
Hoje, para assinalar mais um aniverdsário da sua morte, falo de um homem talentoso que se foi embora cedo demais. Faz parte do trio (os outros são
Tony Brise e
Tom Pryce) de pilotos ingleses que tem o nome de “geração perdida”, pois tinham imenso talento, mas que a morte os apanhou no início das suas carreiras na Formula 1. Eram contemporâneos de
James Hunt, o campeão do Mundo de 1976, e caso tivessem sobrevivido, a Inglaterra teria mais campeões do Mundo nesse tempo… hoje é dia de falar de
Roger Williamson.
Nasceu a 2 de Fevereiro de 1948 em Leicester, Inglaterra. Filho de um corredor, começou cedo, a guiar karts. Em 1967, começou a competir no Troféu Mini, onde de 18 corridas possíveis, ganhou 14. Entre 1968 e 1970, guia um Ford Anglia, onde se torna num piloto ganhador. Em 1970, vira-se para a Formula 3, onde ganha três campeonatos, em 1971 e 1972. É o terror das pistas, guiando num estilo rápido, mas eficaz. Os seus maiores rivais eram pilotos da estirpe de Dave Walker, James Hunt, Jody Scheckter, Tom Pryce, entre outros.
E é em 1971, mais concretamente no Mónaco, que conhece o homem que o vai ajudar no resto da carreira: Tom Wheatcroft. Espantado com o seu talento, passa a apoiá-lo na sua estrutura, tornando-se bons amigos. Williamson vai correr sempre na sua equipa até ao seu trágico fim.
No início de
1973, Williamson vai correr algumas provas de Formula 2, ganhando de ponta a ponta a prova de Monza. Ao mesmo tempo que é convidado para fazer testes com a
BRM, no lugar de
Clay Regazzoni. O resultado impressionou os responsáveis. Contudo, a hipótese de ficar a tempo inteiro não aconteceu, pois o seu patrão e mentor, Tom Wheatcroft, não deixou. O lugar ficou com…
Niki Lauda.

Contudo, para o compensar, Wheatcroft adquiriu um chassis March, que pertencia a
Jean-Pierre Jarier e Williamson estreou-se na Formula 1 no GP de Inglaterra, em Silverstone. Contudo, a sua “performance” só durou uma volta, pois ele foi um dos 14 pilotos que foram apanhados na carambola provocada pelo sul-africano
Jody Scheckter, desistindo na hora.
Quinze dias mais tarde, Williamson participava no seu segundo grande prémio, no circuito holandês de
Zandvoort. O carro foi reparado, e Williamson parte da 18ª posição da grelha. Na volta sete, um pneu rebenta e o inglês bate nos rails e fica de cabeça para baixo, causando um incêndio. A corrida prossegue, com os comissários somente a assinalar o local com bandeira amarela. Entretanto, um carro para: era o seu compatriota
David Purley, que tenta desesperadamente salvar Williamson, que incrivelmente, não tinha sofrido ferimentos, mas que não conseguia respirar, devido á maneira como o carro tinha ficado. Purley tentou tudo: foi buscar um extintor, tentou convencer os comissários a ajudá-lo… mas nada. Limitaram-se a observar, pensando que ele tinha morrido na hora. Mais tarde, no inquérito, demonstrou-se que a morte de Williamson acontecera devido à inalação de fumos.

Purley ficou desolado por não o ter salvo. Mas o seu gesto fez com que fosse condecorado com a
George Medal, a condecoração civil mais alta de Inglaterra, por feitos de bravura. E recebeu mais doze prémios semelhantes… As fotografias do acidente, e subsequente tentativa de salvamento, foram tiradas pelo holandês
Cor Mooij, que recebeu o prémio
World Press Photo desse ano.
O seu funeral, em Leicester, foi seguido por mais de
25 mil pessoas, com toda a comunidade da Formula 1 em peso. Fala-se que foi isso que motivou
Jackie Stewart a tomar a decisão de retirar-se no final daquela época. Três anos antes,
Jochen Rindt tinha tomado essa mesma decisão quando passou pelo mesmo local, e viu os restos carbonizados do carro de
Piers Courage. Só que ele não viveu para concretizar essa decisão…
Depois, soube-se que
Ken Tyrrell queria o piloto inglês para conduzir o terceiro carro da marca nos grandes prémios norte-americanos, ao lado de Stewart e Cevért. Contudo, Williamson recusou, afirmando que queria ser fiel a Wheatcroft, e estes pretendiam comprar um
McLaren M23 para
1974, provavelmente com ajuda da casa-mãe. Isso acabou por acontecer, mas com
Mike Hailwood…

Trinta anos mais tarde, em
2003, foi erguida uma estátua no circuito de
Donnington, que agora era propriedade do seu amigo e mentor Tom Wheatcroft. O museu tem uma pequena secção dedicada ao piloto inglês, com as suas vitórias na Formula 3. Visto o seu palmarés, e a maneira como tudo acabou, pode-se pensar no que poderia ter feito caso aquela tarde de Verão holandês tivesse acabado em bem…