segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Noticias: Florsch teve alta do hospital

A piloto alemã Sophia Florsch teve esta segunda-feira alta do hospital e prepara-se para regressar à Alemanha, uma semana depois do seu acidente durante a prova de formula 3 em Macau. Numa conferência de imprensa realizada esta manhã na Europa - final de tarde em Macau - a piloto de 17 anos agradeceu o apoio médico local e voltou a afirmar que espera recuperar a tempo de regressar na próxima edição. 

“Tive muita sorte. Primeiro, em ter os doutores Lau [Wai Lit] e Chan [Hong Mou] como cirurgiões. Fizeram um excelente trabalho no pescoço e na minha anca. Estou muito grata por estar aqui e ter uma boa recuperação. Estou a andar. Tenho que trabalhar nos próximos meses, mas, de certeza, voltarei a competir aqui no próximo ano”, afirmou.

Lau Wai Lit, chefe do Serviço de Ortopedia do Hospital São Januário, em Macau, afirmou na conferência de imprensa que Floersch está a recuperar bem da operação e vai voltar a competir, se assim o desejar. 

“Depois da cirurgia teve uma boa recuperação. Já pode andar por si própria, mas a coluna ainda necessita de tempo para recuperar. Vai demorar alguns meses, mas não vai afectar a forma como andará no futuro”, declarou, reforçada pelas declarações do outro médico, o ortopedista Chan Hong Mou, que disse dentro de um ano, ela poderá voltar a competir.

“Necessita tempo para a recuperação. Provavelmente seis meses. Depois de um ano já pode voltar às pistas e proponho que faça terapia para que a coluna recupere melhor.”

Entretanto, a organização atualizou a situação clinica dos outros afetados pelo acidente. O comissário de pista acabou por ter alta na sexta-feira passada, enquanto que o fotógrafo chinês, que sofreu uma laceração do fígado, continua internado, mas muito em breve deverá receber alta. Os outros dois feridos, entre eles o japonês Sho Tsuboi, já tiveram alta no dia seguinte à corrida, depois de um período de observação. 

domingo, 25 de novembro de 2018

A(s) image(ns) do dia









A coisa boa da última corrida da temporada em Abu Dhabi é a festa que acontece depois da bandeira de xadrez. Até parece que esperamos quase duas horas de uma chatice chamada Grande Prémio para acontecer... brincadeira.

Mas... como cantava Chico Buarque, "foi bonita a festa, pá!" quando vimos Lewis Hamilton e Sebastian Vettel a fazer guarda de honra a Fernando Alonso, que se despedia da Formula 1 - temporáriamente, como todos esperam. Fazer isso e depois os três pilotos - Alonso, Hamilton e Vettel - fazerem "donuts" na reta da meta, para deleite de todos na tribuna e os que viram isso na televisão... excepto no Brasil, onde a Rede Globo, aparentemente, passou logo para o futebol, privando algumas dezenas de milhões de pessoas de assistir ao espectáculo. Apenas puderam ver depois no Youtube...

Mas ao longo deste fim de semana, foi óbvia a homenagem ao piloto das Asturias. Apesar dos bons e maus momentos, no fundo, no fundo, sabiam da sua importância e até que ponto ele foi dos mais importantes pilotos da sua geração. E agora que deseja ser um piloto eclético - correr na Endurance e nas 500 Milhas de Indianápolis - há quem o admire ainda mais, porque de uma certa forma, é uma ideia que parecia estar em extinção.

É evidente que poderá regressar em 2020 ou 2021, caso a McLaren fizer um bom chassis. Mas se não, sempre pode tentar outros lados para prestigiar a sua carreira. Mas hoje, e ao longo do fim de semana, a Formula 1 não esqueceu aquilo que fez ao longo de dezassete temporadas.

Regressos, mas não de campeões (parte 4)

Todos sabem sobre o regresso de Robert Kubica à Formula 1 em 2019, depois de oito anos depois de ausência. O seu acidente no Rali Ronda di Andora, em fevereiro de 2011, com um Skoda Fabia S2000, causou-lhe graves lacerações no braço direito e na perna direita, e também fez interromper uma carreira que se pensava ser de ascensão até ao topo. Desde 2006 na Formula 1, com passagens pela BMW Sauber e Renault, teve uma vitória no GP do Canadá de 2008, e tinha feito 136 pontos e três pódios, na temporada de 2010, sendo oitavo classificado na geral.

Contudo, como já tem lido nos últimos dias, o regresso de Kubica não é o único, nem a distância entre Grandes Prémios é a maior de sempre da Formula 1. Muitos outros pilotos já voltaram à Formula 1 depois de algum tempo de ausência, e nem todos foram bem sucedidos. Já vimos por aqui os regressos de campeões do mundo (Niki Lauda, Alan Jones, Kimi Raikkonen, Michael Schumacher são alguns), mas também existe uma boa quantidade de pilotos com carreira no automobilismo que voltaram após algum tempo de ausência. 

Nesta quarta e última parte - por agora - vou falar de mais cinco exemplos de pilotos que voltaram depois de algum tempo, com resultados diferentes. A alguns, valeu a pena, mas a outros... foi mais vergonhoso do que outra coisa.


16 - Alexander Wurz (2005 e 2007)


O austríaco Alexander Wurz teve uma carreira eclética no automobilismo, especialmente na Endurance, onde foi duas vezes vencedor das 24 Horas de Le Mans, por exemplo. Entre 1997 e 2000, ele esteve na Benetton, onde conseguiu um pódio e uma volta mais rápida, tendo como melhor resultado o oitavo lugar em 1998, com 17 pontos.

Contudo, no final do ano 2000, ficou sem lugar na Formula 1 como piloto titular, e decidiu aceitar a proposta para ser piloto de testes da McLaren, lugar onde estava em 2005 quando Juan Pablo Montoya se lesionou a andar de moto. Para as duas corridas no qual o colombiano iria se ausentar, a McLaren chamou os seus pilotos de teste para o lugar: Pedro De La Rosa no Bahrein, Wurz em San Marino. E ali, o austríaco conseguiu o seu segundo pódio da sua carreira, depois de Jenson Button ter sido desclassificado. Com o regresso de Montoya, ambos voltaram a ser pilotos de testes.

Em 2007, a Williams pediu a ele para que fosse piloto titular, dando experiencia à equipa ao lado de Nico Rosberg. Já estava na equipa desde 2006, também como piloto de testes, e a ocasião até foi relativamente bem aproveitada, com o seu terceiro e último pódio da sua carreira no Canadá, e quase alcançou outro pódio no GP da Europa, em Nurburgring, mas Mark Webber levou a melhor.

No final dessa temporada, Wurz retirou-se da Formula 1, mas não do automobilismo, com uma longa carreira na Endurance, primeiro pela Peugeot, depois pela Toyota, até 2015, altura em que pendurou de vez o capacete. Atualmente, é o presidente da GPDA, Grand Prix Drivers Association.


17 - Pedro de la Rosa (2005, 2006, 2010 e 2012)


O piloto espanhol, atualmente com 47 anos (nasceu a 24 de fevereiro de 1971) teve uma carreira longa e com muitas interrupções, quase parecendo um super-substituto, aparecendo sempre para o lugar de alguém ou a salvar determinada equipa com a sua qualidade. E andou num carro de Formula 1 até aos 41 anos.

Correndo entre 1999 e 2002 na Arrows e Jaguar, conseguiu apenas seis pontos, e no final desse ano, acabou por perder o lugar para Mark Webber. Sem lugar como piloto titular, foi para a McLaren como piloto de testes, onde em 2005 e 2006, teve duas chances para mostrar o seu talento... por causa de um piloto. 

Como já leram em cima, quando Juan Pablo Montoya se lesionou em 2005, falhando duas corridas, De La Rosa foi correr no GP do Bahrein, acabando no quinto posto e fazendo a volta mais rápida. Regressando ao estatuto anterior, no ano seguinte voltou à ribalta por causa de Montoya, que a meio do ano resolveu sair da equipa. Entre chamar antecipadamente Lewis Hamilton para o posto de titular e apostar no seguro, com o piloto espanhol, escolheu a segunda parte, correndo nas oito provas finais, com um segundo lugar na Hungria e dezanove pontos.

Continuou a ser piloto de testes na McLaren até ao final de 2009, altura em que a Sauber o chamou para ser piloto titular na temporada de 2010, ao lado do japonês Kamui Kobayashi. Contudo, apenas um sétimo lugar em Budapeste foi o melhor que conseguiu e foi substitudo por Nick Heidfeld para as cinco últimas provas dessa temporada.

Ainda voltou em 2011, para correr o GP do Canadá, no lugar de um adoentado Sergio Perez, mas em 2012 fez uma última temporada ao serviço da Hispania, sem resultados de relevo. 


18 - Luca Badoer (1995, 1999 e 2009)


A história de Luca Badoer como substituto na Formula 1 vale a pena ser contada. Não só bateu um recorde entre corridas de quase dez anos, como a sua passagem pela Ferrari foi um vexame completo. E por aquilo que fez na sua carreira antes de chegar à Formula 1, não merecia.

Campeão da Formula 3000 em 1992, foi para a Scuderia Itália no ano seguinte, para partilhar com Michele Alboreto a última fila da grelha. Ficou sem lugar em 1994 para no ano seguinte correr pela Minardi, onde foi batido constantemente por Pierluigi Martini e por Pedro Lamy. Depois, uma passagem de meio ano pela Forti até ir para os GT's, para ser de novo chamado pela Minardi para correr na temporada de 1999, altura em que já era piloto de testes da Ferrari. O seu choro compulsivo ao lado do seu carro no GP da Europa de 1999, quando ia a caminho de um quarto lugar certo nessa prova, comoveu o mundo automobilístico. 

Ainda nesse ano, houve uma chance para substituir Michael Schumacher quando este se lesionou na perna direita no GP da Grã-Bretanha, mas a Scuderia preferiu por Mika Salo - e chegou a pedir a Jean Alesi para que voltasse, mas ele recusou - e ele ficou na Minardi, antes de no ano 2000 se dedicar à função de piloto de testes.

Contudo, nove anos depois, aos 38 anos de idade, a Ferrari estava de novo numa situação aflitiva. Felipe Massa tinha levado com uma mola no capacete e ficou fora de combate para o resto da temporada, e tinha de se arranjar um substituto. Michael Schumacher foi considerado, mas ele estava a recuperar de uma lesão, logo, Badoer foi o escolhido, como forma de recompensa pelos serviços na equipa de Maranello. 

Mas... foi um desastre. Em Valencia estava três segundos mais lento que o resto do pelotão e acabou a corrida na 17ª posição, e em Spa, foi apenas 14º, atrapalhando mais que ajudando. Acabou por ser substituido por Giancarlo Fisichella em Monza, ficando até ao final da temporada. Badoer reformou-se em 2010.


19 - Bruno Senna (2011)


O sobrinho do mítico Ayrton Senna teve uma estreia pela "porta dos fundos" através da Hispania, em 2010. Depois, ficou de fora da Formula 1 até que a meio de 2011, a Lotus o chamou para ser piloto titular no lugar de Nick Heidfeld. Contudo, apesar de pegar no carro a partir do GP da Bélgica, apenas um nono lugar foi o seu melhor resultado.

Foi o suficiente para em 2012 ter sido piloto titular na Williams, conseguindo uma volta mais rápida e 31 pontos, mas não o suficiente para continuar. Depois da Formula 1, passou pela Endurance e Formula E, pela Mahindra.


20 - Romain Grosjean (2012)


A carreira de Romain Grosjean na Formula 1 poderia ter acabado logo no seu primeiro Grande Prémio, em 2009. Chamado à Renault depois do despedimento de Nelson Piquet Jr, a passagem foi um desastre. Na segunda corrida da sua carreira, em Spa-Francochamps, causa uma carambola na travagem para Les Combes, obrigando à interrupção da prova. Sem pontuar nesse ano, praticamente é descartado, acabando no ano seguinte a fazer a... AutoGP, acabando por vencer. 

A Lotus-Renault, contudo, não o esqueceu. Terceiro piloto em 2011, foi titular em 2012, onde quando domava a sua impulsividade, acabava em lugares pontuáveis ou de pódio. Até chegar o GP da Bélgica desse ano, onde causou nova carambola, desta vez nos primeiros metros, em La Source. A FIA foi implacável e suspendeu-o por uma corrida.

Depois disso, tornou-se num piloto mais consistente, mas com uma ou outra polémica de vez em quando. Atualmente, está na Haas, depois de ter corrido na Lotus até  ao final da temporada de 2015.

Formula 1 2018 - Ronda 21, Abu Dhabi (Corrida)

Abu Dhabi só tem toda esta importância por ser a última corrida do ano. Como para ter esse privilégio, teve de pagar muito a Bernie Ecclestone - há sempre um extra por ser a primeira e a última corrida do ano - ter este lugar na península arábica só se justifica pelo tamanho da mala cheia de dinheiro que eles pagam para ter esta corrida. E claro, com isso, há mais: afinal de contas, são as últimas corridas de pessoal como Fernando Alonso ou Marcus Ericsson. Ninguém pendurará o capacete, muitos transferem-se de equipa, outros vão tentar a sua sorte noutras paragens - o sueco Ericsson vai para a IndyCar, e o belga Stoffel Vandoorne para a Formula E, por exemplo - e é por isso que esta corrida acaba por ter a sua importância.

A expectativa, depois do que aconteceu na qualificação de ontem, era que Lewis Hamilton iria dominar a seu bel-prazer. E se Valtteri Bottas andasse ao ritmo do seu companheiro de equipa, se calhar poderia haver ordem de equipa. Era uma chance. Mas a corrida começou com agitação. Não na frente, mas sim a meio do pelotão.

Apagadas as luzes - depois de Will Smith ter agitado a grelha antes da volta de aquecimento - a partida correu bem para os da frente, mas quando Romain Grosjean e Nico Hulkenberg disputavam o sétimo posto, ambos tocaram-se, com o piloto da Renault a voar e a acabar de cabeça para baixo. Safety Car lançado e os comissários a fazerem força para tirar o alemão do seu carro, pois estava preso. Passado pelo centro médico, ele não teve nada de especial.

A corrida recomeçou pouco depois e na sétima volta, o motor de Kimi Raikkonen calou-se, antecipando o final da carreira do finlandês na Ferrari. O Safety Car Virtual foi acionado para tirar o carro da pista, enquanto Lewis Hamilton aproveitava a ocasião para ir às boxes e trocar de pneus. Foi a sua única passagem, e quando voltou à pista, era quinto, atrás de Bottas, Vettel e dos Red Bull.

Após isso, a corrida recomeçou e estava a instalar a habitual modorra que acompanha esta prova quando por alturas da volta vinte... começava-se a ouvir relatos de chuva! Incrível, não é? Chuva no deserto, e parecia que isso iria acontecer. Os avisos das boxes aos pilotos provavelmente traziam alguma incredulidade, mas em poucos minutos, as gotas de chuva na noite começavam a cair na pista.

Mas se as expectativas eram altas, na realidade, não choveu. Ou se choveu, o impacto foi nulo.

Ricciardo manteve-se na frente até à volta 33, quando foi às boxes meter supermoles, caindo para quinto. Hamilton voltava para a liderança, com Bottas a cometer um erro e Vettel aproveitou para o ultrapassar e ficar com o segundo posto. E o finlandês era agora pressionado por Max Verstappen... a luta entre o holandês e o finlandês aconteceu na volta 38 e de forma musculada, o Red Bull passou-o. Duas voltas depois, foi a vez de Ricciardo passar o piloto da Mercedes. Preocupados, a Mercedes optou por trazer Bottas às boxes na volta 41, para trocar de pneus. 

Mais drama na volta 46, quando Esteban Ocon teve problemas no seu carro, rumando para as boxes e abandonar a corrida, interrompendo antecipadamente a carreira. E quase a seguir, a mesma coisa acontecia a Pierre Gasly, encostando o seu Toro Rosso à berma e ficando por ali.

Até ao final, nada de especial. Lewis Hamilton vencia pela 11ª vez no ano, com Sebastian Vettel e um Max Verstappen em alta a acompanhá-lo no pódio. Para final de festa, todos festejaram com "donuts" para deleite dos que lá foram: Hamilton, Vettel, e Alonso, depois dos dois primeiros terem feito escolta na volta de descontracção, apesar do espanhol não ter conseguido pontuar. Mas não importava: era o final de uma era na Formula 1 que terminava ali. 

Próxima temporada tem mais, e até lá teremos muita coisa automobilística para ver: Dakar, Daytona, Monte Carlo, Formula E... não compensa muito, para muita gente, é verdade, mas há automobilismo para além da Formula 1.

sábado, 24 de novembro de 2018

A(s) image(ns) do dia

Por muitos anos que passem, ver esta imagem é das que mais me marca na minha longa carreira como espectador de automobilismo. Esta é aquele momento em 2016, quando na última volta das 24 Horas de Le Mans, o carro que ia na frente avariou e ficou parado na pista. Essas são duas más memórias inesquecíveis. E curiosamente, ambos aconteceram com a mesma marca.

Em 1998, a Toyota lutava pelo título mundial com a Subaru e a Mitsubishi. Tommi Makinen, Carlos Sainz (ou será Carlos Sainz Sr.?) e Colin McRae eram os candidatos ao título, e à entrada do Rali RAC, o atual Rali de Gales, parecia que havia finalmente concorrência a sério para Makinen. E para melhorar as coisas, logo no inicio do rali, o finlandês arrancou a sua roda traseira direita e voltava mais cedo para a Finlândia, convencido que tinha perdido o Mundial. 

O rali prosseguiu e Sainz parecia ter a vitória na mão. A vitória e o campeonato. O seu Toyota Corolla tinha-se portado bem e apesar de estar no terceiro posto, atrás dos carros de Richard Burns - sua segunda vitória na carreira e a primeira de um britânico em 22 anos - e Juha Kankkunen, era mais que suficiente para comemorar o seu terceiro título mundial, seis anos depois do segundo, também pela Toyota.

E era isso que esperavam a 300 metros da meta. À vista de todos. E comemoravam. De repente... o fumo. E o carro parava, sem reagir de novo. E a alegria passou a desespero, como vimos, anos depois, em Le Mans, quando todos já se cumprimentavam para a vitória que procuravam há tempos naquela clássica de La Sarthe. 

Ouvir o video é desesperante. Aqueles apelos desesperados de Luis Moya (trate de arrancarlo, por Dios!) arrepiam-me, hoje em dia. E depois, ver que não saiam mais dali, o desespero virar fúria. Com a meta à vista, o carro avariar? Parecia partida cruel do destino.

Mas mais doido foi o que vi depois. No hotel, e a arrumar as malas a caminho do aeroporto para apanhar o vôo de regresso à Finlândia, Makinen recebeu uma chamada no seu telemóvel e atendeu, para no outro lado dizerem que o seu rival tinha tido uma avaria com a meta à vista e era de novo campeão do mundo. Vê-se o choque de receber a noticia, para depois reparar na tristeza por saber das circunstâncias desse título.

E foi assim que, há precisamente vinte anos, acontecia um momento inesquecível do Mundial de ralis.

Youtube Formula 1 Qualifying: A qualificação de Abu Dhabi


Eis o video dos melhores momentos da última qualificação da temporada de 2018, em Abu Dhabi. Não teve grande história, como poderão ver...

Regressos, mas não de campeões (parte 3)

Todos sabem sobre o regresso de Robert Kubica à Formula 1 em 2019, depois de oito anos depois de ausência. O seu acidente no Rali Ronda di Andora, em fevereiro de 2011, com um Skoda Fabia S2000, causou-lhe graves lacerações no braço direito e na perna direita, e também fez interromper uma carreira que se pensava ser de ascensão até ao topo. Desde 2006 na Formula 1, com passagens pela BMW Sauber e Renault, teve uma vitória no GP do Canadá de 2008, e tinha feito 136 pontos e três pódios, na temporada de 2010, sendo oitavo classificado na geral.

Depois de ano e meio de intensa fisioterapia, para recuperar os movimentos do seu braço direito, Kubica voltou à competição nos ralis, tendo andado no WRC entre 2013 e 2016, com alguns resultados de monta e sendo campeão do WRC2 em 2013. Mas ele foi mais conhecido pelas suas saídas de estrada que resultados, impedindo-o de ter um melhor palmarés do que acabou de ter.


Mas o regresso de Kubica não é o único, nem a distância entre Grandes Prémios é a maior de sempre da Formula 1. Muitos outros pilotos já voltaram à Formula 1 depois de algum tempo de ausência, e nem todos foram bem sucedidos. Já vimos por aqui os regressos de campeões do mundo (Niki Lauda, Alan Jones, Kimi Raikkonen, Michael Schumacher são alguns), mas também existe uma boa quantidade de pilotos com carreira no automobilismo que voltaram após algum tempo de ausência. Aqui vou falar de mais cinco exemplos de pilotos que voltaram depois de algum tempo, com resultados diferentes. A alguns, valeu a pena, mas a outros... foi mais vergonhoso do que outra coisa.



11 - Olivier Panis (2001)


Quando chega à Formula 1, depois de alcançar o título europeu da Formula 3000, à custa de Pedro Lamy, Olivier Panis ficou na Ligier até ao final da década e à sua transformação para a Prost Grand Prix. Contudo, durante o tempo em que esteve na equipa de Alain Prost, ela começou a entrar numa espiral de decadência, fazendo que em 1998 acabe sem qualquer ponto. No final de 1999, abandona a equipa, sem lugar em 2000, numa altura em que a McLaren oferece um lugar de piloto de testes, onde fica durante a temporada.

Contudo, apesar de ter sido um bom período - na altura, a McLaren estava no topo, com Mika Hakkinen e David Coulthard - o piloto francês deseja voltar à ativa e aceita o lugar na BAR em 2001 e lá fica até 2003, quando vai para a Toyota, retirando-se em 2004.


12 - Mika Salo (1999 e 2002)


O finlandês Mika Salo sempre foi considerado como um bom piloto do meio do pelotão, a começar pela Lotus, no final de 1994, e passando pela Tyrrell no ano seguinte, para depois passar pela Arrows, onde ficou até ao final de 1998. Aí, ficou sem lugar para a temporada de 1999... até ter tido não uma, mas duas chances de substituir pilotos lesionados.

Após o GP do Brasil, Ricrdo Zonta lesionou-se no pé, forçando-o a não correr por três Grandes Prémios, e Salo foi o seu substituto. Nesse período, conseguiu um sétimo e um oitavo posto, mas nessa altura, apenas os seis primeiros é que poderiam pontuar. Poucos meses depois, em julho, a Ferrari chamou-o para substituir... Michael Schumacher, que se tinha lesionado na perna direita em Silverstone. Salo cumpriu o seu dever em seis Grandes Prémios, conseguindo os seus únicos pódios na sua carreira.

Novamente, no final do ano 2000, quando esteve na Sauber, a Toyota contratou-o para passar toda a temporada de 2001 a construir a equipa japonesa, que iria entrar na Formula 1 em 2002. Depois de todo esse ano a desenvolver o carro, Salo faz o seu segundo regresso à categoria máxima do automobilismo, conseguindo dois pontos... e nada mais. Quando a equipa japonesa o dispensou, no final da temporada, não voltou mais à Formula 1.


13 - Takuma Sato (2003)


Takuma Sato foi sempre um dos melhores pilotos que o Japão produziu na história do automobilismo. Campeão da Formula 3 britânica em 2001, ficou logo na órbita da Honda, e logo a seguir foi para a Formula 1, conseguindo dois pontos ao serviço da Jordan. Mas em 2003, com a equipa de Eddie Jordan a trocar de motor, não houve lugar para Sato a não ser para piloto de reserva da BAR.

Contudo, antes da corrida de encerramento da temporada, no Japão, Jacques Villeneuve decide pendurar o capacete e fazer uma temporada sabática e o lugar é preenchido por Sato. Com o conhecimento da máquina e da pista, o japonês voa para ser sexto na prova, conseguindo três pontos, antes de fazer a sua melhor temporada de sempre, em 2004, com um pódio em Indianápolis e 34 pontos no campeonato.

A sua carreira prosseguiu até 2008, onde depois rumou aos Estados Unidos, para vencer as 500 Milhas de Indianápolis em 2017, sendo o primeiro japonês a fazê-lo.


14 - Marc Gené (2003 e 2004)


A carreira de Marc Gené é mais de... piloto de testes que outra coisa, embora tenha tido duas temporadas ao serviço da Minardi, onde no GP da Europa de 1999, deu o primeiro ponto à equipa em quatro anos, sendo que o último a pontuar tinha sido Pedro Lamy.

Depois, Gené tornou-se piloto de testes e de reserva da Williams, desenvolvendo os carros da equipa numa altura em que não existia limites nesse ponto. Em 2003, Ralf Schumacher magoou-se durante o fim de semana do GP de Itália, e Gené encarregou-se de o substituir. Acabou bem, pois foi quinto classificado nessa corrida.

Contudo, em 2004, não teve melhor sorte. De novo a substituir Ralf Schumacher devido ao acidente que teve durante o GP dos Estados Unidos, em Indianápolis, correu nos GP's da França e Grã-Bretanha, sem pontuar, contudo. Foram as suas últimas corridas na Formula 1, antes de ter as mesmas tarefas na Ferrari.


15 - Antônio Pizzonia (2004 e 2005)


"Jungle Boy" - nasceu em Manaus, no Amazonas, a 11 de setembro de 1980 - Antônio Pizzonia têm uma carreira eclética no automobilismo, e a Formula 1 é apenas uma delas. Depois de ter corrido duas temporadas na Formula 3000, chegou à Formula 1 em 2003 pela Jaguar, mas a sua temporada foi cortada a meio devido aos maus resultados.

Em 2004 passou para a Williams, como piloto de testes, ao lado de Marc Gené. Quando Ralf Schumacher se lesionou no GP dos Estados Unidos, o seu substituto inicial foi Gené, mas, como já vimos em cima, os resultados não foram os melhores. Pizzonia preencheu o lugar a partir do GP da Alemanha, onde nos quatro Grandes Prémios seguintes, acabou três deles nos pontos, sendo sétimo classificado e conseguindo seis pontos.

Em 2005, quando Nick Heidfeld saiu antes de tempo para rumar à Sauber, Pizzonia foi de novo o escolhido, e ficou até ao final do ano. Contudo, somente conseguiu um sétimo posto no GP de Itália, não pontuando mais até ao final dessa temporada. Em 2006, foi substituido pelo alemão Nico Rosberg e voltou a competir numa enorme quantidade de categorias, estando agora na Stock Car Brasil.


(continua amanhã)

Formula 1 2018 - Ronda 21, Abu Dhabi (Qualificação)

A última corrida do ano é sempre mais para o espectáculo do que algo que signifique algo para os fãs do automobilismo. Talvez a próxima geração possa pegar neste lugar e fazer dele o local dos seus sonhos, como esta geração faz das corridas europeias os seus lugares de sonho, mas para mim, devido ao novo dos prédios e o espectáculo que é dado, mais faz lembrar uma Las Vegas árabe, sem coristas mas com "hijabs", e com o Golfo Pérsico como pano de fundo. E vá lá, esta corrida não acontece no Dubai...

Com tudo mais do que decidido, era altura de cumprir o calendário e festejar mais uma temporada. Os que se vão embora fizeram capacetes comemorativos da sua presença na Formula 1, enquanto se falavam dos que estavam a chegar, principalmente o regresso de Robert Kubica, mostrando que a persistência e o bom trabalho têm a sua recompensa. E para outros como Fernando Alonso, os tributos que se faziam a ele era também a homenagem a alguém que em certas alturas foi o melhor da sua geração, e que por muito bom que seja, mesmo com maus carros, não há milagres.

E por causa disso, preferiu ser um piloto completo a ficar no canto da Formula 1. E é isso que os livros de história do automobilismo irão assinalar, quando no ano que vêm o virmos nas 500 Milhas de Indianápolis e nas 24 Horas de Le Mans, por exemplo.

Com o lusco-fusco a entrar em cena - é esse o único atrativo deste Grande Prémio - a grande discussão era saber até que ponto os supermoles e os ultramoles eram capazes de afetar as performances dos pilotos nesta qualificação.

A primeira parte foi calma, sem incidentes de maior. Os Ferrari foram os primeiros a marcar tempos decentes, ficando na frente dos Mercedes e dos Red Bull, com Charles Leclerc no "top ten", a par de Nico Hulkenberg e Carlos Sainz Jr. A certa altura, Esteban Ocon, que estava a fazer a sua ultima corrida na Formula 1 - não tem lugar como titular em 2019 - tinha o quarto melhor tempo, ficando confortavelmente na Q2.

Infelizmente, quem não tinha essa sorte eram os Toro Rosso, os Williams de Serguei Sirotkin e Lance Stroll - a fazerem as últimas corridas na equipa de Grove - e o McLaren de Stoffel Vandoorne, que também vai sair da Formula 1 para correr na Formula E, ao serviço da HWA. E Fernando Alonso recebia uma espécie de "time extension"...

Na Q2, a escolha da Mercedes foi de ultramacios, e com eles, bateu o recorde da pista com 1.35,693. Vetrtel tentou responder, mas um erro na curva 20 faz perder tempo. Verstappen tinha mais com que fazer, pois os pneus que tinha calçado não haviam chegado à temperatura ideal e estava em perigo de não passar à Q3. E com os hipermacios, Charles Leclerc fazia uma super-volta e tinha garantida a passagem para a última parte da qualificação. Depois, Verstappen pegou nos hipermacios e também conseguiu uma volta suficientemente boa para ficar de fora da eliminação.

Quem não teve essa sorte foram Fernando Alonso, Sergio Perez, Marcus Ericsson, Carlos Sainz Jr e Kevin Magnussen, que ficaram de fora. De uma certa forma, os esperados, porque quem foi para a Q3 foram os do costume: Mercedes, Ferrari, Red Bull, mais os Sauber, o Renault de Nico Hulkenberg e o Force India de Esteban Ocon.

A parte final da qualificação parecia adivinhar o domínio dos Mercedes. Carro bem equilibrado e com capacidade para manter os pneus a funcionar melhor e por mais tempo, Hamilton voou na sua primeira saída de pista para fazer 1.36,695, novo recorde da pista. Bottas ficou a seguir, mais 124 centésimos, antes de Vettel ser melhor, ficando a meros 57 centésimos. Os Red Bull também tentaram a sua sorte, mas Daniel Ricciardo foi quarto, na frente de Max Verstappen.

No final, foi o esperado. Os Flechas de Prata melhoraram, com Lewis a fazer 1.34,794 e a conseguir novo recorde, e com o segundo lugar de Valteri Bottas, monopolizaram a primeira fila da grelha. Sebastien Vettel fez o seu melhor, mas foi apenas terceiro, embora muito perto dos Mercedes, na frente do Red Bull de Max Verstappen. Era o final das qualificações, e de uma certa forma, as coisas ficaram um pouco hierarquizadas, a tendência desde a segunda parte desta temporada.

Agora, amanhã é dia de corrida. Caso não aconteça o inesperado, já saberemos quem é o vencedor. A não ser que Hamilton dê uma de magnânimo e ofereça a vitória a Valtteri Bottas...

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

A imagem do dia

O carro da McLaren decorado especialmente para a despedida de Fernando Alonso da Formula 1, este fim de semana, em Abu Dhabi. Aos 37 anos de idade, Alonso vai se despedir da categoria máxima do automobilismo e rumará de novo às 500 Milhas de Indianápolis, para além da sua temporada na Endurance, onde já alcançou a vitória nas 24 Horas de Le Mans.

É certo que muitos dirão que Alonso está a sair da Formula 1 pela porta pequena, por causa dos maus resultados da McLaren nos últimos anos. Mas, mais do que as escolhas do piloto espanhol, foram também as escolhas da equipa desde 2014 que levaram à situação em que eles estão. É um pouco triste ver, por exemplo, duas das equipas com mais palmarés da Formula 1, McLaren e Williams, com quinze títulos de construtores ao todo, a ficarem-se frequentemente pela Q1.

Podemos olhar para isto com melancolia. Mas em relação aos pilotos, é sempre assim: há um principio, meio e fim. Mas as equipas são outra coisa completamente diferente. Espera-se que estejam sempre em forma, com os melhores motores, e mesmo que não tenham os melhores, os chassis têm de ser excelentes. E este ano, nem McLaren, nem Williams, tiveram chassis excelentes. Bem pelo contrário.

A pintura especial é uma homenagem ao piloto, e sobre a carreira dele, falar-se-á noutra altura. Mas sobre o chassis, não é digno da classe de um campeão. 

Regressos, mas não de campeões (parte 2)

Como já foi escrito ontem, o regresso de Robert Kubica à Formula 1 é de saudar, oito anos depois do seu acidente no Rali Ronda di Andora, em fevereiro de 2011. O seu acidente, com um Skoda Fabia S2000, fez graves lacerações no braço direito e na perna direita, e fez também interromper uma carreira que se pensava ser de ascensão até ao topo. Com uma vitória e passagens por BMW Sauber e Renault, tinha feito em 2010 136 pontos e três pódios, sendo oitavo classificado na geral.

Depois de ano e meio de fisioterapia, Kubica voltou à competição, mas esteve a fazer ralis por algum tempo, tendo andado no WRC entre 2013 e 2016, com alguns resultados de monta e sendo campeão do WRC2 em 2013. Mas ele foi também conhecido pelas suas saídas de estrada que resultados, impedindo-o de ter melhor palmarés do que teve.

Mas o Kubica não é o único, nem a distância entre Grandes Prémios é a maior de sempre da Formula 1. Muitos outros pilotos já voltaram à Formula 1 depois de algum tempo de ausência, e nem todos foram bem sucedidos. Já vimos por aqui os regressos de campeões do mundo (Niki Lauda, Alan Jones, Kimi Raikkonen, Michael Schumacher são alguns), mas também existe uma boa quantidade de pilotos com carreira no automobilismo que voltaram após algum tempo de ausência. Aqui vou falar de mais cinco exemplos de pilotos que voltaram depois de algum tempo, com resultados diferentes. A alguns, valeu a pena, mas a outros, foi mais vergonhoso do que outra coisa.


6 - Roberto Moreno (1989 e 1995)


Não falar de Roberto Moreno por aqui, do qual os americanos chamaram mais tarde de "super-sub", seria uma falha imperdoável. E a razão é o que fez depois da sua primeira passagem pela Formula 1, com uma tentativa em 1982 pela Lotus e depois, duas corridas pela AGS, no final de 1987, que lhe rendeu o seu primeiro ponto na Formula 1. Moreno julgava que isso lhe daria um lugar a tempo inteiro na equipa francesa, mas eles preferiram Philippe Streiff.

Sem muito dinheiro - essa foi a sua grande sina - Moreno decidiu tentar a sua sorte na Formula 3000 europeia, onde só tinha dinheiro para parte da temporada. E aproveitou tudo aquilo que tinha, vencendo quatro corridas e arranjando patrocinadores e chassis à medida que a temporada continuava. A sua sorte foi tal que acabou campeão naquele ano e regressando à categoria máxima do automobilismo pela Coloni. Ao mesmo tempo que tinha essa sorte, era piloto de testes da Ferrari, experimentando a caixa semi-automática que iriam ter no modelo 639, em 1989.

Quando voltou à Formula 1, em 1989, esteve na Coloni e Eurobrun, até ter a chance da sua vida, com a Benetton, devido ao acidente de Alessando Nannini, no final de 1990, onde ficou até meados de 1991, quando foi despedido e substituído por Michael Schumacher.

Depois da Andrea Moda, em 1992, Moreno não quis saber da Formula 1 até 1995, ano onde a Forti, uma equipa italo-brasileira, lhe deu nova chance de correr ao lado de Pedro Diniz. Os resultados foram modestos, é verdade, mas consolidou a fama de ser um substituto valoroso, que continuou na CART, nos Estados Unidos. 


7 - Bruno Giacomelli (1990)


O italiano Bruno Giacomelli é um excelente caso de "mais valia ter ficado quieto", mas como as coisas aconteceram, vale a pena contar a história. Campeão da Formula 2 em 1978, foi piloto em "part-time" da McLaren em 77 e 78, antes de ser piloto titular da Alfa Romeo de 1979 e 1982, conseguindo um pódio e uma pole-position, em carros potentes, mas frágeis. No final de 1982, transferiu-se para a Toleman, onde ficou uma temporada até ir para a CART e depois na Endurance, e para além disso, ser piloto de testes da Leyton House.

Contudo, em 1990, teve uma chance de regressar à Formula 1, aos 37 anos de idade. Mas... mais valia não ter ido, pois a oferta era da Life, do italiano Franco Vita. A Life era uma equipa que tinha comprado um chassis desenhado por Ricardo Divila para a First, de Lamberto Leoni, e que não tinha passado no "crash-test" no inicio da temporada de 1989. 

Assim sendo, Vita ficou com o chassis e lá instalou um estranho motor em W12 que tinha pouco mais de 330 cavalos, pouco potente em relação aos V10 da Renault aou até dos V8 da Ford ou Judd. O resultado? O carro ficava sempre no fundo da pré-grelha, dando uma ou duas voltas antes de quebrar algum componente. Após o GP de Espanha, a Life fechou as portas de vez e Giacomelli partiu para a reforma.  



8 - Alessandro Zanardi (1994 e 1999)


Alex Zanardi tem uma história de azar e persistência, que andam a par com o seu talento. Vice-campeão da Formula 3000 em 1991, no final do ano teve a recompensa de andar nas três últimas corridas do ano ao serviço da Jordan. Em 1992, também fez três corridas pela Minardi, substituindo Christian Fittipaldi, lesionado num acidente em Magny Cours. Em 1993 teve finalmente uma temporada a tempo inteiro pela Lotus, pontuando no GP do Brasil, com um sexto lugar. Mal ele saberia que seria a única vez que pontuaria...

Nos treinos para o GP da Bélgica, Zanardi sofreu um forte embate no Radillon, acabando no hospital. O seu lugar para o resto da temporada foi ocupado pelo português Pedro Lamy, que será retratado mais abaixo. Zanardi recuperou das suas lesões, e teve nova chance de correr... quando o seu substituto se lesionou com gravidade antes do GP de Espanha, em Barcelona. Mas nesse ano, a Lotus estava no seu estretor final e no final dessa temporada, Zanardi tentou a sua sorte no outro lado do Atlântico... com enormes resultados.

Em 1999, quando a Williams contratou-o, Zanardi era bicampeão da CART e o melhor piloto do pelotão, com performances espectaculares pelo meio. Já tinha 32 anos e existiam muitas expectativas sobre ele, mas o carro não colaborava e ele não se adaptou. Sem pontuar - foi um choque para muitos - o italiano tirou um ano sabático para voltar ao lugar onde foi feliz, nos Estados Unidos. A 15 de setembro de 2001, em Lausitzring, teve o acidente que mudou a sua vida, perdendo as pernas, mas não encerrou a sua carreira, pois ainda fez o WTCC pela BMW, em carros adaptados.


9 - Pedro Lamy (1995)


Campeão da Formula 3 alemã em 1992 e vice-campeão da Formula 3000 no ano seguinte - perdendo a favor de Olivier Panis, outro dos pilotos que vão ser aqui retratados - foi para a Formula 1 ainda antes de se resolver o título da Formula 3000 nesse ano, quando Alessandro Zanardi teve um forte acidente no GP da Bélgica. Ao serviço da Lotus, fez as quatro últimas corridas do ano, fazendo performances razoáveis.

Ficou em 1994, mas a meio de maio, durante uma sessão de testes em Silverstone, o seu Lotus perdeu o controlo e embateu na zona de Bridge, desintegrando o chassis e atirando o jovem piloto português, então com 22 anos, para o hospital, passando ano e meio em sessões de fisioterapia, com o objetivo de voltar à Formula 1. Algo que alcançou a meio de 1995, quando conseguiu o volante na Minardi, no lugar de Pierluigi Martini. 

As performances foram as suficientes para mostrar que estava na forma que tinha antes do seu acidente, mas a cereja no topo do bolo aconteceu no GP da Austrália desse ano, prova final do campeonato, onde deu à equipa o seu primeiro ponto desde 1992, causando uma enorme celebração nas boxes. E claro, o primeiro ponto conquistado por um piloto português na Formula 1  

Lamy ficou em 1996, mas no final da temporada decidiu rumar a outras paragens, andando pelo DTM e depois na Endurance, onde foi campeão na FIA GT em 1998 e participou por dezanove vezes nas 24 Horas de Le Mans, com duas passagens pelo pódio e uma vitória na categoria.


10 - Jos Verstappen (2000 e 2003)


No final de 1997, Jos Verstappen terminava uma má temporada na Tyrrell, onde não alcançou qualquer ponto, e não conseguiu lugar para a temporada seguinte, ficando a ver os pilotos a correrem até meio do ano, quando Jackie Stewart o chama para substituir Jan Magnussen. Contudo, Verstappen não impressiona e fica de novo sem lugar em 1999. 

Sem lugar, decidiu ser piloto de testes na Honda, num projeto liderado por Harvey Postlethwaithe. Contudo, a inesperada morte deste, em Barcelona, congela o projeto. Mas no final da temporada, ele volta à Formula 1 através da Arrows, no ano 2000, onde faz uma boa temporada, conseguindo cinco pontos. Fica até ao final de 2001, mas em 2002 não arranja lugar no pelotão, ficando de fora mais uma vez. Faz um segundo regresso em 2003, pela Minardi, antes de pendurar o capacete de vez.

(continua amanhã)

WRC: Budar cuidadoso com a polémica das participações ocasionais

Por estes dias surgiu a polémica dos pilotos ocasionais no WRC. Alguns pilotos, como Thierry Neuville e Sebastien Ogier, defenderam que eles não poderão ter os mesmos direitos dos pilotos que correm nas equipas oficias e a tempo inteiro, por entenderem que poderão prejudicar as suas performances, e desviar as atenções das suas lutas por vitórias em ralis e campeonatos. 

Contudo, na Citroen, que tem Sebastien Loeb como piloto ocasional, no sentido de ajudar a equipa a desenvolver o Citroen C3 WRC, Pierre Budar, o seu diretor desportivo, encara essa ideia com cautela. Por um lado, tem de lidar com os egos dos pilotos titulares, por outro, reconhece a ajuda que esses pilotos ocasionais podem ter paraa luta no campeonato de Construtores.

Numa entrevista à revista Motorsport News, Budar mostrou-se dividido sobre o assunto. "Temos e ver o lado positivo que isso é para o campeonato ter algumas estrelas a correr de vez em quando", afirmou.

"Se tivermos alguns pilotos a fazer um rali durante a próxima temporada, temos de garantir que isso não interferirá com os nossos pilotos que fazem todo o campeonato. No próximo ano temos de lutar pelo campeonato, será difícil e não quero tornar isso ainda mais difícil para nós", continuou.

"Se trouxermos pilotos para alguns ralis, temos de seleccionar bem as provas em que correrão, talvez as de asfalto. Há formas de e fazer isto correctamente e será algo que teremos de gerir", concluiu. 

Com estas palavras, Budar não foi esclarecedor, pois não se compromete em ter um terceiro C3 WRC em todas as provas do WRC na temporada de 2019.

CNR: Teodósio faz balanço de 2018

Apesar do resultado algo frustrante no Rali Casinos do Algarve, Ricardo Teodósio faz um balanço positivo da temporada de 2018, onde teve pela primeira vez um carro da classe R5 e lutou pelo título nacional até à última prova, onde acabou por falhar devido a uma quebra do motor do seu Skoda Fabia R5.

Contudo, para esta temporada, Teodósio está feliz. Faz questão de endereçar os "parabéns ao Armindo Araújo pelo título alcançado" e agradecer "a todos os nossos apoiantes ao longo deste ano e à ARC Sport." Mas quis realçar um agradecimento "especial à minha mãe, pois sem ela, nada disto tinha sido possível."

"Este ano ganhámos um rali à geral, terminámos o campeonato em terceiro lugar e sabemos que somos competitivos. Em condições normais, estamos no bom caminho", continuou o piloto algarvio.

E já pensa em 2019: "Vamos começar já a trabalhar para 2019, esperando que as reuniões com os nossos patrocinadores sejam positivas", afirmou.

Já José Teixeira, o seu navegador, realçou que esta primeira temporada ao mais alto nível foi exigente. 

"Para além de uma relação de amizade bastante forte com o Ricardo, este foi um ano muito mais trabalhoso. As exigências foram outras e, dentro do nosso orçamento, tivemos de nos tornar mais profissionais. Já sabíamos que a este nível as coisas são diferentes, mas conhecemos bem o ambiente, estamos bem integrados e contamos com uma excelente equipa. Para o ano as coisas serão seguramente melhores”, comentou. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Regressos, mas não de campeões (parte 1)

O regresso de Robert Kubica à Formula 1 é de saudar, oito anos depois do seu acidente no Rali Ronda di Andora, em fevereiro de 2011, que o fez interromper uma carreira que se pensava ser de ascensão até ao topo. Com uma vitória e passagens por BMW Sauber e Renault, tinha feito em 2010 136 pontos e três pódios, sendo oitavo classificado na geral.

Kubica esteve a fazer ralis por algum tempo, tendo andado no WRC entre 2013 e 2016, com alguns resultados de monta e sendo campeão do WRC2 em 2013. Mas ele foi também conhecido pelas suas saídas de estrada que resultados, impedindo-o de ter melhor palmarés do que teve.

Mas o Kubica não é o único, nem a distância entre Grandes Prémios é a maior de sempre da Formula 1. Muitos outros pilotos já voltaram à Formula 1 depois de algum tempo de ausência, e nem todos foram bem sucedidos. Já vimos por aqui os regressos de campeões do mundo (Niki Lauda, Alan Jones, Kimi Raikkonen, Michael Schumacher são alguns), mas também existe uma boa quantidade de pilotos com carreira no automobilismo que voltaram após algum tempo de ausência. Aqui vou falar de cinco exemplos de pilotos que voltaram depois de algum tempo, com resultados diferentes. A alguns, valeu a pena, mas a outros, foi mais vergonhoso do que outra coisa.


1 - Mike Hailwood (1971)


Herói das duas rodas, quatro vezes campeão do mundo dos 500cc e duas das 350cc, Hailwood teve uma carreira entre as duas e as quatro rodas. Em 1963 e 64, teve uma passagem pela Formula 1, pela Reg Parnell Racing, onde conseguiu apenas um ponto.

Depois de ter corrido até 1967 pelas duas rodas, em 1968 a Honda pagou-lhe 50 mil libras... para não correr, pois a marca japonesa tinha decidido abandonar o motociclismo. Voltou a pensar nas quatro todas, primeiro na Endurance e nos GT's, e depois na Formula 5000 europeia, para em 1971 volta para a Formula 1, a bordo de um dos carros de outro piloto que andou nas duas e quatro rodas: John Surtees.

Na sua primeira corrida, em Monza, acabou no quarto lugar, e na temporada seguinte, enquanto vencia o Europeu de Formula 2, deu à equipa o seu melhor resultado de sempre, um segundo lugar no GP de Itália. Em 1974, vai para a McLaren, com o terceiro carro, com novo pódio na África do Sul, antes de sofrer um acidente em Nurburgring, onde fraturou ambas as pernas, acabando a sua carreira nas quatro rodas.


2 - Peter Revson (1971)


Quase ao mesmo tempo que Hailwood fazia a sua aparição, também aparecia de volta à Formula 1 o americano Peter Revson. Herdeiro dos cosméticos Revlon, era amigo pessoal de Teddy e Timmy Mayer, e mais tarde fez amizade com Bruce McLaren. Andou pela Europa no final dos anos 50, e em 1964, andou na Reg Parnell Racing, ao lado de... Mike Hailwood. Sem sucesso, diga-se.

Depois desta experiência, Revson voltou para os Estados Unidos, correndo na USAC, Can-Am e Trans-Am, sendo um dos melhores pilotos na categoria. Correndo pela McLaren quando o seu fundador morre, em 1970, torna-se campeão da Can-Am em 1971, foi segundo classificado nas 500 Milhas de Indianápolis e no final da temporada, corre o GP dos Estados Unidos com o terceiro Tyrrell oficial.

Em 1972, faz o seu regresso a tempo inteiro, que faz ao mesmo tempo que corre na USAC. Faz uma pole-position e quatro pódios, mas a sua melhor temporada é a de 1973, onsde com o modelo M23, vence na Grã-Bretanha e no Canadá, acabando a temporada no quinto posto da geral, com 38 pontos. Mas sai da equipa no final desse ano para correr na Shadow, onde morre em Kyalami, em testes antes do GP da África do Sul, a 22 de março de 1974.


3 - Martin Brundle (1989 e 1991)


O piloto britânico teve sempre um pé entre a Formula 1 e a Endurance, e ele está na história por ter não um, mas dois anos sabáticos. Desde 1984 na formula 1, com passagens pela Tyrrell e Zakspeed, o autal comentador da Sky Sports decidiu no final de 1987 perseguir a Endurance, ao serviço da Jaguar, para tentar vencer nas 24 Horas de Le Mans e no Mundial de Sport-Protótipos. Apesar de em 1988 ter andado todo o tempo nas provas de longa duração - e ter sido campeão do mundo - a Williams lembrou-se dele para que corresse o GP da Bélgica em substituição de Nigel Mansell, de cama com varicela. 

Regressou à Formula 1 em 1989, ao serviço da Brabham, mas no final do ano, voltou à Jaguar, onde venceu as 24 Horas de Le Mans no ano seguinte. No final dessa temporada, voltou à Formula 1 e à Brabham, começando uma terceira fase da sua carreira bem mais profícua, na Benetton, Ligier e Jordan, conseguindo nesse período os nove pódios da sua carreira. 


4 - Jan Lammers (1992)


O piloto holandês tinha a fama de ser veloz, mas nunca pontuou na sua carreira, apesar de passagens por Shadow, ATS, Ensign e Theodore, entre 1979 e 1982. No final dessa última temporada, depois de em seis tentativas, apenas se ter qualificado em uma, decidiu correr noutras paragens. Primeiro na Endurance, onde foi vice-campeão em 1987, com a Jaguar e venceu as 24 Horas de Le Mans e as 24 Horas de Daytona no ano seguinte, depois na CART, onde conseguiu alguns resultados de relevo em 1985 e 86, e depois na Formula 3000 japonesa, em 1987, ao serviço da Dome.

Contudo, em 1992, apareceu uma chance improvável de correr pela moribunda March, que tinha até um chassis razoável, o CG911B, desenhado por Chris Murphy e Gustav Brunner. Lammers apareceu, aos 36 anos, de volta à grelha da Formula 1, nos GP's do Japão e da Austrália, onde teve como melhor resultado um 12º posto no GP da Austrália.

Hoje em dia, aos 62 anos, continua ativo na Endurance, onde participou pela 24ª vez (!) nas 24 Horas de Le Mans num Dalara LMP2 da Racing Team Holland, ao lado do seu compatriota Giedo ven der Garde, que tem idade para ser seu filho...


5 -  Derek Warwick (1993)


A carreira de Derek Warwick esteve ligado a três equipas: Toleman, Renault e Arrows, onde conseguiu quatro pódios e duas voltas mais rápidas, com a temporada de 1984 a ser a melhor, conseguindo 23 pontos e o sétimo lugar na geral. Contudo, no final de 1985, teve uma chance de ir para a Lotus, mas Ayrton Senna vetou-o, temendo que isso comprometesse as chances de título para ele e a marca. Quando finalmente teve a chance de ir para a Lotus, em 1990, esta já estava num irresistível processo de decadência, com o motor Lamborghini V12, e teve apenas três pontos e o traumático acidente do seu companheiro de equipa, Martin Donnelly, nos treinos do GP de Espanha de 1990.

Pior foi o que aconteceu no ano seguinte, quando viu o seu irmão mais novo, Paul Warwick, morrer numa corrida de Formula 3000 britânica após um forte acidente. Por essa altura, Derek tinha ido para a Endurance, ao serviço da Jaguar. No ano seguinte era piloto da Peugeot, onde acabou por vencer as 24 Horas de Le Mans e o campeonato, ao lado de Yannick Dalmas. No final desse ano, o Mundial de Endurance acabou e Warwick, aos 37 anos, teve a chance de regressar à Formula 1 ao serviço da Arrows, que agora se chamava Footwork.

Nesse seu regresso, foi relativamente modesto, conseguindo três pontos e apanhou um enorme susto em Hockenheim, num acidente que fez lembrar em muito o que sofrera três anos antes, em Monza. Felizmente, sem danos físicos.

Depois desse ano, saiu de vez da Formula 1, correndo no BTCC e tornando-se presidente do British Racing Drivers Club, cargo que ocupa nos dias de hoje. 


(continua amanhã)

Noticias: Kubica volta a correr na Williams

Oito anos depois, confirma-se: o polaco Robert Kubica volta a correr uma temporada inteira na Formula 1, desta vez ao serviço da Williams. Apesar de se falar sobre isso há semanas, o anuncio foi hoje feito em Abu Dhabi, onde a Formula 1 vai fazer a sua prova de encerramento da temporada.

“Antes de tudo, quero agradecer todo mundo que me ajudou naquilo que foi um período difícil da minha vida ao longo desses últimos anos”, começou por dizer o piloto polaco durante o seu anuncio. “Foi uma jornada muito desafiante até voltar à grelha da Fórmula 1. Aquilo que parecia quase impossível começa a parecer possível, agora que estou animado por poder dizer que vou estar na Formula 1 em 2019”, seguiu.

“Voltar no próximo ano vai ser uma das grandes conquistas da minha vida. Tenho certeza de que, com trabalho e dedicação, vamos motivar a equipe para alcançar coisas boas juntos. Finalmente vou voltar atrás de um volante, e mal posso esperar por voltar a correr”, apontou.

“Foi uma longa jornada até chegar a esse ponto. Esse desafio termina agora com esse anúncio enquanto um novo começa ao trabalhar com a Williams na pista. Não vai ser fácil, mas com trabalho e dedicação meu e do George [Russell] , nós vamos trabalhar para tentar melhorar a equipa e subir na grelha. O ano foi difícil, mas aprendi muito. Quero agradecer ao Sir Frank [Williams] e à Claire [Williams] pela oportunidade”, concluiu.

Já Claire Williams não esconde a alegria de poder contar com Kubica como titular depois de um ano como piloto reserva e de desenvolvimento, no qual afirmou ter visto alguém dono de um “compromisso inabalável”.

“Durante esta temporada, o compromisso dele com a equipa foi inabalável. Ele se tornou um piloto estabelecido e muito respeitado na Williams”, começou por dizer. “É um nível de determinação incrível de ver, que realmente captura o espírito lutador da Williams”, continuou.

“Ter a consistência do Robert nesse papel é um passo importante para nós na nossa luta para voltar aos primeiros lugares da grelha”, reconheceu. “Eu fico animada com a mistura de experiência e juventude que teremos em 2019 e fico ansiosa pelo que veremos na pista”, exaltou.

Quando Kubica voltar a estrear-se na Formula 1, no GP da Austrália de 2019, será o terceiro piloto com o maior intervalo entre corridas. Acima dele estarão o italiano Luca Badoer - que esteve ausente entre o GP do Japão de 1999 e o GP de Valencia de 2009 - e o holandês Jan Lammers, que entre o GP da Holanda de 1982 (Theodore) e o GP do Japão de 1992 (March) esteve ausente da Formula 1. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

A imagem do dia (II)

Jacques Laffite, sentado no seu Ligier em 1979, falando com Gerard Ducarouge, o projetista de todos os carros da marca francesa até 1981, numa foto de Bernard Cahier.

Quando comecei a ver Formula 1, há mais de trinta anos, ele era o mais velho do pelotão. E de uma certa forma, foi muito fiel a duas equipas. Pilotou até aos 42 anos, e mesmo na sua última temporada se mostrou competitivo. Andou de V12, V8 e V6 Turbo, venceu corridas e lutou por campeonatos. E hoje em dia, é comentador televisivo, enquanto goza a reforma e vê a filha competir no Troféu Andros.

Depois dizer isto tudo, posso também afirmar que ele sempre teve bom humor. Joyeux Anniversaire, monseiur Jacques Laffite! E vão 75, um número redondo!