quarta-feira, 11 de junho de 2014

O relato do Rali Vidreiro... por quem foi ver

Bom, é raro na história deste blog, mas acontece. Decidi ceder este espaço a outra pessoa, mas é com um bom objetivo. Como à partida não poderia ir ver o Rali do Vidreiro, que aconteceu no fim de semana passado, pedi a um rapaz, o João Anaquim, que é da Marinha Grande, para fazer uma reportagem sobre o rali, que contou para o campeonato nacional de ralis, e do qual o grande vencedor foi José Pedo Fontes, a bordo do Porsche 997 GT3, dominando à vontade num rali de asfalto, contra adversários como Ricardo Moura, Adruzilo Lopes e Pedro Meireles, entre outros.

Assim sendo, eis o relato completo deste rali. Já agora, as fotos poderiam ser originais se ele tivesse levado a câmara fotográfica consigo...

"Desenrolou-se no passado fim-de-semana o Rali Vidreiro, mítica prova do campeonato nacional de ralis. Era a quinta prova do calendário do certame, segunda do campeonato das categorias RGT e 2 Rodas Motrizes e terceira do campeonato de ralis do centro. Com nove especiais, distribuídas entre sexta-feira e sábado, o ex-líbris da prova organizada pelo CAMG (Clube Automóvel da Marinha Grande) era a tripla passagem pelo troço “Farol”, na mata de S. Pedro de Moel, com 18,86 kms com duas passagens na tarde/noite de sexta-feira e outra na tarde de sábado. Ainda na noite de sexta-feira teve lugar a super-especial de Marinha Grande, com 1,55 kms junto ao Parque da Cerca, num traçado pouco entusiasmante. No sábado houve lugar às classificativas da zona de Ourém, com três passagens por Caranguejeira (7,66kms) e duas por Espite/Matias (15,70 kms). 

Com três antigos vencedores em prova (José Pedro Fontes, Ricardo Moura, Adruzilo Lopes) num total de 23 inscritos onde constavam também João Barros, Pedro Meireles e Ricardo Teodósio, esperava-se muita animação na estrada. Logo na primeira especial “Farol 1”, o piso a secar apanhou de surpresa gente como José Pedro Fontes, num espetacular Porsche 997 GT3 CUP 2010 e Adruzilo Lopes no seu habitual Subaru Impreza R4 que partiram com pneus para piso molhado. O primeiro líder seria Ricardo Moura no Fiesta R5 mas apenas com 1,7 segundos de desvantagem para o piloto açoriano. 

A partir da segunda especial, já com o piso totalmente seco, Fontes - navegado por Inês Ponte - saltou para a liderança ganhando logo ali 18,6 segundos ao Fiesta R5 do tricampeão em título, vindo a gerir a vantagem a partir daí até final tendo ganho todas as especiais, exceto a apertada super-especial onde fez sexto tempo, na sétima e oitavas especiais onde foi terceiro. No final a diferença decifrou-se em 36,3 segundos. Ainda a tomar a mão à sua montada, Ricardo Moura, navegado por António Costa fizeram um rali bastante regular, sendo sempre segundo na geral à exceção da especial de abertura e foi também o único vencedor de especiais além de Fontes. Com um segundo da geral fez uma boa operação para o campeonato depois dos azares da primeira metade do campeonato, ganhando também a categoria RC2. 

Com um Skoda Fabia S2000 já a ficar obsoleto, a dupla Pedro Meireles/Mário Castro fez uma prova cautelosa gerindo a sua enorme vantagem no campeonato, fruto de um “score” impressionante de quatro vitórias em quatro provas estando sempre em terceiro na classificação, terminando com um atraso de 1 minuto e 7 segundos para o vencedor. Apesar de uma gripe, João Barros teve sempre o quarto lugar assegurado nunca cometendo exageros. 

Nos RC2N, categoria para os carros de agrupamento de produção houve uma animada luta entre Carlos Martins e o veterano Adruzilo Lopes, com várias mudanças de líder ao longo do rali. No entanto, quando o ex-campeão nacional entra na última especial com 19 segundos de diferença fura nos primeiros quilómetros e opta por não trocar o pneu, dando a vitória a Martins e também perdendo uma posição para Diogo Salvi. A completar o pódio do antigo grupo N ficou o homem espetáculo, Ricardo Teodósio, num já “cansado” Mitsubishi Lancer EVO IX. O algarvio espera evoluir para um EVO X já no Rali de Mortágua. 

Ricardo Marques/Paulo Marques em Peugeot 208 levaram a melhor nos carros com tração à frente, com 7 segundos de vantagem sobre o Citroen DS3 R3T de Paulo Neto/Vítor Oliveira. Os terceiros classificados foram Armindo Neves/Bernardo Gusmão aos comandos de um Peugeot 208 R2. 

Na classificação reservada ao campeonato de ralis do centro Pedro Leone/Bruno Ramos foram os vencedores. A dupla do Ford Escort RS Cosworth aproveitou da melhor maneira a falha mecânica do Mitsubishi Lancer EVO VI de Carlos Fernandes/Valter Cardoso para a sua primeira vitória da temporada. No lugar intermédio do pódio a 12 segundos ficaram Eduardo Veiga/Justino Reis a bordo de um Ford Escort MKII com “pozinhos de perlimpimpim” como caixa sequencial e launch control, que foram também vencedores no grupo X, para carros não homologados. Em terceiro, com um Mitsubishi Lancer EVO VI, quedaram-se Fernando Teotónio/Luís Morgadinho a 23 segundos do vencedor. 

Como nota de curiosidade, Inês Ponte foi a primeira senhora a vencer uma prova do campeonato nacional de ralis à geral. A Sports & You ganhou todas as provas da presente temporada até agora, do CNR, um feito inédito!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Formula 1 em Cartoons - Canadá (Riko Cartoon)

- Ei rapazes, as Flechas de Prata estão com problemas. Qual de vocês é que quer aproveitar?

E é assim que vemos quem está alerta e quem foi apanhado com as calças na mão...

Os Pioneiros: Capitulo 25, Brooklands e o segundo Grande Prémio

(continuação do episódio anterior)


BROOKLANDS, O PRIMEIRO CIRCUITO PERMANENTE 


Em 1907, a Grã-Bretanha parecia ser um participante menor no automobilismo mundial, apesar dos feitos na Taça Gordon Bennett. O facto de haver restrições à velocidade nas estradas - limitadas a 20 quilómetros por hora - fazia com que se procurasse alternativas para correr, como na Irlanda e na Ilha de Man, através de leis locais. Mas eram excepções e a industria automobilistica temia que ficassem para trás neste campo em relação não só à França, mas também a outras potências em ascenção, como a Itália e a Alemanha.

Assim sendo, uma alternativa teve de ser arranjada. E esta veio da cabeça de Hugh F. Locke King, um empresário e proprietário de terras no Surrey inglês, que estava preocupado com a incapacidade de não haver um lugar para testar quer os carros, quer os aviões, duas industrias que começavam a aparecer em força. 

Assim sendo, depois de um "tour" pela Europa, decidiu construir em 1906 um circuito oval de 4430 metros, com uma largura de 30 metros, e com um "banking" que ia até nove metros. A superficie era em cimento, que tinha maiores garantias de durabilidade do que o asfalto. Para além disso, havia uma reta das boxes, que poderia servir para circuito alternativo.

A obra custou ao todo cerca de 150 mil libras (13,6 milhões libras ao câmbio atual) e ficou pronto a 28 de junho, altura em que Selwyn Edge decidiu fazer uma demonstração da industria automobilística britânica: uma prova de resistência de 24 horas, ao volante de um Napier. No final, ele percorreu 2561 quilómetros, a uma média de 106,8 quilómetros por hora.

O impacto da construção de Brooklands seria enorme: ao demonstrar que era possivel fazer provas em circuito fechado, onde todos poderiam ver o decorrer da corrida, a Grã-Bretanha poderia competir com os outros paises pela hegemonia do automobilismo, e poderia servir de inspiração para outros fazerem a mesma coisa. 

Mas em termos de público, Brooklands nunca se tornou num destino popular. As corridas por vezes eram aborrecidas e para piorar as coisas, as pessoas que circulavam no paddock permanente eram aristocratas. Muitas vezes se dizia, à boca pequena, que Brooklands tinha "a multidão certa, sem enchentes". Contudo, no anos que se seguiram, Brooklands não só iria ajudar no objetivo de incrementar a industria automobilística britânica, como iria indicar o caminho a seguir em termos de automobilismo nos dos lados do Atlântico.


O SEGUNDO GRANDE PRÉMIO DE FRANÇA


Alguns dias depois da inauguração do circuito de Brooklands, máquinas e pilotos preparavam-se para a segunda edição do Grande Prémio de França. A escolha desse ano ficou na nortenha cidade de Dieppe, depois de esta ter oferecido à ACF cerca de quatro mil libras, mais do que suficiente para cobrir os prejuizos de três mil libras que teve, depois de ter organizado a corrida em Le Mans.

Como seria de esperar, muitos se inscreveram para o Grande Prémio: 38 carros, representando 17 equipas ao todo, dos quais onze eram francesas, uma italiana (Fiat, com Felice Nazzaro, Vicenzo Lancia e o francês Louis Wagner, a mesma tripla que tinha estado no Kaiserpreis), uma alemã (Mercedes, com Otto Salzer e o francês Victor Hémery), uma belga (Germain), dois carros britânicos e um solitário Christie americano, guiado pelo seu construtor, Walter Christie. ste tinha a particularidade de ter um motor de... 20 litros!

Os italianos eram os carros que os franceses queriam abater, e estes tinham colocado os melhores: a Renault tinha Ferenc Szisz e Maurice Farman; a Clement-Bayard tinha Albert Clement, Pierre Gracet e o americano Eliott Shepard; a Lorraine-Dietrich tinha Fernand Gabriel, Henri Rougier e o belga Arthur Duray; a Panhard tinha Hubert Le Blon e o americano George Heath; a Brasiler tinha Paul Baras e Jules Barriler, e a Gobron-Brillé tinha Louis Rigolly.

Os treinos tinham acontecido ao longo de algumas semanas, e tinha sido marcado por um acidente mortal: a 17 de maio, quando Albert Clément estava a testar o seu novo carro, perdeu o controlo e teve morte imediata. O acidente fez com que algumas pessoas tentassem cancelar o Grande Prémio, mas isso não teve grande impacto.

O ACF decidiu usar uma formula baseada no consumo de combustivel para qualificar os carros: 30 litros por cada cem quilómetros. Na corrida própriamente dita, Lancia começou por ditar as regras ao ir para a frente, mas teve oposição do belga Arthur Duray. Ambos começaram um duelo e trocaram de liderança várias vezes. Contudo, a corrida do piloto do Lorraine-Dietrich terminou mais cedo quando a caixa de velocidades cedeu. Lancia ficou sozinho, mas atrás havia outro duelo entre o Fiat de Felice Nazzaro e o Renault de Ferenc Szisz, que vinha defender o seu título.

Ambos aproximaram-se de Lancia e o passaram, para continuar o seu duelo entre eles. Mas Szisz decidiu ser mais poupado, devido à formula do combustivel, e Nazzaro decidiu mandar a cautela para os ares, esperando que a sorte estivesse do seu lado. E foi o que aconteceu: Nazzaro venceu a corrida, enquanto que o húngaro da Renault foi o segundo classificado, a mais de seis minutos e meio do vencedor... e com mais gasolina no depósito.

Com este resultado, a Itália era a grande vencedora da competição internacional, e a Fiat tornou-se numa potência a ter em conta. Houve um enorme aumento nas vendas dos carros e Felice Nazzaro se tornou no mais novo herói italiano, e o primeiro dos muitos heróis automobilísticos que aquele pais iria ter ao longo do século XX. E muitos decidiram seguir o seu exemplo, entre eles um jovem de Mântua de seu nome Tazio Nuvolari...

(continua no próximo capitulo) 

Formula 1 em Cartoons - Canadá (Thomson Studio)

E agora tá explicada a razão pelo qual o Sergio Perez fez a tal manobra á frente de Felipe Massa: é que ouviu os conselhos de um certo piloto venezuelano que têm o numero 13 no seu carro...

Youtube Motorsport Documentary: As 24 Horas de Le Mans

Agora que começamos a contar os dias até às 24 Horas de Le Mans, este fim de semana, é altura de começarmos a ver filmes e documentários sobre a clássica de La Sarthe. E dei esta noite de caras com um documentário de 2006 sobre a corrida, feito para comemorar o centenário do Automobile Club de L'Ouest.

O documentário é interessante, pois têm depoimentos de todos os grandes senhores que lá correram ainda vivos: Paul Frére, Jacky Ickx, Derek Bell, Henri Pescarolo, Stirling Moss, entre outros.

Vale a pena perder uma hora desta noite para ver este documentário. 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Noticias: Mercedes explica os problemas no Canadá

A história dos problemas nos carros da Mercedes na corrida de ontem no Canadá foi hoje explicada por Toto Wolff e Niki Lauda como falhas nos travões (no caso de Lewis Hamilton) e na unidade de potência, no caso de Nico Rosberg, que o fez ficar sem cerca de 170 cavalos de potência, o que fez ser mais lento cerca de dois segundos por volta em relação à concorrência.

Ambos os pilotos estavam a fazer um ótimo trabalho até ao momento em que a MGU-K falhou. Isso também levou à avaria de travões que forçou o Lewis abandonar após a segunda paragem. O Nico fez um trabalho sensacional para terminar e foi uma limitação de danos fantástica dada a muita potência que perdia para os outros monolugares”, começou por dizer Wolff.

Quanto a Paddy Lowe, o diretor técnico da marca, afirmou que os "Flechas de Prata" tiveram problemas aparentemente causados por um problema no controlo eletrónico de alta voltagem que gere a MGU-K [unidade de potência]. Isso significa que ambos os monolugares perderam a potência híbrida a partir daí e, sem a força adicional de travagem da MGU-K, isso também colocou uma carga muito mais elevada nos travões traseiros”. 

Mesmo assim, Paddy Lowe elogiou Rosberg pelo facto de ter conseguido levar o seu carro até ao fim, admitindo porém o seu desapontamento pelo final do dominio dos carros de Estugarda: “É desapontante ver a nossa série de ‘dobradinhas’ chegar ao fim”, desabafou.

Rumor do dia: Tesla vai colocar as suas patentes no domínio público?

Acho muito interessante ver a saga do carro elétrico, especialmente a Tesla, a marca feita pelo multimilionário de origem sul-africana Elon Musk. Desde há algum tempo que a marca está a fazer alguns modelos, especialmente mo S, que já alcançou um estatuto respeitável, vendendo cerca de 31 mil automóveis, 23 mil dos quais em 2013, a grande maioria nos Estados Unidos.

Desde há algum tempo que é sabido que Musk quer que a tecnologia dos carros elétricos dê um manifesto impulso para a frente, no sentido de libertar a tecnologia automóvel da dependência dos combustíveis fósseis, sejam eles o petróleo ou o gás. Agora, desde a semana passada, corre o rumor de que Musk poderá fazer algo dramático para ver se esse impulso pode ser alcançado. E esse rumor será de que poderá "abrir ao mundo" as suas patentes relacionadas com a construção do automóvel elétrico, segundo conta o site Gizmodo.

Questionado sobre esse assunto pelo jornalista da BBC Theo Leggett, Musk respondeu que "nós estamos tentando descobrir uma maneira de acelerar o surgimento dos carros elétricos, e na medida em que andamos a criar barreiras tecnológicas para eles, parece que tal não está a acontecer", começou por dizer. "Nós não queremos cortar um caminho através da selva para, logo em seguida, colocar um monte de minas atrás de nós."

Apesar de não ser oficial, poderá ser algo definidor para dar um impulso a esta tecnologia. Resta saber se ele irá fazer algo esperto, de modo a poder ainda lucrar com este assunto. Veremos.

O gif do dia (II)

O momento em que viamos acabar um mito na Formula 1, repetido vezes sem conta em .gif. 

Pobre Marussia e pobres Jules Bianchi e Max Chilton

Embora ache que o inglês seja culpado. Sabem como é: Jules já pontuou e ele ainda não...

Esta vi no Jalopnik.

Formula 1 em Cartoons - Canadá (Pilotoons)

Eis o GP do Canadá, visto pela pena do Bruno Mantovani. Uns a ficarem a pé, outros a esperar para ver onde é que os outros iriam cair... e no final, Daniel Ricciardo foi - literalmente! - o último a rir. Bem merece.

domingo, 8 de junho de 2014

WRC 2014 - Rali da Sardenha (Final)

E como seria de esperar, Sebastien Ogier conseguiu levar a melhor no Rali da Sardenha. Foi a sua vigésima vitória na sua carreira e era inevitável, depois de ontem o seu companheiro de equipa Jari-Matti Latvala ter tido problemas com um toque e subsequente furo.

O dia de hoje foi praticamente de "gestão", com o piloto francês mais preocupado em levar o seu carro até à meta e gerir a vantagem que tinha para o segundo classificado. No final, ainda teve tempo para conseguir mais um ponto, ao ser o terceiro na Powerstage, atrás de Anders Mikkelsen e de Jari-Matti Latvala. "Tenho que confessar que tive mesmo de atacar depois depois de 'abrir' a estrada no primeiro dia. O Jari-Matti também está muito forte neste momento e não há tempo para relaxar", comentou o piloto francês após a Powerstage.

Mads Ostberg consegue aqui o segundo posto e o seu terceiro pódio desta temporada, mas alcançando também o seu melhor resultado até aqui. Conseguiu chegar ao fim sem cometer grandes erros, já que não teve andamento para acompanhar os Citroen. Depois de Latvala ter assegurado o lugar mais baixo do pódio, veio a seguir o terceiro Volkswagen de Anders Mikkelsen, melhorando as suas performances, mas a continuar a cometer erros.

Elfyn Evans foi o quinto, conseguindo "salvar a honra" em termos da Ford, depois do descalabro de Mikko Hirvonen. Martin Prokop foi o sexto e o melhor dos privados, na frente de Henning Solberg e de Robert Kubica, que voltou à estrada após a roda arrancada e conseguiu pontuar. Lorenzo Bertelli foi o melhor nos WRC2, e conseguiu também o nono lugar da geral, conseguindo dois pontos, na frente de Khalid Al-Qassimi.

Quanto a Bernardo Sousa, terminou o rali no pódio, mas a organização decidiu penalizá-lo em cinco minutos devido a - alegadamente - ter usado mais pneus do que o exigido, fazendo assim cair do terceiro lugar na categoria para o quinto posto. Contudo, essa decisão já seguiu para apelo.

O Mundial de Ralis prossegue no final do mês, em terras polacas.

Formula 1 2014 - Ronda 7, Canadá (Corrida)

A sétima prova do ano, em paragens canadianas, parecia que não seria diferente das outras, dado o facto de os Mercedes terem conseguido dominar a qualificação como acontecera nas outras partes, mas o mais interessante dentro dela é que pela segunda vez seguida, Nico Rosberg conseguiu ser melhor do que Lewis Hamilton na qualificação, e ainda por cima num local onde o piloto inglês é bem melhor e onde venceu ali pela primeira vez na sua carreira, há sete anos.

Antes da corrida, quem assistisse à transmissão da Sky Sports saberia de algumas coisas por voz do "tio" Martin Brundle: que em mais de 50 por cento das corridas no passado, o Safety Car entrou na pista, que Gene Haas iria entrar na Formula 1 em 2016, com ele ainda a negociar um acordo para motores - mas todos a dizerem que já tá tudo apalavrado com a Ferrari - e com a grande noticia da tarde: com a renovação do contrato com a Red Bull, Adrian Newey vai começar a desligar-se da Formula 1, apesar de desenhar os carros da marca até 2016.

Debaixo de calor, máquinas e pilotos esperavam pela corrida que toda a gente sabe que raramente é aborrecida, e esperava-se que os pneus macios e super-macios fizessem o seu trabalho. Na partida, Hamilton conseguiu colocar o nariz na frente de Rosberg, mas o alemão conseguiu apertar o inglês e este perdeu o lugar para Sebastian Vettel. Mas atrás, a profecia de Martin Brundle concretizou-se: o Marussia de Max Chilton despistou-se e tocou no carro de Jules Bianchi, com este a bater no muro. Com os Marussia a auto-eliminarem-se, e Max Chilton a terminar ali o seu recorde de corridas sempre a acabar, o Safety Car teve a sua primeira entrada na corrida.

Nas voltas seguintes, os comissários de pista tentaram limpar aquela parte da pista, devido ao óleo largado pelo carro de Bianchi. E com a demora, os pilotos ficaram preocupados com a maneira como eles iriam resolver aquele assunto, pois sabem que é uma curva critica. A corrida só voltou na oitava volta, com Nico a ser bem mais veloz do que Vettel, e Hamilton a não conseguir mais do que o terceiro posto.

Contudo, Hamilton precisou de três voltas e o DRS ligado para que pudesse passar o Red Bull do piloto alemão para ficar com o segundo lugar, mas nessa altura, Rosberg já se tinha afastado bastante. Atrás, Daniel Ricciardo tentava apanhar os Williams de Felipe Massa e Valtteri Bottas, o que seria mais complicado do que se esperava. E foi com Ricciardo e Bottas que começaram as primeiras paragens de pneus.

Entre as voltas 14 e 17 foi todo o pelotão para as boxes para a primeira troca de pneus, mas os últimos a pararem foram os Mercedes, com Rosberg a ser o primeiro a parar, seguido por Hamilton, nas voltas 18 e 19, e não perderam a sua liderança... apesar de Rosberg ter apanhado um susto na sua volta de saída, quase tocando no muro. É nestas alturas nos lembramos que uma vez por ano, o espirito de Gilles Villeneuve anda por ali.

Nas voltas seguintes, enquanto que Sebastian Vettel tentava passar o Force India de Nico Hulkenberg, Lewis Hamilton tentava aproximar-se de Nico Rosberg. As coisas estavam a ser interessantes, até que na volta 25, Rosberg falha a travagem e segue em frente. Não perdeu a liderança, mas os comissários decidiram investigar o incidente. No final, os comissários, liderados por Derek Daly (companheiro de equipa do pai de Nico em 1982) decidiram avisá-lo para não repetir a gracinha. Por essa altura, Lewis estava mais próximo de Nico, mas sem ameaçar.

Mas a partir da volta 37, começaram os problemas. Primeiro Lewis Hamilton, depois Nico Rosberg. Ambos andavam juntos, mas andavam a perder dois segundos por volta... para o resto da concorrência! Ao longo das voltas, ambos os carros tinham problemas nas suas unidades e perdiam para a concorrência, liderada pelo Williams de Felipe Massa. Ambos os Mercedes pararam nas voltas 44 e 45, e na volta 46, Felipe Massa liderava a corrida.

Mas as coisas pioravam a cada volta. Na volta 48, Hamilton falha a travagem para a reta da meta, e deixa passar Rosberg. Mas a seguir viu-se a razão: os travões ficaram avariados e o piloto inglês decidiu abandonar a corrida. Com Massa nas boxes na volta 49, o segundo posto ficou com o Force India de Sergio Perez, que era pressionado pelos Red Bull de Daniel Ricciardo e Sebastian Vettel. Mas todos estavam bem perto de Nico Rosberg.

As voltas seguintes passaram como se todos suspendessem a respiração, mas parecia que as coisas estabilizaram, especialmente quando Sergio Perez tentava aproximar-se e não conseguia passar Nico Rosberg. Viu-se depois que o DRS do seu Force India estava avariado, e por causa disso, era um "tampão" para os Red Bull e o Williams de Felipe Massa, que estava cada vez mais perto deles.

Por fim, na volta 63, Ricciardo conseguiu passar Perez e foi atrás de Rosberg. A seguir, Vettel tentou fazer o mesmo, mas era complicado, quando tinha o assédio de Felipe Massa, que com pneus mais frescos, fazia a sua parte. Perez fazia o possivel para aguentar os dois carros, ao mesmo tempo que Ricciardo se aproximava e "comia" Rosberg na reta anterior da meta para ficar na liderança. Pela primeira vez esta temporada!

O climax foi no inicio da última volta. Por fim, Vettel passava um Sergio Perez que lutava contra os seus travões traseiros que cediam, mas logo a seguir, Massa tentou a sua sorte... com resultados catastróficos. O toque no piloto mexicano acabou com ambos os carros nos pneus, e por muito pouco, não levava Sebastian Vettel junto.

Apesar do acidente em alta velocidade, nenhum dos pilotos ficou magoado, mas o Safety Car teve de entrar em ação e foi em bandeiras amarelas que Daniel Ricciardo se juntava a Gilles Villeneuve, Thierry Boutsen, Jean Alesi, Lewis Hamilton e Robert Kubica no selecto grupo de pilotos que conseguia a sua primeira vitória de sempre em Montreal. Uma vitória comemorada por toda a gente, já que o australiano é conhecido por ter um sorriso de orelha a orelha que não o larga em qualquer circunstância...

Mas outro grande vencedor do dia foi Nico Rosberg. Apesar de ter levado 18 pontos para casa, poderia muito bem ter acabado como o seu companheiro de equipa e encostado às boxes. Assim, conseguiu abrir um espaço bem maior na liderança do campeonato sobre o seu companheiro de equipa, do qual ele poderá confortavelmente gerir nas corridas seguintes, bastando estar atrás do seu companheiro de equipa. Mas com a história dos pontos a dobrar em Abu Dhabi, as coisas poderão não ser tão fáceis assim...

E assim acabou o GP do Canadá. Pena isto acontecer uma vez por ano...

O gif do dia

Costumo dizer que uma vez por ano desce à terra o espirito de Gilles Villeneuve. E costuma ser no fim de semana do GP do Canadá. E este ano não foi excepção. Pena o fim, mas... o Vettel deve ter visto toda a sua carreira pela frente.

Já a seguir, a crónica desta corrida. Fuck Yeah!

WTCC - Moscovo (Corridas)

A Citroen voltou a vencer no WTCC, mas neste domingo, em Moscovo, deu-se história: pela primeira vez, numa prova mundial sancionada pela FIA, um piloto chinês venceu uma corrida. Ma Qinghua foi o piloto, a bordo da máquina que tem dominado o campeonato deste ano: a Citroen. Qinghua, como quarto piloto da marca, corre em algumas corridas selecionadas nesta temporada, e demonstra que com qualquer um, este carro é quase imbatível.

Mas o feito do piloto chinês aconteceu na segunda corrida, pois na primeira, o melhor foi outro Citroen, o de José Maria Lopez, que assim alargou a sua liderança no campeonato, conseguindo ser superior ao Honda de Gabriele Tarquini e ao outro Citroen de Sebastien Löeb

Na primeira, as coisas aconteceram com "Pechito" Lopez a apoderar-se da liderança... para não mais sair dela. Atrás, Tarquini ficou com o segundo lugar, mas era pressionado por Tiago Monteiro, que foi apanhado desprevenido por uma travagem do seu companheiro de equipa, e levou um toque. A partir dali, o piloto português perdeu posições até acabar no sétimo posto, lugar do qual ele acabou por cruzar na meta.

Com Lopez na frente, a luta foi pelo segundo posto, com Sebastien Löeb a não conseguir superar Gabriele Tarquini, enquanto que Tom Chilton conseguiu atrasar o mais possivel que Yvan Muller ficasse com o quarto posto, algo que o piloto francês só conseguiu na última volta. O chinês Ma Qinghua conseguiu o sexto posto, na sua primeira corrida com a Citroen, na frente de Tiago Monteiro e do Chevrolet de Gianni Morbidelli.

A segunda corrida começou com José Maria Lopez parado na grelha devido a problemas na sua caixa de velocidades, e Hugo Valente a liderá-la, na frente de Norbert Mischelisz. Contudo, o piloto francês tinha mudado os pneus fora do tempo regulamentar na pré-grelha e acabou por ser penalizado, passando pelas boxes. A liderança foi herdada pelo húngaro da Honda, mas este já estava a ser pressionado por Qinghua, que já tinha visto para os outros Honda, de Gabriele Tarquini e de Tiago Monteiro, este devido a um problema elétrico.

Com o chinês na frente, este passou a ser assediado por Yvan Muller, que queria recuperar pontos na sua luta pela liderança do campeonato. Apesar do forte ataque, este não conseguiu superar o piloto chinês, principalmente na última volta, onde fez os ataques mais fortes. Assim, a Citroen conseguiu uma dobradinha, mas com Qinghua a fazer história no automobilismo. O marroquino Mehdi Bennani conseguiu o lugar mais baixo do pódio e o melhor resultado para os Honda, na frente do Chevrolet de Tom Coronel e do terceiro Citroen de Sebastien Löeb. 

No campeonato, "Pechito" Lopez é o melhor, com 209 pontos, segundo por Muller, com 168, e Loeb, com 161. Tiago Monteiro é o quarto, com 105 pontos, seguido por Gabriele Tarquini, com 96. A próxima ronda do WTCC acontecerá no fim de semana de 21 e 22 de junho, em Spa-Francochamps.

Youtube Rally Driving: Rali do Vidreiro 2014


Coloco aqui um video sobre o Rali Vidreiro 2014, mais uma prova do Nacional de Ralis, onde o vencedor foi... um Porsche. José Pedro Fontes conseguiu a sua primeira vitória do ano a bordo de um Porsche 911 de GT3 (e ainda tinha 40 quilos de lastro!), numa prova essencialmente de asfalto, conseguindo bater Ricardo Moura e Pedro Meireles.

Na zona do Pinhal de Leiria, estes pilotos deram o seu melhor neste rali que ora esteve molhado, ora seco. Vejam as imagens.


A foto do dia

Andei à procura desta foto, confesso. Gil Antunes participou no Rali do Vidreiro, que aconteceu este fim de semana na minha zona, e teve sorte no azar. Sorte, porque o poste não caiu em força sobre o seu carro. Azar, porque o acidente causou a interrupção do rali na classificativa de Espite, local onde isto aconteceu.

Felizmente, piloto e navegador não ganharam para o susto. Mas parece que a EDP vai ter trabalho a mais nos próximos dias...