sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Apresentações 2011: O McLaren MP4-26



Passada a furia do inicio da semana, agora voltamos a mais uma apresentação mais calma. Hoje é o dia do McLaren MP4-26, mostrado em plena Postdamer Platz, no centro de Berlim, e a apresentação até foi original: ao invés de simplesmente se levantar um pano para desvendar o novo monolugar, alguns mecânicos foram montando algumas partes do carro, levadas para o local por diversos adeptos que haviam ganho passatempos e por clientes da empresa. No final, chegaram os dois pilotos da equipa, Jenson Button e Lewis Hamilton, e o diretor da formação, Martin Whitmarsh, sendo Button a montar as últimas partes do novo carro.

Em relação à aerodinâmica, o novo MP4-26 é diferente do modelo anterior. Na secção dianteira, o nariz destaca-se por ser quase plano, elevado, sem curvaturas, a exemplo dos monolugares que haviam sido revelados até aqui, ao passo que a asa dianteira está bastante esculpida, tanto nas paredes laterais como junto à secção lateral. Na área dos flancos, estão esculpidos em forma de 'L', pensados para fornecerem um maior fluxo de ar para a secção posterior. E há um novo desenho da tomada de ar para o motor, que agora está dividida por dois espaços, contando ainda com uma linha descendente pouco inclinada.

O novo carro será agora levado para um 'shakedown' pelas mãos de Gary Paffett em Espanha na terça-feira, antes de iniciar os testes oficiais na quinta-feira, dia 10 de fevereiro.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Youtube Motorsport: O novo carro de estrada da McLaren



Na minha leitura diária ao blog do Joe Saward (uma das minhas mais de vinte leituras diárias, pelo menos, ao meu blogroll), ele colocou este video sobre o carro de estrada que a McLaren anda a desenvolver desde há algum tempo. A colocação do video não é inocente: estamos a poucas horas da apresentação em Berlim, na capital da Alemanha, do modelo para 2011, o MP4-26, que terá Jenson Button e Lewis Hamilton aos comandos.

Sobre o MP4-12, vou recorrer a outra das minhas leituras diárias, que é o meu amigo Mike Vlcek, do blog Formula UK. Morando em Londres, ele tem a oportunidade de encontrar e conversar com algumas figuras interessantes. Esta segunda-feira falou algumas coisas sobre a McLaren, que está a desenvolver o novo MP4-12, o primeiro carro de estrada desde o McLaren F1 em 1992, desenhado por Gordon Murray. Para além de corroborar com a fama de perfeccionista do Tio Ron, o carro poderá ser muito bem feito. E mais: eles já começaram a construir os modelos de estrada, que começarão a ser vendidos ainda na primeira metade de 2011, em 35 revendedoras oficiais um pouco por todo o mundo e algumas centenas de encomendas já feitas. O objetivo? Conseguirem em vinte anos aquilo que é a Ferrari agora.

Vai ser interessante... mas quero esperar para ver o que os meninos da Top Gear dirão sobre o carro. E também ver o "power lap" que o The Stig dará na pista. Mas pelo que leio e vejo, a McLaren está no bom caminho.

A nova tripla portuguesa na Le Mans Series?

Nos últimas semanas, soube de algo inesperado: a hipótese de termos outra equipa portuguesa na Le Mans Series. Conhecia - e é mais do que sabido - da existência da Quifel ASM Team, que este ano passou para a categoria LMP1 e com o "gentleman driver" Miguel Pais do Amaral ao lado do francês Olivier Pla no Ginetta-Zytek. Os resultados da Quifel ASM têm sido bons ao longo dos últimos anos na categoria LMP2, com vitórias frequentes na categoria e este ano eles irão dar "o salto" para a categoria principal, com o objetivo de ser um dos melhores privados de um pelotão de 22 carros, segundo a lista agora divulgada pela ACO (Automobile Club de L'Ouest).

Contudo, surgiu nas duas últimas semanas a hipótese de uma tripla de pilotos portugueses num carro da LMP2, a fazer parte ou toda uma temporada na categoria, bem como uma participação nas famigeradas 24 Horas de Le Mans. Lourenço Beirão da Veiga, Ricardo Bravo e Duarte Felix da Costa, irmão mais velho de António Felix da Costa, foram aos Estados Unidos para experimentar um chassis Radical, inscrito pela Libra Racing, e com motor Nissan. Os três pilotos experimentaram o carro na Grã-Bretanha e ficaram impressionados com o seu comportamento, que o consideraram "parecido com um formula".

As coisas ainda não estão totalmente feitas, mas os três pilotos esperam que na próxima semana possam dar novidades. Ricardo Bravo afirmou numa entrevista ao sitio 16 Valvulas que "80 por cento do budget está completo, faltam vinte por cento, mas a equipa está disposta a ajudar-nos um pouco nesse esforço".

A acontecer, poderá ser mais um bom motivo para seguir com atenção a Endurance.

Sobre a ideia da FIA de regulamentar as ultrapassagens com asa móvel

Desde o inicio da manhã que ando a ler as criticas sobre um novo artigo no regulamento sobre as ultrapassagens, mais concretamente sobre o como, onde e quando se deve usar a asa móvel nos bólidos. Até aqui, sabíamos que esta pode ser usada apenas quando o adversário estivesse a menos de um segundo, para evitar a procissão que costumamos ver na televisão, do piloto que se aproximava e ficava colado ao carro da frente, mas não ultrapassava. Pois bem, há mais umas adentas que estão a deixar muita gente com os cabelos de pé. Ei-las, cortesia do meu amigo Mike Vlcek, do Formula UK:

"1 – O piloto que vem atrás só poderá acionar a asa se estiver a menos de 1s (um segundo) de distância do carro que persegue.

2 – A asa só poderá ser acionada nos últimos 600 metros da reta designada pela FIA em cada pista.

3 – Para que os pilotos saibam exatamente quando e onde acionar a asa, a FIA pintará linhas no asfalto da seguinte forma:

3a – Na curva que antecede à reta em questão, duas linhas serão pintadas no chão, marcando a distância de 1s mínima entre os dois carros.


3b – No retão, uma linha cruzando a pista mostrará o início da zona de ultrapassagem de 600m.

4 – As ultrapassagens continuam permitidas em qualquer parte da pista (menos boxes), desde que a asa não seja acionada, logicamente.

A princípio, a FIA diz que 600m é uma distância que não deve tornar as ultrapassagens fáceis demais. A entidade acredita que esta distância resultará em uma diferença de velocidade final na ordem de 10 a 12 km/h."

A FIA diz que irá rever o regulamento caso haja necessidade após as primeiras quatro corridas do ano, ou seja, quando a Formula 1 chegar à Europa. Espero que sim, porque quem conhece as coisas, sabe que o Mónaco e o Hungaroring não são propriamente conhecidas pela sua alta velocidade e longuíssimas retas...

Até aqui, em termos pessoais, a minha opinião sobre a asa movel era "nem carne, nem peixe". Se contribuisse para melhorar o espetaculo e facilitar as ultrapassagens, excelente. Mas quando começo a ler os regulamentos sobre quando e como se deve usar a asa, quase me faz lembrar de uma exposição que visitei há uns anos sobre a Idade Média. Algures a meio, li que a Inquisição até regulamentava quando e como os casais deveriam for*****. Não podiam fazer nos dias religiosos, na Quaresma, às segundas e quartas-feiras, não podiam fazer com ela menstruada, etc... e claro, era só para fazer filhos, e a sodomia era punivel com pena de morte.

Quando vi agora a maneira como devem regulamentar as coisas nesse aspeto, é isso que me faz lembrar. A obsessão pelo espetaculo, a artificilidade da competição, para satisfazer as audiências, de uma certa forma, demonstra que a FIA muitas vezes se comporta como uma galinha que perdeu a cabeça e corre como tonta para todo e qualquer lado, procurando por algo que já não tem. E mudar os presidentes é quase como mudar as moscas: a m**** é a mesma. A estabilidade é um mito. E confesso não colocar muita fé nos regulamentos de 2013, pode haver que apreça um génio, do género Luca de Montezemolo, que queira colocar umas adendas no sentido de "sabotar" a coisa.

E depois há outra coisa, do qual só agora é que falo: os muitos botões no volante. Cada vez mais eles se tornam numa cacofonia de botão do qual tem de regular, apertar, premir. Os pilotos de automobilismo parecem cada vez mais com um piloto de aviação ou do Space Shuttle. Além de já terem o comando das marchas ao lado do volante, o que até gosto, premir botões, mais regular a asa e olhar para o espelho para ver se alguém ultrapassa - e ainda temos a volta do KERS, do qual terá de premir um botão qualquer para o colocar a funcionar - começa a parecer altamente confuso para os que vêm as coisas de fora, e até os pilotos começam a queixar-se de tanto botão.

Sabem porque adoramos o passado do automobilismo? Porque as regras de então eram mais simples. Os carros eram simples, e essa simplicidade fazia aguçar o engenho dos projetistas, que eram livres de experimentar coisas radicais nos seus carros. E numa era onde na aerodinâmica estava tudo por descobrir, vimos esses rasgos de génio em bólidos inesqueciveis. Já imaginaram se estas picuinhices politicamente incorretas de 2010 se aplicassem em 1970, por exemplo? Imaginemos, por exemplo que a FIA dissesse que todos os carros tinham de ser em aluminio. Caramba, que coisas é que não teriam sido descobertas e aplicadas para, por exemplo, salvar as vidas dos pilotos.

É certo que se queiram cortar nos custos da Formula 1 para evitar o disparo dos custos. Mas chegar ao ridiculo de dizer, onde, quando e como ultrapassar, faz-me lembrar a Inquisição e as suas regras na Idade Média.

5ª Coluna: A relativa importância que dou aos testes

Por fim, as especulações acabaram e os chassis de 2011 mostrados à imprensa. Hoje deverá ser o ultimo dia de testes no circuito Ricardo Tormo, em Valencia, mas nem toda a gente apresentou os seus chassis. Exemplo? Só amanhã é que veremos o novo chassis da McLaren. E ainda temos de ver os novos chassis da Virgin, Force India e Hispania, que provavelmente nos testes seguintes, em Jerez, Barcelona e no Bahrein, teremos mais do que tempo para os apreciar.

Quanto aos testes em si, confesso não dar tamanha importância no assunto. Não digo logo no primeiro dia que lá porque a Ferrari coloca o seu carro na frente se diga que vai ser a candidata ao título, e a mesma coisa se passará na Red Bull. Não. Só vou me importar realmente com isso quando for o primeiro fim de semana competitivo no Bahrein, dentro de sete semanas. E porquê? Pois sou um cão velho e já conheço muitos truques.

Explico: quando tinha 15 anos, assisti aos testes do Ferrari F92A, um chassis desenhado por Jean-Claude Migeot, que muitos diziam ser "do outro mundo", pelo fato de ter um fundo duplo, de ter um bico alto - era o primeiro da história da Scuderia - e que tinha outros "gadgets" que iria colocar a McLaren e a Williams num canto. E mostrava que "era o melhor" nos testes no Estoril, que normalmente era o palco por excelência dos testes de Inverno. No final, era tudo "propaganda". Os tempos eram adulterados com o carro abaixo do peso e com o depósito quase vazio, só para impressionar. E o resultado é que naquele ano, o Williams FW14 papou tudo e o F92A passou para a história como um dos piores chassis de sempre da Scuderia. E quem pagou tudo isso foi o pobre do Ivan Capelli, que só conseguiu arruinar a sua carreira na categoria máxima do automobilismo...

O moral da história é que os testes de Inverno são o que são. Servem para testar os componentes do carro, detetar qualquer problema de juventude e simular situações de corrida. Os pilotos da frente não se preocupam em marca tempos para dar nas vistas. Quem faz isso é uma Hispania, por exemplo. E acho que ontem o Narain Karthikeyan fez isso.

Quanto aos pneus da Pirelli, que volta após vinte anos de ausência, acho que aí não consigo ser muito relativo. É certo que são os primeiros quilómetros com as outras equipas, e é certo que isto não acontece a toda a gente, mas ao ver que os pneus italianos largam mais borracha do que os Bridgestone em um dia e meio, e o asfalto do Circuito Ricardo Tormo nem é tão abrasivo como alguns outros - e ainda estarmos no Inverno - causa preocupação. Ainda é cedo para soar as campainhas de alarme, mas quando se ouvem os boatos de que se puxam os cabelos em Milão pelos maus compostos que trouxeram para lá, no mínimo, fica-se atento ao que se passa.

A Pirelli prometeu que iria ter compostos que não fossem tão duráveis como os Bridgestone, causando um equilíbrio artificial, obrigando pelo menos duas trocas de pneus por corrida. Esta obsessão por um equilíbrio artificial em termos de aerodinâmica e de pneus, em claro contraste com a quase indestrutibilidade em termos de motores, chassis e caixas de velocidades, com os escapamentos em asfalto, em vez da gravilha, cheira-me no mínimo a um paradoxo, para não dizer outra coisa. Um pouco de consistência nos regulamentos seria o ideal, não acham?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Youtube F1 Classic: Zandvoort 1973, GP da Holanda



No inicio do dia, coloquei aqui o post sobre Roger Williamson, pois hoje deveria ser o seu 63º aniversário natalicio. Acho que não valia a pena colocar qualquer video sobre isso, porque acho que é algo que já foi visto milhares de vezes. Contudo, no final do dia, encontro este achado: um video de toda a corrida, numa só vez, em vez se ser às fatias, sem comentário, nada. São cem minutos de corrida, pura e dura, a cores e de alta qualidade, para os padrões de 1973.

É um verdadeiro achado, diga-se, pois é raro ver isto de uma só vez, pois esta tecnologia providenciada pelo Youtube tem pouco tempo e somente uma minoria de videos tem isto. Portanto, se quiserem, vejam o video pelos vossos próprios olhos e observem como eram as coisas antes de vocês nascerem, se tiverem menos de 35 anos...

A mais recente polemica do Top Gear

Como sabem, adoro ver o Top Gear, e agora que há novos episódios da coisa, todos os Domingos à noite ando a pesquisar no Youtube ou noutros sitios para ver se alguém colocou os novos episódios no ar. E correr como um louco, antes que a BBC os tire do ar. Estou ciente que ali haverá sempre um motivo para polémica, porque aquele programa é muito mais do que um programa de automóveis aborrecido.

Consegui ver o episódio deste Domingo e aparentemente, não vi nada que à partida causasse polémica. Contudo, ao ler ontem o Facebook do Mike Vlcek sobre uma polémica que aconteceu nesse episódio, decidi investigar o que se passara. E foi assim que reparei nas declarações do embaixador mexicano, que ficou ofendido pelo fato deles terem comparado um carro deles, o Mastretta, à comida mexicana, chamando-a de "flatulenta". O embaixador, Eduardo Medina-Mora Icaza, afirmou que as comparações que eles tinham feito ao carro e à comida foram "ofensivas, humilhantes e xenofóbicas". Uma delas foi quando Jeremy Clarkson afirmou que o embaixador mexicano "não se deveria importar com isso, porque provavelmente deve estar neste momento a dormir, com o comando da mão, à frente da televisão. Eles não irão fazer queixa, hás de ver".

Claro, o embaixador estava acordado a essa hora e fez exatamente o contrário: apresentou uma queixa formal à BBC, exigindo um pedido de desculpas da cadeia de televisão britânica devido aos "sentimentos chauvinistas [dos seus apresentadores] acerca da população mexicana". E não foram os unicos: segundo o jornal britânico Daily Mail, a BBC recebeu dezenas de queixas relativas ao caso. Será que também se queixaram sobre o Mini Countryman e o Pagani Huayra? Também gozaram com esses carros...

Amigos, de nada adianta chateá-los. Eles foram, são e serão sempre politicamente incorretos. É esse o segredo do sucesso deles. Transformaram aquilo que seria um chato programa de automóveis em algo tremendamente engraçado e instrutivo. A liberdade que têm para dizer "eu não gosto deste carro" pode até ser publicidade gratuita para essas marcas, e até pode servir para apontar os defeitos que estes têm. No inicio da nova série, em 2002, andavam atrás da Rover, especialmente os modelos feitos na India. Depois, foram atrás dos modelos feitos algures na Ásia, como os Perodua, Kia, Daewoo ou os Proton.

Querem reclamar? Façam-no se quiserem, mas estão sujeitos a algo pior. Portanto, aconselho-vos a encarar tudo na desportiva, não ligando ao que dizem. É apenas um mero programa de entretenimento!

O mau desempenho dos pneus Pirelli

Por norma, não gosto de comentar os testes de pré-temporada, pois para mim não são indicativos sólidos sobre o que vai ser a época. Já vi exemplos no passado suficientes para tirar esse tipo de conclusão. Contudo, existe um assunto no qual merece ser comentado: os pneus da Pirelli.

Recém-chegada à Formula 1, prometeu que iria fazer um composto que faria com que todos fossem às boxes pelo menos duas vezes durante a corrida, aparentemente essa pouca durabilidade serviria para causar maior emoção na pista. Daquelas artificiais, como sabemos. Pois bem, parece que esse objetivo foi cumprido. Até demais!

Segundo o sitio britânico pitpass.com, o queixoso principal é Fernando Alonso - nada surpreendente - mas o fato de dizer que com os Pirelli, há uma maior degradação dos pneus traseiros e não existe consistência nos tempos alcançados, pode nos dar uma de duas perspectivas: ou foi feito de propósito, para dar maior emoção nas corridas, ou então os compostos usados pela marca italiana não são tão resistentes como eram os Bridgestone. As pessoas que estão no local falam que existe imensa borracha espalhada na pista. E os testes estão apenas no seu segundo dia...

Paul Hembery, o diretor desportivo da Pirelli, tenta desdramatizar o assunto: " Como não estivemos presentes nos testes do ano passado, e complicado fazermos quaisquer comparações. A quantidade borracha deixada na pista depende dos compostos usados, da temperatura, bem como a maneira como chegamos a uma temperatura ideial para a otimização dos mesmos compostos. E pelo que sabemos, as condições da pista no ano passado eram chuvosas", começou por afirmar.

"A pressão é normal num trabalho como este. Queremos alcançar a excelência, apesar de estarmos a trabalhar sob um calendário apertado. Iremos saber mais à medida que que os dias passam, e receberemos mais 'feedback' vindo da pista, dos pilotos e dos engenheiros", concluiu.

Contudo, segundo o próprio pitpass, fontes bem colocadas dentro da Pirelli afirmam que não estavam supresos com estes fatos. Afirmam até que era "um desastre à espera de acontecer" e que na companhia não existem nem ideias ou organização, passando a ideia de que os mais de vinte anos de ausência na categoria máxima do automobilismo, bem como o fato de só terem começado a trabalhar sériamente neste assunto em Maio de 2010, após a confirmação por parte da FIA que seriam os fornecedores oficiais, estão por detrás de todos estes problemas. A noticia da contratação à pressa de antigos responsáveis da Bridgestone poderá demonstrar esse "apertar do botão vermelho" que está a acontecer nos lados de Milão.

E Bahrein está a sete semanas de distância...

Extra-Campeonato: As coisas no Egito começam a piorar

Vejo agora - como provavelmente muitos de vocês - as manifestações no centro do Cairo, com apoiantes pró e contra Hosni Mubarak, lutando uns contra os outros, sob o olhar do Exército. Depois de ontem, o velho presidente Mubarak ter dito que aos 82 anos, não se recandidatará a novo mandato, começou-se a tentar uma contra-revolução.

Que Mubarak cedeu forte e feio, lá cedeu. Mas ele quer sair pelo seu próprio pé em vez de ser puxado pelo povo e fugor, como fez o Ben Ali na Tunisia, isso é verdade. Só que essas pessoas perderam um pouco o medo e agora exigem o impossivel. Lembram-se a frase o Maio de 68? Andamos por aí.

Só se pode esperar e torcer para que não acabe num banho de sangue. Mas estou a ver cenas surreais, como os manifestantes pró-Mubarak, que provavelmente são organizados e ordenados por ele, e cenas como cavalos e camelos a correr pela Praça Tahir e a atacarem os jornalistas internacionais.

"São brutamontes do Partido Nacional Democrático [no poder]. Eu estava com outros num muro humano e então apareceu um grupo de gente que começou a empurrar-nos e atirar pedras contra nós", descreveu à Reuters um manifestante anti-Mubarak, com a cabeça ensanguentada dos ferimentos sofridos. Muitos acreditam que são policias disfarçados, que na semana passada andaram a espancer os mesmos manifestantes.

Como isto acabará, não sabemos, porque tudo isto está a acontecer enquanto escrevo estas linhas... é o pandemónio.

A curta vida e morte cruel de Roger Williamson

Poderia ter sido campeão do mundo. Tinha um enorme talento e tornou-se num excelente piloto na ultra-compatitiva Formula 3 britânica, a melhor do mundo. Muitos consideravam que Roger Williamson tinha talento não só para chegar à Formula 1, mas também para ser campeão do mundo, na senda de Jim Clark, John Surtees, Graham Hill e Jackie Stewart. Contudo, teve apenas duas chances para mostrar o seu talento, e ambas as suas corridas acabaram cedo. E uma delas tornou-se fatal, entrando nos livros de história do automobilismo não só pelo motivo mais cruel de todos, mas pela desesperada tentativa de um colega seu para o salvar.

" (...) A corrida prossegue, com os comissários somente a assinalar o local com bandeira amarela, pois julgavam que tal como tinha acontecido três anos antes com Piers Courage, que tinha tido um acidente fatal no mesmo local, ele também sofrera o mesmo destino. Mas subitamente, um carro para ao seu lado e tenta virar os restos do March: era o seu compatriota David Purley. De forma incrível, Williamson não tinha sofrido ferimentos graves, mas devido á maneira como o carro tinha ficado, não conseguia respirar devido aos fumos tóxicos que o seu carro emanava, devido às chamas.

As chamas eram muitas e fortes, mas os comissários nada fizeram, e para piorar as coisas, o seu chefe não mandou parar a corrida, pois julgava que, pelo que via na televisão, o carro que Purley estava a virar seria o dele. A não existência de uma comunicação direta com os comissário ali instalados fez aumentar ainda mais o equivoco, e o salvamento não se tornou urgente. Sabendo o que se passava, Williamson gritou desesperado: “Pelo Amor de Deus, David, tira-me daqui!”. Purley fazia o impossível, e pedia aos comissários para o ajudar. Mas estes não o fizeram, pois estavam desprotegidos contra as chamas vindas do carro. Quando o carro de bombeiros chegou – e ainda com a prova a decorrer – as chamas foram apagadas, mas o piloto não foi socorrido. Desesperado, Purley fez o possível, mas depois desistiu.

Incrivelmente, a corrida contiunuou e só tirou Williamson do local após a corrida, que nunca foi parada com bandeiras vermelhas. (...)"

Estes são os excertos dos momentos da cruel morte de Roger Williamson que escrevi hoje no sitio Podium GP em mais um artigo dedicado a história do automobilismo. Caso David Purley o tivesse salvo, hoje estaria a comemorar o seu 63º aniversário.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Youtube Formula One 2010: As voltas do Sauber C30



A Sauber apresentou ontem o seu carro, o modelo C30, com Kamui Kobayashi e Sergio Perez ao volante, e aproveitou a tarde de ontem para fazer o shakedown do carro para fins publicitários, ou seja, uma boa hipótese de dar umas voltas no carro novo. E a equipa aproveitou a hipótese para colocar as suas câmaras e filmar essas voltas.

O sitio F1 Times aproveitou a hipótese para fazer uma montagem com essas câmaras todas, onde a grande novidade é o que acontece mais para o fim: ver como funciona a asa móvel traseira. Para mim, apesar de saber e de ter visto a teoria, foi uma grande chance de ver como funcionam na pista. E até foi algo surpreendente de ver.

Apresentações 2011 (IV): O Williams FW33

Discreto, sem apresentação formal sem ser na Internet, o Williams FW33 rodou na pista logo de manhã em Valencia, com uma dupla sul-americana no volante: o brasileiro Rubens Barrichello e o venezuelano Pastor Maldonado. Segundo a equipa do Tio Frank, as cores apresentadas na imprensa e na pista não são as definitivas, e pelos vistos, este cor azul muito escuro e algo despido de patrocinadores parece ter assustado os seus fãs mais "hardcore".

Em relação ao design, tem o nariz alto como a maior parte das equipas, mas essa altura quase fica com a sensação de que a sua frente é reta. Quanto às expetativas, o seu diretor técnico, Sam Michael, mostra algum otimismo: "Até ao momento em que colocas o teu carro em pista, nunca saberás onde estás em relação à oposição, mas estamos otimistas. À partida, pensamos que é um bom carro, mas só teremos uma opinião definitiva nas próximas semanas.", afirmou.

"O projeto do novo carro foi feito de forma suave, tranquila. Tivemos uma melhor comunicação entre os departamentos aerodinâmico e técnico, e isso aumentou o tempo de otimização que dedicamos em cada parte do nosso chassis", acrescentou.

As primeiras voltas foram dadas hoje pelo veterano Rubens Barrichello, mas até ao final da semana o outro piloto da equipa, o venezuelano Pastor Maldonado, terá a sua vez.

Apresentações 2011 (III): o Toro Rosso STR6

Mais uma equipa que apresentou o seu bólide esta manhã foi a Toro Rosso, a segunda equipa da Red Bull no pelotão da Formula 1. O seu STR6, o segundo chassis a ser feito de forma independente, e com motor Ferrari, tenta ter como objetivo fazer melhor do que fez no ano anterior, e tentar também não ser superado por nenhuma das equipas estreantes em 2010, Virgin, Lotus e Hispania.

O chassis é uma evolução do ano anterior, apenas com um bico mais alto do que o anterior, espera-se que eles se mantenham entre as equipas do meio do pelotão. Quanto À dupla de pilotos, é a mesma: o espanhol Jaime Alguersuari e o suiço Sebastien Buemi, mais um terceiro piloto, o australiano Daniel Ricciardo.

Quanto a objetivos, Giorgio Ascanelli, o diretor desportivo, foi algo filosófico: "Não estamos a usar a mesma quantidade de pessoas que têm as outras equipas, não estamos a usar o mesmo tempo no túnel de vento do que elas, mas damos o nosso melhor, mesmo sabendo que isso às vezes não é o suficiente", disse.

Apesar da Toro Rosso usar o sistema de recuperação KERS, algo que as estreantes não terão, essa vantagem aparente não é festejada como uma vantagem por parte dele: "Esperamos que o sistema KERS esteja bom, pois o nosso sistema de transmissão é o mesmo do ano anterior, portanto se não nos causar problemas, vai estar tudo bem, pois caso contrário teremos um grande problema", concluiu.

Quanto aos pilotos, o suiço Sebastien Buemi afirma que a temporada de 2011 é importante no sentido de alcançar resultados, quer para ele, quer para a equipa: "A equipa está a fazer um bom trabalho no novo carro, e esperamos que esteja melhor do que no ano passado. Quanto amim, tenho agora maior experiência e mais tempo para me dedicar à equipa e ao carro, portanto vai ser interessante de se ver, embora temos de ver para saber o que o carro é capaz", afirmou numa entrevista ao sitio inglês GPUpdate.

Apresentações 2011 (II): o Red Bull RB7

Depois da Mercedes, a Red Bull apresentou no mesmo local o seu chassis RB7, que pretende ser o sucessor do chassis campeão em 2010. Adrian Newey parece ter apostado na continuidade de um bom trabalho apresentado no ano anterior com o RB6, que deu ambos os títulos à marca austriaca, embora com modificações: tem um bico elevado, a asa traseira é diferente do RB6, nem que seja por causa da asa móvel, e o capot-motor é maior do que o seu antecessor. Quanto à "barbatana de tubarão", esta está um pouco mais atrás do que o habitual, não chegando até à asa traseira.

Apresentado o carro, os seus dirigentes demonstram confiança que o bom trabalho desenvolvido em 2010 tenha continuidade em 2011, e que na temporada mais longa de sempre, possam manter a competitividade e chegar em posição de revalidar ambos os títulos de pilotos e construtores. Pelo menos essa confiança ficou transparecida nas declarações do seu diretor desportivo, Christian Horner.

"Nós estamos cheios de confiança, mas não arrogantes. A equipa chega a este inicio de temporada muito motivada e comprometida, mas temos que lembrar que ainda somos uma equipa independente, clientes em termos de de motor e que alcançamos algo incrível no ano passado. Este é nosso objetivo de novo, este ano.", começou por comentar.

Quanto ao fato da Red Bull estar na situação de defender o título mundial em 2011, Horner entende que a equipa não pode obcecada com uma nova conquista mas sim focar na manutenção da competitividade, para não sejam ultrapassados pelos seus rivais, Ferrari, McLaren e Mercedes. "É uma nova situação para a equipa. Foram apenas dez semanas desde Abu Dhabi, e estas semanas passaram muito rápido. Mas a realização que conseguimos foi muito especial para todos os que estão na equipa. Agora, em 2011, temos que defender nossos títulos, mas com a oposição que temos como da Ferrari, McLaren e Mercedes, então tudo que podemos fazer é deixar tudo isso no passado", concluiu.

Campeão do Mundo em 2010, Sebastien Vettel está também confiante de que o carro seja mais competitivo do que o do ano anterior, mas tem consciência de que as coisas serão mais exigentes, caso queiram chegar ao final do ano em condições para disputar o título mundial.

"Tivemos algumas mudanças em relação ao último ano. Será uma temporada muito longa, com 20 corridas. Sempre é importante começar bem, mas temos muito que desenvolver o carro da primeira corrida até a última, então é difícil fazer qualquer previsão.", começou por dizer.

"O que conseguimos no ano passado nos deixa orgulhosos e ninguém pode nos tirar isso. Mas agora estamos começando uma nova temporada, são quatro testes e 20 corridas pela frente e todos iniciam com zero pontos. Temos que nos manter focados novamente. Acho que motivação não é um problema. Temos que desenvolver a partir do que tínhamos no ano passado para os outros não nos ultrapassarem."

Quando foi questionado se já deu algum nome ao seu carro, respondeu: "Ainda não tem nome. A primeira vez que vi o carro pronto foi nesta manhã. Parece bem interessante, mas temos que ver comparado com os outros carros. Temos os testes à nossa frente e teremos uma longa temporada."

Já Mark Webber alinhou pelo mesmo diapasão da confiança na equipa, para ser capaz de defender ambos os titulos conquistados no ano anterior: "Tenho uma ótima oportunidade e uma ótimo grupo de pessoas ao meu redor para me focar e tentar melhorar aquilo que fiz no ano passado. Há algumas coisas que eu fiz de forma correta no ano passado, momentos dos quais eu me orgulho", comentou.

"Não estamos seguros como os resultados serão inicialmente porque há uma boa concorrência, mas estamos muito otimistas que o carro será muito, muito bom, e que os rapazes fizeram outro ótimo trabalho com isso.", concluiu.

Apresentações 2011: o Mercedes W02

O dia de hoje está cheio de apresentações, e começam também os primeiros testes do ano para a Formula 1, no circuito de Valencia. Hoje, Mercedes, Red Bull, Williams e Toro Rosso mostraram os seus carros, mas primeiro falo da marca alemã, dado que no domingo, mostrou uma primeira imagem do seu carro, o W02.

Tendo sido começado a ser desenhado desde o meio do ano, quando se soube da pouca competitividade do W01 em relação à concorrência, Ross Brawn decidiu inspirar-se no seu colega e rival Adrian Newey para desenhar o carro, e este ficou numa configuração mais convencional do que o anterior W01. O nariz é mais elevado, os flancos têm mais forma que no ano passado e a entrada de ar para o motor volta a ter uma configuração tradicional.

"O conceito do desenvolvimento do MGP W02 começou mais cedo e nós marcamos alguns alvos desafiadores para o projeto, combinado com um plano robusto para garantir que o passo de desenvolvimento continue durante toda a temporada de 2011", explicou Ross Brawn.

Michael Schumacher mostrou-se ansioso durante a apresentação do carro, no sentido de querer demonstrar que com o W02 não perdeu nenhuma da sua competitividade, apesar dos seus 42 anos de idade. Nas declarações que fez à imprensa, não escondeu a sua ansiedade em voltar ao cockpit de um Formula 1. "Finalmente, a espera acabou e as coisas começaram. Para nós, pilotos, o intervalo anual é difícil de encarar, pois o intervalo entre a última corrida e a próxima parece nunca acabar", começou por falar.

"Mesmo se estivesse envolvido e me atualizasse por todo o inverno sobre os desenvolvimentos do carro, ainda é difícil de ver o novo carro literalmente na minha frente", continuou o piloto, que dfeseja voltar às vitórias nesta temporada.

"Estou muito animado para esta nova temporada. Temos dito por diversas vezes mas, de novo, estamos realmente construíndo algo muito grande juntos. Estou muito confiante em que estaremos no pódio mais regularmente, de preferência no meio dele.", concluiu.

Já Nico Rosberg afirma estar confiante nas potencialidades do seu carro: "Acho que é um carro melhor no geral. A empresa se tornou mais forte, se reorganizou de diversas maneiras: colocou pessoas em diferentes posições, melhorou a comunicação entre o carro e o grupo de engenharia. Todo o carro é um grande passo à frente para nós. E tudo isso começa com a maneira como a empresa trabalha. E está trabalhando muito melhor", afirmou.

Resta saber se Ross Brawn conseguiu fazer um carro equilibrado e competitivo, que permita elevar a competitividade da equipa, perdida em 2010 depois da sensacional temporada de 2009, ainda como Brawn GP. O carro irá rodar ao longo do dia em Valencia, primeiro com Rosberg e depois com Schumacher.