quinta-feira, 31 de março de 2016

A imagem do dia

Na madrugada desta sexta-feira (ainda será dia 31 por lá...) a Tesla vai lançar aquele que deve ser o modelo 3... pelo menos de forma provisória. E na véspera do lançamento do automóvel, há cerca de duzentas pessoas que faziam fila para assistir ao novo modelo (esta foto foi tirada esta tarde no Twitter do site Jaloipnik), que Elon Musk promete há muito tempo que este seja "o carro dos 35 mil dólares", ou seja, o carro elétrico acessível para a classe média.

Muitos querem acreditar que este vai ser o carro que vai dar um modelo para o "mainstream" e quebrar o dominio dos carros a gasolina, e também o facto dos carros elétricos serem uma coisa de elites. O Model S é um sucesso, mas custa cerca de 150 mil dólares, caro para a esmagadora maioria das pessoas... mesmo nos Estados Unidos.

No meio disto tudo, a Tesla conseguiu fazer mais do que automóveis. Construiu uma rede de carregadores para as baterias, aumentou a capacidade destas de cerca de 160 para cerca de 400 quilómetros, e o objetivo é alcançar as 300 milhas, ou seja... 480 quilómetros. Já estreou o modelo X, no ano passado, e este é o terceiro modelo, numa altura em que estão a construir no Nevada uma mega-fábrica.

Há altas expectativas, é verdade. E a perspectiva de um carro "verde", com todo o "hype" que Elon Musk já têm feito ao longo dos anos, para toda a gente, poderá causar uma revolução. Não que a Nissan já o faça, com os seus Leaf, mas ver a Tesla nesse nivel poderá ser algo completamente diferente. Veremos. 

Youtube Movie Mashup: Cars mais Mad Max dá nisto...


Um "mashup" de filmes no Youtube tem resultados distintos. Uns podem calhar bem, outros podem ser horríveis, mas há aqueles que ficam por ser estranhamente sedutores, sendo vistos vezes sem conta.

Esta vi no Jalopnik: alguém fez um "mashup" de "Cars", a animação da Pixar, com o som de "Mad Max: Fury Road", o épico de George Miller, que virou um clássico instantâneo. Ver algo tão ternurento com um som totalmente diferente parece ser de loucos, e deverá dar umas belas gargalhadas!

O título é bem adequado: "Mad Cars". 

Cinco Grandes Acidentes na carreira de Fernando Alonso

Como é sabido, a FIA vetou esta quinta-feira a participação do piloto espanhol do GP do Bahrein, sendo substituído pelo belga Stoffel Vandoorne, campeão da GP2, fazendo assim a sua estreia na Formula 1. Ao piloto de 34 anos, este foi mais um grande acidente ao longo de uma longa carreira, que já vai na sua 16ª temporada, com passagens por Minardi, Renault, McLaren e Ferrari, vencendo dois títulos mundiais pelo caminho.

Contudo, este não foi o primeiro grande acidente em que se viu envolvido. Fernando Alonso, que já correu em 255 Grandes Prémios, e venceu por 32 vezes, já teve a sua quota parte de acidentes que nos últimos tempos, parece que tem vindo a aumentar, colocando até em causa a sua continuidade no automobilismo. Apesar de tudo, ele afirma que deseja continuar a competir, mas ele já colecionou alguns acidentes dos quais merece que se faça uma matéria como esta.

Como critério, os acidentes abaixo referidos estão por ordem cronológica.


1 – GP do Brasil de 2003


Em 2003, Fernando Alonso tinha 21 anos e estava a estrear-se na Renault, depois de uma passagem pela Minardi, para aprender a andar numa categoria exigente como é a Formula 1. A corrida de Interlagos era a terceira da temporada, e já tinha impressionado os entendidos ao ter sido o “poleman” na corrida anterior, na Malásia, terminando no terceiro lugar e conseguindo o seu primeiro pódio da sua carreira.

A corrida brasileira foi bem atribulada. Corrida debaixo de chuva, foi uma hecatombe para os pilotos, com inúmeras saídas de pista e consequente entrada do Safety Car. 

Na volta 54, porém, aconteceu a confusão. Tudo começou com Mark Webber a bater forte na Curva do Café, sem consequências para o piloto australiano, então a correr pela Jaguar. As bandeiras amarelas foram mostradas, mas Alonso não abrandou na zona, batendo bem forte no outro carro, já com o piloto fora do carro. O Renault desintegrou-se, e Alonso saiu do carro pelo seu próprio pé, para parar uns metros mais adiante, pois se tinha magoado numa perna. Levado para o hospital, não esteve no pódio para receber o prémio, pois a corrida tinha sido interrompida na volta 55 e tinha sido dado o terceiro posto.


2 – GP dos Estados Unidos de 2004 


Um ano depois, Alonso sofreu outro grande acidente na sua carreira, ao bater forte no muro no GP dos Estados Unidos, que se disputava no circuito de Indianapolis. Tinha sido um fim de semana problemático, com Ralf Schumacher a bater forte no muro de proteção, na Curva 13 (a Curva 1 no “Brickyard”), tendo sofrido lesões nas costas e acabando por falhar seis corridas nessa temporada. 

Já Alonso tinha sido vitima de um furo com um dos seus pneus Michelin, embatendo no muro, mas sem consequências de maior. Curiosamente, esse problema foi a grande causa do boicote dos pilotos e das equipas com os pneumáticos franceses no ano seguinte…


3 – GP da Bélgica de 2012


Em Spa-Francochamps, Fernando Alonso nem andou duzentos metros, sendo uma das vitimas do Lotus de Romain Grosjean na curva de La Source. Apesar de nada ter sofrido com o acidente, viu o carro dele a passar a menos de 40 centímetros da sua cabeça, num incidente onde se envolveram os carros do britânico Lewis Hamilton e dos Saubers do mexicano Sergio Perez e do japonês Kamui Kobayashi

Alonso disse depois que Grosjean tinha cometido um ato irresponsável, e a FIA puniu o francês com uma corrida de suspensão. 


4 – Testes em Barcelona, 2015


O regresso de Alonso à McLaren foi envolto em expectativa para saber como é que ele reagiria com o mesmo dono que sete anos antes lhe tinha estragado a sua vida, preferindo um jovem Lewis Hamilton a ele, que tinha dois títulos no seu bolso. Se no campo das relações, houve uma cordialidade – apesar do motor Honda ter sido um desastre – já em termos de azares, estes não o largaram. Na segunda sessão de testes de pré-temporada, em Barcelona, quando fazia a Curva 3, ele abrandou e parou no muro de proteção, “apagando-se” de seguida. 

Transportado para o hospital, ficou internado por três dias por precaução, especulando-se sobre se tinha recebido um choque elétrico por causa do KERS não ter sido bem isolado no seu carro, ou se tinha tido algum problema neurológico. Caso tivesse sido o último, isso colocaria as suas capacidades de pilotagem, e até mesmo a sua carreira em dúvida, mas os médicos disseram que não tnha sido descoberto nada de relevante.

Contudo, a Comissão Médica da FIA o examinou em Melbourne, antes da corrida de abertura do campeonato desse ano, e vetou a sua participação, sendo substituído pelo dinamarquês Kevin Magnussen


5 – GP da Austrália de 2016


Pouco mais de um ano após o incidente acima referido, Fernando Alonso apanhou outro grande susto na sua vida. Na volta 19 da corrida australiana, falhou a travagem para a curva Sports Centre, embatendo na traseira do Haas do mexicano Esteban Gutierrez, capotando por duas vezes na gravilha. Saindo do carro pelo seu próprio pé, soube-se depois que tinha sofrido uma desaceleração calculada em 45 G’s, mais de metade do qual um corpo humano pode suportar. 

Parecia que o espanhol tinha meramente “sacudido o pó” depois de um acidente daqueles (a lembrar o de Martin Brundle, vinte anos antes), mas na realidade, Alonso sofreu fraturas numa costela e um pequeno pneumotórax, e isso fez com que os médicos da FIA o impedissem de correr no GP do Bahrein, sendo substituído pelo belga Stoffel Vandoorne.

Youtube Motorsport Trailer: A apresentação do novo Top Gear


A pouco mais de cinco semanas de vermos o novo Top Gear, e na semana em que se soube que a equipa de filmagens foi barrada de entrar na Rússia, apareceu hoje o "trailer" para a primeira temporada com Chris Evans como apresentador, um ano depois da pancadaria - e consequente despedimento - de Jeremy Clarkson do programa.

Pelo que vejo por este trailer, vão aparecer coisas interessantes por aí, incluindo a famosa cena do vómito em Laguna Seca. Agora fiquei curioso...

O novo "Top Gear" vai se estrear a 8 de maio, na BBC. E com o novo programa dos Três Estarolas a aparecer na segunda metade do ano, em teoria, os petrolheads deveriam delirar. E  digo "em teoria", porque na realidade, o trailer foi recebido com hostilidade: 6014 "não gostos" (no momento em que escrevo estas linhas) e mais de mil comentários a dizer mal do programa ainda antes de começar.

O regresso da Formula 5000

A Formula 5000 foi uma categoria que andou um pouco por todo o mundo nos anos 70, com campeonatos na Grã-Bretanha, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia. Graças a motores Ford e Chevrolet V8, era uma alternativa barata à Formula 1 e a IndyCar na altura, acabou no final dessa década por causa dos custos altos.

Pois bem, parece que essa competição pode regressar dentro em breve, pelo menos na Austrália. Segundo o site Speedcafe.com, um engenheiro australiano, Chris Lambden de seu nome, está a construir um carro moderno com as especificações que tinha a Formula 5000. Este já está na fase final de construção e os testes começarão dentro em breve. O chassis foi construído pela Swift, usado inicialmente para a Formula Nippon e terá o motor Coyote Ford de 5 litros e uma entrada de ar que faz lembrar esses mesmos carros. 

O nome? Formula Thunder 5000. E eles pretendem que o conjunto custe ao todo cerca de 240 mil dólares.

"Desde que eu tive a oportunidade de correr num carro de F5000, numa prova histórica, em todos os lugares que fomos, a reação foi entusiástica", começou por explicar Lambden, questionado sobre a razão pelo qual decidiu construir este chassis. 

"Cheguei a conclusão que era a melhor coisa que havia no automobilismo australiano e é uma vergonha não haja mais algo como isto agora. Eu decidi experimentar para ver se havia alguma maneira de fazer uma versão moderna, com custos controlados, da maior competição de monolugares na história do automobilismo australiano, fora da F1, poderia ser possível - e é isso que eu acredito.

"Esperamos que apareça uma nova geração de talentosos jovens pilotos vão começar a experimentar o mesmo tipo de desempenho que tiveram Alan Jones, Kevin Bartlett, Warwick Brown, Frank Matich, e outras estrelas da geração de 70... e que os fãs de automobilismo adoraram.

"O F5000 vai ser um carro desafiante, poderoso, rápido para conduzir e a visão e o som de uma grelha cheia deverá ser incrível", concluiu.

O carro terá 680 quilos, com um motor de 570 cavalos, e a ideia é criar a série a partir do final do ano, para seguir a ideia da Tasman Series, corridas na Austrália e Nova Zelândia, que foi popular há mais de 40 anos. 

Formula 1: Alonso não correrá no Bahrein

As suspeitas confirmaram-se hoje: Fernando Alonso não está em condições para correr o GP do Bahrein e será substituído pelo belga Stoffel Vandoorne. O piloto da McLaren falhou o exame na comissão médica da FIA, após o seu acidente no GP da Austrália, onde conseguiu sair do carro aparentemente ileso.

Aparentemente, porque afinal... teve sequelas. O jornal espanhol "Marca" diz hoje que o piloto das Asturias tem uma fratura numa das costelas e um pneumotorax, e apesar dos problemas de saúde, ele pretendia... correr na mesma. "Tentei correr até ao último momento no Bahrein depois do meu acidente na Austrália", falou na sua conta oficial no Twitter.

Mais tarde, na conferência de imprensa, continuou: "Estou um pouco decepcionado, mas é a decisão mais lógica. Evidentemente, somos pilotos, queremos e gostamos de competir. Tentei correr até ao último momento, embora reconheça que seria um pouco doloroso", comçou por comentar.

Depois contou o que se passou nos dias a seguir ao seu acidente: "No domingo estava bem, doía um pouco o joelho, e na segunda, as dores eram um pouco mais gerais, mas não eram incapacitantes, tanto que segui viagem para a minha casa, em Espanha. Quando cheguei, as coisas tinham piorado um pouco e decidi fazer um "checkup", onde me detectaram um pequeno pneumotorax, que já desapareceu. Contudo, há uma fratura nas costelas."

"Custa um pouco dormir, por causa da postura na cama, mas estou aqui, apesar das dores. Queria subir para o carro, estava mentalizado para aguentar as dores, mas se tiver algum problema, as forças G's poderão agravar a minha fratura. Não se pode fazer mais, e aquilo que os médicos me disseram é o mais prudente", concluiu. 

Alonso espera que esteja recuperado a tempo do GP da China, dentro de duas semanas, onde se submeterá a novo exame por parte da FIA: "A fratura na costela é bem fresca, mas é uma questão de tempo até passar. Daqui a cinco ou sete dias, estarei curado, e penso voltar a correr na China. Dentro de dez dias eles voltarão a examinar-me, para ver se recuperei totalmente". 

quarta-feira, 30 de março de 2016

A imagem do dia

Conhecem a expressão "levar os cavalos a beber"? Pois foi o que aconteceu na Holanda. 

Da próxima, não se esqueçam de carregar no travão de mão. Ou não estarem tão distraídos, porque estes Porsches não custam meia dúzia de tostões...

Noticias: Nurburgring levanta as limitações de velocidade

Os organizadores do circuito de Nurburgring Nordschleife decidiram levar hoje as restrições de velocidade em certas partes do circuito, um ano após o acidente de Jann Mardenborough, que matou um espectador. Esta noticia acontece dias antes de começar a primeira corrida da VLN, que vai acontecer neste fim de semana.

Após o acidente de março passado, a organização do circuito decidiu colocar temporariamente um limite de 200 km/hora nas zonas de Hocheichen e Schwedenkreuz e de 250 km/hora em Döttinger Höhe. O intuito era de fazer reparações nesses locais (novo asfalto, guard-rails e escapatórias) para melhorar a segurança, o que foi feito durante este inverno.

Agora que as reparações foram feitas e os limites de velocidade foram levantados, o automobilismo volta a um dos seus lugares mais reverenciados sem limites para correr. 

Alonso correrá no Bahrein?

Há uma "espada de Dâmocles" a sobrevoar a McLaren neste fim de semana. É que Fernando Alonso tem ainda de passar pelo critério da comissão médica da FIA para saber se está apto para correr no Bahrein, depois de ter sobrevivido ao acidente na Austrália, onde passou por um forte acidente, após colisão com o Haas de Esteban Gutirerrez.

É que apesar de Alonso ter sobrevivido ao acidente sem mazelas de maior, ele suportou 46 G's no choque que destruiu o seu carro - nada será aproveitado - e para piorar as coisas, descobriu-se depois que o seu assento quebrou durante o impacto. O espanhol vai ser examinado esta quinta-feira pela comissão, mas a McLaren pelo sim, pelo não, já chamou o belga Stoffel Vandorne para o emirado barenita para que esteja a postos, caso aconteça qualquer coisa.

Vandoorne, de 24 anos (nasceu a 24 de março de 1992) é o atual campeão da GP2, depois de ter sido o segundo classificado em 2014 e de também ter sido o vice-campeão da World Series by Renault em 2013. Este ano, corre na japonesa Super Formula, para além de ser terceiro piloto da McLaren, lugar que ocupa desde 2014.

terça-feira, 29 de março de 2016

A imagem do dia

Hoje passam-se 35 anos sobre o GP do Brasil de 1981, realizado no  - já extinto - Autódromo de Jacarépaguá. Mas se muitos se vão lembrar sobre a polémica entre os pilotos da Williams e a desobediência de Carlos Reutemann às ordens de que ele abdicasse da vitória a favor de Alan Jones, já eu recordo de outro episódio que valeria um filme: a de como um piloto foi para o seu carro à última da hora e conseguiu o melhor resultado de sempre da sua equipa... e a volta mais rápida.

O suíço Marc Surer sempre foi uma espécie de "super-sub" ao longo da sua carreira, passando por ATS, Ensign, Theodore, Arrows e Brabham, entre 1979 e 1986, conseguindo 17 pontos em 88 corridas. No inicio de 1981, a sua equipa, a Ensign, tinha decidido correr só com um carro e este estava sempre disponivel para quem desse mais, pois a equipa não tinha muito dinheiro em caixa. Depois de Surer ter corrido em Long Beach, o seu lugar seria ocupado pelo colombiano Ricardo Londoño-Bridge, o primeiro da sua história, e que tinha bons patrocínios locais. Londoño chegou a posar com o capacete e a dar algumas voltas no circuito brasileiro, na quinta-feira, mas um toque com o Fittipaldi de Keke Rosberg acabou o seu dia por ali.

Contudo, no final desse dia, a FISA decidiu também que Londoño não iria ter a oportunidade de largar, não tendo a respectiva Super-Licença. Desesperado, Mo Nunn foi à procura de Surer, que o encontrou num dos hotéis do Rio, e lhe pediu para pegar no capacete e ir correr.

Não foi o último a largar - conseguiu o 18º tempo - e na corrida, limitou-se a ser veloz entre os pingos de chuva e a conseguir a melhor performance de sempre da equipa, conseguindo um quarto lugar e a volta mais rápida, algo que surpreendeu imensa gente. Surer ficou até ao GP do Mónaco, onde conseguiu um sexto lugar, mas depois cedeu o seu lugar para o chileno Eliseo Salazar, onde deu à equipa mais um ponto, sendo sexto no GP da Holanda. Surer prosseguiu a sua carreira, correndo na Theodore.

Londoño-Bridge não teve mais oportunidade de correr na Formula 1, mas a sua vida foi atribulada na sua Colombia natal, com um final sangrento, depois de se envolver com os cartéis de narcotráfico, pois era dele que se compravam os bens de luxo que eles desejavam. O negócio foi confiscado no inicio dos anos 90, no auge da guerra contra o cartel de Medellin, de Pablo Escobar. Londo-no-Bridge reconstituiu a sua vida, mas a 18 julho de 2009, foi vitima de um tiroteio, com mais duas pessoas.  

As reivindicações dos pilotos

Que há um crescente mal-estar no seio da Formula 1, isso todos nós sabemos. As equipas não se entendem muito bem sobre os dinheiros a serem distribuídos, Bernie Ecclestone manda as suas "postas de pescada" afirmando que quer mais dinheiro e largar os clássicos a favor dos novos-ricos do automobilismo, e agora, os pilotos começam a reclamar de mais voz na tomada de decisões. Após o aviso da semana passada, a GPDA reafirmou hoje que quer ter uma palavra a dizer na tomada de decisões.

Numa entrevista ao jornal espanhol Marca. Alexander Wurz, o presidente da GPDA, sublinhou o que estava em jogo: “A nova qualificação não serve, isso ficou claro, mas não é esse o ponto fulcral. Nós adoramos este desporto e queremos uma Formula 1 divertida. E quando não estamos de acordo com o que está a ser feito, expressamos o nosso desacordo, e foi isso exatamente que aconteceu. Por outro lado queremos assegurar-nos que entendem o que sentimos. Não há dúvidas para ninguém que a  Formula 1 é uma disciplina com uma plataforma de marketing incrível, mas todos queremos que essa estrutura melhore”, declarou.

Contudo, Charlie Whitting, o diretor de corridas da FIA, afirma que os pilotos tem todas as chances de falar o que pensam sobre a competição e não precisam de mais palcos para o afirmar: “Não acho que os pilotos precisem de mais, porque têm muitas oportunidades para falar sobre as regras com a FIA, e muito honestamente, não vejo como possam ter muito mais”, começou por dizer, explicando depois o seu ponto de vista: “Mesmo ao nível da Comissão da Formula 1, nada impede um piloto de falar com a sua equipa relativamente ao seu ponto de vista

Mesmo havendo ou não quem diga que os pilotos deveriam ter mais voz, os que têm já afirmam que a competição tem de ter grandes mudanças, de forma a ser mais atrativo: “Falei com algumas pessoas que adoram este desporto e as corridas. Não tenho todas as respostas, mas sei que as mudanças que estão a ser feitas não irão tornar as corridas melhores”, começou por dizer o tricampeão do mundo, Lewis Hamilton.

Não é o nosso trabalho vir com ideias e de qualquer modo todos nós temos opiniões diferentes. Mas, pessoalmente, penso que precisamos de mais grip mecânico e menos aerodinâmico vindo da traseira, então poderíamos estar mais perto dos monolugares e ultrapassar”, concluiu.

Uma coisa é certa: a Formula 1 vive um período de grande mal-estar, onde todos ralham e se calhar poucos têm razão. Os maus regulamentos, a distribuição dos dinheiros, o calendário, tudo isso não passa de uma grande luta pelo poder e controlo de um desporto que consegue ser uma verdadeira "galinha dos ovos de ouro", pois falamos de quase dois mil milhões de dólares por cada temporada, num negócio que é dos mais opacos que o deporto conhece.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Quando a Formula 1 andou por Las Vegas

Que Bernie Ecclestone tem uma longa fixação pelos Estados Unidos, não é novidade. O calendário da Formula 1 chegou a ter três corridas em paragens americanas, em meados dos anos 80, e esta já passou por um conjunto de cidades que iam desde Detroit e Phoenix, até classicos como Long Beach, passando por fracassos totais como Las Vegas e Dallas. Em certos aspectos, pode-se ver que o anão sempre teve dois grandes objetivos: sacar muito dinheiro e obrigar os americanos a gostar da Formula 1. Os resultados foram tão modestos que após 1991, Bernie desistiu do continente americano por nove anos, até regressar, com corridas em Indianápolis.

Esta segunda-feira, o octogenário deixou escapar a ideia de que tem um contrato com Las Vegas para correr por lá, a partir de 2017, e em substituição de... Monza. Não se sabe se seria num circuito de rua ou no complexo existente na cidade, mas não seria uma estreia absoluta por aquelas bandas. É que em 1981 e 1982, a Formula 1 andou por lá, num circuito desenhado no parque de estacionamento de um dos maiores casinos da cidade, e que alguns consideram como o pior circuito jamais desenhado. Certamente nunca viram os tilkódromos...

Como provavelmente ainda lá iremos antes do Bernie desaparecer de cena - algo que todos reclamam há muito - recuemos 34 anos no tempo para ver como foi a Formula 1 parar a "sin city", a capital americana do jogo e o único estado onde a prostituição ainda é legal.


1981: A última de Jones e a coroação de Piquet


A corrida de Las Vegas surgiu como o substituto de Watkins Glen, que tinha saído do calendário no ano anterior por falta de dinheiro do seu promotor. Ecclestone não hesitou e arranjou o patrocínio da Nissan para fazer um circuito no parque de estacionamento do Ceasar's Palace. O circuito, com 3650 metros, tinha um desenho aborrecido, mas era bem espaçado, com escapatórias e asfalto bem alargado, que permitia ultrapassagens. 

Contudo, o sentido era contrário aos ponteiros do relógio, algo que não acontecia na esmagadora maioria dos circuitos, e o numero de voltas para aquela corrida - 75 - poderia prejudicar os pescoços dos pilotos. E naquele ano, alguns iriam pagar o preço.

Naquela temporada, Las Vegas tornou-se no local onde a Formula 1 iria decidir-se, pois havia três pilotos com chances de vencer: o argentino Carlos Reutemann, num Williams, o brasileiro Nelson Piquet, num Brabham, e o francês Jacques Laffite, num Ligier. Outro francês, Alain Prost, no seu Renault, também poderia ter chances, mas eram bem pequenas.

Reutemann fez a pole-position, com Piquet a ser quarto, à frente de Prost, enquanto que Laffite era apenas o 12º na grelha. Mesmo sendo em outubro, naquele fim de semana, as temperaturas na cidade estavam bem altas, e os pilotos sofriam, especialmente Piquet, que não tinha um pescoço forte. Sugar Ray Leonard, o pugilista de pesos-pesados de então, emprestou o seu massagista à Brabham para cuidar do fisico de Piquet.

Na partida, parecia que Reutemann tinha isto no papo e iria ser o primeiro argentino a ganhar desde Juan Manuel Fangio. Contudo, havia uma guerra interna na Williams, que favorecia Alan Jones, e a ajuda a ele era a mínima. O incidente em Jacarépaguá não tinha sido esquecido, e Jones - o poleman - iria correr a sua própria corrida e não prestar qualquer assistência ao seu "companheiro" de equipa.

Com Paul Newman como diretor de corrida, na largada, Jones saltou para a frente e foi-se embora, enquanto que Reutemann perdeu lugares para Gilles Villeneuve, Alain Prost e Bruno Giacomelli. O argentino cedo teve Piquet atrás de si, e o brasileiro passou-o na volta 17. Por essa altura, o piloto da Williams tinha problemas com o seu carro, por causa de uma caixa de velocidades quebrada. Iria acabar na oitava posição.

Contudo, a grande preocupação era Piquet. Visivelmente lutando contra as dores e o cansaço, Piquet arrastava-se no quinto posto, o suficiente para ser campeão por um ponto, mas tinha a ameaça de Laffite, que não podendo vencer a ele, poderia dar pontos ao argentino. No final, o francês foi sexto, mas não o suficiente para o incomodar. Jones foi o vencedor, efusivamente comemorado pelos mecânicos da Williams (!), com Prost e Giacomelli a acompanhá-lo no pódio.


1982: A primeira de Alboreto e a coroação de Rosberg


A temporada seguinte foi das mais atribuladas da história da Formula 1: greves, boicotes, onze vencedores em dezasseis corridas, duas mortes no pelotão e o acidente grave de um dos candidatos ao título foram alguns dos incidentes que polvilharam a temporada de 1982. E por causa disso, quando a Formula 1 chegou a Las Vegas para disputar a última corrida do campeonato - e a terceira corrida em solo americano, depois de Long Beach e da estreante Detroit - havia três candidatos ao título. Na realidade, dois, porque o terceiro não poderia estar presente.

Didier Pironi parecia que ia ser o primeiro francês a ser campeão do mundo, se não fosse o seu acidente no GP da Alemanha, onde quase perdeu o seu pé direito, e onde praticamente acabou a sua carreira. Sendo assim, havia dois candidatos reais: o finlandês Keke Rosberg, que tinha substituído Alan Jones na Williams, e o britânico John Watson, da McLaren. Ambos estavam separados por nove pontos, e a Rosberg bastava um sexto posto para ser campeão. 

Alain Prost também poderia ter uma chance, por causa das suas vitórias nas duas primeiras provas do ano, mas os problemas crónicos no seu turbo o tinham colocado fora de cena antes desta corrida. Mesmo assim, ele conseguiu ser o "poleman", com o seu Renault turbo, na frente do seu companheiro de equipa, René Arnoux, com a segunda linha a ser preenchida com o Tyrrell de Michele Alboreto e o Ligier-Matra de Eddie Cheever, para gáudio dos locais. Rosberg era sexto, na frente de Watson, o nono.

Na corrida, os Renault dispararam, deixando Alboreto para trás. Mas a partir da décima volta, o Tyrrell começou a andar no ritmo dos Renault, graças à sinuosidade do circuito. Arnoux desistiu na volta 20, por causa do motor, e Prost estava na liderança, com Alboreto a aproximar-se. Atrás, Watson era terceiro, depois de passar Rosberg, Piquet e o Ferrari de Mario Andretti, enquanto que o finlandês queria fazer uma corrida calma, alcançando o quinto lugar que ambicionava para ser campeão do mundo. Alcançou-o na volta 27, quando Andretti seguiu em frente e acabou na gravilha, com um braço da suspensão partida.

Alboreto aproximava-se de Prost até o passar na volta 54, ficando com a liderança. O francês não ficou muito tempo na segunda posição, pois John Watson aproximou-se e o passou. Por essa altura, Prost sofria com o desgaste dos pneus e a vibração que lhes causava. Watson tentou aproximar-se de Alboreto, mas começou a sofrer o mesmo problema e abdicou de apanhar o italiano.

No final, Alboreto dava à Tyrrell a sua primeira vitória desde 1978, com Patrick Depailler ao volante, com Watson e Eddie Cheever no pódio, e com Prost no quarto posto. Keke Rosberg foi o quinto, suficiente para ser o primeiro finlandês campeão do mundo de Formula 1, na frente do seu companheiro de equipa, o irlandês Derek Daly. No final, com os prémios a serem entregues por Diana Ross, todos celebravam o final de uma temporada atribulada.


Depois da Formula 1, a CART


Apesar de ter sido palco de decisões, a corrida foi um fracasso em termos de audiência. Pouca gente foi ver as corridas, e o Ceasar's Palace teve enormes prejuízos em receber a competição. Em 1983, trocaram a Formula 1 pela CART, e a corrida foi agendada para 8 de outubro, antepenúltima corrida do campeonato. A pista foi modificada, unindo as curvas 3, 3 e 10 para formar uma oval distorcida, com a corrida a ter 175 voltas, com tempos a rondar os 36 segundos

A corrida teve John Paul Jr. como "poleman" e Mário Andretti como vencedor, colocando pressão sobre os outros candidatos ao título, o italiano Teo Fabi e o americano Al Unser Sr. John Paul Jr. foi o segundo, na frente de Chip Ganassi (sim, o futuro dono da equipa!) e Unser Sr.

No ano seguinte, a corrida de Las Vegas tornou-se na prova de encerramento do campeonato. Nesse ano, a luta era entre Mário Andretti, da Newman-Haas, e Tom Sneva, da Mayer Motor Racing, a equipa de Teddy Mayer. Danny Sullivan foi o "poleman", mas no final, foi Andretti a levar a melhor sobre Sneva, confirmando o campeonato CART para o piloto italo-americano, conquistado aos 44 anos de idade.

Após esse ano, a Ceasar's Palace desistiu de organizar e financiar uma corrida no parque de estacionamento do seu casino, e o terreno foi cedido para urbanização. Hoje em dia, dois casinos erguem-se onde outrora houve corridas: o The Mirage e o The Forum.

Youtube Motorsport Presentation: A apresentação da Volvo no WTCC

O WTCC vai contar este ano com mais um construtor, a sueca Volvo. Com o seu modelo S60, preparado pela Polestar, o carro debitará cerca de 400 cavalos e terá um motor de 1,6 litros turbo, e terá dois bólidos para os suecos Thed Bjork e Frederik Ekblom.

Na semana em que se estreiam na competição, em Paul Ricard, eles decidiram fazer um video de apresentação ao mundo.

domingo, 27 de março de 2016

Cinco equipas que deram nas vistas... na primeira corrida

Uma semana depois do feito de Romain Grosjean em Melbourne, muitos se lembraram daquilo que fez Jenson Button no mesmo local, sete anos antes, quando pegou no seu Brawn e o levou até à vitória, acompanhado do seu companheiro de equipa, Rubens Barrichello. Os mais velhos lembraram-se de Jody Scheckter e do seu Wolf, que fez o mesmo em Buenos Aires, quase 40 anos antes. Mas isso era bem mais frequente, especialmente nos primórdios da Formula 1. Basta recordar que a Alfa Romeo e Mercedes ganharam a sua primeira corrida na categoria, com duplas e triplas, e a Ferrari subiu ao pódio na sua primeira corrida em que participou.

Então, como fazer disto algo memorável? Simples, colocamos o critério na sua raridade, ou seja, reduzimos as coisas para os últimos 45 anos, ou seja a partir de 1970, para mostrar estes cinco exemplos que colocaremos mais abaixo. A ordem é cronológica.


1 - Jackie Stewart, March, GP da África do Sul de 1970


A March surgiu no inverno de 1970, graças aos esforços de quatro britânicos: Alan Rees, Graham Coaker, Robin Herd e Max Mosley. A marca não era mais do que a junção das iniciais dos seus apelidos, e a ideia era de construir chassis para a Formula 1, Formula 2 e Formula 3. Nesse primeiro ano, havia uma equipa oficial, para Chris Amon e Jo Siffert (pago pela Porsche para que ele não fosse para a Ferrari), mas vendeu chassis para outros, como Ken Tyrrell, que não queria abdicar do seu contrato com a Cosworth e largou a Matra.

Jackie Stewart andou bem nos testes de inverno e a 1 de março, em Kyalami, conseguiu a pole-position, numa primeira linha onde ainda tinha Amon no segundo posto e Siffert no nono lugar da grelha. Na corrida, apenas Stewart chegou ao fim, sendo terceiro classificado, atrás de Jack Brabham e do McLaren de Denny Hulme. Siffert foi apenas décimo, enquanto que Amon acabou por desistir. 


2 - Jackie Stewart, Tyrrell, GP do Canadá de 1970



Não é todos os dias que vemos um piloto envolvido na história de duas equipas, ao dar nas vistas nas primeiras corridas. Durante a temporada de 1970, Stewart, apesar de ter conseguido uma vitória em Espanha, estava insatisfeito com o carro e achou que era altura de Ken Tyrrell fazer o seu próprio chassis, algo do qual sempre se mostrou relutante. Com um engenheiro a bordo, Derek Gardner, este andou ao longo do verão desse ano a construir na garagem da sua casa, aquilo que viria ser o 001, o primeiro projeto da Tyrrell.

Baseado num 701, o 001 tornou-se num carro veloz nas mãos do escocês, e a sua estreia foi marcada para o final da temporada, quando Stewart já não podia alcançar o campeonato. Estreando-se em Mont-Tremblant, palco do GP do Canadá nesse ano, apanhou todos desprevenidos quando faz a pole-position, na frente do Ferrari de Jacky Ickx.


A corrida de Stewart não foi longe: uma quebra de eixo, na volta 31, terminou as coisas por ali, mas o potencial do carro tinha sido mostrado. No ano seguinte, ele ganharia seis corridas e seria campeão do mundo pela segunda vez.


3 - George Follmer, Shadow, GP da África do Sul de 1973


A Shadow era a aventura do americano Don Nichols, que tinha feito a equipa em 1968 (como Advanced Vehicule Systems) para competir na Can-Am. Nos dois anos seguintes, concentrou a sua atenção nessa modalidade, e apesar de serem dominados pela McLaren e pela Porsche, Nichols tinha personagens como o britânico Jackie Oliver, que o fez pensar na ideia de correr na Europa, mais concretamente na Formula 1.

Desenhado por Tony Southgate (ex-BRM), o Shadow DN1 era um carro simples, com motor Cosworth, e estes só estariam prontos na terceira prova da temporada de 1973, o GP da África do Sul. Jackie Oliver seria um dos pilotos, com o outro a ser o veterano americano George Follmer (um dos mais velhos de sempre, aos 39 anos!), ambos pilotos da marca na Can-Am. Com o apoio da petrolífera UOP, os carros negros tiveram desempenhos modestos nos treinos, mas na corrida, o resultado foi melhor, com Follmer usando a sua veterania para acabar na sexta posição, recolhendo um ponto. 

Follmer faria melhor na corrida seguinte, em Espanha, conseguindo um terceiro lugar e o primeiro pódio da marca, enquanto que Oliver ainda daria outro terceiro posto no Canadá.


4 - Jody Scheckter, Wolf, GP da Argentina de 1977


Walter Wolf (n.1939) era um canadiano de origem austríaca que tinha enriquecido a construir e vender brocas para a industria petrolifera. Apaixonado pelo automobilismo, meteu-se na Formula 1 a partir de 1975, comprando metade das ações da Williams. Pouco depois, despachou Frank Williams e contratou algumas pessoas, como Peter Warr (ex-Lotus) e o projetista Harvey Postlethwaithe (ex-Hesketh), para ajudar a construir o que seria o Wolf WR1.


O carro era convencional, e tinha o sempre fiável Cosworth V8, a na sua primeira corrida do ano, em Buenos Aires, eram dos poucos no pelotão que tinha um carro novo. Scheckter colocou o carro no décimo posto da grelha e pensava-se que poderia fazer uma corrida decente até aos pontos. 

Contudo, não foi assim: o sul-africano conseguiu ser veloz e aproveitou o cansaço de alguns e os problemas mecânicos dos outros e acabou a corrida na primeira posição, espantando o mundo da Formula 1, que não esperava nada disso. Na realidade, aproveitou bem o cansaço de José Carlo Pace, no seu Brabham, para o apanhar, a 15 voltas do fim, e também aproveitou as seis quebras mecânicas que houve na sua frente para subir na classificação.

Scheckter venceria mais duas corridas nessa temporada (Mónaco e Canadá) e acabaria vice-campeão do mundo, com 55 pontos. E aquela corrida ficaria nos livros de história para sempre.



5 - Jenson Button, Brawn GP, GP da Austrália de 2009


No final de 2008, a Honda decidiu abandonar precipitadamente a Formula 1, devido aos maus resultados na pista e os prejuízos em termos de vendas nos carros de estrada. Parecia que tudo estaria acabado, mas um grupo de pessoas, liderados pelo projetista Ross Brawn, contratado no inicio desse ano, queriam provar que a decisão da marca em ir-se embora tinha sido errada.

Numa altura em que iriam entrar novos regulamentos, Brawn decidiu desenhar um chassis que fosse capaz de bater a concorrência, com os motores que tinha consigo. O chassis estava a ficar pronto quando os japoneses anunciaram a decisão, e parecia que seria um projeto nado-morto, e aos pilotos Jenson Button e Rubens Barrichello estariam condenados ao desemprego. Mas ao longo do inverno europeu, conseguiu-se arranjar uma solução de emergência: Brawn ficaria com a equipa, teria o seu nome, arranjaria motores Mercedes - verificou-se depois que havia um acordo para ficar com a equipa no final da temporada - e a Honda cumpriria com os seus compromissos, pelo menos para 2009.

Max Mosley até "fechou os olhos" quando descobriu que o difusor traseiro não seria tão "conforme os regulamentos" como esperavam. O carro estreou-se na última ronda de testes em Barcelona, em fevereiro de 2009, e começou a espantar os entendidos, que não queriam acreditar no que aquele carro seria capaz. E ambos os pilotos mostraram isso em Melbourne, quando Button e Barrichello monopolizaram a primeira fila da grelha de partida, e o britânico venceu a corrida, com dobradinha e tudo.

Button venceria mais seis corridas e seria campeão, com Barrichello a subir por mais duas vezes sao lugar mais alto do podio. Ross Brawn seria campeão de Construtores e no ano seguinte, seria rebatizado de Mercedes.

A nova geração dos McRae

Parece que os McRae vão a caminho da terceira geração de pilotos. Diga-se que depois de Jimmy McRae, Colin e Alistair McRae, agora temos Max McRae, filho de Alister e neto de Jimmy. Aos onze anos de idade, Max vive na Austrália com o pai, e anda de karting, mas deseja andar nos ralis, tanto que já andou num Mitsubishi Lancer Evo VIII ao lado do avô, e este ficou impressionado com a capacidade do seu neto.

Fiquei impressionado, pois com a bacquet toda puxada para a frente ele mal chegava aos pedais. Ele disse-me que aprendeu a trocar de caixa num simulador, parece que os tempos mudaram um bocadinho desde a minha altura” disse Jimmy McRae numa entrevista à Motorsport News.

Max McRae - que só poderá andar nos ralis aos 17 anos de idade - disse que conta os dias até correr num carro de ralis. "Já corro há muito tempo no karting, mas seria fantástico guiar um carro de ralis. Deslizar o carro na terra é muito divertido, estou ansioso para ter idade para correr”, contou.

O avô Jimmy revelou também que Alistair e Colin só andaram num carro destes... aos 16 anos de idade. De facto, a nova geração começa a ser cada vez mais precoce nestas coisas.