segunda-feira, 4 de maio de 2009

GP Memória - San Marino 1999

Depois de duas provas fora da Europa, a Formula 1 estreava-se em paragens italianas, com quase sempre acontecia desde 1981. O circuito de Imola acolhia mais uma vez o GP de San Marino, praticamente no mesmo fim-de-semana onde cinco anos antes, acontecera a mais negra corrida de sempre.


Obviamente, tais acontecimentos não passaram despercebidos ao pessoal da Formula 1, ainda mais sabendo que estavam a passar cinco anos sobre aquela data, mas neste fim de semana, o que mais importava era o duelo entre Mika Hakkinen e Michael Schumacher pela liderança do campeonato. Schumacher ainda não tinha ganho qualquer corrida neste ano, e pretendia marca presença no lugar mais alto do pódio, sob pena de ver o seu rival escapar.



No pelotão da Formula 1, havia duas mudanças. A Minardi voltava a ter Luca Badoer no seu lugar, recuperado que estava do pulso partido que o impediu de disputar o GP do Brasil. Na BAR, sabendo que Ricardo Zonta estaria de fora por mais de um mês, Craig Pollock foi buscar o finlandês Mika Salo, que tinha ficado sem emprego após a sua saída da Arrows, em 1998, para o substituir por três corridas. Salo acusou um pouco o desconhecimento do carro e partiu da 19ª posição da grelha.


Nos treinos o melhor foi Mika Hakkinen, no seu McLaren-Mercedes, numa primeira fila totalmente McLaren, pois David Coulthard ficou a seu lado. Na segunda fila, Michael Schumacher foi melhor do que Eddie Irvine, fazendo com que a segunda fila fosse “Rossa”. Na terceira fila, Jacques Villeneuve levava a BAR ao seu melhor lugar de sempre na sua curta história, tendo a seu lado o Stewart-Ford de Rubens Barrichello. Na quarta fila ficavam os Jordan de Heinz-Harald Frentzen e Damon Hill e a fechar o “top ten” estavam os Williams-Supertec de Ralf Schumacher e de Alessandro Zanardi.


Na partida, Hakkinen dispara na liderança, deixando todo o pelotão para trás, e ganhava vantagem a cada volta que passava. Na 17ª passagem pela meta, tinha uma vantagem de 14 segundos sobre o seu companheiro de equipa, quando comete um erro inesperado: acelera cedo demais sobre o corrector e o carro guina para a esquerda, em direcção do muro externo, embatendo e acabando a corrida naquele momento. Nessa altura, Schumacher, que tinha uma só paragem programada, tal como Coulthard, decidiu mudar de estratégia, seguindo os conselhos do seu estrategista-chefe, Ross Brawn.


Ágil no seu carro, Schumacher aumentou o ritmo de forma a estar mais leve e assim tentar bater Coulthard nas boxes. Na volta 31, Schumacher reabastece pela primeira vez, quatro voltas antes de Coulthard. Quando o escocês volta á pista, já Schumacher tinha ficado com o comando para não mais o largar. Para piorar as coisas, Coulthard foi prejudicado nas ultrapassagens a retardatários como Olivier Panis, Giancarlo Fisichella e o japonês Tora Takagi. Isso, aliado ao forte ritmo que Schumacher deu antes da volta 45, altura do seu segundo reabastecimento, fez com que no final, tivesse dado á Ferrari a sua primeira vitória no Autódromo Enzo e Dino Ferrari desde Patrick Tambay, em 1983, e a sua primeira vitória do ano para o alemão. Tudo graças ao golpe brilhante de Ross Brawn, ajudado pelo estilo de Michael Schumacher.


No lugar mais baixo do pódio ficava Rubens Barrichello, dando o primeiro pódio do ano para a Stewart, batendo Damon Hill num duelo particular por esse lugar. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Benetton de Giancarlo Fisichella e o Sauber de Jean Alesi.


Fontes:

Santos, Francisco – “Formula 1 1999/2000”, Ed. Talento, Lisboa/São Paulo, 1999.


http://en.wikipedia.org/wiki/1999_San_Marino_Grand_Prix
http://www.grandprix.com/gpe/rr633.html

Porque será que não estou surpreendido?

Rubens Barrichello tem este ano uma segunda vida na Formula 1, isto é certo. Depois de 17 temporadas, e de bater um recorde de Grandes Prémios, e apesar de meio Brasil pedir a sua reforma, continua com vontade de correr por mais alguns anos na elite do automobilismo mundial, agora que este ano está nos lugares da frente com a Brawn GP.


Em entrevista publicada hoje na revista alemã Auto Motor und Sport, Barrichello disse que está motivado em continuar na Formula 1 por mais algum tempo. "Quem sabe, talvez eu corra mais dois ou três anos. Na minha vida, sempre pensei de forma positiva e estou convencido que foi essa atitude que me colocou onde estou agora", afirmou.

Quanto ao facto de ele estar a ser secundarizado por Jenson Button este ano, apesar de ser neste momento o segundo classificado do campeonato, Barrichello desvaloriza esse facto e afirma que ainda está na luta pelo título.



"O automobilismo não é como o ténis. Não é como se estivesses no terceiro set tendo perdido os primeiros dois 6-0. Tenho a noção, partindo dos últimos três anos, que posso pilotar tão depressa quanto o Jenson", concluiu.


Não estou surpreendido com a esta atitude. Sempre foi assim, e enquanto for humanamente possivel e continuar a ser util para os engenheiros e técnicos, Rubens Barrichello continuará na Formula 1. Não se importa se irá arrastar-se ou não pelos circuitos. O que quer mostrar é que a sua vasta experiência conta, num mar de jovens que tomou de assalto a Formula 1, e onde com 30 anos, já és velho e mais vale ir para a Le Mans Series ou para o WTCC para continuar a correr.

GP Memória - Espanha 1969

Depois da Africa do Sul, tinham passado mais de dois meses até que a Formula 1 chegasse à Europa, mais concretamente ao circuito urbano de Montjuich, em Barcelona. Situada numa das colinas da Cidade Condal, este traçado urbano, que já existia nos anos 30, antes da Guerra Civil Espanhola, era rápido e desafiador para os pilotos. Logo podia-se esperar algumas emoções neste traçado…


Neste interregno, houve duas corridas extra-campeonato, ambas em Inglaterra. Jackie Stewart tinha ganho a Corrida dos Campeões em Brands Hatch, enquanto que na International Trophy, em Silverstone, a vitória tinha ido para o veterano Jack Brabham, mostrando que a troca de motores, da Repco para a Cosworth, tinha valido a pena.


Contudo, outra preocupação começava a assaltar algumas pessoas: o tamanho das asas. Sem regulamentação capaz de controlar a anarquia presente, e o perigo iminente, algumas das equipas apresentavam em Montjuich, asas triplas, pregadas em cima dos eixos dianteiros e traseiros, algumas delas com metro e meio de altura! Já tinha havido algumas quebras, mas nada de muito grave. Contudo, sentia-se que o perigo era iminente…


Nos inscritos, apenas 14 carros se apresentaram para a ronda espanhola. A única novidade era a entrada do inglês Piers Courage, num Brabham BT26A Cosworth privado, inscrito por um jovem empresário de 27 anos, amigo de Courage e um apaixonado pela Formula 1. Seu nome era Frank Williams. A Ferrari só alinhava com um carro, para Chris Amon, enquanto que a BRM tinha três carros inscritos, para Jackie Oliver, John Surtees e Pedro Rodriguez. A Lótus tinha três carros, dois oficiais para Graham Hill e Jochen Rindt, e um privado, da Rob Walker Racing, para Jo Siffert. Matra, Brabham e McLaren, alinhavam com dois carros.


Nos treinos, o mais rápido foi Rindt, seguido por Chris Amon, no seu Ferrari, enquanto que a segunda fila era formada por Graham Hill e Jackie Stewart. A terceira fila ia para Jack Brabham e Jo Siffert, e a quarta era o belga Jacky Ickx, no segundo Brabham, e o neozelandês Denny Hulme. Para fechar o “top ten”, estavam os BRM de John Surtees e de Jackie Oliver.


Na partida, Rindt parte na frente, com Amon, Hill, Siffert e Stewart logo atrás. As coisas andaram bem até à oitava volta, quando a asa de Graham Hill cede, e o inglês bate forte, sem contudo causar ferimentos. O acidente tinha sido causado pela quebra de um dos apoios da asa traseira, numa zona onde os carros circulavam a 220 km/hora. Sabendo do que se passava, Hill tentou ir às boxes da Lótus, mas no preciso momento que fazia, Jochen Rindt despistava-se no mesmo local, à mesma velocidade, pela mesma causa. E as consequências foram mais graves: um nariz partido e cortes no couro cabeludo. As imagens de um Rindt ensanguentado, no meio dos destroços, correram mundo…


Entretanto, na corrida, sem os Lótus, Stewart só tinha Siffert e Amon á sua frente, com o neozelandês da Ferrari a comandar. Na volta 31, o suíço da Lótus desistia com uma falha no motor, causada por uma fuga de óleo, fazendo com que o piloto escocês subisse ao segundo lugar. Chris Amon tinha a corrida controlada, mas na volta 56, o motor V12 da Ferrari “encomendava a alma ao Criador”, e Stewart herdava a liderança, com uma considerável vantagem sobre o belga Jacky Ickx, no seu Brabham, e de Bruce McLaren, no seu próprio carro.


Mas na volta 64, a sua asa traseira do seu Brabham dobra-se, e tem de ir à box para montar uma nova. Volta à pista na terceira posição, atrás de Bruce McLaren. As coisas ficaram assim até a cinco voltas do fim, quando o belga desiste, com uma falha na suspensão. Mesmo assim, classifica-se na sexta posição final, a sete voltas do vencedor, Jackie Stewart. O escocês comete a proeza de deixar o segundo classificado, Bruce McLaren, a duas voltas de atraso, algo que só voltou a ser repetido 26 anos depois, nas ruas de Adelaide. Jean-Pierre Beltoise completou o pódio, e os restantes sobreviventes foram o McLaren de Dennis Hulme, o BRM de John Surtees e o Brabham de Jackie Ickx. E assim terminava o desgastante GP de Espanha, com polémicas, acidentes, e um Jackie Stewart a dominar o campeonato, com duas vitórias em duas corridas…


Fontes:


http://www.grandprix.com/gpe/rr175.html
http://en.wikipedia.org/wiki/1969_Spanish_Grand_Prix

domingo, 3 de maio de 2009

WTCC - Ronda 3, Marrakech (Corridas)

Foi o dia da Chevrolet nas apertadas ruas de Marrakech, na estreia do WTCC em paragens marroquinas e africanas. Robert Huff, na primeira corrida, e Nicola Larini na segunda, deram à Chevrolet as suas primeiras vitórias com o novo modelo Cruze, beneficiando do facto de estarem mais leves que os Seat Leon TDi, os grandes dominadores desta temporada, que lhes dera na véspera a pole-position.

Na primeira corrida da tarde, disputada nas apertadas ruas marroquinas, Robert Huff liderou a corrida do princípio ao fim e conquistou a primeira vitória do ano para o Chevrolet Cruze, apesar de aguentar os ataques de Gabriele Tarquini, que tentou aproximar-se do inglês em algumas ocasiões, mas sem sucesso. Jordi Gené garantiu a subida ao lugar mais baixo do pódio de pois de ultrapassar Yvan Muller a duas voltas do fim. Depois veio Tiago Monteiro, que nas últimas voltas conseguiu aproximar-se de Muller. Assim sendo, o piloto português conseguiu os seus primeiros pontos.

"Globalmente foi um fim-de-semana complicado para a equipa e também um pouco frustrante para mim mas, apesar de tudo, positivo. Em ambas as partidas sabia que era preciso muito cuidado, porque a pista é muito estreita e em especial na partida lançada os carros chegavam à primeira curva muito depressa. Por outro lado sabia que é muito difícil ultrapassar e que os pneus iriam perder eficácia rapidamente, pelo que teria obrigatoriamente que atacar. Cheguei depressa ao quinto lugar e nas últimas voltas estava mais rápido que o Yvan (Muller) mas para o ultrapassar teria de arriscar demasiado." afirmou o piloto português.

Na segunda corrida, Nicola Larini beneficiou do facto de ter um carro mais leve e partir do terceiro lugar da grelha (acabara em sexto, atrás de Monteiro) para ganhar uma posição na partida. Esteve em segundo até pouco depois da primeira metade, quando roubou a liderança e consequentemente a vitória, após um toque no BMW 320i de Jörg Müller. Foi a segunda vitória da Chevrolet no fim-de-semana e a primeira do italiano desde que o Campeonato passou a designar-se Mundial.


Yvan Muller segurou o segundo posto e o consequente comando do campeonato, apesar da constante pressão do outro Chevrolet de Rob Huff, enquanto Jörg Müller manteve o quarto lugar à frente de Gabriele Tarquini. Tiago Monteiro teve um mau arranque perdeu vários lugares, mas conseguiu recuperar posições, ultrapassando o local Mehdi Bennani, que tinha ganho o Troféu dos Independentes na primeira corrida, aproveitou o abandono de Alain Menu e a travagem queimada de Andy Priaulx, depois de várias voltas a pressionar o piloto britânico, para chegar à sétima posição final e amealhar dois pontos para o campeonato.

No final do fim de semana marroquino, Tiago Monteiro afirmou que os resultados ficaram um pouco aquém das suas expectativas, pois ele julgava que tina andamento para chegar ao pódio: "É muito complicado ultrapassar aqui em Marraquexe. A partida correu mal e soube logo que iria ter uma corrida trabalhosa. Foi divertido por um lado porque estive envolvido em lutas espectaculares como com o Priaulx, mas por outro lado houve momentos frustrantes em que perdi muito tempo para ultrapassar pilotos bem mais lentos e que se limitavam a proteger a linha de trajectória. Apesar dos problemas no arranque depois a afinação resultou em pleno e na última volta rodei a um décimo do primeiro. Pessoalmente estou satisfeito porque, apesar das dificuldades, pontuei nas duas corridas e desta vez as adversidades não calharam a mim. A regularidade é muito importante no WTCC e queria acabar com o jejum de pontos. Para a SEAT o fim-de-semana foi marcado por pequenos problemas e esta foi a primeira ronda do ano em que não ganhámos. Com o lastro que tínhamos (40kg) e o tipo de circuito em que estávamos a vitória seria muito difícil. Mas continuamos na frente do campeonato e isso é o mais importante", sublinha Tiago.

No campeonato, Yvan Muller é o lider, com 43 pontos, seguido de Gabriele Tarquini, com 31, e de Rykard Rydell, com 30. Tiago Monteiro está na 11ª posição, com seis pontos. Na próxima ronda, o WTCC chega a território europeu, mas continua a correr em circuitos citadinos. O escolhido é o traçado de Pau, em França, a 16 e 17 de Maio.

Entretanto, esta noite, a organização do WTCC anunciou que vai suspender os resultados de hoje até fazerverificações finais nos Seat de Yvan Muller, Gabriele Tarquini, Tiago Monteiro e Jordi Gené. As razões são ainda desconhecidas, e não se sabe qual é a parte do carro em questão, mas é algo que terá desenvolvimentos nas próximas horas.

Formula Renault: Felix da Costa repete pódio em Spa

António Felix da Costa repetiu esta manhã o pódio de ontem na Formula Renault 2.0 Eurocup, ao se de novo segundo classificado, batido de novo pelo espanhol Albert Costa, da Epsilon Euskadi, que com esta vitória dupla, passa a ser o novo comandante da Formula Renault 2.0 Eurocup.


Partindo do quarto posto da grelha de partida, nos primeiros metros começou de imediato a atacar e a tentar ganhar posições. Na volta inicial, fruto de uma fantástica ultrapassagem ao dinamarquês Kevin Magnussen, ascendeu ao terceiro lugar da prova.


Contudo, na volta seguinte, devido a um acidente, o safety-car foi obrigado a entrar em pista, e quando a corrida foi retomada, Félix da Costa começou a pressionar Adrien Quaife-Hobbs que seguia imediatamente à sua frente, no sentido de o ultrapassar, algo que conseguiu passado duas voltas, partindo então à procura do líder da prova, o espanhol Albert Costa.


"Após a saída do safety-car, perdi algum tempo a tentar ultrapassar o Adrien (Quaife-Hobbs) e o Albert (Costa) conseguiu ganhar uma ligeira vantagem na liderança da prova. A equipa informou-me que ele estava com uma vantagem de 1,5 segundos, mas mesmo assim decidi atacar. Como o nosso andamento estava muito semelhante, foi impossível recuperar os segundos que nos separavam. Conseguia me aproximar, mas na volta seguinte ele voltava a ganhar aquelas décimas perdidas. Foi uma corrida fantástica, talvez uma das mais emocionantes da minha carreira", explicou António Félix da Costa que este ano disputa apenas a sua segunda temporada em monolugares. Albert Costa foi o primeiro a cortar a meta nesta segunda corrida de Spa-Francorchamps, seguido de António Félix da Costa e Adrien Quaife-Hobbs, na segunda e terceira posições, respectivamente.


Para Félix da Costa, que agora ocupa o segundo lugar no Europeu, a apenas um ponto de Albert Costa, o novo líder do campeonato, os resultados deste fim de semana foram muito importantes para se manter na luta pelo campeonato. Contudo... “Sinto que se a qualificação tivesse corrida melhor, teria sido possível lutar pela vitória principalmente neste segunda corrida. Quando partimos mais atrás, perdemos preciosos segundos com as ultrapassagens e consequentemente, para o líder da corrida. Depois do resultado na qualificação e da corrida de ontem, já estava mentalizado que seria difícil manter a liderança, contudo, o campeonato ainda agora começou e de forma alguma baixarei os braços. A minha equipa e, em especial o meu engenheiro de pista, têm me proporcionado um carro muito competitivo e estou certo que poderemos lutar pela vitória em todas as provas do Campeonato”, concluiu o jovem piloto português de 17 anos.

A1GP - Ronda 7, Brands Hatch (Corridas)

A Irlanda, graças a Adam Carrol, tornou-se na campeã de 2008/09 da A1GP, após ter ganho as duas corridas do fim de semana britânico, ocorrido no circuito de Brands Hatch. Filipe Albuquerque, que lutou até ao fim pelo título na categoria, não foi além da quinta posição ekm ambas as corridas e classificou-se na terceira posição do campeonato, com 92 pontos, menos 20 que a Irlanda, a campeã. Pelo meio ficou Neel Jani, que este fim de semana foi oitavo na Sprint Race e terceiro na Feature.


No final do fim de semana inglês, Albuquerque mostrava-se algo desiludido com os resultados:


"Este não era o desfecho que esperava mas foi o desfecho possível. Sofri durante todo o fim-de-semana com problemas de andamento e o mesmo acabou por se verificar durante as corridas por mais que me tivesse esforçado para tentar impor um ritmo forte. Não fui além do quinto lugar em ambas as corridas o que me deixa um pouco frustrado até porque na 'feature race' cheguei a estar muito perto da Suíça, mas neste circuito as ultrapassagens são praticamente impossíveis", explicou.


Os resultados de hoje remeteram o jovem piloto de Coimbra para o terceiro lugar final no Campeonato 2008/09: "Tínhamos hipótese de fazer melhor, mas a antecipação do final do Campeonato para esta jornada também não ajudou. Enfim, foi o resultado possível. Ter estado até à última corrida na luta pelo título mostra bem o potencial de toda a equipa. E posso considerar este resultado de satisfatório até porque foi a minha primeira época completa no A1GP", concluiu.

Terminou este campeonato, o próximo ocorrerá no inicio de Outubro, com o seu começo em Surfers Paradise, na Australia.

O final do Grupo B, 23 anos depois.

No meio de todo o trabalho que andei a fazer sobre os 15 anos da morte de Ayrton Senna, quanse me esqueci que ontem, dia 2 de Maio, passaram-se 23 anos sobre a morte de Henri Toivonen, um dos pilotos mais espectaculares que o mundo dos Ralies jamais conheceu.

A sua morte também marcou o final de uma era: a dois carros do famigerado Grupo B, autênticos "caixões voadores", carros onde a relação peso/potência estava nitidamente desiquilibrado. Só para terem uma ideia, alguns dos modelos tinham motores a roçar os mil cavalos, contra carros que raramente pesavam mais de 500 ou 600 kgs, pois muitos dos chassis eram feitos de fibra de vidro...

Neste video que coloco aqui, a maior parte das imagens foram retiradas do Rali de Portugal. Em 1985/86, o rali era dos mais populares eventos num Portugal pré-entrada na União Europeia. Milhares de pessoas ficavam em cada lado da estrada, numa multidão muito dificil de controlar por parte das autoridades. Há aqui imagens do pessoal à espera do carro no famoso "salto" em Fafe/Lameirinha. Era a classificativa mais marcante do rali, logo, a mais concorrida.

Mas mais concorrida era a Lagoa Azul, nos arredores de Sintra. As multidões tinham o mesmo comportamento do que nos outros lados, e todos imaginavam quando é que iria acontecer um acidente. Não pensaram muito: o Ford RS 200 de Joaquim Santos perdeu o controle do seu carro e bateu nos espectadores. Matou três e feriu cerca de 40. No final daquele dia, os pilotos de fábrica (Lancia, Audi, Peugeot, MG, Ford) decidiram boicotar o resto do rali, em nome da segurança. O comunicado foi lido á imprensa pelo vencedor do Rali de Monte Carlo... Henri Toivonen.

No dia a seguir ao acidente mortal de Toivonen, Jean-Marie Balestre, o então presidente da FISA, convocou uma reunião de emergência em Paris e decidiu banir os Grupo B, com efeito no final da temporada. Outro Grupo, o S, que aparentemente iria ter motores ainda mais potentes, foi também abolido, previlegiando os Grupo A e os Grupo N, e os chassis de fibra de vidro foram também abolidos. pode-se dizer que a 2 de Maio de 1986, na Córsega, não morreu só Henri Toivonen e Sergio Cresto. Foi também uma era no mundo dos Ralies.

sábado, 2 de maio de 2009

WTCC: Monteiro parte de sexto em Marrakech

Depois de Puebla, o WTCC estreia-se este fim de semana em paragens africanas, com o novo circuito urbano de Marrakech, em Marrocos. E na qualificação desta tarde, os mais rápidos foram os Chevrolet. Robert Huff e Alan Menu levaram os modelos Cruze ao primeiro e segundo lugares da grelha de partida para a ronda marroquina do Mundial de Turismos.

E por pouco, não ficaram com os três primeiros, pois Nicola Larini andou perto desses lugares, só que na última fase foi apanhado pelo Seat Leon TDi de Gabriele Tarquini, que mesmo com mais 30 kg de lastro, foi apanhado por parte da armada Seat. Depois do italiano, ficaram Yvan Muller e Jordi Gené, antes de Larini, que foi sexto na grelha. Tiago Monteiro foi sétimo, à frente do melhor BMW, o de Franz Englester... um privado.

Jorg Muller e Andy Prilaux fecharam o "top ten" com os seus BMW. Mas estas más prestações na segunda parte da qualificação deveram-se a outros factores: Muller foi vitima de um problema mecânico logo na volta de saída das boxes e apenas uma volta, em ritmo muito lento, ao passo que Priaulx deu um toque em Sérgio Hernandez, depois de ambos cometerem um erro no mesmo local naquelas que seriam as últimas tentativas de ambos no final da Q1.

No final da qualificação, soube-se que foram retirados os tempos a Alan Menu devido ao facto de não conseguir colocar o seu carro em funcionamento depois da pesagem. Assim sendo, momteiro partirá do sexto posto, amanhã, na primeira corrida em paragens marroquinas.

A1GP: Albuquerque não teve muita sorte em Brands Hatch

As sessões de qualificação desta tarde no circuito inglês de Brands Hatch deram á Irlanda a "pole-position" em ambas as sessões, fazendo com que Adam Carrol desse um passo de gigante rumo ao título na categoria, pois os seus maiores rivais, Suiça e Portugal, tiveram sortes diferentes. Filipe Albuquerque foi quinto e nono, respectivamente na Sprint e Feature Race, enquanto que Neel Jani foi oitavo e quarto.

No final dos treinos o piloto de Coimbra justificava os resultados com: "Falta de andamento. A Irlanda e a Holanda estão num nível acima. Completamente impossível acompanhar o ritmo deles. No que diz respeito à Holanda, estamos mais descansados pois não é candidato ao título, contudo a Irlanda é um dos mais directos adversários, por isso tenho que estar preocupado com esta situação e em manter a cabeça fria para superar esta situação", disse. “A Suíça, actual líder do Campeonato está ao mesmo nível que nós, por isso há que manter a esperança e acreditar que as corridas são longas e que tudo pode acontecer", continuou.


Apesar deste aparente mau resultado em Brands Hatch, Albuquerque ainda não dá o campeonato como perdido. Aliás, afirma que amanhã vai à luta: “Nunca, em circunstância alguma, dou um Campeonato perdido antes que chegue ao fim. Ainda não deitei a toalha ao chão", concluiu.

Formula Renault: Formiga é segundo em Spa-Francochamps

Apesar de António Felix da Costa ter uma agenda muito sobrecarregada, pois compete em dois campeonatos da Formula Renault, a Eurocup e a North European Competition, isso não impede de liderar em ambos os campeonatos. E esta tarde, na pista de Spa-Francochamps, o piloto conhecido por "Formiga", subiu ao pódio na segunda posição, na primeira corrida do campeonato Eurocup, apenas batido pelo espanhol Albert Costa.


Com 32 carros em pista, e disputado sob piso seco, o que é um pouco inédito por aquelas bandas, Felix da Costa partiu da terceira posição na grelha na corrida de hoje. Na partida, colcou-se ao segundo classificado, o dinamaquês Kevin Magnussen, para o ultrapassar no inicio da segunda volta na zona que antecede o Eau Rouge. Após esta manobra, partiu em perseguição ao lider, o espanhol Albert Costa, mas o carro dele estava muito melhor do que o do português, contentando-se com o segundo posto e consolidando a liderança.


No final da corrida, explicou a sua corrida no seu site http://www.fleixdacosta.net/: "O Albert Costa esteve irrepreensível. Ainda tentei atacar o primeiro lugar, mas como o seu carro estava mais rápido que o meu foi impossível acompanhá-lo. Na sétima volta, a equipa informou-me, via rádio, que ele já dispunha de alguma vantagem, pelo que decidi não arriscar e apenas controlar o andamento dos pilotos que seguiam atrás de mim e arrecadar estes preciosos pontos para o campeonato", afirmou.


Amanhã disputa-se a segunda corrida deste fim-de-semana, corrida essa que se prevê um pouco mais complicada para o Formiga, pois irá partir da quarta posição da grelha.

Formula 1, Classe de 1994

Muita gente, hein? Esta foto foi tirada em Interlagos, no inicio da temporada de 1994, um "annus horribilis" para os fãs de Formula 1. No meio das comemorações dos 15 anos sobre o trágico fim de semana de Imola, é engraçado ver esta fotografia e verificar que, para além de três dos pilotos aqui presentes já não estarem vivos, somente um continua a correr na Formula 1: Rubens Barrichello.


O site brasileiro Tazio fez uma pesquisa acerca dos restantes 26 pilotos que sobreviveram a Imola, e que prosseguiram as suas carreiras, Muitos deles permanecem na activa, pilotando essencialmente Turismos ou na Le Mans Series. Mas se quiserem ler melhor, o link para o artigo está aqui. um texto muito interessante, sem dúvida.

Os Três Dias de Imola - Epilogo

A 6 de Maio de 1994, em São Paulo, mais de meio milhão de pessoas acompanharam nas ruas o carro de bombeiros que transportou o féretro até ao Cemitério do Morumbi. O seu funeral teve honras de Estado no Brasil, que declarara três dias de luto nacional, e foi comparado aos de Tancredo Neves, Getuilo Vargas e Cármen Miranda, pelo choque causado e mobilização popular. O seu caixão foi levado pelos seus colegas e rivais: Emerson Fittipaldi, Damon Hill, Gerhard Berger, Christian Fittipaldi, Alain Prost, Rubens Barrichello, Jackie Stewart, Raul Boesel, Roberto Moreno, Johnny Herbert, Derek Warwick, Pedro Lamy e Thierry Boutsen. Desde então, a sua campa é das mais visitadas no Brasil. A sua lápide tem como frase “Nada me pode separar do amor de Deus”.

Roland Ratzenberger não teve tanta gente assim. Em Salzburgo, somente Berger e Max Mosley fizeram questão de ir ao funeral, para além dos seus amigos do Japão, como Heinz-Harald Frentzen, Eddie Irvine. Mika Salo, apesar de não ter ido ao funeral, pois a sua equipa não o liberou para ir à Europa, não o esqueceu deu o nome de Roland a um dos seus filhos, em homenagem ao amigo. Quanto à sua lápide, apenas isto: “Viveu para o seu sonho”.

Para piorar as coisas, no momento a seguir ao acidente, Ecclestone tinha informado o irmão Leonardo, na sua típica maneira franca e seca, que ele estava morto. Mas na realidade, isso não era o correcto: Martin Whiteaker, o então assessor de imprensa da FIA, tinha falado com o Dr. Syd Watkins, que o tinha informado da gravidade da situação, mas que não estava morto. Foi algo que também caiu muito mal no Brasil, sendo que Ecclestone foi intimado a não aparecer em São Paulo, para assistir ao funeral.

Nos dias seguintes à sua morte, discutiu-se imenso sobre o facto de se Senna estava em paragem cardiorespiratória na pista, quando os médicos lhe fizeram a traqueotomia que lhe permitiu viver mais algumas horas nesse dia. Em Portugal, o então director do Instituto de Medicina Legal do Porto, José Eduardo Pinto da Costa (irmão do actual presidente do F.C. Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa) lançava a discussão sobre os métodos de socorro ao piloto brasileiro, ao afirmar o seguinte:

Do ponto de vista ético, o tratamento dado a Senna foi errado. Isso se chama distanásia, que significa que uma pessoa esteve mantida viva impropriamente depois que a morte biológica devido aos ferimentos de cérebro tão sérios que o paciente nunca poderia permanecer vivo sem meios mecânicos da sustentação. Não haveria nenhuma perspectiva de vida normal. Mesmo se ele tivesse sido removido do carro quando seu coração ainda estava batendo é irrelevante à determinação de quando morreu. A autópsia mostrou que Senna sofreu fracturas múltiplas na base do crânio, esmagando a testa e rompendo a artéria temporal com hemorragia nas vias respiratórias.

É possível reanimar uma pessoa depois que o coração pára de bater com os procedimentos cardiorespiratórios. No caso de Ayrton, há um ponto subtil: as medidas da ressuscitação foram executadas.

Ainda sob o ponto de vista ético isto pode bem ser condenado porque as medidas não foram em benefício do paciente mas um pouco porque serviriram ao interesse comercial da organização. A ressuscitação ocorreu de facto, com a traqueotomia e quando a actividade do coração foi restaurada com o auxílio dos procedimentos cardiorespiratórios. A atitude na pergunta era certamente controversa. Qualquer médico saberia que não havia nenhuma possibilidade de sucesso em restaurar a vida na circunstância em que o Senna tinha sido encontrado.”

De facto, o governo italiano, como é hábito quando acontece acidentes mortais em eventos desportivos, tinha imediatamente aberto um inquérito aos eventos desse fim-de-semana. Na manhã seguinte, o procurador Maurizio Pasarini mandou apreender os restos dos dois carros, e proceder às autópsias a Senna e Ratzenberger para esclarecer as respectivas causas e verificar se houve alguma falha ou negligência no procedimento médico. A divulgação das autópsias revelou que Ratzenberger tinha tido morte imediata na pista, devido a uma fractura na base do crânio. Segundo as leis italianas, qualquer morte ocorrida em pista implica o cancelamento imediato da actividade, para proceder à recolha de provas e a investigação do local por peritos. Ora, isso provocou alarido na altura, pois muitos acreditam que caso o cancelamento tivesse acontecido, Senna teria sido salvo. Muitos também criticaram Bernie Ecclestone pelo facto de querer prosseguir a corrida, mostrando não ter qualquer consideração pela vida dos pilotos. O cancelamento da prova, caso tivesse ocorrido, representaria para a organização um prejuízo a rondar os 6,5 milhões de dólares.

O inquérito foi concluído no final de 1996, e o procurador Passarini decidiu constituir Frank Williams, Adrian Newey e Patrick Head como arguidos, bem como Federico Bondinelli, um dos responsáveis pela empresa que administrava o autódromo de Ímola), Giorgio Poggi, o responsável pela pista italiana, Roland Bruiynsreade, o director da prova, por homicídio culposo, negligência e imprudência. Isso resultou em julgamento, que terminou em Dezembro de 1997, no qual o juiz António Constanzo absolveu estes acusados, mas não a Williams. Houve mais acções e mais sentenças, e reaberturas de inquéritos, mas somente em 2004, quase dez anos depois, é que se decidiu que todos os implicados, incluindo a Williams, seriam absolvidos. Quando ao carro e o capacete foram finalmente liberados, o chassis estava em avançado estado de degradação. A Williams destruiu-o, e a família também destruiu o seu capacete, assim evitando caçadores de relíquias macabras, como aquele senhor inglês que tem na sua garagem o que sobrou do Lótus de Jochen Rindt, em Monza…

Entretanto, o circuito de Imola sofria uma profunda remodelação: as curvas Tamburello e Villeneuve foram transformadas em chicanes de média velocidade, para tornar mais segura a pista. Outras modificações foram feitas, na Variante Bassa e na Acqua Minerale, e a Formula 1 continuou a correr até 2006, altura em que foi excluída do campeonato. Nessa altura, foi feita uma novas modificação na pista, com novas boxes e um novo design da Variante Bassa. Senna, que tinha ganho ali por três vezes, foi superado por Michael Schumacher como o piloto que venceu mais vezes em Imola: sete. A sua vitória de 1994 fora apenas a primeira delas…


Quanto a mais alguns dos envolvidos neste fim-de-semana trágico, alguns iam tendo destino semelhante: três semanas depois de Imola, Pedro Lamy testava um novo pacote aerodinâmico imposto pela FIA, em Silverstone, quando a asa traseira do seu Lótus-Mugen Honda cedeu a mais de 250 km/hora e sofreu fracturas nas pernas, pondo-o fora de combate por mais de um ano. Voltou à Formula 1 em 1995, pela Minardi, e tornou-se no primeiro português a pontuar na história da competição, depois de um sexto lugar na Austrália. Actualmente, é piloto oficial da Peugeot na Le Mans Séries, onde vai tentar ser o primeiro português a vencer as 24 horas de Le Mans.


Alguns dias antes, Karl Wendlinger, quarto classificado em Imola, tivera um acidente quase fatal no Mónaco na primeira sessão de treinos do GP monegasco, batendo forte na saída do túnel, na zona mais rápida do circuito. O impacto foi no lado direito do carro, na zona da cabeça do piloto. Wendlinger esteve alguns dias em coma e quase seis meses em recuperação, mas não foi mais o rápido piloto de antes. Ainda andou mais algumas provas na Formula 1, antes de se mudar nos Sport-Protótipos, onde anda agora na categoria FIA-GT.


Rubens Barrichello prosseguiu a sua carreira na Formula 1, onde permanece até aos dias de hoje. Tem feitas 275 corridas na sua carreira, um recorde na Formula 1, mas venceu apenas nove. Depois da Jordan, correu na Stewart, Ferrari, Honda e agora Brawn GP. Após a morte de Ayrton Senna, os brasileiros depositaram as suas esperanças nele. Mas, com 22 anos nessa altura, acusou um pouco esse peso, e nunca se mostrou como um piloto de classe mundial, mas suficientemente bom para ser um dos mais persistentes. Especialmente como o “numero dois” de campeões do Mundo como Michael Schumacher…



Sem Senna pelo caminho, Michael Schumacher tornou-se no rei incontestado da Formula 1, um trono que não conheceu grandes adversários, excepto quatro: Mika Hakkinen, Jacques Villeneuve, Fernando Alonso e… Damon Hill. Obrigado a ser o número um na Williams, não acusou a pressão e tentou usar o carro a seu favor e diminuir a diferença entre ele e o alemão. Com a polémica no GP de Inglaterra de 1994, que lhe valeu dois GP’s de suspensão, Hill aproximou-se o suficiente para o contestar na última prova do ano, nas ruas de Adelaide, na Austrália.



Porém, na volta 36, mais concretamente na zona da “East Terrace Corner”, Schumacher abriu demasiado a curva e despistou-se, raspando no muro. Quando o Benetton voltou à pista, Hill tentou ultrapassá-lo, mas na curva seguinte, o alemão guinou para a direita e ambos colidiram. Schumacher abandonou no momento, e Hill levou o carro para as boxes, onde detectaram danos num dos braços da suspensão, o que levou ao abandono. Uma decisão no mínimo polémica, que valeu ao piloto alemão o seu primeiro dos sete títulos mundiais.



Damon Hill acabou por vencer o seu título mundial em 1996, tornando-se assim no primeiro filho de Campeão a também sê-lo, mas o resto da sua carreira foi depois mais apagada, primeiro na Arrows e depois na Jordan, onde teve a proeza de ser o ultimo a dar um pódio à Arrows e o primeiro a dar uma vitória à Jordan. Retirou-se em 1999 e agora é o presidente do British Racing Drivers Club, a entidade que supervisiona o circuito de Silverstone.



Rei morto, rei posto. Sem Senna, Frank Williams teve que ir buscar um substituto. Nas duas semanas após Imola, falaram-se em muitos pilotos para o lugar. Desde Rubens Barrichello, Alain Prost até Nigel Mansell, houve muitos nomes à baila. Mas no final, o escolhido foi um jovem de 23 anos chamado David Coulthard, piloto de testes da marca. No final, Coulthard acabaria por ter uma carreira razoável quer na Williams, quer depois na McLaren e na Red Bull, retirando-se em 2008, após 15 anos ao mais alto nivel, mas nunca ganhando um título mundial. Curiosamente, existe um paralelismo com Senna: ambos ganharam pela primeira vez no Estoril, com dez anos de diferença…



Quanto a mim… a morte de Senna teve, por incrivel que pareça, um efeito “libertador” em mim. Passei a ver a Formula 1 como o seu todo, e não a competição onde está aquele que escolheste o teu ídolo. Durante muito tempo, não tive alguém para apoiar na Formula 1, e passei a ver a competição na sua essência. Não torcia pelo Schumacher, porque primeiro não quis, e depois porque não me apetecia torcer por alguém que simplesmente ganhava títulos em Julho… Schumacher nunca foi o meu género, embora respeitasse e admirasse a sua genialidade em pista.


Houve fases onde tive um certo distanciamento da Formula 1, embora não perdesse as corridas. Só quando Fernando Alonso entrou em cena é que passei a ver as coisas com outra vontade, e nos últimos anos, a paixão pelo automobilismo voltou em força, embora continue a não ter um ídolo. Gosto de Lewis Hamilton e cada vez mais do Sebastien Vettel, Mas não a ponto de ser um “hamiltoniano” ou um “vetteliano”. A minha educação de jornalista leva-me a vê-los como seres humanos e não como representantes de Deus na Terra…

Também guardei uma certa distância de Ayrton Senna, apesar de continuar a ser seu fã. Como ser humano, também ele teve os seus erros, mas não fiquei agarrado ao passado. Nos meses que se seguiram à sua morte, sempre que fechava os olhos para dormir, apareciam sempre, vezes sem conta, as imagens dele a bater no muro da (falsa) Curva Tamburello. Isso foi noites e noites, durante quase um ano. Com o tempo, passou, sinal de que a minha mente tinha feito o luto. Se chorei baba e ranho no dia 1 de Maio de 1994? Não, não fiz. Aliás, nunca chorei por ele. Apenas senti uma negra, apagada e vil tristeza. E sim, tenho saudades dele. Mas apenas como algo que me acompanhou no meu crescimento como pessoa, tal como aconteceu a muitos de vocês.

Outra razão pela qual ganhei um certo distanciamento sobre ele foi que não me identifico com as “viúvas”, os torcedores fanáticos. Não me identifico com esse tipo de pessoas, assim como os torcedores fanáticos de qualquer espécie, pois são uns agarrados a dogmas e uns cegos que não querem ver, ou que não querem seguir a sua vida. Para mim, essas pessoas não gostam de Formula 1, não são verdadeiros torcedores. A única “viúva” que eu conheço é a primeira mulher do Senna, e a “última”, a Adriane Galisteu, decidiu três meses mais tarde tirar a roupa na Playboy brasileira e dar à revista a mais alta tiragem até então. Deve ser engraçado, “carpir as mágoas” do seu amado tragicamente perdido, tirando a roupa e com uma mala de dinheiro à espera. Mas isso é a minha opinião…


Desde esse dia, ninguém mais morreu ao volante de um Formula 1. A segurança é ainda maior do que existia antes, pois agora os pilotos têm protecções laterais nos seus carros e usam obrigatoriamente o dispositivo HANS (Head And Neck Support), um dispositivo agarrado ao capacete, que os prende em caso de uma desaceleração brutal, evitando qualquer fatalidade devido às fracturas na base do crânio. Curiosamente, foi após o acidente fatal de Dale Earnhardt Sr, nas 500 Milhas de Daytona de 2001, na NASCAR, que todos acordaram para a ideia do HANS e da sua potencialidade para salvar vidas. À medida que este desporto elimina as suas ameaças de morte e se torna numa modalidade seguida por centenas de milhões de pessoas, espalhadas pelos quatro cantos do mundo, as pessoas tendem a esquecer que o perigo faz parte do desporto. De quando em quando, o Destino encarrega-se de lembrar aos mais velhos, para que lembrem aos mais novos para que este desporto, para além de ser altamente veloz e altamente tecnológico, e agora a tender para o politico, ainda é perigoso…



Fontes:

Santos, Francisco – “Ayrton Senna do Brasil”, Ed. Talento, Lisboa/São Paulo, 1994
Santos, Francisco – “Formula 1 1994/95”, Ed. Talento, Lisboa/São Paulo, 1994
Watkins, Sid – “Viver nos Limites, Glória e Tragédia na Formula 1” Ed. Edipromo, São Paulo, 1996

Net:

http://en.wikipedia.org/wiki/1994_San_Marino_Grand_Prix
http://en.wikipedia.org/wiki/Death_of_Ayrton_Senna
http://pt.wikipedia.org/wiki/A_morte_de_Ayrton_Senna
http://www.grandprix.com/gpe/rr551.html


http://www.motorpasion.com.br/competicao/ayrton-senna-15-anos-parte-1/
http://www.motorpasion.com.br/competicao/ayrton-senna-15-anos-parte-2/
http://www.motorpasion.com.br/competicao/ayrton-senna-15-anos-parte-3/

(o fim de semana de Imola, contado pelo Rianov)


http://www.roland-ratzenberger.com/ (Ratzenberger)
http://f1rejects.com/centrale/ratzenberger/index.html (Ratzenberger)
http://www.almanaquedaformula1.com.br/2009/04/roland-ratzenberger-15-anos-depois.html (Ratzenberger)
http://www.gptotal.com.br/entrevista/ratzemberger1.htm (Ratzenberger)




As aspirações de Filipe Albuquerque

Este fim de semana vai ser decisivo para as aspirações de Filipe Albuquerque para conquistar um inédito título da A1GP para as cores portuguesas. Depois do cancelamento da ronda mexicana devido à epidemia de gripe que se instalou naquele país, a ronda de Brands Hatch serve agora de "tira-teimas" para os três candidatos ao título: Suiça (Neel Jani), Irlanda (Adam Carrol) e Portugal.

Sem falsas modéstias e ciente das suas capacidades e potencial, o jovem piloto de Coimbra está focado exclusivamente nas vitórias. Os quatro pontos que o separam do líder, o suíço Neel Jani, são, em termos de pontuação de corridas, poucos pelo que tudo poderá acontecer. "Entro em qualquer corrida para vencer. Vou dar tudo para conseguir sair de Brands Hatch com o título de Campeão. Sou muito obstinado pelo que não vou baixar em momento algum os braços", disse, em declarações captadas no site português Sportmotores.com.

Quanto aos seus adversários, Albuquerque reconhece as suas potencialidades e as suas fraquezas, e reconhece que muito está em jogo, mas promete também que não virará a cara à luta: “Uma vez que a corrida do México foi cancelada, as duas corridas de Brands Hatch serão decisivas. A pressão vai ser enorme, mas sei lidar muito bem com isso. Quanto aos meus adversários, sei que são extremamente fortes, mas eu também. Vamos ver quem se sairá melhor”, concluiu.

A sessão de qualificação para as corridas de Domingo no circuito inglês de Brands Hatch terá transmissão em Portugal na Sporrtv 3 no Sábado, dia 2 de Maio pelas 15.10h. A ‘Feature Race’ terá igualmente transmissão no Domingo, 3 de Maio pelas 14h em directo na Sporttv 3.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Noticias: Montezemolo não gosta das novas regras

Os novos regulamentos para 2010 já causaram reacções nas equipas de Formula 1, especialmente na Ferrari. O seu presidente, Luca di Montezemolo, expressou a sua insatisfação pelos novos regulamentos da FIA, mais concretamente o tecto salarial de 44 milhões de euros, que as equipas tem de ser sujeitas, caso queiram ter um desenvolvimento ilimitado dos seus carros. E para isso escreveu uma missiva à FIA, cujo teor foi revelado pela edição britânica da Autosport:

"Todos os aspectos dos novos regulamentos devem ser cuidadosamente revistos. Limitando os meus comentários à questão do limite orçamental, que como sabem a sua introdução sempre me preocupou, essencialmente porque considero que há sérias dificuldades técnicas em fazer com que essa medida seja realisticamente controlada. Adicionalmente, qualquer controvérsia no que diz respeito ao tecto orçamental poderia prejudicar a imagem da Fórmula 1 e a de todos os envolvidos", terá escrito Montezemolo na missiva.

O patrão da Ferrari lembra que estas medidas não são urgentes e que a FIA não pode introduzir nenhuma medida sem a aprovação das equipas de Formula 1. E para piorar as coisas, o facto de Montezemolo ter anunciado que irá assistir à partida das 24 Horas de Le Mans, no fim de semana de 13 e 14 de Junho, fez com que lançassem alguns rumores acerca de uma possivel mudança da marca do Cavalino Rampante para as corridas de resistência, 35 anos depois de as abandonar: "Le Mans é sinónimo de uma competição desportiva tecnologicamente avançada e que sempre recebeu uma grande atenção da nossa parte", disse Montezemolo esta semana.

Uma coisa é certa: a cada dia que passa, e a cada medida que a FIA anuncia, ambas as partes ficam cada vez mais distantes...

Os Três Dias de Imola - Parte 3


Domingo, 1 de Maio de 1994


Quando o sol de levantou, todos ainda digeriam as ondas de choque da véspera. Quem fosse a uma banca de jornais para comprar a edição daquele dia, não poderiam escapar às chamadas de primeira página, onde se viam, em fotos grandes, ou os destroços do carro de Ratzenberger, ou o estertor final do piloto austríaco, enquanto que os paramédicos tentavam desesperadamente salvá-lo. Toda a gente sabia que o piloto da Simtek tinha morrido na hora, mas o facto de só ter sido declarado morto no Hospital de Bolonha, quase duas horas depois do acidente, era uma forma simples da FIA impedir o cancelamento da corrida pelas autoridades locais, e os subsequentes prejuízos que tal coisas poderia ter em termos económicos.


Ayrton Senna estava nitidamente preocupado. Não só pelos acontecimentos da véspera, mas também por saber que o seu carro não era o mais estável do pelotão. Sabia das modificações que tinham sido feitas, nomeadamente a coluna de direcção modificada do seu FW16, para que pudesse adaptar-se ao seu estilo de condução. Isso o tornava nervoso e instável. E tinha dito isso na manhã desse dia à imprensa: “


No warm-up da corrida, Senna tinha de fazer uma descrição da pista à cadeia de TV francesa TF1. Antes da transmissão, e sabendo que o seu rival Alain Prost era agora um dos comentaristas, Senna afirmou algo inédito: “Em primeiro lugar eu queria mandar uma mensagem para Alain Prost: Alain, eu sinto a tua falta”. Sensibilizado, o francês retorquiu o cumprimento e foi apertar a mão de Senna pouco antes da corrida.


Entretanto, decidira levar consigo no seu bolso uma pequena bandeira austríaca, para que em caso de vitória, pudesse dedicá-la a Roland Ratzenberger. Senna era de facto alguém que se importava com os seus colegas. Ao longo da sua carreira, isso fora demonstrado por várias vezes, especialmente em 1992, quando em Spa-Francochamps, foi o primeiro a parar para ajudar Eric Comas, no seu Ligier-Renault, vitima de um forte despiste na zona de Staevlot. Nessa altura, decidira que já era tempo de reactivar a GPDA (Grand Prix Drivers Association), para defender os interesses dos pilotos, principalmente na área da segurança, e decidira transmitir essa ideia aos seus companheiros. A coisa aconteceu, mas Senna não pode ver os frutos do trabalho.


Todos decidiram correr, incluindo a Simtek, que não tinha vontade, mas que foi pressionada, alegadamente por Bernie Ecclestone, para alinhar David Brabham na grelha. Não era aquilo que desejavam para fazer o luto pelo seu piloto, mas o espectáculo que movia centenas de milhões de dólares por dia, muito do qual ia parar aos bolsos do próprio Bernie, tinha de continuar.


Senna continuava nitidamente preocupado. Tão preocupado que, na altura em que deu a sua habitual volta de aquecimento antes de se colocar na pré-grelha, deu três voltas, em vez das habituais duas. Ainda tinha imensas dúvidas sobre tudo: o carro, as escapatórias do circuito, a segurança… tudo. Provavelmente tinha a noção de que aquele poderia ser o seu fim, e se o teve, andou muito tempo a hesitar, antes de o aceitar, eventualmente esperançado de que ainda existisse uma escapatória. Esses pensamentos que assolavam Senna nos minutos anteriores à primeira partida foram levado para o túmulo consigo.


Poucos minutos antes das 14 horas, os 26 carros rolavam em pista para a volta de aquecimento. Senna e Schumacher estavam na primeira linha, Berger e Hill na segunda, Letho e Larini na terceira, Frentzen e Hakkinen na quarta, e a fechar o “top ten”, Katayama e Wendlinger. Lamy era 22º, no seu Lótus, e o lugar de Ratzenberger, que tinha conseguido a qualificação, na 25ª e penultima posição, fora deixado vago em sinal de respeito.


Quando a partida foi dada, todos os carros se lançaram para Tamburello. Mas um carro ficara parado: é o de J.J Letho. Todos se tentam desviar dele, e nos segundos que se seguem, todos esperam que nada aconteça. Mas no meio da confusão da partida, no fundo do pelotão, vem Pedro Lamy, que ignorando o que se tinha passado centenas de metros à sua frente, só se apercebe do Benetton parado em cima da hora. E não evita o choque.


O carro fica sem lado direito, arrancado pelo outro chassis, e os seus milhares de pedaços caem nas bancadas, ferindo quatro pessoas. O Lótus vai parar do outro lado da pista, com o piloto português ileso. Temeu-se por um cenário semelhante ao de Riccardo Paletti, doze anos antes, mas aqui, o Lótus só atingiu o Benetton de lado, e não de frente. Mas isso fez com que entrasse o Safety Car, para limpar os milhares de pedaços de carbono espalhados pela pista.


Por esta altura, eu desconhecia todos estes eventos. Estava em viagem, a caminho de Coimbra, para visitar os meus avós. Tinha plena consciência de que iria falhar o início da corrida, e só esperava que os acontecimentos de ontem tivessem acabado por ali. Estava enganado, mas todos nós tínhamos esse pensamento…


Nas seis voltas seguintes, o Safety Car, um Opel Vectra da organização italiana, ordenava os carros tal como estavam no final da primeira volta: Senna, Schumacher, Berger, Hill e Larini. Nessa altura, os carros tinham um fundo plano, que ficava a poucos centímetros do chão, para evitar qualquer tipo de efeito-solo naqueles carros. Numa situação destas, os carros perdiam pressão nos pneus, que fazia com que essa distância se aproximasse ainda mais. Essa perda de pressão dos pneus é considerada até hoje como uma das causas mais prováveis do despiste de Senna, volta e meia depois do recomeço da corrida.


Quando assisti pela primeira vez ao minuto e meio que seguiu entre o recomeço da corrida e o impacto de Senna na (falsa) Curva Tamburello, veio à minha mente outro evento que tinha visto oito anos antes: a explosão do vaivém Challenger, a 28 de Janeiro de 1986. Ambos os eventos têm o seu paralelismo: foram transmitidos em directo, perante milhões de pessoas pelo mundo inteiro. E as câmaras captaram os momentos do impacto. E ver um desastre a acontecer, nessa altura (e tive a mesma sensação sete anos mais tarde, quando dos eventos do 11 de Setembro de 2001), fica-se com uma sensação estranha de que tudo está a acontecer, és testemunha, mas não podes fazer nada. Sentes-te impotente, é só.


Após o impacto, a bandeira vermelha é mostrada e a corrida interrompida. Os paramédicos acorrem aos destroos do Williams número 2, tentando socorrer o piloto. As manobras de reanimação decorrem durante largos minutos, sem grande resposta. Os paramédicos só retiram o capacete do piloto com a presença do Dr. Syd Watkins, o médico da FIA. Quando o fazem, uma larga poça de sangue sai do capacete, sinal de que tinha havido uma enorme hemorragia, causada (soube-se depois) pela peça do braço de suspensão direita, no momento em que o carro bateu no muro. Essa peça entrou pela viseira do capacete, e causou um afundamento na face frontal, com perda de massa encefálica.


Senna deu um grande suspiro. Seu rosto estava tranquilo. Parecia em repouso. Tive ali, no momento em que o socorria, a estranha sensação de que sua alma tinha partido”, contou o Dr. Syd Watkins anos depois, na sua biografia.


Sem conseguir reanimá-lo pelas vias normais, teve de ser feita uma traqueotomia de emergência na pista, para evitar que morresse sufocado. Conseguida a operação, Senna é estabilizado e transportado de helicóptero para o Hospital Maggiore de Bolonha, o mesmo onde tinham estado Barrichello e Ratzenberger. Na pista, é a confusão total. Poucos não fazem ideia total do que está a acontecer. Conferencia-se durante mais de uma hora, e decide-se que a corrida seria dividida em dois: as seis voltas iniciais, mas as 53 voltas restantes, sendo o vencedor o piloto que somar os dois tempos. Nessa altura, o líder era Schumacher, com 5,3 segundos de vantagem sobre Berger.


Na segunda partida (foi nessa altura que cheguei a casa para ver os acontecimentos), Berger salta para a frente, tentando se distanciar de Schumacher. A ilusão dura dez voltas, altura em que fez o seu primeiro reabastecimento. Mas pouco depois, as vibrações anormais do seu carro, devido a um problema de suspensão, fazem com que abandone a corrida na volta 17. Após isso, Schumacher liderou tranquilamente a corrida, com o outro Ferrari de Nicola Larini num distante segundo lugar, e com uma estratégia de apenas uma paragem. Foi o melhor resultado do simpático piloto italiano, que agora piloto oficial da Chevrolet no WTCC. Depois vinha um pelotão liderado por Mika Hakkinen, no seu McLaren-Peugeot, que tinha atrás de si o Sauber de Karl Wendlinger, o Tyrrell de Ukyo Katayama e o Williams de Damon Hill, que sofrera um despiste nas voltas iniciais, e ficou uma volta abaixo do vencedor, Michael Schumacher.


Entretanto, por esta altura, já se sabia da gravidade do estado de Senna. Estava em coma, e já se falava que tinha tido uma paragem cardíaca em pleno circuito, mas que os paramédicos conseguiram estabilizar o estado de saúde. Nessa altura, boa parte da imprensa já ia a caminho do Hospital Maggiore de Bolonha, para saber de novidades. Às 16:30, o primeiro boletim clínico, emitido pela equipa liderada pela chefe da neurologia, Dra. Maria Tereza Fiandri, era desanimador: o piloto brasileiro apresentava “um traumatismo craniano profundo, choque hemorrágico e coma profundo”. Esta hemorragia tinha sido causada “pelo rompimento da artéria temporal superficial”, devido à entrada do tal braço de suspensão pelo capacete adentro. Nessa altura, os médicos ainda discutiam se deveriam operá-lo de urgência, para tentar estancar a hemorragia. Mas quando viram que a lesão estava localizada na caixa craniana, essa hipótese foi descartada, devido à delicadeza da operação, e as dúvidas sobre algum eventual bom resultado. Senna era agora um vegetal, mas a morte cerebral ainda não tinha sido declarada.


No Brasil, o país assistia em estado de choque a todos estes acontecimentos, e quem tinha coragem para assistir tudo na TV, ficava por lá, esperançado num milagre. Muitos não aguentaram e saíram de casa, mas muitos choravam e rezavam por algo que poderia não acontecer. E todos esperavam pelo próximo boletim clínico.


O pelotão da Formula 1 também estava chocado. Ainda por cima, depois do acidente de Senna, outro incidente também tinha ocorrido durante a corrida: na volta 44, quando o Minardi de Michele Alboreto fazia o seu segundo reabastecimento, uma das rodas ficou mal apertada e soltou-se descontroladamente, atirando alguns mecânicos da Lótus e da Ferrari para o hospital. Quando um mal acontece, vem sempre em grupo… No pódio, ninguém estava feliz, e o champanhe não foi aberto. O vencedor, Michael Schumacher, declarara que “Não sinto qualquer satisfação por esta vitória”. Mas momentos antes, quando saíra do carro, tinha comemorado efusivamente, como se nada tivesse acontecido. E a mesma coisa ainda tinha acontecido no pódio, ignorando a gravidade de toda a situação. Tais gestos tinham caído mal em muita gente, particularmente no Brasil.


Mas agora, o mundo inteiro estava a querer saber o que se passava em Bolonha. E quando a Dra. Fiandri apresentou o boletim médico seguinte, pelas 18 horas, era o fim: “O electroencelafograma de Ayrton Senna não apresenta qualquer actividade. Continuamos com a ventilação pulmonar. Mantêmo-no vivo apenas porque a lei italiana ainda assim o exige. Não há mais esperanças”, concluiu. Por outras palavras, estava cerebralmente morto. A sua morte física foi confirmada uma hora mais tarde, quando o seu coração entrou em paragem cardíaca. Tinha 34 anos.


A notícia da sua morte só foi noticiada no Brasil uma hora depois do anúncio oficial em Itália, às 20 horas na Europa. Por essa altura, o seu irmão Leonardo velava o corpo, acompanhado por Frank Williams, o homem que lhe deu o seu primeiro teste na Formula 1, onze anos antes. Era um sonho de Frank Williams tê-lo como piloto, e quando o teve, tal relação era abruptamente interrompida. Lavado em lágrimas, pedia desculpa ao seu irmão pelo acidente fatal ter acontecido ao volante dos seus carros, pois era algo que nunca tinha acontecido antes. Para um homem como ele, que estava em cadeira de rodas oito anos antes devido a um acidente de viação, mas que anunca desistiu dos seus propósitos, era um dia negro para ele.