terça-feira, 5 de abril de 2011

O homem do dia - Rob Walker

Sempre houve construtores privados na história do automobilismo. Pessoas com maior ou menor fortuna que compraram chassis de outros construtores e conseguiram obter vitórias com bons pilotos. Nos primeiros tempos da Formula 1, para além das equipas oficiais havia uma série de equipas privadas que usando vários chassis, conseguiam por vezes subir ao lugar mais alto do pódio. O mais famoso desses privados era gerido pelo herdeiro da marca de whisky Johnny Walker, cujos carros eram azuis com uma faixa branca, representando a sua Escócia natal.

Um apaixonado por automóveis desde a infância, hoje irei falar de Rob Walker.

Nascido em 1917, Rob Walker herda a fortuna do seu pai aos três anos. A sua mãe casa-se de novo, e o seu padrasto, para além de ser tão rico como o seu pai, era um apaixonado pelos automóveis e aos sete anos leva o seu enteado para Boulogne, para ver uma prova de automóveis. Este fica apaixonado pelos carros, algo que não o largaria para o resto da sua vida.

Ao longo da sua adolescência, arranja e corre com motos e carros à volta da sua propriedade. Preocupada, a sua mãe lhe disse que poderia ter o que quisesse, caso abandonasse os automóveis. Respondeu que queria um Rolls Royce. Quando foi para a Universidade de Cambridge, aprendeu a voar ao Esquadrão local, mas o automobilismo não andava longe. Depois de ter um Lagonda, arranjou um Delhaye onde foi correr as 24 horas de Le Mans na edição de 1939. Com Ian Connell a seu lado, acabaram a corrida num respeitável oitavo posto. Contudo, a II Guerra Mundial matou a sua carreira de piloto de automóveis e foi para a Rotal Navy como piloto.

Após o final do conflito, em 1945, voltou ao automobilismo em eventos locais, mas no final da década decidiu adquirir carros e contratar pilotos. O primeiro a ser contratado por ele foi o Tony Rolt, que na II Guerra Mundial tinha sido prisioneiro em Colditz, o equivalente alemão a Alcatraz, onde eram presos os militares que tentavam fugir de outros campos.

Após alguns sucessos no inicio da década, Rob Walker fundou a equipa com o seu nome em 1953. Com Rolt como piloto, a sua primeira participação foi na Lavant Cup de Formula 2 a bordo de um Connaught. Na corrida seguinte, em Snetterton, outro dos seus pilotos, Eric Thompson, foi o vencedor da corrida. Algumas semanas depois, Walker participa na sua primeira prova internacional com um promissor piloto chamado Stirling Moss. Foi em Rouen, numa prova de Formula 2, onde Moss participou num Cooper-Alta e acabou a corrida em quarto lugar na sua categoria. Poucas semanas depois, Tony Rolt leva o Connaught para o GP britânico, mas desiste.

Nos dois anos seguintes, Rob Walker participava esporadicamente em eventos na Grã-Bretanha e na Europa, especialmente na Formula 2 através de pilotos como Peter Collins e Tony Brooks. Em 1956 e 57, Walker começa a correr em Coopers, especialmente na Formula 2, com carros de motor atrás que se tornavam crescentemente competitivos às mãos de Brooks, Moss e o australiano Jack Brabham, que corria esporadicamente pela Rob Walker Racing.

Conscientemente de que estes carros poderiam ser o futuro da Formula 1, e que por fim eles iriam ter a motorização que mereciam (na altura eram motores de 2.5 litros), Walker encomenda um chassis Cooper e convence Stirling Moss, piloto da Vanwall, a participar na primeira prova do ano, o GP da Argentina. Como a prova era em janeiro e os Vanwall não estariam prontos a tempo, Walker aproveitou as facilidades concedidas pela organização para levar o seu Cooper, bem como a autorização concedida pela Vanwall para que Moss corresse por lá.

Quando os organizadores ficaram espantados com o carro que Walker trouxe, a principio ficaram zangados e houve criticas, mas ele seria o último a rir. Com um motor não muito potente, mas que consumia menos do que os carros com motor á frente, apostou numa estratégia sem paragens para pneus e reabastecimento... e resultou. Apesar dos esforços de Ferrari e Maserati, Stirling Moss deu à Cooper, ao motor traseiro e a Rob Walker a sua primeira vitória oficial na Formula 1. Era uma vitória marcante, que poderia não ter acontecido, pois a caixa de velocidades de Moss tinha-se avariado no inicio da corrida, e só voltou a funcionar quando uma pedra entrou na engrenagem, colocando-se de forma a fazer funcionar no resto da corrida.

Se alguns pensavam que a vitória tinha sido por acaso, a prova seguinte provou que isso não era assim. Às mãos do veterano francês Maurice Trintignant, o Cooper Climax inscrito pela Rob Walker vence nas ruas do Mónaco. O acaso passara a certeza, e todos sabiam que a Cooper era o futuro do automobilismo. Ao longo de 1958, Moss e Trintignant venceriam em diversas corridas extra-campeonato, e no ano seguinte, Jack Brabham venceria o campeonato do mundo com os Coopers oficiais. Assim começava uma nova era na Formula 1.

Nessa temporada de 1959, Walker inscreve dois carros para Moss e Trintignant, e o britânico vence duas corridas em Monsanto e Monza, enquanto que o piloto francês acabou por duas vezes no pódio, sendo terceiro no Mónaco e segundo na prova final do campeonato, na pista americana de Sebring. Fora das corridas oficiais, Moss venceu a Glover Trophy, que se disputou no circuito de Goodwood.

No ano seguinte, Rob Walker decide reduzir a sua equipa para um carro e troca de chassis, passando da Cooper para a Lotus. Mantêm a aposta em Stirling Moss, mas a época é marcada pelo acidente que o britânico tem no GP da Belgica, em Spa-Francochamps. Moss fica ausente por duas corridas e Walker não alinha durante esse tempo. Antes disso, tinha ganho o GP do Mónaco. Quando voltou, venceu a corrida final do campeonato, no circuito americano de Riverside.

Em 1961, a formula mantêm-se, mesmo com os novos regulamentos em relação aos motores, que tinha passado para os 1.5 litros. Moss é o piloto e vence na primeira prova do ano, no Mónaco, contra os Ferrari 156 Squalo, que eram os claros favoritos à vitória. Volta a vencer em pleno circuito de Nurburgring, na Alemanha, e termina o ano no terceiro lugar na classificação de pilotos, com 21 pontos. Algum tempo antes, Walker inscrevera o Ferguson P99 de motor à frente, mas com quatro rodas motrizes, guiado por Jack Fairman. Era o primeiro carro com essa tracção. Meses depois, Moss pegou nesse carro para o Oulton Park International Golden Cup e o venceu, sendo esta a unica vez que um carro com quatro rodas motrizes venceria uma prova de Formula 1.

Walker e Moss ficaram para 1962, esperando continuar com o sucesso, mas o britânico sofre um acidente grave em Goodwood e fica largos meses sem competir. Ainda com um Lotus 24, chama Maurice Trintignant para o lugar, mas não consegue marcar pontos. Para piorar as coisas, no final do ano, Walker contrata dois jovens pilotos, o mexicano Ricardo Rodriguez e o rodesiano Gary Hocking. Ambos tem acidentes fatais em provas no México e Africa do Sul, respectivamente.

Em 1963, Rob Walker contrata o sueco Jo Bonnier para um dos seus carros, agora um Cooper. Não foi uma temporada fabulosa, mas Bonnier cumpriu, e no ano seguinte, para além do Cooper, arranjou um Brabham BT7 que alugou a outros pilotos. Foi assim que deu a primeira hipótese de guiar um Formula 1 ao jovem Jochen Rindt e no final do ano acolheu outro jovem, o suiço Jo Siffert. Vai ser ele que lhe dará o seu primeiro pódio em quatro temporadas, um terceiro lugar no GP dos Estados Unidos.

Em 1965, alinha com Bonnier e Siffert, arranjando dois Brabham, num programa algo ambicioso, mas não consegue mais do que cinco pontos, todos ganhos pelo piloto suiço. E quando a Formula 1 começa a correr com motores de 3 Litros, decide ficar com Siffert. Começa o ano com o Brabham, mas depois passa para o Cooper, conseguindo apenas um quarto lugar em Watkins Glen. Em 1967, Siffert consegue mais dois quartos lugares, em Le Mans, palco do GP de França, e Watkins Glen.

Mas em 1968, Rob Walker compra um Lotus 49 com motor Cosworth e a sorte umda um pouco. Sendo o melhor chassis do pelotão, consegue, com alguma surpresa, vencer o Grande Prémio britânico, à frente do Ferrari de Chris Amon. Era a primeira vitória depois da era de Stirling Moss, e a primeira de uma equipa privada. Ainda consegue mais uma pole-position e duas voltas mais rápidas no campeonato, e doze pontos ao todo.

Aos poucos, as coias mudam um pouco, mas uma nova era vinha a caminho, e Walker sentia cada vez mais que as coisas começavam a ser puxadas para ele. Siffert continuou em 1969, conseguindo quinze pontos e dois pódios, mas este vai para a March em 1970 e no seu lugar vem o veterano Graham Hill e o patrocinio de Brooke Bond Oxo. Continuando com um chassis Lotus, primeiro um velho 49 e depois um modelo 72, Hill, que ainda recuperava do seu grave acidente no ano anterior em Watkins Glen, conseguiu apenas sete pontos. No final de 1970, Hill foi para a Brabham, e Walker depois de uma conversa com John Surtees, decidiu juntar as suas forças para se concentrar numa só equipa.

Walker ficou a ajudar Surtees, e ajudou a trazer Mike Hailwood, que lhe deu os melhores resultados de sempre da equipa em pista, com um segundo lugar no GP de Itália de 1972. A sua participação acabou em 1975, quando ajudou outro amigo seu, Harry Stiller, a comprar um chassis Hesketh para um jovem australiano de seu nome Alan Jones. Contudo, a aventura foi breve e no final desse ano, decidiu reformar-se, aos 57 anos.

Mas não ficou muito tempo afastado. Desde 1967 que costumava cobrir os Grandes Prémios como repórter da americana Road & Track Magazine e quando se retirou de forma ativa da Formula 1, continuou a andar pelos "paddocks" a cobrir os fins de semana de corridas, bem como vários artigos históricos. Contunuou a fazer esta tarefa até bem para lá dos anos 90, quando a velhice o começou a apanhar. Acabou por morrer em Abril de 2002, aos 84 anos, vitima de pneumonia.


Fontes:

Que raio o Kimi vai fazer na sua nova vida na NASCAR?

O grande caso da semana que passou foi o anuncio da ida de Kimi Raikonnen para uma experiência americana, mais concretamente na NASCAR. Durante esta semana, o piloto finlandês irá fazer um teste com um carro da Truck Series pela equipa que assinou, a Kyle Busch Motorsports, e a 20 de maio, terá a sua primeira prova na nova categoria.

"Estou bastante entusiasmado por ter esta oportunidade de iniciar a minha participação na NASCAR com a Kyle Busch Motorsports. O Kyle é um dos melhores na NASCAR e poder aprender com a sua experiência será algo de valioso enquanto faço a transição para uma nova forma de competição. Ele montou uma equipa experiente que constrói pick-ups rápidas. Estou ansioso por poder fazer parte de uma equipa que já provou ser uma vencedora, dentro e fora da pista", referiu Raikkonen na altura do anuncio oficial.

"Estamos honrados pelo facto de que Kimi Raikkonen, antigo campeão do mundo de Fórmula 1, tenha escolhido começar a sua carreira na NASCAR com a Kyle Busch Motorsports. Juntar um dos pilotos mais talentosos do mundo é a continuação da construção de uma equipa de vencedores e campeões na KBM. Estou ansioso por assistir à transição do Kimi para a NASCAR tanto como proprietário como colega de equipa", afirmou Kyle Busch, o patrão da equipa.

Convêm dizer, à partida, que Kimi terá em 2011 uma participação limitada na Truck Series, e que estará concentrado em fazer a sua temporada nos ralis, onde até está a fazer uma temporada melhor do que no ano passado. E não se sabe ainda se em 2012 passará para a NASCAR a tempo inteiro ou ainda terá uma perninha no Mundial de ralis como ele próprio ou na sua equipa, contratando outro piloto ou algo parecido. Mas em relação à sua atitude em se aventurar numa categoria onde os "rednecks" olham com imensa desconfiança os estrangeiros, e onde só recentemente é que eles começaram a dar nas vistas - vide Juan Pablo Montoya - ver Kimi Raikonnen nos States... acho algo contra-natura para a sua personalidade fechada e a sua atitude de "tou nem aí".

Não acredito que seja bem sucedido. A NASCAR é demasiado imprevisivel e são poucos os estrangeiros que são bem sucedidos. Aliás, são mais os que ao fim de um ou dois anos saem dali e vão para outras categorias do que os que chegam à categoria principal. E quando dão nas vistas, é nos circuitos convencionais e não nas ovais, onde muito raramente chegam ao "top ten", quanto mais vencer. Montoya pode ser bem sucedido, mas lutou muito com a sua equipa, a Chip Ganassi, para chegar onde chegou. E ele está determinado em ter sucesso por lá.

Será que o Kimi tem esse espírito? Tenho dúvidas. Acho que ele perderá a paciência ao fim de dois ou três anos e vai tentar outra coisa. Indy Car ou os ralis, de novo. Tem demasiado dinheiro para voltar à Formula 1, e só o faria se ganhasse muito mais do que ganhou na Ferrari, por exemplo. Mas não tenho bola de cristal para saber se tal irá acontecer...

In extremis!

A FIA pode ter dado luz verde ao Rali de Jordânia, mas o fato de terem feito um plano B para a logistica do rali - no qual os carros estão de fora, pois quem cuida disso é a FIA - está a fazer com que o material chegue muito em cima da hora a paragens jordanas, e algumas equipas contemplam a ideia de alterar os horários, pelo menos do shakedown.

Segundo diz o veterano jornalista Martin Holmes à Autosport portuguesa, a alteração dos planos para o transporte do material, que devido à situação na Siria, tiveram de agora passar por Israel, e a chegada do material às margens do Mar Morto acontecerá a 10 de abril, uma segunda-feira. E é precisamente nesse dia é que começam os reconhecimentos, logo, algumas equipas já pediram o adiamento ou a alteração dos horários, e a FIA poderá aceder a esse pedido.

Em suma, como diz o jornalista: "os pilotos e os carros vão de avião para a Jordânia pelo que por aí não vai haver problemas. Tudo o resto é que se arrisca a chegar tarde."

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A capa do Autosport desta semana

A capa do Autosport desta semana não escapa da Formula 1, mas fala também sobre o fim de semana desportivo noutras modalidades automobilisticas, como o Campeonato português de GT ou o Moto GP, em Jerez de la Frontera. Mas a foto e o titulo tem a ver com a Ferrari e o fato de terem ficado a milhas da Red Bull no GP da Austrália, a primeira prova do ano. "Porque falhou a Ferrari" é o titulo que a revista usa.

Nos subtítulos, a revista explica as razões de tal fracasso tão precoce: "Erros de projeto condicionam futuro da equipa"; "Estratégias pouco eficazes e pilotos descontentes" e "GP da Malásia vai servir de barómetro". Por esse último subtítulo, concordo. Tirando isso acho tudo demasiado prematuro...

Ainda no campo da Formula 1, a revista anuncia uma entrevista a Ross Brawn, onde se destaca a seguinte frase "Confio em Schumacher". E claro, a revista faz a antevisão do GP malaio.

Na parte de cima da revista, três referências. A primeira é uma reflaxão sobre o Rali de Portugal ("Qual é o futuro para o Vodafone Rali de Portugal") a segunda tem a ver com a prova da Moto GP que aconteceu este fim de semana em Jerez de la Frontera ("Jorge Lorenzzo aproveita a queda de Rossi e Stoner"), e por fim a referência para o começo no Nacional de GT ("César Campaniço e Ni Amorim dominam corrida de abertura")

Se sem KERS a Red Bull domina, como vai ser com ele?

Confesso ter ficado surpreendido quando soube que a Red Bull não usou o KERS no final de semana do GP australiano, e mesmo assim Sebastien Vettel dominou como quis. Agora, na semana da segunda corrida do ano, o GP da Malásia, a equipa de Salzburgo diz que vai experimentar o sistema nos treinos livres desta sexta-feira no circuito de Sepang, e só depois é que decidirá se o usará ou não.

O seu diretor desportivo, Chrstian Horner, afirmou que os seus pilotos testaram o sistema nos treinos livres de Melbourne, mas testaram o sistema na sexta-feira, mas explicou que "não estávamos seguros que fosse completamente fiável e, como queríamos a todo o custo terminar a corrida e parecíamos ter boa margem sobre os nossos rivais, optámos por o retirar do carro. Vocês conhecem o Adrian, sabem que não faz concessões no que toca às dimensões das peças, porque quer o pacote aerodinâmico ideal e, por isso, temos o KERS mais pequeno de todos. Mas é evidente que estamos a trabalhar para ter o sistema já à nossa disposição na Malásia, porque será uma bela ajuda, não só no arranque, mas também em termos de andamento puro, como se sabe. Mas como a prioridade é acabar as corridas, só o vamos utilizar quando estivermos seguros que de é completamente fiável.", referiu.

Agora todos ficam a pensar e a concorrência tem um grande temor na cabeça: caso os Red Bull, naquelas longas retas de Sepang, sejam carros absolutamente dominadores ao longo de todo o final de semana, que hipóteses terão para os apanhar nas provas seguintes? Será que depois do equilibrio algo artificial de 2010 iremos ver o dominio dos energéticos em 2011, com Sebastian Vettel a caminho de um inexorável segundo título mundial? É cedo para responder, e existem ainda muitos fatores externos a ter em conta, nomeadamente o comportamento dos pneus Pirelli - fala-se que poderão haver quatro paragens - mas parece que o fantasma de um dominio paira no ar. E se assim for, há muitas cabeças em perigo...

Você gostaria de depositar as suas cinzas num circuito?

Esta vem do Joe Saward. Hoje anda a escrever, mais uma vez, de como a Europa tem muito a aprender com os americanos, especialmente na parte de atrair a geração mais jovem para as suas categorias. Ele fala que em Charlotte, um dos circuitos que recebe a NASCAR, irá ser instalada o maior ecrã de alta definição do mundo, com uma dimensão de 24 metros de altura por 61 de largura. Mas o que me levou a escrever isto não foi o ecrã gigante, mas sim algo mais para o bizzarro.

A história é simples de se contar: a organização que controla o Daytona Speedway está a fazer "lobbying" para que o estado da Florida aprove a construção de um "columbário" no seu circuito. E quando se fala de "columbário", não é porque decidiram mudar de ramo e dedicar-se ao negócio de criação de pombos. É outra coisa: é permitir que se depositem as cinzas dos entes queridos que sejam amantes de automobilismo.

Quando as pessoas morrem, a cremação é uma hipótese que muitos tomam, pois há pessoas que desejam que as suas cinzas sejam depositadas nos sitios onde mais gostam, seja no mar, etc. Mas há quem goste que deposite as suas cinzas num estádio de futebol ou como neste caso, numa pista de automóveis. E quem diz Daytona, pode se dizer Indianápolis, Laguna Seca, etc, pelo menos no caso americano.

Segundo diz o Joe, a organização tem intenção de construir esses columbários e alugar a quem esteja interessado por valores a rondar os quatro mil dólares por um período de vinte anos, no mínimo, e com a opção de mais tempo, caso estejam interessados. Certamente que os promotores desta proposta sabem perfeitamente que ter um columbário num circuito teria o potencial de atrair turistas, e consequentemente, mais receitas, etc, etc...

Bizarro, mas válido. Afinal, como sabemos, há imensa gente maluca para tudo. E nos US of A, haverá sempre aquele milhão de malucos que desejam ver as suas cinzas espalhadas ou guardadas no seu circuito favorito, para ouviur os roncos dos motores até à eternidade...

domingo, 3 de abril de 2011

Sobre o acidente mortal de Gustavo Sondermann



É o que dá escolher os teus amigos: mesmo estando onde estou e não saber nada sobre a competição em si, soube do acidente quase de imediato, via Twitter por volta das seis da tarde por estas bandas. E mesmo ali, notei a gravidade da mesma. O fato das pessoas me terem dito que ele tinha sido reanimado quase de imediato devido a uma paragem cardíaca, fez-me desejar que o pior não acontecesse. Mas infelizmente não aconteceu: o piloto em causa, Gustavo Sondermann, foi transportado para o hospital e os médicos declararam esta noite a sua morte cerebral. Tinha 29 anos.

Sempre nos disseram que o automobilismo é perigoso. Conheço suficientemente bem a sua história para poder dizer que se fez imensa coisa para a melhorar, e tenho de agradecer a personagens como Jackie Stewart, que lutou muito para que os carros e os circuitos fossem seguros para todos: pilotos, comissários e espectadores. E ainda bem: há quase 17 anos que não há um acidente fatal na Formula 1, por exemplo. E queremos que isto continue assim.

Mas também sei que o risco de morte não está eliminado a cem por cento, quer na Formula 1, quer noutras categorias. Existem coisas das quais não conseguimos controlar. O exemplo de Felipe Massa, no GP da Hungria de 2009, pode ser usado, mas tudo que pode ser feito, deve ser feito. É por isso que nos últimos anos tivemos a introdução de coisas como o sistema HANS, que impede que os pilotos sofram fraturas na base do crânio, normalmente fatais, como aconteceu a Dale Earnhardt Sr. em 2001.

Mais do que partir para caças às bruxas, como inevitavelmente acontecerá, porque as pessoas se lembram do passado, as pessoas devem consciencializar-se acima de tudo que nunca existirá um desporto cem por cento seguro. Que o risco de morte nunca será eliminado, nem no automobilismo, nem do desporto em geral. Até no futebol morrem jogadores, e não vamos impedir que se jogue futebol. O que se pode fazer é melhorar aquilo que pode ser melhorado, sem apontar o dedo a A ou B, ou estragar o espectaculo.

Acidentes irão acontecer, infelizmente. Espera-se que a tecnologia e o treino sejam suficientes para não morra mais ninguém.

Volkswagen no WRC: os rumores são cada vez mais fortes

Talvez seja o mistério mais mal escondido do Mundial WRC em 2011: a participação da Volkswagen. Apesar de não haver qualquer anuncio oficial, e a possibilidade de um anuncio oficial no fim de semana do Rali de Portugal ter sido adiado para mais tarde, a razão porque isto não é mais do que um rumor sem fundamento é devido à contratação a peso de ouro de vários elementos técnicos da Citroen e Ford. Uma dessas contratações foi Francois-Xavier Demaison, engenheiro que trabalhou na Peugeot, Citroen e Subaru que está a desenvolver o carro, que será o modelo Polo, depois de terem pensado inicialmente no Scirocco. O responsável máximo do projeto irá ser o espanhol Carlos Sainz.

Segundo o que diz hoje na Autosport portuguesa, Sebastien Löeb tinha sido convidado no inicio do ano a pilotar para a marca a peso de ouro, mas este recusou. O norueguês Petter Solberg foi o alvo seguinte, mas ainda nada se sabe sobre a resposta dada pelo veterano piloto norueguês, campeão do mundo em 2003. Mas como ele anda desejoso de um lugar numa equipa oficial, poderá ser que aceite o convite.

Quanto a anuncios oficiais, depois de gorar a hipótese portuguesa, agora se fala que poderá haver anuncio oficial ou no Rali da Sardenha, no inicio de maio, ou em agosto, por alguras do Rally Deutschland. E que irão investir pesado - fala-se de valores da ordem dos cem milhões de euros - pois querem começar a ganhar o mais rapidamente possivel.

Youtube Endurance: a confusão na largada das Seis horas de Le Castelet



Começou esta manhã a Le Mans Series, no circuito de Paul Ricard. A corrida está ainda decorrer, mas a confusão já começou nos primeiros metros da prova com um acidente no minimo bizarro. Quando as luzes acenderam para o verde, inexplicavelmente, o Safety Car não entrou nas boxes (ou então aconteceu o contrário) e a confusão se instalou atrás da grelha, com os pilotos da categoria GTE a sofrerem pequenos toques, alguns deles atirados contra o muro.

Em suma, uma confusão organizativa. Um belo tiro no pé que estragou a corrida de alguns pilotos. Espero que depois essa equipas mandem a conta para a organização...

sábado, 2 de abril de 2011

O piloto do dia - Juha Kankkunen

Uma carreira longa e diversificada foi aquilo que ele teve. Vindo do pais dos Mil Lagos, escolheu desde cedo aquilo que queria fazer devido à influência do seu pai, também piloto. Teve bons professores e começou desde cedo a correr nos ralis, sendo um dos melhores da sua geração. A carreira de Juha Kankkunen só não passou pelas pistas, mas nas classificativas, para além dos quatro titulos mundiais, venceu também o Rali Dakar, em 1988, ao serviço da Peugeot. Correu em quase todas as grandes construtoras e foi campeão em cada uma delas, e em 2010, aos 51 anos, saiu do conforto da reforma para correr uma última vez o seu rali natal, terminando no oitavo posto. No dia do seu 52º aniversário natalicio, falo de Juha Kankkunen.

Juha Matti Pellervo Kankkunen nasceu em Laukaa, no centro de Finlândia, a 2 de Abril de 1959. Seu pai competia nos tempos livres e cedo o ensinou a guiar um carro. Com sete anos já sabia guiar e teve o seu primeiro automóvel aos doze anos. Aos 19 começou a competir a sério e a sua primeira parricipação em ralis data de 1979, num Ford Escort. acabou o rali na 14º posição, o que não fora um mau começo. Continuou a participar esporadicamente até 1983, altura em que assinou um contrato com a Toyota Team Europe, equipa fundada e mantida por outro nórdico, o sueco Ove Andersson.

As participações são esporádicas no Mundial de ralis, dado que a Toyota não tinha uma máquina digna de competir com os carros de Grupo B, até que dá nas vistas e vence o dificil Rali Safari de 1985, a bordo de um modelo Celica. Repete o feito no Rali da Costa do Marfim, no final do ano, conseguindo 48 pontos e o quinto lugar da classificação geral.

Estas performances são mais do que suficientes para que a Peugeot o contratasse para a sua equipa na temporada de 1986, em substituição de Ari Vatanen, que estava a recuperar do seu acidente quase fatal na Argentina. Kankkunen aproveitou a oportunidade e venceu na Suécia, Acrópole e na Nova Zelândia, e obtendo um lugar no pódio na Finlândia, Sanremo e no Rali Olympus. Mas a temporada, já controversa com os acidentes no rali de Portugal e o acidente fatal de Henri Toivonen na Volta à Corsega - que resultou na abolição imediata dos Grupo B - acabaria com polémica no rali de Sanremo, quando os comissários locais decidiram ilegalizar os Peugeot 205, alegando que tinham saias ilegais. O seu diretor desportivo, o francês Jean Todt, contestou a decisão e apelou à FISA.

Enquanto este apelo não era respondido pela entidade suprema do automobilismo, Markku Alen, o seu compatriota da Lancia, vencia o Rali Olympus, nos Estados Unidos, e era considerado campeão do mundo. Onze dias depois, a FISA dava razão á Peugeot e anulou os resultados do Rali italiano, dando o título de campeão a Kankkunen, que então com 27 anos, era o mais jovem de sempre a vencer o título. Ironicamente, a Peugeot retirava-se da competição no final da temporada e Kankkunen iria... para a Lancia.

Em 1987, a sua participação no Mundial foi limitada a sete das treze provas da temporada. Em Monte Carlo, Kankkunen liderava o rali até à ultima etapa, quando o seu diretor, Cesare Fiorio, ordenou a ele para que abdicasse da vitória a favor de Massimo Biasion, o primeiro piloto da marca. Contudo, apesar da temporada limitada, venceu no Rali Olympus, batendo Biasion, e no Rali RAC, a última prova do ano. conseguiu pódios na Suécia e na Grécia e bateu Biasion por seis pontos. Conseguia renovar o título, e era o primeiro a fazê-lo por equipas diferentes. Mas Kankkunen nunca tinha estado confortável na Lancia e não gostava das ordens de equipa, que lhe tinham custado uma vitória em Monte Carlo. Aliás, nunca ganhou esse rali na sua carreira...

Sendo assim, mudou-se para a Toyota em 1988. Mas no inicio do ano vai participar no Rali Dakar ao serviço da Peugeot, onde vence na categoria de automóveis. Depois de um primeiro ano dificil, o segundo foi melhor. Tendo como companheiro de equipa um jovem espanhol chamado Carlos Sainz, Kankkunen vence no Rali da Austrália e termina o campeonato no terceiro posto, agora com o novo Toyota Celica GT-4. Mas por essa altura, Kankkunen tinha assinado com a Lancia no sentido de regressar à equipa deles em 1990. Quando o fez, viu que o carro que tinha desenvolvido ao longo de duas temporadas estava nas mãos do seu ex-companheiro Sainz... e era candidato ao título. Ele fez o seu melhor, mas só conseguiu uma vitória na Austrália e repetindo o terceiro lugar no campeonato, com o espanhol como campeão do mundo.

Em 1991, com o Lancia Delta Integrale devidamente desenvolvido, Kankkunen faz uma grande temporada, conseguindo vitórias no Safari, Grécia, Finlândia, Austrália e o RAC, conseguindo o terceiro título mundial, batendo Sainz por sete pontos após este ter vencido a última corrida do ano. No ano seguinte, é mais regular - acaba todas as provas do ano no pódio - mas só vence em Portugal, a terceira prova do campeonato. No final, pderde o título para Carlos Sainz, desta vez por dez pontos: 144 do espanhol contra 134 do finlandês.

No final de 1992, a Lancia retira-se oficialmente da competição, e na temporada de 1993, Kankkunen vai para a Toyota, no lugar... de Carlos Sainz. Nesta sua terceira passagem pela Toyota, vence cinco provas - Safari, Argentina, Finlândia, Austráli e RAC - tornando-se facilmente no campeão do mundo, que o alcançava numa inédita quarta vez. Este era o seu terceiro título numa marca diferente, depois da Peugeot e Lancia.

As coisas em 1994 se tornam um pouco mais dificeis, dado que a Toyota tinha agora a forte concorrência da Subaru. Ele vence em Portugal, mas logo depois apanha um grande susto no Safari. Consegue mais três pódios e termina o ano no terceiro lugar do campeonato. Em 1995, a competitividade dos Toyotas começava a descrescer e Kankkunen iria ter o seu primeiro ano sem vitórias desde 1985, apesar dos seus quatro pódios. Mas no final do ano, na Catalunha, os comissários descobrem restritores de turbo ilegais nos seus carros e a FIA não está com mais medidas e exclui imediatamente a Toyota do mundial, poupando a classificação dos pilotos.

Assim sendo, Kankkunen, com 36 anos, decide entrar num estado de semi-retirada, correndo pontualmente em alguns ralis na temporada de 1996. A meio do ano seguinte, a Ford contrata-o para um dos seus carros, em substituição do alemão Armin Schwarz e as suas performances são os suficientes - cinco pódios, dos quais quatro segundos lugares - para conseguir o quarto lugar do Mundial com 29 pontos. Kankkunen continuou em 1998, com o belga Bruno Thiry a seu lado, mas nesse ano, a Ford estava a preparar a sua nova máquina, o Ford Focus, e apesar dos inumeros pódios, não venceu qualquer corrida. Mesmo assim foi de novo quarto no Mundial, com 39 pontos.

Kankkunen esperava continuar na Ford, mas esta decidiu contratar o escocês Colin McRae, e assim sendo, Kankkunen fez o caminho inverso, assinando pela Subaru e aproveitando o modelo Impreza e tendo como companheiro de equipa o inglês Richard Burns. A temporada começou bem com um segundo lugar no Monte Carlo, e a meio do ano vence na Argentina, a sua primeira vitória em cinco anos. Repete o feito na Finlândia, naquela que viria a ser a sua 23ª vitória da carreira. tinha já quarenta anos e ainda se considerava no auge das sua capacidades. Mas aquela vitória viria a ser a sua última no WRC. No final do ano, repetiria o quarto lugar das duas temporadas anteriores, com 44 pontos.

Em 2000, Kankkunen tem três pódios, mas numa temporada onde havia sete construtores na estrada - Subaru, Mitsubishi, Peugeot, Seat, Toyota, Ford, Seat e Hyundai - e uma nova fornada de bons pilotos como Marcus Gronholm, Markko Martin e outros, Kankkunen tem uma temporada modesta, acabando no oitavo lugar da classificação. No final do ano, a Prodrive oferece um contrato nos seus piores termos e decide parar temporariamente a sua carreira.

Em 2001, a Hyundai convida-o para participar no Rali da Finlândia num dos seus carros, mas retira cedo devido a problemas mecânicos. Em 2002, a marca coreana oferece-lhe uma temporada completa, mas ele perfere fazer uma temporada em part-time. O seu melhor resultado é um quinto lugar na Nova Zelândia e no final do ano, retira-se de vez dos ralis.

Ao longo da primeira década do século XXI, tenta a sua sorte em várias áreas. Primeiro a politica, seguindo os passos de Ari Vatanen, mas não foi bem sucedido. Depois torna-se acionista de uma companhia "low-cost" local, a Flying Finn, mas entra em falência em 2004, apenas dezoito meses após a sua inauguração. Mas nem tudo foi mau: em 2007, a Bentley desafia-o para bater o recorde de velocidade sobre o gelo, conseguindo 321,65 km/hora em Oulu, numa pista desenhada no Mar Baltico. Repete a façanha no inicio de 2011, melhorando o recorde para 330,695 km/hora.

Alguns meses antes, em 2010, decide voltar aos ralis. Tinha 51 anos e aproveita o fato do Rali da Finlândia comemorar o seu 60º aniversário para em conjunto com o navegador Juha Reppo, que correu com ele nos tempos da Ford, Subaru e Hyundai, pcrrer o rali. Num Ford Focus WRC preparado pela Stobart, Kankkunen mostrou o que valia e terminou-o no oitavo lugar, mostrando que "quem sabe, nunca esquece".

Fontes:

Seis Horas de Le Castelet: Rebellion é pole-position, Quifel em terceiro

Este fim de semana marca o começo da temporada na Le Mans Series, com a realização das Seis Horas de Le Castelet, no circuito francês de Paul Ricard. Sem as equipas oficiais da Peugeot e da Audi, que testam as suas novas máquinas com vista à prova seguinte, os 1000 km de Spa-Francochamps, e claro, as 24 Horas de Le Mans, a primeira etapa da competição europeia de Endurance arranca com as outras equipas inscritas na categoria LMP1, LMP2 e Formula Le Mans e GTE.

E o melhor na qualificação foram os Lola-Toyota da suiça Rebellion Racing, com Neel Jani a fazer o melhor tempo. Jani, que fez o reisto de 1.46,783 segundos, fará parelha com Nicolas Prost, o filho de Alain Prost, foi mais rápido em 0,242 segundos sobre o Pescarolo-Judd oficial do francês Emmanuel Collard. Ambos foram mais rápidos que o Ginetta-Zytek da portuguesa Quifel ASM de Miguel Pais do Amaral e Olivier Pla.

"Poderíamos ter claramente batido pelo menos o segundo melhor tempo se, na nossa melhor volta lançada, não tivéssemos sido perturbados por um dos Toyota", explica Maurício Pinheiro, diretor da equipa Quifel ASM Team à Autosport portuguesa. A equipa prevê uma dura luta pelo pódio, quem sabe até pela vitória. "Amanhã deverão ter de parar nas boxes mais cedo na fase inicial da corrida", vaticinou Pais do Amaral.

A grande novidade da prova francesa é o aparecimento do Aston Martin AMR-One guiado pelo alemão Stefan Mücke, e que cautelosamente fez o 11º tempo nsta qualificação, dado que encara esta prova como um primeiro teste sobre a fiabilidade e a consistência do seu carro em provas de Endurance. Nessa corrida, Mücke terá Harold Primat e Darren Turner a guiar o novo bólido construido pela Prodrive. À frente deles, na quinta posição da geral, está o primeiro dos LMP2, o ORECA-Nissan da TDS Racing, pilotado por Matthias Beche, em conjunto com o francês Pierre Thiriet e o britânico Jody Firth.

A biografia de "Black Jack" Brabham

(...) “Black Jack” nasceu John Arthur Brabham a 2 de Abril de 1926 em Hurtsville, nos subúrbios de Sydney. Era filho de um merceeeiro, e aos quinze anos abandonou a escola para ir trabalhar para uma oficina, como mecânico de automóveis. Quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial, serviu na Força Aérea Australiana como mecânico, ficando lá até ao seu final, em 1945. Quando aconteceu, tinha 19 anos e decide abrir uma oficina. Nessa altura, conhece um americano chamado John Schoenberg, que o convida a ver uma corrida de “midget cars” numa pista de terra perto de sua casa.

Impressionado com o que viu, decide comprar um e correr nas várias pistas de terra do seu estado, a Nova Gales do Sul. Começa a vencer corridas atrás de corridas e torna-se campeão do seu estado e campeão nacional por várias vezes, entre 1948 e 1951. Com o tempo, começa a correr também em pistas de asfalto, comprando um Cooper e o modificando constantemente, de forma a ser um dos melhores do sal pais. Em 1955, já tinha 29 anos e era um dos melhores do seu pais, e foi nesse estatuto que foi correr em Ardmore, palco do Grande Prémio da Nova Zelândia, que trazia alguns dos grandes pilotos britânicos. Contra uma concorrência desse peso, vence a corrida e impressiona Dean Delamont, do Royal Automobile Club, que o convida para que passasse uma temporada na Grã-Bretanha. Brabham aceitou, convencido que seria só um ano. Acabaria por ficar durante quinze." (...)

Faz hoje 85 anos de idade. Tem as maleitas próprias da velhice, com problemas de visão, de rins - tem de fazer diálise trêsa vezes por semana - e está quase surdo. Hoje em dia, parece que poucos dão o devido valor, em comparação a Stirling Moss, por exemplo, mas ele conseguiu algo único na Formula 1: fundou e construiu uma das maiores equipas do seu tempo, e em 1966, com 40 anos de idade, conseguiu a proeza de vencer e ser campeão do mundo como piloto e construtor ao mesmo tempo. Outros, influenciados por ele, tentaram, como Dan Gurney (Eagle), Bruce McLaren ou outros, mas o seu sucesso foi bem menor.

Apesar de tudo, é uma lenda do automobilismo. O mais antigo campeão do mundo ainda vivo, é um homem imensamente respeitado entre os seus. E no dia do seu aniversário, falo dele no sitio Pódium GP.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Youtube Rally: a bordo do carro de Armindo Araujo



Ao contrário da Formula 1, o WRC dá acesso total aos seus videos, quer sejam "onboard", que sejam captados pelos fãs ou pelas televisões locais, ou que os outros falam os seus videos. Aliás, eles até agradecem! Como veem, a diferença entre Formula 1 e os ralis é semelhante ao dia e a noite...

Uma semana depois do Rali de Portugal, o canal oficial do WRC no Youtube disponiblizou videos onboard de vários pilotos, "by request" ou seja, a pedido. Qualquer um que queria ver, por exemplo, videos onboard do Jari-Matti Latvala, ou do Matthew Wilson, ou claro, de Sebastien Löeb e Mikko Hirvonen, eles fazem. E no meio destes videos, vi um do Armindo Araujo, que agora anda no seu Mini. É na nona classificativa, e tem alguns comentários interessantes, quer técnicos, quer de desabafo sobre o esatado do carro...

Hispania: os pontos fortes e os possiveis salvadores da pátria

Por estes tempos, falar sobre a Hispania é quase uma inevitabilidade. Como os impostos, a morte e o FMI. Falei sobre eles na terça-feira e hoje debruço-me sobre um artigo escrito ontem pelo James Allen no seu blog. Mais do que um "update", trata-se de uma conversa que teve com Geoff Willis, e como provavelmente as coisas que José Ramon Carabante e Colin Kolles andam para aí a dizer, podem ter uma ponta de verdade.

Segundo ele, uma das razões pelo qual a Hispania não alcançou tempos abaixo do limite dos 107 por cento tinha a ver com a asa frontal, que não tinha passado os testes de resistência exigidos pela FIA, e que por causa disso, tiveram de andar com o pacote aerodinâmico do F110. E Willis acredita que, com esse novo pacote, poderão andar mais rápidos do que os Virgin de 2011, cujo chassis é desenhado computorizadamente por Nick Wirth. E claro, nas hostes da Virgin, esse temor é bem real, pois como é sabido, o carro de Vitantonio Liuzzi foi apenas 1,7 segundos mais lento do que o pior dos Virgin.

Caso isso seja verdadeiro, pode-se dizer que Willis é o menos culpado da situação atual da Hispania, uma equipa que precisa de dinheiro como nós precisamos de respirar. Mas até nesse aspeto, existe algo que James Allen assinala no seu post: Carabante foi procurar dinheiro e patrocinadores na Russia, e aparentemente poderá ter arranjado um salvador bem conhecido: Vladimir Antonov, o uzebeque dono do Snoras Bank. Aparentemente, Carabante pode ter pedido dinheiro emprestado ao Snoras Bank, dando como garantia a equipa, e que em caso de falha nos pagamentos, o banco poderia avançar para ficar com a equipa. Antonov, como é sabido, é ultra-rico - tem quase sete mil milhões de dólares de patromónio - está apaixonado por automóveis, pois quer comprar a Saab e deseja o colocar nos ralis a partir de 2013, o mais tardar. E recentemente uma das suas firmas adquiriu os direitos de transmissão do Mundial WRC de ralis.

Agora a grande pergunta é saber se ele quer só investir nos ralis ou não. Ter para si uma equipa no qual poderia colocar a sua marca nos palcos um pouco por todo o mundo, quase de presente, seria uma oportunidade que não deixaria escapar. Mas Carabante e Kolles prefeririam que esse negócio acontecesse através de uma compra e não de um arresto...

Noticias: FIA garante Rali da Jordânia

No Primeiro de Abril, todas as noticias terão de ser vistas duas vezes, mas parece que esta é verdadeira. A FIA conseguiu esta manhã resolver os problemas de logística referentes ao Rali da Jordânia e este irá adiante na data prevista, que é dentro de duas semanas, de 12 a 14 de Abril.

As dúvidas sobre o rali jordano apareceram no final da semana passada, devido à instabilidade politica no Médio Oriente, cujo último país a ser atingido foi a Siria, onde existem protestos um pouco por todo o país contra o regime dos Assad, exigindo democracia e o levantamento do estado de emergência, que está em vigor desde... 1963. E algumas equipas como a Citroen, usam a Siria como ponto de passagem do seu material para Amã, a capital da Jordânia, e esta, pela voz de Olivier Quesnel, tinha pedido à FIA em Faro, por alturas do Rali de Portugal, para que a etapa fosse cancelada.

Contudo, de acordo com a Autosport britânica, a FIA poderá ter conseguido uma rota alternativa que consegue evitar as regiões problemáticas e faça com que o rali prossiga como previsto, à volta do Mar Morto. Espera-se uma confirmação por parte das equipas ainda hoje.