segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Ecos de Valência II - O novo Williams FW30

Quase ao mesmo tempo que a Renault mostrava o seu novo carro, esta manhã, a Williams fazia o mesmo no Circuito Ricardo Tormo, em Valência. Com o piloto de testes alemão Nico Hulkenberg ao volante, não rodou muito, pois o nevoeiro causou um despiste, e o carro teve que voltar para as boxes num reboque da organização.



Existem altas expectativas em relação ao monolugar que irá ser tripulado por Nico Rosberg e Kazuki Nakajima. Alegadamente, foi um chassis altamente trabalhado, e Frank Williams conta com ele para que a equipa volte, pelo menos, aos pódios, e finalmente dê um carro condizente ao talento do seu piloto principal, que na última época recusou uma boa proposta de transferência. Será que o novo Williams FW30 se candidata ao prémio "revelação do ano"? Só o futuro o dirá...


Já agora: não estranhem a actual decoração da Williams: é provisória, pois as verdadeiras cores só serão reveladas no fim de semana da Austrália, em Março. E este ano, também a Williams irá comemorar vários feitos: 30 anos de carreira (com a actual designação), mais de 600 Grandes Prémios e mais de 50 mil voltas, tudo isto resultando num palmarés rico em vitórias e títulos mundiais. Impressionante!

Ecos de Valência - O novo Renault R28

Sob um intenso nevoeiro, começou a segunda semana de testes de Formula 1 no Circuito Ricardo Tormo, em Valência. E hoje, a imprensa espanhola em peso veio assistir à apresentação em pista do novo Renault R28, a montada que Fernando Alonso irá cavalgar na temporada 2008 de Formula 1.

Alonso deu algumas voltas, para verificar se os sistemas corriam como previsto. Mas já uma coisa sobressai, pelo menos na aparência: numa altura em que as frentes e os penduricalhos aerodinâmicos parecem mais coisa de artista do que algo funcional, ver aquela frente fez-me lembrar um peixe. E eu que pensava que depois do "tigre dentes de sabre" do Williams FW 24 de 2004, as coisas iriam ficar por ali...

Por falar em Williams: mais tarde falarei com calma do novo FW30, que hoje só deu duas voltas e acabou na gravilha. Era o nevoeiro...

A minha imagem do dia

Esta foto está no GP Insider, o blog do ex-piloto e especialista em Formula 1 Mario Bauer. Ontem comemorou-se 40 anos da primeira aparição do Gold Leaf Team Lotus, na Tasman Series. No Lotus 49 tripulado por Jim Clark, iria ganhar a série e tudo indicaria que iria ser o principal candidato ao título mundial daquele ano, se não tivesse sofrido o seu acidente fatal em Hockenheim.


Pensa-se que foi o primeiro carro de Formula 1 com patrocinio, mas não. Esse feito pertence a uma equipa (então) rodesiana, a Gunston Team, do fabricante de tabaco local. Esse carro, um Brabham BT20, pertenceu a John Love, e chegou ao fim na nona posição final.


Uma foto rara: Clark numa Lotus com patrocínio. Só gozou a coisa por três meses...

domingo, 20 de janeiro de 2008

A capa do Autosport desta semana

Estando em Portugal, puxa-se um pouco "a brasa à sardinha", neste caso, o Alvaro Parente e o seu teste com a Renault, em Jerez de La Frontera. Na capa desta semana do jornal, é quase tudo tuga: a Renault recomenda um novo teste com Alvaro, ou seja, apatrentemente tem futuro na Formula 1.


Já me dizem que há mais cartas na manga. Espero que sim, pois ele precisa de definir o seu futuro imediato, ou seja, correr na GP2. E já começam a haver poucas vagas...


Para além disso, o jornal fez um teste ao volante do Seat Leon no qual correu Tiago Monteiro no mundial WTCC do ano passado. Deve ser engraçado saber as diferenças em relação ao carro de estrada...

Noticias: "Tio" Bernie, "Sir" Bernie?

A noticia ainda anda no campo da especulação, mas o Gustavo Coelho, do Blog F1 Grand Prix, afirmou hoje que uma noticia divulgada esta semana pelo tabloide suiço "Blick" noticia que Bernie Ecclestone pode ser condecorado no próximo mês de Junho pela Rainha de Inglaterra com o grau de Cavaleiro.


Ecclestone, de 77 anos, multimilionário, ex-patrão da Brabham e ex-presidente da FOCA, poderá elevar-se ao grau de "sir", algo que no mundo da Formula 1, somente Stirling Moss, Jackie Stewart e Jack Brabham tem o previlégio de o ostentar. Comentado pelo jornal, Ecclestone afirmou: "Caso eu receba essa oferta, pensaria seriamente se deveria aceitá-la". Olhem ele a recusar...


Já agora: esqueçam ver o Max Mosley com esse título: A Raínha é do tempo da II Guerra Mundial e o pai do Max esteve do outro lado da barricada...

Bolides Memoráveis - Tyrrell 006 (1972-74)

Há já algum tempo que queria fazer algo sobre este carro, que deu um título mundial a Jackie Stewart, e que sempre achei que era o zénite das criações feitas por Derek Gardner (o Tyrrell P34 de seis rodas é uma classe à parte). Se para o piloto escocês, este carro deu o seu terceiro e último título mundial, também foi o túmulo para o seu protegido, o francês Francois Cevért.

No final de 1972, o Tyrrell 005 era o carro dominante na equipa, mas Derek Gardner procurava evoluir sempre o carro. Mas quando desenha o 006, foi por uma razão prática: era um chassis destinado para Francois Cevért, um pouco como tinha funcionado o modelo 002, dois anos antes. As diferenças em relação ao modelo anterior eram algumas: a asa traseira ficava mais atrás, mantinha a entrada de ar enorme, e algumas modificações na parte frontal, no sentido de ser mais eficaz aerodinamicamente.

E foi para Cevért que o modelo serviu inicialmente: estreado no GP do Canadá de 1972, o piloto francês conseguiu um segundo lugar na corrida seguinte, em Watkins Glen. Contudo, verificou-se que o carro poderia ser mais do que um chassis para uma só pessoa. Assim sendo, o escocês Jackie Stewart começou a usar o carro para a temporada de 1973, a partir do GP da Africa do Sul, depois de Cevért mostrar as potêncialidades do novo carro.

A partir desse momento, Stewart e Cevért tornaram-se numa equipa a bater: com a Lotus dividida em rivalidades entre Emerson Fittipaldi e o sueco Ronnie Peterson, Jackie Stewart ganha cinco corridas, três dos quais em dobradinha com Francois Cevért. Apesar de Stewart garantir o tri-campeonato, falharam o título de construtores, a favor da Lotus (92 pontos contra 82 dos carros do "tio" Ken).

No final de 1973, Stewart prepara a sua retirada das pistas, e tudo indicava que após a corrida final, no circuito norte-americano de Watkins Glen, seria o seu companheiro de equipa Cevért que tomaria conta da equipa para 1974. Mas nos treinos de Sábado, o piloto francês sofre um acidente fatal e os carros são retirados, em sinal de luto. Caso nada tivesse acontecido, seria a centésima e ultima participação do piloto escocês na Formula 1.



No inicio desse ano, Ken Tyrrell teve que arranjar uma nova dupla. Contratou dois jovens talentos: o sul-africano Jody Scheckter e o francês Patrick Depailler. O Tyrrell 007 ainda não estava pronto nas primeiras corridas da temporada, assim sendo, usaram os 006 até ao GP da Africa do Sul, sem grandes resultados. Em Jarama, a equipa começa a usar o novo Tyrrell 007.



Carro: Tyrrell 006
Projectista: Derek Gardner
Motor: Costorth V8 de 3 Litros
Pilotos: Jackie Stewart, Francois Cevért, Chris Amon, Jody Scheckter, Patrick Depailler.
Corridas: 18
Vitórias: 5 (Stewart 5)
Pole-Positions: 3 (Stewart 3)
Voltas Mais Rápidas: 2 (Stewart 1, Cevért 1)
Pontos: 118 (Stewart 61, Cevért 53, Depailler 4)



Títulos: Campeão Mundial de Condutores em 1973 (Jackie Stewart)

A1GP - Ronda 5, Taupo

Com o cancelamento do Rali Lisboa-Dakar, a A1GP tornou -se na primeira prova a sério do ano. Estando neste fim de semana nos Antipodas (leia-se Nova Zelândia), a ronda dupla deste fim de semana ocorreu... na noite de Sábado, no circuito de Taupo.

Ambas as corridas tiveram vencedores diferentes, mas quem ganhou neste fim de semana foi a Alemanha. Christian Vietoris foi segundo na Sprint Race, mas ganhou a Feature Race, a corrida mais longa. Johnny Reid, correndo em casa, conseguiu ganhar a Sprint Race, levando a torcida local ao delírio...



Quanto ao resto: a França foi terceiro nas duas corridas, através de Loic Duval, enquanto que Portugal e Brasil tiveram sortes diferentes: João Urbano teve um bom desempenho nos treinos e foi oitavo na Sprint Race. Na Feature Race, a posição na grelha prometia uma boa corrida (era oitavo), mas as coisas foram diferentes, pois durante a sua passagem pelas boxes, pisou a linha delimitadora das boxes, sendo penalizado em dez segundos. O quarto lugar final resultou assim numa 13ª posição.



Na parte brasileira, Sergio Jimenez não fez grande coisa na sprint Race (envolveu-se num acidente com o malaio Alex Yoong), mas na Feature Race, as coisas correram melhor, e acabou no sexto lugar.



Após isto, a caravana da A1GP muda-se de armas e bagagens para o circuito de Eastern Creek, na Australia, onde a 3 de Fevereiro se irá disputar a próxima jornada dupla.

A minha imagem do dia

Esta recebi hoje, via mail. O local da foto? Circuito de Jarama, 1976. Perguntar-se-á, o que esta gente anda a ver? Talvez estejam a comentar o novo Tyrrell P34, de seis rodas, que se estreou nessa corrida...


Já agora, apresento-vos: de vermelho, Jochen Mass, então na McLaren ao centro, e já a mostrar as suas entradas, Hans-Joachim Stuck, filho do lendário Hans Stuck, piloto das "Flechas de Prata" da Auto-Union, nos anos 30, e à direita, de barba farfalhuda e bigode pitoresco, está Harald Ertl, grande piloto de Turismos nos anos 70, mas com resultados modestos na Formula 1, morto num acidente aéreo seis anos mais tarde...


Por acaso, essa corrida em Espanha foi ganha por James Hunt, foi muito polémica porque Hunt foi desclassificado, por irregularidades no seu McLaren, mas foi depois reposto no primeiro lugar, à custa do seu maior rival (mas grande amigo fora das pistas) Niki Lauda.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Noticias: Lamy elogia Alvaro Parente

A repercursão do teste que Alvaro Parente fez com a Renault, na quinta-feira, no circuito espanhol de Jerez de la Frontera, ainda se sente cá pelo burgo. Um bom exemplo foram os elogios que Pedro Lamy fez ao actual campeão da World Series by Renault.

“Álvaro Parente é, neste momento, um dos melhores pilotos do Mundo. Para mim, é tão bom como Fernando Alonso.”, disse Lamy na edição de hoje do jornal Record. O ex-piloto de Fórmula 1 elogiou a prestação de Parente nos testes, relativizando, porém, a questão dos tempos. “Não é possível saber de fora o que a equipa fez no carro nem a quantidade de gasolina ou o estado da pista. Mas não tenho dúvidas quanto ao seu talento”, explicou.

Contudo, o piloto português, que renovou esta semana o seu contrato coma Peugeot para a temporada deste ano da Le Mans Series, lembrou que, para um piloto nacional as coisas são mais complicadas:

“Coloquemos as coisas nestes termos: o Álvaro foi testar com a Renault. Quantos carros vende a Renault em Portugal? Este é um mercado pequeno e pouco interessante para os construtores.”, realçou.

Contudo, Pedro Lamy lembra que a maneira de pensar dos patrões das equipas mudou e que hoje há maior abertura para apostar na juventude. “No meu tempo, um Hamilton, com 23 anos na McLaren, era impensável. Felizmente hoje em dia isso é possível. E Álvaro Parente tem potencial para isso.”

GP Memória - Argentina 1958

A Formula 1 teve, ao longo da sua história de quase 60 anos de competição, muitos momentos decisivos. Se para muitos, o ano de 1968 é um momento decisivo, pois foi um ano revolucionário (aleirons, motor Cosworth...), dez anos antes, outra revolução aconteceu na competição: a primeira vitória de um motor traseiro, obtida por Stirling Moss. Isto marcou o final de uma era, pois nesse ano, Juan Manuel Fangio preparava a sua retirada das pistas, e os carros italianos (Ferrari e Maserati) começavam a ser desafiados pelos britânicos (Vanwall, BRM e... Cooper).


A 19 de Janeiro de 1958, o campeonato começava com o Grande Prémio da Argentina. Disputada no Verão austral, foi corrida por poucas equipas, devido não só à distância, e o calor inclemente, mas também devido aos novos regulamentos de então, que permitiam o uso de um combustível de baixa octanagem. Ora, as equipas inglesas consideraram e decidiram que não valia a pena o esforço de ir tão longe e acabarem na valeta, com motores partidos, e então ficaram na Europa.


Todos... menos Cooper e Stirling Moss. O piloto inglês estava na Vanwall, mas pediu a Tony Vanerwell, seu patrão, para que o libertasse por esta corrida e fosse correr com um Cooper inscrito pelo herdeiro escocês da marca de whisky Johnny Walker, Rob Walker. Mais leve do que os Maserati e os Ferrari, era contudo, menos potente em cerca de 100 cavalos. Tinha motor traseiro, ao contrário dos outros, com motor à frente.


Sabendo da ausência dos carros ingleses, os organizadores queriam tanto Stirling Moss que se dispuseram a pagar as despesas de transporte do Cooper, pois só assim que ele pode participar na corrida. Mas quando viram o carro, estes ficaram furiosos. Como é que "la cosa" poderia bater os Ferrari e os Maserati?


Contudo, as aparências iludem: Moss fez um brilhante terceiro tempo nos primeiros treinos, caindo depois para a sétima posição na grelha final, onde o "poleman" foi, pela última vez na sua carreira, Juan Manuel Fangio. Logo a seguir foram os Ferrari de Mike Hawthorn e Peter Collins. Na partida, o francês Jean Behra, quarto na grelha, foi para a frente, mas cedo foi superado por Hawthorn, com o Ferrari do italiano Luigi Musso logo atrás. Na volta 10, quem vai para a frente é Fangio, para gaudio do público local. O campeão do mundo ainda dava cartas, aos 47 anos...


Contudo, Stirling Moss observava estas lutas de uma forma distanciada, poupando nos pneus. Ele e Rob Walker decidiram jogar uma estratégia arriscada: não iriam parar para reabastecer, nem para trocar de pneus. A ideia era que ele poupasse no inicio, e gerisse a corrida quando a concorrência fosse para reabastecer. Mas Moss não sabia que estava a viver um milagre: a sua embreagem estava partida desde a volta 2, e Moss corria em segunda velocidade. Uma volta mais tarde, porém, uma pedra tinha entrado no mecanismo de forma a mantê-la aberta e assim poder trocar marchas sem usar a embreagem. O primeiro milagre estava a acontecer...


Entretanto, na corrida, o inglês recuperava posições. Primeiro, passou Behra, e depois lutou com Hawthorn pela segunda posição. Somente na volta 30, ele livra-se do seu compatriota, para ir atrás de Fangio. Na volta 34, quando o argentino vai à box trocar de pneus, Moss herda a primeira posição.


Todos esperavam que o pequeno Cooper parasse para reabastecer. Mas à medida que as voltas passavam e nada viam, os observadores viram que tinham sido enganados pela manha de Moss, Walker e Alf Francis, o director desportivo da Cooper. Sabendo disto, a concorrência partiu para o ataque: Luigi Musso partiu para a segunda posição e tudo fez para apanhar Moss, mas já era tarde: o piloto inglês ganhou com 2,7 segundos de vantagem sobre Musso e 12,6 segundos sobre Mike Hawthorn. Juan Manuel Fangio foi quarto, fazendo a volta mais rápida.


Era a primeira vitória de sempre da Cooper na Formula 1, a primeira vitória de Rob Walker na competição, e a alta competição estava a ver história: o principio do fim dos motores à frente. No ano seguinte, a Cooper dominaria a competição, com o australiano Jack Brabham ao volante, e em 1961, todos os carros no pelotão da Formula 1 tinham motor traseiro. E tudo começou com uma estratégia arriscada de um grande piloto inglês...




Fontes:
Grand Prix - A História da Formula 1, Ed. Público, 2003
http://gpinsider.wordpress.com/2008/01/19/ha-50-anos-moss-inicia-uma-nova-era/
http://jcspeedway.blogspot.com/2008/01/histria-50-anos-do-grande-prmio-da.html

A minha imagem do dia

Hoje apresento-vos dois monstros sagrados da Formula 1, vindos da Inglaterra, e que estão à conversa no GP dos Estados Unidos de 1974: Graham Hill, no ocaso da sua carreira, correndo num Lola da sua equipa Embassy Hill (ainda não tinha projectado o seu carro...), juntamente com Stirling Moss, o "campeão sem coroa", que chegou a competir com Hill no inicio dos anos 60.


Dois grandes senhores do automobilismo, sem dúvida!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Salut, Gilles!

Se estivesse vivo, Gilles Villeneuve comemoraria hoje o seu 58º aniversário natalício. Provavelmente um dos pilotos mais carismáticos de sempre, o seu comportamento em pista, de não desistir nunca, mas sempre de uma forma leal.


Esta semana, o leitor Marcelo Costa sugeriu-me algo raro: o visionamento de um documentário feito pela TV canadiana em 1982, pouco depois da sua morte. Para além de relatar toda a sua carreira, desde os snowmobiles até a sua corrida fatal em Zolder, tem vários testemunhos, desde os pilotos René Arnoux, Jean-Pierre Jabouille, Didier Pironi, Jacques Laffite e Alain Prost, até a jornalistas locais, bem como raras entrevistas feitas à TV canadiana, em 1978 e 1982.


Para além disso, tem imagens do seu funeral: missa de corpo presente, com caixão aberto, até ao cortejo funebre, com a urna coberta com uma bandeira de xadrez. Apesar de colocar aqui a foto da sua campa, é mais de familia do que dele: Gilles foi cremado, mas parte das suas cinzas foram depositadas nessa campa. quem está enterrado é Seville, seu pai e avô de Jacques Villeneuve.


O documentário está no Youtube e têm três partes: Parte 1, Parte 2, e Parte 3. Além disso, tenho mais uma pérola: a noticia do seu acidente fatal na TV canadiana.

Bolides Memoráveis - Brabham BT44 (1974-76)


No dia de hoje, falo de um carro que marcou os anos 70 e foi mais uma das criações geniais de Gordon Murray, que deu à equipa cinco vitórias, uma delas memorável, no Brasil, pois foi aí que se sucedeu a unica vitória de José Carlos Pace, o "Môco" e que por causa disso, o circuito de Interlagos tem agora o seu nome. Hoje falo do Brabham BT 44.

Depois da retirada de Jack Brabham, em 1970, a equipa passaou para as mãos do seu engenheiro-chefe, Ron Tauranac. Mas no final de 1971, e apesar de terem nas suas fileiras o inglês Graham Hill, a equipa não conseguia vitórias. Sendo assim, no final do ano, Tauranac vendeu a equipa a um empresário inglês de 41 anos, ex-manager de Jochen Rindt. O seu nome era Bernie Ecclestone.

Em 1972 e 1973, a Brabham ficava regularmente no meio do pelotão, mas nunca alcançava as vitórias. Aliás, no inicio de 1974, a Brabham não ganhava oficialmente desde o GP da Africa do Sul de 1970, quando o "Black Jack" dominou a corrida, tinha ele na altura 44 anos...


Entretanto, a Brabham tinha contratado em 1971 um jovem engenheiro sul-africano que depois da Universidade, tinha procurado emprego na Lotus Cars, mas não aceitaram. Chamava-se Gordon Murray. Sendo assim, foi para a Brabham, após a entrada de Bernie Ecclestone, onde pensva ficar dois anos, mas afinal ficou durante 17!

Em 1972, desenha o Brabham BT42, que teve bons resultados, mas não ganhou corridas. O BT44 foi uma evolução desse modelo, mas para melhor. A frente, em forma de cunha, fazia lembrar o BT34 de 1971, conhecido por "pata de lagosta" devido à sua frente. Contudo, Murray fez com que fosse eficaz e estéticamente, tornou-se um dos carros mais belos do seu tempo. Em termos de motorização, para além do habitual motor Cosworth, o carro tinha também caixa de velocidades Hewland. Em suma: quanto mais simples mecanicamente, melhor.


O carro estreou-se no GP da Argentina de 1974, com Carlos Reutmann e o australiano Richard Robarts ao volante. Reutmann quase vence essa corrida, mas o carro fica sem combustível na última volta, e isso atirou-o para o sétimo lugar. Contudo, duas corridas depois, na Africa do Sul, Reutmann vence categoricamente essa corrida, demonstrando o potêncial vencedor do carro. Entretanto, Ecclestone substitui Robarts por Rikky Von Opel, do Lichtenstein, mas os resultados são piores. A meio da época, vai buscar um piloto que tinha saído em litígio pouco tempo antes com a Surtees: José Carlos Pace.

O brasileiro dá-se bem com a equipa e com Bernie Ecclestone, e na corrida final, em Watkins Glen, ele acompanha Reutmann na primeira dobradinha de sempre da marca, numa corrida onde o seu compatriota Emerson Fittipaldi se tornou bi-campeão do mundo. Era a terceira vitória do ano para Reutmann, depois de ter ganho em Zeltweg.


Para 1975, Gordon Murray faz uma "versão B" do BT44, tentando melhorar as suas capacidades, e isso acontece no inicio do ano, quando têm excelentes performances nas três primeiras corridas do ano: em Buenos Aires, Reutmann acaba em terceiro, e em Interlagos, Pace leva os seus compatriotas em delírio, quando ganha a corrida caseira, com Fittipaldi em segundo, na primeira "dobradinha" brasileira de sempre. Na Africa do Sul, Pace faz a "pole-position" e a volta mais rápida, acabando no quarto lugar, enquanto que Reutmann é segundo, atrás do vencedor, Jody Scheckter.


Contudo, essa grande entrada inicial não tem grandes consequências quando a Formula 1 chega à Europa, pois eles são batidos pelos Ferrari de Niki Lauda e Clay Regazzoni. Para além disso, Gordon Murray não consegue mais dar tanta atenção ao carro, porque o seu patrão tinha acabado de alcançar um acordo de fornecimento de motores com a Alfa Romeo, e Murray começou logo a desenhar o Brabham BT45, para os albergar. Mal ele sabia que isso era o começo de três anos de pesadelo para ele e para a equipa...

Contudo, essa falta de desenvolvimento desejavel não impediu que Pace e Reutmann conseguissem boas posições, e mesmo a vitória, Foi o que aconteceu ao piloto argentino, quando alcançou o primeiro lugar no "Inferno Verde", o circuito de Nurburgring, na Alemanha. No final do ano, a equipa alcança o segundo lugar no campeonato de Construtores, a sua melhor classificação desde 1967.


Apesar de ter sido substituido no inicio de 1976 pelo BT45 com motor Alfa Romeo, o carro ganhou mais algum tempo de vida graças a John McDonald e a sua equipa RAM. Durante todo o ano de 1976, uma variedade de pilotos tripulou o BT44B, mas sempre sem resultados.



Carro: Brabham BT44
Projectista: Gordon Murray
Motor: Costorth V8 de 3 Litros
Pilotos: Carlos Reutmann, Richard Robarts, Rikky Von Opel, José Carlos Pace, John Watson, Emilio de Villiota, Lella Lombardi, Jac Nellman, Bob Evans, Patrick Neve, Damien McGee.
Corridas: 45
Vitórias: 5 (Reutmann 4, Pace 1)
Pole-Positions: 2 (Reutmann 1, Pace 1)
Voltas Mais Rápidas: 4 (Pace 3, Reutmann 1)
Pontos: 106 (Reutmann 69, Pace 32, Watson 5)

A minha imagem do dia

Hoje, puxo um pouco a brasa à minha sardinha e coloco esta foto do Alvaro Parente. A expressão diz tudo, pois ontem, este homem concretizou um sonho de criança: guiar um Formula 1.


Gostaria que esse sonho não morresse por aí. Seria muito mau se alguém como ele, que tem no palmarés um título de Campeão Britânico de Formula 3, em 2005, e o do World Series by Renault, em 2007, não tenha uma chance real de ser piloto de Formula 1, ou que este ano corra na GP2, numa das equipas de topo. Porque tenho quase a certeza que ele tem tudo para ser, não um piloto de Formula 1, mas sim alguém com potencial para vencer! The Right Stuff!!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Parente testou em Jerez

Por fim, o tão aguardado dia chegou! Alvaro Parente foi fazer o seu teste na Formula 1, como recompensa pelo facto de ter ganho o título nas World Series by Renault. No Circuito Permanente de Jerez, o piloto português cumpriu um dia inteiro de testes a bordo do Renault R27. O teste agradou aos responsáveis da marca, que afirmaram ver ali alguém com potêncial para "correr em Formula 1".

Quanto a Parente... o que mais lhe custou foi sair do carro! «Custou-me mesmo foi ter de sair do carro! Foi bom, e o que mais me surpreendeu foram as forças G a que um piloto é sujeito nas curvas rápidas. Nem tanto a travagem ou a aceleração, de que já me tinham falado tanto, mas o pescoço sofre muito. Mas não foi demasiado complicado o aspecto físico, até porque nunca fiz mais do que seis voltas seguidas.», referiu o piloto ao jornal português Autosport.

«Entre as várias sessões de voltas a equipa foi modificando o set-up, de modo a que eu reagisse, o que fui conseguindo e os deixou satisfeitos, pois “percebia” o que se passava com o carro. Senti que a equipa ficou agradada com o meu desempenho e com o meu trabalho, pois fui sempre rodando consistentemente, realizando séries de voltas sem grandes oscilações no cronómetro. Agora espero ser chamado de novo…», concluiu o piloto do Porto e actual campeão das World Series by Renault.

Apesar de não ter adeversários em pista no teste de hoje, conseguiu duas voltas na casa do segundo 21, o último dos quais em 1m21.721s, menos de meio segundo que Fernando Alonso, quando testou o seu carro na terça-feira.

Agora que conseguiu realizar este primeiro sonho, espero que agora desça à terra e arranje um lugar na GP2, que já não falta muito para começar a temporada, e não o vejo em qualquer equipa oficial...