segunda-feira, 26 de março de 2012

Indy Car Series: Castro Neves vence na abertura da temporada

Depois da grande manhã que foi o GP da Malásia, desliguei-me do mundo o resto da tarde, e esqueci de assistir ao começo da Indy Car Series, nas ruas de St. Petersburg, onde Helio Castro Neves começou muito bem a sua temporada, vencendo ao serviço da Penske e mostrando que a Chevrolet esforçou-se bem, colocando quatro dos seus motores nos cinco primeiros lugares.

Não foi uma grande corrida, pelo que me contam. Não houve incidentes de monta, exceptuando uma batida aqui e ali, embora Helio Castro Neves não tenha aproveitado a primeira bandeira amarela para parar na devida altura. O resultado final aconteceu devido a uma grande ponta final, onde foi atrás de Scott Dixon e Ryan Hunter-Reay, e os ultrapassou. No final, lembrou-se de Dan Wheldon e pendurou-se nas redes de proteção, lembrando a todos os seu apelido de "Homem-Aranha".

Houve outras boas corridas, como a do francês Simon Pagenaud, que saiu da 16ª posição para acabar em sexto e marcar pontos na corrida de "Rookie do Ano". E Rubens Barrichello terminou num decepcionante 17º posto, apenas porque não teve gasolina suficiente para cortar a meta. Foi um final de semana sofrido para o piloto brasileiro, mas a temporada está ainda no seu começo.

As duas meninas presentes nesta temporada, a suiça Simona de Silvestro e a britânica Katherione Legge, não terminaram a corrida.

Contudo, a temporada da IndyCar Series ainda mal começou, e muita coisa irá certamente acontecer ao longo do ano, como na semana que vêm, no circuito permanente de Berber Motorsports, no Alabama. 

GP Memória - Brasil 1982


"Quando máquinas e pilotos chegaram ao circuito de Jacarépaguá, no Brasil, já tinham passado quase dois meses desde Kyalami, e pelo meio, os organizadores do GP da Argentina tinham decidido cancelar o seu grande Prémio por razões económicas, devido à elevada taxa de inflação no seu país. Mas as tensões politicas entre a Argentina e a Grã-Bretanha, devido às ilhas Falkland (Malvinas para os argentinos) também tinham ajudado para que esse cancelamento fosse uma realidade.

Se não havia alterações ao nível de pilotos, a grande novidade foi que a Brabham decidiu voltar a usar motores Cosworth em vez dos BMW Turbo, algo que tinha sido mal visto pela construtora alemã. A maior parte dos construtores que não tinham apresentado os seus novos chassis em Kyalami, como a Lotus, Alfa Romeo, Williams ou a Ensign, apresentavam-nos na prova brasileira. (...)"

(...) "No dia da corrida, o tempo apresentava-se seco e quente. Muito quente, naquele verão austral. No momento da partida, Villeneuve largou melhor do que Prost, com Arnoux em terceiro, seguido de Rosberg, Patrese, Pironi e Piquet. Pouco depois, o italiano da Brabham passa o finlandês da Williams, e depois o Renault de Prost, que já tinha sido passado por Arnoux. Na volta nove, era a vez de Piquet – que já tinha passado Rosberg - ficar com o terceiro posto, passando Patrese. Depois, aproxima-se de Arnoux até à volta 17, altura em que passa o francês para o segundo posto, ao mesmo tempo que atrás, Rosberg passa Patrese.

A partir daqui, Piquet vai em encalço de Villeneuve, enquanto que Rosberg e Patrese lutavam pelo terceiro posto. Na volta 21, Lauda envolve-se numa colisão com o Williams de Reutemann, enquanto que atrás, Arnoux e o Lotus de Elio de Angelis ficam também de fora. Isso tudo não incomoda Piquet, que continua a ganhar segundos ao canadiano da Ferrari, e na volta 29, já está atrás do canadiano, tentando passá-lo. Antes de chegar à Reta Oposta, Piquet tenta uma manobra de ultrapassagem que faz despistar o canadiano, herdando assim a liderança. (...)"

Foi uma grande corrida com um final polémico. O GP do Brasil de 1982 acabou com Nelson Piquet a vencer os carros com motor Turbo, depois da equipa ter decidido trocar os motores BMW Turbo pelos convencionais Cosworth, deixando a marca alemã um pouco chateada com a decicão de Bernie Ecclestone. E para piorar as coisas, as outras equipas suspeitavam que o carro de Piquet estava ilegal. 

Quando os comissários da FISA foram verificar o carro, viram que de facto... estava abaixo do peso mínimo, graças a uma artimanha inventada um ano antes por Colin Chapman, os "travões a água", que toda a gente usava para tentar acompanhar os carros com motor Turbo. Os Williams, Lotus e McLaren também tinham carros abaixo do peso normal, mas apenas os dois primeiros foram desclassificados, favorecendo Alain Prost, que tinha acabado no terceiro lugar, logo, sido declarado vencedor. A polémica estava lançada.

Tudo isto e muito mais, podem ler hoje no Portalf1.com 

Youtube Rally Classic: WRC Rally Fafe Sprint



O fim de semana consistiu no "aquecimento" para o Rali de Portugal com o Fafe World Rally Sprint, que representa o regresso, após onze anos de ausência, dos carros de rali ao troço de Fafe-Lameirinha, provavelmente o símbolo mais emblemático do Rali de Portugal nos anos 70, 80 e 90.

Os adeptos sentiram - e ainda sentem - a falta que este troço faz no rali. E pode ser que com a tendência para recuperar os clássicos por parte de Jean Todt, que colocou uma ex-vencedora do Rali de Portugal, Michelle Mouton, ao leme, poderá ser que Fafe-Lameirinha regresse ao convivio dos adeptos de ralis dentro em breve.

Para já, a experiência de sábado foi um sucesso. E isso pode ser visto neste video feito pelo Rallymania.pt.

domingo, 25 de março de 2012

Formula 1 em Cartoons - GP Malásia (Pilotoons)

E esta manhã, a grande corrida de Sergio Perez em Sepang, bem como a vitória de Fernando Alonso em Sepang, conseguindo tirar "leite de pedra" mais uma vez com aquele mau carro, fez piorar muito as coisas para Felipe Massa, que chegou num pálido 15º posto, fora dos pontos. 

Segundo o pilotoon do Bruno Mantovani, nunca a musica "mariachi" se soou tão horrivel para os ouvidos dele...

Formula 1 2012 - Ronda 2, Malásia (Corrida)

O GP da Malásia tinha todo o potencial de ser uma excelente corrida devido ao fator "tempo", pois prometia-se que a humidade seria elevada - como se esperaria de uma zona tropical - e como a chuva iria aparecer a um horário um pouco menos habitual, ou seja, ainda mais cedo. Caso isso acontecesse, a corrida seria uma autêntica lotaria, do qual tudo poderia acontecer. A corrida teve chuva, teve interrupção, e teve retorno. E teve um vencedor inesperado, mostrando ao mundo que, se dúvidas existissem, ficaram desfeitas: a Ferrari é um mau carro, Fernando Alonso é de outra galáxia.

Mas a corrida começa com chuva. Moderada na hora do arranque, os pilotos tentaram se segurar na pista o mais que podiam nos primeiros minutos com os pneus intermédios, sem grande sucesso. Havia danças na pista, desde o toque de Michael Schumacher a Romain Grosjean, até às habituais saídas em pista em asfalto, que os permitiam voltar sem problemas. Mas após a oitava volta, o Safety Car entrava em ação, devido ao agravar das condições, do lago que se formava em algumas zonas. Pensava-se que com isso, evitasse a bandeira vermelha, mas não foi possível. Tal aconteceu na nona volta.

Quando parou a corrida, toda a gente olhou para o Céu, esperando que a chuva amainasse a tempo de ter claridade suficiente para correr. Nos 51 minutos que durou essa paragem, muitos olharam para Kimi Raikkonen para ver se iria para o paddock da Lotus - queimada na madrugada anterior devido a um curto-circuito - e comer um gelado, mas isso nao aconteceu. Kimi portou-se bem, falou com os engenheiros e concentrou-se o suficiente para depois levar o carro a um quinto lugar no final da corrida.

No meio disto tudo, um fato curioso: a Hispania - ou HRT - tinha colocado pneus de chuva no inicio e tinha rendido alguns frutos, com Narain Karthikeyan a rolar no décimo posto, e a namorar o seu primeiro ponto - ou meio ponto. Era uma curiosidade do tamanho de Marcus Winkelhock com o seu Spyker, em Nurburgring 2007, mas o suficiente para que muitos olhos se voltassem para a nanica HRT, que começava a época nesta tarde.

A corrida recomeçou uma hora e 15 minutos após o arranque, e como disse nos parágrafos anteriores, após 51 minutos de paragem. Começou com o Safety Car no primeiro posto, mas em menos de quatro voltas, o asfalto estava bom o suficiente para a corrida. E lá foram eles, com Alonso cedo a instalar-se no primeiro posto, depois de paragens desastrosas para o McLaren de Jenson Button, que começava ali o seu inferno pessoal. E também cedo se viu o Sauber de Sergio Perez. Pensava-se que aquele segundo lugar era sol de pouca dura, mas depois de para para colocar pneus intermédios, via-se que não só conseguia manter o ritmo de Lewis Hamilton, como aos poucos, começava a apanhar o ritmo de Fernando Alonso.

Atrás, no meio do pelotão, alguns pilotos mostravam-se no molhado. Bruno Senna e Daniel Ricciardo eram dois deles, mas era o brasileiro da Williams que fazia melhor, pois vinha do fim do pelotão e passava piloto atrás de piloto, chegando até à zona dos pontos mais rapidamente do que Pastor Maldonado. E aí, passa o Ferrari de Massa - mais outra prestação de pesadelo - e os Force India de Nico Hulkenberg e de Paul di Resta, para se instalar confortavelmente na zona de pontos, conseguindo aquilo que Pastor Maldonado ia conseguir em Melbourne, mas que deitou tudo a perder na última volta.

Com metade da corrida, começou-se a ver o duelo entre um Sauber bem nascido e um Ferrari mal concebido. Aos poucos, Perez diminua a diferença e parecia que a "zebra" iria acontecer: o carro cliente a bater o carro de fábrica. "Comendo" ao ritmo de um segundo por volta, era apenas o "skill" de Alonso é que mantinha o milagre de ver um carro vermelho no comando. E mesmo depois de ambos calçarem pneus "slicks", essa diferença continuava a diminuir. Perez pressionou... e a seis voltas do fim, falha a travagem e sai fora de pista. Perde a vantagem e perde a sua hipótese de vitória, mas conserva a dignidade e marcha rumo a um merecido segundo posto.

É o que acontece: o "milagre de Sepang" acontecia para a Ferrari, e toda a gente celebrava uma vitória que não acontecia desde Silverstone, em julho. Os 25 pontos do "Principe das Asturias" eram bem merecidos, pois soube aguentar a pressão e tirar o melhor de um carro que não era veloz nas retas.

Mas apesar de tudo, o espanhol não é o unico herói do dia. Outro piloto que fala a mesma língua, mas que veio do outro lado do Atlântico merece esse epíteto: o mexicano Sergio Perez, o "Checo". A cada corrida que passa, mostra que tem o "toque dos campeões", como tem Alonso, Schumacher ou Vettel, como teve Ayrton Senna, Gilles Villeneuve, Jim Clark e Jackie Stewart. E por causa da sua corrida sólida, veloz com pneus intermédios, apanhando gradualmente Fernando Alonso na última parte da corrida, fez lembrar a muita gente, mais velha, o saudoso Pedro Rodriguez, excelente piloto à chuva e que vencera pela última vez em 1970, em Spa-Francochamps - o velho Spa, de 14 km - ao volante de um BRM. 

No pódio, todos estavam felizes: Alonso, pela sua condução que o colocava nos anais da história do Cavalino - como fora a Gilles Villeneuve em Jarama, 1981, ou a Michael Schumacher em Barcelona, 1996 - e por ter salvo a cabeça de Stefano Domenicalli; Perez, pelo seu primeiro pódio da carreira, e por quase ter vencido e ter levado o velho Peter Sauber às lágrimas; e por fim Hamilton, que discretamente bateu Button em toda a linha e ter conseguido um resultado consistente, um terceiro lugar, pois Button teve uma corrida horrivel. Para esses três, a corrida de Sepang cedo não irá sair das suas memórias.

No final da corrida, Peter Windsor lembrava, via Twitter, que tudo aquilo lhe lembrava Jacarépaguá 1989, quando a Ferrari estreava a caixa semiautomática, sem que nunca o tivessem completado uma simulação de corrida nos testes de pré-época. Nigel Mansell, que se estreava na equipa do Cavalino, venceu uma corrida do qual ninguém esperava que vencesse. E estava calor nesse dia.

Com duas corridas no campeonato, Fernando Alonso é o inesperado lider do campeonato de 2012. Isso pode demonstrar o equilibrio que vai haver nesta temporada, pois Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Mark Webber ainda não ganharam nesta temporada. E ainda temos a Lotus e a Mercedes a ter em conta... daqui a três semanas, em Xangai, há mais. 

Youtube F1 Classic: Ayrton Senna em Évora



Na semana daquele que deveria ter sido mais um aniversário natalício de Ayrton Senna, o Gonçalo Sousa Cabral, do 16 Valvulas, visitou na sua Évora natal uma exposição feita por mais um adepto do piloto brasileiro.

Na Cafetaria da Ti Bilene, em Évora, há um espaço dedicado a ele, feito por um dos proprietários, Cesar Almeida, onde colocou fotografias, miniaturas e videos sobre ele. E o Gonçalo foi visitá-lo para falar com ele e saber qual a ideia por trás desta exposição.

O video é comprido - quase dez minutos - mas vale a pena vê-lo.

O regresso do salto de Fafe-Lameirinha

O Rali de Portugal acontecerá só na semana que vêm, mas este sábado, dezenas de milhares de pessoas vieram a um ponto em particular para ver carros de ralis literalmente... a voar. Tinha visto fotos ontem à tarde, na preparação na zona do Confurco, onde desde as habituais roulotes das tasquinhas até caravanas, e os mirones a encherem aquilo, lentamente, a relembrar tempos já idos.

Fafe-Lameirinha e o seu salto é tão importante para o imaginário como Ouninpohja, na Finlândia, ou o Col de Turini, nos Alpes franceses, a caminho do Mónaco. Se forem ver os videos editados do Antti Kalhola, podemos ver que os três locais estão muito bem representados em todos eles. E com Jean Todt na FIA e Michele Mouton a representar a Federação nos Ralis, há essa esperança no passado. E o espectáculo de hoje é um primeiro ensaio nesse sentido. Um ensaio muito bem sucedido, diga-se.

Para os adeptos "hardcore", um Rali de Portugal "a sério" tem de passar pelo Norte, tem de passar por Arganil, por Fafe e por Figueiró dos Vinhos, tem de ter classificativas de madrugada, porque foi aí que a fama do rali como sendo um dos melhores do mundo, nos anos 70 e 80, se acentuou e que hoje em dia, com o rali concentrado no Alentejo e Algarve, só demonstra, para essa gente, que o rali só tem nome e muito pouco de carisma e que foram para lá como forma de preservá-lo no quadro do Mundial de Ralis. Como se tivesse de pagar um preço para conseguir esse lugar tão precioso no Mundial.

O resultado é um pouco secundário, diga-se. Mas ver aquela gente toda a saltar, Löeb, Latvala, Solberg, Hirvonen, Al-Attiyah, Armindo... onze anos depois da última vez, foi um momento altamente vivido por aquela gente. E a esperança de que Carlos Barbosa, o homem atrás do ACP - Automóvel Clube de Portugal - refaça o percurso do rali para Norte e convença as equipas que vale a pena regressar ao passado, ficou viva. E os adeptos "harcore" reviveram tudo outra vez.

sábado, 24 de março de 2012

O "Novo" Pacto da Concórdia

Causou sensação esta manhã em Sepang o anuncio, proveniente da boca de Bernie Ecclestone sobre o facto de que as equipas chegaram a acordo sobre um novo Pacto (ou Acordo) de Concórdia, que entraria em vigor em 2013, após o final do prazo do actual. “Estou muito satisfeito em anunciar que chegámos a um novo acordo comercial com a maioria das escuderias, incluindo Ferrari, McLaren e Red Bull”, escreveu o octogenário no site oficial da Formula 1.

Este era um "anuncio" de uma certa forma esperado, porque desde o fim de semana de Melbourne que se sabia que iria haver um anuncio iminente em relação a esta matéria, e alguns pormenores tinham até sido "vazados" para a imprensa mundial, muito provavelmente tendo como fonte o próprio Ecclestone, que era para ver como é que iriam reagir as pessoas, esperando sair mais uma vez vencedor neste tipo de negociações.

A sensação que se fica, pelo que se ouve e lê, é que Ecclestone gosta de meter a boca no trombone, anunciando coisas como "fait accompli", ou seja, factos consumados, levando sempre a sua adiante. Diz-se isto porque nenhuma das equipas visadas confirmou o acordo, muito pelo contrário. Se com isso a ideia era de conseguir dividir a FOTA, tornando-a inutil, isso já aconteceu muito antes, quando Ferrari e Red Bull sairam da organização no final do ano. E o anuncio da McLaren no campo dos que aceitaram o acordo é importante, pois mostra - pelo menos para quem vê isto de fora - que bastou Ecclestone dar o que eles queriam para conseguir o tal Pacto (ou Acordo). E também se fala que só a Mercedes, Williams, Caterham, Marussia e HRT é que não chegaram a acordo sobre este novo Pacto (ou Acordo).

Contudo, há factos que alguns "insiders" ainda não conseguiram ter resposta. Primeiro que tudo, quais são os detalhes deste Pacto (ou Acordo). Aliás, se formos ver ao longo da história, muito poucos detalhes foram revelados nos acordos (ou pactos) passados. Sabe-se de alguns princípios genéricos e as partes que cada um tem no bolo crescentemente maior das transmissões televisivas e dos "fees" que os circuitos e organizadores pagam para ter  a Formula 1 no seu país, que é, como sabem, crescentemente alto. Sabe-se que Bernie Ecclestone tem 50 por cento do negocio, através da FOM, e parece que desta vez quer dar uma fatia de 15 por cento pertencente a "ex-falida" Lehman Brothers às equipas de Formula 1, nomeadamente a Red Bull e a Ferrari, as duas mais importantes do campeonato, e que essas ações iriam ser lançadas na Bolsa de Singapura. E agora, parece que também a McLaren está no barco.

Daí que o Luis Fernando Ramos diga isto hoje, de Sepang, no seu blogue, sobre o que vão ser os próximos anos da categoria: "um abismo cada vez maior entre os times poderosos e os pequenos; um modelo de realização de corridas que traz algumas com arquibancadas às moscas como essa em Sepang; as habituais polêmicas sobre soluções técnicas que custaram milhões e são complicadas de explicar para o torcedor médio."

Uma coisa é certa: mais uma vez, parece que Bernie Ecclestone levou a sua adiante. "Divide et impera", dividir para reinar. Tiro o chapéu pelo seu método de negociação, pois é unico, e cada vez mais ficamos com duas ideias: a Formula 1 atual foi definitivamente moldado para uma "Formula Ecclestone" e que ele, aos 81 anos, ainda continua a dar cartas. Ele é, sem qualquer tipo de dúvida, o melhor vendedor de automóveis da História da Humanidade.

Formula 1 2012 - Ronda 2, Malásia (Qualificação)

Para quêm vê a tabela de tempos, fica com a sensação de "papel químico": Lewis Hamilton foi o melhor, na frente de Jenson Button, com Michael Schumacher em terceiro. E de facto, é verdade: os três primeiros são uma quase repetição da grelha australiana, excepto que o alemão foi quarto em Melbourne. Mas Romain Grosjean não andou longe: foi sétimo na qualificação, do qual subirá um lugar com a penalização do seu companheiro de equipa, Kimi Raikkonen, que fora quinto... com o mesmo tempo de Mark Webber, o quarto.

O facto de Lewis Hamilton ter voltado a repetir a pole-position, na frente de Button mostra que está aparentemente imperturbável com o sucedido na corrida australiana, onde foi batido por Button e Sebastian Vettel, acabando numa (aparentemente) pálida terceira posição. Contudo, ele poderá querer mostrar também que deseja que o seu fim de semana seja perfeito: pole e vitória, com a volta mais rápida de permeio. Tudo para demonstrar que é candidato a campeão e não deixar que Button o domine. Resta saber se ele - e o resto da concorrência - o irá deixar fazer isso.

O velho alemão, heptacampeão do mundo, está a ter um bom começo de temporada. Depois de ter sido quarto na grelha australiana, agora é terceiro na grelha malaia, a 172 centésimos de segundo da pole-position, batendo pela segunda vez Nico Rosberg, que teve pequenas falhas na sua volta mais rápida e não conseguiu mais do que um oitavo posto - sétimo com a penalização de Kimi Raikkonen. Veremos se a corrida lhe será favorável, o que a acontecer, seria um sinal de que este Mercedes é mais do que um carro de qualificação, como parece estar a demonstrar. 

Interessante foi ver Sebastian Vettel com uma estratágia diferente, correndo com pneus duros, e conseguindo apenas o sexto melhor tempo - quinto, com a penalização de Raikkonen. Ele afirma que fez essa opção porque não se sentia confortável com os pneus mais moles, mas toda a gente saber que isso pode significar uma estratégia diferente na corrida, ficando mais tempo em pista: “Não estava confortável com os pneus macios pelo que optei por pneus duros. Espero que amanhã isso possa ser uma vantagem e espero poder ficar mais tempo em pista e ganhar alguma flexibilidade no primeiro turno da corrida. Vamos ver em que posição estamos e faremos o nosso melhor”, afirmou o campeão do mundo.

Fernando Alonso continua a transformar "leite de pedra" e levou o seu Ferrari até ao nono posto, na frente do Sauber-Ferrari de Sergio Perez, que continuou a mostrar que este chassis foi bem nascido. Os dois conseguiram desalojar da Q3 o Williams de Pastor Maldonado e o Ferrari de Felipe Massa, que apesar de ter melhorado um pouco, não entrou na fase decisiva, e faz acentuar ainda mais as criticas ao piloto e ao fato do carro ser mal nascido. E Massa não foi ultrapassado por Bruno Senna em apenas 11 centésimos...

Quanto a Maldonado, a sua rapidez ainda não foi totalmente domada: na sua primeira tentativa, ele saiu de pista, perdeu tempo para que os mecânicos pudessem verificar o carro, procurando por danos, e no final só teve uma tentativa verdadeiramente limpa. Pode-se imaginar o que teria acontecido se conseguisse mais do que uma tentativa, não é? O que demonstra duas coisas: que a Williams fez um bom carro e Maldonado é um piloto rápido, mas pouco consistente.

A Williams conseguiu um resultado de conjunto melhor do que os Force India e os Toro Rosso. Esta última até viu um dos seus pilotos, Jean-Eric Vergne, a não conseguir passar para a Q2, acompanhando os Caterham, os Marrussia e os HRT, que por fim, conseguiram tempos que lhes permitem alinhar na corrida, embora tenham ficado a 1,5 segundos... do pior dos Marussia. A continuar assim, pode ser que os passe por alturas da Coreia do Sul. Mas o objetivo da época está alcançado, para Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan.

Amanhã, de manhã, haverá Grande Prémio. Será à chuva ou haverá tempo só para o piso seco?

A saga da Copersucar Fittipaldi, feito pelo Rianov

Que toda a gente tem enorme respeito por Emerson Fittipaldi, isso têm. E todos sabem sobre a saga da Copersucar, a unica equipa brasileira na história da Formula 1. Mas pouca gente sabe, hoje em dia, como é que aconteceu e que impacto é que ela teve, e não foi negligente, apesar de nunca ter ganho qualquer corrida e ter contribuido para o final algo penoso da carreira de Emerson.

Mas agora, trinta anos depois do seu fim, podemos ver o seu legado: para além de Emerson e Wilson, pilotaram nomes como Ingo Hoffamnn, Arturo Merzário, Keke Rosberg, Alex Dias Ribeiro e Chico Serra. E passaram por lá nomes como Peter Warr, Harvey Postlethwaithe e um jovem Adrian Newey, para além de Ricardo Divila, que desenhou os primeiros chassis da marca. 

E nesta sexta-feira, o fabuloso Rianov Albinov fez na Jalopink brasileira um enorme tributo fotográfico à equipa que existiu entre 1975 e 1982, que conseguiu três pódios em 120 Grandes Prémios, e 44 pontos no total. E em certos anos, como em 1978 e 1980, ficou na frente de algumas equipas como McLaren, Alfa Romeo e Ferrari.

Podem ver o tributo a partir deste link. E vale a pena a visita.  

sexta-feira, 23 de março de 2012

Formula 1 em Cartoons - Os fantasmas de Felipe Massa

Com o mau desempenho dos Ferrari, os críticos tentam encontrar o elo mais fraco, para poderem agitar os seus fantasmas, para ver também se conseguem influenciar alguma coisa. E claro, Felipe Massa, cujo desempenho na Austrália foi fraco, é o primeiro dos alvos. E alguns jornalistas em Itália agitaram os nomes de Jarno Trulli e Rubens Barrichello, afirmando que esses veteranos fariam melhor do que ele.

E claro, o Bruno Mantovani não deixou escapar essa oportunidade para fazer um pilotoon seu sobre a situação.  

A crise na Ferrari, vista pelo jornal i

Os problemas da Ferrari já são mais do que conhecidos, bem como a sua vontade de reagir por parte da Scuderia de Maranello, sob pena de acabar o ano no quinto lugar dos construtores, atrás de Lotus ou a lutar por milgalhas com Force India, Toro Rosso, Sauber e Williams. Em Itália já se pedem cabeças e julgam que Felipe Massa deveria ser o primeiro a cair, por ser provavelmente o elo mais fraco nessa cadeia, desconhecendo - ou não - que o ponto fraco é mesmo o carro. E pelo que se lê nesta noticia do jornal i, escrita por Rui Catalão, que a Ferrari está disposta a conceder uma nova oportunidade a Massa e provavelmente irá fazer uma versão B do carro de 2012. 

Tem de ser, porque ninguém em Itália e no resto do mundo perdoará uma má época do Cavallino Rampante. E caso aconteça, pedirão a cabeça de toda a gente.

FERRARI. SE NÃO PRESTA, O MELHOR É MUDAR JÁ

Por Rui Catalão, publicado em 23 Mar 2012 - 13:53 | 
Actualizado há 2 horas 6 minutos 

O F2012 desiludiu nos testes e na Austrália. A equipa italiana está a preparar um carro novo para o GP do Bahrein ou de Espanha. Pelo caminho também pode pensar num novo piloto

Em semana de grande prémio, as quintas-feiras na Fórmula 1 são como um casal à beira do início do namoro: a acção está perto de começar, mas ainda não rolou nada. As equipas já têm todo o material no circuito, fazem as alterações que faltam aos carros. Os pilotos também lá estão, dividem o tempo entre os engenheiros e os jornalistas, o trabalho e o descanso.

Na Malásia, a Ferrari aproveitou a quinta-feira para prestar uma homenagem há muito pensada. A escuderia foi até à curva 11 para lembrar o acidente que matou Marco Simoncelli, piloto italiano, na prova de 2011 do MotoGP em Sepang. “Sic, 58. Sempre com noi”, lia-se na placa que Fernando Alonso e Felipe Massa seguravam, no meio da pista.

Foi um momento de luto, que aconteceu no meio de outro: a Ferrari está prestes a dar como morto o F2012. O carro desenhado por Nicholas Tombazis e Pat Fry vai durar apenas mais dois ou três grandes prémios, tempo suficiente para ser preparada uma alternativa. Os resultados nos testes de pré-época e mesmo no GP da Austrália ficaram longe daquilo que a equipa italiana esperava. Pastor Maldonado, por exemplo, mostrou durante a corrida de Melbourne que o Williams tinha ritmo suficiente para pressionar – e até ultrapassar – Alonso.

O quinto lugar do espanhol foi um mal menor. As expectativas estavam niveladas bem mais por baixo, mas também não mudaram só porque Alonso conseguiu terminar logo atrás dos monolugares mais fortes da Fórmula 1: os McLaren (Jenson Button em primeiro e Lewis Hamilton em terceiro) e os Red Bull (Sebastian Vettel no segundo lugar e Mark Webber no quarto). Na verdade, foi há quase um mês, durante o primeiro teste de Barcelona, que se pôs a questão: continuar a trabalhar no F2012 ou pensar num plano B?

No início da semana, Stefano Domenicalli chamou as tropas a Maranello para uma reunião de emergência. Antes de voar para Itália, o patrão da Ferrari já tinha reconhecido o estado : “Temos problemas fundamentais. Um é a velocidade e o outro é a tracção. Como é óbvio o carro estará praticamente igual [na Malásia] porque é já no próximo fim-de-semana, mas vamos tentar melhorar alguma coisa com as afinações. E depois para a China, o Bahrein, etc, vamos levar algumas mudanças.

MASSA EM RISCO? O plano B da Ferrari pode não se resumir à construção de um novo carro. Desde o acidente na Hungria, em Julho 2009, que Felipe Massa tem estado muito longe daquilo que já mostrou em pista. Ao longo da época passada já houve quem pedisse a cabeça do brasileiro; agora, Massa corre o risco de perdê-la caso continue a desiludir. Em Melbourne foi forçado a desistir após um acidente com o compatriota Bruno Senna. Isso não esconde, ainda assim, o que se tinha passado na qualificação: Massa foi 16.º, a 2,5 segundos do melhor tempo registado por Lewis Hamilton, o mais rápido da sessão.

A especulação já está em andamento. Uma das hipóteses para substituir o brasileiro é Sergio Pérez, que corre pela Sauber (parceira da Ferrari) e está integrado no programa de jovens pilotos da equipa italiana. “É muito cedo para especular”, diz o piloto de 22 anos. Mas a lista não acaba nele: Jarno Trulli e Adrian Sutil também estão entre os nomes falados.

Massa, por agora, garante que vai trabalhar para fazer melhor. “Estamos a tentar tirar o melhor rendimento possível do carro, ainda que toda a gente saiba que não estamos na posição em que gostaríamos de estar. Espero que o carro possa funcionar melhor neste circuito do que na Austrália.” O brasileiro também precisa de trabalhar melhor. Senão pode não durar muito mais.

Formula 1 2012 - Ronda 2, Malásia (Treinos)

Cinco dias depois de Melbourne, a fantástica logistica que a Formula 1 detêm há vários anos tornou habitual o que há uns anos seria visto como um milagre, que é o de colocar num outro sítio, milhares de quilómetros do primeiro, todo o material relativo à Formula 1: chassis, pneus, peças mecânicas e aerodinâmicas, entreo utras coisas.

Em Sepang, um lufgar nos arredores de Kuala Lumpur, a capital do país, e logo ao lado do aeroporto, máquinas e pilotos andaram a climatizar-se ao ambiente local, ao calor tropical e à imprevisibilidade do boletim meteorológico. Mas não foi com esta mudança de ambiente que os McLaren mirraram, bem pelo contrário: Lewis Hamilton queria reagir à sua prestação na Austrália, onde foi batido por Jenson Button e Sebastian Vettel, e assim sendo, liderou a tabela de tempos em ambas as sessões de treinos livres. Na primeira sessão, bateu Sebastian Vettel por 514 centésimos, e na segunda, foi melhor que Michael Schumacher em meros 361 centésimas de segundo.

Mas se Hamilton mostrou consistência nestas sessões de treino, o resto foi equilibrado. Os Mercedes apareceram, com um terceiro e um quarto posto na primeira sessão de treinos, para além do tal segundo posto do veterano alemão. E a Lotus mostrou-se, claro, com o quinto lugar de Romain Grosjean e o sétimo posto de Kimi Raikkonen na primeira sessão de treinos livres. Na segunda sessão, os resultados foram bem mais modestos, e ainda por cima, Raikkonen viu-se com mais problemas: teve de mudar de caixa de velocidades, e por isso, irá perder cinco posições na qualificação.

Quem também meteu o bedelho nas sessões de treinos livres foram os Toro Rosso, com Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne a andarem consistentemente nos dez primeiros, especialmente na segunda sessão. O australiano foi quinto e o francês foi oitavo, com o Ferrari de Fernando Alonso e o Red Bull de Mark Webber entre eles.

E os Ferrari mostraram algumas melhoras, com Felipe Massa a ficar à frente de Fernando Alonso na primeira sessão, antes do contrário acontecer na segunda, onde o brasileiro fez o 16º tempo. Apesar desta aparente má posição, o brasileiro era um homem confiante: “Amanhã o carro pode dar um grande passo e estar muito mais competitivo do que aquilo que se viu em termos de tempos por volta hoje”, referiu.

Para os lados da Williams, a primeira sessão foi marcada pelo fato do segundo carro ter pertencido ao finlandês Valteri Bottas, que não fez feio, marcando o 11º tempo na sessão, naquela que foi a sua primeira vez aos comandos de um Formula 1 numa sessão oficial. E ficou um lugar mais à frente de Pastor Maldonado. Na segunda sessão, as coisas correram um pouco pior para Bruno Senna, que apenas marcou o 17º tempo.

Atrás, na cauda do pelotão, os Hispania - ou HRT - não sairam de lá, mas diminuram o fosso que tinham em relação à corrida australiana, colocando esperanças em que poderão fazer tempos inferiores ao limite dos 107 por cento. Novas peças e um sistema DRS para o carro foram as grandes novidades, que levaram à melhoria dos tempos. E Pedro de la Rosa exprimia essa esperança, no final da sessão:

Esperávamos ficar dentro do limite dos 107 por cento, com tudo o que temos de novo como o DRS e as novas partes a funcionarem, como a direção assistida. Mas não devemos ficar demasiado confiantes porque nunca se sabe quanto combustível levam os outros carros. Penso que estamos bem, mas não podemos ficar por aqui. Temos de tentar ficar mais rápidos amanhã, porque esta é a primeira vez que conseguimos rodar com o carro de forma fiável desde que este nasceu”, comentou.

Na próxima madrugada temos a qualificação. E veremos se será mais do mesmo ou haverá algo mais. 

Noticias: Carlos Sousa renova com a Great Wall até 2014

Na mesma altura em que os organizadores do Rali Dakar anunciaram o percurso da mesma no ano que vêm, o português Carlos Sousa, que terminou o Dakar deste ano no sexto lugar com os chineses da Great Wall Haval,  regressava da China com boas noticias: o projeto para 2013 iria continuar, com o piloto português ao volante, e provavelmente com um navegador português.

Apesar dos sinais que ia recebendo indicarem que esse seria o caminho, a verdade é que faltava ouvir dos responsáveis da Great Wall quais eram os planos futuros e de que forma o projeto iria evoluir”, começou por dizer Carlos Sousa. “Estive reunido com o presidente da marca e com o responsável pelo departamento de Motorsport. Mais uma vez, fui muito bem recebido e além dos elogios e felicitações pelo resultado conseguido no último Dakar, ficou assente que prolongaríamos a nossa ligação para o próximo Dakar”, revelou o piloto português.

O prolongamento do contrato do piloto português para a temporada seguinte está de acordo com os objetivos da marca, que quer apostar fortemente para a edição de 2014, com um novo modelo. “É um objetivo a longo prazo e que passa por construir um novo carro de raiz, algo que seria impossível de concretizar já no próximo ano e num tão curto intervalo de tempo”. 

Nesse contexto, “vamos agora apostar em melhorar o carro que levámos ao último Dakar, procurando resolver alguns dos problemas que limitaram a nossa performance, como é o caso, por exemplo, do sobreaquecimento do motor. Pelo menos, teremos agora mais tempo para testar e validar o nosso trabalho, aproveitando também o melhor conhecimento que a equipa tem deste carro”. 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Noticias: Dakar 2013 começa no Peru e acaba no Chile

Menos de dois meses após o final da edição de 2012, a ASO divlugou esta quarta-feira o percurso da edição de 2013, e a novidade é que a partida será no Peru e a sua chegada será no Chile, com passagem pela Argentina. O anuncio confirma o rumor que tinha sido lançado por alturas do Rali Dakar, provocado pelo "lapsus linguae" de um membro do governo chileno, que tinha afirmando à imprensa da chegada do rali em terras chilenas.

Entre os dias 5 e 20 de janeiro do ano que vêm, a prova começará em terras peruanas, antes de uma primeira passagem pelo Chile, mais concretamente no deserto de Atacama, para depois entrar na argentina, mais concretamente até Tucuman, local onde a caravana terá o seu dia de descanço, a 13 de janeiro.

Após isso, a caravana volta ao Chile, onde acabará na capital, Santiago. O percurso será de quase oito mil quilómetros e os organizaores prometem que será tao dificil como nas edições anteriores.