quinta-feira, 30 de junho de 2011

Rumor do dia: Daniel Ricciardo pode ser piloto da Hispania

A noticia surgiu esta manhã nos sites australianos: o local Daniel Ricciardo poderá ser anunciado a qualquer momento como piloto da Hispania Racing Team no lugar do indiano Narain Karthikeyan. Segundo a imprensa local, o anuncio pode ser dado ainda hoje, e a acontecer, o piloto australiano irá correr emprestado pela Red Bull até ao final da temporada, com a excepção do GP da India, a 30 de outubro.

A ser verdade, Ricciardo, que fará amanhã 22 anos e atual piloto da World Series by Renault, depois de ter vencido a Formula 3 britânica em 2009, terá a sua estreia na Formula 1, mas não no local onde se esperava, ou seja, na Toro Rosso. As boas prestações dos seus pilotos, o espanhol Jaime Alguersuari e o suiço Sebastien Buemi, aparentemente colidiram com intenção dos responsáveis da Red Bull, nomeadamente Helmut Marko, colocar já o piloto australiano na categoria máxima do automobilismo.

Resta esperar pela confirmação desta noticia.

5ª Coluna: O desaparecimento da imprevisibilidade

Na quinta-feira passada, foi feriado e andei o dia todo fora de casa a ajudar nas mudanças de um amigo meu. Cheguei muito tarde e estava demasiado cansado para poder fazer a 5ª coluna da semana que passou. E como a minha prioridade nessa semana tinha sido os posts a comemorar os cem anos do nascimento de Juan Manuel Fangio, acabei por deixar passar a oportunidade de escrever a minha coluna de opinião. Por esse fato, peço-vos desculpa.

Contudo, esta semana existe um assunto que é interessante o suficiente para ser falado. É sobre o fato de este domingo termos assistido pela terceira vez na historia da Formula 1 uma corrida onde todos os pilotos que largaram chegaram ao fim. E não são poucos: foram 24 pilotos a partir e 24 a chegar, o que é incrivel. E o indiano Narian Karthikeyan, no seu Hispania tornou-se no primeiro piloto da história da Formula 1 a chegar ao fim nessa 24ª posição. Poderemos dizer que é o sinal do bom trabalho dos engenheiros: a fiabilidade dos carros de Formula 1 chegou ao ponto de que são praticamente inquebráveis. Mas tem um lado mau: de que retirou imprevisibilidade à categoria máxima do automobilismo.

Falei disso logo no domingo, na minha crónica da corrida. Mas esse fato teve eco nos dias seguintes, quando o veterano Jarno Trulli, piloto da Lotus e 20º classificado na corrida valenciana, escreveu sobre isso na sua coluna no jornal italiano "La Reppublica": "Se isso é positivo ou negativo, depende da ambição do piloto, mas eu não gosto disso. A corrida em Valência, na minha opinião, indicou outro vencedor além do usual Sebastian Vettel e esse vencedor é a tecnologia." escreveu.

"Isso diz duas coisas: Primeiro, as chances de uma equipa pequena conquistar pontos fica tremendamente reduzida. Segundo, a Formula 1 perde o seu apelo, não é coincidência que a corrida de [Domingo] foi a mais chata do ano", concluiu. Que claro contraste com Canadá, não é? Outra noticia relacionada com o caso e do qual a Autosport portuguesa faz hoje eco: o jornal alemão "Die Welt" noticiou que nas oito primeiras corridas de 2011, registaram-se apenas 18 falhas mecânicas, menos vinte do que em igual periodo do ano passado.

Por um lado, Jarno Trulli pode estar a "puxar a brasa para a sua sardinha", mas por outro lado... quando comecei a ver Formula 1, no inicio da década de 80, vivia-se a era Turbo: motores pequenos, de 1.5 litros, mas sobrealimentados, chegando até a ter potencias de 1500 cavalos em qualificação. Eram ultra-potentes, mas tinham dois grandes defeitos: eram pouco fiáveis e bebiam imenso. Só por si eram dois fatores de imprevisibilidade, e se quiserem ler as estatisticas, vejam a carreira de Jean-Pierre Jabouille, o primeiro piloto que guiou um Formula 1 Turbo: só pontuou três vezes na sua carreira, duas delas foram vitórias. Aliás, tem mais corridas onde conseguiu a "pole-position" - cinco - do que a chegar ao fim nos pontos. Ali, as corridas dependiam não só do talento do piloto, mas sim da colaboração da máquina, ou de um momento de distração, muitas vezes fatal.

Nelson Piquet disse certo dia numa entrevista que "as pessoas vêm as corridas porque querem ver o circo pegar fogo". Lá isso é verdade: mais do que querer ver o nosso piloto ganhar, queremos ver o nosso adversário desistir. E se for por quebra mecânica, melhor. Conheço a história do GP do Brasil de 1978, onde em Jacarépaguá, sempre que passava o Ferrari de Carlos Reutemann, as multidões uluantes gritavam: "quebra, quebra!" só porque queriam ver Emerson Fittipaldi vencer no seu carro. E acho que muitos gostariam de ver as novatas a pontuar, algo que nunca se viu até agora, e pelos vistos, só poderão alcançar pela forma mais dificil: desenvolver o carro, porque o "fator acaso" ou se perferirem, o "fator sorte", foi-lhes retirado.

Neste mais de um século de competições automobilisticas, o acidente e a quebra mecânica sempre fez parte do jogo. As vitórias não eram só resultado do bom dia do piloto ou de uma máquina superior às outras, também tinha a ver com uma falha mecânica, eletrónica ou humana. Quando esse fator desaparece, a sensação que se fica é como termos eliminado a Morte, pois modifica-se um dos paradigmas, uma das razões pelo qual vemos corridas. E com estes regulamentos atuais, em que os motores e caixas de velocidades se tornaram inquebráveis por ordem da FIA, o seu desenvolvimento foi congelado por um periodo de tempo, tudo isto em nome da redução de custos, acabaram sem querer por matar um pouco mais a galinha dos ovos de ouro que se tornou a Formula 1.

Sem querer, ou talvez não, existe agora menos um motivo para acordar nas manhãs de domingo.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Noticias: Pirelli considera o regresso dos pneus de qualificação

A Pirelli, que tem o monopólio do fornecimento de pneus para a Formula 1, está a considerar reintroduzir os pneus de qualificação na temporada de 2012. Quem o diz é o seu diretor, Paul Hembery. Em declarações à alemã "Auto Motor und Sport", Hembery pretende melhorar onde a marca esteve menos bem este ano.

"Estamos pensando na próxima temporada e vemos onde estão as fraquezas de nosso sistema", começou por dizer. "Por exemplo: quando as duas primeiras sessões de treinos forem realizadas em condições de piso molhado, precisamos de um jogo extra de intermedios. Já concordamos que isso deverá ser incluído nas regras da próxima temporada."

"Também temos mais ideias. Talvez podemos desenvolver um total de seis diferentes compostos slick e dar às equipes três opções de escolha. Há muitas opções. Podemos criar, também, um pneu com muito mais aderência para uma única volta, especialmente para a qualificação", declarou.

Contudo, Hembery fez a disse que tais regras estão dependentes daquilo que as equipas acordarem. "No final, a decisão cabe às equipas. Se eles não quiserem, nós não faremos.", concluiu.

Os pneus de qualificação foram introduzidos no final dos anos 70 e existiram até 1982, altura em que foram abolidos. Depois disso, voltaram no final da década de 80, onde ficaram até 1991, usados por Goodyear e... Pirelli, altura em que foram abolidos para a temporada de 1992, ficando de fora desde então.

E a temporada de 1976 vai virar filme de Hollywood!

Sempre disse ao longo da existência deste blog que em termos de cinema, vi mais projetos de filmes sobre automobilismo em geral, e Formula 1 em particular, do que a realidade. Pois bem, há precisamente dois meses que falei aqui de um filme sobre Niki Lauda e a temporada de 1976. E vai para a frente: Ron Howard foi anunciado como o realizador de um filme cujo titulo provisório é "Rush", e que será produzido, em principio, pela Dreamworks.

Howard não é um diretor qualquer: aos 57 anos, já ganhou um Oscar de Melhor Realizador por "Uma Mente Brilhante", e ele é muito bom a realizar biópicos: para além desse, fez filmes sobre eventos do século XX como "Apollo 13" ou "Frost/Nixon", para além de "Anjos e Demónios", o filme baseado num dos livros de Dan Brown. Pouco mais se conhece sobre quem são os atores ou quando é que as filmagens começarão.

Como sabem, a temporada de 1976 foi um duelo entre o Ferrari de Niki Lauda, campeão no ano anterior, e James Hunt, que substituira Emerson Fittipaldi na McLaren. O duelo foi intenso, e estava a ser ganho pelo austriaco quando aconteceu o acidente em Nurburgring, a 1 de agosto, que o colocou à beira da morte. De volta a um cockpit 40 dias depois, o duelo continuou até ao diluvio em Fuji, a última prova do campeonato, onde o austríaco abandonou voluntariamente na primeira volta e entregou o título a Hunt por um ponto.

Já agora, a Dreamworks parece ter também os direitos de passar para o cinema o livro "Shunt", a extensa biografia sobre a vida colorida de James Hunt, publicada na Grã-Bretanha no final de dezembro do ano passado.

Os planos imediatos da Volkswagen no WRC

Aos poucos, a Volkswagen começa a preparar-se para 2013, altura em que terá o seu Polo WRC pronto para atacar as classificativas um pouco por todo o mundo. E parece ser estranho alinhar no próximo Rali da Finlândia com dois... Skoda Fabia S2000, mas quando se pensa que a ideia é de testar e "rodar" as equipas de mecânicos, até pode fazer sentido, bem como a Skoda ser uma marca do grupo Volkswagen.

Assim sendo, esses dois Skoda Fabia S2000 estarão nas mãos do norueguês Andreas Mikkelsen e de Joonas Lindeoos, e eventualmente participarão em todos os ralis do WRC até ao final da temporada, com a excepção do Rali da Austrália. Quanto às inscrições destes dois nomes, Kris Niessen, o diretor da VW Motorsport, afirma que um dos objetivos da marca a médio prazo é o de encontrar pilotos para tripular os Polo WRC a partir de 2013.

"Além de alguns pilotos de rali de alto nível, queremos apresentar alguns jovens talentos na nossa equipa de 2013. Assim, vamos dar a alguns jovens pilotos uma oportunidade de mostrarem as suas capacidades competitivas em prova", começou por referir.

"Esta é a melhor forma de ver quem está a pilotar melhor e quem se adequaria à equipa de ralis da Volkswagen. Seria ótimo se conseguíssemos encontrar um novo Walter Röhrl ou Michele Mouton usando esta abordagem", acrescentou.

São vários os nomes do qual se fala para a equipa oficial. Desde o norueguês Petter Solberg até ao qatari Nasser Al Attyah, passando pelo finlandês Juho Hanninen, são pilotos altamente cotados na equipa, num investimento de que se fala ser pesado, pois a marca de Wolfsburgo quer vencer no prazo mais curto possivel.

Youtube Simulator Crash: A simulação do acidente de Robert Kubica



Esta vi hoje no site Total Race: uma simulação do acidente que Robert Kubica teve com o seu Skoda Fabia no passado mês de fevereiro, no Rally Ronda de Andora. A simulação foi mostrada à imprensa polaca como forma de sensibilizar as pessoas para os perigos na estrada.

E ao ver o embate do carro nos guard-rails, fico arrepiado com o impacto, e até que ponto é que teve sorte em escapar dali com vida. É que aquilo a aquela velocidade é uma verdadeira lança, e ele escapou de um empalamento mais do que certo...

The End: Angélico Vieira (1982-2011)

Agora é real, o Angélico está morto. Os médicos do Hospital de Santo António declararam o óbito esta noite após terem decidido desligar as máquinas que o mantinham vivo depois do grave acidente que sofreu na madrugada deste sábado. Depois de três dias a sofrer, e a fazer com que os pais passassem pela pior das suas dores, tudo acabou.

Neste momento em que o corpo está a ser levado para a morgue e as formalidades estão a ser tratadas, o circo mediático desloca-se para o local do enterro ou cremação, certamente transmitido em direto pela TVI, pois foi ela que fabricou a sua fama. Mas quero perguntar uma coisa: quando todo o circo acabar, farão todos os circulos e acenderão velinhas pela pobre rapariga de 17 anos que está internada e arranjarão lugar nos jornais para dar noticias sobre o estado de saúde dela? Pois é... não é mediática. Voltaremos a vê-la daqui a dez anos, se calhar, quando um canal qualquer fizer uma grande reportagem sobre este assunto. Espero não ver essa rapariga numa cadeira de rodas, mas não acredito.

E sabem... todo este sofrimento poderia ser evitado. Bastariam duas coisas: moderação no acelerador e os cintos de segurança colocados. E é assim como uma vida acaba aos 28 anos, outra aos 25 - chamava-se Hélio Danilson Filipe e foi hoje a enterrar - e como uma vida de 17 anos poderá ficar afetada, senão estragada de forma permanente. São verdades inconvenientes do qual ninguém gosta de ouvir, mas lamento, tem de ser ditas.

Francamente, tenho muita pena dos pais, que não merecem passar por isto. Simplesmente nenhum pai e mãe, por muito mal que o seu filho ou filha tenha cometido, não merece passar pelo pior dos castigos, que é este.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Youtube Music Weirdness: Metal Blues



Só este final de semana é que conheci os videos de Andy Rehfeldt, um musico americano que se dedica a fazer versões estranhas - e bem hilariantes - de várias das musicas que deram nas vistas na segunda metade do século que passou. E digo estranhas porque... já imaginaram ver, por exemplo, Frank Sinatra e Louis Armstrong a cantarem em Death Metal? Ou então, vamos imaginar... Iron Maiden a cantar "The Trooper" em Bossanova, ou Lady Gaga a cantar "Poker Face" em... Polka Metal? Pois é, esta personagem conseguiu isso tudo. E até nem fica muito mal, na verdade.

Pelo menos, é um bom motivo de risada neste final de dia.

A capa do Autosport desta semana

Com um dia de atraso, lá apareceu a capa da Autosport desta semana. E nela, coloca-se Sebastian Vettel na sua Red Bull, a caminho de mais uma vitória, e provavelmente de mais um campeonato. "Vira o disco e toca Vettel", é o título escolhido, com os subtítulos a demonstrarem o seu dominio nas pistas: "Alemão já leva 77 pontos de vantagem"; "Maturidade e frieza de Vettel em corrida perfeita". Mas também se fala dos outros e de possiveis destinos "Ferrari "renasce" e Alonso foi 2º"; "Mark Webber na órbita da Renault".

No lado direito da revista, duas menções sobre eventos futuros, como o WTCC, na Boavista, e os eventos que rodeiam a retirada do Rali da Madeira do calendário do IRC. "Tiago Monteiro preparado para uma Street Race" e "IRC: Rali da Madeira salta fora do campeonato".

Por cima, mais eventos do último fim de semana competitivo, especialmente com "costela" portuguesa: "Parente regressa a tempo inteiro na Carlin" (GP2), "Pedro Lamy foi segundo nas 24 Horas de Nurburgring" (GT's) e "Ben Spies causa surpresa em Assen" (Moto GP)

Os vários caminhos da Renault

Agora que entramos no Verão europeu, e o campeonato está quase a meio (mas com uma vencedor quase definido), é altura de colocar alguma da escrita em dia. E uma delas queria ter feito no final da semana passada, mas as circunstâncias não deixaram. É sobre a Renault.

Como é sabido, a marca está neste ano na Formula 1 mais como fornecedora de motores do que como construtora, embora empreste o seu nome ao chassis e à equipa baseada em Enstone. Mas aquilo já foi Benetton e Toleman, portanto, a fama de camaleão já vem de longe. Mas o que queria falar na semana passada e acabou por não acontecer são duas coisas, uma delas que ouvi eu mesmo de uma conversa que tive com um amigo meu.

Segundo ele, Gerard Lopez, da Genii, anda desesperado por dinheiro fresco, de onde quer que venha. E há umas semanas esteve no Brasil, mais concretamente, na zona de Rio de Janeiro e São Paulo para falar com potenciais patrocinadores para apoiar a entrada de Bruno Senna na equipa, provavelmente em substituição de Nick Heidfeld. Uma das empresas que visitou foi a Cerveja Petrópolis, que comercializa a marca Itaipava. Só que ele pediu muito - fala-se de entre 15 a 30 milhões de euros - o que seria lógico, pois é o valor que sustenta Vitaly Petrov. Mas os brasileiros assustaram-se e disseram que não valia a pena.

Esta busca desesperada por patrocínios, associado às saídas de elementos técnicos importantes da equipa de Enstone, causados pelas tensões causadas por Gerard Lopez - e que Eric Boullier assiste algo impotente ou de forma cúmplice. Para piorar as coisas, os pagamentos para a Renault estão bastante atrasados e a casa-mãe poderá começar a pensar uma de duas coisas: retirar o seu nome da estrutura e deixar de fornecer os motores, ou então o contrário, ou seja, voltar a tomar posse da estrutura. Essa última fase estava dependente de saber, na semana passada, como é que a questão dos motores para 2013 ficaria resolvida. Com o adiamento por mais um ano e a aprovação de uma arquitectura de V6, eventualmente limitados a pouco mais de 15 mil rotações por minuto, pode ser que a Renault volte, quer dessa maneira, quer associada a equipas com quem trabalhou no passado, como a Williams e a Team Lotus.

Em relação à primeira, já está aceite no "paddock" que irá fornecer motores em 2012, enquanto que no lado da equipa de Tony Fernandes, as pessoas estão a ficar surpreendidas com a sua capacidade de angariar patrocínios. Depois da General Eletric, anunciado há quase duas semanas, o Joe Saward volta a falar hoje que a Sonangol poderá ser a parceira que se segue, devido à presença no "paddock" valenciano de membros do governo angolano... e de um dos filhos do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

Uma coisa é certa: a Renault continua interessado na Formula 1. Resta saber se o seu futuro mais próximo será em parceria com alguém ou então tentar recuperar o que foi seu não há muito tempo atrás. Carlos Ghosn tem a última palavra.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Extra-Campeonato: algumas linhas sobre o acidente do Angélico Vieira

Não consigo deixar de ficar indiferente com o que aconteceu ao Angélico na madrugada deste sábado, especialmente acerca das circunstâncias do acidente. E como este blog tem a ver com automóveis e automobilismo, a segurança também faz parte disso. E vou fazer apenas este post e direi as verdades, doa a o que doer, porque no final, quem está a sofrer fortemente são os seus pais e amigos.

Para quem esteve ausente no final de semana, não lê os jornais, ou então os muitos amigos estrangeiros que passam por aqui, eis o que aconteceu: o Angélico Vieira, de 28 anos, cantor, ator e modelo, vinha do Porto para Lisboa na A1, a principal auto-estrada do pais, num BMW Série 6 Cabrio - emprestado a ele por um amigo que tem um stand de automóveis, logo, sem seguro - quando rebentou um pneu na zona de Estarreja, em Aveiro, pelas três e meia da madrugada. No acidente, um dos passageiros morreu, atropelado pelo carro que seguia atrás deles, outros dois ficaram em estado mais ou menos grave. Há uma menina de 17 anos também em condição séria, mas estável.

Não vou comentar sobre o circo mediático que se instalou à porta do Hospital de Santo António, porque não é esse o assunto deste post. O que quero falar são os fatos conhecidos e as suas consequências: Angélico, que era o condutor, perdeu o controlo do carro quando o pneu rebentou, bateu no separador central e capotou diversas vezes. Ele não levava cinto de segurança e foi cuspido para fora do carro. Bateu fortemente com a cabeça no asfalto e fala-se que quebrou o pescoço em três sitios, tem traumatismo craniano muito grave, com perda de massa encefálica, fermientos no torax e nas mãos. Há rumores de que já está em morte cerebral, mas os médicos já desmentiram. Só dizem o habitual: "prognóstico muito reservado".

Pela descrição - e a ser verdadeiro - faz-me lembrar o acidente de Gilles Villeneuve em Zolder. Só o capacete evitou o traumatismo craniano, mas não as fraturas cervicais. E todos sabem que estava ligado às máquinas até que Joanne, a mulher dele, mandou desligar naquela noite de 8 de Maio de 1982 o seu suporte de vida. Talvez seja isso que impede de isto tudo acabar, uma decisão da familia, porque para mim, isto não tem saída possivel. E não acredito em milagres.

O que me causa pena nisto tudo é que... tudo isto poderia ter sido evitado. Desde o acidente - não o furo, mas sim a velocidade a que ia - até ao fato de não ir com o cinto de segurança colocado. Ele provocou o seu próprio fim quando tirou o cinto - ou se calhar nem sequer o apertou - no momento em que o carro se despistou. Isso é o que me revolta. As pessoas não podem dizer que não usam o cinto porque lhes aperta o peito ou porque se sentem sufocados, etc, etc. O cinto de segurança neste é obrigatório por lei, quer à frente, quer atrás, e a penalidade por isso é multa até 500 euros! A lei é dura, mas serve para proteger as pessoas. Nós e os outros.

É chato dizer isto e muitos irão parecer que estou a "apontar o dedo" quando eu poderei ter algum telhado de vidro. A verdade é que não tenho. Porque não posso ter, tenho de dar o exemplo. Não bebo alcool quando saio à noite, ou se bebo, não pode passar de um copo. Coloco o cinto de segurança antes de rodar a chave na ignição. Tenho não ultrapassar os limites de velocidade nas autoestradas e sempre que tenho sono, tento o possivel encontrar um lugar para encostar e relaxar um pouco. E o telemóvel, tento parar o carro antes de atender a chamada.

Em suma, quero ser um cidadão responsável porque conheço as consequências. Vejo-os todos os dias nas noticias. Tenho o caso pessoal de um amigo de escola que morreu ao volante há 13 anos porque vinha de uma discoteca e estava alcoolizado. Não uso o meu carro como arma de arremesso, nem faço da autoestrada a minha pista de corridas. Quero acelerar, vou a um kartódromo ou meto-me num "track day". Só que parece que devo ser uma excepção, porque esta noite estava a ver uma peça na TV em que dizia que em Portugal, todos os anos, onze mil condutores são apanhados sem o cinto de segurança. Parece que só quando espalharem o seu cérebro no asfalto, num acidente perfeitamente evitável, é que dão razão às autoridades quando lhes dizem que "o cinto posto salva vidas".

E neste acidente em particular, o rapaz que ficou menos ferido tinha o cinto colocado. Enfim, o mal já aconteceu e infelizmente os seus familiares irão sofrer esta perda para o resto das suas vidas. Francamente, depois do que aconteceu, o melhor legado, ou "lição de além túmulo" era que a Prevenção Rodoviária Portuguesa - será que ainda existe? - fazer uma campanha nas TV's, rádios e jornais, usando este acidente para consciencializar a numa nova geração sobre este tipo de perigos na estrada.

Youtube NASCAR Crash: A confusão de Jacques Villeneuve em Road America



Desde há algum tempo que sabemos que Jacques Villeneuve anda "por aí". Este final de semana foi correr numa prova de estrada da NASCAR Nationwide Series no circuito de Road America, curiosamente o mesmo palco onde, dezassete anos antes, venceu a sua primeira prova na CART. Nos primeiros metros da corrida, Villeneuve, agora com 40 anos, colocou sem querer as rodas do seu lado direito na relva e fez despistar o seu carro, fazendo com que tocasse em mais dois carros, o de Brian Scott (Toyota) e o de Max Papis (Chevrolet). Scott continuou, mas Papis acabou no muro.

Imediatamente, Papis não perdeu tempo e reagiu dizendo: "muito obrigado Jacques. Bom trabalho. Eu sabia que o 22 ia fazer qualquer coisa estúpida". Após o final da corrida, Brian Scott foi o primeiro a mostrar o seu descontentamento dando um toque na traseira do carro do canadiano na entrada das boxes, e logo depois foi a vez de Papis se travar de razões com o ex-campeão do mundo de Formula 1.

Villeneuve pediu desculpa pelo incidente, revelando que "quando pus as duas rodas na relva, eu não queria mesmo estar lá". E mesmo assim, acabou a prova num lugar de relevância: foi terceiro.

A coisas positivas de um ano onde um domina

Todos nós já andamos a discutir não se Sebastian Vettel revalidará o título mundial, mas sim quando é que ele alcançará o bicampeonato, dado que em oito corridas disputadas até agora, já venceu seis, e boa parte delas com um grande domínio sobre a concorrência, que pouco ou nada consegue fazer para alcançá-lo.

Contudo, apesar deste dominio, parece que continua a ter fome de títulos. Pelo menos é o que diz Christian Horner: "Ele está bastante focado nas vitórias. Em Montreal tudo teve como razão a vitória. Ele cometeu um erro na última volta porque sabia que tinha de estar à frente na zona do DRS, mas não resultou naquele momento. Ele está focado nos 25 pontos", referiu Horner após a vitória do piloto alemão em Valencia.

"Não sei quantos pontos ainda estão em jogo. Há muitos pontos ainda disponíveis, pelo que nunca se pode dizer nunca. O nosso objetivo é centrado corrida a corrida: maximizar a nossa performance e retirar o máximo de cada fim de semana. Este fim de semana ficámos a três pontos da pontuação máxima [nos Construtores] e tivemos ambos os carros no pódio", explicou.

"Vettel e a equipa conseguiram colocar-se numa posição bastante forte, mas como sabem, ainda há muito pela frente neste campeonato e quem sabe qual o efeito que a clarificação nos regulamentos - não é uma mudança - pode trazer em Silverstone. Sinto que capitalizámos todas as nossas oportunidades até agora e, como equipa, isso é altamente recompensador", terminou.

Aparentemente, esta vai ser mais uma temporada de domínio, como aconteceu tantas vezes no passado da Formula 1. Mercedes, Ferrari, Lotus, McLaren, Williams... todas estas equipas já tiveram máquinas que esmagaram a concorrência sem dó nem piedade, que decidiram títulos muito antes do campeonato do mundo chegar à sua última corrida. A acontecer, será pela primeira vez desde 2009 que a - ou as - últimas provas se arriscam a servir para cumprir calendário do que propriamente como uma batalha pelo primeiro lugar, como foi no ano passado. Será algo bom ou mau? Por incrível que pareça, até existem coisas boas nestes anos de dominação do qual dou-vos uma ideia.

Há uns tempos, numa conversa que tive com o Mike Vlcek, ele me disse que a coisa boa que há nos anos em que uma equipa ou um piloto domina é que ali poderemos ver a genialidade de alguém. Do projetista, em primeiro lugar, que permite ao piloto poder guiar o melhor que pode e vencer sempre. No caso em particular do RB7, é o mais recente chassis de Adrian Newey, que por sua vez, desenhou chassis icónicos como o FW14 ou o McLaren MP4-13. Ambos os carros dominaram respectivamente, as temporadas de 1992 e 1999, sem dar muitas hipóteses à concorrência. E deram a Nigel Mansell e a Mika Hakkinen a possibilidade de vencerem os seus campeonatos.

O que quero dizer é que o carro ajudou em muito estes pilotos a tirarem partido dele e a dominarem as pistas nesses anos. Mais do que o chassis a ajudar o piloto a ser campeão, ou vice-versa, é mais uma simbiose entre os dois. Da mesma forma que tivemos Michael Schumacher, um excelente afinador de carros no seu tempo, aproveitar da melhor forma os chassis desenhados por Rory Bryne e afinados por Ross Brawn. E o melhor deles todos, o F-2004, aquele que deu o sétimo título ao piloto alemão, então com 35 anos, foi uma espécie de "pináculo" desse periodo vitorioso.

Claro, podemos dizer que essas corridas eram chatas, já sabiamos quem ia ganhar, blá, blá, blá. Mas quando deixamos passar algum tempo, a poeira assentar e começarmos a pensar com frieza, vemos que tais chassis eram provas de extrema genialidade da pessoa que o projetou, aliado aos excelente pilotos que os guiaram. Afinal de contas, hoje em dia ainda se elogiam os grandes chassis do passado, que dominaram e marcaram toda uma época.E este RB7 vai ser mais um desses, passando para a história como mais uma demonstração do génio de Adrian Newey.

Para quem está ansioso pela nova temporada...



O programa Top Gear começou esta noite na BBC britânica a sua 17ª série desde o seu revivalismo, em 2002. Já vos mostrei dois exemplos dele, quando andaram no Mónaco com Bernie Ecclestone, Christian Horner e Flávio Briatore, ou então quando andaram a testar carros elétricos.

Mas enquanto que não se vê o episódio por inteiro no Youtube (ou se virem, tem de correr rápido, senão a BBC tira do ar), sempre podem ver os trailers que eles colocaram, como este do Stig.

domingo, 26 de junho de 2011

Formula 1 2011 - Ronda 8, Valencia (Corrida)

Este ano temos algo interessante nos carros de Formula 1, e tem três letras apenas: DRS. E é graças a essas letras e ao mecanismo, que os permite estarem ativos quando dois carros estarem com menos de um segundo de diferença, que os circuitos deixaram de ser aborrecidos aos nossos olhos. E claro, tambos também os pneus da Pirelli, que tem tendência a aguentar menos tempo do que os normal, e que faz com que se façam três ou quatro paragens em corrida, consoante o composto.

Com esses novos componente, pensava-se que de uma certa forma, mesmo um circuito tão chato e tão mal amado como Valencia se tornaria menos aborrecido com estas "bugigangas" nos carros. Não aconteceu. Mesmo com estas novidades, mesmo com excelente corridas em circuitos como Mónaco e Canadá, chegou-se hoje à conclusão que Valencia é incorrigivel. E é verdade: assistimos hoje a uma corrida aborrecida.

E com isso, a corrida tornou-se em mais um passeio para a Red Bull de Sebastien Vettel, que conseguiu hoje a sua sexta vitória nos oito Grandes Prémios realizados até agora. E este foi quase a mesma coisa, apesar das reações de Felipe Massa na partida e depois de Fernando Alonso, que corria pela segunda vez este ano "em casa". Sebastien Vettel foi perfeito, sem erros e sem ser aborrecido nem por Alonso, nem por Webber, que teve problemas com a sua caixa de velocidades na parte final da corrida.

Atrás dos homens do pódio ficou Lewis Hamilton, que numa pista como estas e nesta condições, não tem capacidade de apanhar os Red Bull e desta vez os Ferrari. Pior ficou Jenson Button, o vencedor do GP canadiano, em sexto, com o braileiro Felipe Massa entre eles. Atrás ficou Nico Rosberg, num lugar dito... habitual, mas Jamie Alguersuari teve um bom desempenho, ao ser oitavo, isto para quem largou no 18º posto. Desconheço se isto foi o resultado de uma boa estratégia ou então já é uma reação porque começa a sentir o chão a fugir dos seus pés, mas que é um bom resultado, lá é.

E o resultado final desta corrida também mostrou outra coisa: todos os 24 carros da grelha chegaram ao fim. Foi a quarta vez na história da Formula 1 que tal aconteceu, e cada vez mais se demonstra que a tecnologia e o fato de que a tendência é a de transformar os carros cada vez mais resistentes em termos de motor, caixas de velocidades e outros componentes eletrónicos, tal coisa se tornará cada vez mais habitual no futuro. As hecatombes mecânicas parecem terem passado à história.