quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O piloto do dia - Stirling Moss (1ª parte)

É um dos nomes míticos da Formula 1. É neste momento um dos últimos sobreviventes de uma geração de pilotos de uma época gloriosa do automobilismo, a década de 50, onde correu com nomes como Nino Farina, Alberto Ascari, Mike Hawthorn, Peter Collins, Froilan Gonzalez e sobretudo Juan Manuel Fangio. Foi um dos melhores pilotos ingleses do seu tempo, e pilotou as melhores máquinas, desde os fabulosos Mercedes W196, que dominaram tudo em 1954 e 1955, ao Maserati 250F, passando pelo Vanwall e por fim aos Cooper de motor traseiro, no qual foi o primeiro piloto da Formula 1 moderna a ganhar um Grande Prémio, o da Argentina em 1958, e foi também o primeiro piloto a ganhar ao volante de uma Lótus, antes mesmo da primeira vitória oficial. E no dia em que comemora o seu 80º aniversário natalício, apresento-vos a primeira de uma série sobre a vida e carreira de Stirling Moss, um dos grandes que nunca ganhou um título mundial.


Nascido a 17 de Setembro de 1929 em Londres, Stirling é filho de Alfred E. Moss (1897-1972), um dos melhores pilotos do seu tempo, tendo-se tornado num dos primeiros ingleses a competir nas 500 Milhas de Indianápolis, ao volante de um Ford. Na sua família, a paixão pelo automobilismo estava presente. Mesmo a sua irmã, Pat Moss (1934-2008) tornou-se famosa nos ralies nos anos 60 e 70, competindo por marcas como Mini, Lancia e Alpine, entre outros.


Educado na Clewer Manor Junior School, e mais tarde na Haileybury and Imperial Service College, Moss começou a correr em tenra idade. O seu primeiro carro foi um Austin Seven, no qual começou a aprender a conduzir… aos nove anos. Em 1948, com 19 anos, depois de participar numa prova local com um BMW emprestado pelo pai, começou a participar na crescente cena local, com um Cooper 500. Aliás, Alfred Moss era amigo de Charles e John Cooper, os fundadores da marca, e que iriam revolucionar o automobilismo inglês no pós-guerra. Participando nas “hillclimbs”, ou seja, as rampas de subida, Moss ganhou experiência e convenceu sobretudo os seus parentes que a competição automobilística era o seu futuro.


Em 1950, passou para a HWM (Hersham & Walton Motors), uma equipa amadora fundada por dois entusiastas chamados John Heath e George Abecassis. O seu companheiro de equipa era Lance Macklin (1918-2002), que lhe ensinou muitas das técnicas de condução que mais tarde lhe vieram a ser úteis em competição. Começou a correr em eventos de Formula 2 e de Turismos, e mostrou o seu valor, tanto que em 1951, foi contratado pela Ferrari para correr em alguns eventos.


A sua primeira corrida deveria ser em Bari, ao volante de um carro de Turismo, mas quando descobriu que o seu lugar tinha sido ocupado por Piero Taruffi, sem aviso e sem qualquer tipo de cerimónia, jurou que nunca mais iria pilotar pela marca do Cavalino Rampante. E assim fez. Tanto que até 1954, a sua carreira foi essencialmente corrida em carros ingleses, especialmente a Cooper e a HWM. E foi nessa última marca que se estreou na Formula 1, no GP da Suiça de 1951, em Bremgarten. Aí, levou o seu carro ao fim, terminando na oitava posição, e duas voltas do vencedor, Juan Manuel Fangio.


Em 1952, continuando a correr pela Connaught, HWM e ERA, não teve nenhum resultado relevante na Formula 1, apesar de ter corrido durante toda essa temporada. Contudo, ainda nesse ano, participou no Rallye de Montecarlo a bordo de um Sunbeam-Talbot 90, com John Cooper a seu lado, e terminou na segunda posição. Combinado com as suas vitórias no Grande Prémio do Mónaco em 1956, 1960 e 61, é o piloto mais bem sucedido de sempre em ambas as categorias. No ano seguinte continuou a conduzir um Cooper, de novo sem resultados aparentes.


Tudo isso mudou radicalmente a partir de 1954: o seu pai Alfred compra um Maserati e vence o cepticismo de Stirling em guiar carros italianos, e finalmente tem um volante competitivo. Aos 24 anos de idade, consegue em Spa-Francochamps o seu primeiro resultado relevante, ao terminar na terceira posição. Consegue também a volta mais rápida em Silverstone, no GP da Grã-Bretanha, e os seus feitos impressionam um dos melhores directores de equipa do seu tempo: Alfred Neubauer. No final da época de 1954, e necessitando de um bom piloto para compensar Juan Manuel Fangio, Neubauer contrata Moss não só para o seu programa de Formula 1, mas também para as grandes corridas de Turismos da altura: Mille Miglia, Targa Florio, 24 Horas de Le Mans, entre outros. O contrato ainda tinha uma cláusula que… o libertava para correr com carros ingleses nas provas que entendesse. Algo inimaginável nos dias de hoje…

(continua amanhã)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Oficial: Flávio Briatore e Pat Symmonds sairam da Renault

A Renault anunciou esta manhã, num curto comunicado, que Flávio Briatore e Pat Symmonds decidiram sair da equipa do losanglo, que após a divulgação do "Renaultgate", estavam sob fogo intenso.

No comunicado oficial da Renault pode ler-se também que a equipa não irá argumentar a sua defesa relativamente às acusações de ter ordenado o acidente de Nelson Piquet Jr. no GP de Singapura do ano passado: "A ING Renault F1 Team não vai argumentar em sua defesa relativamente às alegações feita pela FIA relativas ao GP de Singapura 2008. Queremos igualmente referir que o Director Geral, Flavio Briatore e o engenheiro Chefe, Pat Symonds, abandonaram a equipa. Até à audiência do Conselho Mundial em Paris, a 21 de Setembro, a equipa não fará qualquer outro comentário.", lê-se no comunicado.

Apesar de ainda não se saber as consequências deste acto, sabe-se que foi concedida imunidade a Piquet Jr. e a Pat Symmonds, no sentido de incriminar Briatore por ter tido a ideia de retirar de cena o piloto brasileiro, para colocar o Safety Car em pista e proporcionar a vitória de Fernando Alonso no primeiro Grande Prémio nocturno da história da Formula 1.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Quem comprou a BMW Sauber?

Ao mesmo tempo que a FIA anunciava esta manhã a entrada da Lotus no pelotão da Formula 1, através dos malaios da Proton (uma Lotus paraguaia, como chama hoje o Ico), a BMW Sauber era comprada por um fundo de investimentos chamado Qadbak Investments Ltd. Uma companhia-mistério, do qual pouca gente ouviu falar, para ser honesto. Pois bem, o site Grand Prix desvenda esta tarde um pouco quem são as instituições por detrás disto. E tem a ver com o Golfo.
A Qadbak Investments Ltd é uma empresa que está registada num dos paraísos fiscais existentes um pouco por todo o Mundo, como as Ilhas do Canal da Mancha (Gurnesey, Jersey), Ilhas Caimão, Gibraltar ou outros. Este mesmo fundo é a que esteve por detrás da compra, há dois meses atrás, da equipa de futebol Notts County, a mais antiga do mundo (fundada em 1863) e tem agora como director desportivo o ex-seleccionador inglês, mexicano e antigo treinador do Benfica, Sven-Goran Eriksson.


Aliás, o site palpita que o nome QADBAK não é mais do que um acrónimo de investidores de quatro países do Golfo Pérsico, ricos em petróleo: QAtar, Abu Dhabi, BAhrein e Kuwait. A companhia-chave por detrás deste fundo poderá ser o Al Thani Investment Group, cuja sede é no Dubai, mas os seus membros pertencem à familia real do Qatar. A acontecer, não seria nada novo, dado que nos últimos tempos, os paises do Golfo querem investir muito na industria automóvel. Prova disso é que o fundo soberano do Qatar quer comprar (ou já comprou) uma parte da Porsche.


Uma coisa é certa: apesar de hoje a FIA ter anunciado que a Lotus fica com a 13ª vaga, muitos tem a certeza de que a Sauber estará na formula 1 em 2010. E para isso pode haver três hipóteses:



1 - A FIA abre uma 14ª vaga para 2010. Improvavel, dado que tem de ter o apoio das equipas FOTA;


2 - Uma das três novas equipas (USF1, Campos e Manor/Virgin) não consegue estar pronta a tempo para correr em 2010. A Campos pode ser o elo mais fraco, pois as outras duas tem em teoria, parceiros mais fortes;


3 - O "Renaultgate", cuja sentença será lida no próximo dia 21, pode acabar com a explusão de Flávio Briatore e a subsequente retirada da marca do losanglo como construtora, ficando como fornecedora de motores. Nâo me admiraria nada que esta parte já esteja decidida, e a sentença seja um pró-forma.


Veremos. Mas todos nós sabemos que a Sauber continuará na Formula 1 em 2010.

Troféu Blogueiros - As notas de Monza

Como é habitual, eis as notas dads por nós no Troféu Blogueiros, relativo ao GP de Itália, no mítico circuito de Monza. A maioria de nós recompensou Rubens Barrichello pela sua segunda vitória do ano, e 11ª da carreira, dando-lhe a nota máxima (só a Priscilla deu nota 9...) enquanto eu fui "generoso" para o Lewis Hamilton, pois dei-lhe nota 8... mas o meu critério é o fim de semana competitivo, e ele fez a pole-position!


Portanto, eis a tabela geral. Comentem o que quiserem, mas educadamente!

Noticias: FIA escolhe Lotus para a 13ª equipa

A FIA anunciou esta manhã que a Lotus irá ocupar a 13ª vaga para 2010, oficialmente em substituição da BMW Sauber, que anunciou a sua retirada no final desta temporada. Contudo, este anuncio não significa que a Sauber esteja fora de campo, dado que ainda persistem as dúvidas sobre as três novas equipas, bem como a própria FIA considera também a hipótese de alargar a base para 14, ou seja, a grelha de partida para 2010 poderá ter 28 lugares.




Na realidade, a Team Lotus não é mais a mítica estrutura fundada por Colin Chapman em 1958 e que correu até 1994. A marca foi comprada pela malaia Proton, mas os direitos da Team Lotus pertenciam até meados deste ano a Peter Hunt, irmão de James Hunt, que o vendeu à Litespeed, de Mike Gascoyne. O projecto tem como é obvio, mão malaia, com Gascoyne, cuja reputação de bom projectista vai de mãos dadas com uma personalidade irascivel, prova disso foi a temporada passada, na Force India, com a sua relação tempestuosa com Colin Kolles e Vijay Mallya.


Sabe-se também que outro nome atrás deste projecto tem origem portuguesa: Tony Fernandes, filho de pais goeses, tem 45 anos, trabalhou com Richard Branson e é o presidente da Air Asia, que compete com a Air Kingfisher, de Vijay Mallya, pelo controlo dos low cost naquela parte do mundo. Fala-se que faz parte do projecto e pode ser o director desportivo desta nova equipa.


Como é óbvio, nada se sabe sobre chassis, motores (provavelmente Cosworth) instalações e pilotos. Mas como é um trabalho que está em desenvolvimento desde há algum tempo, as próximas semanas trarão novidades nesse campo. Só pelo nome, o regresso da Lotus é uma excelente noticia. Só resta saber qual...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Noticias: Montreal de volta ao calendário de 2010

Os organizadores do circuito Gilles Villeneuve, em Montreal anunciaram hoje que o GP do Canadá está de volta ao calendário de 2010, após um ano de ausência. Este anuncio, que marca o regresso da Formula 1 ao Canadá e à América do Norte, era esperado desde há algum tempo, e é um regresso saudado por todos, dado que este é um popular Grande Prémio e que nunca se conformaram com a sua ausência nesta temporada.

"Estou muito contente com este resultado. Sempre estive confiante com a possibilidade de resolver esta disputa, dado o conhecimento aprofundado que eu tenho da Fórmula 1 no Canadá. E estou especialmente agradado pelo facto do anúncio se aplicar desde já, para que o GP do Canadá regresse ao calendário da FIA para 2010", afirmou Normand Legault, responsável máximo da Grand Prix F1 du Canada.


"Nunca duvidei que a corrida canadiana pudesse retomar o seu lugar de direito no calendário da FIA, e as minhas discussões com a administração da Formula 1 levaram-me a acreditar que o evento regressaria em breve. A corrida é importante não só para a Fórmula 1, mas também para as equipas, construtores e patrocinadores. Estou, também, muito contente pelos muitos adeptos canadianos, porque são verdadeiros entusiastas da Formula 1 que apreciam o valor do espectáculo e da competição", acrescentou.


Segundo o calendário oficioso, o GP do Canadá está marcado para o dia 6 de Junho de 2010, mais ou menos a mesma altura em que costumava ser realizado. Desde 1967 que o Canadá recebe a Formula 1, interrompido apenas em 1987 e 2009. O circuito de Mosport recebeu inicialmente o Grande Prémio (exceptuando dois anos em Mont-Tremblant, em 1968 e 1970), e em 1978 passou para a Ille Notre-Dâme, em montreal, palco da Exposição Universal de 1967. Desde 1982 que foi baptizado de Circuit Gilles Villeneuve, em honra do grande piloto canadiano, que fez toda a sua carreira (excepto um Grande Prémio) pela Ferrari. Na última edição, realizada em 2008, foi palco da unica vitória (e dobradinha) da BMW, com o polaco Robert Kubica no lugar mais alto do pódio.

A capa do Autosport desta semana

A capa da revista Autosport desta semana, que sairá para as bancas nas próximas horas, tem como destaques a dobradinha da Brawn GP em Monza, com Rubens Barrichello como vencedor, e a resolver praticamente a questão do título entre os dois pilotos da equipa, e mais um título conquistado por portugueses, desta vez na Le Mans Series, com Miguel Pais do Amaral e Olivier Pla, na categoria LMP2, a bordo do Ginetta-Zytek, título conquistado nos 1000 km de Silverstone, este fim de semana. "Heróis Nacionais da Resistência" é título da capa.




No caso da Formula 1, para além da foto com os pilotos da Brawn a comemorarem o feito no pódio, a revista fala também na hipótese aventada durante o fim de semana italiano, de que a Mercedes quer comprar parte da Brawn, como um plano por fases que pode visar o controlo total da equipa de Ross Brawn por parte da marca sediada em Estugarda. "Mercedes quer comprar a Brawn", com um dos subtítulos a dizer o seguinte: "Alemães querem controlo accionista em 2012".


E a finalizar o assunto Formula 1, uma referência ao "Renaultgate", com o seguinte título: "Lavagem de roupa suja no processo da Renault". Pois é, zangam-se as comadres, dizem-se as verdades...

Noticias: Virgin vai anunciar acordo com a Manor em Abu Dhabi

Richard Branson virou-se definitivamente para a Formula 1. Soube-se hoje que a Virgin, que tem este ano um pequeno patrocinio no chassis da Brawn GP, já assinou um acordo com a Manor para a patrocinar em 2010, acordo esse que será anunciado oficialmente dentro de mês e meio no circuito árabe de Abu Dhabi, palco do encerramento do campeonato deste ano.


Fala-se que nesse acordo, Branson ficará com uma fatia de 20 por cento da equipa, que será rebatizada de Virgin Grand Prix. Quanto a pilotos, nada se sabe, embora há duas semanas se falou que o português Alvaro Parente, que corre na Ocean Racing Tech, da GP2, era uma boa hipótese.

Esta noticia surge no preciso momento em que a FIA irá visitar as instalações das três novas equipas de Formula 1: USF1, Campos Meta e Manor/Virgin. Desde a semana passada que surgem rumores algo fundados de que estas equipas poderão não estar prontas a tempo para a próxima temporada, enquanto que outras equipas, que não venceram o concurso para as vagas abertas, como a Epsilon Euskadi e a Lola (que apresentou na passada quinta-feira o seu chassis), já avançam com os seus projectos, após a FIA ter aberto vagas, oficialmente para o lugar vago deixado pela BMW Sauber.

Formula 1 em Cartoons - Bruno Mantovani (Itália)

Passado o fim de semana da Formula 1, e ainda por cima numa das Catedrais do Automobilismo, a vitória de Rubens Barrichello em Monza está a ser vista em certos sectores desta maneira. Será? Bom, a culpa nem é do Rubinho, o "morto-vivo" do inicio do ano, que pode acabar como... campeão do Mundo?

Os disparates da Net

Estas estão hoje no meu conterrâneo Voaridase, do blogue Formula 1DP. O primeiro caso mostra o que está no site da GP2 Series, logo, oficial. No anuncio do evento de Portimão, no Algarve, que vai acontecer no próximo fim de semana, a imagem mostra... uma bandeira espanhola em vez da portuguesa. Pelas nossas bandas, era como dizer que São Paulo seria a capital do Paraguay, ou algo do género. Nâo sei se sabem, mas existem imensos ingleses que juram a pés juntos que nós pertencemos a "España". Agora já sabem o que esses "bifes" andaram a fazer nas aulas de Geografia...

Outro disparate do dia que ele descobriu é um pouco mais justificável. Está na Wikipédia, a enciclopédia da Net. Sendo uma página relativamente fácil de ser vandalizada, um engraçadinho decidiu alterar um pouco a história da Ferrari, nomeadamente colcando campeões a mais e tentando alterar o futuro da Formula 1 até 2020 ou algo do género. Lá... Ayrton Senna, Felipe Massa, Sebastien Vettel, Fernando Alonso e Robert Kubica são campeões do Mundo pela marca da Cavalino Rampante. Era bom, não era?


Certamente nestes casos, os erros serão detectados e corrigidos. Por aqui, essa parte foi feita, e espero que as correcções sejam feitas. Mal dos nossos pecados se não acontecer...

domingo, 13 de setembro de 2009

PTCC - Braga II (Corridas)

Em Braga, máquinas e pilotos alinaram para a jornada dupla do PTCC (Portuguese Touring Car Championship) num pelotão onde estavam apenas dez inscritos, espanhados nas quatro categorias existentes. César Campaniço foi o grande ausente desta jornada, dado que disputava nesse fim de semana uma ronda do Campeonato Europeu de GT, no outro lado do país, mais concretamente em Portimão, a bordo de um Audi R8.

A primeira corrida da tarde teve duas largadas. Na primeira, uma carambola envolvendo os Seat Leon de Patrick Cunha e Joffrey Didier, bem como o Peugeot 407 S2000 de João Figueiredo, acabou por motivar a amostragem da bandeira vermelha. Cunha e Didier ficaram com os carros danificados ao ponto de darem por terminado o fim-de-semana, enquanto que Figueiredo teve de rumar à boxe para reparar os danos, acabando por partir da boxe no reinício da prova.


Na segunda largada, o arranque foi mais pacífico. Duarte Felix da Costa assumiu a liderança com José Pedro Fontes a pressionar ao longo de toda a corrida e por várias vezes o piloto do BMW 320i tentou consumar a ultrapassagem. Contudo, o homem do Seat Leon preto defendeu-se bem, conservando o comando até à meta. José Monroy, no Mitsubishi Lancer, completou o pódio.


"Foi bom vencer, aliás, é sempre bom vencer, mas esse sabor é especial quando temos alguém atrás de nós que é mais rápido. O Zé Pedro [Fontes] era mais rápido na maioria do circuito, mas eu tentava ganhar vantagem nas zonas onde sabia que poderia ter um pouco mais de velocidade para me defender nas restantes. A táctica resultou graças a um excelente trabalho da equipa que me deu um carro muito bom," afirmava Felix da Costa no final da corrida.


Já José Pedro Fontes reconhecia que "era mais rápido, mas quando tentei passar o Duarte defendeu-se bem. Não arrisquei nem forcei, vamos ver se ganhamos a segunda corrida", explicava.


Na segunda corrida da tarde, o facto de haver uma grelha invertida para os oito primeiros resultou em algo inédito: o Renailt Clio RS de Fábio Mota, da Categoria 3, era o "poleman", porque devido ao acidente na primeira corrida, somente oito carros participavam. O jovem do Clio reagiu rapidamente ao semáforo verde, mas melhor ainda partiu José Monroy que fez valer o poder do seu Mitsubishi Lancer Evo IX para assumir de imediato a liderança. Daí até ao final o piloto de Cascais estendeu a liderança e controlou o avanço: "Apesar de o carro começar a repetir o problema da primeira corrida. A cinco voltas do final começou a falhar, o que me obrigou a reduzir um pouco o andamento mas sem perigar a posição," afirmou o vencedor.



José Pedro Fontes e Duarte Felix da Costa completaram o pódio nesta segunda corrida, tendo o piloto da BMW conseguido o título na Categoria 1 a uma jornada dupla do final. Fontes expressava assim o seu contentamento no final da corrida:


"O objectivo do fim-de-semana era assegurar já o título e ao mesmo tempo ganhar vantagem ao Duarte Félix da Costa no campeonato absoluto. Nesta corrida o carro acabou por estar pior devido às alterações que fizemos para tentar obter mais velocidade, mas o balanço do fim-de-semana e da corrida são positivos. Estamos contentes por garantir o título da categoria e agora vamos tentar o absoluto," explicou o piloto da Vodafone Team.

Rumor do dia: Briatore sai, Prost entra?

A revista alemã "Automotor und Sport" afirma hoje que a Renault poderá ter um substituto na calha, caso Flavio Briatore seja irradiado da Formula 1 após a reunião do Conselho Mundial do próximo dia 21 de Setembro. O tetracampeão do mundo Alain Prost, que dirigiu também a sua equipa de Formula 1 entre 1996 e 2001, foi convidado a assumir o lugar.


O francês de 54 anos não confirma nem desmente essas afirmações.


Após a sua carreira de piloto, que aconteceu entre 1980 e 93, com uma interrupção em 92, Alain Prost comprou a Ligier a Tom Walkinshaw, em meados de 1996, e rebaptizou-a de "Prost Grand Prix", querendo torná-la na "Ecurie de France" que tinha sido a Ligier uns tempos antes. Entre 1997 e 2001 teve como pilotos Jean Alesi, Olivier Panis, o japonês Shiniji Nakano, o italiano Jarno Trulli, os alemães Nick Heidfeld e Heinz-Herald Frentzen, o brasileiro Luciano Burti, entre outros, não conseguiu mais do que três pódios e 31 pontos.

GP2 - Ronda 10, Itália (Corrida 2)

Depois de uma corrida louca na tarde de ontem, à chuva, hoje de manhã poderia ser uma etapa decisiva nas aspirações de Nico Hulkenberg na conquista do título da GP2 em 2009, caso conseguisse pontuar e o russo Vitaly Petrov não chegasse ao fim. No final, numa corrida ganha pelo brasileiro Luiz Razia, o primeiro e de um pódio duplamente brasileiro, já que Lucas di Grassi foi o segundo. Nico Hulkenberg foi o terceiro, e com Vitaly Petrov na quinta posição, o piloto alemão conseguiu os pontos suficientes para ser campeão, a duas provas do final do campeonato.

Para Alvaro Parente, os azares e as desilusões não paravam de somar. Depois de um "drive through" na corrida de Sábado, que lhe tirou um pódio certo e o fez cair para o sétimo lugar, o excesso de velocidade nesse "drive through" fez com que os comissários o penalizassem em 25 segundos e o relegassem para a 12ª posição e tirassem a hipótese de largar na primeira fila da grelha. Quem beneficiou disso foi... Razia.

Contudo, a segunda corrida recuperou algumas posições e já era sétimo classificado quando atacava o sexto lugar de Gierdo van der Garde, o último lugar pontuável, quando este se desviou para a esquerda numa travagem. Tentando evitá-lo, foi para a relva, fez um pião e desistiu. Zero pontos para o piloto português, apesar da grande exibição...

Agora, semana que vem é o encerramento do campeonato de 2009, no Autódromo de Portimão, no Algarve, o unico fim de semana que não é realizado em paralelo com a Formula 1. Com o título decidido, o que importa agora é a luta pela vitória!

Formula 1 - Ronda 13, Monza (Corrida)

O automobilismo, como qualquer desporto, funciona um pouco como o teatro: tem um enredo, tem uma história, momentos de suspense, e por vezes, um final inesperado. Todos nós temos ainda na meméria a maneira como o campeonato terminou no Brasil, com um campeão do mundo a ser decidido a 300 metros da meta, em prejuízo dos anfitriões e o vencedor a comemorar uma "vitória de Pirro". Num sitio tão carregado de história como Monza, onde tudo o que acontece fica automáticamente registado na memória das pessoas para ser contados aos filhos, netos e bisnetos, o cenário para o espectáculo desta tarde estava montado para mais um capitulo desta "never ending story".


O último desses capítulos acontecera no ano passado, quando uma carga de água, inédita em 58 anos de história, encharcou Monza e deu a Sebastien Vettel e à Toro Rosso a sua primeira vitória na história da competição, depois de na véspera ter dado uma "pole-position". Este fim de semana existia essa hipótese, mas isso só aconteceu ontem à tarde, na corrida da GP2. Mas hoje, em pista seca, as emoções ficariam um pouco mais contidas, dado que esta é uma pista onde as decisões acontecem essencialmente nas boxes. Com Lewis Hamilton na pole-position e Adrian Sutil a prolongar o estado de graça na Force India, o inglês tinha todas as hipóteses de fazer bonito. Mas os Brawn GP de Jenson Button e Rubens Barrichello, que tinha apanhado um susto ontem à noite devido à sua caixa de velocidades, que esteve para ser trocada (e perderia 5 lugares na grelha, caso acontecesse) após reflectir, arriscou. E resultou!


Barrichello decidiu parar uma unica vez nas boxes, enquanto que Hamilton parou duas e puxou pelo seu carro, a um ritmo alucinante, tentando conservar o primeiro posto. O brasileiro conseguiu superar Button na partida e ficou na terceira posição. Na tal paragem nas boxes, passa Sutil e depois Hamilton quando este parou uma segunda vez e caiu para a terceira posição. E logo a seguir, o brasileiro rumou à vitória e a mais uma dobradinha para a Brawn GP. Com as polaridades trocadas.


Mais atrás, Kimi Raikonnen lutava com Sutil para o quarto posto, uma luta forte e constante enttre mais um elemento da armada Mercedes (definitivamente, o melhor motor do pelotão) e o carro do Cavalino Rampante, o unico a estar nos oito primeiros lugares desta grelha e a lutar constantemente pelos pontos. Se Sutil ficou com a volta mais rápida (mais uma estreia para a Force India), Raikonnen no final levava a melhor. Com mais uma prenda inesperada na última volta.


Pois é, igual como nos filmes: quando Hamilton tenta uma última chance de chegar a Button e ao segundo lugar, perde o controlo do seu carro na primeira das Lesmos e despista-se, dando de bandeja a "medalha de bronze" ao piloto finlandês, para gáudio dos "tiffosi". Fazia lembrar Ayrton Senna e a sua final de corrida de 1988, mas os paralelismos terminavam ali.


Com Sutil no quarto posto, dando mais cinco pontos à Force India, os restantes lugares pontuáveis tiveram Fernando Alonso no quinto posto, o segundo McLaren de Heiki Kovalainen no sexto lugar, o BMW de Nick Heidfeld no sétimo posto e um Sebastien Vettel a herdar o último ponto que faltava à Red Bull, com Giancarlo Fisichella, agora convertido à "Rossa", colado nos seus escapes.


Quando se olha para o pódio, com uma dobradinha "trocada" da Brawn, e Rubens Barrichello a vencer pela terceira vez na sua carreira na Catedral de Monza, igualando Stirling Moss, Ronnie Peterson, Juan Manuel Fangio e Alain Prost, pela segunda vez este ano no lugar mais alto e tirando dois pontos ao seu companheiro Button, fazendo agora com que sejam 14 os pontos de diferença. Começa-se a desenhar o título de construtores à Brawn GP, mas em termos de pilotos, desenha-se um cenário em que... será possivel? O "patinho feio" dos brasileiros se tornar num inesperado campeão do mundo? Confesso que daria uma grande virada, mais uma daquelas que a Formula 1 foi fértil ao longo da sua história. Em suma: o argumento desta temporada ainda não está fechado!

GP Memória - Itália 1959

Duas semanas depois da Formula 1 ter passado por Lisboa, esta preparava-se para correr nas longas tectas de Monza, um circuito que só tinha três curvas dignas desse nome, as Lesmos e a Parabólica, enquanto que as outras não eram mais do que rectas curvas, pois faziam-se quase sem que os pilotos levantassem o pé.


Sitrling Moss queria ganhar de novo, pois sabia que assim as suas hipóteses de título, no seu Cooper-Climax da Rob Walker Racing aumentariam expoencialmente. Mas o seu maior rival tinha o mesmo chassis, embora da equipa oficial: Jack Brabham. Contudo, os Ferrari, que corriam em casa com os seus modelos 246 de motor dianteiro, apesar de começar a ficar datados perante os Cooper de motor traseiro, ainda eram uma ameaça, dado estarem à vontade neste circuito de alta velocidade. E Tony Brooks era um candidato ao título.



A Ferrari preparou-se para Monza não deixando os créditos por mãos alheias: inscreveu cinco (!) carros para esta ocasião. Para além de Tony Brooks, os americanos Phil Hill e Dan Gurney, os outros dois carros inscritos foram para o belga Olivier Gendebien e o inglês Cliff Allison. A Cooper tinha três carros oficiais para Jack Brabham, o jovem neozelandês Bruce McLaren e o local Guido Scarlati, enquanto que na Rob Walker Racing, para além de Stirling Moss, outro carro estava inscrito para o francês Maurice Trintignant. Havia mais três Cooper inscritos, mas eram da Scuderia Centro-Sud e tinham motor Maserati. Os ingleses Jack Fairman, Ian Burgess e Colin Davies iriam pilotar esses carros.


Na BRM, os três habituais pilotos estavam presentes: o americano Harry Schell, o inglês Ron Flockhart e o sueco Jo Bonnier lá estavam, enquanto que a Aston Martin trazia o americano Carrol Shelby e o inglês Roy Salvadori. Para fechar a lista estavam os Lotus de Innes Ireland e Graham Hill, mais um Maserati 250F tripulado por Guido Cabbianca.


Nos treinos, apesar da velocidade de ponta dos Ferrari, quem levou a melhor foi Stirling Moss, no seu Cooper da Rob Walker Racing, com Tony Brooks no segundo posto, ao volante do seu Ferrari. A fechar a primeira fila ficou Jack Brabham, no Cooper oficial. Na segunda fila estavam dois americanos, nos seus Ferrari. Dan Gurney tinha levado a melhor sobre Phil Hill, enquanto que na terceira fila estavam o Ferrari de Olivier Gendebien, o BRM de Harry Schell e o quarto Ferrari de Cliff Allison. A fechar o "top ten" estavam o Cooper de Bruce McLaren e o Lotus-Climax de Graham Hill.


Na partida, as hipóteses de uma vitória Ferrari foram por água abaixo quando o motor de Brooks cedeu logo nos primeiros metros, colocando-o praticamente fora do título. Moss conservou a liderança, com Phil Hill na segunda posição e Brabham na terceira. Com o passar das voltas, a potência dos Ferrari fez com que Hill e Gurney passassem os Cooper, mas Moss não perdia rasto deles, pois estava a fazer um andamento conservador, no sentido de poupar os pneus para a corrida, dado que o andamento naquele rápido circuito fazia com que estes gastassem rapidamente...


A meio da corrida, os Ferrari tiveram de parar para efectuar as suas trocas de pneus, mas Moss e Brabham decidiram não parar. Esse gesto foi decisivo para o inglês, já que com o seu andamento, poupou os pneus o suficiente para cavalgar rumo à vitória em casa da Ferrari, com o próprio Commendatore a assistir. Phil Hill recuperou o suficiente para apanhar Brabham, mas Moss já estava distante para o conseguir apanhar.



Sendo assim, no final das 72 voltas ao circuito italiano, Moss era o vencedor, com Hill no segundo posto e Brabham no terceiro. Outros dois Ferrari, o de Dan Gurney e o Cliff Allison, ficaram com os restantes lugares pontuáveis. Com somente um Grande Prémio para acabar, no novo circuito de Sebring, nos Estados Unidos, a diferença entre Moss e Brabham era agora de 5,5 pontos (31 contra 25.5), com Brooks em terceiro, com 23 pontos, mas com uma tarefa muito mais difícil para alcançar os Cooper. Quanto ao título de construtores, já tinha um dono: pertencia à Cooper, o primeiro para um carro com motor traseiro.