terça-feira, 10 de agosto de 2010

GP Memória - Alemanha 1980

Quatro semanas depois da corrida de Brands Hatch, a Formula 1 estava de regresso à acção na pista de Hockenheim, com um vazio dificil de preencher no pelotão: nove dias antes, na mesma pista, o francês Patrick Depailler, então com 35 anos, tivera um acidente fatal quando se despistou na Ostkurwe com o seu Alfa Romeo a mais de 225 km/hora. A equipa decidiu comparecer na corrida, mas apenas com o carro de Bruno Giacomelli.

Na lista de inscritos estavam duas entradas novas. A RAM Racing, de John McDonald, inscrevia um Williams FW07 para o britânico Rupert Keegan, enquanto que a alemã ATS colocava um segundo carro disponivel para o austriaco Harald Ertl. Vinte e seis carros estavam inscritos, mas apenas 24 iriam alinhar na corrida, o que implicava a não-qualificação de dois carros. E os novatos eram os principais candidatos.

Na qualificação, o melhor foi o Williams de Alan Jones, que tinha a seu lado o Renault de Jean-Pierre Jabouille. Na segunda linha estava o segundo Renault de René Arnoux, que tinha a seu lado o segundo Williams de Carlos Reutemann. Na terceira fila estavam o Ligier de Jacques Laffite e o Brabham de Nelson Piquet, enquanto que na quarta estava o segundo Ligier de Didier Pironi e o Fittipaldi de Keke Rosberg. A fechar o "top ten" estavam o Lotus de Mario Andretti e o Arrows de Riccardo Patrese.

Como de costume, as duas entradas mais novas não conseguiram a qualificação: o ATS de Ertl e o RAM de Keegan.

O tempo estava coberto no dia da corrida, mas a pista estava seca. Na partida, Jones mantêm a liderança, mas Jabouille usa o poder do seu motor Turbo para o passar nas longas rectas alemãs e no final da primeira volta é o lider da corrida. Depois vinha Arnoux, os dois Ligiers de Laffite e Pironi e o Fittipaldi de Rosberg. Contudo, na volta oito, a asa traseira do carro de Rosberg cedeu e na volta 18, era a vez do carro de Pironi também ceder, devido a problemas mecânicos.

As coisas andavam bem para os propulsores franceses até à volta 27, quando Jabouille primeiro e Arnoux depois, encostavam á berma com o mesmo problema: valvulas do motor quebradas. A ideia de um dominio Renault caia por terra. Assim, Jones herdava a liderança, com Laffite em segundo e Reutemann em terceiro.

Jones ficou nessa posição até à volta 36, quando teve de mudar de pneus, entregando a liderança para Jacques Laffite. Reutemann era segundo e Jones tinha caido para o terceiro posto, à frente do Brabham de Nelson Piquet. As coisas ficariam assim até ao final, com um emocionado Laffite a conseguir a sua primeira vitória do ano, à frente dos dois Williams. Nelson Piquet era quarto e vindos de trás, o Alfa Romeo de Bruno Giacomelli e o Ferrari de Gilles Villeneuve fechavam os pontos.

Fontes:

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Grand Prix, numero 49 - um momento de convivio

Barcelona, 26 de Abril de 1970

A corrida acabou há minutos, e os três pilotos sorriem no pódio, rodeados de representantes da organização, autoridades civis e militares e uma outra cara bonita. Perfilavam-se e tiraram o chapéu para ouvir o hino nacional do país vencedor.

Depois de um momento de silêncio, começaram-se a ouvir os primeiros acordes do hino nacional do Brasil, país de Pedro Medeiros, o ganhador.
Ao seu lado estavam, sorridentes, Alexandre de Monforte e Alvaro Ortega, os pilotos oficiais da Tecno. Apesar de não terem vencido, conseguiram amealhar pontos suficientes para o campeonato, e no caso do sildavo, depois dos três pontos na Formula 1, estes seis pontos na Formula 2 seriam uteis na luta pelo campeonato, desde que todas as restantes provas fossem feitas sem ser em baterias de duas corridas... mas o mais importante era que o seu maior rival, Antti Kalhola, só tinha conseguido um quinto lugar no seu Jordan oficial, pior até que o seu companheiro Medeiros.

Os três até podiam falar nas suas linguas, que se entendiam. Depois de receberem os prémios, iria haver o jantar oferecido pela organização para celebrar os vencedores e os restantes concorrentes daquela corrida. Os pilotos estavam sentados numa mesa só para eles, e Alexandre estava sentado entre o brasileiro e o finlandês. Curiosamente, nenhum dos três tinha acompanhante. Normalmente, Alexandre meteria conversa com o brasileiro, devido à partilha da lingua, e foi isso que aconteceu. Mas reparou no loiro sentado à sua ditreita, muito composto e pouco confortável no seu fato. Assim sendo, perguntou:

- Pedro, como é ele?
- Quem?
- O teu companheiro?
- Fala pouco, confesso. Só o vejo a falar com o Henry Temple. Até pensei que você falasse mais com ele, cara.
- Porquê?
- Ué, não correm juntos há um ano?
- Sim, mas não na mesma equipa. E a semana passada, em Jarama, vi-o a ficar vermelho quando falava com o Bob Turner, vê lá tu...
- Sério, cara?
- É verdade...
- Para quem quer ser piloto de Formula 1, parece o Harpo Marx, o mudo...

Quando viram a cadeira à direita de Antti ficar vazia, Alexandre fez um sinal ao Pedro e levantaram-se. Alex e Pedro sentaram-se lado a lado, cercando Antti, que bebia nervosamente o que restava do seu copo de água. Ambos olharam para ele e Pedro perguntou em português:

- O que vamos fazer?
- Ora, meter conversa.

Passado um instante:

- Olá Antti. É Antti, não é?
- Sim, claro.
- Que idade tens?
- Tenho 21.
- És de onde?
- Da Finlândia.
- Isso já topamos. De parte?
- De Helsinquia.
- E há pistas por lá?
- Há uma, que acabaram de a construir.
- Sabemos disso, vamos correr por lá em Setembro. Keimola, não é?
- É sim.
- E é bom?
- Um pouco apertado, mas faz-se bem.
- És muito tímido...
- Nâo tenho grande assunto para conversar.
- Mas somos teus colegas. O meu amigo aqui diz que falas pouco, mesmo na equipa.
- Eu falo com os engenheiros, e já basta...
- Amigo, isto é o automobilismo. Poderemos torcer o pescoço uns dos outros, mas fora dele é diferente.
- Ainda estou a habituar-me...
- Há um ano que te conheço e acho que deve ser a primeira vez que falo contigo sem ser fora do circuito. Tens que te desinibir, rapaz. Bebes alguma coisa?
- Água, por favor.
- Aí... isso é para meninos. Não vamos correr amanhã, rapaz.
- Vamos pedir algo interessante... Garçom, Sangria! disse Pedro.

Alvaro Ortega e Pierre Brasseur toparam a conversa que os dois estavam a tentar manter com Antti e cedo se juntaram ao grupo.

- Então, está a meter conversa com o homem mais calado do automobilismo? perguntava um divertido Pierre Brasseur, com o cigarro no canto da boca. Mais do que calado, cheira-me que ainda é virgem, acrescentou sarcásticamente.
- Quando formos a Zandvoort, levamos o rapaz às meninas da zona vermelha, retorquiu Alvaro.
- Rapazes, não o assustem! Só queremos que ele quebre o gelo, respondeu Pedro.

Antti não se deixou intimidar. Bebeu um gole de Sangria e cedo começou a falar da sua carreira na Finlândia e na Escandidávia, da ajuda que Holmgren e o seu amigo Temple lhe deram desde que ganhou no final de 1967 uma corrida em Karlskoga, num Formula 3 de nona mão, à frente de todos os suecos presentes, bem melhores do que ele, como Anders Gustafsson, e de como ele conduzia desde os doze anos no velho Volvo do seu pai.

- Caramba, nem eu conduzia com essa idade. E venho de onde venho, respondeu Alexandre.
- Acreeditem amigos, a Finlândia é um paraiso por descobrir. Somos uma nação de desportistas.
- Quantos são?
- 4.5 milhões. Não é muito, comparado com a Suécia...
- O meu país tem mais ou menos a mesma população, portanto estou solidário contigo, respondeu Alexandre, dando uma fote palmada nas costas do finlandês.
- Pois, acho que a minha cidade é quase duas vezes mais populosa que o teu país, Antti.
- A sério? Vives onde?
- Em São Paulo.
Já Antti estava mais desinibido do que antes. A timidez tinha ido há muito, graças aos goles de Sangria que tinha ingerido, e a ideia de um rapaz bem comportado esvanecia-se. Já se ria com as piadas dos outros e cantava, sempre que algum se atrevia a tal. No final da festa, boa parte do pessoal começava a desmobilizar-se, com algumas excepções.

- Vamos para o hotel? perguntou Guarini.
- Vamos, mas não tenho sono, respondeu Pedro.
- Então quando chegarmos, vamos para o bar. Acho que vi uma mesa de "snooker", afirmou Alvaro.
- Quem tem um maço de cigarros? acabei com os meus agora, perguntou Pierre.
- Eu tenho, repondeu uma voz feminina, num francês perfeito.

Ela tirou um maço de Atlante da carteira, uma embalagem de cor azul turquesa, e sacou depois de um isqueiro. Ele tirou um cigarro de lá, aproveitou a chama e devolveu o resto. Ela também tirou um cigarro e o acendeu.

- Agradeço imenso a oferta, Mademoisele...
- ...Lencastre.
- Tchii, no que te foste meter, Pierre! afirmou Alexandre.
- Quem é? perguntou Pedro.
- Uma conterrânea minha. É jornalista.
- Ao vosso serviço, meus senhores, respondeu, soltando uma baforada sorridente.
- Veio escrever sobre a bebedeira do homem calado? perguntou.
- Seria uma boa noticia, mas não estou em serviço.
- Se não está, venha conosco, afirmou Pierre, pegando-a ao colo. Ela soltou um grito e todos se riram às gargalhadas, enquanto entravam nos seus carros, rumo ao Hotel.

(continua)

A capa do Autosport desta semana

A capa do Autosport desta semana tem mais uma vez a formula 1 como tema principal, apesar de esta ter tirado três semanas de férias. Uma revista tem de se vender, não é? Enfim, a capa tem Lewis Hamilton na capa, onde se fala que "Hamilton e McLaren em estado de alerta" e uma das razões é porque a "McLaren é mais lento a curvar que Red Bull e Ferrari", como explica um dos subtítulos.

Para além disso, a revista fala sobre "A convivência com Jenson Button" e que "Hamilton quer aerodinâmica melhorada". Pudera, está a lutar pelo bicampeonato...

Em cima da revista, fala-se sobre a "Primeira vitória de Felix da Costa na Formula 3... e logo no Nurburgring!" bem como referem o Rali Vinho da Madeira, onde a "Armada Skoda toma de assalto pódio do Rali Vinho da Madeira" e por causa disso a Peugeot já ameaçou que iria tirar os seus carros do IRC, acusando-os de estarem a competir como equipa oficial. Enfim... espero que não digam isso por mau perder.

Noticias: Stuck operado após acidente

Acabo de ler esta tarde no Autosport português que o "Tio Hans" foi operado à cabeça, como consequência de uma pancada forte que teve em Nurburgring na semana passada, quando guiava um Audi RS8 no Troféu Scirocco. Hans-Joachim Stuck queixava-se de tonturas e náuseas após o acidente, e os médicos, depois de exames mais cuidados, decidiram por uma intervenção cirúrgica à cabeça para estabilizar a situação.

Assim sendo, está agora a recuperar da intervenção e deseja-se as melhoras deste actual director desportivo da Volkswagen, agora com 58 anos, e que era conhecido não só por ser um bom piloto em Turismos e Sport-Protótipos, como também por ser o maior dos brincalhões dos paddocks por onde andou, na Alemanha e no Mundo. Um bom exemplo pode ser visto aqui. Viel Gluck, Hans!

domingo, 8 de agosto de 2010

IndyCar: Franchitti bate Power e vence em Mid-Ohio

Se a temporada de 2010 da Indy tem sido uma luta entre Penske e Chip Ganassi, desta vez, a última equipa levou a melhor, com o escocês Dario Franchitti a vencer depois de uma luta contra o Penske do australiano Will Power, que o superou na primeira parte da corrida e resistiu ao seu ataque nas voltas finais. O brasileiro Helio Castro Neves completou o pódio.

A corrida começou com Will Power na pole-position, lugar que manteve após a largada, enquanto que logo atrás, um surpreendente Takuma Sato era segundo, passando Franchitti, mas na quarta volta, conseguiu ultrapassar o "rookie" japonês. As coisas se mantiveram assim até à primeira janela de oportunidade nas boxes, na volta onze, altura em que Tony Kanaan foi o primeiro a parar. Na volta 24 aconteceu a primeira situação de bandeiras amarelas, quando Justin Wilson e Ernesto Viso tocaram-se na curva quatro, ficando presos na gravilha.

Nessa oportunidade, boa parte dos pilotos foi às boxes e um deles, o americano Ryan Hunter-Reay, saiu entre Castro Neves e o australiano Ryan Briscoe, tocando nos dois e provocando um furo, que o fez arrastar-se àté ás boxes, caindo para os últimos lugares. Mesmo assim recuperou o suficiente para acabar a corrida no décimo posto.

Quando as bandeiras amarelas foram retiradas, o canadiano Alex Tagliani e o brasileiro Tony Kanaan eram os dois primeiros, e nos primeiros metros, Kanaan consegue ultrapassá-lo e ficar com o primeiro lugar. contudo, poucos instantes depois, Takuma Sato despista-se e causa nova interrupção. Quando voltou, Kanaan tinha de parar na volta 43 e Tagliani ficou na liderança, abrindo uma diferença que chegava aos dois segundos, com Franchitti no segundo lugar, sem se aproximar do canadiano. Will Power era terceiro, com Helio Castro Neves em quarto e a aproximar-se.

Entre as voltas 55 e 60, nova janela de paragens nas boxes para reabastecimento, e quando as coisas se acalmaram, era Franchtitti o lider, à frente de Power, Castro Neves, Tagliani e Briscoe. Até ao final, mais duas situações de bandeiras amarelas provocadas pelo estreante italiano Francesco Dracone, e após a relargada, Power tentou pressionar Franchitti, mas o escocês resistiu até ao final, dando a vitória à Ganassi.

A melhor mulher desta vez foi a suiça Simona di Silverstro, que foi oitava classificada, muito à frente de Danica Patrick, 21ª e a demonstrar não ser nada boa em circuitos tradicionais, e da venezuelana Milka Duno, 23ª a... quatro voltas do lider.

A próxima prova da temporada de 2010 da IndyCar series acontecerá a 22 de Agosto, no circuito californiano de Sonoma, o terceiro circuito convencional seguido no calendário.

Grand Prix (numero 48 - Gran Prémio de España, V)

19 de Abril de 1970. Jarama, dia de corrida.

Era um tipico dia de Primavera, com nuvens ao horizonte, dispersas sobre a meseta ibérica, mas que não eram ameaça para ninguém. Os carros estavam alinhados na pré-grelha de partida, com os mecânicos à volta para ver os últimos pormenores antes da partida. Os ânimos estavam altos, muitos dos pilotos que estavam ali mostravam-se sorridentes antes da corrida, vendo que o autódromo se enchera para os ver.

Alexandre de Monfote conversava com Bob Turner, definitivamente o velhote do pelotão, com o seu bigode reluzente e o seu BRM agora pintado de creme, o seu novo patrocinador para esta e as temporadas seguintes. Estava sempre a tentar pegar o novato, que levava as piadas com bom humor, esperando que os minutos passasem logo para se livrar de um lendário, mas chato, oponente. Pete Aaron observava deliciado a cena, enquanto que Pam dizia:

- Até fico admirado por ele não se ter pegado com o loirinho.

O "loirinho" de que Pam falava era Antti Kalhola, que estava calado e sorridente, a observar tudo com algum nervosismo. Mal falava com os outros, talvez por falar pouco inglês ou algo parecido, e quando teve a oportunidade, foi para o seu carro para ouvir o que Henry Temple tinha para dizer, ele que falava um bom finlandês para ele. Era obviamente a sua estreia oficial, mas também o era para Monforte e estava bem menos nervoso.

Don Arturo tinha dado as habituais instruções sobre o estado da pista e sobre os cuidados que deveriam ter nas primeiras voltas, normalmente as mais criticas. O circuito tinha instalado durante o Inverno barreiras duplas em algumas partes da pista, especialmente as curvas mais fechadas, e esta seria a primera grande prova após as remodelações. Esperava-se que tudo corresse bem nesta tarde e que a no dia seguinte os jornais falassem dela apenas com a foto do vencedor e não com a foto de um carro qualquer acidentado. Era essa a sua esperança.

Quando faltava um minuto, as máquinas começaram a funcionar e a grelha foi evacuada. Os carros avançaram alguns metros, para a linha branca, sendo guiados por Don Arturo, que tinha a bandeira espanhola, com a águia imperial por cima do escudo dos Borbón, debaixo do braço. Este colocou-se de lado e ergueu a bandeira, enquanto olhava pela última vez os três carros que tinha à sua frente: o Matra de Beaufort, o Jordan de Reinhardt e o Apollo de O'Hara. Todos prontos, os motores rugiam ao máximo.

Instantes depois, a bandeira baixava e todos arrancavam a grande velocidade para a primeira curva. Após a Fangio, Pierre de Beaufort conseguira manter a liderança, com O'Hara a superar Reinhardt e atrás dele estavam o Ferrari de Van Diemen, o Apollo de Solana e o BRM de Gustafsson, que de repente começou a galgar lugares desde a partida. Suspeitava-se que ele tinha feito falsa partida, mas nisso não havia certezas. O que se via era que estava à frente do seu compamheiro, Bob Turner! Passada a primeira volta, sem incidentes de maior, Beaufort continuava na liderança, com Carpentier a tentar passar Gustafsson no final da recta, e a conseguir. Este depois ficara preso atrás do Ferrari de Van Diemen, que o tentava passar, mas que o belga não deixara, dpeois de ter sido surpreendido por Solana, que o ultrapassara.

Jarama tem muitas curvas lentas, feitas em segunda velocidade, e uma delas, a Le Mans, tinha uma saída a subir, rumo a outra curva lenta. Normalmente, aquele era um excelente ponto de ultrapassagem que muitos aproveitavam, incluindo um Gustafsson que decidiu arriscar o pescoço e passar dois carros de uma vez só. A manobra não só era arriscada como também era suicida. E foi o que aconteceu.

A grande testemunha do grande evento da tarde Gilles Carpentier. Pelo seu canto do olho, no seu Matra, viu um carro creme a passar disparado da sua esquerda, tentando travar o mais tarde possivel para passar a ele e ao Ferrari de Van Diemen. A seguir viu o seu carro atingir em cheio o carro do belga e ambos entrarem em chamas defronte dele.

Num instante, deflectiu-se para a esquerda, no primeiro buraco que viu e institivamente virou-se para lá. A seguir sofreu um toque do outro BRM de Bob Turner, mas ambos puderam continuar sem problemas, impedindo por pouco que a pista ficasse bolqueada e a corrida interrompida. Os dois pilotos conseguiram sair das chamas sem ferimentos de maior, pelo seu próprio pé. Van Diemen rebolou-se pelo chão, enquanto que os comissários atiravam-se para Gustafsson, ambos com chamas à volta do seu macacão.

Um carro de bombeiros passava pelo local, encostou-se e apagou as chamas do BRM, que tinha ficado do outro lado da pista. A neve carbónica fazia esbranquiçar os carros que passavam, desde o Matra de Beaufort até ao McLaren laranja de John Hogarth, o último classificado à partida, mas que em duas voltas já tinha ganho duas posições e era 12º Algumas voltas depois, as chamas estavam apagadas, mas o cenário dos carros calcinados no circuito era uma tremenda lembrança da periculosidade desde desporto. Para os pilotos, que os viam sem saber da sorte dos seus colegas, para os espectadores, que viam o fumo e estavam ansioso por saber se eles estavam vivos ou mortos, e para aqueles que sabiam do resultado e que estavam aliviados pela sua condição, mas que tinham consciência de que hoje tinha sido o seu dia de sorte.

E era verdade: Patrick Van Diemen e Anders Gustafsson estavam vivos, apenas com ligeiras queimaduras nos braços e pernas, bem como uma ligeira concussão da parte do belga, pois tinha levado com o impacto do BRM. À medida que a noticia se espalhava pelo paddock, os sinais de alivio eram mais do que presentes. Especialmente Don Arturo e o seu convidado especial, o Principe Juan Carlos, herdeiro do trono e verdadeiro "aficcionado" por automóveis.

As voltas passavam, e Beaufort lá estava, solitário e sem problemas. As tais noventa voltas ao circuito de Jarama eram um verdadeiro suplício, um teste de resistência para máquinas e pilotos. Carpentier e Turner, tocados, não aguentaram até à volta dez, algura em que a suspensão do Matra cedeu em Portago, causando um despiste. Duas voltas depois, a BRM chama Turner para ver o estado do seu carro e descobriram a suspensão frente-direita torta, com possibilidade de quebrar a qualquer momento. Apesar de Turner poder guiar em condições, decidiu-se retirar o carro.

Com isto, Monforte era sexto, entalado entre dois McLarens, o de Bruce e o de Peter. Ele tentava acompanhar os dois carros, guiados por pilotos bem mais experientes, mas tinha algumas dificuldades em acompanhar o ritmo. Na volta 28, não evitou a ultrapassagem de Revson no mesmo local onde acontecera o acidente, mas não houve nada. Mas na volta 31 voltava aos pontos, depois do motor de Rinhardt ter explodido em plena recta. Sobrava Bedford, que era um pálido oitavo, atrás de Bernardini, e pressionado pelos Jordan-Turer de Kalhola e Hocking.

Bruce Jordan abanava a cabeça em sinal de descrença. Quando é que teria aquele chassis em condições?

As voltas passavam, e Beaufort alargava a sua diferença sobre os Apollo. John O'Hara decidiu não puxar muito pelo seu carro, mas Teddy decidiu atacá-lo para ir buscar o segundo lugar e partir ao encalço do francês. No final da recta da meta, passa O'Hara e vai em busca do Matra, mas na volta 45, para de repente sem qualquer motivo aparente. Tinha ficado sem pressão de combustivel e o carro deixava de responder. Por essa altura, a diferença era de 15 segundos, menos 12 quando tinha passado o seu companheiro.

Com este precalço, Pete agora esperava que ele e Monforte chegassem ao fim. O sildavo já acusava algum cansaço devido a problemas de sobreaquecimento, que o fazia derreter no "cockpit". O seu ritmo começou a ser mais lento, mas nada de preocupante. Agora era quinto, mas iria perder uma volta dentro em breve, e os que estavam atrás dele estavam mais de meio minuto atrás de si. Os dois Jordan Temple e o McLaren-Lamborghini estavam a lutar a sua própria batalha pelo último lugar pontuável, depois de Bernardini ter desistido e Bedford se ter atrasado com um furo, e estar a tentar apanhar aqueles três pilotos. Em suma, podia estar descansado e gerir a corrida.

Na volta 72, o motor de Peter Revson explodia e ficava parado na berma na subida para Portago. O quarto lugar era um bom começo para o sildavo, enquanto que atrás, John Hogarth conseguira superar os dois Jordan-Temple e aproximava-se dele a uma media de um segundo por volta. Bob Bedford também se livrava dos privados, mas na volta 84, a sua suspensão cedeu e ficava apeado. Quando viu esse espectáculo e os mecânicos da Jordan arrumavam as suas coisas com a perspectiva de zero pontos, Sinead começou a contar os carros em pista. Eram sete, davam mesmo à justa. E agora era fazer figas para que nenhum desistisse.

A duas voltas do fim, o Temple-Jordan de Antti Kalhola estava encostado a`berma com um problema qualquer, à entrada da boxe. Ele saiu do carro, caminhou calmamente enquanto via atrás de si a multidão a levantar-se para aplaudir Pierre de Beaufort a caminho da sua primeira vitória oficial do ano, com uma vantagem de 55 segundos sobre John O'Hara e de Bruce McLaren, que estava a uma volta, o mesmo que Alexandre de Monforte, o melhor privado e a mostrar que aquele chassis estava ainda pelas curvas.

Don Arturo levantava a bandeira de xadrez e Beaufort erguia os punhos em sinal de vitória. Todos estavam felizes por terem chegado ao fim. John O'Hara tinha agora 15 pontos e era o lider incontestado, Pierre de Beaufort tinha finalmente vencido após o seu titulo mundial e Bruce McLaren estava no pódio com o seu carro, pela primeira vez este ano. Alexandre de Monforte marcava os seus primeiros pontos, tal como Brian Hocking e John Hogarth era um homem feliz por ter levado aquele motor ao fim, mesmo que fosse a duas voltas do vencedor. Mas não era último.

(continua)

Noticias: Felix da Costa venceu em Nurburgring

Quem diria: vinte e quatro horas depois de escrever sobre ele, Antonio Felix da Costa consegue a sua primeira vitória da formula 3 Euroseries ao vencer a segunda corrida do fim de semana de Nurburgring, numa prova que teve o seu começo adiado depois de uma tempestade ter abatido no circuito.

A corrida foi essencialmente uma luta entre ele e o alemão Marco Wittman, após o piloto português ter passado o francês Jim Pla, que detinha a pole-position. Na partida, Felix da Costa, segundo na grelha, conseguiu ser melhor do que o francês e manteve a liderança até ao fim, apesar das pressões.

No final da corrida, António Félix da Costa era um piloto naturalmente muito satisfeito: ”Já tinha saudades desta sensação de vitória, a qual dedico inteiramente à equipa Motopark e aos meus patrocinadores, que nunca deixaram de acreditar em mim”, começou por afirmar. Depois, acrescentou: ”Senti que estava forte, geri a corrida do princípio ao fim e estou agora ainda mais motivado para lutar por mais vitórias neste difícil e competitivo campeonato”.

”Esta vitória abre-me novas perspectivas, tendo havido já conversas no “paddock” no sentido de melhorar as condições actuais. Sei também que existem movimentações ao mais alto nível para acrescentar valor a este campeonato e torná-lo ainda mais interessante e competitivo. Esta competição sempre foi ‘a escola’ dos pilotos que querem ascender à Fórmula 1, e não foi por acaso que por aqui passaram Hamilton, Rosberg e Kubica, entre muitos outros que agora estão na Formula 1. Por tudo isto, eu e os restantes pilotos com ambições à disciplina máxima temos todo o interesse em que este campeonato ganhe relevância. Vencer corridas na Formula 3, que é uma categoria muito exigente, é fundamental na minha evolução e nos passos que pretendo dar como piloto profissional. Por todas estas razões, este foi um fim-de-semana muito positivo e que tão cedo não vou esquecer!” concluiu.

Em termos de campeonato, Felix da Costa passa a ter 17 pontos, estando aora no sétimo lugar da classificação geral, e sendo o melhor dos estreantes. A próxima jornada da Formula 3 Euroseries 2010 acontecerá entre 20 a 22 de Agosto, no circuito holandês de Zandvoort.

Vida e morte de Ricardo Londoño-Bridge

Se estivesse vivo, Ricardo Londoño-Bridge faria hoje 61 anos. O primeiro colombiano a tentar a sua sorte na Formula 1, cuja carreira era inversamente proporcional ao dinheiro que tinha em carteira, fora assassinado no mesmo dia do acidente mortal de Henry Surtees, em Brands Hatch. Creio até que eu devo ter sido dos primeiros a dar a noticia por aqui...

A carreira foi aparentemente modesta: começando tarde no estrangeiro, em 1978/79, andou pela Can-Am americana com resultados modestos, e em 1980 andou na Formula Aurora, a vertente britânica da Formula 1, ao volante de um Lotus 78, deu nas vistas por parte de Colin Bennett, que o chamou para ir correr num Ensign, no GP do Brasil de 1981, onde andou nos treinos de quinta-feira, mas a FISA lhe recusou passar uma Super-Licença, aparentemente por tinha colocado fora de pista o Fittipaldi de Keke Rosberg...

Mas houve males por bem, pois foram buscar Marc Surer, que tinha guiado o carro em Long Beach, e simplesmente fez a corrida da sua vida e da equipa, ao acabar em quarto lugar e fazer... a melhor volta da corrida.

E quanto a Londoño... nunca mais teve uma oportunidade destas e correu até 1985 em categorias como a Formula 2 europeia.

Contudo, este post não se trata tanto sobre a carreira de um homem com um apelido estranho, pois devidamente traduzido, chamar-se-ia "Ricardo Ponte de Londres", mas sim para falar sobre um artigo que li por alturas da sua morte, escrita por Mike Dodson no site Grand Prix. Casado com uma colombiana, Dodson veio a conhecer bem Londoño nos seus tempos da Formula Aurora, e um dia, algures em 2008, recebera uma chamada de alguém que de nada sabia desde há muito. E é o inicio de uma história tão fabulosa como assustadora...

"No ano passado, recebi um telefonema 'fora deste mundo'. Do outro lado da linha, falando da Colômbia, estava Ricardo Londono, um piloto de corridas com quem tinha feito amizade no início dos anos oitenta, num momento em que ele estava tentando obter uma posição na Formula 1. Eu tinha perdido o contato com Ricardo há muito tempo, mas da maneira como a conversa fluiu, parecia que nossa relação não tinha perdido absolutamente nada desde a última vez que nós tinhamos encontrado, em 1982.

Ele tinha obtido o meu número de telefone, por acaso, depois de conhecer o meu cunhado no aeródromo da cidade de Medellín, a segunda cidade da Colômbia, onde ele mantém o seu avião monomotor, e ele ficou muito feliz em saber que agora eu estava casado com uma mulher colombiana. Como ele me lembrou mais uma vez, este tinha sido o seu conselho para mim durante todos esses anos. Ele insistiu que da próxima vez que a morena e eu fossemos à Colômbia, ele seria o nosso anfitrião.

Então, na semana passada, a minha sogra diz-me que Ricardo Londono estava morto e que os pormenores do seu brutal assassinato tinham sido noticia em todas as TV's e jornais locais. Tinha sido uma história horrível. Estava a gozar um almoço com a sua familia e amigos num restaurante á beira da prara. Quando preparava-se para sair, um grupo de homens armados apareceu de repente e não pouparam mas balas. O tiroteio durou cinco minutos e Ricardo levou 12 balas no corpo, três delas na cabeça. Dois outros homens, que se acredito serem os seus guarda-costas, acararam também por morrer. A polícia local disse aos media que este assassinato fazia parte de um acerto de contas no seio do narcotráfico. Num país que ainda anda atormentado pela maldição das drogas, ninguém duvida que esse seja o motivo por detrás.

Para evitar quaisquer mal-entendido, vou colocar aqui alguns dados pessoais. Visitei a Colômbia três vezes, duas em negócios relacionados com o automobilismo e uma terceira vez em 2001, para conhecer a família da minha esposa, seis meses depois do meu casamento em Inglaterra. Coincidentemente, um dos meus melhores amigos que conheci através do automobilismo na Inglaterra (e que foi instrumental na apresentação à senhora Hack há dez anos) é uma figura proeminente na Colômbia, que tem ligações políticas a dois presidentes no seu país e atualmente atua como diplomata. Também acontece que tem uma relação familiar com Ricardo Londono.

Vamos chamar esse meu amigo de Bill. Nem ele, nem eu, nem ninguém em nossa família imediata, já esteve envolvido na venda de narcóticos. Nós deploramos o uso de drogas ilícitas. Na verdade eu nem fico particularmente feliz quando Bill acende um de seus amados charutos cubanos...

Isso não significa que nunca tivemos contatos com pessoas envolvidas no negócio da droga. A Colômbia é um país conturbado, mas democrático, onde vivem 30 milhões de pessoas, e cuja economia é distorcida pela exportação de cocaina, avaliada em muitos bilhões de dólares. No entanto, mesmo um estrangeiro como eu rapidamente adquire por ali um ar de um mafioso. Não vai cheirar particularmente mal, mas o povo topa à distânia esse tipo de pessoas, especialmente a falta de traquejo social e muitas vezes o seu péssimo gosto em roupas, jóias e carros. Mais obviamente, seus companheiros serão gajos temíveis, com pistolas enfiadas nas suas axilas.

Como um piloto de corridas e uma celebridade nacional, Ricardo Londono não podia evitar ser notado pelos narcotraficantes. Nascido em 1950, desde sua adolescência ele era um piloto temerário que correu no motocilcismo, automobilismo e até na motonautica. Ao longo do tempo, teve montes de acidentes e quebrou montes de ossos - mas sempre regressava. Sua inteligência afiada lhe rendeu o apelido de "Cuchilla", que se traduz aproximadamente como "Navalha".

O automobilismo colombiano é administrado pelas federações afiliadas na FIA, e há vários campeonatos importantes. Houve alguns bons pilotos colombianos, como nós sabemos, mas nas corridas locais há um certo ar de circo, e os pilotos talentosos tem que emigrar para encontrar sucesso e reconhecimento.

O grande erro que Ricardo fez na sua carreira foi a de ter permanecido na sua Colombia natal, onde a sua habilidade lhe rendeu muita fama. Somente quando Roberto Guerrero, oito anos mais novo que ele, começou a ter sucesso na Formula 3 britânica é que decidiu ir para a Inglaterra. No final da temporada de 1980, em Silverstone, ele chegou a dirigir um Lotus 78 numa da série Aurora. O carro, pertencente a um ex-mecânico da Lotus, Colin Bennett, já estava completamente cansado de tantas batalhas. Ricardo batru nos treinos quando um dos componentes do seu carro quebrou, mas andou sensacionalmente bem na corrida, partindo do 18º e chegando ao fim no sétimo posto.

O talento de Ricardo, e a possibilidade de ganhar algum dinheiro vindo da Colômbia, chamou a atenção do chefe da Ensign, Morris (Mo) Nunn, cuja equipe estará sempre no meu coração e para os quais eu trabalhei em todos os GPs. Morris sempre operou na corda bamba, e ele estava prestes a perder seu grande patrocinador, a Unipart. Não ia ser uma espécie de tie-up em 1981, com Colin Bennett, que foi, compreensivelmente, empurrando para o colombiano de 30 anos de idade. Assim, foi decidido, no início de 1981, que Ensign deve enviar uma expedição à Colômbia em busca de patrocínio. Esta festa consistia de forrageamento Morris Nunn, meu companheiro colombiano Bill e eu. Não, eu não sei por que quer. Talvez a presença de um jornalista adicionou um pouco de peso para a expedição. Porque eu estava de férias por alguns devido a minha revista, Motor - então carro mais vendido do Reino Unido semanal - Eu estava feliz em ajudar. Eu pedi nenhuma taxa, nem me aceitar um.

O plano geral, que eu me lembre, era concentrar a nossa caça - por falta de uma palavra melhor - às empresas ditas "legítimas". Como o Café de Colômbia, o conglomerado estadual exportador de café, já estava a bordo, começamos então com a Pasta Doria, um negócio à moda antiga, propriedade de católicos devotos, cujos produtos estavam disponíveis em todos os supermercados do país. Eles deram o suficiente para comprar uma vinheta pequena, apesar de algumas dúvidas pertinentes. Tão longe, mas legal. A parte difícil da viagem foi quando nós começamos a ser abordados por alguns "patronos" de Ricardo, menos legitimos e que não queriam ficar de fora deste processo de licitação.

Foi assim que conheci uma família conhecida do país, pai e dois filhos, cuja riqueza e influência pode ter sido gerado apenas por um profundo envolvimento no negócio de distribuição do produto que, aos olhos do mundo, lançou uma enorme sombra sobre a Colômbia. Era um convite que não se podia recusar. Fizemos uma viagem longa à fazenda da família, no litoral Atlântico do país. Para fazenda, tinha uma pista colossal capaz de suportar os maiores aviões de carga. Após uma breve conversa, durante os quais eu fiquei calado, sentamos para um delicioso almoço de patos selvagens, abatidos pessoalmente pelo nosso anfitrião. Eu não poderia deixar de perguntar a mim mesmo se tinha usado uma arma de cano 12 ou uma metralhadora Thomson...

Meus companheiros tiveram de voltar à Europa no mesmo dia, mas os nossos anfitriões insistiram que eu passasse a noite com eles, para que contasse as minhas histórias da Formula 1. O meu vôo para Miami foi "magicamente" re-agendado para que eu pudesse voar directamente da bela cidade costeira de Cartagena, cerca de 100 quilómetros a norte, e foi decidido que iria passar lá a noite, depois de um jantar na zona do porto. Os patrões fizeram-se à estrada nas suas motos, com suas damas na garupa e eu ia numa das suas pickups a acompanhá-los. Em intervalos de 10 km ou mais ao longo do caminho, havia barreiras policiais, projetados, segundo me disseram, para facilitar a captura de criminosos procurados. Cada vez que passamos por uma dessas barreiras, não podia deixar de notar que os policia paravam um autocarro ou um táxi e estavam muito ocupados para se preocuparem conosco.

Depois de superar a minha timidez inicial graças a alguns vinhos excelentes e boa comida, eu acabei num luxuoso iate no porto, mostrado os aposentos onde iria passar a noite, numa cabine com ar condicionado. Lá eu era deixado aos cuidados da tripulação, que não eram mais do que dez pessoas. Na manhã seguinte, um homem apareceu, num grande Mercedes, para me levar ao aeroporto. Enquanto os outros passageiros tiveram de fazer o check-in e falar com o departamento de imigração, eu fui levado diretamente para o avião que setava à espera, sem que me fizessem quaisquer perguntas.

A primeira corrida da temporada de 1981 foi em Long Beach, onde o suiço Marc Surer (talentoso mas sem dinheiro) estava dirigindo o unico Ensign presente. Ricardo foi com a equipa, mas não correu lá porque não lhe tinham passado a Super-Licença. Eu estava com meu amigo Chuck Jones, um americano que mais tarde colocaria algum dinheiro na Ensign, e uma noite, organizaram uma festa. Os vizinhos de Chuck, alguns dos quais tinham filhas bonitas, estavam lá, e eu apresentei uma delas a Ricardo. Ele a convidou para acompanhá-lo na próxima corrida, no Rio de Janeiro, e para seu deleite ela aceitou. Vários dias depois, partimos para o Brasil.

Como o circuito de Jacarepaguá não era usado pela Formula 1 há algum tempo, a FIA decidiu fazer uma sessão de aclimatação na quarta-feira antes da corrida. A idéia era que Ricardo conduzisse nessa sessão, a fim de mostrar aos observadores da federação uma idéia de sua competência. Ele mostrou talento ao volante de um Ensign pouco excelente, estabelecendo tempos respeitáveis por várias vezes e ultrapassando vários nomes consagrados. Talvez o seu comportamento na pista ainda era um pouco cru, ou ingénua, e Keke Rosberg, talvez porque não gostava da sua cara ou algo assim e decidiu fazer-lhe um "brake test", á primeira oportunidade, para testar os seus reflexos.

Assim o fez e apanhado de surpresa, Ricardo compreensivelmente falhou a travagem e bateu na traseira do Fittipaldi. Os observadores da FIA tomaram conhecimento do incidente, o resultado foi que Ricardo Londoño nunca teve a sua Superlicença. Surer assumiu o carro para o GP do Brasil e debaixo de uma chuva torrencial fez um trabalho sensacional, terminou em quarto lugar e garantou o seu lugar para o resto da temporada.

Implacável, Ricardo, finalmente fez o que deveria ter feito anos antes: resolveu correr na Europa. Contudo, já era tarde demais para fazer uma temporada repleta de F2, algo que sempre sugeri, mas conseguiu terminar em nono lugar no circuito de rua de Pau, um local notoriamente difícil, num dos carros da Alan Docking. Ele então apareceu em Pergusa, ainda acompanhado pela sua querida californiana. Contudo, ela conheceu o outro colombiano, Roberto Guerrero, e num flit romântico de meia-noite, ela mudou de hotel (e de afectos) para estar com ele. Ricardo jurou vingança e no dia da corrida, Roberto estava apavorado, pois estava convencido de que seu rival iria deliberadamente empurrá-lo para fora da pista.

Porém, tal não aconteceu e a história teve um final feliz. No final de 1982 - época em que Roberto se mudou para a Fórmula 1 - ele e Katie se casaram na casa dela, e eu fiu uma das suas testemunhas. Eles tiveram três filhos deliciosos e vivem felizes até aos dias de hoje, na californiana Orange County.

Ricardo nunca deixou grandes marcas na Europa. Em 1982, ele apareceu nos E.U.A., dirigindo um daqueles gigantescos F5000 baseados nos Lola Can-Am, e fui convidado para sua primeira corrida, em Sears Point, no norte de San Francisco. Agora já não era segredo de onde é que vinham os seus patrocínios, e eu fiquei nitidamente nervoso ao saber que uma meia dúzia dos seus "mecenas" tinham aparecido, em pessoa. Estávamos todos num Holiday Inn, e a sua diretora estava tão entusiasmada por ter tão exóticos convidados que pediu para tirar uma foto com eles. Após as fotos, ela casualmente (mas inocentemente) me informou que o seu marido era o xerife de Marin County. Achei melhor não passar tal informação aos meus convidados.

Algumas semanas mais tarde, uma revista americana de grande circulação publicou uma história sobre os criminosos mais procurados do mundo. Havia retratos de nove deles na capa, e três deles tinham ficado nesse Holiday Inn nesse fim de semana. Muitas vezes me pergunto se a directora desse hotel teve a oportunidade de falar de tal encontro com o seu marido.

Agora com 32 anos e abatido pela experiência brasileira, Ricardo decidiu voltar para casa. Acredito que ele tenha feito mais algumas corridas, mas nunca mais ouvi de nenhum resultado relevante. O que eu ouvi depois de ele pendurar o capacete e as luvas foi muito preocupante. Tinha montado um negócio de venda de importação de bens de consumo americanos, como barcos, aviões e helicópteros, para os maus da fita. Londoño deve ter lucrado imenso, porque no ano de 2000 os tribunais decidiram confiscar todos os seus bens, ao abrigo de uma lei destinada a reverter para o Estado todo e qualquer bem adqurido através dos lucros de qualquer atividade criminosa. Todas as propriedades de Londoño, avaliados em vários milhões de dólares, foram apreendidos a favor do Estado colombiano.

Quando Ricardo me telefonou no ano passado, eu só tinha ouvido essas noticias de forma muito vaga. Pelo que ouvia do outro lado da linha, não senti nemnhum tom de desanimo na sua voz e referiu sobre uma possivel viagem à Europa. Um tanto ingenuamente, convidei-o para permanecer na nossa casa em Inglaterra. Ele ficou muito contente em aceitar o convite, talvez porque ele deveria estar ficando cansado de ter que olhar em cada esquina antes que ele pudesse fazer uma simples caminhada. Vendo bem as coisas, o nosso pacato cantinho no Sussex não parece cenário para negócios de droga de milhões de dólares e assassinos contratados a cada esquina. Trata-se de uma visita que agora, já não acontecerá mais.

Ao longo da minha vida, fiz um monte de amigos graças ao automobilismo. Ricardo Londoño foi dos mais interessantes, e certamente o mais assustador. Tal como o irlandês Tommy Byrne, cuja biografia nos divertiu no ano passado, ele era inegável e excepcionalmente talentoso. Como Tommy, as circunstâncias de sua vida pesavam contra ele e seu talento foi tragicamente mal administrado. Irei especular até o fim da minha vida sobre o que é que teria acontecido naquela tarde de há 28 anos no Rio de Janeiro, se ele não tivesse vindo para cima de um finlandês truculento. Mesmo com todos os defeitos, ele era uma companhia alegre e um grande amigo. O tipo de homem com quem seria melhor ser seu amigo do que ser inimigo."

Fontes sobe a vida e carreira do piloto:

O acidente de Adrian Newey



A noticia de hoje na Formula 1 é a de um acidente. Não a de um piloto, mas sim a de... um projectista. E não é um qualquer: é Adrian Newey, o homem que desenhou o Red Bull RB6 deste ano, que já ganhou cinco corridas esta temporada. A disputar uma corrida de Ginettas em Snetterton, prova de apoio do BTCC, como piloto convidado, Newey acabou por se envolver num acidente com outros dois carros, tendo levado uma pancada lateral de um deles.

Por norma de precaução, foi levado para o hospital. Está abalado mas não ferido.

Adrian Newey, que projecta carros desde 1981, altura em que estagiou com Harvey Postlethwaite na Fittipaldi, adora conduzir carros. Dono de alguns carros de corrida, costuma participar em eventos como o Le Mans Classic ou o Goodwood Festival of Speed, a bordo de diversos carros como o Ford GT40. No último Goodwood Festival of Speed, recebeu de presente um Red Bull RB5, desnhado por ele próprio e como recompensa pelos bons serviços prestados.

sábado, 7 de agosto de 2010

Grand Prix (numero 47 - Gran Prémio de España, IV)

(continuação do capitulo anterior)

Madrugada de 18 de Abril de 1970. O telefone toca no quarto de Pete Aaron.

- Conseguiram!
- O quê?
- Eles conseguiram. Chegaram à Terra sãos e salvos.
- Quem fala?
- É o Alex. O meu amigo jornalista me disse que a Apollo 13 aterrou esta madrugada no Oceano Pacifico, sem estragos de maior. Eles estão vivos.
- Espantoso! quando é que isso aconteceu?
- Há coisa de uma hora e meia, duas horas. foram resgatados por um porta-aviões cujo nome não consegui fixar.
- Obrigado, Alex. Não deverias estar deitado?
- Estava, mas fiquei tão excitado que desci e estou no bar a tomar um café. Já não consigo dormir.
- Porquê?
- São quase seis da manhã.
- Já?
- Sim senhora. Só que o pequeno-almoço ainda não está pronto. Só a partir das sete. Vou ver o nascer do sol na avenida.
- És doido!
- Habitua-te...
- Excelente, mas eu vou dormir mais alguma coisa.
- Ok, Até já.
- Até já.

Pete desligou o telefone, murmurando:

- Boa, temos um piloto que também serve como serviço de despertador...

--- XXX ---

Três horas mais tarde, todos eles já estavam no Circuito de Jarama para se prepararem para as primeiras voltas do dia ao circuito espanhol. Os carros já estavam reparados e limpos para mais uma sessão de treinos para o GP de Espanha, onde dos vinte carros inscritos, dezasseis tinham o lugar garantido. E haviam algumas surpresas, positivas... e nem por isso.

Pierre de Beaufort não tinha qualquer tempo marcado e tinha de o fazer para sair do 20º e último tempo, se queria alinhar na corrida do dia seguinte. Os travões que tinham falhado no seu carro tinham sido reparados, especialmente os veios defeituosos, e a Matra tinha mandado durante a noite um terceiro chassis, com mais algumas peças sobressalentes, num camião que tinha feito o percurso sem parar de Paris a Madrid, durante a noite, em estradas quase secundárias, para chegar ao circuito por altura dos primeiros raios de sol. Esperavam que tal não fosse necessário, mas ele estava lá, de prevenção.

Em claro contraste, na Jordan, o ambiente era de confiança. O novo chassis portava-se bem e tinham marcado os melhores tempos. Pieter Reinhardt era o melhor e até Bob Bedford, normalmente um cinzento segundo piloto, até tinha feito um bom tempo, conseguindo o segundo lugar, superando o carro de Bruce McLaren e o Apollo de John O'Hara. Gilles Carpentier era sétimo, atrás do Ferrari de Patrick Van Diemen e do BRM de Bob Turner. Alexandre de Monforte tinha o 12º tempo, atrás de Toino Bernardini, mas melhor do que o Jordan da Holmgren tripulado por Brian Hocking. Era o segundo melhor privado, com o Holmgren de Antti Kalhola a fazer o nono melhor tempo, à frente do BRM de Anders Gustafsson, mas atrás do Apollo de Teddy Solana.

Os McLaren não estavam muito bem. Tirando o patrão, Peter Revson era 15º e John Hogarth o 17º, com o espanhol Cervantes, no Jordan semi-oficial, no 14º lugar. Um outro privado, um Jordan inscrito pelo austriaco Manfred Linzmayer, fechava os lugares qualificaveis. Hogarth sofria com o flat-12 da Lamborghini, enquanto que Revson despistara-se cedo e só tinha feito duas voltas limpas, sem tentar muito. As coisas estavam alfitas nos carros laranja, e tinham de marcar algo, e depressa.

A segunda sessão de treino começaria ao meio-dia. Beaufort e os McLarens começaram primeiro, tentando superar o 1.24.2 de Reinhardt, ou então escapar do 1.30.3 de Linzmayer, e tinham uma hora para tal. Durante mais de dez minutos, somente esses três carros estavam a rodar na pista, um pouco a marcar tempo. Ao fim de quatro minutos, outros carros iam para a pista. Carpentier, Linzmayer, Cervantes, Kalhola, Monforte, Hocking...

Em dez minutos, já começavam a ser marcados os primeiros tempos dignos de registo. Beaufort fez facilmente 1.25.5, e depois baixou para 1.24.9, o que lhe dava um lugar na segunda fila. Revson fez depois 1.26.0 e tinha o seu lugar assegurado. Hogarth lutava para conseguir melhorar e fizera 1.29.2, antes de ir às boxes para verificar se todos os sistemas funcionavam bem.

Cervantes fez 1.29.0 e melhorava um pouco o seu tempo, numa máquina que conhecia mal, apesar de ser nova. Era praticamente o primeiro fim de semana que corria com ele, e estava em fase de adaptação. Perto da meia hora, a pista estava deserta, quando um carro entrou para marcar um tempo que o tirasse da zona perigosa. Era Monforte, que não tendo superado o 1.28.7, tinha caído para o 15º lugar, superado por Hocking, Revson e Beaufort, com Cervantes colado e Hogarth no primeiro lugar dos não qualificados.

Sabendo ele que esta era a altura, colocou pneus pouco usados e partiu para uma série rápida de voltas. Estava um carro a entrar nas boxes quando saiu, logo estava virtualmente sozinho na pista. Depois de uma volta de aquecimento, faz a meta a alta velocidade para fazer a sequência Nuvolari-Fangio o mais veloz possivel. Depois faz Le Mans saindo em "slide", derrapagem controlada, para abordar a curva seguinte da mesma forma. Depois, quase sem tocar no pedal de travão, sobe o mais que pode a Rampa Pegaso e tenta fazer a Ascari da melhor forma que pode, a roçar o despiste.

Na Portago, desceu para a Bugatti travando o mais tarde possivel, faz a curva de novo em slide e acelera o mais que pode, para ganhar balanço para fazer a Curva monza da melhor forma para abordar a Curva Tunel e acelerar, mesmo no limite, para a recta da meta e marcar um tempo. E quando isso aconteceu, superou as expectativas: 1.25.8, dando o nono tempo na qualificação, superando alguns consagrados. Tirara quase três segundos ao seu anterior tempo e arrancara alguns aplausos no circuito, pois era o melhor dos privados.

Descansado, dava a volta de desacelração para as boxes. Quando chegou, O'Hara partia de novo para tentar marcar o seu tempo nas primeiras posições. Sorridente, Monforte tirou o capacete e perguntou:

- Quanto foi.
- Parabéns, foi um bom tempo, 1.25.8. Em principio, és nono, afirmou Pam Aaron
- Fantástico! Agora este carro está perfeito.
- De facto é verdade. É tão bom que superaste o Teddy!
- Lá tem ele de se esforçar.
- É bem que se esforçe, senão troco-vos de lugar amanhã.
- Ahah! Estou certo que ele consegue.
- Para teu bem, espero que consiga.

Com os minutos a passarem, Pierre de Beaufort faz nova tentativa para baixar o seu tempo. O essencial estava feito, agora tinha de partir para buscar a pole-position. Todos estavam atentos para saber o que o carro da Matra poderia fazer. Carpentier tinha marcado 1.25.0, enquanto que Reinhardt tinha baixado para 1.24.7, marcando ainda mais a pole-position. Já havia um pouco mais de borracha no asfalto, e os tempos tendiam a baixar entre os da frente. Já Alex estava de novo no carro para aproveitar a onde quando Beaufort abordava a recta para marcar um tempo que superava tudo e todos: 1.23.8.

- Que tempo! O melhor do dia, sem dúvida, afirmou Sinead.
- Resta saber por quanto tempo. Olha, aí vem o teu irmão... respondeu Pam.

John O'Hara acelerava na recta, tentando marcar um bom tempo, conseguindo melhorar aquele que tinha, mas apenas o reduziu para 1.24.4, conseguindo o terceiro tempo, atrás de Beaufort e Reinhardt. O alemão respondeu, mas não conseguiu mais do que 1.24.2, tirando um décimo. Mais atrás, Monforte melhorou para 1.25.5, mantendo o nono tempo, mas mais afastado de Revson, que quando tentava marcar um tempo, despistara-se à saída da Curva Le Mans, causando a amostragem de bandeiras amarelas e a condicionar os tempos naquele momento. Mas por ali já tinha passado John Hogarth, que tinha conseguido afinar o motor e marca o tempo de 1.28.3 e passara Cervantes, que tinha sido prejudicado com o despiste de Revson, e era 17º e primeiro dos não qualificados. Quando tentou a sua sorte, já se estava a um minuto de fechar o treino e apanhou trânsito, especialmente Bernardini e Bedford, nas suas voltas de desaceleração. Insuficiente para passar, e a desilusão nas hostes da casa.

Pierre de Beaufort estava satisfeito. De último passara para o primeiro lugar e tinha a companhia de Reinhardt e O'Hara, com Carpentier e Van Diemen na segunda linha, McLaren, Solana e Gustafsson na terceira, Monforte e Bedford na quarta, Revson, Turner e Bernardini, na quinta, Kalhola e Hocking na sexta e Hogarth no 16º e último lugar.

A grelha para a corrida do dia seguinte estava encontrada. E os dados para ela estavam lançados.

(continua)

A actual época de Antonio Felix da Costa

Nas últimas duas semanas, voltei a ver António Felix da Costa em acção, primeiro na GP3 pela Carlin, e agora neste fim de semana, de volta à Formula 3 Euroseries. Sem vencer ou deslumbrar, o facto de ser um piloto que está regularmente nos pontos e que demonstra uma boa adaptação aos carros, significa que, não sendo um fenomeno, demnonstra ser um excelente piloto, capaz de pensar em mais altos vôos no panorama automobilistico internacional.

Esta manhã, Felix da Costa terminou no sétimo posto, depois de largar do sexto lugar após a penalização do finlandês Valteri Bottas na qualificação, que o colocou dez lugares atrás do conquistado, um segundo posto, defendeu-se contra carros mais rápidos do que o dele, andando durante muito tempo no quinto posto. Amanhã, partindo do segundo posto, veremos se consegue voltar a pontuar nesta jornada dupla, algo que ainda não conseguiu este ano, e tentar ser o "rookie do ano" nesta categoria.

Este exemplo mostra a situação em que está agora. Depois de uma excelente temporada na Formula Renault, pela equipa Motorpark Academy, esta está agora a adaptar-se a uma nova categoria, a Formula 3, pois corre com motores Volkswagen, menos potentes do que os Mercedes, que dominam o campeonato, com a excepção dos carros da Signature. Contudo, o facto de ser o melhor piloto da Motorpark e de ser um dos dois que está a fazer toda a época (o outro é o finlandês Mathias Laine, e este é constantemente batido por Felix da Costa), demonstra a enorme confiança no potencial do piloto português de 18 anos.

E se dúvidas existisse, o convite que a equipa Carlin fez para correr na ronda húngara da GP3, em substituição do brasileiro Lucas Foresti, que foi correr nesse fim de semana na Formula 3 britânica, demonstra que é seguido e estimado pelo pelotão. Numa categoria inaugurada este ano e onde as lutas são intensas, com grelhas preenchidas, um sexto lugar na sua primeira corrida, após somente duas sessões de treinos, é algo digno de registo.

Mesmo sendo esta uma temporada de adaptação a uma nova categoria, pode-se dizer que as expectativas seriam baixas. Mas até se está a dar bem, no meio de tantos tubarões e imensos aspirantes à categoria máxima do automobilismo. Resta saber para onde quer ir em 2011. Queima etapas e vai para a GP2 ou fica um ano na GP3 ou Formula 3 britânica, ou alemã? Espero que os conselhos do pai e do irmão Duarte Felix da Costa, bem como o apoio do Tiago Monteiro o levem a bom porto e à confirmação das suas potencialidades.

A entrevista a David Richards

O regresso da Mini aos ralis, confirmado esta semana pela BMW depois de varios meses de especulação, representa também o regresso de cena da Prodrive e de David Richards, que depois do final do projecto Subaru, no inicio de 2009, andava um pouco fora dos holofotes, depois de tentar entrar na Formula 1 e de se dedicar à Le Mans Series, com os Aston Martin a gasolina, marca que adquirira por essa altura por pouco mais de 650 milhões de euros.

Numa entrevista à Radio WRC, Richards explicou como decorreu o processo de escolha do modelo para o regresso ao WRC e como está a decorrer o desenvolvimento do mesmo para o ano que vem. Quanto à confiança do antigo navegador de Ari Vatanen nos tempos da Ford, essa, é inabalável.

O projeto MINI marca o regresso da Prodrive ao WRC, depois da Subaru ter abandonado em 2008. Como manteve a equipa no ativo durante estes dois anos?

"Tivemos pessoas muito talentosas na equipa e sabíamos que se não fizéssemos algo de imediato elas desapareceriam para outras áreas. Algumas, de facto, foram embora, mas a maioria esteve ocupada de outros projetos. O objetivo agora é desenhar o melhor carro de ralis de acordo com as regras.

A forma tradicional de construir um carro de rali acontece quando um construtor nos pede para fazer um carro com um determinado produto. Contudo, nós pegamos nas novas regras e dissemos: 'Como seria o melhor carro?'
Portanto, optamos pelo inverso. Em março de 2009 tínhamos onze possíveis carros alvo e fomos falar com os construtores."

Então o MINI assume-se como um bom carro para levar o "tratamento WRC"?

"Ironicamente o MINI não estava nessa lista porque o carro, tal como o conhecíamos, era demasiado pequeno e não encaixava nas regras. Mas, durante as discussões com a marca, foi-nos dito que existia um carro maior em desenvolvimento - o Countryman de quatro portas - que passou diretamente para o topo da nossa lista. Primeiro, porque era perfeito em termos de dimensões e configuração, e segundo, porque é um ícone dos ralis."

Quando começaram os trabalhos no Countryman?

"Em julho de 2009 reduzimos a lista a três construtores e a três produtos que julgámos adequados e, ao mesmo tempo, continuamos a trabalhar em elementos comuns do projeto, como um novo tipo de coluna de direção e de amortecedor. Foi a primeira vez que tivemos tempo de fazer estas coisas de forma metódica e lógica.

Em dezembro já tínhamos decidido que iríamos trabalhar com a MINI e eles deram-nos alguma informação sobre o carro, com a qual começamos a trabalhar. Portanto, já estamos a trabalhar no carro, em si, há nove meses e, tirando a parte mecânica, o primeiro carro já está pronto."

Quando é que a BMW Motorsport vos vai entregar o primeiro motor?

"As regras da FIA, em termos de turbocompressor e outros detalhes mecânicos, foram adiadas, mas esperamos ter os primeiros motores em meados de agosto. No fim desse mês iniciaremos os primeiros testes ao carro."

E quando estará o carro pronto para correr?

"Normalmente são precisos cerca de seis meses antes de terminar o processo de desenvolvimento, a homologação, a produção de sobresselentes e ter a certeza que está tudo em condições. Só iremos competir antes de meados do próximo ano.

No próximo ano vão enfrentar construtores estabelecidos no WRC como a Ford e a Citröen. Como acha que se vão sair?

"Nunca subestimaríamos o poder da concorrência, mas fizemos tudo de forma metódica. Sabemos, por experiência própria, o que é preciso para ganhar e temos a colaboração da BMW Motorsport na parte mecânica, portanto não temos ilusões relativamente à tarefa em mãos e quão bom tem de ser o carro.

Mas o MINI, enquanto carro, já é um produto soberbo e este novo Countryman é um produto muito bom e, com base nele, vamos construir um carro muito especial."

Vão vender o carro a equipas privadas?

"Claro. Fizemos isso com a Subaru no passado e vender carros a clientes é algo que continuaremos a fazer com este programa. Já temos algumas encomendas de clientes atuais, aos quais temos de dar prioridade, mas esperamos produzir um destes carros a cada 15 dias.

Os carros privados serão idênticos aos que nós mesmos vamos fazer correr no WRC. Tal comporta algumas vantagens, pois deixa-nos mais desafogados economicamente e dá-nos outro ponto de vista do desenvolvimento do carro, seja qual for o ponto do globo onde ele corra."

Já selecionaram os vossos pilotos de teste?

"O que não faltam são candidatos. Mas, os testes iniciais srão levados a cabo pelos nossos engenheiros e por um pequeno grupo de pilotos de teste que costumamos usar aqui na Grã-Bretanha. A maioria destes testes irá decorrer entre agosto e Setembro. Mas, quando começarmos os testes mais a sério em Espanha e Portugal já devemos ter contrato com um ou dois pilotos."

E quanto aos vossos pilotos de fábrica. Nomes como Markko Martin ou Marcus Gronholm têm sido ligados à MINI.

"O Markko já trabalhou connosco no passado e o Marcus é um bom amigo, que fez o Rali de Portugal em 2009 num carro nosso. Mas também há por aí jovens talentos e penso que devemos tomar alguns riscos.

No passado, não fomos sucedidos através de decisões seguras.
Contratamos McRae quando ninguém acreditava nele e vejam o que aconteceu. E pegamos no Richard Burns e levámo-lo ao título. É isso que queremos voltar a fazer, a MINI está focada no futuro."

Há hipótese de contratarem um britânico?

"A MINI é uma marca internacional e nós precisamos dos melhores pilotos, mas eu adorava ver um britânico na equipa. Afinal de contas, foi Paddy Hopkirk que conseguiu as últimas vitórias da MINI, não seria fantástico ver um piloto britânico a repetir esse feito? Mas vamos com calma, o nosso programa só começa, em pleno, em 2012, portanto temos tempo ainda."

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Rumor do dia II: o regresso da Stratos?

O Germano Caldeira avisou-me, via Twitter, que o site italiaspeed.com colocou ontem algumas fotografias de um teste secreto feito no passado mês de Junho no circuito de Balocco, propriedade da Alfa Romeo, uma das marcas do Grupo Fiat, onde se mostra um protótipo de um veículo semelhante ao Lancia Stratos, que aparentemente está a ser desenvolvido a pedido de "um industrialista europeu privado", que está a investir algo a rondar os sete dígitos.

Pouco mais se sabe deste projecto, a não ser que as luzes da frente nesta versão não são recolhidos como na versão inicial. Não se sabe quando e como é que esta nova versão verá a luz do dia, mas o site inglês Fifth Gear fala de que no final do ano o protótipo poderá ser revelado ao público, e saber-se-á se isto será apenas o pedido de um milionário excêntrico ou terá pernas para andar como parte de um plano para o regresso da marca italiana ao WRC, numa altura em que esta está em fase de reformulação e se sabe do regresso da Mini e dos rumores sobre a Saab, Toyota e Volkswagen.

De qualquer forma, a ideia de ver uma nova versão de um carro desenhado por Maurizio Gandini, da Bertone, e apresentado no Salão de Turim de 1970, com um motor Ferrari V6 de 2.5 litros e que correu entre 1974 e 1976, dando três campeonatos mundiais à Lancia, certamente causará entusiasmo entre os adeptos do rali.