sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O piloto do dia - Taki Inoue

Nem sempre falo dos grandes campeões. Os grandes fracassos tem também direito a ter ao seu espaço neste blog, e muitos deles vieram do país do Sol Nascente, o Japão. Um desses "fracassos" ficou mais conhecido, durante o seu ano completo na Formula 1, pelos acidentes insólitos do que as suas pobres performances em pista. Hoje é dia de falar de Taki Inoue, quando comemora o seu 45º aniversário natalicio.

Takachiho "Taki" Inoue nasceu na cidade de Kobe, no Japão, a 5 de Setembro de 1963. Filho de um homem que fez fortuna a fabricar "slot-machines" no Japão, começou a sua carreira competitiva muito tarde, aos 22 anos, sem resultados de relevo. Em 1987, quando foi para Inglaterra, foi pilotar na famosa Jim Russell Racing School, numa situação "sui generis": não sabia falar inglês! Adaptou-se relativamente bem, e aprendeu uma frase que lhe ficaria na memória durante o resto da sua carreira competitiva, dita por um dos seus patrões da Formula Ford 1600: "Dinheiro é corrida. Sem dinheiro, não há corrida."

Em 1989, voltou para o Japão, para pilotar na Formula 3000 do seu país, sem conseguir qualquer resultado relevante nas cinco temporadas seguintes. Mas em 1994, transfere-se para a Europa, para correr na categoria continental, ao serviço da equipa Super Nova, ao lado do italiano Vicenzo Sospiri. Se ele conseguia resultados de relevo, lutando pelo título da categoria, Inoue nunca conseguiu qualquer ponto, e a sua lentidão era lendária. Tão lendária que foi por causa disso que evitou uma carambola na partida na ronda de Enna-Pergusa...

No final do ano, teve finalmente a sua hipótese de correr na categoria máxima, graças ao dinheiro que tinha no bolso, e aproveitou as dificuldades que muitas das equipas do fundo do pelotão tinham para conseguir levar o campeonato até ao fim. Equipas como a Larrousse, Simtek ou Pacific, para não falar da lendária Lotus, precisavam de dinheiro como de pão para a boca, para pagar as despesas. Inoue fez um teste pela Simtek, com o seu companheiro Sospiri, mas no final, os ienes falaram mais alto, e ele foi correr em Suzuka.

Nos treinos de sexta-feira, foi 26º e último, mas no dia seguinte, à chuva, melhorou as suas performances, embora tenha ficado a três segundos do seu companheiro, David Brabham. Na corrida, ele não passou da terceira volta, quando se despistou de bateu no muro das boxes. Como não tinha dinheiro para correr na última ronda, em Adelaide, a sua experiência ficou-se por aí.

E todos pensavam que não iriam mais ouvir dele. Mas no inicio de 1995, a Formula 1 ficou surpreendida quando se soube que a Footwork-Arrows tinha assinado um acordo de 4,5 milhões de euros para o ter ao lado de Gianni Morbidelli na sua equipa. E continuava a ser assustadoramente lento. Só para terem uma ideia: na ronda argentina, ele chegou a fazer um tempo dez segundos mais lento do que Morbidelli!

E no Mónaco, o primeiro momento cómico da carreira: nos treinos, quando começava a ter tempos honestos, lutando com Gianni Morbidelli pelo melhor tempo na equipa, viu nos espelhos o Sauber de Heinz-Harald Frentzen a aproximar-se. Deixou-o passar... e o motor morreu. Rebocado até à boxe, não contou com a impetuosidade do piloto do Safety-Car, pilotado na altura pelo lendario piloto francês de ralis, Jean Ragnotti. Este perdeu o controle do seu carro, e bateu em Inoue, virando-o de cabeça para baixo! O japonês saiu somente com uma contusão, e um motivo de chacota para todo o fim de semana...

Depois de mais umas prestações pobres, incluindo um acidente na primeira volta do GP de França, com... o Tyrrell de Ukyo Katayama, o circo chega à Hungria, onde Inoue consegue ser mais rápido que o novo piloto da equipa, o italiano Max Papis. Quem diria... na corrida, Inoue desiste com um principio de incêndio, e quando chega o socorro, pega num dos extintores que um dos comissários tinha na mão, para o apagar. Mas não tinha visto a aproximação de um carro de socorro, que o atropela! Apesar do embate, não houve consequências de maior.

Continuando a sua senda, Inoue consegue acabar algumas corridas em classificações mais ou menos honrosas, como o oitavo lugar no GP de Itália, numa corrida onde acabaram... nove pilotos! Mas sempre foi melhor do que o italiano Papis, o que é um pouco estranho, pois o italiano, quando mais tarde foi fazer carreira na CART, foi um dos melhores estrangeiros do pelotão... No final do ano, zero pontos, e uma participação nos anais da história como um dos pilotos mais modestos de sempre, para não falar outra coisa.

Nessa altura, a revista inglesa Autosport resumiu a sua performance da seguinte maneira: "Aceitou suas limitações numa boa, embora conseguisse um tempo razoavelmente respeitável nos circuitos que conhecia." Uma critica simpática para um piloto do fundo do pelotão...

No inicio de 1996, Inoue foi contratado como piloto da Minardi, ao lado do português Pedro Lamy, devido ao seu patrocinio de três milhões de dólares. Mas perto do fecho das inscrições, um dos patrocinadores voltou com a palavra atrás, e o então piloto de testes, Giancarlo Fisichella, arranjou dinheiro da Marlboro Itália, fazendo com que o piloto italiano começasse a sua carreira na Formula 1...

Sem lugar na Formula 1, voltou aos Turismos japoneses. Até 1999, as suas performances foram discretas, sendo o melhor o 32º lugar final na classificação do Campeonato japonês de Turismos.

A sua presença marcou a Formula 1, como símbolo de lentidão exasperada. Certo dia, ainda em 1995, quando Johnny Herbert tinha feito um teste na Benetton, onde fora dois segundos mais lento do que o seu companheiro Michael Schumacher, declarou: "Sinto-me como se fosse o Taki Inoue ou algo assim...". O seu patrão na Arrows, apesar de elogiar a sua evolução, não deixou de dizer a sua justiça: "A sua performance não saia do seu lugar."

Desde há alguns anos que Inoue é empresário e conselheiro de piloto japoneses. Quando comentou a sua passagem pela formula 1, não deixou de exprimir a sua amargura: "A Formula 1 foi um sonho, ok? Agora acabou. Eu acordei. Um pesadelo, esqueci-me completamente da Fórmula 1".


Fontes:

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Conheçam a Formula Zero

Quem me falou primeiro sobre isto foi o Nuno Lorvão (a.k.a. Juxpot), que me mandou o endereço. Depois sugeri ao meu afilhado de 13 anos que escrevesse sobre isso, porque na altura não tinha muito tempo para isso, mas agora é a minha vez.

Os alunos da Facultade de Ciencias e Tecnologia da Universidade de Delft, na Holanda, estão a desenvolver um kart movido a hidrogénio, no sentido de provar que este tipo de tecnologia é bem viavel. O Formula Zero é um projecto que existe desde 2003, que consiste em produzir um kart que emita zero emissões para a atmosfera. Desde 2005, altura em que construiram o Mark 2, o modelo de kart, que usa ultra-capacitadores para armazenar a energia, este tem andado em experiências, e uma delas foi o establecer um "record" da maior distância em 1/8 de milha, establecido em 11, 869 segundos.

E desde o dia 22 de Agosto que há o primeiro campeonato do Mundo de karting movido a hidrogénio. Constituida por seis equipas (duas americanas, uma inglesa, uma belga, uma holandesa e uma espanhola) primeira prova foi em Roterdão, e foi ganha pelos espanhois da EUPLATech, da Universidade de Zaragoza. No próximo ano haverá nova competição, cujas inscrições estão abertas a equipas vindas de qualquer faculdade de engenharia. E aqui assistimos a um passo de gigante em termos de tecnologia automóvel...

Opinião: As novas categorias do Automobilismo

Apesar de escrever muito, raramente coloco aqui colunas ou artigos de opinião, porque nem sempre há a oportunidade de o fazer, e também muito daquilo que escrevo tem já o meu cunho pessoal.


Mas hoje é diferente: desde há algum tempo que o Gustavo Coelho, do Blog F1 Grand Prix, está envolvido no projecto do Pit Stop, a secção automobilistica do site do Sidney Rezende, e aquilo tem uma coluna de opinião, que sem preodicidade definida, coloca lá artigos sobre o automobilismo em geral. O primeiro a escrever foi o Felipe Maciel, sobre o Felipe Massa, e hoje, foi a minha vez de colocar lá o meu artigo de opinião, que refere sobre as novas categorias do automobilismo, pouco dias depois da estreia de uma nova competição, a Formula Superleague.

O artigo está lá, mas decidi também coloca-lo aqui, na integra. Espero que seja o primeiro de muitos...

"No intervalo entre duas corridas do WTCC, espreitava noutro canal do meu burgo a corrida a novíssima Superleague Formula, que decorrida no circuito de Donnington Park debaixo de imensa chuva, e com o Safety Car a rolar atrás deles durante a maior parte do meu tempo de antena. Não é propriamente um início auspicioso, mas esta competição tinha uma particularidade, pelo menos no meu país: uma televisão de sinal aberto estava a transmitir uma corrida de automobilismo em directo, algo que não acontece há mais de dois anos!


O resultado é demais conhecido de todos vocês, mas comecei a pensar nesta nova tendência: o aparecimento das várias competições de automobilismo, paralelas à Formula 1. Uma realidade nova, com pouco mais de meia dúzia de anos, sustentada maioritariamente pela televisão.


Quando se viu que a fórmula mágica de Bernie Ecclestone para tornar a Formula 1 num dos desportos mais ricos e mais vistos do mundo tinha resultado, muitos foram aqueles que quiseram imitá-lo. E viam que o terreno estava fértil para isso, pois no inicio desta década, todas as competições organizadas pela FIA, fora do enquadramento da Formula 1, como o Mundial de Sport-Protótipos, ou de Turismos, tinham desaparecido. A notável excepção era o Mundial de Ralis, mas isto tinha a mais ver com o facto de ser disputada em estradas e não em circuitos. E se quisessem competir noutra categoria, teriam que atravessar o Atlântico para fazê-lo, na então CART, ou na IRL…


Contudo, desde então que surgiram várias competições paralelas, que tentam atrair pilotos que se perdem ao longo do percurso nas categorias de base, ou então pilotos recém-retirados da Formula 1. Sendo a categoria máxima um desporto verdadeiramente de elite (este ano só há vinte vagas), as outras categorias passaram a ser excelentes alternativas para pilotos e marcas. Mas teria que ter duascondições: garantias de transmissão televisiva, e não ser organizada pela FIA.


O primeiro dos casos é a Le Mans Séries. Organizada pela Automobile Club de L’Ouest (ACO) que para além de organizar as 24 Horas de Le Mans, detêm os direitos ao nome, começou a organizar desde 2002 dois campeonatos paralelos, um europeu e um americano, com protótipos e regulamentos iguais, no sentido de reavivar as corridas de Resistência, tão populares nas décadas de 50 até ao inicio da de 90, tentando trazer para si as marcas míticas do passado. Com o tempo, marcas como a Audi, a Peugeot e a Porsche, começaram a aparecer no pelotão, e provas como as 12 Horas de Sebring ou as próprias 24 Horas de Le Mans, voltaram a conhecer as glórias do passado. E outras provas mais pequenas, como os 1000 km de Monza ou de Spa-Francochamps, ganharam nova vida.


O segundo exemplo é mais novo, pois surgiu somente em 2005. Trata-se da A1GP, uma espécie de “Campeonato do Mundo de Automobilismo”, onde vários pilotos competem sob as suas bandeiras. Uma ideia do sheik árabe Makhtoum al Makhtoum, da mesma família real que está a erguer do zero uma nova cidade, o Dubai, e que teve como parceiro um notável homem de negócios sul-africano de origem portuguesa, António “Tony” Teixeira. De uma certa forma, é como regressar ao inicio do século XX, ao espirito da Taça Gordon Bennett, onde países como a Grã-Bretanha, Itália, Alemanha e França, construíam as suas máquinas, e disputavam entre si quem eram os melhores. Só que hoje em dia, têm todas máquinas iguais, onde os pilotos não competem sob uma base fixa (podem colocar os pilotos que quiserem durante o campeonato), e o que interessa é competir e ganhar pelo orgulho das nações em disputa. E não se admirem se virem o carro francês ao lado do carro da Malásia, ou o carro brasileiro ao lado do carro vindo do Paquistão, por exemplo…


No mesmo ano, um terceiro conceito de fórmula é o GP Masters, uma categoria que trazia os pilotos do passado, no sentido de competir uns contra os outros, fazendo reavivar nos saudosistas as lembranças das corridas da sua infância. O princípio é o mesmo da A1GP: uma categoria monomarca, uma Sprint Race e uma Feature Race, grelhas invertidas, e os nomes do passado, como Nigel Mansell, Emerson Fittipaldi, Riccardo Patrese ou Andrea de Cesaris, de volta, para recordar as disputas do passado.


Outro conceito importante é o calendário. Se o Le Mans Séries faz “concorrência” à Formula 1, mas tem poucas provas no calendário, as outras categorias decidiram apostar naquilo que se chama de “defeso”, ou seja, eles correm durante o Inverno europeu. Vão para o Médio Oriente e Ásia, um mercado em absoluta expansão, com corridas na China, Malásia, Bahrein e de futuro, na Índia. São mercados onde estão quase metade da população mundial (China e Índia juntos dão quase 2,5 mil milhões de pessoas), logo, um potencial de lucro quase infindável.


Tirando o caso da Le Mans Séries, todas elas (e esta nova Superleague Formula) são categorias monomarca, onde têm máquinas, motores e pneus iguais, e a única diferença é a maneira como os pilotos e mecânicos saibam afinar esses carros no fim de semana das corridas. E muitas vezes, para animar o público (e os espectadores), temos jornadas de duas corridas, com equilíbrios artificiais. O melhor caso é aquele que é seguido pela GP2: os oito primeiros da primeira corrida, têm a grelha invertida na segunda, para dar maior emoção e luta…


Mas como disse certo dia
Lord Stanley, o mítico patrão da BRM, no inicio dos anos 70 “Para ganhar algum dinheiro no automobilismo, é preciso gastar muito mais”, os organizadores destas categorias, principalmente as monomarca, passaram por maus bocados. A GP Masters terminou em 2007, depois de ver canceladas as provas desse ano e disputas entre o organizador e o fornecedor de chassis e motores. Em princípio, poderá voltar em 2009, agora sobre o nome de Formula Masters, mas nada é garantido. A A1GP teve prejuízos de 200 milhões de dólares só no primeiro ano, e atraiu pouca ou nenhuma publicidade. O Sheik Makhtoum, que dava a cara pelo projecto, saiu em 2006, e desde então é Tony Teixeira que segura o barco. Os bons resultados dos anos seguintes, para além do acordo de fornecimento à Ferrari, indicavam que o projecto estava a caminhar em passos sólidos, mas o adiamento da jornada inicial deste ano em duas semanas, em conjunto com rumores de que apenas 16 das 25 equipas tinham confirmado a sua participação, colocou algumas nuvens negras sobre a categoria.


Com isto tudo, será que a Superleague Formula será bem sucedida, só porque aliou automobilismo ao futebol? Isso, só o futuro responderá. E a história tem largos exemplos de grandes sucessos e espectaculares fracassos…"

IRL: Franchitti de volta à competição em 2009

O piloto escocês Dario Franchitti, campeão da IRL em 2007 e vencedor das 500 Milhas de indianápolis no mesmo ano, vai voltar à competição em 2009, ao assinar esta terça-feira um contrato com a Chip Ganassi, em substituição do inglês Dan Wheldon.


Franchitti, que está a viver uma época algo frustrante na NASCAR este ano, decidiu voltar à competição onde foi mais feliz na temporada de 2009, depois de Tony George ter conseguido a fusão com a CART, no inicio do ano.


"Vai ser muito excitante ver Franchitti guiar um dos nossos carros", disse o patrão em declarações à revista britânica Autosport. "Sempre admirei o seu espirito competitivo quando corria contra nós, e espero que ele use isso ao nosso serviço", concluiu.


O piloto escocês afirmou também que está entusiasmado com a ideia de voltar à IRL: "Estou ansioso por estar atrás do volante e de ajudar Chip Ganassi e Scott Dixon a vencer corridas. Chip dá nos tudo o que necessitamos para vencer", explicou.


Franchitti, de 36 anos e casado com a actriz Ashley Judd, continuará com o seus compromissos com a sua equipa da NASCAR até ao final do ano, mas não se coloca de lado a sua participação na corrida extra-campeonato de Surfers Paradise, na Austrália.

Rumor do dia: Portimão pode acolher final da GP2 e GP3 em 2009

A Autosport britânica fala na sua edição de hoje que o Autódromo de Portimão, que terá a sua primeira prova dentro de dois meses, poderá acolher a prova final da GP2 e da GP3 (ex-Formula Master) em 2009, depois dos GT espanhois, da A1GP e provavelmente do WTCC, em 2010.


Os organizadores da competição GP2, chefiada por Bruno Michel, querem voltar a ter uma prova no calendário exclusiva e fora dos programas do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, como tiveram no passado com Bahrein e Valencia (este no autódromo de Cheste). Como o autódromo barenita faz agora parte na nova série GP2 Asia, e Valencia está agora no calendário da Formula 1 (mas na variante citadina), a hipótese Portimão é algo sedutor, por ser um autódromo novo, e Portugal ainda não faz parte do calendário da Formula 1.


Caso aconteça, isso significa que o novo autódromo português, um projecto de mais de 200 milhões de euros, com capitais exclusivamente privados, já é um sucesso ainda antes da sua inauguração, pois já tem a sua agenda preenchida para 2009. E ainda se fala na hipótese de receber uma prova da Le Mans Series, ou no ano que vêm, ou em 2010.

As expectativas de Alvaro Parente

Com o fim de semana da Formula 1 a proximar-se, também é a altura da GP2 correr neste fim de semana. Com quatro provas para terminar a temporada, e com Giorgio Pantano muito perto do título (mas Bruno Senna ainda têm hipóteses...), Alvaro Parente espera reverter a sua maré de azar que o tem perseguido este fim de semana.


"O circuito de Spa-Francochamps é sempre muito especial pois costuma sempre chover, o que pode diminuir alguma da diferença que existe entre as equipas. Espero fazer um bom resultado pois, já em Valência, se não fossem os erros da equipa, poderia ter lutado pelos lugares do pódio.", afrirmou num comunicado existente no seu blog oficial.


Esta primeira época de Álvaro Parente permitiu-lhe igualar desde já o ano de estreia de Senna, com uma vitória em Barcelona e mais três pódios, tendo nestas ultimas quatro corridas, hipótese para melhorar essa marca. A qualificação acontecerá amanhã à tarde e a primeira corrida da jornada dupla será no Sábado.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Bolides Memoráveis: Ligier JS 39 (1993-94)

O carro do qual vou falar hoje simboliza o regresso à competitividade de uma das escuderias mais impoortantes das décadas de 70 e 80, a Ligier. Competitiva até 1986, altura em que Guy Ligier, o seu fundador, tinha apoios das entidades públicas francesas e dos motores Renault (Ligier era amigo pessoal de Francois Mitterand, o então presidente francês), quando passou para os motores Megatron, em 1987, essa competividade desapareceu, até 1993, altura em que voltaram a ter motores Renault V10, na altura os melhores do pelotão.

Sabendo que eles tinham voltado à activa, e logo transformados em vencedores, Guy Ligier não hesitou em usar os seus contactos presidenciais para voltar a ter motores competitivos na sua equipa, e assim voltar aos dias aureos de 1979 e 80, quando ganhava corridas e desafiava o título mundial, como piloto como Jacques Laffite, Didier Pironi e Patrick Depailler. Mas sem um chassis à altura, os motores eram pouco mais do que inuteis. Daí ter surgido o chassis JS39.

Desenhado por Paul Crooks, com a ajuda de Loic Bigois, e sob a supervisão de Gerard Ducarouge, o chassis JS39 era simples, no sentido de poder aproveitar ao máximo as pottencialidades de um motor Renault V10, obviamente com evoluções mais atrasadas do que os que equipavam os Williams FW14, que dominavam o pelotão da altura. A potência máxima desses motores era de 780 cavalos, a 14.900 rotações por minuto. Fiável, era um excelente carro para lutar pelos pontos, algo que a equipa necessitava desde há muito tempo.

Em 1993, Guy Ligier apostara numa dupla totalmente britanica, algo inabitual. Era constituida por Martin Brundle e Mark Blundell, que tinham trabalhado juntos duas épocas antes, na Brabham. Uma dupla experiente, esperava-se que conseguissem deles bons resultados, e frequentes qualificações nos dez primeiros. Na estreia do chassis, na Africa do Sul, Tiveram sorte, pois Mark Blundell conseguiu levar o seu carro ao terceiro lugar, o primeiro pódio que a equipa alcançava desde o segundo lugar de Jacques Laffite, no GP de Detroit de 1986.

Outros dois pódios foram alcançados por Martin Brundle, em San Marino (um terceiro lugar) e de novo por Mark Blundell, na Alemanha (3º lugar), mas pouco tempo antes, em França, ambos os carros conseguiram ficar nos treinos na segunda linha da grelha de partida. Nessa corrida, Brundle levara o carro para a quinta posição final. No final desse ano, A Ligier alcançava 23 pontos e o quinto lugar no campeonato dos construtores, a sua melhor posição em oito temporadas. Nas corridas do Japão e da australia, Brundle usou o carro com um desenho diferente, feito pelo italaino Hugo Pratt, autor de banda desenhada e criador de Corto Maltese.

No ano seguinte, havia nova dupla, toda francesa: Eric Bernard, ex-Larrousse, iria alinhar ao lado do estreante (e campeão da formula 3000 europeia) Olivier Panis. O chassis sofreu algumas modificações, e pelo qual recebeu a designação "B", mas no essencial era um JS39 evoluido. A temporada não correu tão bom como se esperava, mas mesmo assim, Panis e Bernard aproveitaram os erros dos outros para brilharem, nomeadamente quando subiram ao pódio no GP da Alemanha.

Nesta altura, porém, Ligier queria vender a sua equipa, pois agora era o alvo de todas as atenções, pois os seus motores Renault V10 eram cobiçados por todos, nomeadamente Flavio Briatore, um dos donos da Benetton. Um ano antes, Ligier tinha vendido parte da equipa a Cyril de Rouvre, mas no final de 1993, fora preso sob acusações de fraude e evasão fiscal, e durante o Inverno de 1994, essas acções foram parar às mãos de Briatore. No final de 94, conseguiu o que queria, ficar com os motores Renault, e levou-os para a Benetton, delegando a equipa para Tom Walkinshaw.

Esta mudança total na equipa reflectiu-se nos pilotos. Bernard saiu da equipa depois do GP de Portugal, tendo sido substituido por Johnny Herbert em Espanha, e por Frank Lagorce nas corridas do Japão e da Australia. Mas no final do ano, a Ligier conseguiu 13 pontos, e o sexto lugar no campeonato de construtores. No inicio de 1995, a Ligier tinha motores Mugen-Honda e um novo chassis, o JS45 desenhado por Frank Dernie, que não era mais do que a cópia do Benetton B194...

Carro: Ligier JS39
Projectistas: Gerard Ducarouge, Loic Bigois, Paul Crooks.
Motor: Renault V10 de 3 Litros, 760 cv de potência às 14.900 rotações
Pilotos: Martin Brundle, Mark Blundell, Eric Bernard, Olivier Panis, Johnny Herbert, Frank Lagorce.
Corridas: 32
Vitórias: 0
Pole-Positions: 0
Voltas Mais Rápidas:0
Pontos: 36 (Brundle, 13 Blundell 10, Panis 9, Bernard 4)

Fontes:

Rumor do dia: Coulthard pode abandonar a Formula 1 em Monza

Depois de ontem a Toro Rosso ter confirmado que Sebastien Buemi e Takuma Sato testarão na Toro Rosso, nos dias 16 a 19 deste mês, no circuito espanhol de Jerez de la Frontera, algo que já se falava desde a semana passada, fala-se agora que este teste tem outro objectivo, que é o de substituir David Coulthard a partir de Monza.

Desde ontem que surgiu um rumor de que o piloto escocês iria antecipar a sua reforma, anunciada desde Julho, altura do GP de Inglaterra, fazendo em Monza a sua última prova da sua carreira, sendo logo substituido por Sebastien Vettel, que viria da Toro Rosso. O teste da Toro Rosso serviria para saber quem ficaria com o lugar, daí a entrada de Sato nas contas, pois depois de Monza, as três corridas seguintes seriam no Oriente (Singapura, Japão e China).



Independentemente dos rumores, Sato mostra-se satisfeito com a oportunidade que lhe dão: "Estou muito feliz por ter oportunidade de regressar aos comandos de um Fórmula 1, depois da minha época ter sido, subitamente, concluída após o Grande Prémio da Espanha. Penso que será muito interessante testar por uma equipa que tanto tem evoluído nos últimos tempos", afirmou.


Mas outro dado tem que ser incluido nas contas: Sebastien Bourdais tem o seu lugar em jogo, pois o seu contrato ainda não foi renovado para a temporada de 2009, e as suas prestações, neste ano de estreia na Formula 1 tem sido decepcionantes, pois foi constantemente batido pelo jovem piloto alemão. Como Gerhard Berger e Dieter Maeschitz querem que a dupla da Toro Rosso seja uma mistura de juventude com experiência, Takuma Sato bem poderia ser a alternativa ao tetra-campeão da CART...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O piloto do dia - Olivier Panis

Depois de Alain Prost e Jean Alesi, este homem foi o melhor que a França mostrou na década de 90, simbolizando, de uma certa forma, o seu declinio da Formula 1, após ter colocado dezenas de jovens e talentosos pilotos nos anos 70 e 80, culminando com os quatro títulos mundiais de Alain Prost. Ele tem o título um pouco dúbio: o de ser o último piloto francês a ganhar a bordo de uma máquina francesa, num dos Grandes Prémios mais estranhos da história da Formula 1. No dia do seu 42º aniversário, hoje falo de Olivier Panis.

Nascido a 2 de Setembro de 1966 em Oulins, nos arredores de Lyon, a segunda maior ciade de França, começou a sua carreira em 1981, no karting. Até 1987, a sua carreira baseou-se nessa categoria. Ainda esse ano, participa no Volant Elf, de onde sai vencedor, e no ano seguinte, inicia a sua carreira nos monolugares, mais concretamente na Formula Renault. Depois de um ano de aprendizagem, sagra-se campeão em 1989. Em 1990, passa para a Formula 3 francesa, onde depois de terminar na quinta posição, perde o título de 1991, por apenas um ponto, apesar de ter ganho cinco corridas!

Contudo, a aprendizagem continua, e em 1992, está na Formula 3000 europeia, onde após um primeiro ano difícil com a equipa Appomatox, o ano seguinte, agora na DAMS, batalhou contra o pertuguês Pedro Lamy e o escocês David Coulthard pelo título, conseguido na última prova, em Nogaro, quando o seu rival português já estava na Formula 1, ao serviço da Lotus. E como tinha perdido por um ponto na Formula 3, aqui, o título foi dele por apenas um ponto.

Contudo, esse título garantiu-lhe também um lugar na Formula 1, nesta caso na francesa Ligier, ao lado de outro compatriota, Eric Bernard. De inicio, o seu objectivo era o de acabar as corridas, mas em Hockenheim, a sorte sorriu-lhe, quando conseguiu sobreviver à hecatombe da partida, e acabou a prova com um inesperado segundo posto, à frente do seu experimentado companheiro de equipa Bernard. No final da época, foi 11º classificado, com nove pontos.

No ano seguinte, continuando na Ligier, conseguiu mais chegadas nos pontos, demonstrando ser um piloto bastante regular, e na última prova do ano, na Australia, acabou na segunda posição, a duas voltas do vencedor, e com o motor Mugen-Honda prestes a rebentar! Nesse ano, terminou no oitavo lugar, com 16 pontos.

Seguiu-se mais uma época na Ligier, em 1996, e após ter sido sexto classificado no Brasil, aconteceu algo que entrou nos anais da história da Formula 1 como uma das vitórias mais inesperadas de sempre. No GP do Mónaco, uma prova difícil devido ao facto de ser corrida em cidade, e sob condições difíceis de tempo, apenas quatro dos 22 carros presentes à partida chegaram ao fim. E Olivier Panis conseguiu evitar todos os obstáculos para dar à Ligier a sua primeira vitória em 15 anos, e a sua última da marca, pois nessa altura estava em vias de ser comprada por Alain Prost. No final da temporada, conseguiu o nono lugar da classificação, com 13 pontos.

O acordo foi feito no final de 1996, e a partir da temporada seguinte, a equipa foi rebaptizada de Ecurie Prost, e Panis continuou a sua boa senda, ao conseguir um terceiro lugar no Brasil e um segundo lugar em Barcelona, depois de um falha de motor lhe ter roubado uma possivel vitória em Buenos Aires. Mas em Montreal, quando rolava na sexta posição, Panis sofreu um forte choque contra a barreira de pneus, e fracturou ambas as pernas. O seu belo começo tinha chegado ao fim, pois ele ficaria afastado durante boa parte da temporada. Para substitui-lo, alain Prost foi obrigado a chamar da Minardi um jovem italiano de 22 anos chamado Jarno Trulli.

Panis voltou á acção em Nurburgring no inicio de Setembro, e saiu de lá com um sexto lugar, provando que a sua capacidade de condução se mantinha intacta, e no final do ano, conseguiu amealhar 16 pontos e o nono lugar final.

Contudo, a Prost nas temporadas de 1998 e 99, esteve uma sombra daquilo que prometia, e Panes conseguiu somente dois pontos durante essas duas temporadas. Para piorar as coisas, era frequente o seu companheiro Trulli superiorizar-se a ele. No final desse ano, saiu da Prost, e aceitou um lugar como piloto de testes da McLaren durante a temporada de 2000.

Este ano sabático fez-lhe bem, pois recuperou muita da rapidez que julgava perdida após o acidente. E deu-lhe também a possibilidade de conseguir um lugar numa equipa da frente, algo que conseguiu em 2001, quando foi para a BAR, ao lado do canadiano Jacques Villeneuve.

Nesse ano, conseguiu cinco pontos, e em 2002 mais três. Apesar da BAR ser uma boa equipa, no papel, na realidade, não podia aspirar mais do que o meio do pelotão, e ainda por cima era um segundo piloto, pois todas as atenções estavam viradas para o piloto canadiano. Logo, no final de 2002, transferiu-se de armas e bagagens para a Toyota.

A sua vinda para a marca foi essencial para uma equipa que estava na altura a entrar na sua segunda época de aprendizagem na Formula 1, e ao lado do brasileiro Cristiano da Matta, havia esperanças de uma rápida evolução. Nesse ano, conseguiu como melhor resultado um quinto lugar na Alemanha, alcançando ao todo seis pontos. No ano seguinte, com a mesma dupla os resultados não foram os melhores, e cedo Da Matta foi substituido por Jarno Trulli, vindo da Renault. No final da época, com 37 anos e depois de dez temporadas na Formula 1, decidiu que era hora de arrumar o capacete em termos competitivos.

A sua carreira na Formula 1: 158 Grandes Prémios, em dez temporadas (1994-99; 2001-04), uma vitória, cinco pódios, 76 pontos no total.

Após retirar-se da Formula 1, continuou ligado à Toyota, como piloto de testes da marca, mantendo esse estatuto até 2006, altura em que se retirou da Formula 1. Depois disso, foi correr no Troféu Andros, pela Toyota, durante duas temporadas, onde correu contra pilotos como... Alain Prost. Este ano,vlargou as pistas de gelo e está a correr na Le Mans Series, na Team ORECA, guiando um chassis Courage.

Noticias: Chevrolet reforça-se no Oriente

As três últimas etapas do mundial WTCC vão conhecer reforços vindos do Extremo Oriente, para as equipas Chevrolet e Honda. Na primeira equipa, para além de Nicola Larini, de Alan Menu e Rob Huff, irá-se juntar a partir da jornada dulpa de Monza o japonês Manabu "Max" Orido, estrela no seu país natal devido a sua participação no campeonato japonês de GT, e em provas de "drift".


Orido correrá pela equipa em Monza, Okayama, no seu país natal, e em Macau, totalizando seis provas no campeonato WTCC. Entretanto, a N. Tecnology, que prepara o Honda Accord de James Thompson, vai preparar outro carro para outro japonês, Yukinori Taniguchi, que correrá nas jornadas duplas de Monza e Okayama, estando ainda por confirmar a sua presença em Macau.


Entretanto, André Couto, o piloto macaense que correr nos GT Japoneses, já confirmou que correrá a ronda macaense da competição, mas ainda está em contactos para saber em que carro irá correr. Uma coisa é certa: com o campeonato a chegar ao Oriente, o pelotão engrossa significativamente!

E ganhei um prémio!

Enquanto lembrava aos demais blogueiros que também temos um dia, as meninas do Octeto deram-me um prémio, dado anteriormente pelo meu amigo venezuelano Nuvolari. O dito cujo chama-se "Esfera del Intelecto y Filosofia". Belo nome, e sinto-me honrado com tal prémio!



Segundo os regulamentos deste prémio, os contemplados devem fazer o seguinte:


- Colocar a imagem no blog premiado.

- Colocar o link no post do blog (ou web) da pessoa que te premiou.

- Escolher outros sete blogs (ou webs), no meu caso, acrescentei oito, mas não quer dizer que façam o mesmo...

- Deixar um comentário no blog (ou web) de cada um dos escolhidos, informando sobre o prémio. Bom, eis os escolhidos, e a escolha não foi tão fácil como pode à primeira vista parecer:


- Blog do Groo, do meu amigo Ron Groo, de uma excelente prosa.

- F1 Nostalgia, o tal blog do "soviético" Rianov Albinov, que recorda as pequenas "historietas" da Formula 1.

- Blog do Pezzolo, outro sitio que vale a pena visitar.

- Blog Gurad Rail, o blog da "espanhola" Priscilla Bar.
- Blog F-1, o blog do Felipe Maciel, outro dos que andam aqui há algum tempo.
- jcspeedway, o blog do João Carlos Viana, outro no qual tenho muito gosto em ler.
- Estrelices, o blog da minha amiga Cristina Duarte, uma conterrânea minha que é um amor de pessoa.
- Blog do Felipão, um blog que depois de um ano de hibernação, está de volta.

Vai chover em Spa- Francochamps?

Aparentemente sim.

O Weather Channel prevê que este fim de semana, o tempo na zona das Ardenas (local onde fica o circuito de Spa-Francochamps) seja encoberto, com a possibilidade de chuva na ordem dos 60 por cento no Domingo, dia da corrida. Para quem conhece aquela zona, e histórico do GP belga, digo isto: não me surpreende. Agora, desejo que aonteça um boa corrida, e que os acontecimentos de 1998 não se repitam...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Recordando Stefan Bellof

Provavelmente, sempre que lembramos deste homem, perguntamos a nós próprios o que ele teria feito, caso tivesse passado deste dia, mas do já distante ano de 1985. É que hoje faz 23 anos que morreu Stefan Bellof, um dos pilotos alemães mais lembrados na era pré- Michael Schumacher.

As circunstancias do seu acidente fatal são de mais do que lembradas: uma prova do Mundial de Sport-Protótipos, no circuito belga de Spa-Francochamps, uns dias antes do Grande Prémio belga, guiando um Porsche 956, não da equipa oficial, fazendo uma prova de trás para a frente, com a ajuda do seu parceiro, o belga Thierry Boutsen, encara Jacky Ickx, o lider, num 956 oficial, e o alemão tenta uma ultrapassagem impossivel na Eau Rouge. Esta correu mal, bateu e morreu.

Como é obvio, vê-se que aqui foi a sua impulsividade que originou o acidente fatal. Mas tinha talento potencial para ser campeão do Mundo. Se tivesse sobrevivido a esta data, provavelmente Senna, Prost e Mansell teriam menos títulos. Mas isso está no domínio dos "ses", e isso nunca saberemos.

Para concluir, deixo o link para o sitio oficial , um video dessa prova fatal feito pelo Antti Kahola, e uma frase do legendário jornalista inglês Nigel Roebruck: “Se Bellof iria vencer Grandes Prêmios? Não tenho dúvida nenhuma. Aliás, acredito que ele seria o primeiro campeão do mundo alemão. Não há como questionar que ele tinha habilidade para isso e, embora a Ferrari nunca tenha confirmado, não restam muitas dúvidas que ele seria o parceiro de Michele Alboreto na equipe em 1986. Sua morte foi uma perda horrível para o desporto e ainda maior para aqueles que o conheciam."

Historieta da Formula 1: o "making of" de Grand Prix

Como sabem, na semana passada, coloquei um post sobre o teste de Phil Hill a testar uma Ferrari em 1975, oito anos após a sua retirada da competição. Entretanto, o piloto americano, o primeiro campeão do Mundo de Formula 1 vindo dos "States" foi desta para melhor, e enquanto via os tributos, reparei num que no filme "Grand Prix", a personagem de Pete Aaron se baseia em Phil Hill. Portanto, a historieta de hoje, da minha autoria, é o "making of" do filme de 1966.


O filme, como sabem, é baseado numa ficcional época de 1966 de Formula 1, onde Pete Aaron era um piloto cuja melhor fase tinha passado, e que corria para a Jordan-BRM. No Mónaco, provoca um acidente com o seu companheiro, Scott Sttodard, que cai à água, mas sobrevive. O patrão despede-o, e ele vai correr para a recém-chegada Yomura, uma equipa japonesa, decidida a ter sucesso na Formula 1. Consegue estar na luta pelo título com Stoddard e o piloto da Ferrari, o francês Jean Pierre Sarti. Este era pressionado por Ferrari para ganhar a todo o custo, mas Sarti já começa a ficar farto do automobilismo, especialmente na parte mais cruel. A decisão é em Monza, numa pista onde combina a oval com a convencional, como acontecera em 1961.


Na corrida, Aaron e Stoddard lutam pela vitória, onde Satri, que teve uma má partida, tenta recuperar o contacto com os da frente. Contudo, uma peça do seu Ferrari se parte, provocando o acidente fatal. Vendo o que acontecera, o Connedatore tira o outro carro, de Nino Barlini da competição, e assim a luta fica reduzida a Aaron e Stoddard, que é decidida a favor do americano, na ultima curva, por menos de um centésimo de segundo.


O filme foi uma corrida para o realizador John Frankenheimer e para a MGM, pois Steve McQueen e outro realizador, John Sturges, estavam a planear outro filme, chamado de "The Day of The Champion", que seria ambientado no circuito alemão de Nurburgring. A equipa tinha feito muitas filmagens nesse circuito, e entregou 27 rolos de fita completos a Sturges e McQueen. Contudo, esse filme foi cancelado pouco depois...


Hill fora consultor técnico no filme, ajudando a equipa de filmagens em muitos aspectos, desde ser ele a conduzir o Cooper de Formula 2, no qual fez todas as cenas de dentro do carro, em lugares como Mónaco, Brands Hatch e Monza, até ajudar Frank Garner, o actor principal, a conseguir um estilo de condução. Hill até tinha um pequeno papel no filme, como Tim Randolph, o companheiro de Aaron na Yomura.


Garner ficou fascinado pela condução que mais tarde se tornou piloto e proprietário de uma equipa.


E Garner era mesmo o unico com talento, pois os outros actores não tinham jeito nenhum! Brian Bedford, que fazia o papel de Scott Stoddard, não sabia conduzir (se repararem no filme, o piloto está completamente tapado, indicando que é um duplo a conduzir), Yves Montand, o francês que era Jean-Pierre Sarti, apanhou um susto no inicio das filmagens e ficou com medo de conduzir a alta velocidade. Antonio Sabato, que era Nino Barlini no filme, era aquilo que nós chamavamos hoje de "chicane móvel"...


O carro que Garner conduziu não era mais do que um McLaren de Formula 2, conduzido por um jovem Chris Amon (Aaron usa o capacete dele). Na altura, a McLaren estava a dar os seus passos iniciais, e muitos na altura não gostaram muito da decisão do neo-zelandês. Mas ele precisava na altura do dinheiro.


O filme estreou nas salas americanas a 21 de Dezembro de 1966. A musica foi composta por Maurice Jarre (o pai de Jean-michel Jarre), e as receitas de bilheteira foram boas, as criticias iniciais não foram muito favoráveis. Contudo, o filme foi nomeado para três Oscares, todos técnicos (Melhores Efeitos Sonoros, Melhor Som, Melhor Edição), e ganhou em todas as categorias. Hoje em dia é um clássico. Para recordarem, eis a abertura inicial do filme...

Extra-Campeonato: A Roleta Russa das Low Costs

Ouvi isto ontem à tarde na TSF, quando vinha da praia: a Ryanair, uma das companhias "low-cost" mais populares do Mundo, sediada na Irlanda, colocou no passado mês de Junho uma directiva aos pilotos afirmando que, para poupar no combustível, cujo preço nesta altura está nas nuvens, deveriam andar apenas com combustível suplementar na ordem dos 300 kg, em vez dos habituais 5 por cento de capacidade do depósito indicados pelas directivas da União Europeia.


Ora, 300 kg é o equivalente a apenas cinco minutos de vôo, num Boeing 747, e qualquer comandante que não obedeça a esta indicação, recebe uma cartinha de direcção da companhia, onde em tom de ameaça, pergunta a razão pelo qual porque não obdeceu às indicações da companhia. O caso foi denunciado primeiro no jornal Sunday Times, cerca de duas semanas e meia depois do acidente da Spanair, no Aeroporto de Barajas, que matou 154 pessoas.


Eu sei perfeitamente que os "low cost" significa que, por um preço imbatível, irás voar para o teu destino como sardinha em lata, e pagares as tuas próprias refeições, e ainda levar com hospedeiras ou comissários de bordo com muita má cara. Mas todo esse "low cost" isso significa também que se deve brincar com as vidas dos passageiros?

É que acerca do avião da Spanair em Brarajas, soube-se agora de alguns pormenores, como que após a primeira tentativa abortada, alguns passageiros queriam abandonar aquele avião, mas os funcionários da companhia tinam ordens para não deixar ninguém sair. Portanto, da próxima vez que viajar nesta ou na EasyJet (ou outra...) pense bem: poupar no bilhete pode significar ter a sua vida em jogo...