sexta-feira, 13 de abril de 2018

Formula E: Félix da Costa crente num bom resultado

Na estreia absoluta da Fórmula E em Itália, Roma foi o palco de eleição para receber esta importante categoria Mundial de monolugares cem por cento electricos, que cada vez mais tem chamado a atenção do público, marcas e desta vez... até do Papa Francisco, que viu um dos carros numa audiência no Vaticano, e alguns dos pilotos que fazem parte da competição, como o próprio António Félix da Costa.

No final, depois desta audiência, o piloto português mostra-se confiante que pode voltar a surpreender e lutar por um lugar no grupo da frente, como já sucedeu na corrida do México, onde entrou no grupo da SuperPole.

"Sabemos que a competitividade na Fórmula E é muito elevada e de uma pista para outra podemos sem motivo aparente estar melhores ou piores consoante o carro se adapte às características desse circuito. Temos trabalhado muito para melhorar as nossas áreas mais frágeis e acredito que podemos voltar a surpreender, mas para isso há que entrar com o pé direito nos treinos livres, não cometer erros e na qualificação fazer aquela volta perfeita para largar em boa posição na corrida", afirmou o piloto da BMW Andretti.

A corrida acontecerá amanhã pelas 15 horas de Lisboa, numa pista com 2840 metros e a prova terá 33 voltas.

Por onde andará o troféu do Sonic?

Esta semana, como sabem, passaram 25 anos sobre o GP da europa de 1993, em Donington Park, onde Ayrton Senna fez aquela primeira volta inesquecível - e Rubens Barrichello também, a propósito - e no final, Senna bateu sem apelo e sem agravo os Williams de Alain Prost e Damon Hill. Poderá falar-se da aversão do francês à chuva e de Hill ser um novato na Formula 1, e também do brasileiro ser muito bom neste tipo de condições, mas que ganhou, é verdade. E ganhou com estilo.

Agora, o que não se sabia até agora é que o troféu que ele ergue no pódio, o do Sonic, a mascote da Sega, não era o verdadeiro troféu do vencedor. Na realidade era algo do qual a merca queria fazer publicidade, porque era o patrocinador desse Grande Prémio... e da Williams, seu rival. Provavelmente, eles esperavam que Prost ou Hill pegassem no "caneco" e daí vendessem mais uns Master System ou Mega Drives, mas foi o seu maior rival que ficou com o caneco. Mas...

Quem lê a página da Wikipédia em inglês sobre o GP da Europa de 1993, vai descobrir no último parágrafo a seguinte afirmação: 

"No final da corrida, Senna foi levado ao pódio e recebeu um troféu que mostrava a mascote da Sega, Sonic the Hedgehog, segurando um troféu com o logo da Sega embaixo. Uma imagem amplamente divulgada na internet mostra Senna segurando o troféu. Ao contrário da crença popular, este não é o prêmio que Senna recebeu por ganhar o Grande Prémio, mas sim um troféu falso [para efeitos de publicidade]. Imagens de vídeo mostram que, depois de tirada a foto, ele recebeu o prêmio, um troféu que não retrata nem o Sonic the Hedgehog nem o logotipo da Sega. A localização atual do famoso troféu Sega é desconhecida" (tradução feita por mim).

Esta semana, o pessoal do Grand Prix Diary escreveu um artigo na rede social Drivetribe a perguntar pelo destino desse troféu. Teve uma resposta veloz da McLaren, dizendo na sua conta oficial no Twitter que o troféu está na sua sede, em Woking, e mandou uma foto a provar a sua localização. Parece estar num canto, um pouco esquecido, entre milhares de caixas existentes na sede.

Pois bem, está a haver "polémica". Pedro Falcão, que trabalha na Vice Brasil, afirmou na sua conta pessoal do Twitter que o troféu deveria estar no instituto Ayrton Senna, em São Paulo, "onde merecia estar", segundo diz ele. Acho que também seria o local apropriado, mas como se sabe, Ron Dennis tinha a mania de que todos os troféus da equipa deveriam ficar na sede e não nas salas de troféus dos pilotos. 

Não sei como será com a nova administração, e como este troféu está escondido num canto da fábrica, provavelmente não seria mal de todo se fosse para São Paulo. Ainda por cima, uma corrida tão importante na carreira (e no mito) do piloto brasileiro...

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Para conhecer John Miles (parte 1)

John Miles, falecido neste domingo aos 74 anos de idade, teve uma carreira curta mas valorosa. Boa parte dela ficou ligada à Lotus, apesar de também ter passado pela BRM e Brabham. Em muitos aspectos, era um engenheiro de alma e olhava o automobilismo como das únicas coisas na sua vida. Tudo isto num dos ambientes mais improváveis de acontecer: a sua familia era toda do teatro e do cinema, com os seus pais armados como cavaleiros pelos seus serviços relevantes na arte da representação. O bicho das corridas veio dos seus tios maternos, engenheiros automotivos desde muito cedo na sua vida.

Em outubro de 2014, o jornalista Sid Taylor entrevistou-o para um almoço que ficou captado para a posteridade nas páginas da Motorsport. E é nessas páginas que se ouve, em jeito de entrevista (ou confissão) sobre os bastidores da Formula 1 - e do automobilismo em geral - no tempo em que viveu. Com pormenores bem interessantes sobre alguns pilotos que conheceu em vida. E claro, vale a pena ler isto, do qual traduzi algumas partes.

"Quando um piloto decide pendurar o capacete, ele tem que encontrar uma maneira de lidar o resto de sua vida. Para a maioria, é muito difícil se livrar da paixão que trouxe provavelmente a maior emoção que já experimentaram. Alguns continuam trabalhando no desporto [que amam], gerindo equipas de uma maneira ou outra. Outros usam as [suas] energias competitivas que os fizeram grandes pilotos para encontrar sucesso no mundo comercial. Alguns continuam a aparecer nos cockpits no Goodwood Revival e em outros eventos históricos. E os outros estão sempre olhando para os seus grandes dias na pista, felizes por descrever cada corrida, cada volta, para quem quiser ouvir.

John Miles não é assim. Ele chegou à Fórmula 1, e ficou envolvido num drama terrível que atingiu a Lotus e, mesmo enquanto estavam a vencer o campeonato mundial para pilotos e construtores, sofreu a morte de seu líder, Jochen Rindt. Antes disso, John dominou suas categorias nas corridas britânicas e, depois disso, venceu o British Sports Car Championship. Então, ele virou as costas completamente, indo para uma carreira de sucesso, primeiro como jornalista técnico, e depois como engenheiro de design na indústria automobilística. De hatchbacks a supercarros, vários modelos principais se beneficiaram, geralmente de forma anónima, de sua compreensão sensível no seu manuseio [em estrada]. Agora ele trabalha para a empresa de componentes automotivos Multimatic, de sua base em Norfolk.

Enquanto isso, ele criou e dirige uma editora musical especializada [em jazz] que apresenta vários excelentes expoentes do jazz moderno britânico, e recentemente ele voltou às suas raízes desenvolvendo um par de Austin 7 sofisticados, apenas por diversão.

Mas ele não gasta tempo pensando no passado ou na carreira de automobilismo. Seu carro do dia-adia é um Ford Focus: seu lábio se enrola quando pergunto se é o modelo ST mais impetuoso de corrida. Não é para ele as reuniões sociais com outros ex-pilotos no clube BRDC em Silverstone; na verdade, ele nem é membro do BRDC. Nunca esteve no Goodwood Revival. Em vez disso, ele desfruta de uma vida plena e ocupada utilizando suas consideráveis ​​energias em várias direções, olhando para frente, não para trás.

Feitas as apresentações, Taylor e Miles gozam um almoço calmo em Norfolk, ao pé da sua casa. E contou como começou a meter-se no automobilismo: aos 16 anos, num velho Austin 7, que usava para tudo: como "daily driver" e competir em pistas como Oulton Park, a 320 km de Londres, onde vivia.

Depois disso, andou num Jaguar em corridas de Sports na Grã-Bretanha, e quando venceu, pensou que tinha de vencer mais para atrair a atenção de gente importante. Atraiu Don Sim, fundador e dono da Diva Cars, que em 1964 construiu um chassis com um motor de 1000cc da Ford. Venceu o campeonato e ainda foi aos 1000 km de Nurburgring onde, ao lado de Peter Jackson, venceu na classe 1000cc.

“Tinha apenas 20 anos. Eu tinha ido mais ou menos diretamente dos Austin 7 para o Nürburgring, mas eu estava tão sonhador sobre automobilismo que nenhum dos riscos me ocorreu. Eu não tive nenhuma ambição de ser um piloto de Fórmula 1. Eu queria dirigir carros desportivos. GT40, Cobras e coisas assim. Eu estava mantendo a Diva em um velho cais ao lado da Mermaid [Mermaid Teather o teatro fundado pelo seu pai], tentando prepará-la à noite debaixo de uma lâmpada, e eu não tinha instalações nem apoio." 

"Percebi que, para continuar a ser bem-sucedido, precisava de ajuda profissional. Então eu fui ver Jeff Uren no Willment, e isso foi um ponto de viragem. Eu propus que eles preparassem um motor de 1650cc para mim e trabalhei para eles, então, efetivamente, isso não custaria nada. Isso funcionou muito bem: durante a temporada de 1965, com a Diva agora na cor vermelha com listras brancas [cores usadas pela Williment], eu ganhei quase tudo. Eles me pagavam um salário de 1000 libras por ano, e eu caçava objetivos: se eles precisassem, digamos, de uma capa automóvel para seus kits de conversão de estrada, eu teria os desenhos feitos e entregava-os”.

Em 1966, Miles comprou um Lotus Elan, e com ele correu em provas na Grã-Bretanha... e Portugal. "Fiz principalmente eventos britânicos, embora tivéssemos uma viagem a Portugal e feito aqueles circuitos de estrada em Vila Real, Cascais e Montes Claros, em torno dos parques. Quando você olha para esses lugares hoje, você pensa: "Caramba!" Willment também me inscreveu numa corrida em Brands Hatch no seu Cobra coupé, e ganhei."

Uma das corridas que fez com o Elan fora em Brands Hatch, uma prova de 15 voltas onde perdeu o capô do seu carro na primeira volta. Colocaram um novo e quando voltou à pista, era 15º, começando ali uma prova de recuperação "com a faca nos dentes" que acabou com ele no segundo lugar à entrada da última volta, passando Bernard Unett na última curva, vencendo ao "sprint". Entre os que assistiam essa corrida estava Graham Arnold, o diretor de vendas da Lotus, e avisou de John Miles a Colin Chapman.

Seis meses depois, em Oulton Park, Miles estava a arranjar o seu carro quando Chapman apareceu com uma proposta: guiar um Lotus Cortina no lugar de Jim Clark, que estava atrasado. Miles deu quatro voltas com ele até que o escocês apareceu, com ele a devolver o carro.

Mas Chapman não desistiu: convidou-o a guiar um modelo 47 numa corrida no Boxing Day, no final de 1966. Ele alinhara ao lado de Jackie Oliver, vencendo e alcançando a volta mais rápida, mais do que o suficiente para Chapman dizer: "Excelente! Quero-te na minha equipa no ano que vêm".

“Em 1967 eu corri com o Lotus 47 de fábrica e o 41 Fórmula 3, e estava tão ocupado que não tive tempo de respirar. Na maioria das provas, eu corria com dois carros diferentes, em duas sessões de treinos e duas corridas. Eu fiz muitos testes também, então minha técnica já estava a desenvolver. Naquela época, o [campeonato de] F3 com 1000cc era incrivelmente bem disputado. Na minha primeira corrida, em Silverstone, eu nunca tinha feito o slipstreaming antes e perdi quatro lugares na última volta. Eu terminei em décimo - e estava 0,8 segundos do vencedor. Era assim"

“E eles eram uma grande multidão: Charles Lucas, Roy Pike, Chris Williams, Derek Bell e o resto, eu me dei muito bem com todos eles. Mas o Lotus 41 não era um carro fácil de pilotar: porque era muito curto, era imperdoável e precisava de grande precisão. Uma vez recebi dispensa da Chapman para correr um Brabham BT21 em Portugal. Que diferença! Tão fácil comparado aos 41, e as corridas em F3 eram tão próximas que pequenas vantagens significavam muito. Para 1968 Dave Baldwin alongou o 41 por quatro polegadas e Alan Barratt fez um novo corpo em forma de cunha, e este foi o 41X. O carro foi transformado e ganhei quatro internacionais com ele. Mas Chapman não demonstrou interesse naquele carro. Ele não se importava se funcionava ou não".

Amanhã há mais.

GP Memória - Argentina 1998

Duas semanas depois de terem corrido em paragens brasileiras, o pelotão da Formula 1 estava em paragens argentinas para correr no Autódromo Oscar Galvez, em Buenos Aires. No campeonato, a Ferrari tinha de reagir depois de duas vitórias consecutivas de Mika Hakkinen, que o fizeram disparar para a liderança, com Michael Schumacher a ter apenas quatro pontos no campeonato, resultado de um terceiro posto no Brasil.

Nos bastidores corria o rumor de que a organização estava em dificuldades, com a Formula 1 a ficar crescentemente furiosa com as exigências de agências governamentais para lhes "facilitar" a vida, e a própria organização a não ter lucros com a presença da competição no circuito argentino. Assim sendo, o futuro da Formula 1 em paragens argentinas estava em dúvida... 

Com os McLaren parecendo passear nas pistas, não surpreendeu ninguém quando na qualificação, David Coulthard conseguiu ser mais veloz do que Michael Schumacher, enquanto que Mika Hakkinen foi o terceiro, à frente de Eddie Irvine. Ralf Schumacher, no seu Jordan, era o quinto, na frente dos dois Williams de Heinz-Harald Frentzen e Jacques Villeneuve. Alexander Wurz, no seu Benetton, foi o oitavo, e a fechar o "top ten" ficaram o Jordan de Damon Hill e o Sauber de Jean Alesi.

Debaixo de céu nublado - mas não choveu - Coulthard partiu na frente, com Schumacher a ser apanhado por Hakkinen e ser relegado para terceiro. Mas Schunacher reagiu e passou Hakkinen na segunda volta e começou a atacar Coulthard para ficar com o comando. Atrás, Frentzen passou Irvine para ser quarto, mas o irlandês voltou a esse lugar na volta 4. Por essa altura, o alemão da Ferrari já estava ao ataque e quando na volta 6, Coulthard errou na saída de uma curva, Schumacher aproveitou e passou para o comando... mas não sem tocar nele. Por causa dessa ultrapassagem musculada, o escocês acabou na berma e quando voltou ao asfalto, tinha caído para o sexto lugar.

A partir dali, a estratégia instalou-se. Schumacher pretendia parar duas vezes, enquanto que Hakkinen iria parar apenas uma, para andar mais leve e imprimir maior ritmo. O alemão parou na volta 28, trocando a liderança para o finlandês e quando o alemão teve de parar de novo na volta 43, a tática compensou: Schumacher herdou a liderança até ao final, acabando por ser a estratégia mais acertada. 

No final, o alemão venceu com 22 segundos de vantagem sobre Hakkinen e 55 sobre Eddie Irvine, dando à Ferrari a sua primeira vitória do ano. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Benetton de Wurz, o Sauber de Alesi e o McLaen de Coulthard.

A nova visão da Formula 1




No final de semana do GP do Bahrein, o pessoal da Liberty Media decidiu apresentar as linhas gerais do que quer ver a partir de 2021 na Formula 1. Essencialmente tinha a ver com um corte de custos e redistribuição de receitas entre as equipas, especialmente do dinheiro que é distribuído pela FOM. 

A ideia é de deixar um pouco a tecnologia para dar prioridade ao espectáculo. A parte da tecnologia ainda não foi mostrada, nas fala-se desde há algum tempo - pelo menos da parte da FIA e um pouco por Ross Brawn - que pretendem simplificar os motores, para serem um pouco mais baratos de se fazer. Continuariam a ser motores 1.6 turbo, mas por exemplo, só teria uma unidade de recuperação de energia, um MGU-H ou MGU-K, o que faria baixar o preço dos motores, que andavam à volta dos 15 milhões de euros em 2014, mas provavelmente já terão baixado um pouco desde então.

E caso baixe muito esses custos, provavelmente poderia ser suficiente para ver, por exemplo, uma McLaren a construir os seus próprios motores. Mas isso é, por agora, matéria de pura especulação.

Para além disso, a Liberty Media disse que está a busca de "aumentar as ultrapassagens por meio de um novo projeto para os carros. A tecnologia deve seguir ditando o caminho, mas a habilidade do piloto deve ser predominante para a performance final do carro", segundo consta no comunicado.

Apesar de pretenderem que os carros sejam diferentes uns dos outros, como são até agora, o grupo também entende que áreas "não relevantes para o público devem ser padronizadas". Provavelmente partes que não vemos no carro.

Estas tabelas de distribuição de prémios que mostro aqui retirei-as do Twitter pessoal do Ricardo Divila (sim, esse Ricardo Divila), onde mostram o que distribuído agora e o que a Liberty Media pretende distribuir daqui a três anos. Essencialmente, pretendem fazer uma distribuição mais equitativa de um bolo com cerca de mil milhões de dólares (ou um bilião, se preferirem). Equipas como a Ferrari, Mercedes e Red Bull teriam perdas de até 135 milhões de dólares por temporada, enquanto que as mais pequenas como a Sauber ou Haas teriam ganhos de até 35 milhões. Em suma, haveria uma igualdade em termos de distribuição de dinheiros por parte da FOM.

Claro, ao ver todos estes planos, as equipas ficaram zangadas. Falou que no fim de semana do Bahrein, Maurizio Arrivabene e Toto Wolff juntaram-se e disseram que não estavam felizes com aquilo que viam, e prometeriam retaliar, não sabendo onde e como, e que o ambiente estava tenso entre ambas as partes. E ver por ali Bernie Ecclestone no paddock também não ajudou muito, dada a reputação dele de minar as coisas nos bastidores...

Apesar de tudo, a Liberty Media quer dar algumas coisas à Ferrari, devido ao seu estatuto de antiguidade. Mas daquilo que vejo na nova coluna, parece mais que vão perder muito dinheiro do que ganhar. Vamos a ver a reação do CEO, Sergio Marchionne, que poderá tentar puxar o "bluff" até a um nível de "ou nós ou nada", e não ficaria admirado com isso. E creio que é nessa altura que iriamos ver até que ponto é que vai a coluna vertebral dessa gente. Ter a Ferrari é um previlégio, mas ter a Ferrari a todo o custo foi o que Bernie Ecclestone fez ao longo dos últimos 15 anos de mandato. Tanto que há quem dia que o atual Acordo da Concórdia não é mais do que um conjunto de acordos individuais entre a FOM e as equipas, com clausulas vantajosas em termos financeiros...

Veremos. Até 2021, muita água passará debaixo das pontes. Agora, é a vez da China receber o pelotão da Formula 1.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

A imagem do dia

Neste dia em que falamos de algo que aconteceu no domingo de Pascoa de 1993, permitam-me que fale de um "herói desconhecido". Chama-se Rubens Barrichello e enquanto as câmaras estavam focadas no seu compatriota Ayrton Senna, que passava Michael Schumacher, Karl Wendlinger, Damon Hill e Alain Prost, ele passava oito carros nessa mesma volta, subindo de 12º para quarto, a bordo de um mero Jordan-Hart.

Se formos ver atentamente os videos da "volta dos deuses" de Senna, especialmente a partir da curva onde passa Prost, podem ver o buraco que existe entre os três primeiros e o quarto classificado, o resto do pelotão, diga-se. E ali, na ponta desse pelotão, podem ver um jovem de 20 anos, no seu terceiro Grande Prémio de uma longa carreira - só sairá da Formula 1 em 2011 - que aproveita o facto de também ser bom à chuva para mostrar serviço. Infelizmente, as câmaras não apanharam essa parte, mas pouco depois, souberam do que tinha feito e também o acompanharam.

Foi uma corrida tão boa como a de Senna, e ainda por cima, tinha um carro inferior a boa parte do pelotão. A Jordan estava no rescaldo da desastrosa temporada de 1992, onde com o motor Yamaha, apenas tinha conseguido um ponto com Stefano Modena na última prova do campeonato, na Austrália. E naquela temporada, o segundo lugar iria ter uma espécie de "aluga-se": Ivan Capelli, desanimado, tinha decidido abandonar a Formula 1, e ele foi buscar o belga Thierry Boutsen, que tinha ficado sem lugar depois de ter corrido nas duas últimas temporadas na Ligier.

A chuva poderia fazer "guerreiros do piso molhado", conseguindo fazer muito com muito pouco. Todos olhavam para Senna, que fazia algo que já tinha feito no Mónaco 84, com o seu Toleman, ou Estoril 85, com o seu Lotus, mas atrás, e até aquela corrida, ninguém sabia quem era Rubens Barrichello. E essa é a verdadeira surpresa, e o verdadeiro feito do piloto brasileiro.

Rubinho andou muito bem. A certa altura, o pódio era uma realidade bem tangível, o que teria sido o primeiro da equipa, e a uma certa altura, começou-se a falar que o feito dele era tão bom como o de Senna, mas sem câmaras a segui-lo. Contudo, no final, a bomba de combustível do seu Jordan cedeu a seis voltas do fim, privando-o de um grande resultado. Na realidade, classificou-se no décimo posto, mas isso não reflete a verdadeira natureza da sua exibição naquela tarde chuvosa de abril.

Contudo, teve tempo para entrar na história da equipa. Ficou na equipa até 1996, dando-lhes os seus primeiros pódios e a sua pole-position, no GP da Bélgica de 1994. 

Youtube Formula 1 Classic: A primeira volta de Donington, 1993


Todos se recordam hoje que passam 25 anos sobre a famosa primeira volta de Ayrton Senna em Donington Park, onde passou cinco carros na primeira volta e acabou na liderança de uma corrida onde o boletim meteorológico teve uma influência fundamental no desempenho dos pilotos, fazendo sobressair "guerreiros do piso molhado" como era Senna.

Aqui coloco dois vídeos: um da McLaren, outro do canal oficial da Formula 1, com comentários dos míticos Murray Walker e James Hunt. Sobre esse dia, falarei mais tarde.

Formula E: Porsche e Mercedes confirmados na próxima temporada


A Formula E confirmou hoje que a Porsche e a Mercedes foram inscritas na próxima temporada da competição com equipas próprias. Ambas terão os novos bólidos da Gen2, que entrarão em ação na temporada 2018-19.

Com a confirmação de ambas as marcas, numa competição com cada vez mais marcas presentes, como a Nissan (no lugar da Renault), BMW, Audi, Mahindra, Jaguar e DS, entre outros. E também com estas confirmações, a grelha de partida da Formula E fica alargada para 12 equipas, 24 carros no total. 

Por causa desta vasta lista de inscrições, Alejandro Agag, CEO da competição, está muito satisfeito com a situação actual.

“Fico feliz em ver tanto a Mercedes-Benz como a Porsche  na lista oficial de fabricantes homologados para a sexta temporada . Continuamos a exceder todas as expectativas iniciais estabelecidas quando começamos esta jornada há apenas quatro anos. Se me tivessem dito que teríamos tantos nomes reconhecidos no mundo do automobilismo, e os maiores fabricantes de carros de estrada, teria achado uma loucura. Mas esta é a realidade agora. Combinando isso com a lista cada vez maior de parceiros que participam da revolução das corridas elétricas e está claro que o Campeonato de Fórmula E da ABB FIA é um lugar muito interessante para se estar no automobilismo”, comentou.

A Formula E volta à ação este sábado nas ruas de Roma, para a sexta prova do campeonato.

CNR: Pilotos juniores da Toyota em Mortágua

A Toyota Gazoo Racing WRT inscreveu os japoneses Takamoto Katsuta e Hiroki Arai para o Rali de Mortágua, terceira prova do campeonato nacional de ralis, que se disputará dentro de duas semanas. Ambos irão estar à partida ao comandos de Ford Fiesta R5. 

A participação destes dois pilotos nipónicos no Rali de Mortágua (lado a lado com Tommi Makkinen na foto) tem a ver com o vasto programa que a Toyota Gazoo Racing lhes deu para esta temporada, com vista a prepará-los para em eventual futuro no Mundial de Ralis. Ambos já estiveram no Rali da Suécia e na semana passada, no Rali da Corsega, com posições algo modestas na classe WRC2: Katsuka terminou em oitavo e Arai em nono.

A participação neste rali visa prepará-los para o Rali de Portugal, como vai fazer Yazeed Al-Rahji, mas a bordo do seu Fiesta WRC, que vai funcionar como um "carro zero".

O Rali de Mortágua, organizado pelo Clube Automóvel do Centro arranca na sexta-feira, dia 27 de Abril com o Águeda Street Stage, com 2560 metros de extensão.

terça-feira, 10 de abril de 2018

A imagem do dia

Keke Rosberg, no fim de semana da Race of Champions de 1983. Há precisamente 35 anos, em Brands Hatch, acontecia a última corrida extra-campeonato da história da Formula 1. A Race of Champions, que acontecia uma semana antes do GP de França, levou dez carros para competir na pista britânica, na famosa alternância entre essa pista e Silverstone, quando recebiam ambos o GP da Grã-Bretanha.

Nos anos 60 e 70, provas como a Race of Champions ou o International Trophy eram competições extra-campeonato que faziam aparecer os carros de Formula 1 para ver até que ponto estavam em forma para as corridas que aconteceriam dali por diante. Num calendário com apenas dez ou doze corridas, e com meses de distância entre provas, estas corridas eram a melhor forma de dar aos espectadores uma visão dessas máquinas em pista.

Contudo, no final dos anos 70, o calendário encheu-se com mais provas na Europa e fora dela, e o poder da televisão fazia com que este tipo de provas fossem cada vez mais desnecessárias. Mesmo corridas com tradição como a Race of Champions teriam de viver sem os carros de Formula 1 e arranjar outros carros, como a Formula 2 ou mais tarde, a Formula 3000.

A última vez que Brands Hatch tinha recebido carros de formula 1 para a sua Race of Champions tinha sido em 1979, quando Gilles Villeneuve bateu Niki Lauda e Mário Andretti para ser o vencedor, e quatro anos depois, treze carros iriam participar, incluindo uma estreia: Stefan Johansson, no seu Spirit-Honda. Para o sueco era um regresso, mas a nova equipa, que tinha tido um sucesso na Formula 2, era um salto acompanhado dos motores Honda Turbo, que voltavam depois de quinze anos de ausência.

De todos, o único que alinhou com dois carros foi a Theodore, com Roberto Guerrero e Brian Henton no lugar de Johnny Cecotto. Foi uma corrida interessante, com Keke Rosberg, o poleman, a conseguir superar René Arnoux para ser o vencedor da corrida de 40 voltas. Depois disso, a ideia de uma corrida extra-campeonato passou para os livros de história, e nos tempos que correm, essa ideia é cada vez mais uma improbabilidade.

Formula E: Bilhetes para Zurique esgotaram-se em 90 minutos

O regresso do automobilismo à Suíça, depois de quase 63 anos de ausência, está a ser um sucesso. A prova da Formula E, que vai acontecer a 10 de junho, começou ontem a vender os seus bilhetes... que esgotaram em pouco mais de hora e meia, segundo conta a organização.

Depois da aprovação no parlamento suíço em 2015 do levantamento da proibição das competições em circuitos, na condição de estes serem de carros elétricos, tentou-se fazer circuitos em alguns lugares na Suíça, como Lugano, onde Jarno Trulli poderia estar por trás dessa tentativa. No entanto, foi Zurique que venceu nessa corrida, e na altura, os organizadores e a competição assinaram no ano passado um acordo para receber a competição até 2027, como prova de fé do sucesso da competição.

A corrida de Zurique vai ser a 10 de junho e será a última prova em terras europeias antes da dupla jornada final em Nova Iorque, a 14 e 15 de julho.

Formula E: Nico Rosberg vai andar em Berlim

Não é o regresso ao automobilismo competitivo, mas Nico Rosberg vai andar em Berlim a bordo do "Gen2" o novo carro da Formula E que vai ser usado a partir da próxima temporada. A demonstração foi anunciada esta terça-feira, nas vésperas da competição voltar a acontecer, desta vez nas ruas de Roma.

“Estou muito empolgado por poder guiar o Gen 2”, começou por dizer Rosberg, o campeão do mundo de Formula 1 em 2016. “Será óptimo experimentar este novo carro  e vamos ver se ainda estou em forma! Fazer isto em Berlim torna a ocasião ainda mais especial, pois sempre adorei competir no meu país.  Desde que abandonei a Formula 1, que me tornei muito interessado no movimento de e-mobilidade e no seu potencial para causar um impacto positivo na nossa sociedade e no nosso ambiente. Por isso, também acreditei no potencial da Fórmula E e entrei como investidor há já algum tempo.”

Já, Alejandro Agag, o CEO da competição, estava obviamente satisfeito por ver um nome de relevo do desporto motorizado associado ao seu campeonato:

“É um momento muito especial ver um novo carro pela primeira vez em público e é necessário um nome igualmente especial para ter essa honra. Ver Rosberg  no  Gen2 em frente aos fãs alemães em Berlim, é um momento alto para o campeonato. Ele é um embaixador incrível para o automobilismo mundial e um campeão, por isso é fantástico tê-lo connosco como investidor e accionista.“, afirmou.

A próxima corrida da Formula E vai ser nas ruas de Roma, este sábado.

Youtube Motorsport Testing: As voltas do Porsche 919 Hybrid em Spa


No ano em que a Porsche vai se dedicar a bater recordes de volta nos circuitos mais importantes do mundo, surgem por estes dias videos do 919 Hybrid a dar as suas voltas no circuito de Spa-Francochamps, no dia em que bateu o recorde da volta mais rápida, dando a um carro de Endurance um título que não tinha desde 1971.

Não há (ainda) um video oficial desse recorde, mas há alguns de pessoas que filmaram o carro enquanto fazia as suas voltas. Eis duas delas que encontrei no Youtube. 

Youtube Formula 1 Highlights: As melhores comunicações do GP do Bahrein

E como ontem coloquei aqui um video dos melhores momentos do GP do Bahrein, também coloco aqui os melhores momentos que o pessoal da Formula 1 escolheu em termos de rádio. Claro, muitos piiis à mistura, mas essa é a parte divertida, também!

The End: John Miles (1943-2018)

O britânico John Miles, piloto da Lotus em 14 Grandes Prémios entre 1969 e 1970, e o último companheiro de equipa de Jochen Rindt, morreu este domingo aos 74 anos de idade. Para além de ter sido piloto, foi também diretor da Lotus no final dos anos 80.

Nascido a 14 de junho de 1943, era filho do ator de teatro e cinema Bernard Miles, um dos mais talentosos da primeira metade do século, e de Josephine Wilson, também atriz. A sua irmã Sally Miles também se tornou atriz, enquanto outra irmã. Bridget Miles, tornou-se pintora. Mesmo John, tendo seguido um rumo totalmente diferente, mais tarde na vida se dedicou à musica, fundando uma editora de jazz.

A sua carreira começou em 1963, aos vinte anos, em Turismos, vencendo convincentemente o campeonato, com 15 vitórias em 17 corridas num Diva de motor à frente. Depois passou para a Formula 3, a bordo de um Lotus 41, onde deu nas vistas o suficiente para ser convidado no final de 1968 para se juntar à Lotus, como piloto de testes da marca.

Em 1969, Miles fica encarregado de pilotar e desenvolver o modelo 69, de quatro rodas motrizes, uma tentativa da marca de conseguir um carro com maior aderência. Uma tentativa que mais tarde se revelou fracassada. Estreou-se no GP de França, em Charade, a bordo desse mesmo modelo, mas não terminou a prova. Aliás, o seu melhor lugar foi um décimo posto no GP da Alemanha, no temido Nordschleife.

Miles sobre de estatuto no final de 1969 quando Graham Hill sofre um sério acidente durante o GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen, e em 1970, começa o ano como piloto oficial, ao lado de Jochen Rindt. Corre em Kyalami com o modelo 49C, no qual ele conquistará um quinto lugar, mas ele já andava a testar o novo modelo de Chapman, o Lotus 72. Um carro que causava receios a Rindt, o seu piloto numero um, que após um teste falhado em Jarama, teve uma grande discussão com Chapman acerca da sua segurança. Foi Miles que ficou com o carro, não tendo conseguido qualificar.

Voltou a usá-lo a partir do GP da Belgica, em Spa-Francochamps, mas enquanto Rindt ganha confiança no modelo e vence corridas atrás de corridas, Miles não conseguia voltar a pontuar, não tendo conseguido melhor do que um sétimo posto na Holanda. O seu estilo cerebral e "certinho" não agradava a Chapman. Anos depois, em 2014, numa entrevista à Motorsport, Miles disse que Chapman via-o como um mero funcionário, pagando-lhe 300 libras por corrida, que servia para pouco mais do que pagar as despesas de viagem. A partir do GP da Grã-Bretanha, ambos terão a companhia de um jovem brasileiro de 23 anos chamado Emerson Fittipaldi.

Em Monza, era costume os pilotos e as equipas tirarem os suportes aerodinâmicos dos seus carros, pois estes eram inúteis um circuito essencialmente de velocidade. Chapman, com a concordância de Rindt, tirou as asas dos seus carros, algo que assustou verdadeiramente Miles, que se recusou a fazer tal coisa. E quando na qualificação de Sábado, Rindt teve o seu acidente mortal e por consequência Chapman retirou os seus carros da competição, foi a gota de água para ele, decidindo abandonar a equipa, e quase imediatamente, a Formula 1. Foi Emerson que ficou com as rédeas da equipa, e venceu em Watkins Glen.

Em 1971, Miles foi trabalhar para a BRM, onde ajudou a desenvolver o motor V12 e participou em algumas corridas extra-campeonato, e no ano seguinte, vence as Seis Horas de Paul Ricard a bordo de um Ford Capri, ao lado de Brian Muir. Em 1973, retira-se de competição para se dedicar a ser piloto de testes nas revistas da especialidade. 

No inicio da década de 90, Miles volta à Team Lotus, onde vai trabalhar como engenheiro de pista para a uma equipa agora comandada por Peter Wright, um dos antigos colaboradores, primeiro de Chapman e depois de Peter Warr. Lá ficou até ao fecho de portas, no inicio de 1995.