terça-feira, 14 de agosto de 2018

Youtube Motoring Book: Um livro especial sobre a Ferrari


No dia em que passam trinta anos sobre a morte de Enzo Ferrari, não seria de mau tom se mostrasse um livro da editora Taschen sobre desenhos do motor V12, icónico da marca, cujo autor é Marc Newson.

E coisa interessante disto tudo é... limitadíssimo. E muito, mas muito caro. 25 mil euros muito caro. Custa um carro de médio porte! Mas para pagar isso, terá em troca uma caixa de alumínio e respectivo suporte. 

E para além dos desenhos, o livro também contem centenas de fotos vindos dos arquivos da Ferrari e de coleccionadores privados. Tudo isso para contar a historia completa dos principais protagonistas e claro, as vitorias da marca italiana. Vão ser editados 1947 exemplares - simbolizando o ano da fundação da marca de Maranello - 250 dos quais vão ser desta edição, e que irão para clientes especiais e museus. Os restantes exemplares valem mais barato: "apenas" cinco mil euros.

Todos esses exemplares serão assinados por Piero Lardi Ferrari, mas os 250 de luxo terão também as assinaturas de John Elkann e de Sergio Marchionne, feitas tempos antes de ele morrer, no mês passado.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Noticias: Dixon mantêm-se na Ganassi em 2019

Scott Dixon mantêm-se na Ganassi para a próxima temporada. O piloto neozelandês de 38 anos decidiu assinar um acordo de "várias temporadas", com a equipa de Chip Ganassi, recusando assim - ou será que não? - uma oferta de Zak Brown para trabalhar na possivel entrada da McLaren na IndyCar.

"Creio que quando se menciona o nome de Scott Dixon, os números e os registos começam a falar por si", disse a equipa Ganassi no seu comunicado oficial. “Conseguimos muito juntos, mas não há sinais de que ele [esteja] a diminuir a velocidade. Ele ainda é a pessoa que você sabe que tem que vencê-lo para chegar ao primeiro lugar. Ele é um piloto que está sempre pensando na próxima corrida e como ele vai se aproximar dela, atacar e finalmente vencer. Estou muito feliz por termos a oportunidade de continuar esse relacionamento e esperar muitos anos de sucesso.”, concluiu a marca.

"O piloto que [qualquer] dono da equipa gostaria de ter", começou por dizer Dixon num comunicado oficial. “Ele te dá as ferramentas que você precisa para fazer o seu trabalho, com o grupo certo de pessoas. Esta equipa tem sido como uma família para mim desde 2002, e fico feliz de estar aqui tentando lutar por mais vitórias, campeonatos e 500 milhas de Indianápolis nas próximas temporadas.”, concluiu o piloto.

Nesta altura do campeonato, Dixon tem uma vantagem de 46 pontos sobre o segundo classificado, quando faltam quatro corridas para terminar a temporada. 

Nascido a 22 de julho de 1980 em Queensland, na Austrália, mas com nacionalidade neozelandesa, chegou à CART em 2001, para correr na PacWest, mas a meio de 2002 seguiu para a Chip Gansassi, onde está desde então, depois de ter passado para a IRL, a Indy Car Series, em 2003. enceu o campeonato nesse ano, voltando a repetir o feito em 2008, 2013 e 2015. Para além disso, enceu as 500 Milhas de Indianápolis em 2008, sendo o primeiro neozelandês a fazê-lo.  

A imagem do dia

Cenas de júbilo em Zeltweg, com Ronnie Peterson a comemorar a vitória e... Helmut Marko como repórter da ORF austríaca, entrevistando o vencedor. Hoje em dia, agora que conhecemos a história da Lotus, custa a crer que entre aquele dia de 1978 e de 1982, a Lotus só ganharia mais duas vezes e que os pilotos que subiram ao pódio naquele estariam todos mortos. 

Nunca vou deixar de dizer - e pensar, claro - que a história de Colin Chapman, bem escrita, daria um excelente filme de Hollywood. A personagem complexa do fundador da Lotus, do seu equilíbrio entre a leveza e a rapidez, dos seus carros serem ao mesmo tempo inovadores e verdadeiros "caixões voadores", da sua obsessão por encontrar buracos nos regulamentos que o faria ter a "vantagem injusta" que o colocaria como campeão do mundo.

E claro, o preço que pagou: Jim Clark, Jochen Rindt e Ronnie Peterson acabaram as suas vidas em carros dele.

Antes de Monza, foi a corrida mais atribulada do ano. A prova foi interrompida na oitava volta por causa da chuva - meninos que dizem que o passado era bom, ponham os olhos nesta corrida - e Mário Andretti perdeu-a na terceira curva do circuito, quando tentava passar o Ferrari de Carlos Reutemann. Poucas voltas depois, no mesmo lugar, Jody Scheckter atingiu em cheio o carro de Andretti, demonstrando a periculosidade de ter um carro parado na berma da estrada.

Claro, Peterson não foi mais incomodado, mostrando que o modelo 79 era ótimo em todas as condições, apesar de Patrick Depailler ter feito uma excelente corrida no molhado.

E o resto foi uma espécie de "cortejo de sobreviventes", onde quem chegou ao fim teve a sua recompensa. Para Depailler, foi o melhor resultado desde a sua vitória no Mónaco, para Gilles Villeneuve, foi o seu primeiro pódio da sua carreira, e Emerson Fittipaldi conseguiu aqui três preciosos pontos com o seu próprio carro. E Vittorio Brambilla, que três anos antes vencera à chuva naquele local, conseguia ali o seu último ponto da sua carreira, no último ponto conquistado pela Surtees na sua história.

E claro, aquela foi a última vez que Ronnie Peterson venceria. Dali a um mês, estaria morto.

Noticias: Recuperação de Lauda um pouco mais complicada

Recentemente operado a um transplante de pulmão, a recuperação de Niki Lauda do seu hospital em Viena poderá ter-se complicado devido à condição dos seus rins. Segundo contam os médicos, apesar do tricampeão austríaco de 69 anos já poder respirar sem a ajuda de aparelhos, a enorme quantidade de medicamentos que ele tem de tomar para evitar a rejeição do seu pulmão está a fazer com que um dos seus rins transplantados comece a dar sinais de não funcionar.

Segundo conta a imprensa local, esse é o maior receio neste momento: que os medicamentos causem mais stress no seu corpo já enfraquecido por muitos anos de operações. 

Apesar de tudo, caso recupere, os médicos aconselhem que repouse por seis meses, pelo menos, até regressar à sua vida normal. Durante esse tempo, por exemplo, ele não poderá voar. 

Recorde-se que Lauda, tricampeão do mundo de Formula 1 em 1975,77 e 84, sofreu dois transplantes de rins, um do seu irmão, em 1997, e outro dez anos depois, de Brigit, uma antiga hospedeira de bordo, que acabou por ser a sua segunda mulher e pai dos seus dois filhos mais novos. 

Youtube Formula 1 Classic: O GP da Áustria de 1978

Há precisamente 40 anos, em Zeltweg, acontecia uma corrida agitada, das mais agitadas naquela temporada. O boletim meteorológico fez das suas e baralhou as contas na corrida, que deu uma chance de vitória ao pelotão quando Mário Andretti, o líder do campeonato e favorito à vitória final, despistou-se e bateu no Ferrari de Carlos Reutemann.

No final, a vitória calhou ao seu companheiro de equipa, Ronnie Peterson, naquela que iria a ser a sua única vitória a bordo do modelo 79, e trágicamente, iria a ser a sua última. Dali a um mês, a 11 de setembro, Ronnie viria a morrer, vitima dos ferimentos sofridos na partida do GP de Itália. Mais trágico viria a ser o destino dos restantes pilotos que partilharam aquele pódio, Patrick Depailler e Gilles Villeneuve: em menos de quatro anos, estariam todos mortos.

Aqui coloco na íntegra a corrida austríaca. Contudo, aiso-os que este filme não tem som.  

A personagem do dia - Enzo Ferrari (Parte 4)

(continuação do capitulo anterior)


NAS MÃOS DA FIAT, MONTEZEMOLO, LAUDA E VILLENEUVE


Com a década de 60 a caminhar para o fim, Enzo Ferrari sentia que precisava de mais dinheiro para poder manter as suas equipas na Formula 1 e na Endurance, para além de construir os seus carros de estrada para os seus clientes VIP. Esteve interessado em vencer para a Ford em 1963, mas detestou os termos do seu contrato. Portanto, quando em 1969 a Fiat surgiu em cena para adquirir parte da marca, foi ele que ditou os termos. 

No final, foram 50 por cento da marca, com o Commendatore a ficar com todo o controlo do programa desportivo, e a Fiat seria a financiadora. Apenas depois de ele morrer é que ficaria com todo o capital. A Fiat aceitou o negócio e, aliviado, concentrou-se no automobilismo.

As coisas por essa altura tinham-se tornado complicadas. Lorenzo Bandini tinha morrido durante o GP do Mónaco de 1967 e pouco depois, Mike Parkes ficara gravemente ferido durante o GP da Bélgica. Ludovico Scarfiotti abandonou a equipa pouco depois, receando morrer num dos carros vermelhos, e dali surgiu uma nova geração de pilotos: o neozelandês Chris Amon, o belga Jacky Ickx e os italianos Ignazio Giunti e Arturo Merzário. Em 1970, surgia também o suíço Clay Regazzoni. Modelos como o 312 - sigla para V12 de 3 litros - não tinham sido bem sucedidos de inicio, mas em 1970, tornaram-se nos maiores rivais do carro do momento, o Lotus 72, e lutou pelo campeonato, com Ickx, Regazzoni e Giunti ao volante. Contudo, não foi suficiente para os derrotar. 

Em 1971, a Ferrari sofria com mais uma morte na pista, quando Giunti morre nos 1000 km de Buenos Aires, vítima de um acidente com o Matra de Jean-Pierre Beltoise. Por esta altura, também tinham construido o modelo 512, para ser o maior rival do Porsche 917. Apesar dos duelos com as duas marcas, são os alemães que vencem, apesar de ter o italo-americano Mário Andretti a ajudá-los.

Em 1972, com a abolição dos carros de 5 litros na Endurance e a adopção dos de 3 litros, com o mesmo motor de Formula 1, Ferrari faz uma equipa de sonho contra os Matra. Pilotos como o argentino Carlos Reutemann, o sueco Ronnie Peterson e o brasileiro José Carlos Pace estão na equipa de Endurance, mas não vencem em Le Mans, com a Matra sempre a levar a melhor, nesse ano com Graham Hill e Henri Pescarolo no lugar mais alto do pódio.

As coisas em 1973 alcançam um ponto baixo. O modelo 312, em pista desde 1970, estava desfasado por causa dos seus elementos aerodinâmicos mais fracos que Lotus e Tyrrell, e mesmo Jacky Ickx estava cansado. Ferrari considera abandonar o automobilismo, mas quem salva o dia é um jovem de 25 anos chamado Luca Cordero de Montezemolo. Ele toma conta do departamento de competição, ordena a construção da pista de testes de Fiorano, e decide seguir na Formula 1 em detrimento da Endurance. E no final do ano, contrata um jovem austríaco com potencial para dar a volta, recomendado por Clay Regazzoni: o austríaco Niki Lauda, vindo da BRM.

Com Lauda e Regazzoni ao volante em 1974, e uma nova versão do 312, voltam às vitórias, mas não o suficiente para bater Lotus, Tyrrell e McLaren, este último com o seu modelo M23. Mas no ano seguinte, com o modelo T - de Transversale - Lauda voa, vencendo cinco corridas e tornando-se campeão do mundo de pilotos, como também de construtores. Era o primeiro título em onze anos, e todos ficam felizes por saber que a Ferrari não tinha deixado de ganhar.

Montezemolo sai de cena e entra Daniele Audetto, e a temporada de 1976 começa muito bem, com Lauda a dominar. Mesmo com a reação da McLaren, com James Hunt, a Scuderia pensava que tinha tudo sob controlo. Até que a 1 de agosto, durante o GP da Alemanha, tudo muda. Lauda sofre um acidente no Nurburgring Nordschleife e fica entre a vida e a morte, devido às queimaduras e lesões no pulmão. Recupera e volta a correr passado quase mês e meio, mas para o seu lugar, Enzo Ferrari contrata Reutemann. E no final do ano, Lauda, debaixo de stress, desiste voluntariamente no GP do Japão, cheio de chuva e vê o título mundial cair nas mãos do seu rival Hunt. O austríaco é chamado de "cobarde" pela imprensa italiana e a sua relação entre ambos é abalada.

Em 1977, Lauda cala os críticos e vence o bicampeonato com folga. Mas por trás, o austríaco congemina a sua vingança. Sem avisar ninguém, negoceia um contrato milionário com Bernie Ecclestone para correr na Brabham em 1978, e avisa-o poucos dias depois de alcançar o campronato, para surpresa de todos, incluindo... Enzo Ferrari. Conta-se que o chamou de "Ebreo!", quando ele ouviu a noticia da boca do seu piloto...

Mas Ferrari não ficou parado. Logo lhe contaram coisas sobre um canadiano com talento para guiar. Convidou-o para uns testes em Fiorano e apesar das dúvidas de muitos observadores, Ferrari viu nele o espírito de Tazio Nuvolari. Chamava-se Gilles Villeneuve, e quando Lauda saiu de vez da Ferrari, ele foi o escolhido. Villeneuve deu mais nas vistas pelos seus acidentes, mas em 1978, as coisas seriam um pouco diferentes.

(continua amanhã)

Rumor do Dia: McLaren vai comprar a Ganassi?

As coisas na IndyCar poderão agitar-se imenso amanhã. Aliás, ao longo do fim de semana, tem surgido noticias e sinais nas redes sociais de que algo poderá acontecer nesses lados, e que envolvem a McLaren, a Ganassi, Scott Dixon e... Fernando Alonso.

Este domingo, soube-se que Scott Dixon e Fernando Alonso marcaram, respectivamente para segunda e terça-feira, anúncios e conferências de imprensa relacionado com os seus futuros. Dixon confirmou há uns tempos que anda em conversações com a McLaren para 2019, apesar de estar concentrado em vencer o seu quinto título na IndyCar este ano. E para além disso, é amigo de ak Brown, afirmando que o conhece há quase vinte anos.

"Estamos constantemente a falar com outras pessoas, mas não numa situação de mudança", começou por comentar Dixon, de 38 anos, à Autoweek americana. "Conheço o Zak Brown desde 1999, logo, há muito tempo. Falo com ele frequentemente, mas as conversas são as mesmas desde há algum tempo", continuou.

Um neozelandês na McLaren até seria um belo tributo às suas origens, dado que o seu fundador, Bruce McLaren, é de Auckland. 

Em relação à Ganassi, as coisas que se falam tem a ver com a divisão da IndyCar, uma das mais vitoriosas na categoria. Desde que a Chip Ganassi perdeu o apoio da Target (na foto, Scott Dixon com as cores do patrocinador nas 500 milhas de 2015) que a equipa anda com dificuldades de tesouraria, e uma aquisição parcial - ou total - por parte da equipa de Woking seria algo interessante, e também seria um regresso, 40 anos depois da última participação.

Já em relação a Fernando Alonso, ele fará um anuncio no dia 14 terça-feira. E já deixou todos enigmáticos, com todos estes anuncios paralelos deixando a entender que poderia largar a Formula 1 a favor de uma temporada parcial na IndyCar, em paralelo com a participação na Endurance, ao serviço da Toyota, na supertemporada 2018-19.

Uma coisa é certa: esta vai ser uma semana extremamente agitada em dois continentes, e em duas categorias.

domingo, 12 de agosto de 2018

Rumor do dia: Raikkonen pode ficar até ao final de 2019

A nova administração do Grupo Fiat, com o desaparecimento de Sergio Marchionne, pode ter sido benéfica para Kimi Raikkonen. Noticias vindas de Itália afirmam que Kimi está a preparar-se para renovar o seu vínculo à Ferrari por mais duas temporadas, até ao final de 2020, quando tiver 41 anos. Isso deita por terra a chance de contratar o monegasco Charles Leclerc já em 2019, ficando mais uns tempos na Sauber, ganhando experiência.

Caso se confirme, a extensão do vínculo deverá ser anunciada ou no final do mês, durante o fim de semana do GP da Bélgica, ou eventualmente em Monza, no GP de Itália, no inicio de setembro.

Essa escolha pela experiência em detrimento da juventude poderá fazer com que a Red Bull tente a sua sorte e contrate Leclerc para a equipa principal, mas é altamente improvável, dado que a equipa austríaca querer sempre uma solução dentro da organização, logo, as chances poderão estar reduzidas a Carlos Sainz Jr, atualmente na Renault, mas com experiência na Toro Rosso, ou o francês Pierre Gasly.

Youtube Motorsing Show: Os carros de Cuba


Cuba é um mundo à parte em termos de automóveis e de engenharia - ou ingenuidade - mecânica. Sujeitos a um embargo desde 1960 por parte da administração americana - apesar de ter sido levantado em 2016 por Barack Obama - os automóveis são uma estranha combinação de carros americanos dos anos 50 preservados, com mecânicas bem diferentes, autênticos "frankensteins", e com carros dos tempos soviéticos, importações como Ladas ou os "Polski Fiat", modelos 126, conhecidos como "Maluch" (ou pequeno, em polaco)

Os australianos dos Mighty Car Mods foram a Havana para os ver ao vivo, ver como é que estes carros são reparados, como é que os modificam para todo o tipo de propósitos, e também foram experimentar verdadeiras sucatas que se aguentam com... fita-cola. Juro, não é mentira.

Se quiserem ver o episódio, coloco aqui na sua íntegra. Vale a pena ver.

A personagem do dia - Enzo Ferrari (Parte 3)

(continuação do capitulo anterior)



SUCESSO EM LE MANS, REVOLTA EM MARANELLO



Como já foi dito num capitulo anterior, o primeiro grande sucesso da Ferrari foi em Le Mans, quando Luigi Chinetti venceu a edição de 1949. A Ferrari voltou a vencer cinco anos depois, com Froilan Gonzalez e Maurice Trintignant, a bordo do modelo 375 Plus. Quatro anos depois, com o modelo 250 TR/58 guiado pelo belga Olivier Gendebien e pelo americano Phil Hill, a Scuderia tinha acabado de vencer pela terceira vez em La Sarthe. 

Por esta altura, já havia o Mundial de Endurance, onde as marcas contavam para o campeonato, independentemente dos pilotos que os guiavam. Enzo Ferrari tinha uma enorme equipa, onde substituíam os pilotos à media que saiam ou morriam. Wolfgang Von Trips tinha já chegado, mas também os belgas Olivier Gendebien e Paul Frére - outro belga surgiria mais tarde, Willy Mairesse - e mais tarde surgiriam outros americanos, recomendados por Chinetti: Dan Gurney e Richie Ginther.

Em 1959, a Ferrari tinha o britânico Tony Brooks e os americanos Gurney e Ginther, com Von Trips a ajudar. Mas nesse ano, os ingleses começavam a dominar a Formula 1, especialmente os Cooper de modelo traseiro. Ferrari desprezava-os - chamou-os de garagistas - mas eram eles que se concentravam em construir carros de competição e vencer corridas. Stirling Moss tinha provado isso quando vencera o GP da Argentina de 1958 com o pequeno Cooper, e no ano seguinte, com Jack Brabham ao volante, alcançou o título mundial.

A temporada de 1960 seria a última dos motores de 2.5 litros, para passar a ser a de 1,5 litros. Ferrari rendeu-se ao motor traseiro, aproveitou o motor Dino, projetado pelo seu falecido filho, com a ajuda de Vittorio Jano, e meteu nos modelos 156 - sigla para V6 de 1,5 litros - e em 1961, estava pronto para alcançar o título mundial. Tinha uma boa dupla no americano Phil Hill e no alemão Wolfgang Von Trips, e secundários como Richie Ginther, Olivier Gendebien, Willy Mairesse e um jovem mexicano de apenas 19 anos, chamado Ricardo Rodriguez. O título acabou por se decidir no GP de Itália, a 10 de setembro de 1961. E acabou mal.

Von Trips, o "poleman", largou mal e no final da primeira volta, procurava recuperar posições quando chegou ao final da reta oposta ao lado do Lotus do escocês Jim Clark. Na travagem para a Parabólica, as rodas de ambos os carros tocaram-se e Von Trips saiu disparado para as bancadas, matando-se a ele e a mais 14 pessoas. Hill venceu a corrida e o campeonato, sendo o primeiro americano a fazê-lo, mas o custo foi enorme. E como em 1957, Ferrari sentiu a opinião pública contra ele.

No ano seguinte, a concorrência apanhou os Ferrari, especialmente a Lotus, com o seu modelo 25, o primeiro com monocoque. Hill, Mairesse, Giancarlo Baghetti e Ricardo Rodriguez sofriam com o 156 desfasado, e para piorar as coisas, havia agitação dentro da fábrica de Maranello. Um conjunto de personagens importantes, entre eles Carlo Chiti, o engenheiro por trás do V6 de Formula 1, Giotto Bizarrini, o chefe do departamento de engenheria, Romolo Tavoni, o chefe de equipa, e Girolamo Gardini, chefe do departamento de vendas, revoltaram-se contra Ferrari - a razão tinha sido sua mulher, Laura - e foram despedidos. Eles acabaram por criar a Automobili Turismo & Sport, que faliu ao fim de dois anos. E para além deles, arrastaram pilotos como Phil Hill e Giancarlo Baghetti.

Anos depois, em 1998, Romolo Tavoni confirmou o despedimento numa entrevista. "Nosso erro foi ter ido a um advogado e escrever-lhe uma carta, em vez de discutir abertamente a questão com ele. Sabíamos que sua esposa não estava bem [devido à morte de Dino]. Deveríamos ter sido capazes de lidar com isso de uma maneira diferente. Quando ele convocou a reunião para nos despedir, ele já havia nomeado nossos sucessores”, contou.

Ferrari não se abalou com esta enorme deserção, e promoveu jovens engenheiros aos seus lugares, dois deles foram Mauro Forgheri e Gian Paolo Dallara. Outro que entrou na equipa foi Sergio Scaglietti. E em relação aos pilotos, promoveu italianos como Ludovico Scarfiotti e Lorenzo Bandini, e contratou os britânicos John Surtees e Mike Parkes.

Mas também foi nesta altura que recebeu uma oferta irrecusável. Henry Ford II, o "Deuce", neto de Henry Ford, estava interessado no automobilismo e acharia que adquirir a Ferrari seria uma coisa ótima para o seu portfólio. Deu uma oferta irrecusável a Enzo Ferrari, mas recusou. Ford aceitou mal a decisão e jurou que o iria bater na pista e na corrida onde era mais bem sucedido: as 24 horas de Le Mans.

E de facto, era verdade: desde 1960 que eles eram sempre os vencedores.

Em 1964, a Ferrari voltou a vencer o campeonato do mundo de Formula 1, com Surtees ao volante, e com... concorrência interna. Amadeo Dragoni, o diretor de equipa, queria que Bandini fosse o primeiro piloto, em detrimento de Surtees, que não só era bom piloto mas tinha boas capacidades de engenharia. A Ferrari continuaria a vencer em 1965 em Le Mans, apesar da Ford mostrar os seus carros, com os GT40, engenheiros como Carrol Shelby, e pilotos como Ken Miles.

A temporada de 1966, a primeira com os motores de 3 litros na Formula 1, tinha tudo para ser mais uma de consagração para a Ferrari. John Surtees venceu na Bélgica, mas as intrigas palacianas levaram a melhor. Durante as 24 Horas de Le Mans desse ano, Amadeo Dragoni conseguiu excluir John Surtees da equipa, alegando não estar em forma para uma corrida dessas - tinha sofrido um acidente no ano anterior em Mosport, deixando-o fora do volante para o resto do ano. Irado, Surtees deixou o circuito e foi a guiar até chegar a Maranello no dia seguinte. Ali, discutiu com o Commendatore e decidiram cada um seguir o seu caminho. Surtees foi para a Cooper e o título mundial caiu nas mãos de Jack Brabham, apesar da vitória de Ludovico Scarfiotti em Monza. E em Le Mans, a Ford conseguiu a sua vitória, com os três carros nos três primeiros. Ferrari voltaria a tentar, mas nunca mais venceria em La Sarthe.

(continua amanhã)  

sábado, 11 de agosto de 2018

A imagem do dia

Carlos Vieira ainda anda de canadianas, mas já saiu do hospital de Coimbra e continua em casa a sua recuperação do grave acidente que sofreu no inicio de junho no Rali Vidreiro, na Marinha Grande. Estas fotos apareceram esta semana no jornal local Noticias de Fafe.

Vê-lo por ali já é uma vitória. Pelo menos o ser humano está a recuperar, está a tentar voltar à normalidade, e agora, é saber quando terá forças a confiança para regressar ao volante de um carro de ralis.

Já houve precedente, não muito falado, mas aconteceu. Foi no ano passado, com o José Pedro Fontes, quando bateu no Rali de Portugal com o seu Citroen DS3 R5, e ficou de fora para o resto da temporada. Os ferimentos não foram assim tão graves, mas fraturou a bacia, e isso é o suficiente para ficar alguns meses à espera que as coisas se curassem e a fisioterapia voltasse a colocar os músculos no sítio. E correu bem, tanto que ele agora corre com uma máquina nova, o C3 R5, e pretende voltar aos lugares da frente. E o resultado disso pode-se ver no Rali da Madeira, onde foi o melhor nacional.

Como isso é possível, muitos dos que gostam de o ver nas classificativas tem o mesmo desejo em comum: voltar a vê-lo correr. É só isso. As melhoras para o campeão!

Youtube Motorsport Video: Maranello, Richard Lord

Eu sei que tinha dito que não voltaria a ele. Mas como estou neste momento a escrever sobre Enzo Ferrari, achei que é demasiado tentador não deixar escapar isto. É que o Richard Lord, o compositor monegasco que escreveu muitas musicas sobre automóveis e automobilismo, tem uma musica sobre a Ferrari, de seu nome "Maranello", e acho muito mau se não deixasse passar a oportunidade.

A musica é de 2009, e claro, é um louvor aos carros da marca do Cavallino Rampante. Espero que... enfim, vão por vossa conta e risco.

A personagem do dia - Enzo Ferrari (Parte 2)

(continuação do capítulo anterior)


"PARECE QUE MATEI A MINHA MÃE"


Em 1951, Ferrari andava atrás da Alfa Romeo, mas a sua rival vencia sempre num Grande Prémio de Formula 1. Mas a Ferrari, com o modelo 375, evolução do 275, melhorava cada vez mais e fazia suar a sua rival. A equipa era grande e valorosa: para alem de Alberto Ascari e Luigi Villoresi, tinha também Piero Taruffi e o argentino Froilan Gonzalez.

A equipa coleccionava pódios, mas não vitórias. Contudo, tudo isso mudou quando chegaram a Silverstone, palco do GP da Grã-Bretanha. Froilan Gonzalez conseguiu contrariar os Alfa Romeo de Nino Farina e do seu compatriota Juan Manuel Fangio e venceu, depois de dez tentativas. Ferrari ficou exultante por ter por fim batido a Alfa Romeo numa corrida oficial, e disse depois que "sentia que tinha matado a sua própria mãe". A ideia de que queria provar que poderia ser vencedor com os seus próprios carros tinha acontecido. 

A Alfa Romeo acabaria por ganhar o Mundial de 1951 com Fangio ao volante, mas anunciou o abandono logo a seguir, deixando a Ferrari sem rivais. Nos dois anos seguintes, com Alberto Ascari ao volante, iria dominar a Formula 1, dando dois títulos mundiais e também uma incursão nas 500 Milhas de Indianápolis, em 1953, sem sucesso.

Ferrari continuava a andar nos Sportscars, especialmente nas 24 Horas de Le Mans e nas Mille Miglia, que ajudava no sucesso desportivo e comercial da sua marca. E aos poucos, atraia mais pilotos de renome. Mas em 1954, a Mercedes e a Lancia fazem os seus carros e estreiam-se na Formula 1, vencendo e deixando a Ferrari em crise. Parecia que as coisas iriam acabar mal, mas em maio de 1955 acontece a salvação. Com muita amargura à mistura.

Tudo começa quando Alberto Ascari mergulha para as águas do Porto do Mónaco com o seu Lancia D50. Três dias depois, já recuperado, está em Monza para ver o seu compatriota Eugenio Castelloti a andar no modelo 750 Monza, preparando-se para uma prova de Sportcar - presume-se que seria os 1000 km de Monza. Depois de Castelloti ter dado voltas no carro durante a manhã, Ascari vai dar umas voltas antes do almoço, para ver se os seus reflexos ainda estavam em condições depois do seu acidente. Na Vialone - agora Variante Ascari - despistou-se e acabou por morrer.

O acidente foi um golpe para Enzo Ferrari, mas quem acusou mais foi Vicenzo Lancia, filho do fundador da marca. Decidiu abandonar a Formula 1 e entregou os seus carros a Ferrari para poder ter um carro competitivo contra a Mercedes. Ele aceitou o acordo, e correu com pilotos como Castelloti e o seu compatriota Luigi Musso, e dois ingleses: Mike Hawthorn e Peter Collins. E em breve, outros pilotos lhes juntariam, como o espanhol Alfonso de Portago, o americano Phil Hill e o alemão Wolfgang Von Trips.

E no final de 1955, a Mercedes retira-se, consequência do seu acidente nas 24 Horas de Le Mans, onde morreram 80 pessoas por causa dos restos desgovernados do carro de Pierre Levegh. Com os seus principais pilotos sem volante, Stirling Moss opta pela Maserati, já Juan Manuel Fangio vai correr para a Ferrari. A relação entre os dois não é a melhor, pois não gosta dos seus métodos, mas dá à Scuderia o título de 1956, antes de rumar à Maserati. Era o seu terceiro título mundial na Formula 1 em poucos anos, numa equipa onde tinha Castelloti, Musso Collins e Hawthorn. E ainda teve o episódio de Monza, onde Collins cede o seu lugar ao argentino, afirmando que "era cedo demais para ser campeão". Na realidade, o plano inicial era que Musso cedesse o lugar em caso de necessidade, mas ele recusou.

E é por esta altura que começam a acontecer as tragédias pessoais. Desde cedo que Enzo prepara Alfredo - "Dino" para os mais íntimos - para ser o seu sucessor. Ele é um engenheiro por natureza, mas pouco depois de fazer 21 anos, é diagnosticada distrofia muscular, sem cura. Na sua cama de hospital, discutia com Vittorio Jano os planos do que viria a ser o motor Dino, um V6 de 1,5 litros que iria estar nos carros de estrada e de pista ao longo da década seguinte. A 30 de junho de 1956, aos 24 anos de idade, Dino morria.

Mal sabia que era o começo de uma temporada terrível. A 14 de março de 1957, Eugenio Castelotti sofre um acidente fatal enquanto testava em Modena, ao volante de o carro de Formula 1 para aquela temporada, e depois de fazer uma viagem de Milão, que durou toda a noite. Muitos culparam Ferrari pela ordem que tinha dado, pois o piloto tinha sido chamado à última da hora e não pretendia fazer aquele teste. Menos de dois meses depois, a 12 de maio, durante as Mille Miglia, o espanhol Alfonso de Portago puxou pelos limites do seu Ferrari 335S quando um pneu furou a alta velocidade em Cavriana, perto de Brescia. No acidente, para além de Portago e do seu navegador, o americano Edmund Nelson e mais dez espectadores, sete dos quais crianças.

Nesse momento, o nome Ferrari passou a significar "infâmia" e foi acusado de homicidio involuntário. As Mille Miglia deixaram de acontecer de modo competitivo e a Ferrari, era cada vez mais um sitio onde todos queriam correr, mas onde poderiam acabar mortos.

O campeonato de 1957 foi perdido para a Maserati e para Fangio, mas em 1958, com Mike Hawthorn e Peter Collins ao volante, tinha uma dupla disposta a vencer. Mas o sucesso e a tragédia não andavam longe: no GP de França, a 4 de julho, enquanto Mike Hawthorn vencia a corrida, Luigi Musso morria vitima de despiste. E menos de um mês depois, a 3 de agosto, Peter Collins, que duas semanas antes tinha vencido o GP da Grã-Bretanha, morria vitima de despiste durante o GP da Alemanha. Hawthorn competiria até ao final da temporada, venceu o campeonato e retirou-se da Formula 1, apenas para morrer em janeiro de 1959, num acidente de automóvel.

(continua amanhã)

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Youtube Rally: O resumo do Rali da Madeira

A FPAK apresentou esta semana no seu canal de Youtube o video sobre o que foi o ali da Madeira, onde os locais dominaram perante os continentais. Vale a pena ver.

Noticias: Horner recusa Alonso na Red Bull

Christian Horner acha que Daniel Ricciardo foi para a Renault porque temia perder a batalha interna na Red Bull. E recusa Fernando Alonso por ser demasiado velho e por causar mais estragos do que benficios. No podcast oficial da Formula 1, emitido esta semana, Christian Horner comentou sobre a atualidade da equipa, principalmente a decisão invulgar do piloto australiano ter trocado a Red Bull pela Renault em 2019, afirmando que lhes deram todas as condições para ele ficar, e que trocou de lugar por causa de Max Verstappen, que o vê como ameaça ao seu desenvolvimento. 

O Daniel disse que decidiu depois de um longo voo para a América que pretendia mudar. Se olharmos para razões racionais, é difícil de compreender. O Daniel teve os seus motivos. Penso que advém, segundo as suas próprias palavras, de ‘um novo desafio’", começou por dizer o patrão da Red Bull. 

"Mas, por outro lado, sinto que ele vê o Max a crescer em termos de velocidade e de capacidades e não pretende assumir um papel secundário, penso eu. Não é que eles sejam tratados de forma diferente. Teriam status completamente igual, como sempre tiveram. Não posso deixar de sentir que, talvez este aspecto tenha tido uma grande importância na decisão do Daniel”, continuou.

Demos tudo para que acontecesse [a renovação do contrato]. Foi um pouco como convencer uma miúda que se mostra reticente a sair. Oferecemos ao Daniel tudo o que ele queria e pediu e, mesmo assim, não foi suficiente para que ele ficasse na Red Bull. Portanto, não foi dinheiro, não foi status, ou compromisso, ou duração”, assegurou Horner.

Quanto à possibilidade de ter Fernando Alonso na Red Bull, Horner disse que a sua presença é "tóxica" e que contraria a politica da empresa de contratar pilotos jovens. E que os olhos da equipa estão mais em Carlos Sainz Jr. e Pierre Gasly.

Tenho um imenso respeito pelo Fernando, ele é extraordinário, um piloto fantástico, mas seria difícil vê-lo [na equipa]. Ele tem a tendência para criar um pouco de caos por onde passa. Não tenho a certeza de que seria a situação mais saudável para nós termos o Fernando. A nossa preferência seria continuar a investir na juventude em vez de num piloto que está obviamente perto do final da sua carreira”, comentou.