aquilo que tenho vindo a fazer até hoje. 

P - O que é que aprendeu com o primeiro ano no WRC? 

R - Tem tudo a ver com orçamentos. Quando temos uma Volkswagen e uma Citroën com budgets que rondam os 80/100 milhões de euros e a Mini que não está sequer perto dessa fasquia, isso paga-se desportivamente. A Mini teve uma aproximação muito tímida ao Mundial, talvez tenha tentado fazer omeletas sem ovos e pagou caro por isso. Tinha um projecto no mínimo a três anos, por isso não deve ter sido bem estruturada a entrada no WRC. 

P - Está arrependido de ter feito esta opção na carreira? 

R - Se soubesse o que sei hoje, nunca tinha entrado no projecto. Por motivos que eu não controlo, a Mini não terá investido o suficiente para ser competitiva e retira-se após dois anos pela porta pequena. 

P - Qual a principal diferença que encontra entre o WRC e o Mundial de Produção (PWRC)? 

R - O Mundial de Produção era para equipas privadas, com pilotos privados, e em termos de budgets estavam todos mais ou menos equiparados [a rondar os 1,5 milhões de euros por equipa]. Isso permitiu que estivesse a bom nível, porque toda a gente tinha mais ou menos as mesmas armas. No WRC estivemos sempre completamente abaixo das outras equipas. 

P - Olhando para 2013, já sabe qual o passo que vai dar? 

R - A Mini não vai continuar e estou, com os patrocinadores, a tentar delinear um projecto. Ainda não sabemos em que moldes, porque está muito difícil financeiramente. 

P - E admite voltar ao PWRC? 

R - Neste momento, admito tudo. Em cima da mesa estão não só os ralis, mas também a velocidade, o todo-o-terreno e outras categorias de ralis, estão vários campeonatos. Estamos a avaliar qual o melhor caminho a seguir, sabendo nós que temos de nos adaptar à realidade portuguesa e europeia.
 

P - Após tantos anos na alta roda [foi bicampeão mundial de PWRC], sente-se injustiçado pela falta de apoios estatais? Sobretudo tendo em conta casos como o de Tiago Monteiro, que recebeu dois milhões de euros do Estado para se manter na Fórmula 1, em 2006. 

R - Bem, quem somos nós, desportistas, para exigir dinheiro ao Estado num momento em que há pessoas que passam fome? Temos de ser solidários. É muito fácil queixarmo-nos e eu não gosto muito de me queixar. Eu acho que até tenho reconhecimento, porque consegui vários títulos, já corri um pouco por todo o mundo. Se me pergunta se o desporto motorizado devia ser mais acarinhado, devia, mas, infelizmente, todos os desportos vivem à sombra do futebol e as grandes verbas de patrocínios são canalizadas para o futebol. No futebol são permitidas coisas e comportamentos que nunca seriam permitidos noutro desporto. 

P - Sente-se prejudicado por essa tendência? 

R - Depois de mais de dez anos de carreira, ficamos imunes a muita coisa. Temos de começar a viver com o que temos e não estar constantemente a queixarmo-nos. Temos de pensar positivo. 

P - Em 2013, haverá uma nova categoria para além dos Grupos A e N, que é o Grupo R. O que é que isto pode trazer de novo à competição? 

R - É um bocadinho mais do mesmo. É mais uma classe secundária. Continuará a haver sempre um grande fosso para o WRC. Os Super 2000 estão completamente em fim de carreira e esta categoria servirá para limpar um pouco os Super 2000. 

P - O que é um campeão como Sébastien Loeb representa para si? 

R - Nós, que andamos lá, damos grande mérito ao Sébastien Loeb. É um excelente piloto, é super-inteligente na abordagem às corridas, é muito trabalhador. Agora, todos nós, pilotos, gostaríamos de ver o Loeb a conduzir uma equipa que não fosse a melhor e que não tivesse o melhor budget. Ele geriu bem a carreira. Entra na Citroën com dois grandes pilotos, dois grandes holofotes para a imprensa, o Colin Mcrae e o Carlos Sainz, e portanto ele conseguiu trabalhar sem grande pressão e aprendeu muito com estes campeões. Depois estas duas estrelas caem e ele tem hipótese de brilhar, com uma equipa a trabalhar única e exclusivamente para ele, a melhor equipa, com o melhor carro. Ficou praticamente imbatível. 

P - Nesse aspecto, acredita que para o ano, a confirmar-se a participação apenas pontual de Loeb em algumas provas do calendário, poderá abrir-se uma nova era no WRC? 

R - Vai abrir-se uma nova era, mas ainda não foi tudo dito, porque o Loeb ainda não disse quantas provas vai fazer. Quatro, cinco, seis? É tudo muito relativo. Acredito que se ele, por exemplo, correr as seis primeiras provas e estiver destacado à frente do campeonato, possivelmente sai um comunicado de imprensa a dizer: ‘Já agora, vamos ganhar o décimo [campeonato]’. 

P - Tem 35 anos de idade e uma carreira de 12. Até quando pensa continuar nos ralis? 

R - Tanto posso acabar a carreira em Janeiro, como continuar muitos mais anos. Se não conseguir reunir um budget que me permita responder pela minha palavra perante os patrocinadores, não assumo o projecto. Tenho muita vontade de correr, sinto-me forte, rápido, mas isso não chega, preciso dos meus parceiros. Se não conseguir viabilizar financeiramente o projecto em que acredito, infelizmente será a altura de parar.

Arganil quer fazer um museu dedicado aos ralis

Arganil e as suas serras circundantes foram durante muitos anos uma espécie de "meca" dos fãs do Rali de Portugal, devido às suas desafiadoras classificativas, que decorriam muitas vezes de madrugada, sem visibilidade devido à escuridão e ao nevoeiro. Muitos ralis se decidiram naquele lugar, e pilotos como Markku Alen, Hannu Mikkola, Walter Rohrl, Michelle Mouton, Juha Kankkunen, e outros.

Apesar do Rali de Portugal não passar por lá há mais de dez anos, e dos adeptos dos ralis sentirem bastante a sua falta, a autarquia de Arganil quer fazer algo para recordar a passagem da prova que os colocou no mapa. O presidente da câmara local, Eng. Ricardo Pereira Alves, anunciou numa entrevista publicada hoje no site da Autosport portuguesa que vai ser instalado um Museu Internacional do Rali nas instalações de uma antiga fábrica de cerâmica, restaurada para o efeito.

É verdade, estamos a preparar o Museu Internacional do Rali, um lugar onde pretendemos reunir alguns dos carros que fizeram a história dos ralis e que passaram pelo Concelho de Arganil. Para além da exposição de carros, que se pretende dinâmica, fruto dos muitos coleccionadores nacionais e internacionais que existem por esse mundo fora, pretendemos ainda ter uma componente de inovação, recorrendo às novas tecnologias, e ter também simuladores que ajudem de algum modo a recriar o ambiente dos ralis, de modo a que os visitantes possam sentir mais de perto a adrenalina própria da modalidade.”, começou por dizer em entrevista à Autosport portuguesa. 

Para além disso, a autarquia está também a ser pensar noutro projeto associado: “uma classificativa de ralis que os pilotos ou equipas possam utilizar para testes, eventos de demonstração, co-drives, etc, numa localização que está ainda a ser estudada. A ideia passa por tornar mais forte a ligação de Arganil aos ralis”, referiu. 

A revista fala mesmo que a Câmara Municipal chegou a pensar fazer algo semelhante ao que aconteceu este ano com o Fafe World Rally Sprint, mas pelo facto de neste momento o Automóvel Clube de Portugal estar a desenhar o percurso do rali, que poderá fazer com que regresse ao Centro/Norte de Portugal, numa espécie de "regresso às origens", fez congelar esses planos. "Estivemos presentes em Fafe, vimos o que lá foi feito e foi pensado fazer algo semelhante em Arganil. Contudo, o processo parou precisamente pelo facto do ACP ter colocado a hipótese de voltar com a prova ao centro/norte”, terminou.

Este anuncio veio de facto mostrar que os ralis deixaram um grande legado para a pequena localidade do Centro de Portugal, e que pode ser uma ajuda para o futuro, caso o rali voltar a passar por lá.

Rumor do dia: New Jersey pode ser adiado para 2014

A cadeia de televisão americana Speed TV anuncia no seu site que o GP de New Jersey, que deveria acontecer a meio de junho de 2013 num circuito urbano desenhado nas margens do Rio Hudson, poderá ser adiado por um ano. De acordo com a noticia, o anuncio poderá ser feito ainda nesta sexta feira por parte de Bernie Ecclestone.

Segundo Tom Jensen, o jornalista que assina esta matéria, estão a surgir problemas na passagem de terrenos para a propriedade do circuito, bem como construção das bancadas, que necessitam de ser aprovadas pelo Corpo de Engenheiros local, e essas burocracias estão a adiar as obras tempo mais do que suficiente para inviabilizar o Grande Prémio já em 2013, como era algo que se esperava desde há muito tempo, logo no momento em que surgiram os rumores e dúvidas sobre a realização do segundo Grande Prémio em paragens americanas.

Ainda não se sabe se Bernie Ecclestone arranjará um substituto ou o calendário da Formula 1 para a próxima temporada terá só 19 corridas.  

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

5ª Coluna: Vettel, o subestimado

A semana que passou foi marcada pelo GP da Coreia do Sul, onde no meio dos "Gangnam Style", Sebastian Vettel venceu pela terceira vez consecutiva na temporada, e assim passou para o comando do campeonato do mundo, com sete pontos de diferença para o Ferrari de Fernando Alonso. Com quatro corridas até ao final do campeonato, parece que os candidatos ao títulos ficaram reduzidos a dois, o alemão da Red Bull e o espanhol da Ferrari.

Ambos, curiosamente, lutam por um terceiro título mundial, e caso seja o espanhol vencedor deste campeonato, dará a Alonso um titulo que lhe escapa desde 2006. Contudo, caso o piloto vitoriosos seja o simpático alemão de Heppenheim, será o terceiro piloto da história da Formula 1 que alcança três títulos consecutivos, depois de Juan Manuel Fangio e Michael Schumacher. E isso nos faz pensar - e discutir - sobre quem é o melhor piloto da atualidade.

Que toda a gente diz que Fernando Alonso é o melhor piloto do pelotão, sou tentado a concordar. Conseguiu nesta temporada de 2012 fazer milagres com um mau carro, especialmente no seu inicio, fazendo boas posições e uma vitória em Sepang, debaixo de chuva, quando a equipa mais necessitava de um bom resultado, face a um carro que era muito provavelmente o quarto melhor do pelotão, atrás de McLaren, Red Bull e Sauber, e a par da Lotus. E depois, quando o chassis melhorou, a meio do ano, Alonso passou a somar consecutivamente vitórias, podios e bons resultados, contra os McLaren e os Red Bull.

Mas fico com a sensação de que as pessoas subestimam Sebastian Vettel, e isso é perigoso. Vettel pode ser mais discreto do que Alonso, por vezes quando o carro não domina o pelotão, mas nos momentos decisivos, não falha. Não digo só por ser alemão e estes tem aquela fama de eficácia, mas também porque ele é tão bom piloto que Alonso.

Eu gosto de Sebastian Vettel. É cerebral e ambicioso, como Jackie Stewart, é duro, mas leal, como Gilles Villeneuve. Adora a competição pela sua essência, diverte-se e detesta a sua politica. Só está ali para vencer corridas e divertir-se enquanto o faz. Não quer ganhar a qualquer preço, como Michael Schumacher, que como sabem, fez tudo para ganhar, incluindo abalroar os adversários. Todas as polémicas em que Vettel esteve envolvido nesta temporada tem mais a ver com o que faz na pista - a penalização por ter ultrapassado com as quatro rodas fora da pista em Hockenheim, ou "quando apertou mais para além do tolerado pela Ferrari" em Monza - do que por exemplo, o que se passa fora dela.

Provavelmente o problema de Vettel é esse: a sua discrição. Não tem uma namorada mediática, como Lewis Hamilton ou Jenson Button. Não tem ares de "Principe das Asturias" e têm a equipa à sua volta, como Fernando Alonso. Não tem endereço no Twitter, não tem conta no Facebook, não empresta a sua voz numa série de desenhos animados, não se vê em festas, nada fora do quadro da Red Bull. Caramba, não tem uma tatuagem enorme nas costas, como Alonso e Button... aliás, nem sabemos direito quem é a sua namorada! Só sabemos que é divertido, adora ouvir Beatles e ver Monty Python.

Como disse atrás, Vettel detesta o confronto, a politiquice. Daí eu não acreditar nos rumores que andaram a puluar durante a semana, afirmando que o alemão e o espanhol estariam juntos na Scuderia em 2014. Eu sei que isso é o sonho de muita gente, que acha que ter dois génios numa equipa é uma coisa boa. Sou dos que voto contra porque a história quase sempre demonstrou que na maior parte dos casos, são relações que acabam mal. E nada garante que a Ferrari em 2014 esteja a caminho de ter um carro de sonho nesse ano em que tudo muda em termos de regulamentos de chassis, e com um motor de 1.6 litros Turbo. 

Passar de cavalo para burro, ainda mais quando não há sinais de que Adrian Newey esteja disposto a sair da Red Bull, não creio que seja apanágio de Vettel. Pode ser que saia da Red Bull um dia, claro, mas a melhor data para isso será em 2015, depois de andar uma temporada a experimentar o novo carro, o novo motor e a nova regulamentação. É para aí onde estou apontado, e não em 2013, como muitos parecem querer acreditar.

Não sei como esta temporada vai acabar, mas se depois de Monza acreditava que Alonso tinha vantagem, agora acho que Vettel vai mais a caminho do "tri". Estes tilkódromos favorecem o seu carro e o seu estilo de pilotagem faz o resto. E se o conseguir, merece-o perfeitamente.