quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Noticias: Virgin pertence agora aos russos

Richard Branson confirmou esta manhã aquilo de que falei ontem: uma parte significativa da equipa cairá nas mãos do construtor russo de automóveis Marussia em 2011. O acordo prevê uma parceria para os próximos quarto anos, sendo que a equipa passará a denominar-se Marussia Virgin Racing. "Já sabíamos que o primeiro ano ia ser difícil para a Virgin pelo que estou encantado por ter assegurado parceiros que comungam da mesma visão e espírito para desafiar o 'establishment'. Estou ansioso por trabalharmos juntos!", concluiu.

Quanto a pilotos, Timo Glock foi confirmado, mas nada se fala sobre o segundo. Tanto pode ser o próprio Lucas di Grassi, como as duas hipóteses que foram referidas pela imprensa especializada: o holandês Gierdo van der Garde e o belga Jerome D'Ambrosio.

Já agora, a Virgin continuará a apostar no CFD (em português simples, irão apostar num supercomputador para desenhar o carro) e vão fazer um "upgrade" no computador que têm para que tenha a capacidade de produzir 3,3 tetrabytes de dados por dia. Os novos upgrades devem estar prontos em Janeiro, mas não a tempo de afetar o desenho do carro para 2011. Contudo, Nick Wirth, o homem que desenhou o chassis deste ano, está confiante que com o novo desenho irá conseguir mais dois e três segundos por volta do que o chassis de 2010. A conferir.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

As entrevistas da Blogosfera

Confesso que já não ando a fazer esta parte há algum tempo, mas tenho planos para voltar a fazer isso no defeso. Até lá, posso mostrar duas coisas que foram feitas por participantes na blogosfera, e ambas imperdíveis.

O primeiro é o Alexandre Carvalho, no seu blog Almanaque da Formula 1. Pode não publicar todos os dias, mas consegue ter uma qualidade que muitos de nós adorariam ter, pelo menos nesse capítulo. E a sua mais recente entrevista é com Bertrand Gachot, ex-piloto belga (nascido no Luxemburgo e filho de pai francês) que em 1991, quando corria na Jordan, fora preso devido a uma rixa com um taxista em Londres, meses antes. E o seu substituto nessa altura foi um jovem chanado Michael Schumacher. Actualmente, Gachot é o presidente da Hype, uma firma de bebidas energéticas. Para a ler na integra, cliquem aqui.



A segunda entrevista foi feita pelo Leandro Verde, com um piloto belga que ele viu num video há muito tempo. E porquê este piloto em particular? Porque ele teve um acidente algo arrepiante em Zandvoort em 1990, e por incrivel que pareça... sobreviveu sem um unico arranhão. Tando que ele estava de volta ao carro duas semanas depois, em Zolder. O nome desse senhor é Marc Delpierre, agora com 40 anos, e até teve uma carreira razoável nos monospostos, antes de de se concentrar numa carreira de relações publicas, no Mónaco. Para a ler na íntegra, cliquem aqui.

Noticias: Felix da Costa confirmado no "rookie test" de Abu Dhabi

Já se começam a anunciar os "rookies" que irão testar os carros de Formula 1 no teste que vai haver em Abu Dhabi na semana a seguir à última corrida do ano. A Ferrari anunciou hoje que será dada uma oportunidade ao francês Jules Bianchi, da GP2, ao russo Mikhail Aleshin, ao checo Jan Charouz e ao belga Jerome D'Ambrosio na Renault, ao australiano Daniel Ricciardo na Red Bull e ao francês Jean-Eric Vergne na Toro Rosso.

A grelha dos "rookies" está a ficar composta, mas hoje queria falar de um anuncio feito ontem, da presença do português Antonio Felix da Costa nestes testes, a bordo de um monolugar da Force India, que como sabem, já foi Spyker, Midland e... Jordan. A equipa onde Tiago Monteiro correu em 2005. Para além dele, a Force India também confirmou que o escocês Paul di Resta, habitual terceiro piloto, e o holandês Yelmer Buurman, com experiência na GP2 e que corria este ano na Superleague Formula, também participará nesses testes.

"Agora sim posso dizer que vou guiar para a equipa Force India, será um dia marcante na minha carreira e espero que seja o primeiro de muitos ao volante de um Formula 1. A Force India é uma equipa aguerrida, muito consistente e com muita ambição que evoluiu muito nos últimos anos, portanto espero efectuar um bom trabalho e poder mostrar o meu potencial. Estive já em Inglaterra nas instalações da Force India em Silverstone para um primeiro contacto com a equipa e todo o seu staff, fiz o meu banco e tive a oportunidade de trabalhar no simulador para um primeiro contacto com o circuito de Yas Marina. Gostaria de agradecer à Force India por me ter proporcionado esta oportunidade, ao Tiago Monteiro e à Sowhat Management, que têm sido incansáveis no acompanhamento muito profissional da minha carreira", revelou o piloto no seu comunicado oficial.

Quanto a Tiago Monteiro, que tem vindo a ajudar na sua carreira nos monolugares, também demonstra a felicidade por Felix da Costa ter a sua primeira oportunidade de andar num Formula 1: "Sei que algumas equipas de Formula 1 e a Force India em particular tem seguido de perto a evolução do António como piloto não só de Formula 3, mas também nas duas corridas de GP3 por ele disputadas este ano. A sua postura em pista, a facilidade com que se integra no seio das equipas e face aos resultados por ele obtidos foram argumentos mais do que suficientes para que a Force Índia mostrasse interesse em avaliar o António nos testes 'rookie days' em Abu Dhabi. Apesar de mais cedo do que inicialmente previsto, será uma oportunidade de ouro numa altura importante da carreira do António rumo à Formula 1. O António tem muito talento, está muito focado no seu trabalho e acredito vivamente que irá fazer um bom trabalho com a equipa, o que poderá abrir muitas portas para o seu futuro", confidenciou no mesmo comunicado.

Como é óbvio, Felix da Costa não irá para a Formula 1 em 2011, mas eventualmente não faltarão opções para o seu futuro. GP2, GP3 e até a Formula 3 são opções válidas para o piloto português de 19 anos e que completou este ano a sua terceira temporada nos monolugares. Quanto a outros pilotos portugueses, fala-se que Ricardo Teixeira está mais do que certo, e que Alvaro Parente continua a ser uma boa possibilidade para a Lotus.

Rumor do dia: Virgin vai ser vendida para um construtor russo

Caso se confirme, será um anuncio no mínimo bombástico. Mas é certo que das três estreantes, a Virgin era a equipa mais discreta e a que teve menos noticias sobre a sua situação na temporada de 2010. Mas esta tarde, o jornalista brasileiro Victor Martins afirma no seu blog que a Virgin anunciará amanhã num conferência de imprensa em Abu Dhabi a venda da sua equipa para o fabricante russo de supercarros Marussia, que está neste momento como uma das patrocinadoras principais da Virgin.

O estranho desta noticia é que a equipa, que tem um ano, vai ser vendida para um fabricante de carros que tem, imagine-se, dois anos de vida. E a pessoa por detras desta companhia tão novata chama-se Nikolai Vladimirovich Fomenko, um homem de 48 anos muito famoso no seu país como musico, apresentador - chegou a produzir a versão local do "Top Gear" e depois homem de negócios. E claro, com algum curriculo no automobilismo, como piloto, que conta com duas participações nas 24 Horas de Le Mans, em 2004 e 2005. Os modelos da Marrussia são equipados com, curiosamente, motores V6 Cosworth de 3.5 litros. Logo, até pode haver sinergias entre os dois lados.

Quanto a pilotos? Muito provavelmente Timo Glock e Lucas di Grassi podem ver os seus lugares em perigo. Di Grassi tem o seu lugar ameaçado pelos milhões que o holandês Gierdo Van der Garde trará consigo, e Fomenko gostaria de ter um russo na sua equipa. Se Vitaly Petrov for colocado fora da Renault para dar o lugar a Bruno Senna, a Virgin-Marrussia seria o destino ideal. Caso contrário, sempre se pode pensar em Mikhail Aleshin, que esteve este ano na World Series by Renault.

Formula 1 em Cartoons - Brasil (GP series)

O GP do Brasil deu a dobradinha à Red Bull, é certo. Mas dos dois pilotos, houve um que saiu contente e o outro nem por isso. E irónicamente, foi o o piloto melhor classificado que saiu de Interlagos com cara de poucos amigos. Pelo menos é o que Marcos Antônio, do blog GP Series, pensa...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

As últimas sobre a polémica Lotus Cars vs Team Lotus

Como podem ter lido da entrevista a David Hunt, viram que tem legalmente a razão do seu lado no caso Team Lotus vs Lotus Cars e que isto tudo não é - para pormos as coisas de uma maneira simples - mais do que uma tentativa da Proton ficar com o nome a custo zero para fazer dela o que apetecer e bem entender, algo que Colin Chapman nunca teve intenção, diga-se.

Apesar disso, a grande noticia do fim de semana é que as negociações entre Lotus Cars e Renault continuam a decorrer, aparentemente no sentido de ter os 25 por cento de capital que a Renault ainda detêm na equipa, cujos restantes 75 por cento foram vendidos no final do ano passado à Genii Capital, do luxemburguês Gerard Lopez. Fala-se que um anuncio poderá ser feito no fim de semana de Abu Dhabi, e que até 2012, os carros correriam sob o nome Lotus Renault, e até - pasmem-se - o carro seria pintado de negro e dourado, para recordar um passado não muito distante. A acontecer, faria a British American Tobacco muito feliz, pois que eu saiba, ainda são as detentoras da marca John Player Special...

A razão deste negócio entre Lotus e Renault avançarem não tem muito a ver inicialmente com a Formula 1. A ideia inicial era apenas uma partilha de plataformas entre as marcas Proton e a Renault, no sentido de se expandir noutros mercados como o asiático, que está em franca expansão. Contudo, a Lotus, que pertence à Proton, que por sua vez é liderada por Dany Bahar, que aparentemente conseguiu convencer os malaios dos seus planos para um futuro próximo - os tais quatro modelos apresentados no Salão de Paris - e agora está a usar esse acordo com a Renault para tentar ganhar, à sua maneira, o direito a usar o nome Lotus na Formula 1. como alguém disse, arriscamos a ter em 2011 um paradoxo chamado Renault-Lotus e Lotus-Renault. Duvido que a FIA deixe isso...

Para quê é que a Renault se mete nesta embrulhada? Na minha opinião é o tipico caso de "estar de bem com Deus e o Diabo", na esperança que as duas partes cheguem a acordo. Aparentemente, Tony Fernandes promoveu um tipo de acordo, uma terceira via, digamos assim, em que mantinha a Team Lotus independentemente da Lotus Cars e que criassem laços comerciais com o "inimigo", fazendo com que nenhum deles perdesse a sua face. Só que aparentemente, Dany Bahar não está para aí virado e aposta todas as suas fichas numa estratégia "winner takes all, at all costs".

De qualquer forma, caso o tal acordo aconteça, pode ser que se confirmem os rumores surgidos no dia de hoje no jornal italiano "Autosprint" de que Robert Kubica poderia abandonar a equipa no final da temporada, pois aparentemente existem cláusulas do contrato libertando o polaco de 26 anos de qualquer compromisso com a marca, caso a Renault mude de nome em 2011. A ver vamos...

Ao mesmo tempo, Mike Gascoyne, o projectista da equipa de Tony Fernandes, já veio a publico afirmando estar intrigado com a possivel decisão da Lotus Cars de comprar uma parte da Renault e usar o seu nome na próxima temporada: "Se eles querem publicitar os seus carros de estrada, porque é que vão gastar tanto [no eventual acordo com a Renault]? Connosco, eles poderiam fazê-lo de borla", afirma em declarações à revista alemã Auto Motor und Sport.

Em jeito de conclusão, a cada dia que passa, isto ganha contornos de novela malaia. Se terá resolução nos próximos meses, isso se verá. Tudo indica que as coisas poderão ter um desfecho politico, caso os tribunais demorem a decidir. Vai ser um Inverno longo e duro...

A entrevista de Peter Windsor sobre a polémica Lotus

A novela Lotus conheceu hoje novo capitulo com a entrevista que Joe Saward publica hoje no seu blog. A entrevista a David Hunt, o homem que detêm os direitos do nome "Team Lotus" até este Setembro, feita por Peter Windsor. Sim, o tal que tentou montar a fracassada USF1 Team com o Ken Anderson, ainda se lembram?

Enfim, na entrevista, Hunt conta a sua versão da história e não acredita muito nas noticias de que Tony Fernandes possa trai-lo com a possivel entrega dos direitos do nome "Team Lotus" à Lotus Cars, mediante um acordo politico com a Proton e o governo malaio. Esta entrevista surge na sequência das noticias de que a Lotus Cars estaria a negociar um acordo com a Renault para comprar parte da sua equipa da Formula 1 e a transformar em Lotus-Renault a partir de 2011.

Decidi traduzir a entrevista na íntegra, porque acho que todos deveriam saber ao pormenor as razões pelo qual Hunt defende o seu direito ao nome a explicar as razões do conflito, que acontece desde que a Proton comprou a Lotus, em meados de 1996. Se quiserem ler a versão original, sigam o link:

Windsor: "Primeiro, houve a conferência de imprensa en Singapura, confirmando que o Team Lotus estaria finalmente de volta à Formula 1. Mas um dia depois, o Grupo Lotus - Proton, na verdade - declarou (e cito) que são os "donos d marca (a Team Lotus) e que tomarão todas as medidas necessárias para protegê-lo. 'Acho que também disseram que, até 1994, o Grupo Lotus e Team Lotus estavam sob propriedade comum, com os diretores comuns, e que o Team Lotus, nas mãos de David Hunt, nunca correu, acrescentando que sua posse é ineficaz. O que foi tudo aquilo?"

Hunt: "Eu estava furioso porque vejo essas declarações como difamatórias. Estão basicamente dizendo que eu andei a mentir nos últimos 16 anos. Todas estas afirmações são um completo disparate. Se a Team Lotus estava sob sua propriedade e controle, como é que a família Chapman vendeu-a para Peter Collins no inicio de 1991? Por que a Lotus Cars foi um mero patrocinador secundário na Team Lotus durante o tempo de Peter Collins? E por que ele e o seu sócio, enquanto administradores, venderam-na a seguir para mim e ao meu sócio, uma venda feita completamente às claras e sancionada pela High Court Britânica?

Contudo, desde os primeiros meses após a compra que existiam boatos de que eles não possuíam os direitos da Team Lotus. Isto foi obviamente uma preocupação para o Grupo Lotus e um incómodo para nós, e eles decidiram esclarecer a questão por escrito para nós e, aparentemente, todos os outros poderiam pensar que poderia ter algum interesse na propriedade Team Lotus, incluindo a família Chapman e Peter Collins. Eles perguntaram quem pensou que tivesse direito de propriedade para defini-lo por escrito. Os entrevistados foram apenas de nós, e nossos advogados estabelecidos os direitos que tinham adquirido na íntegra para o Grupo Lotus. Grupo, em seguida, nos agradeceu e deu a todos na lista de uma segunda oportunidade de comentar e nos convidou para uma reunião para que pudéssemos começar a trabalhar juntos - los como grupo e nós, como equipa, tal como tinha sido nas eras Chapman e Collins antes . Em nenhum momento o grupo diz que eles achavam que se tinha alguma reclamação sobre qualquer propriedade Team Lotus, e tanto quanto eu estou ciente desde essa data até o dia após o Grande Prêmio de Cingapura neste ano, eles nunca disseram que nós não tínhamos os direitos ao nome "Team Lotus".

Sendo assim, essas reclamações vindas do Grupo Lotus de que sempre tiveram a propriedade da Team Lotus é uma pura fantasia. Além disso, as duas corridas no final de 1994 - Japão e Austrália - foram feitas sob a nossa própria propriedade. Fizemos questão de dar a Mika Salo a sua primeira oportunidade na Formula 1, pelo amor de Deus! A verdade é que o Grupo Lotus nunca competiu na Formula 1, nunca construiu um carro de Formula 1 e nunca possuiu a Team Lotus. Sempre foram empresas distintas, como é prática comum na Fórmula 1. Colin Chapman sempre quis proteger a Lotus Cars dos problemas de seguro e de acidentes que poderiam afetar uma equipe de corrida, como era frequente nesses dias."

Windsor: "Estou a ver. De facto, quando eu representava o Carlos Reutemann nas negociações com Colin Chapman no final de 1978, nenhum dos contratos assinados foram com a Lotus Cars ou com o Lotus Group. Enfim. O que aconteceu quando a Proton comprou a Lotus Group?"

Hunt: "Que é quando as coisas mudaram de figura. Quando compraram a Lotus Group no final de 1996, houve uma série de dignitários malaios que voaram a Londres para ver a nova aquisição num evento de lançamento. Eles ficaram totalmente surpreendidos quando souberam que entre os seus novos activos não incluiam o nome da equipa de Formula 1. É um pouco como os americanos, caso comprassem a Ponte de Londres, teriam comprado a Tower Bridge, desconhecendo que tinham a original à sua porta. Parece que os malaios falharam nessa sua diligência. Depois disso, eu voei para Kuala Lumpur para conhecer o presidente da Proton e expliquei que estávamos ansiosos para voltar à Formula 1 com a Team Lotus, e entreguei-lhe uma proposta detalhada que havia enviado ao primeiro-ministro malaio cerca de um ano antes no sentido de um projeto chamado "Team Lotus Malasia".

O presidente pediu uma cópia dessa proposta para ser enviada ao Grupo Lotus, e fiz isso de boa vontade. Saí da Malásia com a sensação de que estavam realmente interessados em discutir isso ao nível da administração. Contudo, essa foi a última vez que falei com eles de forma amigável, pois após isso eles lançaram várias acções em tribunal, sem qualquer sucesso. Depois, tentaram forçar-nos a mudar o nosso logotipo, e quando não o conseguiram, a Diretoria da Grupo Lotus disse que ter uma equipa na Formula 1 não beneficiava a marca Lotus. Curiosamente, colocaram a história da Team Lotus história no seu site e no seu material publicitário, fingindo que era deles. E nunca desafiaram a nossa propriedade quer em termos privados, público ou nos tribunais. De fato, é interessante notar que, sem nunca ter ousado desafiar-nos sobre a propriedade nos últimos treze anos, três dias após a passagem para outras mãos malaias, saem com este extraordinário comunicado à imprensa. Interessante, não é?

Vamos ser claros: O Grupo Lotus nunca correu na Formula 1 e, a despeito do que alegam agora nos murais recém-aplicados na fábrica de Hethel, não tem quaisquer Campeonatos Mundiais de Formula 1, quaisquer vitórias em Grandes Prémios, pódios ou até mesmo quaisquer corridas na sua história. Suas afirmações são tão ridículas como se eu tivesse anunciado a construção de vários carros de estrada novos a partir do novo desportivo da Team Lotus, que seguem a longa tradição de modelos como o Elan, Esprit, Europa, etc... as minhas reivindicações teriam sido risíveis e a Team Lotus teria sido demolida em tribunal, se tivesse ousado contestá-las.

N
a minha opinião, isso é o que provavelmente vai acontecer quando o High Court britânico decidir sobre o contencioso que tenho com o Grupo Lotus. É também a minha opinião de que eles sabem como isto irá acabar, e que eu tenho a razão do meu lado, e é por isso que eles têm-me atacado agora. Eu acredito que eles estão contando que isso nunca chegue ao High Court e que isto seja resolvido politicamente, com o governo malaio a "resolver" a apropriação da Team Lotus a favor de Bahar e do Grupo Lotus. Ao longo dos últimos 16 anos que o Team Lotus esteve sob o meu controle, tivemos várias firmas de advogados que analisaram a pente fino os direitos legais da Team Lotus e nenhum deles entendeu os nossos direitos fossem atacáveis de qualquer forma, pelo menos, até que surgiram os advogados de Tony. Mas isso é outra história.

A minha opinião é que o Grupo Lotus só ganharia o contencioso no Supremo Tribunal se encontrassem algum juiz e o convencessem que preto é branco, ou encontrassem alguma nova doutrina legal que nenhum advogado tivesse pensado antes. O Grupo Lotus/Proton tiveram 13 anos para fazer um acordo comigo - e durante todo esse o tempo estiveram sentados na mminha proposta da "Team Lotus Malasia", e a abordagem desta "1Malasia" se parece imenso com a proposta que lhes apresentei. Mas ao invés de trabalhar com a Team Lotus como empresas-irmãs com sobreposição de interesses, porque foram fundadas pelo mesma pessoa, como tinha sido a tradição histórica, eles decidiram danificar ou destruir a reputação da Team Lotus, na esperança de - imagino eu - que eles poderiam pegar a marca Lotus, seu logotipo, identidade e história para uso próprio, sem ter que pagar, na esperança que ninguém notasse.

Agora que não me conseguiram parar, e com Tony e seus sócios a conseguirem comprovar as alegações que já faço há muito tempo - ou seja, que o universo da Formula 1 receberia a Team Lotus de volta às grelhas de partida e que é uma marca muito valiosa - a Proton e Grupo Lotus estão agindo como crianças mimadas e tentando roubar os doces de Tony e seus parceiros, como se fossem os matulões do recreio. Eles não ousariam fazê-lo enquanto era eu que segurava os doces, pois eles nunca ganharam nos tribunais britânicos e não estou sujeito a qualquer influência política. Tony e seus parceiros (Din e Naza) e os restantres funcionários da Lotus Racing, não merecem ter o direito tirado das suas mãos. "

Windsor: "Então, onde você está agora em relação a Tony Fernandes e seus sócios?"

Hunt: "Quando fui procurado pelo Tony em 2009, ele concordou em dar à Proton uma hipótese de acordo comigo, mas eles estragaram tudo. Eles mostraram respeito, mas não uma retribuição. Então, quando as negociações com Tony avançaram - e acho que é muito revelador da politica do Grupo Lotus/Proton - eles tentaram freneticamente reabrir as negociações em várias ocasiões. Por que fariam isso se eles acreditavam que nós não possuímos os direitos do nome "Team Lotus"? Disse-lhes que tinham desperdiçado a sua chance e até Tony me pediu para que não reabrisse quaisquer negociações com eles. Ele deu a sua palavra que iria fazer um acordo justo e razoável comigo e que ele não estava na Formula 1 para enganar as pessoas. Ele sabia que tinha que fazer um acordo comigo, porque éramos nós e não Grupo Lotus/Proton, que detinhamos o nome "Team Lotus", e ele reconheceu o esforço enorme que eu e muitos outros fizermos ao longo dos anos para manter o nome vivo e imaculado. Assim, neste contexto, e com o compromisso dado pelo Tony, eu disse à Proton que tinham perdido sua chance. Em qualquer caso, eles tiveram 13 anos para pensar num acordo justo para ambas as partes".

Windsor: "Então a Proton tentou negociar com você durante todo esse tempo?"

Hunt: "Sim, tivemos contactos com eles no início, mas rapidamente não chegamos a qualquer entenimento. Isto é agora a raiz das dificuldades que se encontram actualmente entre Tony e seus sócios e eu: seus advogados recentemente ameaçaram com uma ação legal contra mim com base no que parecem ser as alegações absurdas e sem apoio de terceiros. Estou totalmente de refutar as alegações e irei defendê-los no local apropriado, caso seja preciso. Tenho a certeza de que isto tudo é um mal-entendido que será esclarecido rapidamente, mas continuo completamente confuso a respeito de porque é que tudo isto aconteceu. Eu estive a apoiá-los em todas as áreas e até trazê-los alguns patrocinios significativos, então tenho a certeza que vamos encontrar-nos e descobrir que é um simples caso de mal entendidos entre cliente e advogado ou alguma outra explicação igualmente inocente. Eu mantenho-me resolutamente na minha parte do acordo, como Tony e qualquer jornalista que me entrevistou irá atestar.

Agora temo o pensamento de ter de enfrentar mais confrontos, de mais acções absurdas, mas eu tenho investido 16 anos de minha vida no sentido de garantir que este capitulo chegue a um fim justo e verdadeiro. Antes de Singapura, estava pessoalmente ansioso para colocar este capítulo atrás das costas, mas se eu tiver de levantar e lutar mais uma vez pela honra e integridade, e aquilo que é certo e justo para mim, então vou fazê-lo de novo porque isto tudo é muito mais importante do que dinheiro ou poder."

Windsor: "O que você acha que vai acontecer com a atual "Lotus Racing" e o seu esforço na Formula 1?"

Hunt: "Acho que seria um desastre para Tony e seus parceiros caso abandonem a luta. Eles me deram garantias a toda a gente de que são pessoas sérias e totalmente comprometidas para com a marca Team Lotus. Tony tem sido fã desde a sua infância e isto tudo é um sonho para ele, e sem a sua paixão pelo nome e respeito pela sua história, não teria feito negócio com eles. No entanto, parece que eles podem desistir ao primeiro obstáculo, sabendo que isto era uma ameaça bem ciente desde o início e que vieram de pessoas que estavam, à partida, no mesmo lado que Tony! Eu certamente espero que eles não desistam e eu estou confortado de saber que Tony confirmou-me ao longo dos últimos dias que eles vão lutar até o fim na Justiça. Ficaria indignado e profundamente desapontado caso este caso acabe com uma decisão politica, com a Team Lotus seqüestrada em alguma manobra política nos bastidores de Kuala Lumpur, feita por políticos alheios à realidade da Formula 1. Na minha opinião quem vai realmente perder a face será a Proton e os chefes do Grupo Lotus, devido às alegações risíveis que fizeram. Ou então que Tony e seus parceiros abdicassem das suas pretensões em trazer a marca Lotus de volta à sua antiga glória.

Para ambos os lados, isso seria potencialmente uma perda de face, daquiolo que entendo a cultura malaia. Se Tony, Din e Naza cedessem, seria demonstrar que tinham agido de má fé, comigo, com os fãs da Formula 1 e as autoridades que lhes permitiram a sua entrada. Também seria uma mancha na minha reputação, pois teria cedido os direitos da Team Lotus para pessoas que não fossem sérias e comprometidas com a história - algo que sempre preocupei evitar. Eu também estou certo que Tony não se esqueceu de que tem um compromisso com o pessoal em Norfolk. Muitos tiveram de mudar de residência e eu tenho quase certeza que quase todos eles foram lá porque acreditavam que eles eram parte de um "projecto Lotus F1", não foram lá para trabalhar para a equipa Tune.

E há também os fãs, muitos dos quais têm estado à espera há 16 anos pelo regresso da Team Lotus. A partir da correspondência que recebo diariamente, sei a sensação de mal estar no estômago que todos os verdadeiros fãs da Team Lotus um pouco por todo o mundo ficariam se eTony anunciasse que a Team Lotus estivesse sob o controle da Proton. Eu imagino que isso seria o último prego no caixão para quase todos os verdadeiros fãs da Team Lotus."

Windsor: "De facto, tudo isto é muito frustrante. Você acha que existe alguma forma realista de como é que isso pode ser resolvido?"

Hunt: "Eu ficaria muito feliz se voltasse a ter a guarda da Team Lotus e defender-me definitivamente de qualquer acção vinda pelo Grupo Lotus/Proton. Eu não tenho medo do Grupo Lotus ou Proton tudo e estou totalmente confiante na minha razão legal. Tony teria uma autorização minha para correr como Team Lotus. Isso libertá-lo-ia para se concentrar unicamente em produzir resultados na pista e aí os fãs iriam ver na grelha o verdadeiro ADN que Colin Chapman deixou na Formula 1, deixando a mim as questões legais. Afinal, tenho 16 anos de experiência em termos de ações legais contra o Grupo Lotus/Proton e sou, portanto, a melhor pessoa para defender de todas as suas reivindicações. Poderíamos até elaborar uma ou duas acções em tribunal contra eles!"

Formula 1 em Cartoons - Brasil (Crazy Circus)

Eis a visão de Marcel Marchesi sobre a briga pelo título de 2010, após o GP do Brasil. Apesar do Fernando Alonso estar sorridente no canto a assistir à briga entre Sebastien Vettel e Mark Webber, ele que reze para que o seu motor não expluda no fim de semana de Abu Dhabi...

A capa do Autosport desta semana

A capa do Autosport coloca Fernando Alonso em grande plano, em tom pensativo, sob o cenário dos carros da Red Bull, como que a tentasse calcular o que tem de fazer para apanhar o tricampeonato, ameaçado pelos carros de Sebastian Vettel e Mark Webber. "Matemática favorece Alonso", é o principal título da revista. Nos subtitulos, fazem-se as contas que os três pilotos devem fazer para alcançar o Mundial.

Mais em cima, fala-se dos resultados do fim de semana, nomeadamente os 1000 km de Xangai, onde a Peugeot ganhou e Pedro Lamy correu na GT1, a bordo de um Saleen, e... venceu duplamente. "Pedro Lamy leva Saleen à vitória na China". Também se fala do Rali de Gales e aquilo que Armindo Araujo tem de fazer para conseguir revalidar o título. "A estrategia de Armindo para renovar o título mundial". Para finalizar, uma referência aos testes em Abu Dhabi: "Antonio Felix da Costa vai testar com a Force India".

Para finalizar, uma referência ao Drift, uma actividade com origens no Japão e que está em crescimento um pouco por todo o mundo, e Portugal não foge á regra.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A pretexto do post numero cinco mil...

É mais do que certo que quando este blog alcança qualquer numero redondo, tenho tendência para o comemorar. Mas se olhar para o calendário, verifico que a comemoração de tal numero redondo chega a uma altura critica para o Mundial de Formula 1 de 2010. Portanto, para dar algum significado ao post numero cinco mil, vamos lá falar da Formula 1, dos candidatos ao título e do que se fala e se defende um pouco pela Blogosfera.

Ontem li numa das caixas de comentários de que a diferença entre a Red Bull e a Ferrari, é que na primeira existem líderes e na segunda chefes. E o lider tem como objectivo manter motivados os seus subordinados. E tem razão: em Abu Dhabi, Mark Webber e Sebastien Vettel vão dar tudo pelo título, enquanto que Fernando alonso tem de confiar apenas em si mesmo, porque a pessoa que Stefano Domienicalli lhe pediu para abdicar da vitória em Hockenheim, Felipe Massa, é uma pessoa aparentemente desmoralizada para ajudar a equipa em alguma coisa.

Muita gente na blogosfera, e não só, dizem por estes dias que Christian Horner deveria ter escolhido há muito tempo o piloto que quer para alcançar o título de Pilotos, pois acham que com este estilo no Brasil, acabaram de entregar o título a Fernando Alonso. Na minha opinião, eu direi que irei respeitar a decisão de Horner a esse respeito. Se quer jogar limpo, sem combinações, só poderei dizer que é consistente com aquilo que disse e defendeu nas criticas em relação à atitude da Ferrari na Alemanha. Não quer ser hipócrita, e também - vamos ser honestos - já tem um título, o de Construtores.

Se essas pessoas defendem isso, das duas uma: ou adivinham o futuro (e nesse caso, gostaria que me dessem os numeros do Euromilhões desta semana, s.f.f) ou acham que a Formula 1 é um desporto no qual o todo é mais importante do que as partes, e um deve ser o lider e o outro um escudeiro ou subordinado. Tudo bem, mas no caso da Ferrari acharia que a melhor escolha deveria ser... o Giancarlo Fisichella. Contudo, esquecem que a Red Bull não é uma qualquer, tem uma atitude diferente no pelotão, é demasiado nova para ser contaminada pelos jogos de cintura de um "paddock" demasiado elitista, cínico e hipócrita. Horner tem essa carta na mão, mas pode não querer usá-la, e há que respeitar a sua decisão.

O título de Abu Dhabi será - matemáticamente - decidido a quatro. A candidatura de Lewis Hamilton é mais virtual do que outra coisa, mas pode baralhar, pois basta ele estar num dia bom nas Arábias para complicar as contas. Já em relação aos três, tudo pode acontecer, com Alonso em vantagem, é certo. Mas os outros dois candidatos estão motivados para darem tudo... que dêm. E horner está se marimbando, pois já tem o que ele quer.

Alea Jacta Est, os dados estão lançados!

Rookie Test: Maldonado vai rodar na Hispania, Teixeira na Lotus

Confesso que me vai ser difícil passar esta semana sem não pensar na música "Final Countdown" dos Europe, mas uma ocasião destas e única com quatro candidatos, matematicamente falando, ao título. Mas hoje quero falar sobre o "rookie test" de Abu Dhabi, porque começam a surgir algumas novidades em relação a isso.

Esta tarde, a Hispania anunciou que o venezuelano Pastor Maldonado irá estar num dos seus "cockpits" na próxima semana, em Abu Dhabi. Maldonado, campeão da GP2 este ano, vai estar a bordo do "cockpit" espanhol em três dos cinco dias de duração do teste, para ganhar quilómetros. Caso o venezuelano, que é consistentemente falado nas últimas semanas como piloto da Williams, sair bem, muito provavelmente será piloto da Williams no lugar de Nico Hulkenberg. É o que dá ter um patrocínio na ordem dos 20 milhões de euros da petrolífera venezuelana PDVSA.

Esta tarde, também, a Autosport portuguesa fala que poderão haver, não um, nem dois, mas sim... três portugueses no "rookie test" de Abu Dhabi. O terceiro elemento em questão é o luso-angolano Ricardo Teixeira, que andou este ano na Formula 2 com um forte apoio da petrolífera angolana Sonangol e que pode ter pago cerca de 400 mil euros para ter esta oportunidade única. Teixeira, de 26 anos, tem um vasto currículo, com passagens pela Formula 3 britânica, GP2 e Formula 2, mas o seu melhor resultado é um quinto lugar este ano, numa das rondas marroquinas da Formula 2. A mesma onde sofreu uma capotamento espectacular.

Quanto aos outros dois, Alvaro Parente ainda é uma hipótese na Lotus, mas a ideia é mais abrangente, com uma estadia na Team Air Asia da GP2, e Antonio Felix da Costa espera pelo anuncio oficial da Force India para saber se é confirmado ou não.

domingo, 7 de novembro de 2010

Sobre Steve McQueen, trinta anos depois

"Perferia passar uma manhã com Stirling Moss a uma noite com Marylin Monroe."

Steve McQueen, 1930-80.

Foi uma pessoa que viveu origens dificeis. Era disléxico, teve uma infância dificil, a sua mãe era alcoólica, acabou num reformatório nos seus anos de adolescência. Teve todo o tipo de empregos, desde porteiro num bordel até trabalhador em plataformas petroliferas no Texas. Esteve nos Marines e fez parte da guarda de honra para Harry Truman no seu iate presidencial. E para pagar o seu curso de actor, correu como motociclista na California a bordo de uma Harley Davidson usada, ganhando cem dólares por semana. E o seu primeiro filme é um filme-catástofe chamado "The Blob". Tudo isto faz parte da vida de Steve McQueen, morto faz hoje trinta anos.

A lista de filmes que McQueen recusou é tão grande que os filmes em que actuou. Por causa de obrigações contratuais, não pode aceitar o convite para "Boneca de Luxo" (Beakfast in Tiffany's); "Dois Homens e um Destino" (Butch Cassidy and Sundance Kid); "Apocalypse Now"; "Dirty Harry"; "The French Connection" (Os Incorruptiveis contra a Droga) e "Encontros Imediatos do Terceiro Grau", realizado por Steven Spielberg. Neste último, aparentemente porque não era capaz de chorar à frente das câmaras.

Mas mais do que falar de Steve McQueen, actor, gostaria de falar de Steve McQueen, o amante de automóveis. Como tinha dito atrás, fez motociclismo para pagar os estudos, e toda a gente se lembra das suas cenas nos filmes "A Grande Fuga", tentando passar a fronteira suiça de moto, e depois em "Bullit", quando no seu Ford Mustang verde, perseguia nas ingremes ruas de São Francisco pelo Dodge Charger preto dos maus da fita. Queria ser ele a fazer as cenas mais perigosas, mas as companhias de seguros não deixavam. Foi por isso que, por exemplo, não lhe foi permitido correr nas 24 Horas de Le Mans de 1970 ao lado de Jackie Stewart no Porsche 917, numero 23, da John Wyer Automotive.

Contudo, alguns meses antes, ele pode participar nas 12 Horas de Sebring, ao volante de um Porsche 908 Spyder branco, ao lado de Peter Revson. Andaram na frente durante boa parte da corrida, e perderam-na no último minuto a favor do Ferrari 512 guiado por Mario Andretti, Nino Vacarella e Ignazio Giunti. Irónicamente, McQueen correu com a perna engessada, devido a um acidente de moto que tinha tido duas semanas antes.

Quis fazer um filme sobre automobilismo e conseguiu. Apesar de "Le Mans" não ter sido um sucesso comercial e ter levado à falência a sua Solar Productions, hoje em dia é considerado um filme de culto pelo seu retrato realistico da mitica prova francesa. Anos antes, tentou fazer a mesma coisa sobre a Formula 1, em 1966, em conjunto com o director John Sturges. Mas por essa altura, John Frankenheimer estava a fazer Grand Prix - e ele chegou a entregar filmagens de Nurburgring para o filme de Sturges - mas quando este último estreou no cinema, os planos para o "Day of a Champion" acabaram por ser cancelados.

McQueen era um ávido coleccionador. Desde motos como Triumphs TR6 Trophys até carros como Porsches 908 e 917 e um Ferrari 512, passando por um modelo 356 Speedster e um Ferrari 250 Lusso Berlinetta. Ironicamente, nunca conseguiu ficar com o Ford Mustang GT 390 verde do filme "Bullit", porque dos dois carros, um ficou demasiado danificado e o segundo foi vendido a outra pessoa que nunca o quis vender, a qualquer preço.

O irónico sobre Steve McQueen é que, sendo ele um ávido praticanete de desporto, tenha morrido cedo. Exposição ao amianto, combindo com os seus hábitos de fumador, fez com que lhe fosse detectado um cancro no sistema abdominal no inicio de 1980, mal tinha feito 50 anos. Tentou curar-se, mas este tinha-se espalhado pelo corpo de tal forma que a 7 de Novembro de 1980, depois de ter voado para o México no sentido de tirar tumores na zona abdominal, contra o conselho dos médicos, estava morto devido a complicações pós-operatórias.

No final, o mito vive. O homem másculo que tinha a paixão pela velocidade, que adorava os grandes espaços do Oeste americano, epíteto da liberdade, é o grande objectivo que todos desejam alcançar. E hoje em dia, o seu legado continua vivo, quer nos filmes que fez, quer nos objectos que teve, quer - um pouco abusivamante, na minha opinião - nos produtos que deu a cara depois de morto.

Formula 1 2010 - Ronda 18, Brasil (Corrida)

A Formula 1 chegava a Interlagos com a ideia de que era um duelo entre a Red Bull e Fernando Alonso, com os McLaren a observar à distância. Os eventos de ontem, desde a chuva que caiu na qualificação até à inesperada pole-position de Nico Hulkenberg, no seu Williams, pareciam ser muito distantes, com um tempo absolutamente limpo e o asfalto quente e seco. E ver Hulkenberg na primeira posição da grelha de partida parecia ser algo completamente irreal, completamente deslocado de uma disputa pelo título entre os Red Bull que decidiram não escolher quem seria o candidato numero um, e um Fernando Alonso que tem a Ferrari a trabalhar para si.

E depois da demonstração de Emerson Fittipaldi no seu Lotus 72 em pista, para comemorar os 40 anos da sua primeira vitória de um brasileiro na Formula 1, era a vez do momento da partida. Quando isso aconteceu, os Red Bull de Sebastien Vettel e Mark Webber conseguiram livrar-se facilmente do "poleman" Hulkenberg, mas Fernando Alonso teve de esperar até à sétima volta para conseguir passar o Williams do alemão. Depois, era a vez de Lewis Hamilton de tentar passar Hulkenberg, mas as dificuldades foram maiores do que acontecera aos três primeiros. E na frente, Vettel abria uma vantagem para o seu companheiro.

Depois, começou o calvário dos pneus. Logo na segunda volta, Felipe Massa ficou com problemas na roda frente direita e ficou no fundo do pelotão, o primeiro dos muitos que o piloto da Ferrari teve, antes de acabar num apagado 16º posto. Aliás, este foi uma tarde infernal para os brasileiros, com Rubens Barrichello a deitar fora as hipóteses de um bom resultado devido a um pneu furado após uma ultrapassagem ao Toro Rosso de Sebastien Buemi. Mesmo assim foi o melhor dos brasileiros, acabando... no 14º lugar.

Com o meio da corrida, as posições já estavam definidas e a corrida ficou algo aborrecida. Os Red Bull tinham os dois primeiros lugares, caminhando para conseguir o título de Construtores, com Alonso no terceiro posto, já distante dos dois McLarens. E as coisas andavam assim até à volta 51, quando o Force India de Vitantonio Liuzzi bateu forte no S de Senna, provocando a entrada do Safety Car. Nas quatro voltas seguintes, toda a gente ficou atrás do carro guiado por Bernd Mylander, e quando tudo voltou ao normal, os Red Bull foram para a frente, com Sebastien Vettel sempre na frente e Mark Webber no segundo lugar, sem que os dois se aproximarem, e sem que os dois fossem apanhados por Fernando Alonso.

A expectativa era saber se havia trocas entre os pilotos, pois sabia-se que caso Webber estivesse fosse vencedor, ficaria a apenas um ponto de Fernando Alonso. Mas Christian Horner decidiu que ali não haveria ordens de equipa, como acontecia na Ferrari, e Sebastien Vettel rumou à vitória, a sua quarta do ano, e Mark Webber acabou no segundo lugar, ambos à frente de Fernando Alonso. Mas se as coisas resultaram que Fernando Alonso fique ainda numa posição favorável para conquistar o tricampeonato, no caso dos Construtores, está tudo resolvido: a Red Bull conseguiu e mereceu ganhar o título.

Pelo menos por ali, a equipa acabou vencedora em 2010. O chassis feito por Adrian Newey foi o melhor do ano e só não resolveu o título de Pilotos por causa das confusões entre si. Pela primeira vez em seis anos, o campeonato não se decide em Interlagos, mas em compensação, a disputa do título está semelhante às disputas pelo titulo de 1981, 1986 e 2007: três candidatos ao campeonato. Resta saber como será o final desta história, dentro de sete dias, em mais um campeonato acabado em Abu Dhabi.

A tentativa de assalto a Jenson Button

Não é novidade saber que São Paulo, como qualquer grande metrópole, é uma cidade perigosa. E sabe-se que quando o pelotão da formula 1 chega a São Paulo, está mais sujeita a ser assaltada do que noutro lado qualquer, seja na Europa, Ásia, América ou Austrália. Só neste ano, já alguns dos jornalistas presentes já foram assaltados e uma câmera de filmar da catalã TV3 foi roubada. Mas as coisas atingiram um ponto baixo quando no final da tarde de ontem, o piloto Jenson Button sofreu uma tentativa de assalto quando regressava ao seu hotel.

Tudo aconteceu quando os ocupantes de uma outra viatura tentaram intercetar o carro onde viajava o piloto inglês, o seu pai John Button, o 'personal trainer' Mike Collier e o manager Richard Goddard. A viatura de Button, que era conduzido por um polícia, logrou conseguir escapar e levar os ocupantes do carro ao seu destino.

"No sábado à noite, na sua ida para o hotel, assaltantes à mão armada levaram a cabo tentativa de assalto ao carro onde viajava Jenson Button. Nenhum dos ocupantes foi ferido. A Vodafone McLaren Mercedes proporcionou tanto a Jenson Button como a Lewis Hamilton carros reforçados guiados por polícias armados e treinados para evitar este tipo de situações.", começou por dizer o comunicado da McLaren.

"O polícia que guiava o carro de Jenson Button reagiu prontamente e ao utilizar técnicas de fuga, rapidamente fugiu, levando o Jenson e os outros ocupantes do carro para o hotel.", concluiu.

A Formula 1 anda por Interlagos desde 1990, e é normal - infelizmente - que os membros da comitiva sejam assediadas pelos assaltantes, que vêm aqui uma oportunidade para lucrar com os "gringos". Infelizmente, isso dá aos estrangeiros uma péssima imagem do Brasil, que no passado já foi pior. Um pouco a prever isso tudo, o Mike Vlcek escreveu um artigo sobre esse assunto na sexta-feira, do qual recomendo vivamente a sua leitura.

Claro, compreendo a revolta e a vergonha dos brasileiros por saber que os seus visitantes podem ser assiediados, assaltados ou pior, e o impacto que isso teria na imagem internacional do seu país, que irá receber nos seis anos seguintes, o Mundial de futebol e os Jogos Olimpicos, neste último caso no Rio de Janeiro. O que resta é apenas continuar a trabalhar para que esta chaga diminua. Não é fácil nem é rápido. Mas já foi pior...

sábado, 6 de novembro de 2010

Formula 1 2010 - Ronda 18, Brasil (Qualificação)

O Sábado brasileiro prometia chuva em Interlagos, e assim aconteceu. E normalmente, este tipo de tempo promete sempre algum capitulo inesperado, no sentido de baralhar as ideias preconcebidas que temos da grelha e dos habituais favoritos ao lugar, especialmente numa altura destas, onde ainda temos quatro candidatos ao título.

O treino começou com os pilotos sairem com pneus intermédios, a tentarem marcar um tempo que os permitisse ficar na frente e ter hipóteses para mais diante. No final de uma Q1 sem história, os que ficaram para trás continuaram a ser os do costume: os Lotus, os Virgin e os Hispania, para além do carro da Force India, desta vez o do Adrian Sutil.

O Q2, com a pista molhada, mas sem chuva, logo, os pilotos andavam com pneus intermédios. Contudo, a velocidade ao qual a pista secava fazia com que os pilotos tentariam fazer a melhor tempo possivel naquelas condições que estavam em constante mudança. Assim sendo, os tempos foram apertados e aquela qualificação foi fortemente disputada, apesar dos Red Bull conseguirem os dois melhores tempos e Fernando Alonso ficar logo atrás. Mas mais atrás, Jenson Button falhava a passagem para a Q3, com o 11º tempo e Felipe Massa tinha enormes dificuldades para o conseguir, ficando com o lugar que ele queria, o 10º tempo...

E com o começo do Q3, a pista secava ainda mais, com a tal linha seca a aparecer em certas partes, mas não o suficiente para que os pilotos desistissem de usar os pneus intermédios. Pelo menos no começo, os tempos começavam a baixar, quando Fernando Alonso abriu as hostilidades. A meio da Q3, todos começavam a colocar pneus slicks, para arriscaram a sua sorte. O primeiro foi o Renault de Robert Kubica, mas depois despistou-se na Subida do Lago.

Contudo, enquanto todos nós olhávamos para a Red Bull e para Lewis Hamilton, e ao mesmo tempo que Fernando Alonso estava a ser discreto, um "rookie" alemão estava a fazer a sua melhor performence na Formula 1. Sem cometer erros, sendo perfeito, aproveitou perfeitamente as condições do tempo para fazer três voltas perfeitas e a pole-position. Esse piloto era Nico Hulkenberg, e pela primeira vez desde 2007, um rookie era o "poleman" e ele dava à Williams a sua primeira pole-position desde 2005. Um segundo atrás do resto da concorrência, ainda mais impressionante.

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É fantástico, ainda não consigo acreditar que consegui. Sair com os pneus slick foi, obviamente, a melhor decisão. O meu engenheiro disse-me que eu ainda tinha uma última volta por isso tirei tudo o que podia do carro, tentando não ir para as partes molhadas da pista. Era fácil cometer um erro mas aquela volta foi em cheio. Foi um grande momento para nós", referiu momentos depois, na conferência de imprensa.

Amanhã a corrida será em piso seco e provavelmente as coisas voltarão ao normal. Os pilotos da Red Bull terão a sua grande hipótese de vencer a corrida e colocar o título na sua direcção, com Fernando Alonso a tentar contrariar essa tendência. Mas agora com o factor Hulkenberg em jogo, até que ponto é que isto vai ser importante nas contas do título?